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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - As dez personalidades que foram destaque no ano

É uma das listas mais disputadas do ano. Páreo duro com os 100 mais influentes da Forbes e os mais sexy do mundo pela People. As dez personalidades que foram destaque em 2013 e adentraram ao concorrido ranking de Claquete está em domínio público. Alguns veteranos, um ou outro arroz de festa e dois franceses que desafiam ingleses, americanos e o australiano da lista. O brasileiro que entrou não desafia ninguém porque é puro paz e amor.


10 - Henry Cavill

O inglês foi um dos galãs de 2013. Não precisaria nem convencer como Superman (e como Clark Kent) em O homem de aço para fazer valer seu lugar na lista das personalidades que se destacaram em 2013 no mundo do cinema, mas ao fazê-lo enseja expectativas por um retorno breve. Cavill tem carisma, charme, talento, beleza e um tórax que veste bem o S de super.

9 - Adèle Exarchopoulos

Linda, linda e linda. Não nos enganemos. Adèle Exarchopoulos está nesta lista porque é linda. Sua atuação em Azul é a cor mais quente é muito boa, mas a francesa de lábios carnudos que desafia o reinado de Lana Del Rey e Angelina Jolie não conseguiria apenas na base do talento incursionar nesta prestigiada, e disputada, lista. O hype do filme e a paixão que as Américas (do Sul e do Norte) nutrem por ela ajudaram.

8- Hugh Jackman

O ano começou com ele ganhando uma estrela na calçada da fama e sendo indicado ao Oscar. Se 2013 serviu para alguma coisa em termos de Jackman foi para mostrar que ele é tão bom no cinema como na Broadway. Os miseráveis e Os suspeitos, este último também produzido pelo australiano, são dois dos melhores filmes do ano. De quebra, Jackman ainda revitalizou seu principal personagem, Wolverine, nos cinemas.

7- Daniel Day Lewis

Três vezes vencedor do Oscar de melhor ator. Essa descrição deveria bastar para justificar a presença de Lincoln (ops!) na lista, mas a gente apela com outras três palavrinhas: Daniel Day Lewis.

6 - Irandhir Santos

Parece cota nacional, mas não é. Irandhir Santos veio roubar o sexto lugar de João Miguel, que segurou a bandeira verde e amarela no ranking do ano passado. Se não foi uma presença prolífera no ano, Santos foi marcante nos filmes O som ao redor e Tatuagem. De quebra, sua presença aqui mostra que ator bom o Brasil faz no Nordeste. Além de João Miguel, Wagner Moura foi outro ator a já ter dado pinta por aqui.

5 - François Ozon

Experimenta lançar dois filmes em um mesmo ano. Ozon não deu uma de Steven Soderbergh, ou de Spielberg, vá lá, mas foi beneficiado por uma artimanha de sua distribuidora em território brasileiro. Dentro da casa (2012) e Jovem e bela (2013), ambos de sua autoria, são dois dos melhores, mais imaginativos e instigantes filmes lançados no Brasil neste ano. Ele, com ajuda, vá lá, se impôs nesta lista.

4 – James Franco

Ele fez uma exposição de arte, lançou um programa sobre arte na tv, produziu documentários, estrelou blockbuster (Oz – mágico e poderoso), estrelou comédia debochada (É o fim) e ainda conseguiu lançar filmes dirigidos, roteirizados e/ou produzidos por ele em todos os festivais de cinema proeminentes do mundo. Alguém tinha que avisar para ele que bastava pedir para entrar na lista. Não precisava deixar de dormir para isso...

3- Ben Affleck

Pode parecer de gosto duvidoso, mas Bem Affleck é um veterano desta lista. Ele entrou em 2010 (na primeira posição), em 2012 e volta agora em 2013, perdendo uma posição em relação ao ano anterior, pelo Oscar ganho por Argo, por ter protagonizado o maior bafafá do ano na cultura pop (aham, Batman!) e por ter participado de filmes bacanas e completamente distintos como Amor pleno e Aposta máxima.

2- Jennifer Lawrence

Se Affleck perdeu uma posição, a culpa é de Jennifer Lawrence. A vencedora do Oscar por O lado bom da vida e “girl on fire” na franquia Jogos vorazes não está para brincadeira e dá mais um passo rumo ao topo. Da lista aqui no blog e do mundo também.

1-Benedict Cumberbatch

Você não conhecia Benedict Cumberbatch antes de 2013. Além de rapidamente virar ícone pop e nerd, os dois conceitos estão mais juntos do que nunca, Cumberbatch esteve em seis lançamentos do ano. Blockbusters colossais como a segunda parte de O hobbit e a segunda aventura da Star Trek de J.J Abrams e em filmes com aspirações artísticas como 12 years a slave e Álbum de família. Não obstante, ainda peitou Julian Assange para bancar uma visão isenta de sua persona em O quinto poder.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Crítica - Tatuagem

Grito contra a grita!

