Mostrando postagens com marcador Ben Affleck. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ben Affleck. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de março de 2014

Insight - Reinventar-se é preciso!

Ator contestado, Ben Affleck se reinventou como cineasta de fina estirpe e já ganhou até Oscar; enquanto que George Clooney protagonizou a reinvenção mais radical e bem sucedida da história de Hollywood ao praticamente apagar da memória coletiva seu passado de ator errante nos anos 80

Hollywood adora uma reinvenção. Essa é daquelas verdades perenes que fazem e derrubam estrelas. O limiar entre uma carreira de novo fôlego e uma carreira enterrada de vez é, por vezes, imperceptível. Da tolerância do público à aceitação da imprensa especializada, muitos são os fatores que podem determinar se uma carreira por ser realocada ou não. Jennifer Aniston, por exemplo, tentou durante um breve período na década passada – após o fim do seriado "Friends" – redimensionar seu status no cinema, mas seu público não parecia disposto a alforriá-la das comédias românticas. Dramas como Amigas com dinheiro (2006), Fora de rumo (2005) e Por um sentido na vida (2002) não foram bem digeridos pela audiência e a ex-mulher de Brad Pitt se viu confinada ao gênero das comédias. Ainda assim, ela passou a ousar mais como em filmes como Quero matar meu chefe (2011) e Família do bagulho (2013).
Recentemente todos se assombraram com a transformação que Matthew McConaughey impôs a sua carreira. Denominada McConnainsance, a reviravolta culminou em Oscar, mas está longe de acabar. Com papéis difíceis como os de Killer Joe e "True Deetctive", McConaughey parece ter redesenhado seu papel na indústria do cinema. O mesmo tenta fazer Bradley Cooper. Depois de estourar como um dos protagonistas de Se berber, não case (2009), o ator se aliou ao cineasta Davi O. Russell, outro que enveredou pelo caminho da reinvenção (como já abordado aqui em Claquete), para mudar de status em Hollywood. Depois de duas indicações ao Oscar em anos seguidos, Cooper está nos novos filmes de Clint Eastwood e Cameron Crowe.
Antes de McConaughey e Cooper, porém, o britânico Colin Firth apartou-se das comédias românticas para abraçar os filmes mais sérios. Protagonista do novo filme de Woody Allen, Firth ganhou o Oscar por O discurso do rei (2010) há três anos depois de ter feito uma ruptura definitiva com sua carreira de então com o denso e doloroso Direito de amar (2009).
Nenhuma reinvenção, no entanto, é mais uníssona do que a de George Clooney. Poucos se atentam para o fato de que Clooney era um ator errático nos anos 80 e um astro emergente da tv nos anos 90 que soube se reiventar de maneira tal que se firmou como o maior astro da Hollywood atual, à frente de ícones de outrora como Harrison Ford, Tom Cruise ou Brad Pitt.

Reese Whiterspoon e Colin Firth divulgam Devil´s knot no festival de Toronto em setembro do ano passado: atores que buscaram reinventar suas carreiras e obtiveram aprovação do Oscar

Matthew McConaughey, maior símbolo atual do significado de reinvenção em Hollywood, com um dos muitos troféus que conquistou no início de 2014


Mudar é preciso!
Há, ainda, aqueles atores que enxergam a necessidade de mudança para que não fiquem presos ao estigma de um personagem. Ben Stiller tentou fugir do paspalho de bom coração com A vida secreta de Walter Mitty, que também dirigiu, acabou fugindo da comédia rasgada, mas não conseguiu mudar o tom do personagem. Jesse Eisenberg parece um sub Woody Allen e se isso lhe serviu bem em A rede social parece miná-lo em filmes como Truque de mestre (2013) e Para Roma, como amor (2012), em que foi dirigido pelo próprio Allen. Por isso seus próximos projetos são pontos fora da curva, como uma adaptação de Dostoievski e o vilão do próximo filme do Superman.  
Se Anne Hathaway conseguiu se desfazer da imagem de princesinha da Disney, Reese Witherspoon – por mais que tenha tentado – não se desfez da alcunha de atriz de comédias românticas, a despeito do Oscar e de suas incursões cada vez mais frequentes pelo drama. Coincidências à parte, o próximo drama de Witherspoon (Devil´s knot) também é estrelado por Colin Firth.
Channing Tatum é outro a perseguir o reconhecimento como ator sério, mesma escalada de Sandra Bullock que de uns tempos para cá passou a conciliar as comédias blockbusters que fizeram sua carreira com dramas menores. A ideia é transparecer uma carreira mais equilibrada e completa do que de fato ela tem a apresentar.
Liam Neeson vai na contramão. Ator de vasta credencial no drama, o irlandês passou a prestigiar o cinema de ação, roubando holofotes de pretensos protagonistas do gênero como Vin Diesel. Filmes como Desconhecido (2011), A perseguição (2012), Busca implacável (2008) e Sem escalas (2013) provaram o fôlego há pouco inimaginável do agora sessentão no gênero que é a menina dos olhos do sistema de estúdios hollywoodiano.
As mudanças podem se dar por contingência de mercado, como prova o caso de Neeson. A carência por atores capazes de sustentar um gênero que ainda não se renovou desde os anos 90 empurrou o ator para o metiê de outros vovozinhos como Bruce Willis e Sylvester Stallone.
As mudanças podem se dar ainda como estratégia de carreira, gosto pessoal ou mero acidente. Reinventar uma carreira não é tão fácil como parece.  Requisito básico e que parece sublinhar muito bem a divergência entre Anne Hathaway e Reese Witherspoon, é ter talento.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - As dez personalidades que foram destaque no ano

É uma das listas mais disputadas do ano. Páreo duro com os 100 mais influentes da Forbes e os mais sexy do mundo pela People. As dez personalidades que foram destaque em 2013 e adentraram ao concorrido ranking de Claquete está em domínio público. Alguns veteranos, um ou outro arroz de festa e dois franceses que desafiam ingleses, americanos e o australiano da lista. O brasileiro que entrou não desafia ninguém porque é puro paz e amor.


10 - Henry Cavill

O inglês foi um dos galãs de 2013. Não precisaria nem convencer como Superman (e como Clark Kent) em O homem de aço para fazer valer seu lugar na lista das personalidades que se destacaram em 2013 no mundo do cinema, mas ao fazê-lo enseja expectativas por um retorno breve. Cavill tem carisma, charme, talento, beleza e um tórax que veste bem o S de super.

9 - Adèle Exarchopoulos

Linda, linda e linda. Não nos enganemos. Adèle Exarchopoulos está nesta lista porque é linda. Sua atuação em Azul é a cor mais quente é muito boa, mas a francesa de lábios carnudos que desafia o reinado de Lana Del Rey e Angelina Jolie não conseguiria apenas na base do talento incursionar nesta prestigiada, e disputada, lista. O hype do filme e a paixão que as Américas (do Sul e do Norte) nutrem por ela ajudaram.

