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terça-feira, 3 de abril de 2012

Crítica - Um método perigoso

Triângulo amoroso-intelectual 

Um método perigoso (A dangerous method, EUA/CAN 2011) propõe uma minuciosa análise das circunstâncias que aproximaram e afastaram Jung e Freud, os dois principais pilares do pensamento psicanalítico. E faz isso da maneira mais atraente possível, ao iluminar a figura de Sabina Spielrein (Keira Knightley). A russa judia foi a primeira paciente de Jung, interpretado com precisão e respeito por Michael Fassbender, tratada pelo método revolucionário proposto por Freud (Viggo Mortensen). A cura pela fala era algo ainda visto com profunda desconfiança pela comunidade médico-científica e o entendimento de Freud alinhava à sexualidade todos os problemas de ordem emocional/psicológica.
O que Um método perigoso captura com extrema sensibilidade crítica é a forma como Sabina desestabilizou convicções de Jung e proporcionou um amadurecimento do pensamento teórico freudiano. Essa vertente é patenteada pela conflituosa relação que se estabelece entre os três vértices desse triângulo. Embora Sabina e Jung se relacionem amorosamente, é com Freud que a futura psiquiatra irá desenvolver afinidade teórica. Esse embasamento se mostra riquíssimo na construção dramática de Um método perigoso e no comentário que Cronenberg e o roteirista Christopher Hampton tecem sobre esses personagens. A fita se prolonga por cerca de 15 anos e finda pouco antes da eclosão da primeira guerra mundial. O interesse de Cronenberg em radiografar a evolução do relacionamento entre Freud e Jung pode submergir o espectador em um filme verborrágico e pouco contemplativo. O que não é necessariamente algo negativo. A constante insurgência de conflitos sofisticadamente colocados pelos personagens transmuta Um método perigoso em uma seção de análise reveladora. Não à toa, o filme se encerra com seus personagens mergulhados em erupções internas e diante de frustrações de variadas procedências.

Keira e Fassbender em momento de tensão sexual: a cura de um está diretamente relacionada ao surgimento de angústias existenciais por parte do outro


Freud, na construção vigorosa de Viggo Mortensen, é um sujeito calmo que demonstra grande ansiedade pelo que julga ser uma contribuição inestimável à humanidade. É também um sujeito arrogante, suscetível a alguma inveja do abastado Jung e ainda mais intransigente no que toca a defesa de seu ponto de vista. No entanto, sua retidão moral e teórica é algo que não foge à percepção da realização. Por outro lado, Jung é registrado com mais carisma e fragilidade por Michael Fassbender. O despudor de Jung para afrontar Freud em suas convicções é algo valorizado pela narrativa que não o condena por seus desvios teóricos e morais, mas acaba por reforçar – ao menos dramaticamente – o método freudiano através deles.
Keira Knightley faz por merecer novo elogio pormenorizado em seu segundo trabalho consecutivo. Depois de uma aparição contida e generosa em Não me abandone jamais, a atriz assume o difícil papel de Sabina com inteligência e relevo dramático. A histeria da personagem quando a conhecemos é apresentada com sagacidade pela atriz que elaborou cacoetes capazes de transmitir à audiência a agonia que sua personagem experimenta. O flerte com a caricatura é algo do qual Knightley escapa habilmente. Ajuda, é claro, ter Michael Fassbender como bússola.
Um método perigoso é uma amostra de como o cinema pode se apresentar como articulador de ideias e revisor histórico. Se não é um filme pulsante e catártico como geralmente o são as fitas de Cronenberg, é embasamento teórico para a obra de um cineasta um tanto freudiano e fonte incendiária para debates dos seguidores de ambos os intelectuais. É cinema que pensa!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Filme em destaque - Um método perigoso

Freud e Jung devassados
O aguardado novo trabalho de David Cronenberg estreia nessa sexta-feira (30) no Brasil e aborda os diferentes picos da relação entre os dois principais idealizadores da psicanálise. Claquete apresenta os percalços da produção e como o filme, aparentemente desconectado da filmografia do diretor, é essencialmente cronenbergiano



