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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cenas de cinema


Desculpas tortas
A fama de Kristen Stewart, dizem as más e bem informadas línguas de Hollywood, não anda das melhores – ainda em virtude da traição muito badalada em meados do ano passado. A atriz está com dificuldades para confirmar projetos e os filmes aos quais ela já está vinculada demoram para decolar. É mais ou menos o que está acontecendo com Focus, novo filme dos diretores de Amor a toda prova, John Requa e Glenn Ficarra. O filme não consegue sair da pré-produção, estágio em que já se encontra há pelo menos seis meses. No início do ano, em meio ao alvoroço por Argo na temporada de premiações, Ben Affleck abandonou o projeto. Ele seria o par romântico de Kristen no filme. Kristen ficou, meio que sem querer, esperando o que ia aparecer. Apareceu Will Smith. Foi então que o inusitado aconteceu. Kristen pulou fora do projeto. Ninguém entendeu muito bem e a explicação dada pela assessoria da atriz só piorou. Oficialmente, Kristen saiu do projeto porque achou a diferença entre a sua idade e a de Smith muito grande. Em tempo: Will Smith tem 44 anos e Ben Affleck tem 40 anos.

Will Smith faz pose: o que o único ator no momento vinculado a Focus tanto desagrada a Kristen Stewart? Ou seria Ben Affleck que agradava?

Reese Witherspoon e o “sabe com quem você está falando?”
Reese Witherspoon é a primeira vencedora do Oscar em muito tempo a ir para o xilindró. Ela poderá adicionar a estatística à famigerada fala “você sabe com quem está falando?”, com a qual se dirigiu para um policial que logo a prenderia por desacato e desordem.  O carro em que a atriz e seu marido estavam foi parado por uma patrulha policial no último fim de semana na Georgia, estado americano, e seu marido seria detido por embriaguez. Witherspoon então resolveu exercer sua celebridade quando “estava visivelmente embriagada” como diria a atriz depois de liberada, e disparou: “Você sabe com quem está falando? Seu nome vai estar no noticiário nacional”. Quem não ficou bem na foto, e em noticiário internacional, foi Whiterspoon.

Reese: mal na foto

Cadê o nosso presente Jack?
Ele completou 76 anos no dia 22 de abril de 2013 e tem 75 filmes na premiadíssima carreira. Estamos falando de Jack Nicholson, afastado das telas desde a participação em Como você sabe (2010) e sem nenhum projeto em andamento ou acertado.
Jack Nicholson faz falta! É uma força da natureza que por si só já vale o ingresso.
Fica a torcida para que Jack Nicholson, que não perde um jogo dos Lakers (time de basquete do qual é avidamente fã) em Los Angeles, retome o gosto pelo cinema.

Jack, em uma de suas últimas aparições públicas, em homenagem ao ex-jogador de basquete Shaquille O´Neal em Los Angeles

É mas não é, entende?
Jamie Foxx experimenta um bom momento na carreira. Depois de ser protagonista do último e celebrado filme de Quentin Tarantino, ele será o presidente dos EUA no novo blockbuster do alemão Roland Emmerich. Desde que surgiram as primeiras imagens de O ataque, comparações com Obama pipocaram na internet. Em Cancun, no México, onde participou de um evento de divulgação dos próximos lançamentos da Sony, Foxx disse que não fez uma imitação de Obama, mas que incorporou algumas de suas características. Alguém pensou em Ray?

Jamie Foxx em cena de O ataque: não é bem assim...


A bundinha de Robert Downey Jr.
Robert Downey Jr. está em uma maratona que Gwyneth Paltrow não consegue acompanhar. Em uma mesma semana o ator esteve em Seul, Londres, Paris, Moscou e Munique para apresentar Homem de ferro 3. A atriz só se juntou a ele em Munique, onde concederam uma bem humorada entrevista coletiva. Paltrow destacou que ainda que Homem de ferro 3 seja um produto típico da cultura pop, ao trabalhar com gente como Robert Downey Jr. e Don Cheadle, a sensação que se tem é diferente da de se trabalhar com um ator saradão de 26 anos e sem camisa. Enquanto Downey Jr. sorria de canto de olho, Paltrow destacou que Downey Jr. fica “ótimo” sem camisa e recomendou que todos dessem um beliscão na bunda do ator na saída.