8- Hugh Jackman

O ano começou com ele ganhando uma estrela na calçada da fama e sendo indicado ao Oscar. Se 2013 serviu para alguma coisa em termos de Jackman foi para mostrar que ele é tão bom no cinema como na Broadway. Os miseráveis e Os suspeitos, este último também produzido pelo australiano, são dois dos melhores filmes do ano. De quebra, Jackman ainda revitalizou seu principal personagem, Wolverine, nos cinemas.

7- Daniel Day Lewis

Três vezes vencedor do Oscar de melhor ator. Essa descrição deveria bastar para justificar a presença de Lincoln (ops!) na lista, mas a gente apela com outras três palavrinhas: Daniel Day Lewis.

6 - Irandhir Santos

Parece cota nacional, mas não é. Irandhir Santos veio roubar o sexto lugar de João Miguel, que segurou a bandeira verde e amarela no ranking do ano passado. Se não foi uma presença prolífera no ano, Santos foi marcante nos filmes O som ao redor e Tatuagem. De quebra, sua presença aqui mostra que ator bom o Brasil faz no Nordeste. Além de João Miguel, Wagner Moura foi outro ator a já ter dado pinta por aqui.

5 - François Ozon

Experimenta lançar dois filmes em um mesmo ano. Ozon não deu uma de Steven Soderbergh, ou de Spielberg, vá lá, mas foi beneficiado por uma artimanha de sua distribuidora em território brasileiro. Dentro da casa (2012) e Jovem e bela (2013), ambos de sua autoria, são dois dos melhores, mais imaginativos e instigantes filmes lançados no Brasil neste ano. Ele, com ajuda, vá lá, se impôs nesta lista.

4 – James Franco

Ele fez uma exposição de arte, lançou um programa sobre arte na tv, produziu documentários, estrelou blockbuster (Oz – mágico e poderoso), estrelou comédia debochada (É o fim) e ainda conseguiu lançar filmes dirigidos, roteirizados e/ou produzidos por ele em todos os festivais de cinema proeminentes do mundo. Alguém tinha que avisar para ele que bastava pedir para entrar na lista. Não precisava deixar de dormir para isso...

3- Ben Affleck

Pode parecer de gosto duvidoso, mas Bem Affleck é um veterano desta lista. Ele entrou em 2010 (na primeira posição), em 2012 e volta agora em 2013, perdendo uma posição em relação ao ano anterior, pelo Oscar ganho por Argo, por ter protagonizado o maior bafafá do ano na cultura pop (aham, Batman!) e por ter participado de filmes bacanas e completamente distintos como Amor pleno e Aposta máxima.

2- Jennifer Lawrence

Se Affleck perdeu uma posição, a culpa é de Jennifer Lawrence. A vencedora do Oscar por O lado bom da vida e “girl on fire” na franquia Jogos vorazes não está para brincadeira e dá mais um passo rumo ao topo. Da lista aqui no blog e do mundo também.

1-Benedict Cumberbatch

Você não conhecia Benedict Cumberbatch antes de 2013. Além de rapidamente virar ícone pop e nerd, os dois conceitos estão mais juntos do que nunca, Cumberbatch esteve em seis lançamentos do ano. Blockbusters colossais como a segunda parte de O hobbit e a segunda aventura da Star Trek de J.J Abrams e em filmes com aspirações artísticas como 12 years a slave e Álbum de família. Não obstante, ainda peitou Julian Assange para bancar uma visão isenta de sua persona em O quinto poder.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Cenas de cinema: gente

Ele é o cara!

Impossível ter passado 2013 sem se deparar com ele. Ou ao menos com seu extravagante nome. Principalmente se você for leitor relativamente assíduo de Claquete. Benedict Cumberbatch foi o supra-sumo do ano em todas as variantes possíveis. Foi o protagonista do filme mais alvissareiro (O quinto poder), o vilão mais carismático do filme mais nerd disponível (Além da escuridão: Star Trek) e ainda figura no elenco de dois dos mais bem cotados filmes para o Oscar 2014 (Álbum de família e 12 years a slave).
Como se isso tudo já não fosse razão o suficiente, Cumberbatch incita a dúvida. Como ser tão bom ator sendo tão cool como ele é?

Mais um ano de Brangelina!
Já é meio que uma tradição aqui de fim de ano em Claquete. Uma geral no ano do casal vinte da Hollywood atual e 2013, bem, foi um ano afeito às retrospectivas de qualquer sorte. Primeiro, por Angelina que resolveu fazer uma mastectomia preventiva para evitar que pudesse vir a ter câncer de mama no futuro. Sua atitude, e seu posicionamento público em artigo do The New York Times, repercutiram globalmente. Houve, também, o anúncio de que depois de oito anos juntos, Pitt e Angelina vão formalizar a união com uma cerimônia de casamento a ser realizada preferencialmente na Europa. Acordos pré-nupciais, por insistência dele, já foram assinados. No cinema, Pitt provou força como produtor, e fôlego como promotor de eventos, com o lançamento de Guerra mundial Z, o blockbuster do ano, e Angelina anunciou seu novo projeto na direção, que terá roteiro dos irmãos Coen. Angelina, em novembro, ganhou um Oscar humanitário. Enfim, mais um ano de Brangelina devidamente registrado.

Brad e angelina: just checking...

Um casal quase perfeito
Eles não têm a sutileza ou a sofisticação de brandgelina, mas Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger se assumiram de vez como um casal. Nas telas, é bom que se diga. Stallone, há algum tempo, vinha recorrendo ao passado para garantir o presente no cinema, e a série Os mercenários é o maior exemplo disso, mas a parceria com Schwarzenegger é, para todos os efeitos, mais estratégica e simbólica. “Eu o odiava nos anos 80”, admitiu Stallone em entrevista de divulgação o filme Rota de fuga, em que estrelam juntos e teve lançamento mundial pouco visto. O hype pode ter esfriado, mas esse é um casal que sabe como esquentar a relação. Em 2014, tem mais mercenários!

Simplesmente Emma!

Se tem alguém que sai de 2013 mais cool do que entrou esse alguém é Emma Watson. Riu de si mesma em É o fim,a comédia mais descolada e nonsense da temporada e falou sério, mas sem perder a pose, em The bling ring – a gangue de Hollywood. Harry Potter está definidamente para trás.

O incrível 2013 de Ben!
O ano começou promissor para Ben Affleck. Argo estava na crista da onda e na dianteira da temporada de premiações, mas aí Affleck ficou de fora da lista dos indicados à direção no Oscar e o idílio parecia que ia acabar. Não foi o caso. Argo foi dobrando convicções e escritas e sagrou-se o melhor filme do ano. O Oscar de melhor filme e o prestígio junto a público e crítica, no entanto, não resguardaram Affleck de um dos momentos mais polêmicos do show business no ano. A escolha do ator para viver o Batman na sequência do filme O homem de aço. A opção pelo ator foi contestada em redes sociais e fãs mais desesperados pediram intervenção até mesmo de Obama. Affleck soube lidar muito bem com a situação e assumiu, conscientemente, um desafio que pode livrá-lo de uma vez por todas da má fama angariada como ator de poucos predicados. O ano termina com um sabor tão ou mais especial do que começou.