Está cansado de Michael Fassbender? Pois ele é o novo elemento da terceira colaboração entre o cineasta canadense David Cronenberg e o ator americano Viggo Mortensen. Até que Um método perigoso chegasse ao cinema, muita coisa mudou – com exceção da participação de Michael Fassbender na fita. Originalmente intitulado The talking cure, o filme oporia os astros de Bastardos inglórios – Chistoph Waltz foi substituído por Moterssen quando preferiu fazer o mais comercial Água para elefantes. O roteiro de Christopher Hampton, adaptado da peça do próprio, que por sua vez era baseada no livro “A most dangerous method” de John Kerr, enfoca o relacionamento de Freud e Jung – os dois principais pilares do pensamento psicanalítico. Cronenberg, posteriormente mudou o nome do filme e se viu na contingência de mudar seu Freud. Com a desistência do austríaco vencedor do Oscar, o diretor canadense recorreu a seu escudeiro que surpreendeu tão positivamente que concorreu ao globo de ouro de melhor ator coadjuvante pelo filme e foi responsável pela lembrança mais midiática a Um método perigoso na temporada de premiações passada.
Cronenberg, em entrevista ao The Guardian, em dezembro de 2011, já previra que seu filme não decolaria nos prêmios. “É muito obscuro”. O filme recebeu críticas elogiosas por onde passou desde a estreia no último festival de Veneza, como Toronto, Rio de Janeiro e Nova Iorque.


O sexo como catalisador
Se em Shame, atualmente em cartaz no país, Fassbender faz um homem perseguido por sua volúpia sexual, aqui ele compõe um Jung igualmente atormentado – ainda que esse tormento obedeça a diretrizes diferentes. A formulação do pensamento psicanalítico por Freud e Jung, e as cada vez mais frequentes divergências entre ambos, são os pontos principais do filme que recorre a um episódio historicamente pouco convencionado quando em pauta estão quaisquer uns dos dois. A influência da russa Sabina Spielrein, no filme vivida pela atriz Keira Knightley, na construção da teoria psicanalítica jungiana.
Knightley não era a primeira opção do roteirista Christopher Hampton, que também atua como produtor associado. Ele tinha em mente a atriz Julia Roberts, mas um convite nem sequer chegou a ser feito. Roberts talvez fosse velha demais para o papel, alguém na produção deve ter ponderado. A primeira atriz a ter o papel ofertado foi Keira, que há muito ansiava por uma oportunidade de trabalhar com Cronenberg. Ela admitiu, em entrevista à Folha de São Paulo, ter ficado receosa em fazer as cenas de sexo, mas que foi tranquilizada pelo diretor que afirmou que as cenas seriam “clínicas e não sensuais”. A opinião de parcela da crítica em Veneza é de que foram “pudicas”.  
De qualquer maneira o sexo está lá: a perfilar os personagens de Cronenberg em seu filme mais acadêmico.

 Jung e Sabina em análise: base da teoria jungiana é empírica e Um método perigoso se arrisca a refleti-la 


As obsessões de Cronenberg
Eis aí palavras que podem soar dissonantes. Acadêmico e Cronenberg. O cineasta do grotesco à frente de uma produção sofisticada, de alta voltagem intelectual, com atores classudos e um tema, bem, um tema que não poderia ser mais “cronenbergiano”.
Transformações e obsessões são elementos que sempre pautaram o cinema do diretor canadense. Mais recentemente esses temas se bifurcaram em histórias mais lineares e bem delimitadas (Marcas da violência e Senhores do crime). Um método perigoso busca cercar a questão por um prisma pouco experimentado por Cronenberg, mas para o cineasta de Crash –estranhos prazeres (1996), A mosca (1986), Scanners – sua mente pode destruir (1981) e Spider- desafie sua mente (2002) faz todo sentido abordar Jung e Freud no momento em que amadurecem seus pensamentos que servem de base para a psicologia moderna. 

domingo, 8 de janeiro de 2012

Momento Claquete # 24

Albert Brooks é um dos atores mais premiados da temporada até o momento. É o único trunfo de Drive, um dos filmes mais elogiados do ano, no Globo de ouro

