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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Oscar Watch 2014 - A peleja das atrizes

Da esquerda para a direita: Sandra Bullock (Gravidade), Amy Adams (Trapaça), Meryl Streep (Álbum de família); Cate Blanchett (Blue jasmine) e Judi Dench (Philomena)


A doce Jasmine

George Clooney, que dividiu a cena duas vezes com Cate Blanchett, falou que ela é uma das duas maiores atrizes vivas. A outra é Meryl Streep. George Clooney pode não ser a autoridade máxima nessa matéria, mas não deixa de ser uma autoridade destacável. Em sua primeira colaboração com Woody Allen, Blanchett arrepia, arrebata e hipnotiza. É a melhor atuação de uma carreira de melhores atuações. O Oscar conquistado há noves anos, como coadjuvante por O aviador, é muito pouco para traduzir seu imenso talento. À Academia, resta somar dois mais dois e fazer justiça tanto à matemática quanto a australiana mais fascinante a já ter pisado na terra do cinema.

Prós:
- Ganhou todos os prêmios possíveis e imagináveis da temporada
- É a favorita absoluta em sua categoria em uma temporada com poucos favoritos absolutos no Oscar
- As personagens femininas de Woody Allen costumam render Oscar a suas intérpretes. Diane Keaton, Penélope Cruz, Diane West e Mira Sorvino são alguns exemplos
- É muito querida pela Academia
- Entre as atrizes já oscarizadas que disputam o prêmio neste ano, é a que mais merece um novo Oscar. Descontado o fato de que Meryl Streep venceu há dois anos

Contras:
- Os holofotes sobre um escândalo antigo da vida privada de Woody Allen podem respingar sobre as chances da atriz
- O burburinho positivo em torno da performance de Amy Adams (Trapaça), outra atriz querida, extremamente talentosa e sem Oscar na estante
- O fato de seu filme não ter sido indicado ao Oscar de melhor filme pode privar-lhe alguns votos combinados de eleitores mais tradicionais

Sexta indicação
Indicações anteriores
Atriz por Elizabeth em 1999
Atriz coadjuvante por O aviador em 2005
Atriz coadjuvante por Notas sobre um escândalo em 2007
Atriz coadjuvante por Não estou lá em 2008
Atriz por Elizabeth: a era de ouro em 2008

Vitória anterior
Atriz coadjuvante por O aviador (2005)

A eterna dama

James Bond se afeiçoou a ela como a nenhuma mulher em sua longeva carreira no cinema. Não é para menos. Judi Dench é uma mulher que vai além do encantamento pontual. Atriz profunda, repleta de predicados e envolta em um carisma absolutista, ela se vale de todos os seus recursos para viver a personagem título da comédia dramática Philomena, uma mulher em busca do filho separado dela há mais de 50 anos. Dench empacota o filme como somente as grandes atrizes o fazem com uma elegância, no entanto, que é só dela.

Prós:
- Atriz britânica em filme britânico costuma prosperar na categoria. Kate Winslet e Helen Mirren que o digam
- É a atriz mais veterana em um ano de ótimos desempenhos de veteranas
- Assim como ocorre com Blanchett, o filme se escora em seu desempenho

Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada e é improvável que o primeiro seja justamente o Oscar
-A ideia de que o Bafta, caso lhe seja outorgado, bastará

Sétima indicação
Indicações anteriores
Atriz por Mrs. Brown em 1998
Atriz coadjuvante por Shakespeare apaixonado em 1999
Atriz coadjuvante por Chocolate em 2001
Atriz por Iris em 2002
Atriz por Sra. Henderson apresenta em 2006
Atriz por Notas sobre um escândalo em 2007

Vitória anterior
Atriz coadjuvante por Shakespeare apaixonado (1999)

Veterana sim senhor

Há quem torça o nariz para Amy Adams nessa lista entre as atrizes. Muitos criam que Emma Thompson por Walt nos bastidores de Mary Poppins merecesse seu lugar. Subjetividades à parte, o trabalho de Adams em Trapaça pode facilmente ser apontado como o melhor de sua carreira e estamos falando de uma atriz que, pelo filme de David O. Russell, recebeu sua quinta indicação ao Oscar. A única coisa a distinguir Amy de suas rivais é que ela, sabe-se lá Deus por que, não tem um careca dourado para chamar de seu.

