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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Quem foi destaque no ano


Bradley Cooper, Ben Affleck e Ryan Gosling. Esses são os nomes que ocuparam o topo dessa lista em outros anos. Em 2012 o “women power” chegou à lista das personalidades de cinema que foram destaque no ano, que o blog organiza anualmente. Ben Affleck bem que tentou reaver o topo, mas não teve jeito. Outros destaques da lista vão para três mulheres jovens que não estão apenas fazendo figuração (no cinema ou na lista) e para um brasileiro que dá sinais de que pode voltar a aparecer em listas dos próximos anos.

10 – Daniel Craig

Ele é James Bond e é James Bond no ano em que se comemorou o quinquagésimo aniversário do personagem. Difícil imaginar uma lista de personalidades do cinema no ano sem a presença de Daniel Craig. O ator entrou 2012 muito bem; provando estofo dramático e vulnerabilidade em Os homens que não amavam as mulheres e chegou à glória com o lançamento de Operação Skyfall no último trimestre do ano. O 23º filme de 007, para muitos o melhor de toda a série, já é a maior bilheteria da franquia em todos os tempos e pode ser mais um filme a adentrar ao clube do bilhão. Seria o primeiro de origem britânica. A cereja do bolo foi a participação, ao lado da rainha da Inglaterra, na abertura dos jogos olímpicos em Londres.


9 – David Cronenberg

Lançar dois filmes em um espaço de um ano não é para qualquer um. Lançar dois dos melhores filmes do ano, então, é uma aritmética quase impossível. Cronenberg fez mais. Um método perigoso e Cosmópolis não poderiam ser, em sua estrutura verborrágica, mais distantes do universo “cronenbergiano” e, em suas proposições temáticas, mais inseridos nesse universo. Da arte de surpreender, Cronenberg arrancou a melhor atuação da carreira de Robert Pattinson e fez do masoquismo e sadomasoquismo assuntos da mesa de jantar.
O diretor já adiantou que pretende fazer uma sátira pouco convencional de Hollywood em seu próximo projeto. Estamos “cronenbergianamente” ansiosos!

8 – Rooney Mara

No início de 2012 só se falava nela. O hype se abrandou, mas foi suficiente para que a jovem Rooney Mara marcasse presença na lista. Bela e talentosa, Mara se beneficiou de abraçar uma personagem icônica em um estágio inicial da carreira. 2012, no futuro, pode ser lembrado como o início de uma trajetória brilhante.


7 – Isabelle Huppert

A atriz francesa teve um 2012 movimentado. Estrelou seis produções de seis países diferentes. Esteve em filme premiado em Berlim, em filme premiado em Cannes e em filme que competiu em Veneza. Huppert, mais do que nunca, ergueu-se como a primeira dama do cinema de autor. No filipino Em nome de Deus, em cartaz em São Paulo, é vítima de sequestro. Em Amour, de vencedor da Palma de Ouro, é a filha do casal protagonista que sofre com prenúncio da partida dos pais. Esteve ainda no sul-coreano In another country, no português As linhas de Wellington e no italiano A bela que dorme. Huppert pode não ser Meryl Streep, mas Meryl Streep também não é Isabelle Huppert.


6 – João Miguel

Ele é o que se costuma chamar em alguns recôncavos brasileiros de “um baita de um ator porreta”. A variedade de recursos que João Miguel, ator de olhar prolixo e gestual eloquente, ostenta é um dos patrimônios do cinema brasileiros. E os diretores estão ligados a isso. Breno Silveira, por exemplo, o escalou para os dois filmes que lançou em 2012. Gonzaga – de pai para filho e A beira do caminho – neste último como protagonista. Marcelo Gomes, um dos primeiros a fazer bom uso do ator baiano em Cinema, aspirinas e urubus (2005), o escalou para dar densidade e contraponto a sua protagonista em Era uma vez eu, Verônica. No início do ano, João Miguel ainda abrilhantou o bom elenco de Xingu. Do cinema nacional, é seu sotaque baiano – por vezes muito bem escondido – que fica como registro de 2012.


5 – Mark Wahlberg

A Forbes o colocou no topo da lista dos atores mais rentáveis de 2012. Como Claquete poderia discordar? Wahlberg fez do razoável Contrabando um sucesso de bilheteria nos EUA na virada de 2011 para 2012, dando um sinal de que seria um dos destaques do ano. Mas nada nos preparava para Ted, um dos maiores sucessos do ano e uma das comédias mais criativas e inteligentes surgidas em Hollywood nos últimos anos. E antes que alguém pense em dar mais crédito ao roteirista e diretor do filme, Seth McFarlane, o próprio admitiu em entrevista à época do lançamento do filme que tinha Wahlberg na cabeça quando bolou a história. “Não sei o que faria se ele não topasse”, reconheceu.


4 – Jean Dujardin

Out of the blue. Essa é a expressão usada pelos americanos para se referir a algo que surge sem aviso prévio. Do nada. É mais ou menos essa a expressão que se adequa à meteórica trajetória do francês que ganhou o Oscar de melhor ator do ano e cativou milhões de espectadores ao redor do mundo sem praticamente abrir a boca em O artista. Dujardin terá algumas provas de fogo em 2013, mas 2012 será para sempre o seu ano.

3 - Jennifer Lawrence

Ela provou que pode carregar a franquia apontada por setores da indústria como substituta de Crepúsculo. De quebra, Lawrence sabe atuar. E bem. Muito bem. Prova disso é que pode voltar a disputar o Oscar de melhor atriz e isso tudo com menos de 23 anos. Se isso não é suficiente para entrar no pódio dessa lista, o que será?


2 – Ben Affleck

Há dois anos, Affleck estava no topo dessa lista. Atração perigosa, em que atuou, roteirizou e dirigiu, mostrava a convergência de talento e maturidade que poucos artistas em Hollywood ostentam. Era um primeiro lugar merecido. Em 2012 ele quase ocupou o topo novamente. O bicampeonato não saiu, mas ei, com Argo “he did it again”!