Existe uma preocupação que norteia Tatuagem (Brasil 2013), ousada e feliz estreia de Hilton Lacerda, habitual colaborador de Cláudio Assis, na direção de longa-metragens.
Essa preocupação concerne em deixar claro para o espectador que o Brasil pouco avançou em matéria de liberdades individuais desde que voltou a ser uma democracia. É uma preocupação legítima e que permeia o filme de maneira orgânica no desenho que Lacerda dá à trama.
Clécio (Irandhir Santos) é o diretor de uma trupe teatral de ar revolucionário na Recife de 1978 que busca no drible à censura dos militares a beleza de seu ofício. Clécio tem um filho e se dá bem com a ex-mulher, mas é homem que gosta de homem e não se furta a fazer o que gosta. É um homem inteligente, paciente e extremamente emocional. O ambiente em que vive é de liberdade, mas há rachaduras. De certa maneira, a presença de Arlindo (Jesuíta Barbosa), um militar que vai se encantando pelo padrão de vida daqueles artistas escanteados pelos bons costumes, expõe essas rachaduras.
Arlindo vive em um quartel com visível desconforto, Lacerda não se furta a dimensionar o forte apelo homoerótico daquele ambiente. Mas o desconforto de Arlindo, chamado de fininha em parte por sua voz e em parte por sua envergadura, não vem daí. É preciso conhecer a família de Arlindo, daquelas tradicionais e aguerridas à religião, para discernir as raízes do desconforto de Arlindo. Ele não demora em atender seu desejo por Clécio, não se trata de alguém que não tinha conhecimento de suas pulsões sexuais, mas de alguém  que vivia de escondê-las e que uma vez no ambiente de Clécio, estimula-se a vivê-las por inteiro.
Tatuagem é um filme que trata o desejo como válvula desestabilizadora que ele é. Não raro os personagens se chocam, mas não há qualquer tipo de recriminação. Há sim um discurso, por vezes ereto demais, contra a incompreensão, o preconceito institucionalizado e a hipocrisia generalizada que jazem no convívio social. Nesse contexto, um número do grupo teatral de Clécio denominado "ode ao cú" é de uma eloquência ímpar. Ali é erguida uma reflexão sobre liberdade como jamais foi feito no cinema e com uma estética abusada, bem ao gosto do cinema pernambucano desafiador e incandescente que se pratica atualmente.
Lacerda se volta contra alguns paradigmas que norteiam alguns cânones do preconceito como o fato de crianças não poderem ser criadas em um ambiente que fuja aos padrões morais da maioria. Essa agenda, é bem verdade, enfraquece Tatuagem como cinema no mesmo compasso em que o habilita como catarse de uma causa. Se não é tão intransigente como Assis, Lacerda peca por ater-se demais a aspectos que não acrescem à narrativa.
As cenas de sexo entre Clécio e Arlindo, no entanto, não se encaixam nesse excesso. Há um interesse temático de mostrar dois homens se amando e as cenas, por mais fortes e gráficas que sejam, cumprem propósito central da narrativa de entender a função do desejo e como ele vai transformando aquelas figuras tão diferentes e, simultaneamente, se transformando em algo diferente também; em amor. A tatuagem que dá nome ao filme finalmente se justifica como catalisadora dessa transformação.
Os atores estão muito bem, desde Rodrigo Garcia como Paulete, amor de ocasião de Clécio, até Jesuíta Barbosa que deve tomar o cinema de assalto nos próximos meses. Seu desafio será eclipsar o talento colossal de Irandhir Santos, ator que parece desconhecer limites e ser capaz de arrebatar fazendo qualquer coisa. Ele é corpo e alma de Tatuagem, um filme que sem seus atores pareceria mais um grito e menos arte.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Claquete repercute - Febre do rato