Prós:
- Alterna como poucas a desenvoltura em filmes de ambições comerciais e filmes de ambições artísticas
- É a candidata mais jovem na disputa, mas com credenciais tão sólidas – ou até melhores – do que concorrentes
- O fato de ser a única na disputa que ainda não tem um Oscar
- O apreço que a Academia demonstrou pelo trabalho do elenco pode reforçar ainda mais o “pró” destacado acima
- O burburinho positivo sobre Trapaça pode beneficiá-la
- Ganhou o Globo de Ouro e, embora não tenha concorrido diretamente com Blanchett, é a única que ganhou prêmio significativo não vencido pela australiana
- Não foi indicada ao prêmio do sindicato dos atores, mas a Academia quebrou uma escrita no ano passado ao premiar Christoph Waltz entre os atores coadjuvantes; ele também não havia sido indicado ao SAG
-Foi dirigida por David O. Russell e isso significou Oscar para intérpretes nos últimos filmes dele

Contras:
- Não foi indicada ao prêmio do sindicato dos atores e é improvável que a perfomance vencedora do Oscar seja uma ignorada pelo sindicato
- O peso de que a indicação já possa ser reconhecimento suficiente
- É a menos “estrela” do elenco de Trapaça e, por que não, da categoria de melhor atriz
- A percepção de que a aura de eterna perdedora que marcou figuras como Peter o´Toole possa estar se construindo para Adams

Quinta indicação
Indicações anteriores:
Atriz coadjuvante por Retratos de família em 2006
Atriz coadjuvante por Dúvida em 2009
Atriz coadjuvante por O vencedor em 2011
Atriz coadjuvante por O mestre em 2013

O álbum de indicações

Esta é a 18ª indicação ao Oscar de Meryl Streep, a atriz que qualquer um veria lendo a lista telefônica. De credenciais reconhecíveis e talento interminável, Streep volta a ser nomeada por um trabalho bom, digno e elogiável, mas não do tipo que mereceria uma indicação ao Oscar. Mas quem se importa? Ela não persegue mais prêmios, apenas vislumbra a supremacia entre os imortais.

Prós:
- O peso de seu nome é um inegável ímã para eleitores indecisos
- Não há quem desgoste de Meryl Streep e figuras como Blanchett, Adams e Bullock não têm cativos o voto conservador
- Se o clima for fazer história (Oscar de filme para uma ficção científica passada no espaço, primeiro Oscar para um diretor negro), a vibe pode beneficiar um quarto Oscar para a atriz
- A atriz defende um papel difícil, antipático e o faz com incrível humanidade. É o tipo de papel que costuma conquistar votos

Contras:
- Ganhou seu terceiro Oscar há dois anos. Mesmo sendo Streep, há quem possa achar supervalorização concedê-la um quarto Oscar em espaço de tempo tão curto. Afinal, foram 30 anos para ela receber o terceiro
- Para todos os efeitos, é a performance mais fraca entre as nomeadas e todo mundo sabe disso
- O pouco espaço que seu filme recebeu no Oscar pode prejudicar suas chances
- A pecha de que a expansão do próprio recorde de indicações já é reconhecimento suficiente

Décima oitava indicação
Indicações anteriores
Atriz coadjuvante por O franco atirador em 1979, atriz coadjuvante por Kramer VS Kramer em 1980,atriz por A mulher do tenente francês em 1982, atriz por A escolha de Sofia em 1983, atriz por O retrato de uma coragem em 1984, atriz por Entre dois amores em 1986, atriz por Ironweed em 1988, atriz por Um grito no escuro em 1989, atriz por Lembranças de Hollywood em 1991, atriz por As pontes de Madison em 1996, atriz por Um amor verdadeiro em 1999, atriz por Música do Coração em 2000, atriz coadjuvante por Adaptação em 2003, atriz por O diabo veste Prada em 2006, atriz por Dúvida em 2009, atriz por Julie & Julia em 2010, atriz por A dama de ferro em 2012

Vitórias anteriores:
Atriz coadjuvante por Kramer VS Kramer (1980)
Atriz por A escolha de Sofia (1983)
Atriz por A dama de ferro (2012)

Ah, se eles soubessem...

A indicação de Sandra Bullock por Gravidade talvez seja exagero, mas é certo que ela fez por merecer muito mais no filme de Alfonso Cuarón do que em Um sonho possível, filme que valeu a ela sua estatueta. A Academia queria premiar Bullock, um pilar de Hollywood há pelo menos 20 anos. Esperasse mais três anos e a premiaria por um trabalho mais digno. De qualquer forma, Bullock voltando ao Oscar quebra a escrita de que a estatueta amaldiçoa as estrelas vencedoras.

Prós:
- De todas as atrizes em disputa, é a que faz campanha mais fervorosamente
- Carrega o filme sozinha sendo a única pessoa em cena na maior parte do filme
-Está no filme de maior bilheteria e é a atriz que mais faz bilheterias entre as indicadas. Isso já contou em outro ano em que também disputava com Meryl Streep
- Sua atuação demandou grande esforço físico e isso costuma sensibilizar muitos votantes

Contras:
- Ganhou recentemente e não tem o peso do nome de Meryl Streep
- Cate Blanchett também carrega um filme sozinha e um filme mais complexo do que Gravidade
-Está em uma ficção científica e elas não costumam render performances premiadas com o Oscar

Segunda indicação
Indicação anterior
Um sonho possível (2010)
Vitória anterior

Um sonho possível (2010)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Crítica - Trapaça

