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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Crítica - Corações perdidos

Pondo as entranhas para dentro...


Corações perdidos (Welcome to the Rileys, EUA 2010), tradução nacional genérica para o sugestivo e sutil título original que propõe um convite voyeur logo de cara: conheça os Rileys. Doug (James Gandolfini) e Lois (Melissa Leo) sofrem um lento e traumático processo de luto. Ele busca ar em uma relação extra-conjugal que a mulher consente no silêncio de quem busca sufocamento. Após a morte da filha do casal, a fissura se estabeleceu de tal forma que o diálogo surge mecânico e ressentido. Após a súbita morte da amante, aproveitando uma viagem de negócios, Doug resolve tirar um tempo para realinhar suas perspectivas. A razão dessa súbita mudança de abordagem é Mallory (Kristen Stewart). Uma stripper de 16 anos que aguça o lado paternal de Doug. Essa busca por redenção irá alcançar Lois que vence sua agorafobia (medo de lugares abertos, embora a personagem tenha pavor mesmo é de sair de casa) para ir ao encontro do marido e mostrar-lhe que, junto com ele, está disposta a superar os percalços doloridos da vida.

O naturalista James Gandolfini e a expansiva Kristen Stewart em cena: pessoas feridas e ressentidas em rota de colisão


A fita de Jake Scott, filho do cineasta Ridley Scott, é uma produção competente em seu traçado: iluminar almas agoniadas que se debatem por carinho. A narrativa privilegia as atuações e encontra excelentes respostas. James Gandolfini ostenta seu habitual naturalismo e reveste seu Doug de doçura, inadequação e esperança. Melissa Leo surge contida como a receosa Lois, mas incrivelmente enérgica em cena. Fazendo com que os olhares se curvem a ela de maneira majestosa. Uma atriz em pleno domínio de sua arte. Kristen Stewart, compreensivelmente, é o elo mais fraco. Mas não há valor pejorativo na afirmação. A atriz dá fôlego a sua personagem subvertendo maneirismos presentes em outras de suas caracterizações. Uma performance pensada e digna de nota.
Corações perdidos navega sem grandes invencionices e se resolve como um drama edificante que evita soluções maniqueístas. A terapia coletiva a qual a trinca de protagonistas é submetida apresenta um saldo positivo, mas não objetifica as trajetórias dos personagens. O filme começa com todos eles com as entranhas expostas e termina com todos recolhendo-as. O processo de cura ainda será longo e Scott não se incumbe de precipitá-lo em nome de um final mais hollywoodiano.