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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Crítica da 85ª edição do Oscar


Confissões de uma academia em crise...

Humildade ou falta de autonomia? Ebulição institucional ou equilíbrio fora do comum? Quais as depreensões da vitória, previsível e ainda assim surpreendente, de Argo no Oscar 2013


O triunfo de Argo confirmou uma suspeita eriçada ao longo da temporada de premiações. A de que o Oscar, a despeito dos esforços da direção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para diminuir a influência de premiações periféricas e do marketing avassalador dos estúdios,  a instituição ainda é (muito) suscetível a esses fatores. O raciocínio é simples: Quando os acadêmicos foram votar para definir os indicados, nenhum prêmio de maior projeção havia sido entregue e apenas a lista do indicados ao Globo de Ouro divulgada. Naquele momento, Argo não era um top contender para a Academia. Sim, tinha sete indicações assim como as oito de Os miseráveis em categorias que, assim como Argo, lhe deixavam no meio termo entre os figurantes e aqueles que realmente brigavam pelo título de melhor filme. Passada a consternação com a surpreendente exclusão de Ben Affleck dos indicados a melhor diretor, teve início uma campanha irascível em sua naturalidade para a vitória de Argo. Em parte pela solidariedade de outros setores da Academia para com Affleck que se viram incumbidos da necessidade de remediar a franca omissão do brunch de diretores da Academia (responsável por definir os indicados na respectiva categoria); e, em parte, pelo fato de que ciente de que prêmios como Globo de Ouro, Critic´s Choice Awards e os principais sindicatos de Hollywood estavam se alinhando a Argo, a Academia – enquanto colegiado coletivo – ensimesmou-se das reações adversas que se levantaria se continuasse a ignorar um filme tão celebrado. A combinação desses dois fatores resultou em um Oscar previsível quando se aguardava com alguma ansiedade pelo imprevisível. Condição esta também fomentada pela antecipação das indicações por parte da Academia. Efetivamente, à luz dos resultados da temporada, é possível dizer que essa medida não surtiu efeito. Será preciso repensá-la mais adiante.

Incorreto, inteligente e ligeiramente amoral, o anfitrião do ano, Seth MacFarlane, não agradou à maioria da imprensa americana, mas foi o principal responsável pela elevação de audiência do Oscar nos EUA; principalmente entre a faixa demográfica chave (18-49 anos) que subiu quase 20% em relação a 2012

Se Argo não é o melhor filme do ano, ou mesmo entre os nove finalistas, é uma escolha digna e que congrega a expressão do gosto médio dos acadêmicos nesse momento. É um filme fácil de se gostar, que exalta a esperteza americana e referencia Hollywood de maneira lisonjeira – ainda que não deixe a crítica de lado. No entanto, será julgado pela história à sombra de toda essa miscelânea que precedeu sua consagração. Ainda mais por ter sido apenas o quarto filme a ter ganhado o prêmio principal sem ter tido seu diretor indicado. Para ficar no único exemplo disponível nos últimos 60 anos, Conduzindo miss Daisy (1989), que levou o prêmio de melhor filme sem que Bruce Beresford tenha sido indicado a melhor diretor, é um dos vencedores mais discutíveis da história do Oscar.
Reminiscências à parte, o Oscar 2013 já se enunciava disputado. A ótima safra de estúdios e a ausência de um filme maiúsculo sugeriam uma edição equilibrada e foi o que se viu. Com quatro Oscars (direção, trilha sonora, fotografia e efeitos especiais), As aventuras de Pi foi o grande vencedor da noite. Seguido por Argo que faturou os prêmios de filme, roteiro adaptado e montagem. Ainda foram bem contemplados Os miseráveis (maquiagem, som e atriz coadjuvante), Django livre (roteiro original e ator coadjuvante) e Lincoln (ator e direção de arte). Este último, apesar dos dois prêmios, se subscreve como um dos maiores perdedores da história do Oscar. Converteu em vitória apenas duas de suas doze indicações. A bem da verdade, apesar da robustez narrativa e do rigor técnico, o filme de Spielberg não era o tipo de material que o Oscar costuma reconhecer. Seu favoritismo se alimentava mais do vazio de grandes filmes e da força da grife Spielberg.
Com ótimos, mas sem grandes filmes, a Academia resolveu segmentar seus prêmios. Contudo, poderia tê-lo feito de maneira mais calejada. Optou pelo melhor ator entre os que concorriam ao prêmio, mas não necessariamente pela melhor atuação. Não que se possa dizer que um prêmio à assombrosa performance de Daniel Day Lewis seja injusto. O Oscar se viu até mesmo em face de um improvável empate. O sexto de sua história. Foi na categoria de edição de som entre os filmes A hora mais escura e Operação skyfall. O empate é sintoma inegável do equilíbrio do ano verificado em muitas categorias. O choque entre os eleitores liberais e conservadores, jovens e velhos, americanos e estrangeiros, propiciou alguns novos paradigmas. Christoph Waltz, que venceu há três anos, voltou a prevalecer como ator coadjuvante – em sua segunda indicação – em uma categoria marcada pelo nível mais alto visto em anos. A vitória de Waltz talvez não acontecesse em outra época. Assim como a vitória de Tarantino, que sempre encontrou restrições entre os conservadores, mas eles já não são maioria. Ao que tudo indica, o texto mais fraco de Tarantino – e o mais fraco entre os roteiros originais – não foi impedimento para que ele recebesse, 18 anos depois de Pulp Fiction, um novo Oscar por roteiro. São mudanças graduais que vão se dando no pensamento da Academia. Passa por aí, também, a opção de redimir Argo (e Ben Affleck) mesmo depois de, em um primeiro momento, considerar o filme um competidor circunstancial.