Angelina Jolie nos sets de In the land of blood and honey, filme que concorre na categoria de melhor filme em língua não inglesa. Uma vitória, dado o entusiasmo da crítica com sua estreia na direção, não seria uma total supresa 

O veterano ator irlandês Breandan Gleeson concorre pela segunda vez ao Globo de ouro de melhor ator em cinema. Concorreu há três anos por Na mira do chefe. A primeira vitória pode vir pelo trabalho em O guarda 


Bérénice Bejo tasca um beijo no colega Jean Dujardin na premiere de The artist no festival de Cannes 2011: ele é o favorito na categoria de ator em comédia/musical e ela está indicada para melhor atriz coadjuvante


Kate Winslet e Jodie Foster, duas das principais atrizes do cinema atual, são colegas de elenco em Carnage e concorrentes pelo mesmo filme na categoria de comédia/ musical 


Kristen Wiig pode ser uma das surpresas caso vença um time acima de qualquer suspeita entre as atrizes que concorrem em comédia/musical por seu trabalho em Missão madrinha de casamento

Rooney Mara, que concorre a melhor atriz em drama por seu trabalho em Os homens que não amavam as mulheres, é o patinho feio (e jovem) entre atrizes consagradas 

Steve Zaillian, ao lado do multipremiado Aaron Sorkin, pode ganhar o troféu de roteiro pelo texto já bastante premiado de O homem que mudou o jogo 

Michael Fassbender e Viggo Mortensen, na foto em uma premiere de Um método perigoso, foram indicados. Viggo concorre por esse filme em questão entre os coadjuvantes e Michael disputa o prêmio de melhor ator em drama contra astros já consolidados por Shame

 O compositor Abel Korzeniowski exibe um prêmio conquistado pela trilha de Direito de amar. Ele está na disputa pela globo de ouro de melhor trilha sonora pelo trabalho em W.E, de Madonna



A atriz Octavia Spencer é tida como  "virtual bicho papão" da categoria de atriz coadjuvante por seu papel em Histórias cruzadas

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as estrelas que andam reluzindo no Rio de Janeiro, o melhor Woody Allen dos últimos cinco anos na opinião do leitor do blog, a psicanálise segundo David Cronenberg, cartazes lindos de doer e Leonardo DiCaprio tentando provocar ciúmes em Martin Scorsese.



O melhor Woody Allen dos últimos tempos
Existe uma verdadeira convulsão cinéfila em torno do mais recente filme de Woody Allen, Meia noite em Paris. A fita, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, já se tornou a maior bilheteria do cineasta americano nos últimos 25 anos. Uma estatística a ser comemorada. Claquete quis saber do leitor, qual é o melhor Woody Allen dos últimos cinco anos. Meia noite em Paris ainda não conseguiu a liderança, mas assegurou um honroso segundo lugar com 15% dos votos. Tudo pode dar certo (2009) conquistou a 50% dos votos e ficou com a primeira posição. Curiosamente, o filme protagonizado por Larry David é o único que não caiu nas graças da crítica americana e que não foi rodado nos EUA. Vicky Cristina Barcelona (2008), com 10%, ficou com a terceira posição. O sonho de Cassandra (2007) e Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010) vieram logo atrás.

Woody Allen e Larry David nos sets de Tudo pode dar certo: o melhor do diretor nos últimos cinco anos



A boa crítica de cinema
A coluna Questões cinematográficas desse mês de junho, intitulada “ a homogeneidade da crítica de cinema e esterilização da análise fílmica”, repercutiu bem junto ao leitor de Claquete. Alguns solicitaram mais informações a respeito da revista Teorema, citada na coluna. Editada pela jornalista Ivonete Pinto, Teorema é uma revista gaúcha de circulação restrita. A periodicidade da publicação, que já foi trimestral, é semestral. Cineastas, articulistas, professores universitários, jornalistas e diretores de teatro compõem o corpo de críticos da revista que tem como objetivo uma análise mais aprofundada do cinema. Os principais filmes lançados no período são agrupados e analisados por críticos com vasta bagagem cultural e cinematográfica.
A revista, no entanto, não é fácil de achar. Fora de Porto Alegre, ela pode ser encontrada na rede de livrarias Cultura – em São Paulo, Brasília, Curitiba e, em breve, no Rio de Janeiro. O e-mail da redação é revistateorema@yahoo.com.br