1 - Kristen Stewart

Ninguém ganhou dinheiro como ela em 2012 em Hollywood. Ou gerou tanto interesse. O final da saga Crepúsculo e uma comentada traição adicionaram pimenta ao ano de Kristen. Ela aceitou rodar cenas de sexo (ainda que não tão calientes quanto se anunciou a torto e direito) para Walter Salles, foi uma branca de neve guerreira, virou vampira e, no final, ganhou o perdão de Rob. Ah, e foi quem mais ganhou dinheiro em 2012!

sábado, 29 de setembro de 2012

Crítica - Cosmópolis


Cantiga capitalista


Não é uma tarefa fácil resenhar Cosmópolis (EUA/CAN/FRAN 2012). Isso porque o novo filme de David Cronenberg não se pretende palatável, ou mesmo lógico, em um sentido dramatúrgico convencional. Também não é uma “aberração” característica do cinema oitentista de Cronenberg. Portanto, um exercício de racionalização incorre no risco de esterilizar o próprio status quo de Cosmópolis.
Baseado no livro de Don DeLillo, o filme vislumbra a falência do capitalismo. A gozação de Cronenberg é que o capitalismo, tão famigerado como só ele, se retroalimenta da própria falência. Essa noção pode ser melhor encampada quando do dialogo entre Eric Packer (Robert Pattinson), um jovem magnata de Wall Street e Vija Kinsky (Samantha Morton), sua analista de teoria. A conversa se dá na limusine branca do protagonista enquanto Nova Iorque queima em protestos anticapitalistas do lado de fora. “Nada disso é original”, constata em certo momento Packer, antes de devanear sobre um jato de guerra que comprou no mercado negro simplesmente para poder olhar para ele e contentar-se de possui-lo.
Packer é construído por Robert Pattinson com muito vigor. É um jovem bilionário enfadado com sua vida e cioso por testar limites. Ele exala sexo, como afirma uma personagem em dado momento, e se excita com o risco. A personificação do capitalismo emulada em Packer vai ganhando viço e forma à medida que o filme avança. Cronenberg investiga esse absurdo colocando algumas das perguntas da plateia na boca dos personagens que cruzam o caminho de Packer. Da prostituta “velha” que se ressente da contemporaneidade da vida e  quer saber como é gastar milhões, passando pela noiva robótica, pelo segurança desconfiado, pelo analista de riscos que faz Packer se lembrar que ele não é o mais “novo da turma” e culminando no confronto fervilhante com o personagem de Paul Giamatti. No momento em que as duas faces erigidas pelo sistema capitalista se confrontam, sai faísca.
Cronenberg não fez um filme para ser explicado. Fez um filme sobre o qual se devem formular teorias. Nesse sentido, não há como ser mais fiel à obra original.  
É um equívoco apontar Cosmópolis como anti-capitalista. Seria uma depreensão totalmente errada tanto do foco da narrativa quanto de seu discurso. A própria estética adotada por Cronenberg dificulta essa percepção.
Cosmópolis é um filme sobre nosso tempo e sobre nossas escolhas enquanto organização social. É um filme muito maior do que se supõe, ainda que se ambiente majoritariamente em um espaço confinado (uma limusine) e durante um único dia. Até mesmo o mal estar da civilização é trabalhado nessa figura dramaticamente rica que é Eric Packer. Em um dado momento, ele responde aos devaneios de um de seus seguranças inconformado com o fato de jovens cederem tão precocemente às drogas: “Há dor suficiente para todos”.
Com muitas frases fortes e pensamentos obtusos entrecortados, Cronenberg lança filosofia existencial por fotograma e sobrecarrega seu espectador, ainda que o ritmo do filme seja lento. Essa assimetria, inclusive, é metaforicamente referenciada na trama. Mais um meandro de um trabalho de direção salutar.
Cosmópolis é arte para pensar. Do tipo que provoca estranheza e fascinação. Cronenberg sabiamente utilizou a face, as caretas e o status de Robert Pattinson - até mesmo o background que o público tem dele como vampiro – para tecer um painel aterrador do mundo em que vivemos e cujo final, como demonstra a última eloquente e inquietante cena, ainda não foi escrito.   

sábado, 21 de abril de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, Jason Reitman escala Kate Winslet para seu novo filme; January Jones sai dos anos 60 e vai ao faroeste; David Cronenberg enquadra Robert Pattinson, Michael Douglas aceita  proposta para “causar” em Las Vegas, um novo programa no Canal Brasil que merece ser visto e a luz verde para a aguardada sequência de Sin city.

Uma nova Sharon Stone?

Vamos combinar: January Jones sabe ser sexy. Até mesmo com a frígida Betty Draper de Mad men, a loira provoca. Depois de debutar na franquia mutante com trajes vintage em X-men: primeira classe, Jones estrelará um faroeste. Isso mesmo. A loira irá repisar os passos de outra loira fatal: Sharon Stone. Em Sweetwater ela fará uma viúva em busca dos assassinos de seu marido. Ed Harris fará o xerife que lhe prestará assistência.
Vale lembrar que Sharon Stone protagonizou um dos melhores filmes de faroeste da década de 90, justamente quando estava na crista da onda. Resta saber se Sweetwater será o Rápida e mortal de January Jones.

Novo drama de Jason Reitman ganha forma
Jovens adultos não foi aquela unanimidade crítica experimentada pelo diretor e roteirista Jason Reitman em seus três filmes anteriores (Obrigado por fumar, Juno e Amor sem escalas). Mas, ainda assim, foi um filme que frequentou premiações e colheu bastante elogios. Reitman já se prepara para seu novo trabalho, uma adaptação de um romance de Joyce Maynard. Em Labor day, Reitman desenvolverá uma história passada no início dos anos 80. O foco será em uma mãe atravessando um conflituoso divórcio e seu filho de 13 anos. O plot gira em torno do impacto que a figura de um homem misterioso que surge na vida deles irá desenvolver. Reitman escreverá e dirigirá a fita que ainda não está negociada com nenhum estúdio. Mas a Universal, que distribuiu os dois últimos longas do diretor, tem prioridade. O elenco já está se formando. Josh Brolin, James Van Der Beek e Kate Winslet já estão certos.
A sinopse sugere uma curva na articulação dramática dos filmes de Reitman, mas o tema de ebulição interior, no entanto, pode surgir renovado.


A crônica dos diretores de prestígio
Houve uma verdadeira boataria na internet a respeito do diretor da sequência do sucesso de bilheteria Jogos Vorazes. O diretor do original, Gary Ross, não retornará por questões salariais e em virtude de priorizar um projeto de própria autoria no cinema independente.
Essa negativa, porém, não impediu a Lionsgate, estúdio responsável pelas adaptações dos livros da escritora Suzanne Collins, de sonhar alto. Foram considerados para o posto de diretor de Em chamas, gente do calibre de David Cronenberg, Alejandro Gonzáles Iñarritu, Bennett Miller e Alfonso Cuáron. Francis Lawrence (Água para elefantes e Eu sou a lenda) acabou sendo o escolhido.
De todos os aventados, o último e Alfonso Cuáron, que já dirigiu um filme da série Harry Potter, são os nomes mais compatíveis com as aspirações do estúdio. Contudo, não seria surpreendente se um dos outros tivesse sido contratado. Vale lembrar que Gus Vant Sant e Sofia Coppola externaram interesse em dirigir o último capítulo (que seria dividido em dois) da saga Crepúsculo. O posto acabou preenchido pelo não menos prestigiado Bill Condon.
São muitas e distintas as razões que levam cineastas autorais e com forte ligação ao cinema independente manifestar desejo de servir ao cinemão; mas parece ainda mais notável a tendência dos estúdios buscarem esses profissionais. Imaginem o que David Cronenberg não poderia fazer com um livro da série Jogos vorazes? Mas a verdadeira questão que se impõem com esse modismo é: até que ponto esses cineastas estariam dispostos a renunciar a bem caracterizada liberdade criativa em prol dos anseios dos estúdios? Mais sobre isso em uma futura seção Insight.