Affleck no programa de Jimmy Fallon: maturidade para administrar a pressão

Tudo Jen com as Jens
Jennifer Lawrence, Jennifer Lawrence e Jennifer Lawrence. A sensação é de que o tempo parou e só se falou em Jennifer Lawrence, que surge novamente cotada para uma indicação ao Oscar – agora como coadjuvante por Trapaça. Oscar conquistado por O lado bom da vida, bilheterias dominadas com a segunda parte da franquia Jogos vorazes e todo aquele charme Law a desfilar por cá e lá ofuscando as demais Jennifers do planeta Hollywood. Aniston bem que tentou aparecer. Fez strip no filme A família do bagulho, marcou casamento (com Justin Theroux), adiou casamento (com Justin Theroux, ora bolas), mas não se impôs à dinastia Law que ruma para um terceiro ano de muitas capas de revistas e declarações irreverentes. 

Jennifer Lawrence em evento promocional do segundo Jogos Vorazes: ela nem precisaria do decote para aparecer, mas...

O tom certo

Nem Tom Hanks, nem Tom Cruise. O tom do ano é inglês, mais charmoso do que a dupla de citados mais famosa e daqueles atores que dá gosto ver crescer. Em 2013, Tom Hiddleston estrelou dois filmes. Thor – o mundo sombrio, em que novamente rouba todas as cenas possíveis e inimagináveis, e Only lovers left alive, o filme de vampiros de Jim Jarmusch. Nos cinemas brasileiros, estreou ainda o pouco visto Amor profundo, em que dá mais um show. Intérprete absoluto, generoso e cheio ambição criativa, Hiddleston vai construindo uma carreira a qual daqui não se vê limites.

Francowholic
Talvez ninguém tenha trabalhado mais em 2013 do que James Franco. Pelo menos no mundinho de Hollywood. O ator de 35 anos lançou programa de arte na TV, escreveu livro, estrelou nove filmes, dirigiu dois, roteirizou e produziu outros três e lançou a maioria nos prestigiados festivais de Sundance, Berlim, Cannes, Veneza e Toronto. Como se isso não fosse suficiente, tem 12 filmes programados para 2014. Muitos dos quais filmados também em 2013. Como ele consegue é a pergunta que não quer calar.

Astros contra o tempo
Afora Brad Pitt e Tom Hanks, 2013 não foi generoso com os astros de primeira grandeza. Mas foi pior com Will Smith. Ele fez um filme para discutir a relação com seu filho crente que manteria o status de homem de U$ 100 milhões nas bilheterias, mas Depois da Terra foi um fracasso homérico. A coisa só não ficou tão feia graças às bilheterias internacionais. Esse solavanco ocorre depois de Will ter ficado cinco anos sem dar as caras nas telas de cinema em um filme que não fosse de franquia (nesse meio tempo só apareceu em MIB 3). A tentativa de viabilizar seu filho Jaden, desprovido do carisma do pai, como seu sucessor talvez mereça mais tempo de maturação. Enquanto isso, Will Smith dá pistas de que pode rever sua posição e entrar para o elenco das sequências de Independency Day. Amigo de Smith, Cruise é outro que não guarda boas lembranças do ano. Além de constantemente precisar se explicar sobre o divórcio de Katie Holmes e a cientologia, Cruise não consegue mais produzir sucessos como outrora. Na defensiva, o astro planejou um retorno à ficção científica com Oblivion e uma nova franquia com Jack Reacher. Nenhum dos dois deu muito certo em termos comerciais, apesar de serem bons filmes. Smith e Cruise, mais do que nunca, correm contra o tempo para manter a relevância.   

Apertem os cintos, Almodóvar sumiu!
Cite um dos piores filmes do ano. Ok! Agora em pense em outro. Em mais um. Certamente, você já pensou em Amantes passageiros. Um dos mais bizarros, incautos e desorientadores filmes de 2013. Sem contar que é ruim para chuchu, como se dizia antigamente. O grande ponto é que é um legítimo Almodóvar. E um Almodóvar de volta à comédia, como tanto se alardeou. Não é bem uma sátira, não é bem uma comédia histérica, não é um filme pornográfico e não é, exatamente, uma comédia sem freios. É mais sem freios do que comédia. Enfim, se há um cineasta, daqueles imortais, que sai arranhado de 2013, esse cineasta é Almodóvar.

Garras sempre afiadas
Hugh Jackman teve um ano intenso. Foi indicado pela primeira vez ao Oscar de melhor ator por sua incrível e emocional perfomance em Os miseráveis, voltou a viver o mutante Wolverine em um filme que convenceu, e rendeu, produziu um dos filmes mais bacanas do ano (Os suspeitos), descobriu ser vítima de um tipo de câncer de pele, não se abateu, começou o tratamento, se declarou para a esposa por tê-lo convencido a fazer os exames que detectaram a doença e ainda fez campanha para que homens não sejam turrões de não ouvirem suas esposas. Tem como não amar?



Caça e caçador

Mads Mikkelsen. Conhece? Não houve ator tão visceral e tão diverso, em mídias e camadas, como o dinamarquês. Além de reviver, com a responsabilidade de desviar da sombra de Anthony Hopkins, o famoso serial killer Hannibal Lecter na TV, Mikkelsen esteve no aclamado A caça, em que apresenta uma atuação não menos do que magistral em toda a sutileza e contenção possíveis, e ainda esteve em Michael Kohlhaas, um épico europeu que o levou ao festival de Cannes novamente. Se em A caça ele era a presa em um comentário pessimista do realizador Thomas Vinterberg, em Hannibal, ele consegue o improvável e reinventa o personagem como um caçador sofisticado e muito mais ameaçador do que o encarnado por Hopkins. Que tal para um reles vilão de Bond? 


sábado, 5 de outubro de 2013

Crítica - Aposta máxima

Blefe bem feito!