Cláudio Assis é dos diretores mais criativos, intransigentes e pulsantes do cinema nacional. Sua ainda curta filmografia é caracterizada por uma estética ousada e virulenta e interesses temáticos peculiares que colidem na caretice dos tempos contemporâneos e não se ajustam aos padrões comerciais vigentes no cinema. Reiteradas declarações do diretor pernambucano dão conta de que ele se incomoda com essa percepção que o desenha tão marginal e circunscrito, mas seu cinema se oxigena de uma forma que as palavras raivosas de Assis não conseguem tangenciar. Febre do rato (Brasil 2011), nesse contexto, até que é bem comportado. É o filme mais convencional do anticonvencional Assis. Se há menos experimentações estéticas, os temas que atraem o diretor estão todos lá incautos em uma representação acalorada e transgressiva da baixa Recife.
O preto e branco da fotografia de Walter Carvalho é uma edulcoração da forma, uma poesia narrativa a que Assis se permite à medida que fala de arte, poesia em particular, como elemento de transgressão, de elaboração de uma identidade livre, mutável e anárquica como Zizo (Irandhir Santos), o protagonista do filme. Conhecido como poeta, Zizo perambula por Recife recitando poemas anárquicos no conteúdo, mas cintilantes na forma. Enérgico e cheio de paixão, Zizo  faz sexo com mulheres velhas da região, fuma maconha e escreve, escreve e escreve.  A destilar seu inconformismo para pazinho, um coveiro que vive as turras com a mulher que é o homem de sua vida, Zizo se assombra com a falta da capacidade de aperrear das pessoas. Do trepar sem gozar, como tão bem alude. Acontece que o próprio poeta vai ficando refém de um amor que o toma de assalto e lhe esfrega a impotência na cara. Eneida (Nanda Costa) é uma jovem libertária que provoca o poeta, mas hesita em se entregar para ele, a quem rotula sacanamente de publicitário. Enquanto investe na tentação que é Eneida, Zizo vai dando outro corpo a seu anarquismo.
A trama de Febre do rato, o nome do filme é também o nome do tabloide que Zizo edita contra as forças dominantes da sociedade, é ela mesma a mimetização da anarquia do cinema de Assis, estranhamente mais organizado narrativamente.  A nudez, o sexo e o despojamento com que se misturam a um ambiente de aridez expressa e contínua mimetizam o caráter transgressivo em Assis e toda a opulência de seu discurso contra as elites (política, intelectual ou qualquer outra).

O poeta e sua inesperada e desejada musa: transgressão porosa

Febre do rato é, portanto, menos uma crônica pernambucana ou de Pernambuco e mais uma intermitência intradiegética. Ou a proposição dessa intermitência.  O roteiro, assinado em colaboração com Hilton Lacerda e Xico Sá, não à toa dá à poesia a incondicionalidade da razão. Todos ouvem Zizo mesmo que não o entendam. Pazinho certo momento lhe informa disso para ser retrucado: “Eu gosto de você gostar do que não entende”.
O radicalismo de Assis, nesse sentido, está menos nos devaneios estéticos que alienaram muitos em Amarelo manga (2002) e Baixio das bestas (2007) e mais na veiculação das ideias. No fim do filme, quando Zizo recita um poema e incita que os ouvintes tirem a roupa como metaforização para o desnudamento de seus corações,  Assis atinge o epicentro desse radicalismo formal e ao exibir Irandhir Santos e Nanda Costa totalmente nus, funde o discurso de seu protagonista ao do filme de maneira irreversível.  Cláudio Assis, mais maduro, ainda quer aperrear.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

TOP 10 - Os dez atores mais cults da atualidade

Para se ter uma ideia do rigor da lista dos dez atores mais cults da atualidade, que marca o TOP 10 do mês em Claquete, há uma pluralidade de nacionalidades – com o esperado predomínio francês com três menções. Há atores da Argentina, Brasil, Alemanha, Canadá, México, EUA e China. Não há muita margem para discussão. Estão aí os dez atores mais tchan da cinefilia contemporânea. Os critérios vão desde a famigerada predileção por papéis desafiadores à constante colaboração com cineastas identificados como autores.


10 – Mathieu Amalric

O ator e cineasta francês é quase uma grife. Daquelas que poucos conhecem, mas que quem conhece não abre mão. Dono de uma carreira já consolidada, e relativamente longa (estreou como ator em 1984), Amalric alterna participações no cinema autoral americano (Munique de Spielberg, Maria Antonieta de Sofia Coppola, Comóspolis de David Cronenberg) com o trabalho com grandes cineastas franceses como Roman Polanski, Alain Resnais, Jean-François Richet, Arnaud Desplechin e Claude Miller.

9 – Ryan Gosling

Ele está ficando popular, mas não dá sinais de que pretende renunciar sua aura cult. Ryan Gosling desenhou-a com filmes como Namorados para sempre, Tudo pelo poder, Drive, Half Nelson e Tolerância zero. O lado pop surge em produções como Amor a toda prova e Diário de uma paixão, projetos que de alguma maneira ajudaram a sedimentar sua veia cult. Em 2013 com os filmes The place beyond the pines e Only God forgives deve atingir novos picos nessa “Gosling fever”.