A arte da sobrevivência é uma história sem fim

Trapaça (American Hustle, EUA 2013) é um filme sobre vigaristas. Sobre os anos 70. Sobre ambição e sobre àquela necessidade que bate nossa porta de quando em quando de reinventarmo-nos por completo. É, também, um filme de David O. Russell e esse último aspecto vêm ganhando cada vez mais relevância no cinema atual.
Indicado a dez Oscars (filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original, figurino, direção de arte e montagem), Trapaça é um filme que se escora, com consciência absurda, em seus personagens. E eles são todos fascinantes. Desde aquele que parece confinado ao status de apêndice narrativo (como o chefe do FBI vivido por Louis C.K) até o protagonista Irving Rosenfeld (Christian Bale).
Os anos 70 de figurinos exagerados e boa música surgem na paleta de Russell como uma época de desencanto em que o sonho americano em si precisava ser reinventado. Entornar neste caldo corrupção política, máfia e a mais fina malandragem apenas demonstra a expertise de Russell como narrador.
Irving é do tipo que se garante pela lábia. Ele se apaixona por Sidney Prosser (Amy Adams) tão logo nela repara e descobre que gostam exatamente da mesma música. Esse elemento que une os personagens é um dos muitos em que Trapaça excederá as expectativas do público e se comunicará com ele em outro nível. Outro desses momentos é quando Jennifer Lawrence, na pele de Rosalyn – a esposa de Irving que lhe nega o divórcio – canta "Live and let die" enquanto faxina.
Fossem as grandes cenas, Trapaça já valeria o ingresso, mas o filme mostra também que Russell não só é um sofisticado diretor de atores, como um lapidador de personagens raro no cinema atual.
Sidney e Irving se amam e se jogam no esquema de ludibriar os outros até que são pilhados em flagrante pelo agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper), que os convence a colaborar em uma investigação para que ele prenda peixes graúdos. Acontece que DiMaso vai gostando dessa vida de malandragem e começa a enxergar a beleza de  conseguir peixes ainda mais graúdos. A necessidade de reinventar-se, advoga Russell por meio de seus personagens, é um fluxo constante e horizontal.
Enquanto a ganância de DiMaso se multiplica, Irving à medida que prepara o bote para puxar o tapete de um punhado de políticos, entre eles o populista prefeito vivido por Jeremy Renner – a quem se afeiçoa, começa a sentir o peso de suas inconsequentes atitudes. Essa tomada de consciência do personagem, nunca absoluta, afinal, Irving se ressente de adentrar as hostes da máfia e flertar com a possibilidade real de morte, é a linha mestra da dança de gêneros pela qual Russell conduz sua audiência.
Da comédia de erros à sátira, passando pelo thriller e pelo drama mais rebuscado, Trapaça é um cinema tão redondo quanto o talento de seu realizador pode ofertar.
Não há crítica social ou o desejo de radiografar algum tema relevante do presente, Trapaça é entretenimento adulto na sua mais fina concepção. É, também, um tributo ao cinema de Scorsese, em os que personagens precisam se encontrar no imenso tamanho de suas ambições.
Os anos 70 surgem saudosos, românticos e mais coloridos do que talvez tenham sido no filme de Russell que coloca os personagens no comando do show. Jennifer Lawrence brilha como a bipolar e manipuladora Rosalyn. É uma das grandes personagens femininas dos últimos tempos e Lawrence tem o talento necessário para fazer jus a ela. Christian Bale tem a melhor atuação de sua carreira na pele de Irving. O ator precisa ir do dramático ao cômico e o faz com uma organicidade espantosa. Sem perder o cinismo e o charme de vista. Em um olhar ele exprime tudo o que o personagem precisa exprimir. Bradley Cooper é outro ponto nevrálgico do elenco. Além da urgência de sua composição, Di Maso é esperto, mas não raciocina como deveria, Cooper sabe revelar a fragilidade de seu personagem no timing preciso. Mas o grande nome de Trapaça é mesmo Amy Adams. Ela é o coração do filme. É através de sua Sidney, que na maior parte do filme é Edith, que Trapaça viabiliza sua razão de ser: de que essas segunda, terceira, quarta chances dependem rigorosamente de nós. Adams está sensual como nunca, sutil como sempre, mais expansiva do que de hábito e arrebatadora como Trapaça precisa que ela seja. Se há um porém no elenco, é Jeremy Renner, que apesar de bem intencionado, não convence como italiano do povo.

É preciso dizer que Trapaça, sem seu elenco, não seria metade do filme que é e é aí que a grandeza de Russell se revela. Ele sabe disso e não faz a menor questão de esconder.  