Peace out: a vitória de Tarantino não deixa de ser um sinal dos tempos de mudança pelos quais a maior premiação do cinema atravessa

O Oscar 2013, e as ilações que se podem fazer dele, sugerem que a Academia experimenta algumas crises. A necessidade de reinvenção, ensaiada com mais propriedade neste ano com a inserção do voto digital e do host Seth MacFarlane, está à frente. Mas também a percepção que se tem do Oscar na própria temporada de premiações. Está-se diante de um prêmio de chancela ou de uma instituição com voz própria? Essa questão, no entanto, o Oscar 2013 anuviou.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Cenas de Cinema Especial (85ª edição do Oscar)


Passando recibo...

Confirmaram-se as expectativas mais controvertidas com a vitória de Argo, o filme mais celebrado da temporada. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood voltou atrás, por assim dizer, e sagrou Argo o filme do ano. O movimento patenteia de maneira jamais vista a influência do Globo de Ouro, sempre questionada e em 2013 levada às últimas consequências e em particular de uma premiação menos badalada que é o Critic´s Choice Awards. Era claro, no momento do anúncio dos indicados ao Oscar, que Argo não era para a Academia um “top contender”. Se “voltar atrás” é um sinal de humildade e, nesse contexto precisa ser louvado, é também um sinal de que enquanto instituição, o Oscar renunciou completamente a sua autonomia.

Argo fucked everyone: Com três prêmios, Argo será um daqueles filmes que a história proverá diferentes justificativas para seu sucesso no Oscar


Pero no mucho
A 85ª edição do Oscar tem tudo para entrar para a história como uma das mais esquisitas de todos os tempos. Não só pela pulverização um tanto injustificada entre alguns dos principais concorrentes, mas pela estrutura do show mesmo. Se não foi a oitava maravilha do mundo, Seth MacFarlane foi um anfitrião competente. Boas piadas, ótimo timing cômico e boa inserção com os números musicais – em alta no ano. Mas as homenagens pareciam descalibradas (a aguardada homenagem a James Bond foi frustrante), as gafes se enumeraram (o que foi a entrega do Oscar de canção e a descortesia com alguns concorrentes? E a insistência da homenagem a Chicago que foi produzido pelos produtores da edição do Oscar deste ano?) e o ritmo da produção severamente prejudicado. Não ajudou o fato do Oscar atentar contra a própria coerência.

Porém...
Alguns elogios precisam ser feitos. A Academia mostra reiteradamente que está se desligando de certos paradigmas inconvenientes como o de não premiar repetidamente atores já consagrados. Meryl Streep entregando o Oscar a Day Lewis é um feliz sintoma disso. A vitória de Christoph Waltz entre os coadjuvantes – ele havia vencido em 2010 por Bastardos inglórios – é ainda mais eloquente nesse sentido. O austríaco conquistou sua segunda vitória em sua segunda indicação e tudo isso em um espaço de quatro anos. E mais: concorria com quatro celebrados atores americanos, também oscarizados, mas que estavam há mais tempo sem vencer.