E finalmente...
Sin city 2 vai acontecer. Depois de anos com boatos, tentativas e negativas, a produção da sequência do filmaço de 2005 já está em andamento. E para alegria geral, Mickey Rourke confirmou que voltará a viver Marv – principal e mais carismático personagem do primeiro filme. Sin city: a dame to kill trará histórias inéditas e será novamente co-dirigido por Robert Rodriguez e Frank Miller. A estreia deve acontecer em 2013.


O que David Cronenberg fará com Robert Pattinson?
Pense em Leonardo DiCaprio antes de Martin Scorsese? Pensou? Era ouuutro ator, certo? É inegável que Scorsese foi um importante catalisador para DiCaprio; fazendo com que o novo pupilo maturasse como intérprete e desenvolvesse  gosto por projetos desafiadores. David Cronenberg pode ter o mesmo papel para Robert Pattinson, ator de talento, mas preso a um personagem muito específico e a uma idolatria exacerbada. Isso, porém, já foi dito aqui em Claquete em outras oportunidades. O novo trailer de Cosmopolis, filme confirmado no próximo festival de Cannes, adensa essa percepção. Duvida? O trailer está logo abaixo!


O papel da vida
Estreia na próxima quarta-feira (25), às 21h no Canal Brasil, um dos programas mais inventivos e bem vindos com o cinema nacional como foco. “O papel da vida” é um projeto desenvolvido em parceria pela cineasta e apresentadora Marina Person e seu marido, produtor e diretor do programa, Gustavo Rosa de Moura. A ideia é debater o papel mais importante de atores e atrizes que marcam o cinema nacional. O programa de estreia destaca Alice Braga que fala sobre seu trabalho na produção hollywoodiana Eu sou a lenda. A atriz topou fazer o piloto antes da confirmação de que o programa seria aprovado para entrar na grade do canal. Serão episódios inéditos todas as quartas-feiras. A primeira temporada vai até 18 de julho, com um total de 13 episódios.


Se beber não case de grife!
Não há como negar que Se beber não case é uma ótima comédia. Não há como negar, também, que sua sequência é pavorosa. Pois bem, a CBS films e a Mandate pictures, dois estúdios de média projeção em Hollywood, estão articulando um projeto que tem tudo para colocar Se beber não case 1, 2 e o 3 – que está em produção – no chinelo. Last Vegas, que vem sendo apropriadamente chamado de “Se beber não case da terceira idade”, terá Michael Douglas como um mulherengo inveterado que, prestes a se casar com uma mulher com metade da sua idade, organiza uma despedida de solteiro em Las Vegas. Robert De Niro e Christopher Walken estão em negociações para estrelarem como os amigos de Douglas. Os produtores sonham com Jack Nicholson para a quarta vaga. A direção será de Jon Turteltaub (Enquanto você dormia e A lenda do tesouro perdido) e o roteiro é de Dan Fogelman, um dos responsáveis pelo ótimo Amor a toda prova. Prometer, promete!

Quarteto fantástico: Se esse time fechar, o porre em Las Vegas vai ser de lascar...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Cannes 2012 - Aposta em americanos e em velhos favoritos


Cena de Na estrada, filme do brasileiro Walter Salles que - confirmando expectativas - integra a seleção oficial do festival de Cannes 2012. Outros velhos conhecidos retornam à riviera francesa em uma edição com poucas novidades e muitos nomes cacifados


É notório entre os cinéfilos que o festival de cinema de Cannes, que em 2012 chega a sua 65ª edição, é um clube do bolinha do meio cinematográfico. Principal evento do cinema artístico se promove como plataforma comercial e costuma prestigiar seus entes queridos. Há cineastas que sempre estão em Cannes, seja como membros do júri, na competição oficial ou exibindo filmes em mostras paralelas ou arcos promocionais. O festival desse ano não abrirá mão dessa marca. Tão pouco de outra tendência crescente nos últimos anos. A do predomínio de fitas americanas em competição. Se as premieres mundiais são menos ostentosas do que em outros anos (apenas o terceiro Madagascar, animação da Dreamworks – outra com lugar cativo na riviera francesa), a seleção de produções ou co-produções americanas é de fôlego. São seis filmes americanos na competição oficial que reúne um total de 21. O evento ainda terá como filme de abertura outra fita americana, Moonrise Kingdom, de Wes Anderson.
Um dos destaques da lista é a presença de Na estrada, nova produção internacional de Walter Salles, que entra nessa conta de americanos por ser co-produção daquele país e ter como principal produtor o cineasta Francis Ford Coppola.
Cartaz do segunda longa de
Lee Daniels:
acolhimento  em
Cannes é boa notícia
Outros prestigiados de Cannes voltam à disputa pela Palma de ouro em 2012. David Cronenberg, depois de ficar de fora no ano passado com Um método perigoso, entrou este ano com o antecipado Cosmópolis. O dinamarquês Thomas Vinterberg assume a cota dos egressos do Dogma 95 com The hunt, que marca seu retorno à Cannes, de onde saiu aclamado em 1998 com Festa de família – um dos filmes inaugurais do referido movimento. O veterano cineasta francês Alan Resnais, que costuma figurar nas mostras paralelas de Cannes, volta à disputa principal com Vous n’avez Encore Rien.
O romeno Cristian Mungiu, que triunfou em 2007 com 4 meses, 3 semanas e 2 dias, retorna com Beyond the hills. O russo Sergei Loznitsa, que casou furor em 2010 com o violento Minha felicidade, está na competição com In the fog. O britânico Ken Loach, o iraniano Abbas Kiarostami, o franco alemão Michael Haneke e os sul-coreanos Sangsoo Im e Sangsoo Hong também apresentarão seus novos filmes na disputa pela Palma de ouro. Outro aguardado retorno é o de Jacques Audiard, diretor do intenso e premiado em Cannes O profeta, com De Rouille et D’Os, estrelado pela maior diva francesa da atualidade, Marion Cotillard.
Três americanos causam curiosidade. Lee Daniels, após ir ao Oscar com Preciosa-uma história de esperança, chega a Cannes com seu segundo filme, The paperboy que promove a improvável colaboração entre Nicole Kidman, Zac Efron e Matthew McConaughey. Jeff Nichols, celebrado em 2011 com o independente O abrigo, apresentará The mud seguramente sob fortes expectativas. O neo-zelandês Andrew Dominik apresentará seu terceiro longa-metragem, o segundo em parceria com o ator Brad Pitt. Killing them softly, conhecido anteriormente como Cogan´s trade promete ser para o filme de máfia o que foi O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford para o western.

