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terça-feira, 18 de junho de 2013

TOP 10 - Vamos mudar o mundo

O Brasil vive um momento de efervescência e manifestação popular inédito desde o fim da ditadura. Independentemente dos dividendos de tais movimentações que vão se ordenando à medida que se avolumam, o desejo de mudança é nítido. Com base nesse desejo de “mudar para melhor” que norteia essa massa que ganha as ruas das principais cidades brasileiras, Claquete elaborou um TOP 10 com filmes que exprimem esse desejo de mudança sob diferentes perspectivas. A ideia é dimensionar as possibilidades e interjeições de movimentos distintos, mas ligados por um mesmo vértice: o desejo de mudança.

10 – Matrix (The Matrix, EUA 1999), de Andy e Larry Wachowski
Na revolução contra as máquinas estão deflagrados muitos dos pensamentos que os filósofos gostam de classificar como “oposição ao sistema”. O libertário (messias) Neo é, nesse sentido, a materialização de uma tomada de consciência da sociedade de que está sendo “programada” pelo sistema para fazer exatamente o que dela se espera. É um filme que a cada leitura se veste mais revolucionário.

9- V de vingança (V for vendeta, EUA 2005), de James McTeigue
Também idealizada pelos irmãos Wachowski, essa versão da graphic novel de Alan Moore não é tão robusta e eloquente quanto Matrix em seus propósitos, mas demonstra como grupos se organizam para combater o totalitarismo. Em uma Londres futurista e totalitária, V usa táticas terroristas para demover o governo totalitário.

Neo entortando a colher: você pode!

8 – Lincoln (Lincoln, EUA 2012), de Steven Spielberg
O filme acompanha como a engrenagem política tradicional (e tão criticada por todos nós) pode servir a propósitos nobres como a absolvição da escravatura conduzida com habilidade pelo mais popular presidente da história dos EUA. O sentimento de mudar o mundo permeia a obra de Spielberg.

7 – A onda (Die Welle, ALE 2008), de Dennis Gansel
Nesse impactante filme alemão, um professor colegial inicia um experimento com sua turma para provar como é fácil manipular as massas e sinalizar que é possível um novo regime totalitário dominar a Alemanha, mesmo depois das marcas deixadas pelo nazismo. A experiência vai ganhando contornos violentos e acaba provando a validade da teoria do professor.

6 – Diários de motocicleta (BRA, CHI, ARG, POR, ESP 2004), de Walter Salles
A origem daquele que talvez seja o revolucionário mais romântico, ou romantizado, da história. O filme de Walter Salles acompanha a formação de Che Guevara; aqui ainda o Ernesto, estudante de medicina, durante viagem pela América Latina. O filme é febril nas divagações que oferece entre juventude e desejo de mudança.

5 – Trabalho interno (Inside job, EUA 2010), de Charles H. Ferguson
Esse documentário sobre a “corrupção sistêmica nos EUA pela indústria dos serviços financeiros e suas consequências” não é tão virulento e parcial como os filmes do documentarista Michael Moore e aí reside sua grande força. Com didatismo, mas sem renunciar à complexidade do objeto de análise, Trabalho interno se cristaliza como um alerta de que nossa sociedade configurada como está, está à deriva.

Cartaz do alemão A onda: nem toda mudança pode ser positiva, como atestam as sucessivas guerras civis no Oriente médio

4 – Os miseráveis (Les Misérables, EUA/ING 2012), de Tom Hooper
O musical dirigido por Tom Hooper tem entre seus melhores momentos a indagação: “Você ouve o povo cantando?”. É o espírito mudancista que toma as ruas em plena revolução francesa nessa pulsante, e mais bem adornada, adaptação do clássico de Victor Hugo. O levante contra as instituições vampíricas se cristaliza nos motins que tomam Paris, tudo potencializado por músicas que beiram o sublime.

3 - Uma verdade inconveniente (An inconvenient thruth, EUA 2006), de Davis Guggenheim
Maliciosamente conhecido como “a apresentação de PowerPoint mais cara e bem sucedida da história”, Uma verdade inconveniente foi o gatilho inicial de uma guinada de consciência ambiental. Escorado na figura do ex-vice presidente americano Al Gore, o documentário quer chamar a atenção para a necessidade de se cuidar do planeta no presente para garantir seu futuro.

2 – Gandhi (Gandhi, ING/IND 1982), de Richard Attenborough
O maior pacifista a pisar no planeta? Muito provavelmente. O mais significativo? Mais certo ainda. A frente de um movimento pela independência e liberdade da Índia no mesmo compasso de propagação de uma política de não violência, Gandhi se tornou uma das personalidades mais marcantes do século XX e ganhou um filme à altura.  

1 - Coração Valente (Braveheart, EUA 1995), de Mel Gibson
A luta pela liberdade deve ser a mais importante de todas as lutas e ela está no centro gravitacional deste que é um dos melhores épicos já produzidos pelo cinema americano. Aproximando-se de seu aniversário de 20 anos, este filme que acompanha tentativa de escoceses de se separarem da coroa inglesa, mantém-se atual pelo fato de muitos povos ao redor do globo ainda perseguirem suas liberdades sociais e individuais. Não há nada mais devastador e emocionante do que William Wallace (Mel Gibson), torturado, buscando energias para disparar: “freeeeedom”!


segunda-feira, 4 de março de 2013

Crítica - Os miseráveis



Somos todos miseráveis!

O impacto de se assistir Os miseráveis (Les Misérables, EUA/ING 2012) é algo que precisa ser destacado, ainda que ele esteja diretamente relacionado à tolerância do espectador a musicais. O filme de Tom Hooper, adaptado da obra atemporal e ainda vaticinante de Victor Hugo, em maior amplitude, e da bem sucedida versão musical para os palcos assinada por Trevor Nunn e John Caird, mais especificamente, é um poderoso testamento da força de uma narrativa bem construída e conduzida. Para isso, a direção de Tom Hooper foi fundamental. Se em O discurso do rei, pelo qual ganhou o Oscar de direção, os ângulos eram quadrados e a câmera sempre posicionada de maneira acadêmica e comportada, em Os miseráveis começa pelo posicionamento da câmera a força do que se vê na tela. Hooper aborda seus atores com ímpeto e intensidade (colando a câmera em seus rostos com menos de um palmo de distância) e sabe quando abrir a imagem para aproveitar o fato do musical que se assiste ser assistido no cinema – valorizando os cenários majestosamente criados. Todas as escolhas da direção são acertadas. Outra, por exemplo, é a captação das performances vocais “ao vivo”, ou seja, no take da cena e não em pós-produção. Esse recurso inflaciona a emoção da cena e possibilita uma conexão mais avantajada da platéia com os personagens. Esse compromisso com o hiper realismo faz de Os miseráveis um musical mais denso e insidioso do discurso já clássico e ressonante do material original.
Deriva daí outro acerto de Hooper que com suas opções, e fundir a áspera crítica social de Victor Hugo e seu exame das diferenças e ressentimentos entre classes sociais à lógica do musical nesses termos é a mais reluzente delas, expõe as vísceras do argumento de Hugo com proeminência jamais vista.
Hugh Jackman brilha intensamente como Jean Valjean, o homem preso por mais de 20 anos por ter roubado um pão e que depois ascende à riqueza sem deixar de experimentar outros tantos infortúnios. Jackman e Anne Hathaway como Fantine são os picos de um filme que se desenrola via música e ambos, performáticos e bons cantores, se garantem como sustentáculos da obra. Russell Crowe como o implacável Javert é outro acerto, ainda que não apresente a mesma afinação de seus co-protagonistas.