8 – Gael Garcia Bernal

O mexicano é mais cult no Brasil do que em qualquer outro lugar, mas é certo que as opções de Bernal reforçam sua vocação para culto. Ele já colaborou com cineastas brasileiros no cinema americano, diretores argentinos no cinema brasileiro, ajudou a levantar o cinema chileno e é responsável direto pela elevação do cinema mexicano à festivais e festejos da crítica. Até em suas incursões pelo cinemão mais comercial, Bernal denota apelo cult em produções como Babel, Cartas para Julieta, Sonhando acordado, Jogo de sedução e Ensaio sobre a cegueira.
No, Má educação, Sem notícias de Deus, Diários de motocicleta, O crime do padre Amaro, Amores brutos e E sua mãe também, no entanto, manterão para sempre seu status de ator cult.

7 – Irandhir Santos

Ele não tem o charme de Wagner Moura ou a carreira longeva de Selton Mello, mas se isso o afasta do grande público, de certa forma o aproxima de um público mais interessado no talento. Nesse departamento, Santos se equivale aos outros dois, mas se destaca pelas escolhas ousadas. A que lhe deu certa notoriedade foi antagonizar com o herói nacional capitão Nascimento no segundo Tropa de elite. A experiência valeu a Santos respeito e admiração que lhe renderam convites para filmes menores como Febre do rato e O som ao redor que ajudaram a firmar seu nome como do ator nacional que melhor se assenta sobre a pecha de cult.

6 – James Franco

Ele até pode ser popular, mas só o é porque é cult. E James Franco investe pesado na aura de cult. Tem um homem aranha e Oz no currículo, mas é a geração beat, a cena homossexual e o sexo, de maneira geral e também em suas muitas particularidades, que interessa a Franco que projeta uma carreira como cineasta enquanto surge em filmes como Milk – a voz da igualdade, Tar, Lovelace, 127 horas, Uivo e Segurando as pontas.

5 – Ricardo Darín

Ele é muito popular na Argentina, mas no Brasil veste a indumentária de cult. Darín é um baita ator e o principal termômetro da bonança do cinema argentino. No Brasil é lembrado principalmente por seus maiores acertos, não necessariamente por seus melhores trabalhos. Destacam-se em sua filmografia O filho da noiva, Abutres, Um conto chinês, O segredo dos seus olhos, Nove rainhas e Kamchatka.

4 – Tony Leung

Quem admira a cinematografia asiática sabe que não há hoje ator mais cultuado e venerado do que Leung, nascido em Hong Kong e colaborador assíduo do cineasta Wong Kar Wai, ele marca presença nos filmes mais marcantes do oriente nos últimos anos. É dos atores mais premiados dessa lista e sinônimo de sofisticação seja qual for o gênero, seja o filme de gangster – como em Infernal affairs (filme que deu origem ao vencedor do Oscar Os infiltrados) – ou em um drama de época com fundo de espionagem, como Lust, Caution de Ang Lee.

3 – Michael Fassbender

O alemão de ascendência irlandesa é poliglota, o que ajuda a capitalizar como ator cult. Apareceu falando alemão e inglês em Bastardos inglórios de Quentin Tarantino, mas alcançou a glória mesmo em 2011 com os elogiados trabalhos em Um método perigoso, X-men: primeira classe, Jane Eyre e, principalmente, Shame. Consegue ser cult até nos filmes mais comerciais como Prometheus e A toda prova. Colaborando com cineastas como Terrence Malick, Ridley Scott e Steve McQueen – que o colocou no mapa com o tenso Hunger – Fassbender quer a primeira posição em uma nova edição da lista.

2- Vincent Cassel

O segundo francês da lista, e segundo poliglota (já atuou em inglês, italiano, português, espanhol e até em russo, além do nativo francês), é um ator que não tem medo de ousadias e experimentações. Já trabalhou com cineastas consagrados ou iniciantes, já fez filmes contestados ou louvados por seu valor artístico e enobreceu produções comerciais com vocação cult -  como o recente Em transe. Cassel, que recentemente mudou com mala e cuia para o Rio de Janeiro, é um ator que privilegia o cinema, lhe aferindo dimensão e estatura. Entre seus principais trabalhos se destacam Cisne negro, À deriva, Inimigo público nº 1, Senhores do crime, Doze homens e outro segredo, Irreversível e Rios vermelhos.

1- Louis Garrel

Se ser cult é ser francês, o pódio fica com Garrel. O cinema corre em suas veias, já que pai, mulher e mãe também estão imersos nesse universo. Garrel é o ator fetiche do cinema que se pretende intelectual, passional e, por que não, europeu. Entre seus principais trabalhos estão A bela Junie, A fronteira do alvorada, Canções de amor, Amores imaginários, Um verão escaldante e Os sonhadores.