DiCaprio e as boas parcerias
Nem bem terminou sua participação em J. Edgar, drama sobre o criador do FBI que Clint Eastwood prepara para lançamento no final desse ano, e Leonardo DiCaprio já surge como potencial integrante do elenco do novo filme de Clint: o remake de Nasce uma estrela. O filme, anunciado no final de 2010, terá como protagonista a cantora e atriz Beyoncé Knowles. Previsto para 2012, o filme pode confirmar DiCaprio como o principal vértice de um triangulo cinematográfico invejável. De um lado Clint e de outro Scorsese que já o escalou para ser seu Frank Sinatra.


Tira-teima do Oscar
Com a chegada de 127 horas, O discurso do rei e Bravura indômita às locadoras e megastores ficam disponíveis todos os concorrentes ao último Oscar de melhor filme. A oportunidade de rever, ou ter, essas produções é preciosa e válida para - fora do calor do momento- aferir a ótima qualidade dos indicados. Vale, também, para ficar patente como O discurso do rei - que funciona melhor em casa- não era o melhor filme do ano.



O surgimento da psicanálise segundo Cronenberg
Desde que foi anunciado, A dangerous method (que na verdade se chamava inicialmente The talking cure) é aguardado com ansiedade por crítica e cinéfilos. O novo filme de David Cronenberg (e ele já está rodando Cosmópolis com Robert Pattinson) apresenta a gênese da rivalidade entre Freud e Yung. Semana passada, o primeiro trailer foi liberado. Sexo, ego, superego e outras sofisticações terapêuticas são ensejadas no trailer mais misterioso do ano. Entre Viggo Mortensen (Freud) e Michael Fassbender (Yung) está Keira Knightley. Não precisamos de Freud (ou de Yung) para intuir Oscar buzz.





Os posters do Capitão
O filme pode até decepcionar; e a probabilidade de que isso aconteça, já que Joe Johnston é o diretor de Capitão América: o primeiro vingador, é grande. Mas é inegável que os cartazes do filme, com seu charme vintage, são de causar frisson de ansiedade pelo filme.



 
... e contando
Vin Diesel, Paul Walker, Josh Duhamel, Michael Bay, Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Jamie Foxx, Jim Carrey, além é claro, de Barack Obama. Esses são alguns dos astros que desembarcaram no Rio de Janeiro nesse primeiro semestre.
O crescimento econômico é a principal razão para atrair esse pool de astros de primeira grandeza das artes e da política ao país. No campo do cinema, vale registrar que Brasil apresentou o maior crescimento percentual de bilheteria em 2010. Foram 31% ante 25% do México, que por dez anos ocupou o posto de mercado que mais crescia na América Latina. É bem verdade que o México está bem mais evoluído do que o Brasil, seja no mercado exibidor, distribuidor ou produtivo, mas o México não tem o Rio de Janeiro não é mesmo?

sábado, 6 de novembro de 2010

Cantinho do DVD

Existem aqueles filmes que partem de premissas óbvias para tecer comentários mais profundos do que a obviedade da sinopse sugere. E há aqueles que não conseguem extrapolar a premissa. A estrada, destaque de Cantinho do DVD desta semana, é uma fita interessante para que possamos perceber a diferença entre uma boa ideia e uma boa execução. Não que A estrada seja um filme ruim. Não é o caso. Contudo, é aquele filme que deixa a sensação de que poderia render muito mais. A crítica, que vem a seguir, explica um pouco melhor porque isso ocorre.