Tom Hooper e Hugh Jackman nos sets de Os miseráveis: um diretor que tomou decisões corajosas e todas elas foram acertadas

O filme de Hooper oscila quando o mote amoroso ganha destaque, mas não perde de vista o poderoso discurso em que vislumbra a verdade da qual todos os personagens desejam escapar: somos todos miseráveis. Seja Javert flagrado em sua busca sem sentido, Valjean que não pode escapar de um passado pernicioso, Fantine em seu abandono e desamparo, Marius (Eddie Redmayne) e Cosette (Amanda Seyfried), por apaixonarem-se no pior dos momentos, Éponine (Samantha Barks), por apaixonar-se por um homem que não a enxerga, ou mesmo os parisienses por ainda não terem “voz”.
O musical de Hooper, entre o solene e o íntimo, dá tintas definitivas a uma história por si só cativante e etérea. É um musical superlativo, mas o é para quem aprecia a riqueza narrativa oferecida por musicais. Mais do que outros tantos musicais que buscam um público mais amplo, no que pode ser apontado como o único problema do filme de Hooper, é sua predisposição de pregar apenas para os convertidos. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A peleja dos filmes

1- As aventuras de Pi; 2- Amor; 3- Indomável sonhadora; 4- Argo; 5- Django livre; 6 - O lado bom da vida; 7 - Os miseráveis; 8 - Lincoln; 9 - A hora mais escura



Quando perder é ganhar

Argo é sobre Hollywood e sobre como as aparências são cruciais em jogo de manipulação e dissimulação que aproximam CIA e Hollywood. A melhor pior ideia que Hollywood teve, por sinal, foi deixar Ben Affleck de fora da lista dos diretores indicados. A solidariedade com o filme o impulsionou a um favoritismo na corrida que parecia impensável há alguns meses. Ótimo storytelling, Argo é um filme fácil de se gostar ainda que não seja especialmente notável. Sua vitória seria um legítimo “argo fuck yourself” para alguns cânones hollywoodianos.

Prós:
- Ganhou absolutamente todos os prêmios majors da temporada
- É a maior unanimidade em uma temporada de premiações desde Quem quer ser um milionário? em 2009
- Ganhou os prêmios de direção e filme no Critic´s Choice Awards, no Globo de Ouro e no Bafta, uma demonstração de que sua candidatura a melhor filme está bem consolidada
- Ganhou os prêmios dos sindicatos dos atores, diretores e produtores. Nos últimos dez anos, apenas três filmes (O discurso do rei, Quem Quer ser um milionário? e Chicago) contaram com o apoio dos três sindicatos e eles ganharam o Oscar de melhor filme.
- A percepção de que há muito voto solidário em favor de Argo pelo fato da Academia ter esnobado Ben Affleck entre os diretores. Vale lembrar que apenas o brunch de diretores da Academia elege os indicados a melhor diretor, mas todos os membros da academia escolhem os vencedores. Tanto na categoria de filme, como na de diretor.
- Ser um filme basicamente sobre Hollywood. Isso tem contado pontos nos últimos anos.
- Ter uma veia patriótica, ainda que moderada
- O vencedor do ano passado, O artista, também era sobre Hollywood

Contras:
- O vencedor do ano passado, O artista, também era sobre Hollywood
- Apenas três vezes na história do Oscar um filme venceu como melhor filme sem ter o diretor indicado e apenas uma vez nos últimos 60 anos
- O fato de ter relativamente poucas indicações em que pode ser considerado favorito depõe contra suas chances
- Muitos acadêmicos podem optar por um filme que tenha o diretor indicado por questões de coerência


Bom, mas nem tanto

Os miseráveis até conseguiu uma presença robusta no Oscar com suas oito indicações. Mas se tem um filme que parece fadado a não conquistar nenhuma das estatuetas a qual concorre é o musical de Tom Hooper. Prova disso é que é o único dos concorrentes a melhor filme que não tem uma indicação por roteiro. O desalento só não é maior porque Anne Hathaway é favorita na categoria de atriz coadjuvante e deve lavar a alma do musical de Tom Hooper. De qualquer jeito, a coragem do cineasta de fazer um musical do clássico de fundo social de Victor Hugo recebeu valiosa distinção da academia.

Prós:
- Prevaleceu nas categorias técnicas em premiações como o Bafta e o Critic´s Choice Awards
- É um sucesso de bilheteria até certo ponto improvável para um musical
- Ganhou o Globo de ouro de melhor comédia/musical
- Tem sua força em suas interpretações e isso pode cativar o maior colegiado da academia que é o dos atores
- Deve agradar o voto mais conservador
- É uma história essencialmente francesa e os franceses estão em voga no Oscar nos últimos anos

Contras:
- Não ter sido indicado em montagem, direção e roteiro praticamente liquida qualquer chance de vitória
- O fato de Tom Hooper ter ganhado em grande escala no Oscar recentemente com O discurso do rei
- É um musical até certo ponto vanguardista e as liberdades tomadas por Hooper podem incomodar o voto mais conservador


Blockbuster de coração

As aventuras de Pi é o filme mais família dos indicados. É também o de narrativa mais complexa já que boa parte do tempo se passa em um bote salva vidas em que um adolescente tem um tigre digital como companhia. Ang Lee realiza um filme com forte conotação espiritual sem ser presunçoso. É um filme digno das 11 indicações que recebeu. Pode ser uma opção mais convencional a filmes sisudos ou modernos demais para o Oscar.