Confira esse e outros momentos da coletiva no vídeo abaixo:


sábado, 8 de dezembro de 2012

Crítica: Amanhecer - parte 2


Edward e Bella contra o mundo
Quinto filme da série recupera fôlego romântico e capricha no clímax, mas repete falhas crônicas da franquia. Ainda assim, se configura em um bom fecho para Crepúsculo no cinema 


Amanhecer – parte 2 (The twilight saga: Breaking dawn – part 2) sofre, em parte, dos mesmos problemas que acometem todos os filmes da franquia Crepúsculo. A dificuldade de se erguer dramaticamente. Os primeiros 20 minutos são risíveis com atores pouco convictos, principalmente sobre o vexatório recurso tirado da cartola por Stephenie Meyer sobre o tal do imprinting entre Jacob e Renesmee, e com uma séria dificuldade de se reorganizar dramaticamente com Bella (Kristen Stewart) vampira. Outro problema crônico da série, e que em Amanhecer – parte 2 salta aos olhos, é a forma preguiçosa com que lida com o inconveniente narrativo – um exemplo claro é o tratamento dispensado pelo texto ao pai de Bella neste último capítulo.
Isso posto, é preciso dizer que passada a primeira meia hora, Amanhecer – parte 2 ganha corpo e poder de atração conforme vai elaborando o clímax do filme – bastante satisfatório por sinal.
Outro aspecto que chama a atenção em Amanhecer-parte 2 é como o filme rende melhor nos momentos que não se leva a sério, como quando Jacob se despe para explicar algo muito importante para o pai de Bella ou durante o treinamento de combate desta última. Rir de si mesmo é sempre um bom remédio, ainda mais com graves incoerências narrativas como as que caracterizam a obra original.
Amanhecer–parte 2, em parte pelo prenúncio do confronto entre o clã dos Cullen e os Volturi, não apresenta a mesma morosidade registrada na primeira parte, mas ainda assim é um filme bastante irregular no ritmo e na forma.
O fecho da saga Crepúsculo, no entanto, preserva o romantismo que parecia meio esvaziado nos dois últimos filmes. A cena final é, para os padrões da série, belíssima e de grande sensibilidade. A ideia de Edward e Bella juntos lutando não só por seu amor, como também pela vida de sua filha, ainda que a luta não seja essencialmente por essas razões, é algo simbólica do apelo da franquia junto a seu público alvo.
O quinto filme não é o melhor da série, Eclipse e Lua nova, na engenharia narrativa e visual proposta por seus diretores (Chris Weitz e David Slade, respectivamente), continuam na disputa por esse crédito, mas pelo menos permite que a saga se encerre no cinema na ascendente. Uma boa, e improvável, notícia depois da temeridade que foi Amanhecer – parte 1.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Quem foi destaque no ano


Bradley Cooper, Ben Affleck e Ryan Gosling. Esses são os nomes que ocuparam o topo dessa lista em outros anos. Em 2012 o “women power” chegou à lista das personalidades de cinema que foram destaque no ano, que o blog organiza anualmente. Ben Affleck bem que tentou reaver o topo, mas não teve jeito. Outros destaques da lista vão para três mulheres jovens que não estão apenas fazendo figuração (no cinema ou na lista) e para um brasileiro que dá sinais de que pode voltar a aparecer em listas dos próximos anos.