Ficha técnica:
Título original: The Road
Direção: John Hillcoat
Roteiro: Joe Penhall  
Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smith McPhee, Charlize Theron e Robert Duvall
Gênero: Drama
Estúdio: The Weinstein company/ Paris filmes
Status: Disponível em DVD e Blu-ray para locação

 
Crítica
 
As expectativas sobre A estrada (The Road, EUA 2009) eram grandes. O filme, adaptado da obra homônima do premiado autor americano Cormac McCarthy, traz em seu cerne uma série de divagações sobre os limites da civilização. Dirigido pelo australiano John Hillcoat, A estrada preserva o tom fúnebre e a narrativa morosa do livro de McCarthy e confia em seu par de protagonistas, Viggo Mortensen e Kodi Smith McPhee, a tutela das emoções da platéia.
Não que o filme ambicione emocionar ou comover. A ideia que move A estrada é mais profunda e menos simples. Busca-se fazer um comentário sobre a finitude do homem enquanto conceito. Na trama, acompanhamos pai e filho tentando sobreviver em um mundo pós-apocalíptico. Mundo em que há escassez de comida e a preocupação constante em não virar alvo de alguns poucos sobreviventes que cederam ao canibalismo. Ao contrário do que a sinopse possa sugerir, não se trata de uma ficção científica ou de um filme de ação com jeito de entretenimento sério. A estrada é um conjunto de metáforas alinhadas de forma calma, contundente e, até certo ponto, previsível. Está nessa previsibilidade – que não chega a ser algo de todo ruim – o grande revés da fita. Hillcoat falha em se aproveitar do impacto do cinema para ampliar a dialética do texto de McCarthy; como fizeram os irmãos Coen com Onde os fracos não têm vez (obra mais famosa de McCarthy).
A estrada é um bom filme, maravilhosamente realizado, que não alcança seus objetivos ironicamente por ter se prendido muito a eles. Tivesse Hillcoat se preocupado menos com as metáforas humanas que já constavam do livro e potencializado aquelas passíveis de iluminação pelo cinema, a presente crítica não discutiria de antemão as expectativas acerca do filme.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

TOP 10

Eles já estão aí há algum tempo. Alguns se proliferam nas comédias românticas, outros em filmes que não guardam nenhum tipo de romantismo. Em comum eles têm a fase em que se encontram na vida. São todos cinquentões. O TOP 10 traz para o leitor e, especialmente, para as leitoras os dez cinquentões mais charmosos do cinema.

10 – Alec Baldwin
                                                                     52 anos                                                                       

Ele pode ter ganhado uns quilinhos, mas Alec Baldwin continua ostentando aquela dose de charme de outrora. Basta ver sua composição sofisticada no recente Simplesmente complicado para constatar que Baldwin ainda pode ser tido como um “catchy”.



9 – Hugh Grant
50 anos

Recém ingresso no clube dos cinqüentões, o inglês de riso fácil é um habituê de comédias românticas. Continuar a estrelar esse tipo de filme aos 50 anos é uma prova cabal de que há mais charme do que o sugerido pelo sotaque.


8- Kevin Spacey


51 anos

Tem coisa mais chique do que americano radicado em Londres? E que dirija uma companhia teatral? Que tenha dois Oscars, gosto apurado pela literatura, politicamente engajado e sempre moderado na hora de usar a voz? Kevin Spacey é assim. Isso também é conhecido em alguns lugares do mundo como charme.


7- Ricardo Darín

53 anos

É pacífico que latinos mexem com as mulheres. Na profusão de clichês atribuídos aos sexy lovers, Ricardo Darín não chega a ser uma exceção. Mas seus atributos vão além deste perfil. Darín esbanja vitalidade sem prescindir da doçura. Tudo embalado pela língua portenha.



6 – Tim Robbins


51 anos

Até pouco tempo ele fazia parte da união mais duradoura de Hollywood. As duas décadas de casamento com Susan Sarandon ficaram para trás, mas a imagem de homem apaixonado, fiel e de classe permanece.



5 - Sean Penn


50 anos

O que dizer de um bad boy com consciência social? Sean Penn já deu uns catilipapos em Madonna, mas também ajudou, com as próprias mãos, na reconstrução de Nova Orleans. Penn é avesso a grandes eventos midiáticos, mas sempre dá um jeitinho de roubar a cena.



4- Bruce Willis


55 anos

Se existe um careca que elas ainda gostam é Bruce Willis. O eterno duro de matar já não exibe a forma física de outrora, mas continua agradando com o sorriso fácil e a postura de astro acidental.