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Filme em destaque - Trapaça

Golpe à americana
David O. Russell reúne um punhado de seus atores favoritos para uma história divertida, ligeiramente real e que apresenta personagens fascinantes


“David justifica suas personagens femininas. Sabe? Elas não estão lá apenas por estar. Elas tem uma razão dramática para pertencerem àquele universo”, relata Amy Adams que em sua segunda colaboração com o diretor David O. Russell conquistou sua segunda indicação ao Oscar. Ao todo Amy detém cinco indicações ao prêmio da Acadêmia.
Essa preocupação com os personagens é reiterada por Russell na mesma entrevista de divulgação. “Gosto de pensar que meus personagens conduzem a trama. Eu sou todo a favor dos personagens”, explica o diretor que com Trapaça finaliza sua informal trilogia da reinvenção. O primeiro O vencedor, indicado a sete Oscars, incluindo melhor filme, mostrava como o boxeador Mick Ward precisava se afastar da família para vencer na carreira. Em O lado bom da vida, indicado a oito Oscars, também incluindo melhor filme, uma moça bipolar e um rapaz com transtorno obsessivo compulsivo representam a tábua de salvação um do outro. Em Trapaça, que concorre a dez Oscars, assim como os outros, também a melhor filme, dois vigaristas, vividos por Christian Bale e Amy Adams, são forçados a colaborar com o agente do FBI vivido por Bradley Cooper para desbaratar um esquema que envolve máfia, políticos e toda sorte de tipos corruptos.
Trapaça é o filme mais ambicioso de Russell desde Três reis (1999), uma sátira venenosa à guerra do golfo. Trapaça se passa nos anos 70 e perpassa gêneros tão diferentes como a comédia de erros e o suspense, abarcando o drama, o thriller policial e a farsa.
Há quem chame Trapaça, lhe aferindo aspecto pejorativo, de um “Scorsese light” ou “sub-Scorsese”. Para o jornalista e crítico de cinema Roberto Sadovski essa é uma tremenda bobagem. “Apesar de Trapaça habitar um universo familiar ao diretor de Os Bons Companheiros, a pegada é diferente, menos nervosa, mais cômica. Para Sadovski, “o tom leve é uma opção narrativa inteligente” até mesmo para adensar melhor as mudanças de gênero impetradas por Russell.
Trapaça apresenta uma reconstituição de época acachapante. Tanto pela direção de arte como pelos figurinos e penteados. Esse esmero ajuda a entender a ambição de Russell. “Eu posso explicar a minha relação com os anos 70 através de cada um desses personagens. Das músicas que gostam, de seus sonhos...”, diz Russell à reportagem do jornal O Globo.
Esse carinho pelos personagens é mais perceptível em Trapaça do que em qualquer outro trabalho do cineasta, talvez por essa nostalgia incontida, talvez porque a proposta de voltar aos anos 70 pedisse esse carinho, talvez porque o tributo a Scorsese seja apenas uma das muitas nuanças desse filme que consegue ser drama, comédia, suspense, policial e, antes de tudo isso, um filme de David O. Russell, uma das grifes mais reconhecíveis da nova Hollywood.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - As musas da temporada de premiações


Margot Robbie, a sensação de O lobo de Wall Street 

Cate Blanchett, a jasmine dos prêmios
Amy Adams, a explosão de sensualidade e talento do ano
 Anna Gunn, breaking good
 Sally Hawkins, beleza sutil rima com talento febril
 Lupita Nyong´o, do Quênia para o mundo 
 Amy Poehler, favorite hostess
Jennifer Lawrence, porque todos querem bis

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Cenas de Cinema (as indicações ao Oscar 2014)

No caminho certo
É contumaz falar das omissões e das injustiças do Oscar, mas a cada ano a academia vem se esforçando para menorar essa impressão que – por sua alta carga subjetiva – jamais poderá ser afastada de todo. Em 2014, ao se deparar com a lista dos indicados ao Oscar, a primeira sensação é de que ela é a mais completa, honesta e justa possível. Leonardo DiCaprio, ator contestado nas hostes da academia, recebeu merecidamente sua quarta indicação ao Oscar. Ainda que para tanto, Robert Redford tenha perdido a chance de conquistar sua primeira como ator.
Os filmes que mais chamaram a atenção nesta agitada, e cheia de qualidade, temporada de premiações foram lembrados. Bom senso, bom timing e, acima de tudo, bom julgamento parecem nortear a academia nesta fase da corrida pelo Oscar.



A prova dos nove
Desde que foi implementada essa janela de cinco a dez filmes na categoria de melhor filme em 2010, a categoria foi apresentada com nove filmes. De lá para cá, com quatro edições do Oscar como amostragem, dá para dizer que este é o ano em que há maior número de filmes de melhor nível na disputa. Mesmo assim, o número final de indicados é o mesmo. Esse gosto pelo nove pode ser reflexo direto do método para se aferir os indicados a melhor filme. Para ser indicado, um filme precisa reunir 5% da preferência dos votantes. O gosto da Academia, como se vê, é bem plural, mas não chega à casa dos dígitos.

