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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Um olhar sobre a franquia Crepúsculo




O cineasta alemão Werner Herzog disse outro dia em entrevista no Rio de Janeiro, onde participou de um festival que destacou algumas de suas obras, para surpresa de alguns interlocutores, que gosta de Crepúsculo. Herzog disse que há bons signos na franquia e que até mesmo toparia dirigir um capítulo, desde que lhe permitissem também escrever o roteiro. O alemão acrescentou, ainda, que Crepúsculo possibilitou que Hollywood descobrisse um público que vinha sendo negligenciado: as adolescentes.
Agregando à sintomática fala de Herzog, o interesse de cineastas tidos do primeiro escalão (Sofia Coppola e Gus Van Sant) que à época da escolha do diretor para as duas últimas partes da franquia externaram interesse em negociar, é possível ter uma noção do que é Crepúsculo, além de seu rótulo pop.
Batendo nos U$ 5 bilhões em arrecadação nas bilheterias e com uma apaixonada legião de fãs, Crepúsculo rendeu muitos posts em Claquete. Esse provavelmente não será o último, a despeito do fim da franquia no cinema.
A maior qualidade da franquia talvez seja o de atualizar um mito romântico clássico e que de tempos em tempos aparece sob nova roupagem. Cinematograficamente, são muitos os problemas. Em julho de 2011, a seção Insight denominada  “Eclipse e um olhar sobre a evolução da saga Crepúsculo” fez um balanço dos três primeiros filmes da franquia no ímpeto de avaliar o status da saga no cinema e na cultura pop. A avaliação se mantém. Os dois últimos filmes pouco acrescentaram ao escopo. O diretor Bill Condon, na qualidade dos créditos o melhor diretor a assumir um filme da franquia, não conseguiu fazer das duas partes de Amanhecer um produto uniforme. David Slade havia inserido humor e dado mais viço ao trabalho dos atores. O que fez de Eclipse um produto cinematográfico mais vistoso. A maquiagem em muitos dos defeitos da obra original, no entanto, não foi mantida no mesmo nível por Condon. Amanhecer – parte 2, talvez pelo maior tempo para finalização, acaba fazendo melhor uso do humor do que a primeira parte.
A franquia Crepúsculo se despede do cinema com números impressionantes, o status de maior fenômeno pop dos últimos anos e uma fissura entre cinema de qualidade e símbolo pop iconográfico que parecia inexistir em um mundo com a trilogia do Batman de Christopher Nolan, a saga de Harry Potter e mesmo a trilogia O senhor dos anéis.
É um paradoxo que ajuda a expandir os limites de Crepúsculo enquanto fonte de interesse. O que difunde, no entanto, é o interesse depositado na saga. A tendência é que ele se equacione na nostalgia de fãs, detratores e analistas por um fenômeno que encontrou um jeito bem particular de adentrar os anais da história do cinema.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Crítica: Amanhecer - parte 2


Edward e Bella contra o mundo
Quinto filme da série recupera fôlego romântico e capricha no clímax, mas repete falhas crônicas da franquia. Ainda assim, se configura em um bom fecho para Crepúsculo no cinema 


Amanhecer – parte 2 (The twilight saga: Breaking dawn – part 2) sofre, em parte, dos mesmos problemas que acometem todos os filmes da franquia Crepúsculo. A dificuldade de se erguer dramaticamente. Os primeiros 20 minutos são risíveis com atores pouco convictos, principalmente sobre o vexatório recurso tirado da cartola por Stephenie Meyer sobre o tal do imprinting entre Jacob e Renesmee, e com uma séria dificuldade de se reorganizar dramaticamente com Bella (Kristen Stewart) vampira. Outro problema crônico da série, e que em Amanhecer – parte 2 salta aos olhos, é a forma preguiçosa com que lida com o inconveniente narrativo – um exemplo claro é o tratamento dispensado pelo texto ao pai de Bella neste último capítulo.
Isso posto, é preciso dizer que passada a primeira meia hora, Amanhecer – parte 2 ganha corpo e poder de atração conforme vai elaborando o clímax do filme – bastante satisfatório por sinal.
Outro aspecto que chama a atenção em Amanhecer-parte 2 é como o filme rende melhor nos momentos que não se leva a sério, como quando Jacob se despe para explicar algo muito importante para o pai de Bella ou durante o treinamento de combate desta última. Rir de si mesmo é sempre um bom remédio, ainda mais com graves incoerências narrativas como as que caracterizam a obra original.
Amanhecer–parte 2, em parte pelo prenúncio do confronto entre o clã dos Cullen e os Volturi, não apresenta a mesma morosidade registrada na primeira parte, mas ainda assim é um filme bastante irregular no ritmo e na forma.
O fecho da saga Crepúsculo, no entanto, preserva o romantismo que parecia meio esvaziado nos dois últimos filmes. A cena final é, para os padrões da série, belíssima e de grande sensibilidade. A ideia de Edward e Bella juntos lutando não só por seu amor, como também pela vida de sua filha, ainda que a luta não seja essencialmente por essas razões, é algo simbólica do apelo da franquia junto a seu público alvo.
O quinto filme não é o melhor da série, Eclipse e Lua nova, na engenharia narrativa e visual proposta por seus diretores (Chris Weitz e David Slade, respectivamente), continuam na disputa por esse crédito, mas pelo menos permite que a saga se encerre no cinema na ascendente. Uma boa, e improvável, notícia depois da temeridade que foi Amanhecer – parte 1.