3- Colin Firth

50 anos

Ele conquistou o coração de Bridget Jones e muitas outras mulheres como Mark Darcy. Firth já provou ser grande ator, mas a aura romântica parece lhe acompanhar onde quer que vá. Uma projeção que faz bem a carreira do inglês e ao charme do tímido e retraído ator.

 
 
2- Viggo Mortensen


51 anos

Um dos atores mais polivalentes da Hollywood atual descobriu o sucesso já na idade do lobo, na pele do Aragorn de O senhor dos anéis. Ponderado e extremamente simpático, Viggo tem a seu favor a beleza rústica.



1- David Duchovny

50 anos

De certa forma, ele ainda tem cara de bebê. E isso ajuda entender porque ele dá tão certo na TV e no cinema. Duchovny acaba de completar 50 anos, mas isso não diminui em nada seu charme despojado de mamãe quero colo. Alguém se habilita?

sábado, 7 de agosto de 2010

Claquete destaca

+ Jason Reitman assinou esta semana para dirigir Young adult, novo roteiro de Diablo Cody que não estava conseguindo se viabilizar. Reunir a dupla por trás de Juno (uma das últimas febres independentes), portanto, foi golpe certeiro. Charlize Theron estrelará como uma escritora que, em busca de dias mais felizes, resolve retomar os sonhos da adolescência. Inclusive o antigo namorado. As filmagens devem começar ainda este ano.


+ Viggo Mortensen e Amy Adams foram confirmados no elenco de On the road, novo projeto internacional de Walter Salles. Com as novas adições no elenco, o filme que deve estrear no final de 2011, acaba de ganhar mais razões para ser amplamente esperado pela horda cinéfila.


+ Escolados com o desempenho abaixo do esperado de Eclipse nessa temporada do verão americano, os produtores das últimas duas partes da saga escolheram novembro de 2012 como a data para a estréia de Amanhecer parte 2, último filme da saga. Já que inicialmente estava previsto para junho de 2012, fica patenteado que a saga de Stephenie Meyer não é tão poderosa quando tem concorrência a valer.


+ Foi divulgado o pôster oficial do filme I´m still here: the lost year of Joaquin Phoenix. O documentário polêmico assinado pelo cunhado do ator, Casey Affleck, cobre o período em que Phoenix aparentemente largou a carreira de ator para ser rapper. No filme, que estréia no dia 10 de setembro em circuito limitado nos EUA, Phoenix aparece cheirando cocaína, recebendo sexo oral de uma assistente e abordando prostitutas na rua. Há, ainda, a cena que o Los Angeles Times considerou a mais “escrota” da história: um colega de Phoenix defeca em seu rosto enquanto o ator/rapper dorme. Escatológico é pouco...


+ E as coisas não seguem bem para Tom Cruise. O ator pena para conseguir tirar Missão impossível 4 do papel. Ele chegou a um acordo com a Paramount sobre sua remuneração. O ator aceita uma pequena participação dos lucros do filme. Até aí tudo bem, a questão é que essa remuneração fica condicionada ao filme empatar nas bilheterias o seu investimento. Até este momento, tudo que Cruise terá recebido, será o salário previsto pelo sindicato dos atores. Para quem ganhou U$ 90 milhões com o terceiro filme (que já não tinha sido um grande sucesso), o tempo está sendo mais cruel do que se supunha...


+ As filmagens de Entrando numa fria com as crianças, segunda sequência da comédia familiar estrelada por Ben Stiller e Robert DeNiro, enfrenta problemas. A fita, marcada para estrear no natal desse ano nos EUA, não agradou os executivos do estúdio Universal. Além de cogitarem uma improvável e desaconselhável mudança de diretor (sairia Paul Weitz e entreria John Hamburg, que é produtor executivo), os executivos querem reescrever algumas cenas e incluir o personagem de Dustin Hoffman, que não constava do roteiro original.


+ Toda semana, até o início do festival de Toronto, Claquete irá trazer o trailer de um dos filmes que estarão em exibição no evento que marca a largada para a temporada de ouro do cinema. O primeiro trailer é o de Trust, segundo filme de David Schwimmer (o Ross de Friends) como diretor. Na fita, um suspense dramático, Schwimmer se distancia da comédia e aposta em um bom conjunto de atores para construir uma filmografia como diretor descolada de sua persona como ator.


sábado, 20 de março de 2010

De olho no futuro...