Depois de impressionar com o modesto, mas bem urdido O poder e a lei (2011) – que de quebra recolocou o ator Matthew McConaughey na rota da consagração artística, Brad Furman lança esse Aposta máxima (Runner runner, EUA 2013) que mistura a sofisticação do mundo empresarial à lógica do mundo das apostas, fundidas pela mentalidade do mundo do crime.
A estrutura é muito parecida com a de seu filme anterior. Não só no desenvolvimento narrativo, como nos arquétipos emulados pela dramaturgia e no desenho dos personagens. O Ritchie Furst de Justin Timberlake, assim como o advogado vivido por McConaughey naquele filme, parte de um quadro de ingenuidade para a expertise no trato com um mundo desleal e perigoso.
Hora da verdade: Ben e Justin medem forças em filme bacanão
Furst é um estudante de pós-graduação com um vício. Ele é viciado em pôquer, mas não necessariamente naquela percepção convencional de vício. E é dessa particularidade que Furman alimenta seu filme. Descolado, inteligente, mas ingênuo, Furst procura Ivan Block (Ben Affleck), um magnata das apostas on-line sediado na Costa Rica, para lhe informar que seu site tem brechas que incitam trapaças. Block, como agradecimento ou forma de exercer controle, oferece um emprego para Furst. É a partir dessa relação de poder e imagem que este eficiente thriller se estabelece.
Não que Aposta máxima seja um filme inventivo. Seu desenvolvimento é até certo ponto preguiçoso tendo como referência o fato de que acolhe os clichês com muita energia e desprendimento. Mas é um filme que aposta no ritmo acelerado da ação e nos seus atores principais. Gemma Arterton, cuja função na fita é ser bonita, está especialmente linda. Timberlake opera a habitual combinação de carisma e charme que lhe é tão característica e se sai muito bem. O grande atrativo da fita, no entanto, é mesmo Ben Affleck se divertindo como um kingpin do crime. Affleck faz pose de canastrão, fala espanhol, e surge falando “pussy” em uma sauna logo no início do filme. Ele convence como gângster sofisticado como poucos criam ser possível. Demonstração de que Affleck está muito mais relaxado nessa coisa de atuar do que pensamos que ele poderia em virtude das críticas que recebe nesse ofício.
O resumo da ópera é o seguinte: Se Aposta máxima viesse antes de O poder e a lei, Furman não suscitaria a boa impressão que capitalizou. O filme é ligeiro, despretensioso e consegue fazer com que você saia da sessão achando que é até mesmo superior ao que de fato é. Um blefe que não demora muito a ser percebido.

sábado, 24 de agosto de 2013

Ser Batman é a verdadeira segunda chance de Ben Affleck?


Foto: Acess Hollywood

A notícia foi cataclísmica nas redes sociais. Ben Affleck será o novo Batman. A percepção majoritária é negativa, mas não poderia se esperar nada diferente de um anúncio até certo ponto surpreendente como esse. Daniel Craig foi o último a experimentar a grita dos fãs comumente chamados de xiitas. Tobey Maguire para homem-aranha e Heath Ledger para o coringa também experimentaram fúrias semelhantes. No caso de Affleck não são nem mesmo esses que promovem um levante contra sua escolha para encarnar Bruce Wayne e seu alter ego neste novo ciclo do personagem.
A Warner soltou essa informação na quinta-feira e Claquete foi um dos primeiros veículos do Brasil a reproduzi-la em sua fan page. De acordo com o comunicado oficial, a opção por Affleck é de oferecer um contraponto ao Superman ainda em formação interpretado por Henry Cavill. “Ben provê um interessante contraponto ao Superman de Henry. Ele tem os atributos e recursos para caracterizar um homem mais velho e mais sábio que Clark Kent; que carregue cicatrizes da experiência que é combater o crime, mas que mantém certo charme que o mundo vê no bilionário Bruce Wayne”, disse Zack Snyder no documento liberado pela Warner à imprensa. A contestação à Affleck diz respeito a seus recursos como intérprete e sua capacidade de dar conta da complexidade de um personagem como Bruce Wayne.
A fala da presidente mundial de marketing e distribuição da Warner, Sue Kroll, no entanto, permite ir além do óbvio na análise da escolha de Affleck para o papel. Ela disse que “estamos entusiasmados que Ben esteja dando sequência ao extraordinário legado da Warner com o personagem. Ele é um ator tremendamente talentoso que dominará esse papel neste que já é o mais antecipado filme do verão de 2015”.
A Warner queria Ben Affleck envolvido com os personagens da DC de qualquer maneira. Há algum tempo especula-se seu nome para a direção do filme da Liga da Justiça. Essa especulação tinha corpo antes mesmo da confirmação oficial de que o filme seria, de fato, feito; o que só veio a acontecer em julho na última edição da Comic Con.
Affleck desconversava, mas jamais negou de fato que voltar a se envolver com um filme de super-heróis estivesse fora de seu rol de interesses neste momento da carreia. Já é notório para o leitor de Claquete, que Ben Affleck desperta grandes expectativas na Warner que o quer em seu rol de grandes artistas, pelo menos como diretor. Tê-lo como Batman é uma demonstração que essa intenção está ganhando terreno. Uma demonstração de ambas as partes. Primeiro porque a responsabilidade não deve ter vindo sem ônus para o estúdio. Affleck já chamou a atenção por conciliar estética comercial e veia autoral em seus filmes. É um dom raro em um diretor e um baita de um diferencial aplicado em filmes de super-heróis no cenário pós O cavaleiro das trevas (2008). O ator e diretor, assumindo o traje de Batman deve ter mais liberdade para tocar seus projetos como diretor no estúdio. Além do mais, é possível que tenha ficado encaminhado para que Affleck assuma a cadeira de diretor em um eventual futuro filme do homem morcego e da Liga da Justiça. A ideia é criar um universo e com Affleck a bordo isso torna-se plenamente possível. O que não quer dizer que irá acontecer. É preciso ter em mente que Zack Snyder, que para todos os efeitos não foi feliz na reinvenção do Superman em O homem de aço, será o primeiro a pôr as mãos nesse novo Batman. Portanto, o que é bonito no papel, pode não permanecer assim na prática.


A internet foi à loucura com a escolha de Affleck para viver Batman. Claquete selecionou algumas montagens bacanas a respeito do imbróglio que se deu no mundo digital. Na primeira imagem, uma brincadeira com a curtição no QG da Marvel a respeito da escolha da rival. Na foto seguinte, o texto diz "George Clooney deve estar aliviado com a possibilidade de que finalmente alguém interpretará um Batman pior que ele" e no texto baixo, aludindo o fenômeno nerd "Guerra dos Tronos", a chamada: "Se prepararem... uma fúria nerd está chegando".



Assumindo os riscos
Todo mundo sabe o histórico de mau ator que Ben Affleck carrega. Aqui mesmo em Claquete este tópico frequentemente volta a receber certo destaque. Todo mundo sabe, também, que Affleck foi um dos responsáveis para o fracasso, ainda que o filme não seja de todo ruim, de Demolidor – o homem sem medo (2003), uma da primeiras incursões de um personagem Marvel no cinema depois do êxito do primeiro X-men em 2000. A partir daquele fatídico 2003, Affleck carregou um estigma tão duro para um ator quanto para um atacante em jejum de gols: não ser bom em seu ofício.
Desde que começou a dirigir, mostrando ser genuinamente bom e cada vez melhor nisso, Affleck recuperou muito da simpatia de público, crítica e, principalmente, indústria. Mas era diferente. O incômodo com as constantes comparações e apartes entre o Ben Affleck diretor e o Ben Affleck ator ainda estavam lá. Pairando sobre um ator que evoluía conforme se consolidava, também, como diretor.
Entrar no olho do furacão ao assumir o papel do Homem-morcego depois de sua mais bem sucedida encarnação com a dupla Christopher Nolan/Christian Bale é um risco calculado. O que não quer dizer que não seja um risco grande. Affleck se investe da responsabilidade de apagar o lastro de más impressões deixadas desde que despontou como ator no fim dos anos 90. Somente um papel de grande projeção midiática, nos termos de Tony Stark/Homem de ferro para Robert Downey Jr pode fazer isso. Mas se o tiro sair pela culatra, o tombo poderá pôr a perder as recentes conquistas de Affleck como artista.