Pelo segundo ano consecutivo, David O. Russell (à direita) emplacou o darling da corrida pelo Oscar. Trapaça divide a liderança da corrida com Gravidade, ambos com 10 indicações

Sem corridas das oscarizadas
Logo no início do especial Oscar Watch 2014, Claquete atentou para um fato incomum. Esta temporada do Oscar se anunciava como uma corrida de oscarizadas na categoria de melhor atriz. Ainda que tenha ficado com essa cara até os 45 do segundo tempo, não se resolveu dessa maneira e Amy Adams, por Trapaça, infiltrou-se e já começa a fungar no cangote da favorita inconteste Cate Blanchett (Blue Jasmine).

Amy Adams, sob as ordens de Russell, trazendo sexy back para a corrida das atrizes pelo Oscar...

Actors reloaded
Claquete acertou onde 99% de quem se dedica a analisar e antecipar os rumos da corrida pelo Oscar errou. Christian Bale e Leonardo DiCaprio, atores que encontram certa resistência entre muitos membros da academia e que defendem personagens de moral contestável, conseguiram indicações pelos filmes Trapaça e O lobo de Wall Street respectivamente. Mas a categoria deste ano não é redenção apenas para eles. Bruce Dern (Nebraska), Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão) e Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas), todos em momentos distintos da carreira, são figuras historicamente descompatibilizadas da premiação.
Dern, aos 77 anos, volta a ser indicado ao prêmio. Concorreu uma única vez como coadjuvante em 1979. Bale é único a já ter vencido. Foi em 2011 como coadjuvante por O vencedor.

Outside
Os irmãos Coen, costumeiramente lembrados pela Academia que rapidamente os acolheu como favoritos da casa, acabaram de fora da disputa de 2014. Inside Lyewyn Davis – balada de um homem comum já vinha perdendo força na corrida, mas o fator Coen e o prêmio em Cannes mantinham acesas as esperanças de melhor sorte no Oscar. A tendência de queda se confirmou com apenas duas nomeações, para fotografia e som. Em um ano de fato concorridíssimo, não havia espaço para favoritos da casa.

O cara
O nome é Russell. David O. Russell. Quem é John Ford perto dessa cara? Parece heresia, mas não é. O que David O.Russell vem conquistando na história recente do Oscar não tem precedentes. Pelo segundo ano consecutivo ele emplaca indicações nas quatro categorias de atuação para quatro atores. Antes do ano passado, quando ele conseguiu isso por O lado bom da vida, foram mais de 30 anos sem que isso acontecesse. Não obstante, Russell conseguiu sua terceira indicação ao Oscar em quatro anos. Coisa que só Ford conseguiu e em uma época em o western, gênero em que Ford reinava, imperava no gosto dos acadêmicos. David O. Russell rapidamente se agiganta para se tornar um dos grandes do cinema e do Oscar.

O cara que zoa o outro cara
49 indicações ao Oscar. John Williams ri na cara de David O. Russell assim como ri na cara de qualquer um. O prêmio chama-se Oscar, mas qualquer dia vai ter gente chamando de John Williams. Ah, a indicação foi pela trilha sonora de A menina que roubava livros.

Até onde vai Meryl Streep?
Tinha quem duvidasse, mas Meryl Streep é maior do que Oprah e as indicações ao Oscar desta quinta-feira demonstraram isso. Streep, que muitos duvidavam que conseguisse nomeação em virtude do crescimento de Amy Adams, entrou e Oprah Winfrey, dada como certa entre as coadjuvantes, ficou de fora. É a 18ª indicação de Meryl Streep, recorde absoluto entre intérpretes e adornado ainda por outra marca suprema: indicações em cinco décadas diferentes.

Julia Roberts e Meryl Streep em cena de Álbum de família: ambas indicadas ao Oscar. Julia persegue modestamente a marca de Streep e angaria sua quarta indicação à estatueta e na terceira década distinta.

Até onde vai Jennifer Lawrence?
Talvez ainda seja cedo para chamá-la de próxima Meryl Streep, mas fato é que nem mesmo a original ostenta o recorde que J.Law acaba de constituir. Ninguém jamais foi indicado a três Oscars, e muito menos tendo ganhado um, com 23 anos de idade. Mais: Jennifer Lawrence conseguiu essas três indicações em quatro anos. Quem segura o ímpeto dessa mulher?

Recordar é viver
Tom Hanks foi indicado ao Oscar por um papel de naufrago em 2001 no filme Naufrago. Robert Redford ficou de fora da disputa deste ano defendendo o papel de um naufrago em Até o fim. Já Matthew McConaughey conseguiu sua primeira indicação ao prêmio pelo papel de um aidético que luta contra o sistema em Clube de compras Dallas, papel semelhante ao que deu o primeiro Oscar a Hanks em 1994 por Filadélfia. Hanks que ficou de fora da disputa deste ano por Capitão Phillips, filme no qual faz um capitão que teve seu navio sequestrado. Papel semelhante ao que deu a primeira indicação ao Oscar a Johnny Depp em Piratas do caribe: a maldição do Perola negra...

Tom Hanks em cena de Capitão Phillips: e quem paga o pato sou eu?