Freud ainda vai estar bem representado!
O ator vencedor do Oscar Christoph Waltz se retirou do projeto que levará a rivalidade de Freud e Yung às telas de cinema. Para substituir o austríaco, David Cronenberg convocou seu parceiro, Viggo Mortensen para encarnar o pai da psicanálise. The talking cure, com pré-produção agendada para começar ainda esse mês, será a terceira colaboração de Cronenberg e Mortensen.

A arte imita a vida?
Eles já foram namorados. Por bons três anos. A relação não terminou bem (como se houvesse alguma relação que terminasse bem né gente!?). Mas Justin Timberlake e Cameron Diaz deram uma grande demonstração que o tempo é mesmo o melhor dos remédios. Ambos estrelam a comédia romântica Bad teacher em que Cameron faz uma professora abandonada pelo namorado que tenta conquistar o professor substituto boa pinta vivido por Justin, que tem namorada. E aí, o que será que sai dessa encrenca?



Justin fazendo tipo tímido e Cameron toda soltinha: O que será que passa pela cabeça dos pombinhos nas cenas de maior intimidade?


Ainda estamos falando do mesmo filme?
A Summit, estúdio responsável pela produção dos filmes da saga Crepúsculo, anunciou essa semana que enviará o roteiro do quarto capitulo da saga, Amanhecer, para três diretores e que um deles deverá ser o responsável pelo quarto filme. O fato curioso reside nos nomes anunciados. Gus Van Sant de Milk- a voz da igualdade, Sofia Coppola de Encontros e desencontros e Bill Condon de Dreamgirls. Todos diretores do primeiro time e pouco afeitos a blockbusters de ação (o que no fundo a saga Crepúsculo quer ser). O que será que a Summit quer? Um desfecho com uma pegada de filmes como Elefante (de Vant Sant), As virgens suicidas (de Sofia Coppola) e Kinsey –vamos falar de sexo (de Bill Condon)?



Gus, Sofia e Bill: Três indicados ao Oscar para arrematar a história de amor e tragédia de Bella e Edward

Agora sim!
Finalmente, depois da baboseira que foram os dois Aliens vs predadores, Os caçadores intergalácticos, ao que parece, receberão um filme a altura de sua mitologia. O primeiro trailer da produção que traz Adrien Brody e a brasileira Alice Braga caiu na rede essa semana. E, lógico, você confere aqui em Claquete.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Cantinho do DVD

A seção desta semana destaca a segunda incursão de Ed Harris na direção. O filme, que fez grande sucesso na Mostra de SP de 2008, é um western que honra as tradições do gênero, mas se permite algumas liberdades. É um belo filme que merece ser descoberto na telinha.


* A critica foi escrita à época do lançamento do filme


Como eram as coisas no oeste...
Rancheiros violentos e que se colocam acima da lei, são uma frequente em Westerns, justiceiros também, assim como donzelas indefesas. Mas em Appaloosa - uma cidade sem lei (Apaloosa EUA 2008) os clichês do gênero ganham insuspeitas camadas. Não que o filme de Ed Harris, em sua segunda incursão como diretor, seja revisionista. Appaloosa é um western tradicional, mas também é um elaborado estudo das condições humanas e de como elas influíam nas convicções daquelas pessoas entregues a própria sorte.
Harris capta sem muito maneirismo de câmera, uma época em que a lei ainda estava em gestação e não era pacífica entre os homens. E é em seu filme, através da personagem vivida por Reneé Zelwegger, que surge a mais perfeita e eloquente personagem feminina de um western. É aqui também que fica patente toda a fragilidade humana e a busca por amparo a qualquer custo.
Harris vive Virgil Cole, homem de poucas palavras mas de vasta fama como justiceiro que vaga pelas cidades restabelecendo a ordem, junto com seu fiel parceiro Emmet (Viggo Mortensen). Eles vão até Appaloosa, onde encaram o desfio de livrar a cidade das garras do rancheiro vivido por Jeremy Irons. É justamente a personagem de Reneé quem representará o ponto de desequilíbrio nessa história. Conferindo a Appaloosa um lugar na vanguarda do gênero.
Harris conta também com um elenco em grande forma. Com destaque para Viggo Mortensen. O ator que este ano também pode ser visto no drama Um homem bom, está novamente um arraso. Na pele do fiel Emmet, homem observador e de fala mansa mas impactante, o ator cria outro personagem memorável. E chama cada vez mais a atenção para suas acertadas escolhas no cinema depois da repentina fama que a trilogia O senhor dos anéis lhe proporcionou. É ele o personagem mais interessante da fita, isso acontece por puro mérito do ator que soube trabalhar muito bem a personalidade e a dinâmica de seu personagem na história. Se o filme tem uma grande atuação é Mortensen o responsável.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Os 25 melhores filmes da década: 13- Marcas de violência