Ben Affleck aceitando a pressão: o risco é calculado, seu efeitos imprevisíveis...

De qualquer jeito, é Hollywood sendo cinematográfica também nos bastidores. Sob a perspectiva do marketing, a escolha é ótima. Affleck hoje é um artista respeitado e uma marca de prestígio no cinema americano. Em termos de ambição é um gol de placa, pois se vislumbra critério e aplicação nos planos da Warner de consolidar o universo DC nos cinemas. Resta observar o desenvolvimento dessa história e torcer para que ele em si não seja mais interessante do que os filmes que vem por aí.

sábado, 3 de agosto de 2013

Crítica - Amor pleno

Amar no intransitivo

“Você deverá amar”, diz em certo momento de Amor pleno (To the wonder, EUA 2012), o padre Quintana (Javier Bardem) em um off onipresente no novo filme de Terrence Malick. “É um comando. Você não tem escolha”, continua o religioso que vivencia uma crise em sua fé ao se questionar porque há tanto mal e tristeza se Deus é só bondade. Quintana se angustia por não sentir a presença divina e precisar falar dela. O padre Quintana está presente no filme para fazer a unção entre o amor espiritual e o amor convencional que dá cor ao nosso mundo e também ao filme de Malick.
Amor pleno é um Malick tradicional, ou seja, aquele filme bom que é, também, um flerte perigoso com o tédio; em que planos perfeitos se sucedem em uma colagem de imagens que favorece uma experiência sensorial difusa daquela que a narrativa busca. É um Malick tão ambicioso quanto o de A árvore da vida, que rendeu a Palma de ouro em 2011 ao diretor, mas é também um Malick mais bem fundamentado. Não que haja respostas, Malick segue com sua curiosidade filosófica e antropológica afiada e sem a autoimposição de produzir o sentido que dele esperam, mas Amor pleno é um filme com mais corpo e densidade que o era A árvore da vida.
O aspecto transcendental do ato de amar está lá. Emulado em toda a sua energia, fluidez e imensidão. A natureza, tão cara a Malick, surge como uma metáfora crua desse “amar”. Seja no geólogo que acompanha a contaminação do solo em uma ação aparentemente descolada do eixo central do filme, seja nas cenas de ondas chocando-se violentamente, ou de uma praia enlameada.
Neil (Ben Affleck, mal dirigido e pouco à vontade) conhece Marina (Olga Kurylenko) em Paris e se apaixonam. Ela tem uma filha e um histórico ruim de relacionamentos. Ela vê em Neil, mais do que a esperança de amar novamente, enxerga uma vida plena. Para isso, volta com ele para os EUA. Neil, por seu turno, parece pouco à vontade com a presença dela. Ele não parece decidido a engatar uma relação séria. Marina sente isso. Malick então começa sua investigação sobre o egoísmo no amor. O amar demais, o amar de menos, o amar por comodidade e outras reminiscências. Quando seu visto expira, Marina volta para a França – sua filha vai morar com o pai em outro continente – e Neil se aproxima de uma mulher que conheceu em sua juventude, Jane (Rachel McAdams). Mas Neil não a quer também. Ele não sabe o que quer e esse é o vértice menos trabalhado por Malick. O ponto de vista feminino, na ótima interpretação de Olga Kurylenko, prevalece na narrativa. Talvez porque seja o olhar feminino indecifrável e sedutor à curiosidade do cineasta, talvez porque seja universalmente mais multifacetado e amplo. Certo é que Amor pleno arranha divagações existenciais entusiasmantes como a ponderação de por que, afinal, passamos a ter ojeriza de alguém que amamos tanto. Ou mesmo por que um sentimento cheio de benevolências como o amor pode sufocar.

Sem final feliz: Amor pleno é um filme de extasiante beleza visual e franco incômodo narrativo em uma rima que facilita a identificação do público com os sentimentos dos personagens

A contingência, a loucura, a espiritualidade, a abnegação, a doação... O amor em sua transparência de sentido aparece tão múltiplo quanto refratário em Amor pleno, um filme que aposta em um diálogo tão sensorial e absorto da lógica quanto a epopeia do filme anterior de Malick, mas que é muito mais cinematográfico e discursivo –ainda que extremamente contemplativo - do que seu antecessor. É um filme difícil de se gostar, mas daqueles cujas qualidades não se pode negar.  

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Momento Claquete #33

 Oscar 2013

Jack Nicholson é o penetra na festa de George Clooney, Grant Heslov e Ben Affleck, produtores premiados por Argo 

Adele, que não desgrudou de seu Oscar, bate um papo com Richard Gere: fãs mútuos? 

Daniel Day Lewis e Meryl Streep posam para os fotógrafos no backstage do teatro Dolby 

Anne Hathaway e Jennifer Lawrence posam para as lentes da revista Entertainment Weekly 

Anne Hathaway em momento "vamos cair essa ficha?" no backstage do teatro Dolby 

Robert De Niro e Bradley Cooper compartilham um momento de descontração durante a cerimônia do Oscar 

George Clooney e Denzel Washington posam para uma foto que foi parar no instagram da Academia

Jennifer Lawrence faz cara de "me poupe" e se pronuncia graficamente no backstage do teatro Dolby

Laços de família: Se Summer Phoenix viu seu irmão Joaquin perder a disputa de melhor ator, seu marido, Casey Affleck, testemunhou a consagração de seu irmão, Ben, no Oscar 2013 

Catherine Zeta Jones prestes a dançar All that Jazz dez anos depois de tê-lo feito pela primeira vez no Oscar 

Joseph Gordon-Levitt e Daniel Radcliffe foram parar no Instagram 

Natalie Portman, no after party da Vanity Fair, provocou boatos de uma nova gravidez. Será?


Fotos: Just Jared, Entertainment Weekly, reprodução/Instagram, Vanity Fair

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Crítica da 85ª edição do Oscar


Confissões de uma academia em crise...