Michael Haneke, que ganhou a Palma de ouro há três anos pelo excepcional A fita branca, retorna à disputa pela Palma de ouro com Amour. Outros vencedores também estarão na disputa como Ken Loach e Abbas Kiarostami 

Brad Pitt e Richard Jenkins em cena de Killing them softly, do neo-zelandês Andrew Dominik: altas expectativas pela safra americana em Cannes


Outros destaques
A mostra “Um certo olhar” que costuma ostentar cineastas de prestígio destaca alguns projetos interessantes em 2012. O filho de David Cronenberg, Brandon, não acompanhará o pai à Cannes apenas por devoção familiar. Ele exibirá seu primeiro filme Antiviral  e rivalizará com, pelo menos, outros dois prodígios da direção: o canadense Xavier Dolan, cujos últimos dois filmes integraram a principal mostra paralela de Cannes, com Laurence anyways e o mexicano Michel Franco que apresentará seu segundo longa-metragem, Despues de Lucia.
O argentino Pablo Trapero, que em 2010 levou o excelente Abutres à mostra, terá dois filmes em competição. O argentino Elefante Branco e o coletivo Sete dias em havana, o qual assina com outros sete diretores; dentre os quais Benicio Del Toro, Gaspar Noe e Laurent Cantet.
Outros dois vencedores em Cannes terão seus novos trabalhos exibidos fora de competição. Apichatpong Weerasethakul que ganhou a Palma de ouro há dois anos com o tailandês Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas, exibirá Mekong hotel e o turco alemão Fatih Akin exibirá Der Mull im Garten Eden. A presença brasileira, além de Walter Salles, fica por conta da exibição de A música segundo Tom Jobim em sessão especial e pela presença de Rodrigo Santoro no filme Hemingway & Gellhorn, dirigido por Philip Kaufman para a HBO.

Clive Owen e Nicole Kidman (ela de novo) em cena de Hemingway & Gellhorn, filme da HBO que terá exibição especial no festival. Não será a primeira vez que um filme feito para a TV terá destaque em Cannes. Há dois anos atrás, Carlos, de Oliver Assayas competiu pela Palma de ouro


Os filmes que compõem a seleção oficial

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson (filme de abertura)
De Rouille et D’Os, de Jacques Audiard
Holy Motors, de Leos Carax
Cosmopolis, de David Cronenberg
The Paperboy, de Lee Daniels
Killing Them Softly, de Andrew Dominik
Reality, de Matteo Garrone
Love, de Michael Haneke
Lawless, de John Hillcoat
In Another Country, de Sangsoo Hong
Taste of Money, de Sangsoo Im
Like Someone in Love, de Abba Kiarostami
The Angel’s Share, de Ken Loach
In the Fog, de Sergei Loznitsa
Beyond the Hills, de Christian Mungiu
After the Battle, de Yoursry Nasrallah
Mud, de Jeff Nichols
Vous n’avez Encore Rien Vu, de Alain Resnais
Post Tenebras Lux, de Carlos Reygadas
Na Estrada, de Walter Salles
Paradise: Love, de Ulrich Seidl
The Hunt, de Thomas Vinterberg


terça-feira, 3 de abril de 2012

Crítica - Um método perigoso

Triângulo amoroso-intelectual 

Um método perigoso (A dangerous method, EUA/CAN 2011) propõe uma minuciosa análise das circunstâncias que aproximaram e afastaram Jung e Freud, os dois principais pilares do pensamento psicanalítico. E faz isso da maneira mais atraente possível, ao iluminar a figura de Sabina Spielrein (Keira Knightley). A russa judia foi a primeira paciente de Jung, interpretado com precisão e respeito por Michael Fassbender, tratada pelo método revolucionário proposto por Freud (Viggo Mortensen). A cura pela fala era algo ainda visto com profunda desconfiança pela comunidade médico-científica e o entendimento de Freud alinhava à sexualidade todos os problemas de ordem emocional/psicológica.
O que Um método perigoso captura com extrema sensibilidade crítica é a forma como Sabina desestabilizou convicções de Jung e proporcionou um amadurecimento do pensamento teórico freudiano. Essa vertente é patenteada pela conflituosa relação que se estabelece entre os três vértices desse triângulo. Embora Sabina e Jung se relacionem amorosamente, é com Freud que a futura psiquiatra irá desenvolver afinidade teórica. Esse embasamento se mostra riquíssimo na construção dramática de Um método perigoso e no comentário que Cronenberg e o roteirista Christopher Hampton tecem sobre esses personagens. A fita se prolonga por cerca de 15 anos e finda pouco antes da eclosão da primeira guerra mundial. O interesse de Cronenberg em radiografar a evolução do relacionamento entre Freud e Jung pode submergir o espectador em um filme verborrágico e pouco contemplativo. O que não é necessariamente algo negativo. A constante insurgência de conflitos sofisticadamente colocados pelos personagens transmuta Um método perigoso em uma seção de análise reveladora. Não à toa, o filme se encerra com seus personagens mergulhados em erupções internas e diante de frustrações de variadas procedências.

Keira e Fassbender em momento de tensão sexual: a cura de um está diretamente relacionada ao surgimento de angústias existenciais por parte do outro


Freud, na construção vigorosa de Viggo Mortensen, é um sujeito calmo que demonstra grande ansiedade pelo que julga ser uma contribuição inestimável à humanidade. É também um sujeito arrogante, suscetível a alguma inveja do abastado Jung e ainda mais intransigente no que toca a defesa de seu ponto de vista. No entanto, sua retidão moral e teórica é algo que não foge à percepção da realização. Por outro lado, Jung é registrado com mais carisma e fragilidade por Michael Fassbender. O despudor de Jung para afrontar Freud em suas convicções é algo valorizado pela narrativa que não o condena por seus desvios teóricos e morais, mas acaba por reforçar – ao menos dramaticamente – o método freudiano através deles.
Keira Knightley faz por merecer novo elogio pormenorizado em seu segundo trabalho consecutivo. Depois de uma aparição contida e generosa em Não me abandone jamais, a atriz assume o difícil papel de Sabina com inteligência e relevo dramático. A histeria da personagem quando a conhecemos é apresentada com sagacidade pela atriz que elaborou cacoetes capazes de transmitir à audiência a agonia que sua personagem experimenta. O flerte com a caricatura é algo do qual Knightley escapa habilmente. Ajuda, é claro, ter Michael Fassbender como bússola.
Um método perigoso é uma amostra de como o cinema pode se apresentar como articulador de ideias e revisor histórico. Se não é um filme pulsante e catártico como geralmente o são as fitas de Cronenberg, é embasamento teórico para a obra de um cineasta um tanto freudiano e fonte incendiária para debates dos seguidores de ambos os intelectuais. É cinema que pensa!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Filme em destaque - Um método perigoso

Freud e Jung devassados
O aguardado novo trabalho de David Cronenberg estreia nessa sexta-feira (30) no Brasil e aborda os diferentes picos da relação entre os dois principais idealizadores da psicanálise. Claquete apresenta os percalços da produção e como o filme, aparentemente desconectado da filmografia do diretor, é essencialmente cronenbergiano