Prós:
- É um épico de alma intimista. Hollywood costuma apreciar filmes assim
- Foi indicado a todos os prêmios major da temporada
- Tem uma das maiores bilheterias internacionais entre os indicados a melhor filme. Como o Oscar hoje é um prêmio global...
- Está presente em praticamente todas as categorias técnicas

Contras:
- Não tem nenhuma performance indicada. É o único dos indicados a melhor filme nessas circuntâncias
- A percepção de que merece mais prêmios por sua destreza técnica
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- Ter sido rodado em 3D e a tecnologia ainda não conquistou muitos acadêmicos


Um clássico menor

Django livre é uma desforra à tarantina. O western sobre um escravo vingador de Quentin Tarantino não é o filme que se esperava dele depois de Bastardos inglórios, mas ainda é entretenimento em alto nível. Django livre consolida Tarantino como uma das figuras do Oscar, mas é seu filme com menos chances de vitória nesta categoria.

Prós:
- Diverte como poucos dos incluídos entre os indicados e isso há de contar para alguma coisa
- O espírito de reescrever a história que Tarantino tem apresentado pode cativar muitos eleitores
- Tem ótimas atuações e bons diálogos
- Quentin Tarantino é um sujeito com muitos fãs

Contras:
- Ser muito inferior a Bastardos inglórios que é relativamente recente pode afugentar votos
- Quentin Tarantino é um sujeito ao qual muitos têm restrições
- O fato de Tarantino não ter sido indicado a melhor diretor
- Não é tão inventivo quanto seus principais filmes


Realismo fantástico

A Academia parece cada vez mais propensa, mais do que selecionar um pequeno indie, a selecionar um de narrativa imaginativa. Foi assim com A árvore da vida no ano passado e com Distrito 9 em 2010. Indomável sonhadora embarca no realismo fantástico e ganha o apoio do Oscar. É o tipo de filme que ainda não tem chances de ganhar, mas que pavimenta o caminho para que outros que venham depois possam sonhar mais alto.

Prós:
- É o time pequeno do ano e tem muita gente, dentro da academia inclusive, que gosta de torcer para time pequeno
- Pode se beneficiar do hype da indicação para Quvenzhané Wallis de apenas 9 anos

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- A existência de outro independente muito mais baladado: O lado bom da vida
- Não ter tido uma campanha de marketing forte na corrida pelo prêmio


O melhor?

O lado bom da vida é um filme excelente em todos os predicados que caracterizam o bom cinema (direção, roteiro, atuação, montagem, etc), mas é também uma comédia romântica – ainda que bifurcada com um drama sobre transtornos psicológicos. Há quem entenda que não é “material de Oscar”, mesmo sendo o melhor entre os filmes indicados. Para vencer precisa superar esse paradigma.

Prós:
- O filme caiu nas graças do colegiado dos atores e em uma disputa parelha isso pode ser uma vantagem
- É independente e os independentes têm prevalecido no Oscar nos últimos cinco anos
- É o mais leve e otimista dos indicados a melhor filme
- Os últimos filmes com indicações para melhor ator e atriz, direção e roteiro e filme, o chamado big five, venceram o Oscar de melhor filme: Menina de ouro e Beleza americana entre eles
- Ser promovido por ninguém menos que Harvey Weinstein também conhecido como papa Oscars

Contras:
- É para todos os efeitos uma comédia e comédias não costumam ganhar o Oscar de melhor filme
- Não ganhou nenhum prêmio major na temporada
- A percepção de que é um “filme de atores”
- Weinstein levou a melhor nas duas últimas disputas por melhor filme. Três consecutivas pode ser demais até para ele

O maior herói americano

Não é super-homem, mas um “self made man”, como gostam de classificar os americanos. Abraham Lincoln também é um “self made politician” e Lincoln, o filme de Spielberg que lidera a corrida pelo Oscar, é mais sobre essa faceta do único presidente capaz de unir democratas e republicanos em vias de consenso. Nem sempre foi assim e o ótimo filme de Spielberg se ocupa dessa história. O Oscar seria apenas mais um estandarte na gloriosa história do político mais influente da América.

Prós:
- É o filme líder de indicações no ano
- Apresenta um personagem com uma base consolidada de fãs e admiradores dentro e fora da Academia
- É dirigido por uma figura muito querida que é Steven Spielberg e tem como protagonista outra figura querida e admirada que é Daniel Day Lewis
- Não é uma biografia quadrada
- Esteve presente em todas premiações majors da temporada e na liderança da corrida em todas elas
- Depois de filmes estrangeiros brilharem nos últimos dois anos, é uma produção essencialmente americana sobre a grandeza americana
- É um filme de rara inteligência tanto na filmografia de Spielberg quanto na média das produções premiadas com o Oscar de melhor filme
- É o maior sucesso de bilheteria nos EUA entre os indicados a melhor filme
- A badalação em torno da atuação de Day Lewis pode computar votos para o filme
- Muitos propensos a votar a favor de um terceiro Oscar para Spielberg podem se decidir pelo filme, mesmo que não o enxerguem como o melhor do ano

Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio major na temporada
- É considerado anticlimático demais para os padrões de Spielberg e pode afugentar votos habituais do diretor
- É mais um filme sobre política do que sobre Lincoln propriamente dito e filmes políticos não costumam prevalecer no Oscar
- Apesar das muitas indicações em diversos prêmios, Lincoln não converteu as indicações em vitórias e adquiriu a pecha de “filme derrotado”
- Não é o melhor filme do ano e, para alguns, nem mesmo o melhor sobre escravidão no ano 


Honesto e sem concessões

A indiferença da vida especialmente a essa fabricação humana que é o amor é um dos eixos centrais desse doloroso e pouco passional filme de Michael Haneke que foi surpreendentemente abraçado com ímpeto pela Academia. Mais uma investigação da fragilidade da vida e de suas reminiscências do que um tratado sobre o mais nobre dos sentimentos, Amor é um filme agigantado por sua humanidade. Faz bem ao Oscar tê-lo em seu pool de nomeados.