Humildade ou falta de autonomia? Ebulição institucional ou equilíbrio fora do comum? Quais as depreensões da vitória, previsível e ainda assim surpreendente, de Argo no Oscar 2013


O triunfo de Argo confirmou uma suspeita eriçada ao longo da temporada de premiações. A de que o Oscar, a despeito dos esforços da direção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para diminuir a influência de premiações periféricas e do marketing avassalador dos estúdios,  a instituição ainda é (muito) suscetível a esses fatores. O raciocínio é simples: Quando os acadêmicos foram votar para definir os indicados, nenhum prêmio de maior projeção havia sido entregue e apenas a lista do indicados ao Globo de Ouro divulgada. Naquele momento, Argo não era um top contender para a Academia. Sim, tinha sete indicações assim como as oito de Os miseráveis em categorias que, assim como Argo, lhe deixavam no meio termo entre os figurantes e aqueles que realmente brigavam pelo título de melhor filme. Passada a consternação com a surpreendente exclusão de Ben Affleck dos indicados a melhor diretor, teve início uma campanha irascível em sua naturalidade para a vitória de Argo. Em parte pela solidariedade de outros setores da Academia para com Affleck que se viram incumbidos da necessidade de remediar a franca omissão do brunch de diretores da Academia (responsável por definir os indicados na respectiva categoria); e, em parte, pelo fato de que ciente de que prêmios como Globo de Ouro, Critic´s Choice Awards e os principais sindicatos de Hollywood estavam se alinhando a Argo, a Academia – enquanto colegiado coletivo – ensimesmou-se das reações adversas que se levantaria se continuasse a ignorar um filme tão celebrado. A combinação desses dois fatores resultou em um Oscar previsível quando se aguardava com alguma ansiedade pelo imprevisível. Condição esta também fomentada pela antecipação das indicações por parte da Academia. Efetivamente, à luz dos resultados da temporada, é possível dizer que essa medida não surtiu efeito. Será preciso repensá-la mais adiante.

Incorreto, inteligente e ligeiramente amoral, o anfitrião do ano, Seth MacFarlane, não agradou à maioria da imprensa americana, mas foi o principal responsável pela elevação de audiência do Oscar nos EUA; principalmente entre a faixa demográfica chave (18-49 anos) que subiu quase 20% em relação a 2012

Se Argo não é o melhor filme do ano, ou mesmo entre os nove finalistas, é uma escolha digna e que congrega a expressão do gosto médio dos acadêmicos nesse momento. É um filme fácil de se gostar, que exalta a esperteza americana e referencia Hollywood de maneira lisonjeira – ainda que não deixe a crítica de lado. No entanto, será julgado pela história à sombra de toda essa miscelânea que precedeu sua consagração. Ainda mais por ter sido apenas o quarto filme a ter ganhado o prêmio principal sem ter tido seu diretor indicado. Para ficar no único exemplo disponível nos últimos 60 anos, Conduzindo miss Daisy (1989), que levou o prêmio de melhor filme sem que Bruce Beresford tenha sido indicado a melhor diretor, é um dos vencedores mais discutíveis da história do Oscar.
Reminiscências à parte, o Oscar 2013 já se enunciava disputado. A ótima safra de estúdios e a ausência de um filme maiúsculo sugeriam uma edição equilibrada e foi o que se viu. Com quatro Oscars (direção, trilha sonora, fotografia e efeitos especiais), As aventuras de Pi foi o grande vencedor da noite. Seguido por Argo que faturou os prêmios de filme, roteiro adaptado e montagem. Ainda foram bem contemplados Os miseráveis (maquiagem, som e atriz coadjuvante), Django livre (roteiro original e ator coadjuvante) e Lincoln (ator e direção de arte). Este último, apesar dos dois prêmios, se subscreve como um dos maiores perdedores da história do Oscar. Converteu em vitória apenas duas de suas doze indicações. A bem da verdade, apesar da robustez narrativa e do rigor técnico, o filme de Spielberg não era o tipo de material que o Oscar costuma reconhecer. Seu favoritismo se alimentava mais do vazio de grandes filmes e da força da grife Spielberg.
Com ótimos, mas sem grandes filmes, a Academia resolveu segmentar seus prêmios. Contudo, poderia tê-lo feito de maneira mais calejada. Optou pelo melhor ator entre os que concorriam ao prêmio, mas não necessariamente pela melhor atuação. Não que se possa dizer que um prêmio à assombrosa performance de Daniel Day Lewis seja injusto. O Oscar se viu até mesmo em face de um improvável empate. O sexto de sua história. Foi na categoria de edição de som entre os filmes A hora mais escura e Operação skyfall. O empate é sintoma inegável do equilíbrio do ano verificado em muitas categorias. O choque entre os eleitores liberais e conservadores, jovens e velhos, americanos e estrangeiros, propiciou alguns novos paradigmas. Christoph Waltz, que venceu há três anos, voltou a prevalecer como ator coadjuvante – em sua segunda indicação – em uma categoria marcada pelo nível mais alto visto em anos. A vitória de Waltz talvez não acontecesse em outra época. Assim como a vitória de Tarantino, que sempre encontrou restrições entre os conservadores, mas eles já não são maioria. Ao que tudo indica, o texto mais fraco de Tarantino – e o mais fraco entre os roteiros originais – não foi impedimento para que ele recebesse, 18 anos depois de Pulp Fiction, um novo Oscar por roteiro. São mudanças graduais que vão se dando no pensamento da Academia. Passa por aí, também, a opção de redimir Argo (e Ben Affleck) mesmo depois de, em um primeiro momento, considerar o filme um competidor circunstancial.

Peace out: a vitória de Tarantino não deixa de ser um sinal dos tempos de mudança pelos quais a maior premiação do cinema atravessa

O Oscar 2013, e as ilações que se podem fazer dele, sugerem que a Academia experimenta algumas crises. A necessidade de reinvenção, ensaiada com mais propriedade neste ano com a inserção do voto digital e do host Seth MacFarlane, está à frente. Mas também a percepção que se tem do Oscar na própria temporada de premiações. Está-se diante de um prêmio de chancela ou de uma instituição com voz própria? Essa questão, no entanto, o Oscar 2013 anuviou.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Cenas de Cinema Especial (85ª edição do Oscar)


Passando recibo...

Confirmaram-se as expectativas mais controvertidas com a vitória de Argo, o filme mais celebrado da temporada. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood voltou atrás, por assim dizer, e sagrou Argo o filme do ano. O movimento patenteia de maneira jamais vista a influência do Globo de Ouro, sempre questionada e em 2013 levada às últimas consequências e em particular de uma premiação menos badalada que é o Critic´s Choice Awards. Era claro, no momento do anúncio dos indicados ao Oscar, que Argo não era para a Academia um “top contender”. Se “voltar atrás” é um sinal de humildade e, nesse contexto precisa ser louvado, é também um sinal de que enquanto instituição, o Oscar renunciou completamente a sua autonomia.

Argo fucked everyone: Com três prêmios, Argo será um daqueles filmes que a história proverá diferentes justificativas para seu sucesso no Oscar


Pero no mucho
A 85ª edição do Oscar tem tudo para entrar para a história como uma das mais esquisitas de todos os tempos. Não só pela pulverização um tanto injustificada entre alguns dos principais concorrentes, mas pela estrutura do show mesmo. Se não foi a oitava maravilha do mundo, Seth MacFarlane foi um anfitrião competente. Boas piadas, ótimo timing cômico e boa inserção com os números musicais – em alta no ano. Mas as homenagens pareciam descalibradas (a aguardada homenagem a James Bond foi frustrante), as gafes se enumeraram (o que foi a entrega do Oscar de canção e a descortesia com alguns concorrentes? E a insistência da homenagem a Chicago que foi produzido pelos produtores da edição do Oscar deste ano?) e o ritmo da produção severamente prejudicado. Não ajudou o fato do Oscar atentar contra a própria coerência.