Mais Oscar nos próximos dias em Claquete

Quem gosta de acompanhar a temporada de premiações pelo blog não terá do que reclamar nos próximos dias. Além de uma análise preliminar sobre as indicações, serão publicados #oscarfacts – sobre curiosidades da premiação e dos indicados deste ano e outras regalias para o leitor cinéfilo que bate cartão por aqui.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A peleja das atrizes coadjuvantes


Da esquerda para a direita: Amy Adams (O mestre); Jacki Weaver (O lado bom da vida); Anne Hathaway (Os miseráveis); Sally Field (Lincoln); Helen Hunt (As sessões)



A invicta

Ela andava meio afastada do cinema. Do Oscar mais ainda. Mas Sally Field detém uma marca poderosa. Ganhou dois Oscars de melhor atriz em duas indicações. Na terceira indicação, pela primeira vez como coadjuvante, enfrenta a concorrência da nova queridinha Anne Hathaway (que tinha 2 anos de idade quando Field ganhava seu segundo Oscar). Mas no papel da esposa do homem que a América adora em Lincoln, Field coloca sua invencibilidade à prova. Ganhando ou perdendo, seu feito no Oscar seguirá notável.

Prós:
- É a mais veterana das indicadas e configura com propriedade o “comeback of the year” tão bem cultivado pela Academia ao longo dos anos
- Está no elenco do filme recordista de indicações do ano
- Existem vários atores no ano com a possibilidade de ganhar uma terceira estatueta. Pode se beneficiar de um “surto” da academia nesse sentido
- A Academia deu um terceiro Oscar para Meryl Streep no ano passado
- Ganhou alguns prêmios da crítica
- Ser querida por muitos membros da academia

Contras:
- Não é a melhor atuação do filme e nem de sua carreira
- Meryl Streep precisou ser indicada 13 vezes para ganhar seu terceiro Oscar e essa ainda é a primeira indicação de Field desde que faturou seu segundo
- Não ganhou nenhum prêmio major
- A ideia de que dois Oscars já são mais do que suficientes para o tamanho de seu talento
-Atrizes jovens ou pouco experimentadas têm triunfado nesta categoria nos últimos anos

Terceira indicação
Indicações anteriores
Atriz por Norma Rae (1980)
Atriz por Um lugar no coração (1985)

Vitórias anteriores
Atriz por Norma Rae (1980)
Atriz por Um lugar no coração (1985)


A favorita

Ela não é a favorita ao prêmio, mas nenhuma das indicadas goza de tanto prestígio quanto Amy Adams, indicada ao Oscar por quase todos os papéis dramáticos que fez entre 2005 e 2012. Na pele da rigorosa e inflexível mulher do líder da emergente seita A Causa em O mestre, Adams dá, uma vez mais, um vaticínio de sua versatilidade e talento. Não deve ganhar o Oscar este ano, mas seguirá como favorita da Academia.

Prós:
- De todas as concorrentes, é a que acumula maior número de indicações tanto ao longo da carreira como no período recente
- Defende uma atuação pontuada por silêncios, mas de muita expressividade. Um contraponto a performances mais espetaculosas presentes na categoria
- A frequência com que vem sendo lembrada na categoria pode ser um ponto de desequilíbrio a seu favor

 Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- Não defende a melhor atuação do filme e pode ser ofuscada aos olhos dos votantes por seus colegas de cena também indicados
- Não é o melhor trabalho pelo qual foi indicada ao prêmio e todo mundo sabe disso

Quarta indicação
Indicações anteriores
Atriz coadjuvante por Retratos de família (2006)
Atriz coadjuvante por Dúvida (2009)
Atriz coadjuvante por O vencedor (2011)


A minimalista

Muita gente questiona, para não citar os que contestam, a indicação de Jacki Weaver. Como a pessoa mais sã na família disfuncional que move O lado bom da vida e com uma atuação praticamente restrita a gestos e olhares, Weaver capitaliza votos solidários a atuações minimalistas que favorecem o fluxo do filme. Já havia sido assim em O reino animal, pelo qual obteve sua primeira indicação há dois anos.

Prós:
- Assim como Adams, defende uma performance em que os silêncios falam
- Sua nomeação, pode-se dizer, foi a mais surpreendente e inesperada da lista. Uma vitória nesses termos seria coerente
- Integra o elenco mais festejado pela academia em 31 anos

Contras:
- Não foi indicada a nenhum prêmio major da temporada e isso pesa contra suas chances
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- É a única estrangeira na categoria

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz coadjuvante por Reino animal (2011)

A queridinha da América

Nenhuma atriz americana hoje ostenta com tamanha naturalidade essa coroa que não se ajustou em nenhuma cabeça desde que Julia Roberts perdeu seu posto. Querida pela crítica e adorada pelo público, Anne Hathaway vez ou outra não encontra elogios, como ocorreu no equivocado Um dia, mas geralmente conta com a boa vontade. Tanto o é que assumiu o favoritismo inconteste na corrida pelo Oscar de coadjuvante praticamente por uma única cena do musical Os miseráveis. Ela já foi princesa, jornalista, vítima do Parkinson e agora se prepara para o papel mais glorioso de sua carreira: o de vencedora do Oscar.