Prós:
- É um filme calcado no desempenho dos atores, algo sempre reverberante junto ao maior colegiado que compõe a Academia
- É um filme extremamente humano e atemporal
- É falado em francês e a França anda em alta em Hollywood
- É simples no seu desenvolvimento e complexo em sua contextualização. Menina de ouro, com estrutura semelhante, já triunfou no Oscar em situação parecida
-É um filme estrangeiro e de um diretor cult. Há muito apelo nessa convergência de características; especialmente em um ano sem grandes filmes

Contras:
- Tem ritmo demasiado lento em comparação com a média de filmes vencedores do Oscar e dos filmes contra os quais concorre neste ano
- A percepção de que é um “filme de atores”
- A resistência ainda bastante forte de se premiar uma produção estrangeira
-Filmes com temática semelhante já receberam bastante atenção do Oscar nos últimos anos como Menina de ouro, Longe dela e Mar adentro
-A percepção de que basta a vitória na categoria de filme estrangeiro para honrar o trabalho de Haneke


Mais escuro do que claro

Certamente o mais fraco dos indicados a melhor filme, A hora mais escura é também o que reunia mais expectativas. Ainda que uma condição não esteja relacionada à outra, o filme sobre a caçada a Osama Bin Laden se revela oportunista e perigosamente impreciso em suas formulações episódicas e estruturais. A polêmica pode ter diminuído o tamanho do filme no Oscar, mas o hype de ser o primeiro filme a abordar um dos maiores feitos americanos na guerra contra o terror lhe garantirá um lugar distinto na história.

Prós:
- É um registro no estilo documental que tanto agradou os votantes que deram a vitória à Guerra ao terror há três anos
- É um elaborado misto de thriller de espionagem com filme político. Em um eventual revival dos anos 70, é um candidato imbatível no Oscar
- Foi o filme mais premiado pela crítica na temporada
- Estabelece um novo paradigma no cinema comercial americano: o filme-reportagem

Contras:
- É nitidamente oportunista ao flertar com ideias republicanos e democratas as vezes em uma mesma cena
- É um filme demasiadamente anticlimático para um vencedor do Oscar
- Há pouco espaço para os atores brilharem e isso pode ressentir o voto desse colegiado
- Reza a mesma missa de Guerra ao terror
- As polêmicas barulhentas acerca do terrorismo e da tortura podem fazer acadêmicos que apreciem o filme pensarem duas vezes antes de votar nele
- O fato de Kathryn Bigelow não ter sido indicada na categoria de direção  

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A peleja das atrizes coadjuvantes


Da esquerda para a direita: Amy Adams (O mestre); Jacki Weaver (O lado bom da vida); Anne Hathaway (Os miseráveis); Sally Field (Lincoln); Helen Hunt (As sessões)



A invicta

Ela andava meio afastada do cinema. Do Oscar mais ainda. Mas Sally Field detém uma marca poderosa. Ganhou dois Oscars de melhor atriz em duas indicações. Na terceira indicação, pela primeira vez como coadjuvante, enfrenta a concorrência da nova queridinha Anne Hathaway (que tinha 2 anos de idade quando Field ganhava seu segundo Oscar). Mas no papel da esposa do homem que a América adora em Lincoln, Field coloca sua invencibilidade à prova. Ganhando ou perdendo, seu feito no Oscar seguirá notável.

Prós:
- É a mais veterana das indicadas e configura com propriedade o “comeback of the year” tão bem cultivado pela Academia ao longo dos anos
- Está no elenco do filme recordista de indicações do ano
- Existem vários atores no ano com a possibilidade de ganhar uma terceira estatueta. Pode se beneficiar de um “surto” da academia nesse sentido
- A Academia deu um terceiro Oscar para Meryl Streep no ano passado
- Ganhou alguns prêmios da crítica
- Ser querida por muitos membros da academia

Contras:
- Não é a melhor atuação do filme e nem de sua carreira
- Meryl Streep precisou ser indicada 13 vezes para ganhar seu terceiro Oscar e essa ainda é a primeira indicação de Field desde que faturou seu segundo
- Não ganhou nenhum prêmio major
- A ideia de que dois Oscars já são mais do que suficientes para o tamanho de seu talento
-Atrizes jovens ou pouco experimentadas têm triunfado nesta categoria nos últimos anos

Terceira indicação
Indicações anteriores
Atriz por Norma Rae (1980)
Atriz por Um lugar no coração (1985)

Vitórias anteriores
Atriz por Norma Rae (1980)
Atriz por Um lugar no coração (1985)


A favorita

Ela não é a favorita ao prêmio, mas nenhuma das indicadas goza de tanto prestígio quanto Amy Adams, indicada ao Oscar por quase todos os papéis dramáticos que fez entre 2005 e 2012. Na pele da rigorosa e inflexível mulher do líder da emergente seita A Causa em O mestre, Adams dá, uma vez mais, um vaticínio de sua versatilidade e talento. Não deve ganhar o Oscar este ano, mas seguirá como favorita da Academia.

Prós:
- De todas as concorrentes, é a que acumula maior número de indicações tanto ao longo da carreira como no período recente
- Defende uma atuação pontuada por silêncios, mas de muita expressividade. Um contraponto a performances mais espetaculosas presentes na categoria
- A frequência com que vem sendo lembrada na categoria pode ser um ponto de desequilíbrio a seu favor

 Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- Não defende a melhor atuação do filme e pode ser ofuscada aos olhos dos votantes por seus colegas de cena também indicados
- Não é o melhor trabalho pelo qual foi indicada ao prêmio e todo mundo sabe disso

Quarta indicação
Indicações anteriores
Atriz coadjuvante por Retratos de família (2006)
Atriz coadjuvante por Dúvida (2009)
Atriz coadjuvante por O vencedor (2011)


A minimalista

Muita gente questiona, para não citar os que contestam, a indicação de Jacki Weaver. Como a pessoa mais sã na família disfuncional que move O lado bom da vida e com uma atuação praticamente restrita a gestos e olhares, Weaver capitaliza votos solidários a atuações minimalistas que favorecem o fluxo do filme. Já havia sido assim em O reino animal, pelo qual obteve sua primeira indicação há dois anos.

Prós:
- Assim como Adams, defende uma performance em que os silêncios falam
- Sua nomeação, pode-se dizer, foi a mais surpreendente e inesperada da lista. Uma vitória nesses termos seria coerente
- Integra o elenco mais festejado pela academia em 31 anos

Contras:
- Não foi indicada a nenhum prêmio major da temporada e isso pesa contra suas chances
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- É a única estrangeira na categoria

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz coadjuvante por Reino animal (2011)

A queridinha da América

Nenhuma atriz americana hoje ostenta com tamanha naturalidade essa coroa que não se ajustou em nenhuma cabeça desde que Julia Roberts perdeu seu posto. Querida pela crítica e adorada pelo público, Anne Hathaway vez ou outra não encontra elogios, como ocorreu no equivocado Um dia, mas geralmente conta com a boa vontade. Tanto o é que assumiu o favoritismo inconteste na corrida pelo Oscar de coadjuvante praticamente por uma única cena do musical Os miseráveis. Ela já foi princesa, jornalista, vítima do Parkinson e agora se prepara para o papel mais glorioso de sua carreira: o de vencedora do Oscar.