10 – Daniel Craig

Ele é James Bond e é James Bond no ano em que se comemorou o quinquagésimo aniversário do personagem. Difícil imaginar uma lista de personalidades do cinema no ano sem a presença de Daniel Craig. O ator entrou 2012 muito bem; provando estofo dramático e vulnerabilidade em Os homens que não amavam as mulheres e chegou à glória com o lançamento de Operação Skyfall no último trimestre do ano. O 23º filme de 007, para muitos o melhor de toda a série, já é a maior bilheteria da franquia em todos os tempos e pode ser mais um filme a adentrar ao clube do bilhão. Seria o primeiro de origem britânica. A cereja do bolo foi a participação, ao lado da rainha da Inglaterra, na abertura dos jogos olímpicos em Londres.


9 – David Cronenberg

Lançar dois filmes em um espaço de um ano não é para qualquer um. Lançar dois dos melhores filmes do ano, então, é uma aritmética quase impossível. Cronenberg fez mais. Um método perigoso e Cosmópolis não poderiam ser, em sua estrutura verborrágica, mais distantes do universo “cronenbergiano” e, em suas proposições temáticas, mais inseridos nesse universo. Da arte de surpreender, Cronenberg arrancou a melhor atuação da carreira de Robert Pattinson e fez do masoquismo e sadomasoquismo assuntos da mesa de jantar.
O diretor já adiantou que pretende fazer uma sátira pouco convencional de Hollywood em seu próximo projeto. Estamos “cronenbergianamente” ansiosos!

8 – Rooney Mara

No início de 2012 só se falava nela. O hype se abrandou, mas foi suficiente para que a jovem Rooney Mara marcasse presença na lista. Bela e talentosa, Mara se beneficiou de abraçar uma personagem icônica em um estágio inicial da carreira. 2012, no futuro, pode ser lembrado como o início de uma trajetória brilhante.


7 – Isabelle Huppert

A atriz francesa teve um 2012 movimentado. Estrelou seis produções de seis países diferentes. Esteve em filme premiado em Berlim, em filme premiado em Cannes e em filme que competiu em Veneza. Huppert, mais do que nunca, ergueu-se como a primeira dama do cinema de autor. No filipino Em nome de Deus, em cartaz em São Paulo, é vítima de sequestro. Em Amour, de vencedor da Palma de Ouro, é a filha do casal protagonista que sofre com prenúncio da partida dos pais. Esteve ainda no sul-coreano In another country, no português As linhas de Wellington e no italiano A bela que dorme. Huppert pode não ser Meryl Streep, mas Meryl Streep também não é Isabelle Huppert.


6 – João Miguel

Ele é o que se costuma chamar em alguns recôncavos brasileiros de “um baita de um ator porreta”. A variedade de recursos que João Miguel, ator de olhar prolixo e gestual eloquente, ostenta é um dos patrimônios do cinema brasileiros. E os diretores estão ligados a isso. Breno Silveira, por exemplo, o escalou para os dois filmes que lançou em 2012. Gonzaga – de pai para filho e A beira do caminho – neste último como protagonista. Marcelo Gomes, um dos primeiros a fazer bom uso do ator baiano em Cinema, aspirinas e urubus (2005), o escalou para dar densidade e contraponto a sua protagonista em Era uma vez eu, Verônica. No início do ano, João Miguel ainda abrilhantou o bom elenco de Xingu. Do cinema nacional, é seu sotaque baiano – por vezes muito bem escondido – que fica como registro de 2012.


5 – Mark Wahlberg

A Forbes o colocou no topo da lista dos atores mais rentáveis de 2012. Como Claquete poderia discordar? Wahlberg fez do razoável Contrabando um sucesso de bilheteria nos EUA na virada de 2011 para 2012, dando um sinal de que seria um dos destaques do ano. Mas nada nos preparava para Ted, um dos maiores sucessos do ano e uma das comédias mais criativas e inteligentes surgidas em Hollywood nos últimos anos. E antes que alguém pense em dar mais crédito ao roteirista e diretor do filme, Seth McFarlane, o próprio admitiu em entrevista à época do lançamento do filme que tinha Wahlberg na cabeça quando bolou a história. “Não sei o que faria se ele não topasse”, reconheceu.