O fator Lee I

Ang Lee derrotou pela segunda vez Steven Spielberg em uma disputa direta entre os dois pelo Oscar de direção. Lee é, também, o primeiro cineasta asiático a ganhar o Oscar e o segundo também. O primeiro a ganhá-lo novamente. Mais importante: Ang Lee é o primeiro diretor a vencer o Oscar por um filme dirigido em 3D. Honra negada aos americanos James Cameron (Avatar) e Martin Scorsese (A invenção de Hugo Cabret).

O fator Lee II
Ang Lee, no entanto, entra para uma outra seletíssima lista. É o primeiro cineasta a ter dois Oscars de direção sem que um dos filmes pelos quais ganhou o Oscar tenha prevalecido na disputa de melhor filme. 

A culpa é do Day Lewis...
É sabido que Daniel Day Lewis rouba atenções para si, mas raciocínio rápido do desempenho dos últimos filmes estrelados por ele com múltiplas indicações no Oscar. Gangues de Nova Iorque há dez anos teve dez indicações, e Day Lewis era favorito ao prêmio de melhor ator, e não levou nada. Há cinco anos, Sangue negro divida as atenções e oito indicações com Onde os fracos não têm vez dos irmãos Coen. O filme só faturou os troféus de fotografia e ator para Day Lewis. Lincoln, este ano, tinha 12 indicações e novamente apenas dois prêmios: direção de arte e ator para Day Lewis.

Empate
Foi apenas a sexta vez na história que houve empate no Oscar. O inusitado se deu na categoria de edição de som com as vitórias de A hora mais escura e Operação Skyfall. Ou seja, em 2013, foram 25 vencedores em 24 categorias do Oscar...

Affleck para senador?

Ben Affleck o grande vitorioso da noite está com seu discurso cada vez mais lapidado. Soube enobrecer Spielberg tão logo aproximou-se do microfone para agradecer pelo prêmio de melhor filme dado a Argo e soube voltar-se com afetuosidade e brandura à esposa Jennifer Garner. Humilde, Affleck 15 anos depois da efusiva vitória pelo roteiro original de Gênio indomável volta a vencer um Oscar e, talvez, se prepara para uma nova empreitada. Seu nome é bastante comentado em corredores democratas para uma cadeira no Senado americano. Endosso hollywoodiano é o que não vai faltar!

 4,3,2,1...
Foi um grande Pi! A Academia pulverizou seus prêmios e, como não ocorria desde 2005, o melhor filme do ano não liderou o número de Oscars. Naquele ano, O aviador ganhou cinco Oscars e Menina de Ouro, o melhor filme, quatro. No ano seguinte, um empate quádruplo: Kink Kong, Memórias de uma gueixa, O segredo de Brokeback Mountain e Crash - no limite empataram com três prêmios cada. Sendo o último o vencedor de melhor filme. Este ano, As aventuras de Pi faturou quatro estatuetas (direção, fotografia, trilha sonora e efeitos especiais) e na segunda posição vieram Argo (filme, roteiro adaptado e montagem) e Os miseráveis (atriz coadjuvante, maquiagem e mixagem de som). Ainda teve Oscar para Django livre (ator coadjuvante e roteiro original), Lincoln (ator e direção de arte), Operação skyfall (canção original e edição de som), Anna Karenina (figurino), Amor (filme estrangeiro), O lado bom da vida (atriz), A hora mais escura (edição de som) e Valente (animação).

A Áustria contra-ataca
Não foi como o esplendor francês do ano anterior, mas foi uma vitória expressiva. Além do triunfo entre os filmes estrangeiros com Amor, o candidato submetido pelo país, a Áustria ainda viu Christoph Waltz triunfar pela segunda vez em quatro anos no Oscar.

Peace out!
Quentin Tarantino quase 20 anos depois de sua primeira vitória no Oscar, voltou a empunhar a estatueta. Dessa vez pelo roteiro de Django livre, que acabou tendo um dos melhores desempenhos da noite com dois prêmios em cinco possíveis. Tarantino se mostrou respeitoso com a Academia e com seus concorrentes na categoria no que chamou de “o ano dos escritores”. O Tarantino paz e amor foi uma das boas surpresas da noite – ainda todos os candidatos na categoria fossem melhores.