Está cansado de Michael Fassbender? Pois ele é o novo elemento da terceira colaboração entre o cineasta canadense David Cronenberg e o ator americano Viggo Mortensen. Até que Um método perigoso chegasse ao cinema, muita coisa mudou – com exceção da participação de Michael Fassbender na fita. Originalmente intitulado The talking cure, o filme oporia os astros de Bastardos inglórios – Chistoph Waltz foi substituído por Moterssen quando preferiu fazer o mais comercial Água para elefantes. O roteiro de Christopher Hampton, adaptado da peça do próprio, que por sua vez era baseada no livro “A most dangerous method” de John Kerr, enfoca o relacionamento de Freud e Jung – os dois principais pilares do pensamento psicanalítico. Cronenberg, posteriormente mudou o nome do filme e se viu na contingência de mudar seu Freud. Com a desistência do austríaco vencedor do Oscar, o diretor canadense recorreu a seu escudeiro que surpreendeu tão positivamente que concorreu ao globo de ouro de melhor ator coadjuvante pelo filme e foi responsável pela lembrança mais midiática a Um método perigoso na temporada de premiações passada.
Cronenberg, em entrevista ao The Guardian, em dezembro de 2011, já previra que seu filme não decolaria nos prêmios. “É muito obscuro”. O filme recebeu críticas elogiosas por onde passou desde a estreia no último festival de Veneza, como Toronto, Rio de Janeiro e Nova Iorque.


O sexo como catalisador
Se em Shame, atualmente em cartaz no país, Fassbender faz um homem perseguido por sua volúpia sexual, aqui ele compõe um Jung igualmente atormentado – ainda que esse tormento obedeça a diretrizes diferentes. A formulação do pensamento psicanalítico por Freud e Jung, e as cada vez mais frequentes divergências entre ambos, são os pontos principais do filme que recorre a um episódio historicamente pouco convencionado quando em pauta estão quaisquer uns dos dois. A influência da russa Sabina Spielrein, no filme vivida pela atriz Keira Knightley, na construção da teoria psicanalítica jungiana.
Knightley não era a primeira opção do roteirista Christopher Hampton, que também atua como produtor associado. Ele tinha em mente a atriz Julia Roberts, mas um convite nem sequer chegou a ser feito. Roberts talvez fosse velha demais para o papel, alguém na produção deve ter ponderado. A primeira atriz a ter o papel ofertado foi Keira, que há muito ansiava por uma oportunidade de trabalhar com Cronenberg. Ela admitiu, em entrevista à Folha de São Paulo, ter ficado receosa em fazer as cenas de sexo, mas que foi tranquilizada pelo diretor que afirmou que as cenas seriam “clínicas e não sensuais”. A opinião de parcela da crítica em Veneza é de que foram “pudicas”.  
De qualquer maneira o sexo está lá: a perfilar os personagens de Cronenberg em seu filme mais acadêmico.

 Jung e Sabina em análise: base da teoria jungiana é empírica e Um método perigoso se arrisca a refleti-la 


As obsessões de Cronenberg
Eis aí palavras que podem soar dissonantes. Acadêmico e Cronenberg. O cineasta do grotesco à frente de uma produção sofisticada, de alta voltagem intelectual, com atores classudos e um tema, bem, um tema que não poderia ser mais “cronenbergiano”.
Transformações e obsessões são elementos que sempre pautaram o cinema do diretor canadense. Mais recentemente esses temas se bifurcaram em histórias mais lineares e bem delimitadas (Marcas da violência e Senhores do crime). Um método perigoso busca cercar a questão por um prisma pouco experimentado por Cronenberg, mas para o cineasta de Crash –estranhos prazeres (1996), A mosca (1986), Scanners – sua mente pode destruir (1981) e Spider- desafie sua mente (2002) faz todo sentido abordar Jung e Freud no momento em que amadurecem seus pensamentos que servem de base para a psicologia moderna. 

sábado, 3 de setembro de 2011

Cenas de cinema

Aplaudido, mesmo ausente
Foi uma histeria. A crítica de cinema se pronunciou com entusiasmo mediante o novo filme de Roman Polanski. Carnage agradou. O grupo de atores formado por Jodie Foster, John C.Reilly, Kate Winslet e Christoph Waltz – os três últimos compareceram à premiere do filme – foi louvado por atuações orgânicas e viscerais. O New York Times considerou “um filme brutal sobre a demolição de fachadas”. O Hollywood Reporter destacou em sua cobertura especial que “Polanski faz um retrato social ácido e pessimista”.
Roman Polanski foi bastante aplaudido e tem seu Carnage na linha de frente para os prêmios – ainda que desponte como favorito aos prêmios de atuação e roteiro.


É Madonna...
Era até certo ponto previsível. W.E, segundo longa metragem de Madonna, foi fortemente vaiado e ridicularizado pela crítica internacional. O destempero das críticas não se refletiu no trato com a diretora na coletiva em Veneza. Madonna agradeceu ao incentivo de Guy Ritchie e Sean Penn, dois diretores com os quais foi casada, e disse que é difícil fazer um filme sobre o amor. Nisso, a crítica não discordou dela.
Em uma das avaliações mais positivas de W.E, a Vanity Fair destacou: “é uma colagem sem vida de clichês amorosos”. Out!

Madonna, na condição de diretora, entre as duas protagonistas de seu filme: vaias e ridicularizações


...mas é Madonna
Resta saber como a Harvey Weinstein, o mega produtor americano semeador de Oscars, vai armar a campanha do filme – programado para estrear em plena Oscar season – depois desse portentoso revés em Veneza.


O triunfo de Cronenberg
“O melhor filme do festival”, bradaram jornais da Itália (Corriere Della Sera), da Inglaterra (The guardian) e dos EUA (New York Times). Trata-se de A dangerous method, de David Cronenberg. Alçado pela crítica a condição de favorito absoluto “em qualquer categoria”, assinalou o New York Times.
A reconstituição da relação entre os psicanalistas Freud e Jung agradou a crítica e aos jornalistas presentes em Veneza. “É um filme econômico, magnificamente escrito e brilhantemente interpretado”, escreveu o Hollywood Reporter em sua resenha.


O mesmo, mas um pouco diferente
David Cronenberg, indagado por jornalistas se considera que seu cinema mudou disse que não. Mas abriu uma ressalva para seu método de produção: “O que mudou é que hoje eu filmo menos e edito mais rápido”, avaliou o diretor canadense que enumera sucessos de crítica desde que estabeleceu a parceria com o ator americano Viggo Mortensen, que em A dangerous method substituiu o austríaco Christoph Waltz como Sigmund Freud.