4 – Jean Dujardin

Out of the blue. Essa é a expressão usada pelos americanos para se referir a algo que surge sem aviso prévio. Do nada. É mais ou menos essa a expressão que se adequa à meteórica trajetória do francês que ganhou o Oscar de melhor ator do ano e cativou milhões de espectadores ao redor do mundo sem praticamente abrir a boca em O artista. Dujardin terá algumas provas de fogo em 2013, mas 2012 será para sempre o seu ano.

3 - Jennifer Lawrence

Ela provou que pode carregar a franquia apontada por setores da indústria como substituta de Crepúsculo. De quebra, Lawrence sabe atuar. E bem. Muito bem. Prova disso é que pode voltar a disputar o Oscar de melhor atriz e isso tudo com menos de 23 anos. Se isso não é suficiente para entrar no pódio dessa lista, o que será?


2 – Ben Affleck

Há dois anos, Affleck estava no topo dessa lista. Atração perigosa, em que atuou, roteirizou e dirigiu, mostrava a convergência de talento e maturidade que poucos artistas em Hollywood ostentam. Era um primeiro lugar merecido. Em 2012 ele quase ocupou o topo novamente. O bicampeonato não saiu, mas ei, com Argo “he did it again”!


1 - Kristen Stewart

Ninguém ganhou dinheiro como ela em 2012 em Hollywood. Ou gerou tanto interesse. O final da saga Crepúsculo e uma comentada traição adicionaram pimenta ao ano de Kristen. Ela aceitou rodar cenas de sexo (ainda que não tão calientes quanto se anunciou a torto e direito) para Walter Salles, foi uma branca de neve guerreira, virou vampira e, no final, ganhou o perdão de Rob. Ah, e foi quem mais ganhou dinheiro em 2012!

domingo, 30 de setembro de 2012

Crítica - Na estrada


Eu penso em Dean Moriarty



Não é fácil avaliar Na estrada (On the road, FRA, EUA, ING, BRA/2012). Analisar o filme, em seu dialogismo com a obra original e com sua época, no entanto, é menos complicado – ainda que reserve grau semelhante de complexidade.
Em primeiro lugar, em virtude da falta de uma proposição narrativa mais específica, Na estrada é mais um tributo bem adornado a obra de Jack Kerouac, do que um filme bem fundamentado nas raízes cinematográficas. Essa constatação não desqualifica um elenco em fantástica forma, uma trilha sonora maravilhosamente composta por Gustavo Santaolalla, uma fotografia poderosa de Eric Gautier e a direção tão vigorosa quanto cuidadosa de Walter Salles.
A própria essência do livro induz o destino do filme enquanto realização cinematográfica. Embora esse fato implique em um ônus na avaliação que se faz do filme em sua vertente narrativa, indica que Salles foi bem sucedido na missão de traduzir a obra seminal da geração beat para o cinema. Na estrada é um filme sobre a busca por algo que não se sabia nem sequer nomear. Se a figura de Dean Moriarty (Garrett Hedlund) é catalisadora dessa insurgência de jovens que “tocam a estrada” na busca de inspiração e sentido, o filme de Salles é muito feliz na abordagem que faz disso. Especialmente pela poderosa aparição de Garrett Hedlund, um ator em ebulição sexual que equilibra carisma hipnótico com sensibilidade aguda na composição instintiva que faz de Dean, pseudônimo de Neal Cassidy. Se Sam Riley não chega a ser exatamente uma decepção, seu Sal Paradise, pseudônimo do autor Jack Kerouac, carece de alma. Riley falha em revestir sua composição da vulnerabilidade de um personagem que alterna momentos de profunda hesitação com outros de impulsividade incontornável. Já Kristen Stewart surge muito bem dirigida por Salles. Entregue à sensualidade de uma personagem corajosa, a atriz não se furta de cenas que exigem desprendimento. Mas há pouco para ela contribuir dramaticamente ao filme. Isso precisa ser dito. As participações especiais dão dimensão dramática a Na estrada. Viggo Mortensen e Kirsten Dunst têm pequenas, mas enfáticas participações.
Na estrada se alimenta do genuíno interesse do espectador em desbravar aqueles personagens, mas essa informação – acertadamente – nunca é plenamente alcançada.
Se Na estrada tem problemas, todos estão intrinsecamente relacionados à essência do livro, que não era considerado inadaptável à toa. Essa fidelidade canhestra, no entanto, não justifica o excesso de pudor com que Walter Salles filma as picardias de seus protagonistas. Não que haja sonegação do tesão em Na estrada. Apenas há um contingenciamento que revela ainda mais perigosamente o aspecto de tributo que o filme do diretor brasileiro não consegue se desvencilhar.