Prós:
- Ganhou todos os prêmios majors da temporada
- Tem uma cena de alta voltagem emocional e na qual ainda canta
- Atrizes costumam ser premiadas por musicais nessa categoria. Todas as que foram indicadas nos últimos dez anos (Jennifer Hudson por Dreamgirls e Catherine Zeta Jones por Chicago) ganharam
- É uma atriz com amparo crítico e ibope popular; uma vantagem que nenhuma de suas concorrentes apresenta
- Atrizes jovens costumam ser premiadas nessa categoria em detrimento de atrizes mais velhas

Contras:
- Já declarou abertamente sua admiração por Sally Field, sua concorrente na categoria e ainda invicta no Oscar
- O filme não é a unanimidade que se esperava
- O fato de Amy Adams, uma presença constante nas últimas edições do Oscar, já merecer um prêmio há algum tempo
- Tem menos tempo de tela do que algumas de suas concorrentes

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz por O casamento de Rachel (2009)

O caminho de volta

Helen Hunt é daquelas atrizes que todo mundo adora. É difícil vê-la ruim em algum papel. O que estivesse faltando, talvez, fossem papéis à altura de seu talento. Como uma terapeuta sexual em As sessões ela volta ao Oscar 15 anos depois de sua única, e vitoriosa, participação. A expectativa é de que a indicação devolva a atriz papéis que lhe desafiem.

Prós:
- É uma atuação em que Hunt precisou driblar o pudor com a cenas de nudez. A academia tende a valorizar esse perfil de atuações entre as mulheres
- Tem mais tempo de tela do que algumas de suas concorrentes
- Não deixa de ser um comeback desse Oscar também
-Conseguiu manter-se entre as indicadas, mesmo com seu parceiro em cena, John Hawkes, excluídos dos indicados a melhor ator
- Sua atuação é elogiada desde o festival de Sundance de 2012. Pode ser uma opção para acadêmicos que não viram todas as performances

Contras:
- Já tem um Oscar e em quinze anos não apresentou muitos trabalhos dignos de prêmios, ao contrário da maioria de suas concorrentes
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
-A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz por Melhor é impossível (1998)

Vitória anterior
Atriz por Melhor é impossível (1998)


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Crítica da 70ª edição do Globo de Ouro




No futuro, talvez, essa septuagésima edição do Globo de Ouro, prêmio anualmente concedido pela Hollywood Foreign Press Association (HFPA) seja apontada como a edição em que a HFPA abandonou de vez e oficialmente o rótulo de parâmetro do Oscar. Essa condição há muito já não se verifica, mas jamais havia sido ensejada de forma tão clara pela própria organização. A começar pelas improbabilidades. Argo, contra prognósticos fortuitos e forjados na esteira do anúncio dos indicados ao Oscar, confirmou o favoritismo que experimentava junto a Lincoln e ganhou os prêmios de melhor filme em drama e de melhor direção para Ben Affleck. Lincoln, por sua vez, foi o grande derrotado da noite. Só converteu em troféu uma de suas sete indicações (Argo tinha cinco) e a vitória em melhor ator drama é mais de Daniel Day Lewis (que caminha para mais uma gloriosa e ostensiva temporada de prêmios) do que do filme dirigido por Spielberg.
A pulverização dos prêmios, Os miseráveis ficou na liderança com três prêmios seguido pelo já citado Argo e Django livre com dois cada, entrega mais do que um ano equilibrado a ausência de um trabalho capaz de mesmerizar os eleitores como O artista no ano passado.
A opção por Argo e Os miseráveis (a HFPA tem uma queda acentuada por musicais, sejam eles bons ou ruins) e a presença diminuída desses filmes no Oscar são mais um sinal de que a antecipação do calendário proposta pela Academia neste ano foi algo positivo para a corrida pelo Oscar. A vitória de Argo, em particular, aliado ao triunfo no Critic´s Choice Awards há alguns dias atrás, pode impulsionar a candidatura do filme no Oscar. Uma vitória, porém, segue improvável. Em 85 anos de história, apenas Conduzindo miss Daisy em 1990 venceu o Oscar de melhor filme sem ter seu diretor nomeado. Zebras são possíveis, mas raras nessa configuração. Argo, apesar de ser ótimo filme, não é o filme que parece sobrescrito para protagonizar uma façanha como a de Conduzindo miss Daisy. Tampouco a vitória do longa de Affleck nos globos tem algum caráter político. A engenhosidade da trama fisgou o eleitorado da HFPA e é pontual que a escolha de Affleck como melhor diretor se dê na mesma semana em que ele se vê excluído da disputa no Oscar.
No campo das atuações, é possível apontar a vitória de Christoph Waltz como melhor coadjuvante por Django livre como uma surpresa. O próprio não esperava. Vitorioso há três anos por Bastardos inglórios, ele não deve repetir o feito no Oscar. Fora da lista do Sindicato dos atores (SAG) ele deve ver o favoritismo no Oscar cair no colo do vitorioso no sindicato. Mas a briga pelo troféu de coadjuvante no Oscar, em que só há vencedores prévios, tem tudo para pegar fogo.
A vitória de Tarantino tampouco deve reverberar no Oscar. Mas ele tem mais chances de reprisar o triunfo do Globo de ouro do que seu companheiro Waltz.
As demais vitórias já eram esperadas. Adele em canção, Jennifer Lawrence em atriz por comédia ou musical, Jessica Chastain em atriz dramática, As aventuras de Pi em trilha sonora e Amor em filme estrangeiro. Talvez a vitória de Valente tenha sido uma surpresa, já que o filme é tido como mais fraco da história da Pixar. Mas é Pixar. Hugh Jackman derrotou Bradley Cooper como melhor ator em comédia e musical e frustrou os planos de Cooper de ganhar algum prêmio relevante na temporada. Já que de agora em diante ambos devem aplaudir as vitórias de Daniel Day Lewis.
No mais, o Globo de Ouro sofreu com a ausência de Ricky Gervais, o anfitrião das últimas duas edições. Tina Fey e Amy Poehler se saíram bem, mas não se comparam a acidez e entretenimento proporcionados pelo comediante inglês.
Jodie Foster fez um discurso de tons agressivos contra a cultura de celebridades e confundiu interlocutores quando parecia que ia se assumir lésbica em público pela primeira vez. Em outro momento, pareceu anunciar sua aposentadoria. Não foi dos melhores discursos de um homenageado no Globo de Ouro, ainda que alguns olhos tenham marejado.
Resta saber o caminho consciente que a HFPA tomará daqui para frente nessa digressão que faz dos Oscars. Essa independência é boa para a organização, para o Oscar, mas principalmente, para a temporada de premiações.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Cenas de cinema especial: Globo de ouro 2013


We miss you Rick

Não que a performance de Amy Poehler e Tina Fey tenha sido decepcionante. Elas são ótimas e garantiram o entretenimento. Mas também deixaram claro que Rick Gervais é mesmo insuperável em matéria de host na atualidade...