Prós:
- Ganhou todos os prêmios majors da temporada
- Tem uma cena de alta voltagem emocional e na qual ainda canta
- Atrizes costumam ser premiadas por musicais nessa categoria. Todas as que foram indicadas nos últimos dez anos (Jennifer Hudson por Dreamgirls e Catherine Zeta Jones por Chicago) ganharam
- É uma atriz com amparo crítico e ibope popular; uma vantagem que nenhuma de suas concorrentes apresenta
- Atrizes jovens costumam ser premiadas nessa categoria em detrimento de atrizes mais velhas

Contras:
- Já declarou abertamente sua admiração por Sally Field, sua concorrente na categoria e ainda invicta no Oscar
- O filme não é a unanimidade que se esperava
- O fato de Amy Adams, uma presença constante nas últimas edições do Oscar, já merecer um prêmio há algum tempo
- Tem menos tempo de tela do que algumas de suas concorrentes

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz por O casamento de Rachel (2009)

O caminho de volta

Helen Hunt é daquelas atrizes que todo mundo adora. É difícil vê-la ruim em algum papel. O que estivesse faltando, talvez, fossem papéis à altura de seu talento. Como uma terapeuta sexual em As sessões ela volta ao Oscar 15 anos depois de sua única, e vitoriosa, participação. A expectativa é de que a indicação devolva a atriz papéis que lhe desafiem.

Prós:
- É uma atuação em que Hunt precisou driblar o pudor com a cenas de nudez. A academia tende a valorizar esse perfil de atuações entre as mulheres
- Tem mais tempo de tela do que algumas de suas concorrentes
- Não deixa de ser um comeback desse Oscar também
-Conseguiu manter-se entre as indicadas, mesmo com seu parceiro em cena, John Hawkes, excluídos dos indicados a melhor ator
- Sua atuação é elogiada desde o festival de Sundance de 2012. Pode ser uma opção para acadêmicos que não viram todas as performances

Contras:
- Já tem um Oscar e em quinze anos não apresentou muitos trabalhos dignos de prêmios, ao contrário da maioria de suas concorrentes
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
-A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz por Melhor é impossível (1998)

Vitória anterior
Atriz por Melhor é impossível (1998)


domingo, 13 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - #oscarfacts


O cara

Indicado a melhor filme, a melhor diretor, a melhor roteiro e a melhor filme estrangeiro. Não há um vencedor maior do que o franco alemão Michael Haneke. O grande elemento surpresa do Oscar deste ano não foi sua presença entre os indicados, mas o tamanho de sua presença. O último cineasta estrangeiro que concorreu ao Oscar por um filme em língua não inglesa com tamanha força foi justamente Ang Lee (de volta à disputa este ano com um filme americano) em 2001, mas o taiwanês não tinha indicação por roteiro.


Os filmes estrangeiros que caíram no gosto da academia
Por falar em Amor e O tigre e o dragão, são raros os filmes estrangeiros que amealham indicações na categoria principal. Nos últimos 30 anos, apenas A vida é bela e O carteiro e o poeta, ambos italianos, conseguiram vagas nos anos 90. Diretores estrangeiros tiveram melhor sorte com filmes falados em outros idiomas. Além de Haneke este ano, nos últimos 30 anos foram indicados Fernando Meirelles por Cidade de Deus (2005), Pedro Almodóvar por Fale com ela (2003) Ang Lee por O tigre e o dragão (2001), Robert Benigni por A vida é bela (1998), Krzysztof Kieslowski por A fraternidade é vermelha (1995), Akira Kurosawa por Ran (1986) e Ingmar Bergman por Fanny e Alexander (1984).  Há ainda o precedente do diretor americano Clint Eastwood nomeado em 2007 por Cartas de Iwo Jima, falado em japonês. Quentin Tarantino foi indicado em 2010 por Bastardos inglórios que é falado em italiano, inglês, francês e alemão. No entanto, esses dois últimos filmes são americanos.

Intocável
Derrubou o bolão de muita gente. O blog também dava como certa a inclusão do maior sucesso de público da história do cinema francês entre os indicados a melhor filme estrangeiro. O tema, inclusive, é daqueles que clamam Oscar. Há duas perspectivas para entender a exclusão de Intocáveis da lista. A primeira é a saturação do cinema francês em Hollywood. Amor, vale lembrar é coproduzido pela França e falado em francês. O artista, uma coprodução entre EUA e França, foi o grande bicho papão da temporada. Duas atrizes francesas disputavam indicação ao Oscar... É muita França para um prêmio americano. A opção por excluir Intocáveis se daria, então, a contingências de mercado. Outra perspectiva a se seguir é de que Intocáveis é um "feel good movie" do tipo que já se viu antes, inclusive na categoria e como a academia apresenta sinais de maturidade nas escolhas em outras categorias do Oscar, natural que essa tendência se manifestasse aqui também. No entanto, é a primeira vez que um favorito inconteste nessa categoria nem sequer é indicado. Intocáveis, quem diria, entra à história pela porta dos fundos. Pelo menos em termos de Oscar.