David Cronenberg posa ao lado de Keira Knightley, a única que não foi unanimidade no filme, antes da coletiva de imprensa de A dangerous method



O mesmo, mas um pouco diferente II
O desafio de Cronenberg será Cosmópolis, seu próximo filme agendado para 2012. Sem Viggo Mortenssen, o diretor conta com Robert Pattinson a frente de um elenco com Paul Giamatti, Mathieu Amalric, Samantha Morton e Juliette Binoche para contar o drama na vida um milionário baseado em Manhattan.


O fator Aronofsky

A pergunta que Claquete lança é: Será que pelo fato de Aronofsky vir de uma experiência tão intensa em um thriller psicológico (Cisne negro), o novo trabalho de Cronenberg ganha força?



E as vaias voltaram...
O longa francês Un Été Brulant, anunciado como uma releitura de Godard, não agradou e fez com que vaias fossem ouvidas novamente em Veneza (elas já haviam sido ouvidas na exibição do filme de Madonna e do taiwanês Saideke Balai -este em competição). O novo longa de Philippe Garrel foi recebido com desânimo e desencanto pelo crítica. Os jornalistas presentes em Veneza preferiram concentrar as energias em Monica Bellucci que surge nua em cena gravada apenas um mês depois de ter dado à luz.
Louis Garrel, filho do diretor e protagonista da fita, defendeu seu pai das críticas e disse que há muita intolerância da crítica de cinema com cineastas que pensam fora das convenções. “Parece que não há mais espaço para agressividade no cinema”, pontuou Louis. O jornal britânico Telegraph rebateu as assunções de Louis: “não se trata de agressividade, mas sim de passividade na concepção dos personagens”.


Disputa de alto nível
Com três dias de disputa, a crítica de cinema se regozija com o alto nível do festival. Medido pelos filmes Tudo pelo poder, Carnage e A dangerous Method. As vaias para os outros filmes em competição, inclucive para o premiado Philippe Garrel, só ratificam a excelência de alguns filmes da mostra.


Bendito fruto
Na esteira da escolha do line up do exclusivo festival de Telluride (mais na nota abaixo), que acontecerá entre hoje e segunda-feira nos Estados Unidos, um nome desponta como forte candidato a darling da temporada de prêmios. O de Michael Fassbender, inegavelmente um dos atores mais produtivos da temporada.
Elogiadíssimo por sua atuação como Carl Jung em A dangerous method, exibido em competição em Veneza, Fassbender estará em dose dupla em Telluride. Além de A dangerous method, o festival apresentará Shame, novo longa de Steve McQueen – que já havia dirigido o ator em Hunger (2008).
Ambos os filmes também estarão em Toronto que também deverá ter exibição de Haywire, de Steven Soderbergh. Outro longa com a participação de Fassbender.
Vale lembrar que o ator já colheu fervorosos elogios por dois filmes estreados fora da Oscar season: x-men:primeira classe e Jane Eyre.

Michael Fassbender faz pose para os fotógrafos em Veneza: para o alto e avante...


Para os íntimos
Com acesso para lá de restrito, esse festival organizado para mimar produtores, exibidores, distribuidores e seletos críticos de cinema chega a sua 38ª edição com vitalidade. Serão 28 filmes exibidos em quatro dias de festival. As estréias de gala ficam por conta de The descendants, novo longa de Alexander Payne, Albert Nobbs, de Rodrigo Garcia, A dangerous method, de David Cronenberg, Shame, de Steve McQueen e We need to talk about Kevin, de Lynn Ramsey.
Os atores George Clooney e Tilda Swinton, que juntos já estrelam o oscarizado Conduta de risco – que também foi exibido neste festival – serão homenageados.
O músico baiano Caetano Veloso é o curador convidado para a principal mostra paralela do evento. Entre os destaques dos seis filmes selecionados por Caetano para entreter os convidados estão Deus e o Diabo na terra do Sol, de Glauber Rocha, Vivre sa vie, de Jean-Luc Godard e Se meu apartamento falasse, de Billy Wilder.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as estrelas que andam reluzindo no Rio de Janeiro, o melhor Woody Allen dos últimos cinco anos na opinião do leitor do blog, a psicanálise segundo David Cronenberg, cartazes lindos de doer e Leonardo DiCaprio tentando provocar ciúmes em Martin Scorsese.



O melhor Woody Allen dos últimos tempos
Existe uma verdadeira convulsão cinéfila em torno do mais recente filme de Woody Allen, Meia noite em Paris. A fita, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, já se tornou a maior bilheteria do cineasta americano nos últimos 25 anos. Uma estatística a ser comemorada. Claquete quis saber do leitor, qual é o melhor Woody Allen dos últimos cinco anos. Meia noite em Paris ainda não conseguiu a liderança, mas assegurou um honroso segundo lugar com 15% dos votos. Tudo pode dar certo (2009) conquistou a 50% dos votos e ficou com a primeira posição. Curiosamente, o filme protagonizado por Larry David é o único que não caiu nas graças da crítica americana e que não foi rodado nos EUA. Vicky Cristina Barcelona (2008), com 10%, ficou com a terceira posição. O sonho de Cassandra (2007) e Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010) vieram logo atrás.

Woody Allen e Larry David nos sets de Tudo pode dar certo: o melhor do diretor nos últimos cinco anos



A boa crítica de cinema
A coluna Questões cinematográficas desse mês de junho, intitulada “ a homogeneidade da crítica de cinema e esterilização da análise fílmica”, repercutiu bem junto ao leitor de Claquete. Alguns solicitaram mais informações a respeito da revista Teorema, citada na coluna. Editada pela jornalista Ivonete Pinto, Teorema é uma revista gaúcha de circulação restrita. A periodicidade da publicação, que já foi trimestral, é semestral. Cineastas, articulistas, professores universitários, jornalistas e diretores de teatro compõem o corpo de críticos da revista que tem como objetivo uma análise mais aprofundada do cinema. Os principais filmes lançados no período são agrupados e analisados por críticos com vasta bagagem cultural e cinematográfica.
A revista, no entanto, não é fácil de achar. Fora de Porto Alegre, ela pode ser encontrada na rede de livrarias Cultura – em São Paulo, Brasília, Curitiba e, em breve, no Rio de Janeiro. O e-mail da redação é revistateorema@yahoo.com.br


DiCaprio e as boas parcerias
Nem bem terminou sua participação em J. Edgar, drama sobre o criador do FBI que Clint Eastwood prepara para lançamento no final desse ano, e Leonardo DiCaprio já surge como potencial integrante do elenco do novo filme de Clint: o remake de Nasce uma estrela. O filme, anunciado no final de 2010, terá como protagonista a cantora e atriz Beyoncé Knowles. Previsto para 2012, o filme pode confirmar DiCaprio como o principal vértice de um triangulo cinematográfico invejável. De um lado Clint e de outro Scorsese que já o escalou para ser seu Frank Sinatra.