WTF moments
O que mais marcou a 70ª cerimônia do Globo de Ouro foi a saraivada de gafes na cerimônia. Do apagão no teleprompter que deixou Paul Rudd e Salma Hayek em maus lencóis ao nervosismo de Anne Hathaway que quase não deixou os produtores de Os miseráveis agradecerem o prêmio que tinham acabado de ganhar, passando pelo ex-espião da CIA Tony Mendez que, também nervoso, mostrou dificuldades de apresentar o indicado a melhor filme Argo, baseado em sua incrível façanha e pelo discurso de Jodie Foster que deixou todo mundo com a pulga atrás da orelha.

WTF moments II

Por falar nesse discurso, a homenageada com o prêmio Cecil B. DeMille por um momento parecia que ia anunciar sua homossexualidade, especulada pela imprensa há anos. Em outro, parecia anunciar sua aposentadoria da atuação. No fundo, era apenas uma crítica a cultura de celebridades e a forma como as mulheres são tratadas no mundinho de Hollywood. Foster, que estava nitidamente “alegre”, teve que explicar seu discurso no backstage. Mas conseguiu arrancar lágrimas de quem estava também “alegre” antes disso.

... e já que o clima é de confidências
Kevin Costner, que ganhou o prêmio de melhor ator em minissérie ou filme para a TV pela produção do History Channel Hartfield & McCoys, resolveu abrir o coração. Lembrou-se da primeira vez que compareceu à cerimônia do Globo de ouro, fez um rápido flashback da carreira (que pode se reabilitar depois desse prêmio) e em tom nostálgico agradeceu a todos pela carreira, pelo momento e pelo cinema.

Argo fucked?
É por essas e outras que o Oscar é Oscar! Ben Affleck não soube conter a cara de surpresa e choque quando viu seu nome anunciado como o melhor diretor do ano no Globo de Ouro. A vitória, que ganhou contornos de improvável depois de sua ausência na lista do Oscar, mostra a ruptura cada vez mais flagrante entre Oscar e Globo de Ouro. Com o Oscar reconhecendo cada vez mais um cinema artístico e a HFPA o cinema de indústria. No final das contas, a temporada não está sendo tão ruim assim para Affleck. Ele já ganhou mais do que outros diretores, como, por exemplo, Kathryn Bigelow e Tom Hooper, igualmente esnobados pelo Oscar.

Ben Affleck vibra: não tão mal assim na fita...


Não quer dizer nada
Agora, a vitória de Argo em linhas gerais não significa nada em termos de Oscar. A consagração do filme, porém, pode lhe impulsionar na disputa de melhor filme do ano. Mas a vitória, sem a nomeação de diretor, segue altamente improvável.

Surpreso de verdade
Bateram tanto em Django livre nos últimos dias, que ninguém da equipe do filme julgava possível conquistar prêmios na noite de domingo. Christoph Waltz, que ganhou o prêmio de ator coadjuvante, não soube disfarçar a surpresa com a vitória. Waltz, emocionado e sem discurso preparado, engrandeceu Tarantino.

Surpreso de verdade II
Premiado pelo roteiro de Django livre, Tarantino também demonstrou surpresa. “Realmente não esperava isso”. Ele aproveitou o holofote para defender seu método de criação e, no seu tradicional estilo espalhafatoso, louvou sua concorrência na categoria. 

A Harvey com amor
Pode não ter sido a vitória que ele se habituou a ter no Globo de Ouro, mesmo assim, os filmes distribuídos por Harvey Weinstein fizeram bonito na cerimônia realizada no Bevely Hilton Hotel. Django livre e O lado bom da vida conquistaram estatuetas e coube a Jennifer Lawrence massagear o ego do titã do marketing: “Obrigado Harvey por matar quem você teve que matar para me colocar aqui em cima”. Novos tempos!

Os perdedores e Tommy Lee Jones
Há sempre um fetiche das transmissões de premiações pelo flagra no rosto dos perdedores no momento em que o vencedor é anunciado. É quase tão orgânico que vez ou outra se perde a reação de alguns vencedores. No Globo de Ouro 2013, a TV flagrou o descontentamento de Bradley Cooper, que talvez achasse que fosse ganhar em virtude do bom momento de seu filme na temporada de premiações, e Taylor Swift que deveria saber que não tinha vez contra Adele.
No entanto, o melhor “flagra” da noite foi quando a câmera encontrou a face imutável de Tommy Lee Jones enquanto Will Ferrell e Kristin Wiig faziam uma piada com sua parceira de cena em Um divã para dois, Meryl Streep. O rosto de Jones estava tão assustador que o câmera, com medo, foi flagrar outra coisa...



Streep, sempre Streep
Indicada, Meryl Streep não pôde comparecer à cerimônia por causa de uma gripe. Isso não quer dizer que não tenha sido uma referência vivaz e contínua no evento. Desde brincadeiras no monólogo inicial à piada de leve da vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz em comédia Jennifer Lawrence: “Eu venci Meryl Streep”.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Os indicados ao Bafta 2013


Foram divulgados nesta quarta-feira, 9 de janeiro, os indicados ao prêmio da Academia Britânica de Cinema, o Bafta. Como de praxe nessa temporada, Lincoln, lidera no número de indicações. Uma relativa surpresa, já que Os miseráveis é uma produção britânica e, musical que é, tinha toda a pompa e circunstância para liderar a disputa. Mas essa relativa  surpresa esconde outra. Mesmo liderando com 10 indicações, Lincoln não rendeu a Steven Spielberg uma nomeação a melhor diretor. Nem a Tom Hooper, que é britânico. Aliás, nenhum diretor britânico foi indicado. Uma raridade no Bafta e que revela que Lincoln e Os miseráveis, pelo menos aqui, não devem ir muito longe. Melhor sorte está reservada para Argo, que além da indicação para melhor filme, rendeu a Ben Affleck menções como diretor e ator. As sete indicações para o filme de Affleck acusam o favoritismo sugerido pela inclusão do ator entre os concorrentes a melhor ator do ano desbancando favoritos como John Hawkes (As sessões) e Denzel Washington (O voo). Se há um filme que mede forças com Argo, pelo menos na consistência das indicações, é A hora mais escura. A fita de Kathryn Bigelow só concorre em cinco categorias, mas elas são edição, atriz, roteiro original, direção e filme. Argo, no entanto, deve prevalecer. Não está descartada, porém, uma divisão tão incauta quanto a que norteou as nomeações. Lincoln poderia prevalecer e se configurar como o primeiro filme da história a triunfar na principal categoria do Bafta sem ter uma indicação para direção.