domingo, 4 de dezembro de 2011

Crítica- Amanhecer:parte 1


Pelo prazer de ser ruim!

Existem fenômenos que desafiam qualquer lógica e elaboração mais racional. Seja a imunidade do ex-presidente Lula aos sucessivos escândalos de corrupção, uma vez que continuou a gozar de imensa popularidade; seja o fato do Corinthians ter liderado o campeonato brasileiro de futebol de 2011 praticamente em toda a sua extensão, mesmo jogando tão mal; ou o fato da saga Crepúsculo fazer tanto sucesso, mesmo com uma qualidade tão questionável. Não é de hoje que os filmes da saga se provam imunes a críticas detratoras de toda sorte. Isso já era algo palpável quando o primeiro filme estourou nas bilheterias fazendo da obra de Stephenie Meyer algo inquebrantável.
Depois de dois filmes em que os respectivos diretores, Chris Weitz e David Slade, conseguiram potencializar as virtudes da obra e maquiar suas muitas fragilidades, Bill Condon, em parte pela mesquinha opção do estúdio de dividir o último livro em dois filmes, falha redondamente em tornar Amanhecer-parte 1, um filme minimamente eficiente.
Em Eclipse, para ficar em uma comparação com o melhor filme da saga – ainda que narrativamente não a tenha levado a lugar algum – atores bem dirigidos davam viço a personagens desconfortáveis com suas escolhas e com as escolhas impostas a eles. Ainda havia algum humor na cena em que Jacob e Edward conversavam sobre Bella e a rivalidade entre eles.
Em Amanhecer-parte 1, todas as tentativas de produzir algum humor falham e as cenas rodadas no Rio provocam risos embaraçados de quem conhece o Brasil. Kristen Stewart regride em sua caracterização como Bella. Totalmente desconectada do estado de espírito de sua personagem, a atriz não consegue passar para o público outra coisa que não tédio e agonia. Robert Pattinson se sai um pouco melhor do que sua parceira, mas é Taylor Lautner- um ator, ainda que carismático, em evolução- que fica parecendo um Al Pacino perante os dois. Jacob continua sendo o personagem mais interessante da saga, não a toa a própria autora considera um futuro para o lobo em sua literatura.

O imponderável aconteceu: a gravidez de Bella em Amanhecer-parte 1 escancara a fragilidade dramática da série e ajuda a fazer do quarto filme, o mais fraco de toda a franquia


Mas o grande problema do filme está na morosidade dos eventos, que são muito poucos (e tediosos) - embora haja um casamento, uma gravidez esquisita e inesperada e um parto sanguinolento. Condon e a roteirista Melissa Rosenberg não conseguem fazer do filme algo fluído. O diretor até tenta injetar alguma tensão no parto da filha de Bella e Edward ou na tocaia que a matilha de lobos faz, mas é tudo diluído pela inoperância dramática do texto original.
O triste a constatar é que os dois últimos filmes da série haviam feito notáveis melhorias em relação à primeira fita e este Amanhecer-parte 1 faz o primeiro filme parecer irretocável. O prazer de estar acima das críticas parece mover a série.
O próximo filme, a exemplo do que aconteceu com o último Harry Potter, deve ser consideravelmente superior a este. No entanto, o melancólico fim parece destinado a ser, também, um fim que fará por merecer as constantes “caras de dor de barriga” que Robert Pattinson teima em fazer com seu Edward.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Momento Claquete # 21