Porém...
Alguns elogios precisam ser feitos. A Academia mostra reiteradamente que está se desligando de certos paradigmas inconvenientes como o de não premiar repetidamente atores já consagrados. Meryl Streep entregando o Oscar a Day Lewis é um feliz sintoma disso. A vitória de Christoph Waltz entre os coadjuvantes – ele havia vencido em 2010 por Bastardos inglórios – é ainda mais eloquente nesse sentido. O austríaco conquistou sua segunda vitória em sua segunda indicação e tudo isso em um espaço de quatro anos. E mais: concorria com quatro celebrados atores americanos, também oscarizados, mas que estavam há mais tempo sem vencer.


O fator Lee I

Ang Lee derrotou pela segunda vez Steven Spielberg em uma disputa direta entre os dois pelo Oscar de direção. Lee é, também, o primeiro cineasta asiático a ganhar o Oscar e o segundo também. O primeiro a ganhá-lo novamente. Mais importante: Ang Lee é o primeiro diretor a vencer o Oscar por um filme dirigido em 3D. Honra negada aos americanos James Cameron (Avatar) e Martin Scorsese (A invenção de Hugo Cabret).

O fator Lee II
Ang Lee, no entanto, entra para uma outra seletíssima lista. É o primeiro cineasta a ter dois Oscars de direção sem que um dos filmes pelos quais ganhou o Oscar tenha prevalecido na disputa de melhor filme. 

A culpa é do Day Lewis...
É sabido que Daniel Day Lewis rouba atenções para si, mas raciocínio rápido do desempenho dos últimos filmes estrelados por ele com múltiplas indicações no Oscar. Gangues de Nova Iorque há dez anos teve dez indicações, e Day Lewis era favorito ao prêmio de melhor ator, e não levou nada. Há cinco anos, Sangue negro divida as atenções e oito indicações com Onde os fracos não têm vez dos irmãos Coen. O filme só faturou os troféus de fotografia e ator para Day Lewis. Lincoln, este ano, tinha 12 indicações e novamente apenas dois prêmios: direção de arte e ator para Day Lewis.

Empate
Foi apenas a sexta vez na história que houve empate no Oscar. O inusitado se deu na categoria de edição de som com as vitórias de A hora mais escura e Operação Skyfall. Ou seja, em 2013, foram 25 vencedores em 24 categorias do Oscar...

Affleck para senador?

Ben Affleck o grande vitorioso da noite está com seu discurso cada vez mais lapidado. Soube enobrecer Spielberg tão logo aproximou-se do microfone para agradecer pelo prêmio de melhor filme dado a Argo e soube voltar-se com afetuosidade e brandura à esposa Jennifer Garner. Humilde, Affleck 15 anos depois da efusiva vitória pelo roteiro original de Gênio indomável volta a vencer um Oscar e, talvez, se prepara para uma nova empreitada. Seu nome é bastante comentado em corredores democratas para uma cadeira no Senado americano. Endosso hollywoodiano é o que não vai faltar!

 4,3,2,1...
Foi um grande Pi! A Academia pulverizou seus prêmios e, como não ocorria desde 2005, o melhor filme do ano não liderou o número de Oscars. Naquele ano, O aviador ganhou cinco Oscars e Menina de Ouro, o melhor filme, quatro. No ano seguinte, um empate quádruplo: Kink Kong, Memórias de uma gueixa, O segredo de Brokeback Mountain e Crash - no limite empataram com três prêmios cada. Sendo o último o vencedor de melhor filme. Este ano, As aventuras de Pi faturou quatro estatuetas (direção, fotografia, trilha sonora e efeitos especiais) e na segunda posição vieram Argo (filme, roteiro adaptado e montagem) e Os miseráveis (atriz coadjuvante, maquiagem e mixagem de som). Ainda teve Oscar para Django livre (ator coadjuvante e roteiro original), Lincoln (ator e direção de arte), Operação skyfall (canção original e edição de som), Anna Karenina (figurino), Amor (filme estrangeiro), O lado bom da vida (atriz), A hora mais escura (edição de som) e Valente (animação).

A Áustria contra-ataca
Não foi como o esplendor francês do ano anterior, mas foi uma vitória expressiva. Além do triunfo entre os filmes estrangeiros com Amor, o candidato submetido pelo país, a Áustria ainda viu Christoph Waltz triunfar pela segunda vez em quatro anos no Oscar.

Peace out!
Quentin Tarantino quase 20 anos depois de sua primeira vitória no Oscar, voltou a empunhar a estatueta. Dessa vez pelo roteiro de Django livre, que acabou tendo um dos melhores desempenhos da noite com dois prêmios em cinco possíveis. Tarantino se mostrou respeitoso com a Academia e com seus concorrentes na categoria no que chamou de “o ano dos escritores”. O Tarantino paz e amor foi uma das boas surpresas da noite – ainda todos os candidatos na categoria fossem melhores.

A estrela da noite
Não foi a oscarizada Jennifer Lawrence ou a bela e histórica Emmanuelle Riva, mas sim a barba. Nada polarizou mais as atenções no Dolby Theatre do que a barba. Ou as barbas. George Clooney, Paul Rudd, Ben Affleck, Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman foram alguns dos que adotaram o visual barbado. Em diferentes traçados, é claro. A barba esteve tão poderosa que as duas performances masculinas premiadas se deram por personagens barbudos no filme e os três produtores de Argo foram receber o prêmio devidamente barbados... 

"Três barbudos sexies" nas palavras bem humoradas de Grant Heslov (à esquerda), seguramente o mais sexy dos barbudos...

And the Oscar goes to…
Os temidos discursos de Anne Hathaway e Jennifer Lawrence que andaram exagerando no tom dos agradecimentos em algumas premiações prévias não comprometeram. Anne foi elegante e grata. Jennifer foi afetuosa e bem humorada – principalmente depois da queda que sofreu enquanto se caminhava para o palco. Contudo, mais uma vez, Daniel Day Lewis mostra que também é o craque definitivo em matéria de discursos. Começou louvando Meryl Streep – que lhe entregara o Oscar: “Meryl era a primeira opção de Steven para viver Lincoln” e na mesma frase ainda saiu-se com essa “ainda bem que não se tratava de um musical”. Uma referência de duplo sentido tanto a Nine – seu trabalho menos elogiado em anos quanto ao principal elemento das homenagens da noite. O sagaz Day Lewis, no entanto, não se furtou a emoção pela história que estava fazendo e agradeceu, comovido, o gesto da Academia para com ele.