Tira-teima do Oscar
Com a chegada de 127 horas, O discurso do rei e Bravura indômita às locadoras e megastores ficam disponíveis todos os concorrentes ao último Oscar de melhor filme. A oportunidade de rever, ou ter, essas produções é preciosa e válida para - fora do calor do momento- aferir a ótima qualidade dos indicados. Vale, também, para ficar patente como O discurso do rei - que funciona melhor em casa- não era o melhor filme do ano.



O surgimento da psicanálise segundo Cronenberg
Desde que foi anunciado, A dangerous method (que na verdade se chamava inicialmente The talking cure) é aguardado com ansiedade por crítica e cinéfilos. O novo filme de David Cronenberg (e ele já está rodando Cosmópolis com Robert Pattinson) apresenta a gênese da rivalidade entre Freud e Yung. Semana passada, o primeiro trailer foi liberado. Sexo, ego, superego e outras sofisticações terapêuticas são ensejadas no trailer mais misterioso do ano. Entre Viggo Mortensen (Freud) e Michael Fassbender (Yung) está Keira Knightley. Não precisamos de Freud (ou de Yung) para intuir Oscar buzz.





Os posters do Capitão
O filme pode até decepcionar; e a probabilidade de que isso aconteça, já que Joe Johnston é o diretor de Capitão América: o primeiro vingador, é grande. Mas é inegável que os cartazes do filme, com seu charme vintage, são de causar frisson de ansiedade pelo filme.



 
... e contando
Vin Diesel, Paul Walker, Josh Duhamel, Michael Bay, Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Jamie Foxx, Jim Carrey, além é claro, de Barack Obama. Esses são alguns dos astros que desembarcaram no Rio de Janeiro nesse primeiro semestre.
O crescimento econômico é a principal razão para atrair esse pool de astros de primeira grandeza das artes e da política ao país. No campo do cinema, vale registrar que Brasil apresentou o maior crescimento percentual de bilheteria em 2010. Foram 31% ante 25% do México, que por dez anos ocupou o posto de mercado que mais crescia na América Latina. É bem verdade que o México está bem mais evoluído do que o Brasil, seja no mercado exibidor, distribuidor ou produtivo, mas o México não tem o Rio de Janeiro não é mesmo?

sábado, 14 de agosto de 2010

Claquete destaca

+ Uma continuação de Os mercenários já está em vias de fato. Na premiere londrina do filme esta semana, Stallone e alguns produtores associados apresentaram a possibilidade à imprensa condicionando-a, obviamente, a bilheteria do primeiro filme que estreou nesta sexta-feira.


+ Senhores do crime 2 vai mesmo acontecer. A mais bela e pungente história de ascensão no mundo do gangsterismo desde O poderoso chefão terá Viggo Mortensen e Vincent Cassel às ordens de David Cronenberg uma vez mais.


+ Semana passada você ficou sabendo que a produção de Entrando numa fria com as crianças enfrentava problemas. Pois bem, com as mudanças de rumo na história a Paramount decidiu alterar o título nacional do filme. Little fockers se chamará no Brasil Entrando numa fria maior ainda com a família.E aí, topa entrar nessa fria?


+ Um dos desenhos mais descolados de todos os tempos finalmente ganhou um longa metragem. Zé colméia, uma produção da Warner Brothers, com as vozes de Dan Aykrod como Zé Colméia e Justin Timberlake como Catatau chega às telas americanas em dezembro. No Brasil, o filme está previsto para 4 de fevereiro.


+ Josh Brolin está em negociações para atuar em Young adults, novo filme de Jason Reitman. Charlize Theron já está confirmada na produção, cujo roteiro é de Diablo Cody.


+ Chegou esta semana as locadoras de todo o país, o último filme de Martin Scorsese. Ilha do medo é seguramente das melhores produções a ter estreado em 2010 nos cinemas. O filme que é uma mistura entre o cinema de horror B e o noir que marcaram o cinema americano entre as décadas 30 e 70 deverá figurar nas listas de melhores do ano em dezembro.


+ Como era de se esperar o filme Deadpool corre o risco de não acontecer. A Warner está fazendo lobby contra a produção, já que Ryan Reynolds que retomaria o personagem que encarnou em X-men origens: Wolverine é o intérprete do lanterna verde no filme que o estúdio lança ano que vem. A Fox, que já negociava com Robert Rodriguez para dirigir o filme, não confirma que a produção avance sem Reynolds.

+ Um dos principais lançamentos desse final de ano é The town ou, como se chamará no Brasil, Atração perigosa. O segundo trabalho de Affleck na direção é novamente uma trama policial ambientada em Boston. Affleck vive um fora da lei com coração no filme que conta com grande elenco. Blake Lively, Jon Hamm, Chris Cooper, Rebecca Hall e Jeremy Renner, em seu primeiro papel após Guerra ao terror, são alguns dos destaques. The town será exibido agora em setembro nos festivais de Veneza e Toronto.


sábado, 17 de abril de 2010

De olho no futuro...


The adjustment Bureau
E a espionagem continua na ordem do dia para Matt Damon. Depois da trilogia Bourne, de Syriana – a indústria do petróleo, de O desinformante e de Zona Verde (que estreou ontem no Brasil), Damon se junta a bela Emily Blunt em The adItálicojustment Bureau em que vive um político enrolado em um caso de espionagem.


Matt Damon e Emily Blunt em momento "o que isso está fazendo aqui?"




e em momento "estamos em um editorial de moda"

Muda aqui e muda aculá
David Cronenberg está inquieto com a sua nova cria. O filme que mostrará a rivalidade entre Jung e Freud acaba de sofrer mais uma mudança. Depois de perder seu protagonista, Christoph Waltz foi substituído por Viggo Mortensen, o filme mudou de nome. Antes conhecido como The talking cure, o projeto se chama agora A dangerous method. A razão da mudança não foi apresentada, mas é possível deduzir que ou houve uma mudança de foco ou o estúdio impôs um nome que considera mais atrativo.

Definido o diretor do quarto Missão impossível
Brad Bird, diretor de importantes animações como Os incríveis, irá assumir o quarto filme da franquia Missão impossível. A confirmação veio do produtor do filme J.J Abrams que dirigiu o terceiro filme. Já que o filme será em 3D, a expectativa é que Bird faça um trabalho tecnicamente perfeito. Já que no departamento da ação, ele mostrou que entende do caldo em Os incríveis. Há, no entanto, o temor de que o diretor não seja tão eficiente em um filme live-action, ou seja, com atores de verdade.


Sem DiCaprio, em 3D e para crianças
O novo trabalho de Scorsese não terá, ao que tudo indica, o pupilo Leonardo DiCaprio. Isso mesmo. The invention of Hugo Cabret é um filme infantil, adaptado da obra de mesmo nome de Brian Selznick. A história de um órfão que vive em uma estação de trem na Paris dos anos 30 traz ecos da clássica história de Oliver Twist e será rodada em 3D. Ben Kingsley e o improvável Sacha Baron Cohen já estão confirmados no elenco do filme que começa a ser rodado no segundo semestre.