A estrela da noite
Não foi a oscarizada Jennifer Lawrence ou a bela e histórica Emmanuelle Riva, mas sim a barba. Nada polarizou mais as atenções no Dolby Theatre do que a barba. Ou as barbas. George Clooney, Paul Rudd, Ben Affleck, Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman foram alguns dos que adotaram o visual barbado. Em diferentes traçados, é claro. A barba esteve tão poderosa que as duas performances masculinas premiadas se deram por personagens barbudos no filme e os três produtores de Argo foram receber o prêmio devidamente barbados... 

"Três barbudos sexies" nas palavras bem humoradas de Grant Heslov (à esquerda), seguramente o mais sexy dos barbudos...

And the Oscar goes to…
Os temidos discursos de Anne Hathaway e Jennifer Lawrence que andaram exagerando no tom dos agradecimentos em algumas premiações prévias não comprometeram. Anne foi elegante e grata. Jennifer foi afetuosa e bem humorada – principalmente depois da queda que sofreu enquanto se caminhava para o palco. Contudo, mais uma vez, Daniel Day Lewis mostra que também é o craque definitivo em matéria de discursos. Começou louvando Meryl Streep – que lhe entregara o Oscar: “Meryl era a primeira opção de Steven para viver Lincoln” e na mesma frase ainda saiu-se com essa “ainda bem que não se tratava de um musical”. Uma referência de duplo sentido tanto a Nine – seu trabalho menos elogiado em anos quanto ao principal elemento das homenagens da noite. O sagaz Day Lewis, no entanto, não se furtou a emoção pela história que estava fazendo e agradeceu, comovido, o gesto da Academia para com ele.

Algumas frases:

“É legal que nós não estejamos só fazendo filmes para adolescentes. Até porque eu já não sou mais adolescente”, Quentin Tarantino no backstage do Oscar

“Talvez na terceira vez a gente consiga, mas eu estou muito feliz de vencer”, de Ang Lee no backstage após vencer o Oscar de direção por As aventuras de Pi

“Me desculpem, eu tomei umazinha antes de vir aqui”, Jennifer Lawrence aos jornalistas no backstage ante de falar sobre sua vitória no Oscar

“Argo conta uma história secreta sobre o resgate de um grupo de americanos no Irã pós-revolucionário. A história foi tão secreta que o diretor do filme permanece desconhecido pela Academia”, Seth MacFarlane em uma de suas piadas como anfitrião do Oscar

“Se você não encontra suas palavras em situações como essa, eu acho que seria um pouco triste”, Daniel Day Lewis ao responder questionamentos sobre se recebia assistência em seus sempre maravilhosos discursos

"Django livre. Esta é uma história de um homem lutando para recuperar sua mulher, que é mantida sob uma violência impensável - ou como Chris Brown e Rihanna chamam, ‘encontro no cinema...’”, Seth MacFarlane em uma de suas piadas como anfitrião do Oscar

“Ele é engraçado”, Tommy Lee Jones quando perguntado sobre Seth MacFarlane

“Eu não sei, talvez que faça um documentário na HBO como fez a Beyoncé”, Adele sobre seus planos pós- Oscar


Passando a régua...
Tommy Lee Jones riu, Jack Nicholson estava lá, Jessica Chastain foi a mais linda da noite, Steven Spielberg perdeu de novo, Ben Affleck riu por último (e também lacrimejou), Quvenzhané Wallis curtiu de montão, Samuel L. Jackson bancou o fotógrafo, Anne Hathaway se emocionou, Meryl Streep compareceu, Jean Dujardin melhorou no inglês e George Clooney esbanjou charme. Que venha o Oscar 2014!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, a boa fase de Ben Affleck, o elenco mais vistoso da história de Hollywood a serviço da paródia, o homem que irá comandar a festa do Oscar 2013, considerações sobre a escolha de O palhaço para tentar o primeiro Oscar do Brasil, a possível face cinematográfica de Julian Assange e o filme mais pessoal de Tim Burton.


Uma aposta certeira?

A escolha de Seth MacFarlane para ser o anfitrião do Oscar 2013 tem, pelo menos, um aspecto a seu favor: a surpresa. Mesmo com Ted, sua estreia na direção, sendo um dos grandes sucessos de bilheteria em 2012 – o único plenamente baseado em uma ideia original -,MacFarlane não fazia parte do pool de apostas que ano após ano toma conta dos analistas da indústria. Nesse contexto, bola dentro de Hawk Koch que reveste a primeira cerimônia sob sua presidência do apelo que seu antecessor Tom Sherak perseguiu e não alcançou.
MacFarlane pode significar a conquista de uma audiência que a Academia vem buscando relativamente sem sucesso. Além do mais, ele é um artista bem completo. Cantor, comediante, produtor televisivo, roteirista, ator e, agora, diretor de cinema. O repertório de gags cômicas de MacFarlane também impressiona. As expectativas naturalmente se agigantarão nos próximos meses. Mas MacFarlane, uma aposta ousada, inovadora e justamente por isso bem vinda, deve dar conta do recado.