Kristen Stewart em um editorial de moda da revista W 


 Meryl Streep surge no mais recente cartaz de The iron lady, filme que pode lhe render mais uma indicação ao Oscar


A revista Entertainment Weekly dessa semana revelou a primeira foto do elenco de Dark Shadows, filme de vampiro de Tim Burton. A produção, que conta com Evan Green, Chloe Grace-Moretz, Jackie Earle Haley, Michelle Pfeiffer, Jonny Lee Miller, além de Johnny Depp e Helena Bonhan Carter, estréia em 11 de maio de 2012 


Michelle Williams além de viver Marlyin Monroe no filme My week with Marlyin - que abre o festival de Nova Iorque em outubro - também encarnou a diva maior de Hollywood em um editorial para a Vogue americana 


Seth Rogen, Anna Kendrick e Joseph Gordon Levitt compareceram , na última segunda-feira, à premiere nova iorquina de 50/50, dramédia que a trinca estrela e que estréia na próxima sexta-feira nos EUA


 Leonardo Di Caprio, que em breve estreará J.Edgar nos cinemas, estampa a capa da edição de outubro da revista americana GQ...


...e seu parceiro de cena, Armie Hammer, é saudado na capa da Details de outubro como o novo príncipe encantado de Holywood.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Crítica - Corações perdidos

Pondo as entranhas para dentro...


Corações perdidos (Welcome to the Rileys, EUA 2010), tradução nacional genérica para o sugestivo e sutil título original que propõe um convite voyeur logo de cara: conheça os Rileys. Doug (James Gandolfini) e Lois (Melissa Leo) sofrem um lento e traumático processo de luto. Ele busca ar em uma relação extra-conjugal que a mulher consente no silêncio de quem busca sufocamento. Após a morte da filha do casal, a fissura se estabeleceu de tal forma que o diálogo surge mecânico e ressentido. Após a súbita morte da amante, aproveitando uma viagem de negócios, Doug resolve tirar um tempo para realinhar suas perspectivas. A razão dessa súbita mudança de abordagem é Mallory (Kristen Stewart). Uma stripper de 16 anos que aguça o lado paternal de Doug. Essa busca por redenção irá alcançar Lois que vence sua agorafobia (medo de lugares abertos, embora a personagem tenha pavor mesmo é de sair de casa) para ir ao encontro do marido e mostrar-lhe que, junto com ele, está disposta a superar os percalços doloridos da vida.

O naturalista James Gandolfini e a expansiva Kristen Stewart em cena: pessoas feridas e ressentidas em rota de colisão


A fita de Jake Scott, filho do cineasta Ridley Scott, é uma produção competente em seu traçado: iluminar almas agoniadas que se debatem por carinho. A narrativa privilegia as atuações e encontra excelentes respostas. James Gandolfini ostenta seu habitual naturalismo e reveste seu Doug de doçura, inadequação e esperança. Melissa Leo surge contida como a receosa Lois, mas incrivelmente enérgica em cena. Fazendo com que os olhares se curvem a ela de maneira majestosa. Uma atriz em pleno domínio de sua arte. Kristen Stewart, compreensivelmente, é o elo mais fraco. Mas não há valor pejorativo na afirmação. A atriz dá fôlego a sua personagem subvertendo maneirismos presentes em outras de suas caracterizações. Uma performance pensada e digna de nota.
Corações perdidos navega sem grandes invencionices e se resolve como um drama edificante que evita soluções maniqueístas. A terapia coletiva a qual a trinca de protagonistas é submetida apresenta um saldo positivo, mas não objetifica as trajetórias dos personagens. O filme começa com todos eles com as entranhas expostas e termina com todos recolhendo-as. O processo de cura ainda será longo e Scott não se incumbe de precipitá-lo em nome de um final mais hollywoodiano.