A inclusão de Joaquin Phoenix entre os melhores atores no Bafta pode ser uma pista de sua indicação ao Oscar   
 
 Cuidado com ele: Michael Hanake pode ser o elemento surpresa no Bafta

Essa aparente desordem é reflexo direto da antecipação do calendário de premiações forçado pelo Oscar. A bem da verdade, o Bafta, em sua extravagância tão peculiar, sempre reservou certas surpresas, o que conferia charme à temporada. Não obstante, a Academia Britânica desde que realinhou a distribuição de seu prêmio o fixando antes do Oscar, tem se mostrado capaz de influenciar escolhas decisivas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
Justamente por isso, as citações a Amor devem se consideradas. O filme foi lembrado em roteiro original, direção e atriz. Alguma dessas, se não todas, podem se repetir na lista do Oscar amanhã. Os europeus Javier Bardem e Helen Mirren também têm motivos para comemorar. Depois da inclusão de seus nomes entre os indicados ao Bafta, suas presenças no Oscar podem ser dadas como certas.
Esse panorama de destaques europeus não deixa de ser um contraponto em um ano que a Academia Britânica, mais do que em qualquer outro ano, se rende a artistas e histórias essencialmente americanas.

Mais pitacos
A briga por melhor filme é mesmo entre Argo e A hora mais escura, com Lincoln soprando no cangote dos dois. Já a disputa por melhor diretor acaba se mostrando uma incógnita. O Bafta se renderá a Ben Affleck? Diferentemente do Oscar, a Academia Britânica não tem o impulso de louvar diretores atores. É possível Haneke triunfar nessa categoria sem estar concorrendo a melhor filme do ano e, quem sabe, prevalecer também entre os filmes estrangeiros? Ou Kathryn Bigelow seria vitoriosa novamente três anos após prevalecer por Guerra ao terror? Não são respostas fáceis no Bafta.
Daniel Day Lewis deve prevalecer entre os atores. Hugh Jackman talvez seja sua maior ameaça. Entre as atrizes, a briga deve ser a mesma que pautará o resto da temporada de premiações e se limitar entre Jennifer Lawrence por O labo bom da vida e Jessica Chastain por A hora mais escura.
Entre os atores coadjuvantes, o favoritismo segue com Philip Seymour Hoffman (O mestre) e Tommy Lee Jones (Lincoln). Já entre as coadjuvantes, Anne Hathaway (Os miseráveis) preserva o favoritismo que ostenta durante toda a temporada.
Confira a lista completa dos indicados ao Bafta aqui. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Mr. nice guy




Faz pouco mais de 12 anos que o australiano Hugh Jackman tomou Hollywood de assalto. Em 2013 ele retorna ao papel que o possibilitou, além de visibilidade, o estrelato. Antes de exibir as garras de adamantium de Wolverine novamente, porém, Hugh Jackman pode obter uma valorização ímpar no cinema. Uma indicação ao Oscar. Poucos sabem, mas Jackman é muito mais talentoso do que suas incursões no cinema de ação sugerem. Dono de vasto repertório dramático, Jackman além de ótimo timing cômico como mostrado em filmes como (Alguém como você e Kate & Leopold) é exímio dançarino e ótimo cantor. Quem não conhecia seu repertório nos palcos (um sucesso de público a cada nova temporada na Broadway) se maravilhou com sua performance como host do Oscar 2009. Até quem já conhecia essa outra verve do ator se encantou com sua simpatia, desprendimento e habilidade para apresentar o maior espetáculo televisivo do planeta.
Hugh Jackman esteve duas vezes no Brasil. Na primeira, ainda não gozava da força de sua celebridade, então em formação, mas deixou boas impressões quando veio divulgar o filme A senha: swordfish em 2001. Quando voltou, em 2009, para promover o primeiro filme solo de seu personagem do coração, Wolverine, tietou Ronaldo, recebeu cantadas de Sabrina Sato e confirmou a pecha de Mr. Simpatia em terras brasileiras.
O ator em sua segunda passagem
pelo Brasil
Jackman encanta desde jornalistas, de ambos os sexos, que batem um papo com ele, até suas parceiras de cena. Anne Hathaway se disse seduzida por ele, Amanda Seyfried contou que não conhece homem com mais sex appeal e Ashley Judd, quando atuou com o ator, disse que não esperava que Jackman aliasse tão bem características masculinas que, segundo ela, estão em falta nos homens. Mas gente como Baz Luhrmann, Bryan Singer, Woody Allen, Russell Crowe e Christian Bale também é só elogios ao astro que pode no próximo 10 de janeiro passar a condição de “indicado ao Oscar”, um degrau a mais na escala do olimpo hollywoodiano que gente boa como Jim Carrey, Ewan McGregor e Richard Gere ainda não galgaram.
Jackmam, além da voz potente e do carisma acima de qualquer suspeita, conta a favor de sua possível candidatura ao Oscar por Os miseráveis com a simpatia irrestrita dos membros da academia. Algo que seus principais concorrentes, Bradley Cooper, Joaquin Phoenix e Richard Gere não ostentam. Não é uma vantagem descartável.
O reconhecimento com uma nomeação, se ela vier, consagrará em mais um tom uma carreira tão meteórica quanto tardia; mas também equilibrada e bem calculada. Hugh Jackman pode até não ser o melhor ator do ano, mas difícil alguém batê-lo no troféu simpatia.  