E por falar em Scorsese...
O diretor já havia antecipado no último festival de Berlim que retomaria a parceria com Robert DeNiro. E que isso aconteceria em um filme de máfia. Agora chegam novos detalhes sobre esse projeto que se chamaria The irishman. O filme, que pode ser dividido em duas partes, seria sobre o matador que “apagou” os maiores figurões da máfia nova-iorquina nos anos 30 e 40. Segundo DeNiro, busca-se uma aura felliniana no projeto. O roteiro está a cargo de Eric Roth (Munique e O curioso caso de Benjamin Button) e Steve Zaillan (A lista de Shindler).
Scorsese e DeNiro já sentem o cheiro de Oscar no ar...
E o drama do Capitão continua...
O novo filme do Capitão América continua passando por perrengues pesados. Depois de Chris Evans ter aceitado, com jeito de que já está arrependido, o papel principal e de penar para achar a atriz principal (a inglesa Hayley Atwell de filmes como A duquesa e O sonho de Cassandra), o estúdio contratou Joss Whedon (criador das séries Buffy e Angel e cotado para dirigir o filme dos Vingadores) para reescrever o roteiro do filme. A peça escrita por Karl Penn foi considerada “incompleta” pela Marvel.

sábado, 20 de março de 2010

De olho no futuro...

Freud ainda vai estar bem representado!
O ator vencedor do Oscar Christoph Waltz se retirou do projeto que levará a rivalidade de Freud e Yung às telas de cinema. Para substituir o austríaco, David Cronenberg convocou seu parceiro, Viggo Mortensen para encarnar o pai da psicanálise. The talking cure, com pré-produção agendada para começar ainda esse mês, será a terceira colaboração de Cronenberg e Mortensen.

A arte imita a vida?
Eles já foram namorados. Por bons três anos. A relação não terminou bem (como se houvesse alguma relação que terminasse bem né gente!?). Mas Justin Timberlake e Cameron Diaz deram uma grande demonstração que o tempo é mesmo o melhor dos remédios. Ambos estrelam a comédia romântica Bad teacher em que Cameron faz uma professora abandonada pelo namorado que tenta conquistar o professor substituto boa pinta vivido por Justin, que tem namorada. E aí, o que será que sai dessa encrenca?



Justin fazendo tipo tímido e Cameron toda soltinha: O que será que passa pela cabeça dos pombinhos nas cenas de maior intimidade?


Ainda estamos falando do mesmo filme?
A Summit, estúdio responsável pela produção dos filmes da saga Crepúsculo, anunciou essa semana que enviará o roteiro do quarto capitulo da saga, Amanhecer, para três diretores e que um deles deverá ser o responsável pelo quarto filme. O fato curioso reside nos nomes anunciados. Gus Van Sant de Milk- a voz da igualdade, Sofia Coppola de Encontros e desencontros e Bill Condon de Dreamgirls. Todos diretores do primeiro time e pouco afeitos a blockbusters de ação (o que no fundo a saga Crepúsculo quer ser). O que será que a Summit quer? Um desfecho com uma pegada de filmes como Elefante (de Vant Sant), As virgens suicidas (de Sofia Coppola) e Kinsey –vamos falar de sexo (de Bill Condon)?



Gus, Sofia e Bill: Três indicados ao Oscar para arrematar a história de amor e tragédia de Bella e Edward

Agora sim!
Finalmente, depois da baboseira que foram os dois Aliens vs predadores, Os caçadores intergalácticos, ao que parece, receberão um filme a altura de sua mitologia. O primeiro trailer da produção que traz Adrien Brody e a brasileira Alice Braga caiu na rede essa semana. E, lógico, você confere aqui em Claquete.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Os 25 melhores filmes da década: 13- Marcas de violência

Você deveria perguntar a seu marido, por que ele é tão bom em matar pessoas”



Sinopse:
Tom Stall leva uma vida tranquila e feliz na pequena cidade de Millbrook, no estado de Indiana, onde mora com sua esposa e seus dois filhos. Um dia esta rotina de calmaria é interrompida quando Tom consegue impedir um assalto em seu restaurante. Considerado um herói, Tom tem sua vida inteiramente transformada a partir de então. Surge em sua vida Carl Fogarty, um misterioso homem que acredita que Tom não é exatamente quem diz ser.

Comentário:
David Cronenberg realiza aqui o melhor filme sobre o conceito psicanalítico do duplo. Sobre a personalidade que se tem e aquela que se deseja. Marcas da violência é um filme que se ocupa de desconstruir uma identidade forjada. O quanto de nós é instinto e o quanto de nós é manipulável? Controlável? As intensas cenas de sexo, assim como as surpreendentes e rompantes cenas de violência se prestam a potencializar esse comentário de Cronenberg. O diretor extrai outras sutilezas da brutalidade. O interesse que sempre moveu o cineasta, sobre as transformações -sejam elas físicas ou emocionais- que formam o caráter de um homem, está preservado. Contudo, Cronenberg amplia o escopo de sua análise. Ele questiona se é possível criar uma nova vida e ignorar completamente a que se tinha antes. Se os impulsos podem ser domados. E se segredos são tão sagrados quanto laços familiares. Como sugere o título do filme, as respostas que Cronenberg aventa não são aprazíveis.

Prêmios:
2 indicações ao Oscar (ator coadjuvante e roteiro adaptado); indicado ao Bafta de melhor roteiro adaptado; competição oficial pela Palma de ouro em Cannes; melhor diretor e melhor atriz coadjuvante pela associação de críticos de Chicago; 2 indicações ao Globo de ouro (filme/drama e atriz/drama); 6 indicações ao prêmio do círculo de críticos de Londres; melhor ator coadjuvante pela associação de críticos de Los Angeles; melhor ator e melhor atriz coadjuvantes pela associação de críticos de Nova Iorque;

Curiosidades:
- O filme é adaptado de uma história em quadrinhos escrita por John Wagner
- Willian Hurt, que foi indicado ao Oscar pelo filme, só aparece em uma cena e ela soma cinco minutos.
- O filme marca o inicio da parceria entre o ator Viggo Mortensen e o diretor David Cronenberg
- Harrison Ford recusou o papel principal
- A revista francesa Cahiers du cinema elegeu a cena inicial (em um único take) como uma das mais belamente filmadas de toda a história do cinema

Ficha técnica:
título original:A History of Violence
gênero:Drama
duração:01 hs 36 min
ano de lançamento:2005
estúdio:New Line
distribuidora:New Line Cinema / PlayArte
direção: David Cronenberg
roteiro:Josh Olson, baseado em graphic novel de John Wagner e Vince Locke
produção:Chris Bender, David Cronenberg e J.C. Spink
música:Howard Shore
fotografia:Peter Surschitzky
figurino:Denise Cronenberg
edição:Ronald Sanders

elenco: Viggo Mortensen, Ed Harris, Maria Bello, Willian Hurt e Jessé Eisenberg


Fonte: Arquivo pessoal