Quando é esmola demais...
Todo mundo sabe exatamente o que esperar daqueles filmes que reúnem superelencos e todo mundo sabe mais ou menos o que esperar de paródias cinematográficas. Pois Movie 43, que tem lançamento previsto para janeiro de 2013 nos EUA, quer colocar essas percepções à prova.
O filme é constituído por diversos curtas e é dirigido por Brett Ratner. Elizabeth Banks, Mike Judge, Peter Farrelly e Bob Odenkirk. As primeiras imagens reveladas pela revista Entertainment Weekly mostram Jason Sudeikis como Batman, Justin Long como Robin e Emma Stone e Kieran Culkin tirando onda com seus personagens de Pânico 4. O filme promete ser bastante divertido e apresenta um casting dos mais estrelados já reunidos por uma produção hollywoodiana. Tente não perder o fôlego lendo esses nomes: Hugh Jackman, Kate Winslet, Halle Berry, Naomi Watts, Terrence Howard, Gerard Butler, Kristen Bell, Chloe Moretz, Josh Duhamel, Johnny Knoxville, Elizabeth Banks, Christopher Mintz-Plasse, Richard Gere, Live Schreiber, Anna Faris, Uma Thurman, Sean William Scott, Leslie Bibb, Ricky Gervais, Kate Bosworth, Patrick Warburton, Tony Shalhoub, Chris Pratt e Bobby Cannavale. 




 O mais novo “filme mais pessoal” de Tim Burton
Se tem um diretor que convive, e bem, com a alcunha de realizar filmes pessoais é Tim Burton. Em alguns casos, essa definição transbordou o marketing promocional como em casos de filmes como Edward mãos de tesoura (1990) e Peixe grande e suas histórias maravilhosas (2003). Mas Frankenweenie, que será lançado no início de novembro nos cinemas, está em outro patamar. O filme é um remake de um dos primeiros curtas produzidos por Tim Burton, com o mesmo nome, ainda em escala bastante amadora. Foi com Frankenweenie que Burton começou a amadurecer sua marca pessoal no cinema.
O filme conta a história do menino Victor que depois que seu cãozinho Sparky é atropelado, se dedica a trazê-lo de volta a vida – inspirado pelo clássico "Frankenstein".
Alguns cartazes promocionais do filme podem ser conferidos abaixo.





Por cima da carne seca

Em um ano com novos filmes de Paul Tomas Anderson, Steven Spielberg, Kathryn Bigelow, David O. Russell, David Cronenberg e William Friedkin, a única certeza que críticos colocam na disputa pelo Oscar de direção é Ben Affleck. Cada vez mais a vontade na função de diretor, Affleck viu seu Argo subir de cotação depois do festival internacional de cinema de Toronto. Muita gente na indústria acredita que o filme, que brinda o cinema de espionagem dos anos 70 e ainda faz uma crônica irônica sobre Hollywood, será a grande sensação da temporada do Oscar. Outros acreditam que a candidatura ganha ainda mais força pela polêmica despertada pelo fajuto filme anti-islã A inocência dos muçulmanos.
Em meio as entrevistas promocionais de Argo, que deve estrear nos cinemas brasileiros em novembro, Affleck comentou a respeito de seu arrependimento sobre o filme O demolidor, rodado em 2003 e disse que “seria um prazer dirigir um filme sobre 'A liga da justiça'”, mas ressaltou que são só boatos atrelando seu nome à produção ainda não confirmada pela Warner Bros.