Algumas frases:

“É legal que nós não estejamos só fazendo filmes para adolescentes. Até porque eu já não sou mais adolescente”, Quentin Tarantino no backstage do Oscar

“Talvez na terceira vez a gente consiga, mas eu estou muito feliz de vencer”, de Ang Lee no backstage após vencer o Oscar de direção por As aventuras de Pi

“Me desculpem, eu tomei umazinha antes de vir aqui”, Jennifer Lawrence aos jornalistas no backstage ante de falar sobre sua vitória no Oscar

“Argo conta uma história secreta sobre o resgate de um grupo de americanos no Irã pós-revolucionário. A história foi tão secreta que o diretor do filme permanece desconhecido pela Academia”, Seth MacFarlane em uma de suas piadas como anfitrião do Oscar

“Se você não encontra suas palavras em situações como essa, eu acho que seria um pouco triste”, Daniel Day Lewis ao responder questionamentos sobre se recebia assistência em seus sempre maravilhosos discursos

"Django livre. Esta é uma história de um homem lutando para recuperar sua mulher, que é mantida sob uma violência impensável - ou como Chris Brown e Rihanna chamam, ‘encontro no cinema...’”, Seth MacFarlane em uma de suas piadas como anfitrião do Oscar

“Ele é engraçado”, Tommy Lee Jones quando perguntado sobre Seth MacFarlane

“Eu não sei, talvez que faça um documentário na HBO como fez a Beyoncé”, Adele sobre seus planos pós- Oscar


Passando a régua...
Tommy Lee Jones riu, Jack Nicholson estava lá, Jessica Chastain foi a mais linda da noite, Steven Spielberg perdeu de novo, Ben Affleck riu por último (e também lacrimejou), Quvenzhané Wallis curtiu de montão, Samuel L. Jackson bancou o fotógrafo, Anne Hathaway se emocionou, Meryl Streep compareceu, Jean Dujardin melhorou no inglês e George Clooney esbanjou charme. Que venha o Oscar 2014!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Cenas de cinema especial: Globo de ouro 2013


We miss you Rick

Não que a performance de Amy Poehler e Tina Fey tenha sido decepcionante. Elas são ótimas e garantiram o entretenimento. Mas também deixaram claro que Rick Gervais é mesmo insuperável em matéria de host na atualidade...

WTF moments
O que mais marcou a 70ª cerimônia do Globo de Ouro foi a saraivada de gafes na cerimônia. Do apagão no teleprompter que deixou Paul Rudd e Salma Hayek em maus lencóis ao nervosismo de Anne Hathaway que quase não deixou os produtores de Os miseráveis agradecerem o prêmio que tinham acabado de ganhar, passando pelo ex-espião da CIA Tony Mendez que, também nervoso, mostrou dificuldades de apresentar o indicado a melhor filme Argo, baseado em sua incrível façanha e pelo discurso de Jodie Foster que deixou todo mundo com a pulga atrás da orelha.

WTF moments II

Por falar nesse discurso, a homenageada com o prêmio Cecil B. DeMille por um momento parecia que ia anunciar sua homossexualidade, especulada pela imprensa há anos. Em outro, parecia anunciar sua aposentadoria da atuação. No fundo, era apenas uma crítica a cultura de celebridades e a forma como as mulheres são tratadas no mundinho de Hollywood. Foster, que estava nitidamente “alegre”, teve que explicar seu discurso no backstage. Mas conseguiu arrancar lágrimas de quem estava também “alegre” antes disso.

... e já que o clima é de confidências
Kevin Costner, que ganhou o prêmio de melhor ator em minissérie ou filme para a TV pela produção do History Channel Hartfield & McCoys, resolveu abrir o coração. Lembrou-se da primeira vez que compareceu à cerimônia do Globo de ouro, fez um rápido flashback da carreira (que pode se reabilitar depois desse prêmio) e em tom nostálgico agradeceu a todos pela carreira, pelo momento e pelo cinema.

Argo fucked?
É por essas e outras que o Oscar é Oscar! Ben Affleck não soube conter a cara de surpresa e choque quando viu seu nome anunciado como o melhor diretor do ano no Globo de Ouro. A vitória, que ganhou contornos de improvável depois de sua ausência na lista do Oscar, mostra a ruptura cada vez mais flagrante entre Oscar e Globo de Ouro. Com o Oscar reconhecendo cada vez mais um cinema artístico e a HFPA o cinema de indústria. No final das contas, a temporada não está sendo tão ruim assim para Affleck. Ele já ganhou mais do que outros diretores, como, por exemplo, Kathryn Bigelow e Tom Hooper, igualmente esnobados pelo Oscar.

Ben Affleck vibra: não tão mal assim na fita...


Não quer dizer nada
Agora, a vitória de Argo em linhas gerais não significa nada em termos de Oscar. A consagração do filme, porém, pode lhe impulsionar na disputa de melhor filme do ano. Mas a vitória, sem a nomeação de diretor, segue altamente improvável.

Surpreso de verdade
Bateram tanto em Django livre nos últimos dias, que ninguém da equipe do filme julgava possível conquistar prêmios na noite de domingo. Christoph Waltz, que ganhou o prêmio de ator coadjuvante, não soube disfarçar a surpresa com a vitória. Waltz, emocionado e sem discurso preparado, engrandeceu Tarantino.

Surpreso de verdade II
Premiado pelo roteiro de Django livre, Tarantino também demonstrou surpresa. “Realmente não esperava isso”. Ele aproveitou o holofote para defender seu método de criação e, no seu tradicional estilo espalhafatoso, louvou sua concorrência na categoria. 

A Harvey com amor
Pode não ter sido a vitória que ele se habituou a ter no Globo de Ouro, mesmo assim, os filmes distribuídos por Harvey Weinstein fizeram bonito na cerimônia realizada no Bevely Hilton Hotel. Django livre e O lado bom da vida conquistaram estatuetas e coube a Jennifer Lawrence massagear o ego do titã do marketing: “Obrigado Harvey por matar quem você teve que matar para me colocar aqui em cima”. Novos tempos!

Os perdedores e Tommy Lee Jones
Há sempre um fetiche das transmissões de premiações pelo flagra no rosto dos perdedores no momento em que o vencedor é anunciado. É quase tão orgânico que vez ou outra se perde a reação de alguns vencedores. No Globo de Ouro 2013, a TV flagrou o descontentamento de Bradley Cooper, que talvez achasse que fosse ganhar em virtude do bom momento de seu filme na temporada de premiações, e Taylor Swift que deveria saber que não tinha vez contra Adele.
No entanto, o melhor “flagra” da noite foi quando a câmera encontrou a face imutável de Tommy Lee Jones enquanto Will Ferrell e Kristin Wiig faziam uma piada com sua parceira de cena em Um divã para dois, Meryl Streep. O rosto de Jones estava tão assustador que o câmera, com medo, foi flagrar outra coisa...



Streep, sempre Streep
Indicada, Meryl Streep não pôde comparecer à cerimônia por causa de uma gripe. Isso não quer dizer que não tenha sido uma referência vivaz e contínua no evento. Desde brincadeiras no monólogo inicial à piada de leve da vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz em comédia Jennifer Lawrence: “Eu venci Meryl Streep”.