Você deveria perguntar a seu marido, por que ele é tão bom em matar pessoas”



Sinopse:
Tom Stall leva uma vida tranquila e feliz na pequena cidade de Millbrook, no estado de Indiana, onde mora com sua esposa e seus dois filhos. Um dia esta rotina de calmaria é interrompida quando Tom consegue impedir um assalto em seu restaurante. Considerado um herói, Tom tem sua vida inteiramente transformada a partir de então. Surge em sua vida Carl Fogarty, um misterioso homem que acredita que Tom não é exatamente quem diz ser.

Comentário:
David Cronenberg realiza aqui o melhor filme sobre o conceito psicanalítico do duplo. Sobre a personalidade que se tem e aquela que se deseja. Marcas da violência é um filme que se ocupa de desconstruir uma identidade forjada. O quanto de nós é instinto e o quanto de nós é manipulável? Controlável? As intensas cenas de sexo, assim como as surpreendentes e rompantes cenas de violência se prestam a potencializar esse comentário de Cronenberg. O diretor extrai outras sutilezas da brutalidade. O interesse que sempre moveu o cineasta, sobre as transformações -sejam elas físicas ou emocionais- que formam o caráter de um homem, está preservado. Contudo, Cronenberg amplia o escopo de sua análise. Ele questiona se é possível criar uma nova vida e ignorar completamente a que se tinha antes. Se os impulsos podem ser domados. E se segredos são tão sagrados quanto laços familiares. Como sugere o título do filme, as respostas que Cronenberg aventa não são aprazíveis.

Prêmios:
2 indicações ao Oscar (ator coadjuvante e roteiro adaptado); indicado ao Bafta de melhor roteiro adaptado; competição oficial pela Palma de ouro em Cannes; melhor diretor e melhor atriz coadjuvante pela associação de críticos de Chicago; 2 indicações ao Globo de ouro (filme/drama e atriz/drama); 6 indicações ao prêmio do círculo de críticos de Londres; melhor ator coadjuvante pela associação de críticos de Los Angeles; melhor ator e melhor atriz coadjuvantes pela associação de críticos de Nova Iorque;

Curiosidades:
- O filme é adaptado de uma história em quadrinhos escrita por John Wagner
- Willian Hurt, que foi indicado ao Oscar pelo filme, só aparece em uma cena e ela soma cinco minutos.
- O filme marca o inicio da parceria entre o ator Viggo Mortensen e o diretor David Cronenberg
- Harrison Ford recusou o papel principal
- A revista francesa Cahiers du cinema elegeu a cena inicial (em um único take) como uma das mais belamente filmadas de toda a história do cinema

Ficha técnica:
título original:A History of Violence
gênero:Drama
duração:01 hs 36 min
ano de lançamento:2005
estúdio:New Line
distribuidora:New Line Cinema / PlayArte
direção: David Cronenberg
roteiro:Josh Olson, baseado em graphic novel de John Wagner e Vince Locke
produção:Chris Bender, David Cronenberg e J.C. Spink
música:Howard Shore
fotografia:Peter Surschitzky
figurino:Denise Cronenberg
edição:Ronald Sanders

elenco: Viggo Mortensen, Ed Harris, Maria Bello, Willian Hurt e Jessé Eisenberg


Fonte: Arquivo pessoal