Uma ou duas palavras sobre O palhaço
A escolha de O palhaço para representar o Brasil na briga pelo Oscar de filme estrangeiro foi a mais acertada em anos. O júri, é bem verdade, dispunha de um painel bem diversificado e com uma média de qualidade não verificada em outros anos. No entanto, se O palhaço é uma escolha bem embasada e que permite algum otimismo, é preciso dizer que talvez não fosse a melhor escolha disponível para enfrentar filmes de primeiríssima qualidade que países como Áustria, Itália, França e Coréia do Sul estão credenciando à disputa. Duas produções nitidamente inferiores a O palhaço, no entanto, reuniam alguns componentes mais palatáveis ao gosto da Academia. São elas Xingu, um épico suficientemente exótico e com a assinatura dos experimentados Fernando Meirelles e Cao Hamburger, e Heleno, drama biográfico tecnicamente perfeito e com uma grande atuação de um ator já atuante no mercado hollywoodiano (Rodrigo Santoro). O cinema brasileiro, vale lembrar, não conta com a boa vontade dispensada a filmes europeus ou ao cinema latino de língua espanhola. Essa barreira só poderia ser superada por um filme de extrema qualidade, mas vale lembrar que Cidade de Deus – que não foi indicado na categoria em 2003 – relativizou essa máxima. Uma alternativa, que o júri constituído ano após ano pelo MinC tem tentado antecipar, é adivinhar o humor da comissão responsável por eleger os indicados ao Oscar de filme estrangeiro. Dez anos depois de Cidade de Deus, surge a opção de escolher o melhor em detrimento do mais adequado. É uma boa opção. Principalmente se considerarmos o fato de que vinham escolhendo filmes medianos sob o pretexto de serem os mais adequados. Não eram. O palhaço, por toda essa conjuntura, pode ser o grande redentor do cinema nacional. Leia a crítica de Claquete do filme aqui.


A face de Assange

O ator Benedict Cumberbatch, visto recentemente em O espião que sabia demais e protagonista da série inglesa "Sherlock", está nos planos da DreamWorks para interpretar o australiano Julian Assange na biografia sobre o fundador do Wikileaks que o estúdio elabora. A produção, baseada nos livros “Wikileaks: inside Julian Assange´s war on secrecy” e Inside Wikileaks: my time with Julian Assange at the world´s most dangerous website”, deve ser dirigido por Bill Condon. O diretor dos dois últimos filmes da saga Crepúsculo já estaria em conversas com os produtores.
Vale lembrar que a HBO também produz um filme sobre Assange.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Crítica - Ted


Sujo, fofo e genial!



Eis que chega aos cinemas brasileiros a melhor comédia do ano. É lógico que, pelo fato de ainda estarmos em setembro, essa marca pode ser superada. Mas Ted (EUA 2012) deixou essa tarefa consideravelmente mais difícil. A estreia na direção de cinema do criador da escrachada série animada “Uma família da pesada”, Seth MacFarlane, é um delírio cômico em todos os sentidos.
Na trama, John Bennett tem como melhor amigo um urso de pelúcia falante. Resultado de um pedido feito na noite de natal de quando John tinha 8 anos e se sentia muito sozinho. Adulto, e interpretado por um Mark Wahlberg que sabe mesclar ingenuidade, doçura e um humor mais tosco, John se divide entre o subemprego que mantém em uma locadora de carros, o namoro com Lori (Mila Kunis) e as sessões de erva com seu companheiro Ted (dublado genialmente por MacFarlane).
O conflito aventado por Ted diz respeito, portanto, à necessidade de amadurecer do protagonista. Mas o filme de MacFarlane passa longe de qualquer ranço de moralismo ou pieguismo. O diretor investe no politicamente incorreto ao apresentar esse personagem irreverente e chocante que dá nome ao filme. Ted é desbocado, maconheiro, misógino e irresponsável, mas incrivelmente leal ao seu “dono” John. Essa camaradagem entre um “menino homem” e seu ursinho de pelúcia rende os momentos mais hilários do cinema em 2012.
Ted é uma comédia sofisticada no bom uso que faz de variadas referências pop que vão desde as mais que divertidas e certeiras participações especiais a algumas perolas proferidas por Ted, sem sombra de dúvidas um dos personagens mais marcantes dessa temporada cinematográfica. É cedo para dizer, mas Ted pode ganhar os anais da cultura pop. O sucesso de crítica e público nos Estados Unidos, onde o filme arrecadou quase U$ 300 milhões permitem essa expectativa.
MacFarlane faz uso de inteligência e irreverência como artifícios para produzir uma comédia capaz de dialogar com diferentes públicos e apta a divertir marmanjos e comover mocinhas apaixonadas. É o “faz de conta” hollywoodiano mais criativo dos últimos tempos e uma comédia genuinamente engraçada. Desde o primeiro Se beber não case (2009), algo tão bom não surgia no cinemão americano.