No aniversário da atriz, Hugh Jackman cantou para ela e Amanda Seyfried não resistiu e lhe tascou um selinho emocionada...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Como devem ser as indicações ao Oscar nesta semana


Na próxima quinta-feira (10) serão revelados os concorrentes da 85ª edição do Oscar. Nessa temporada, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood deve destacar um número mais vistoso de produções de estúdio; o que deve configurar um contraponto em relação aos últimos anos em que produções independentes eram favoritas e, de fato, protagonistas do Oscar.
Lincoln, filme de Steven Spielberg que vem encantando o público americano e já é responsável por uma bilheteria superior a U$ 150 milhões deve ser o recordista de indicações do ano. A questão que se coloca a respeito do filme é se baterá o recorde de indicações pertencente a Titanic (1997) e A malvada (1950) de 14 indicações ou igualá-lo. Como se vê, o entusiasmo com o filme de Spielberg é grande, ainda que o filme não seja apontado como virtual bicho papão da temporada, essa é uma possibilidade que será aventada em Claquete mais adiante.
De pronto, é certo que Os miseráveis e A hora mais escura são os principais rivais de Lincoln no número de indicações. Ambos os filmes, com fortes chances de serem indicados a melhor filme do ano, ainda veem outros filmes entre eles e Lincoln na briga pela estatueta de melhor filme. Argo, O lado bom da vida e As aventuras de Pi parecem certezas entre os selecionados do ano para melhor filme. Com menos chances, mas que podem garantir presença na lista estão Moonrise kingdom, Django livre, 007-operação skyfall, O mestre e O voo. A disputa se resume a esses filmes, mas a Academia pode reservar surpresas e resolver incluir o austríaco Amor ou mesmo o francês Os intocáveis, grande sucesso de público nos EUA, entre os indicados a melhor filme. Seria uma solução bem vinda e ainda inédita desde a flexibilização do número de concorrentes ao principal prêmio do Oscar.

Joaquin Phoenix em cena de O mestre, de Paul Thomas Anderson: apesar do desempenho mediano na temporada de premiações, o filme deve ter presença sólida na lista do Oscar


A briga pela estatueta de melhor diretor é outra com três certezas: Steven Spielberg por Lincoln, Ben Affleck por Argo e Kathryn Bigelow por A hora mais escura. As outras duas vagas são disputadas por David O. Russell, Tom Hooper, Quentin Tarantino, Ang Lee e Paul Thomas Anderson. Russell e Lee são os favoritos para fisgar essas duas últimas vagas.
Entre os roteiros adaptados, Argo, Lincoln, As aventuras de Pi e O lado bom da vida são presenças certas. As vantagens de ser invisível pode ser o quinto selecionado. Na divisão dos originais, A hora mais escura, O mestre, Django livre, Moonrise kingdom e Looper são as apostas mais seguras, porém, O voo e Amor podem ser lembrados.

Atuações
Entre os atores, Daniel Day Lewis (Lincoln) puxa o bonde. Denzel Washington deve voltar ao Oscar por seu desempenho em O voo. Outras boas apostas são John Hawkes (As sessões) e Bradley Cooper (O lado bom da vida). A quinta vaga é disputada a foice por Hugh Jackman, que conta com a enorme simpatia da academia, por Os miseráveis, Joaquin Phoenix, que não tem lá tanta simpatia junto à Academia, por O mestre, e Richard Gere, eterno injustiçado, com o papel de sua carreira em A negociação. Em um lance de sorte dois deles podem entrar roubando a vaga de Hawkes ou Washington. Improvável que os três figurem entre os indicados.
Entre as atrizes há mais indefinição do que de hábito na categoria. Certas apenas Jessica Chastain por A hora mais escura e Jennifer Lawrence por O lado bom da vida. Com grandes chances estão Naomi Watts por O impossível e Helen Mirren por Hitchcock. Esta pode perder a vaga para Emmanuelle Riva (Amor), Rachel Weisz (Deep Blue Sea) ou mesmo Quvenzhané Wallis (Indomável sonhadora). De qualquer jeito, os concorrentes nessa categoria parecem mais definidos do que na âmbito masculino.
Entre os coadjuvantes masculinos, Phillip Seymour Hoffman (O mestre) e Tommy Lee Jones (Lincoln) são certezas. Alan Arkin (Argo) também deve voltar à disputa. Para as outras duas vagas, muitos concorrentes. A Academia reconhecerá Leonardo DiCaprio, tido como a melhor coisa de Django Livre ou preferirá mais um vilão saborosamente interpretado por Javier Bardem em Operação Skyfall? Robert De Niro voltará a disputar uma estatueta depois de 20 anos por O lado bom da vida? Há espaço para surpresas como Eddie Redmayne por Os miseráveis?

Denzel em O voo: seria sua primeira indicação ao Oscar desde a vitória por Dia de treinamento em 2002 

Anne Hathaway em Os miseráveis, de Tom Hooper: ele se cristaliza como a maior chance de Oscar do filme...


Entre as atrizes coadjuvantes as circunstâncias são muito parecidas. Anne Hathaway (Os miseráveis) e Sally Field (Lincoln) são certezas. Apostas seguras são Amy Adams (O mestre) e Helen Hunt (As sessões). E a última vaga? Será de Nicole Kidman por The paperboy ou a Academia revelará uma surpresa de última hora como Ann Dowd por Compliance?
Abaixo, as apostas de Claquete para os indicados nas principais categorias do Oscar:

Filme
A hora mais escura
Lincoln
Argo
As aventuras de Pi
O lado bom da vida
Os miseráveis
Moonrise kingdom
O mestre

Direção
Ben Affleck (Argo)
Steven Spielberg (Lincoln)
David O. Russell (O lado bom da vida)
Kathryn Bigelow (A hora mais escura)
Paul Thomas Anderson (O mestre)

Roteiro original
Django livre
O mestre
A hora mais escura
Moonrise kingdom
Looper

Roteiro adaptado
Lincoln
Argo
As aventuras de Pi
As vantagens de ser invisível
O lado bom da vida

Filme estrangeiro
Amor
Os intocáveis
O amante da rainha
No
Além das montahas

Ator
Daniel Day Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (O mestre)
John Hawkes (As sessões)
Bradley Cooper (O lado bom da vida)
Denzel Washington (O voo)

Atriz
Jennifer Lawrence (O lado bom da vida)
Naomi Watts (O impossível)
Jessica Chastain (A hora mais escura)
Emmanuela Riva (Amor)
Quvenzhané Wallis (Indomável sonhadora)

Ator coadjuvante
Tommy Lee Jones (Lincoln)
Philip Seymour Hoffman (O mestre)
Javier Bardem (Operação Skyfall)
Robert De Niro (O lado bom da vida)
Leonardo DiCaprio (Django livre)

Atriz coadjuvante
Amy Adams (O mestre)
Anne Hathaway (Os miseráveis)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As sessões)
Nicole Kidman (The paperboy)

Fotografia
Lincoln
O mestre
Operação Skyfall
As aventuras de Pi
Django livre 

Direção de arte
Os miseráveis
Lincoln
Django livre
Argo
Moonrise kingdom

Montagem
Lincoln
A hora mais escura
Argo
Os miseráveis
As aventuras de Pi

Trilha sonora
As aventuras de Pi
Moonrise kingdom
Lincoln
Argo
O mestre