A Bernal sí
Gael Garcia Bernal pode ser cult nas bandas de cá do Atlântico, mas com a Academia até que ele é bem popular. Filmes protagonizados pelo ator fora do cinema americano são constantemente lembrados pelo Oscar. Na categoria de filme estrangeiro ou em outras categorias. Além do chileno No, que concorre a melhor fita estrangeira em 2013, Bernal já protagonizou outras fitas lembradas na categoria como Amores brutos (2001) e O crime do padre Amaro (2002). Além disso, filmes como E sua mãe também (2001) e Diários de motocicleta (2004) foram indicados em outras categorias. Há, ainda, Babel (2006) que o ator protagonizou junto a Brad Pitt e Cate Blanchet e que foi indicado a melhor filme do ano.

O favorito: Bernal sempre tem vez junto a Academia...

Rivalidade I
A última vez que Steven Spielberg foi indicado a melhor diretor foi a última vez que Ang Lee foi indicado a melhor diretor. Foi em 2006, quando Spielberg concorria pelo drama de espionagem Munique e Lee pelo melodrama de fundo gay O segredo de Brokeback mountain. Na ocasião, Lee saiu vencedor. Mas Spielberg no histórico é um gigante em termos de Oscar. São seus filmes Lincoln e As aventuras de PI que polarizam a edição deste ano ao menos no número de indicações. As apostas dão conta de que o Oscar ficará entre um deles. Será que Spielberg empata na disputa pessoal com Lee, ou o taiwanês abre vantagem?


Rivalidade II
Quentin Tarantino se encontra pela terceira vez nomeado na categoria de roteiro original e pela segunda vez enfrentará o jornalista e roteirista pela segunda vez Mark Boal. Por enquanto, Boal vai levando vantagem. Em 2010 ele ganhou o Oscar por Guerra ao terror, muitos naquela ocasião criam ser mais justa a vitória de Tarantino por Bastardos inglórios. Em 2013, Tarantino defende o texto de Django livre enquanto Boal comparece com A hora mais escura. Na largada, Boal se encontra melhor posicionado.

Rivalidade III
Lincoln, portentoso drama de Steven Spielberg, é o favorito absoluto ao Oscar, mas uma pequena comédia lhe assombra. Se você desconfia que já viu esse filme antes, é porque já viu mesmo. Em 1999, O resgate do soldado Ryan era a aposta segura para o Oscar de melhor filme, mas Shakespeare apaixonado na hora H roubou votos preciosos do épico sobre a segunda guerra mundial e ficou com as láureas de melhor filme do ano. Em comum O lado bom da vida e Shakespeare apaixonado têm o produtor Harvey Weinstein. Ele já bateu Spielberg em seu melhor momento. Conseguirá fazer novamente?

Preocupação e riso: Spielberg perdeu o Oscar de melhor filme com seu melhor e mais acadêmico trabalho até Lincoln, tanto cá como lá um risonho Harvey Weinstein em seu encalço


A pergunta que não quer calar
Mas fenomenal mesmo será se Weinstein conseguir arrancar uma terceira vitória seguida para um filme independente no Oscar. Depois de fazer um dramalhão britânico superar o “cidadão Kane” do século XXI em 2011 e de fazer um filme mudo e em preto e branco ser a sensação do ano passado, ele conseguirá fazer uma comédia romântica derrubar o presidente americano mais popular de todos os tempos?

Rivalidade IV
A categoria de trilha sonora é de longe a de rivalidade mais acentuada. John Williams, com nada menos que 48 indicações e cinco vitórias, voltou no ano passado, com nomeação dupla (As aventuras de Tintim e Cavalo de guerra) para assombrar alguns nomes que passaram a frequentar assiduamente a categoria como o francês Alexandre Desplat, indicado cinco vezes nos últimos seis anos, o americano Thomas Newman, indicado quatro vezes nos últimos seis anos e o italiano Dario Marianelli, indicado três vezes nos últimos seis anos. Williams, pela história e pelo trabalho que defende (Lincoln) é favorito.


O enigma de Jones
A octogenária Emmanuelle Riva conseguiu um feito raríssimo no Oscar deste ano. Foi a primeira atriz indicada ao Oscar sem ter sido indicada ou ao SAG ou ao Globo de Ouro. Mas há um precedente ainda mais acachapante. Trata-se de Tommy Lee Jones, que também está na corrida. Ele não foi indicado ao SAG, nem ao Globo de Ouro, nem ao Critic´s Choice, nem ao Bafta e conseguiu uma nomeação ao Oscar por No vale das sombras em 2008.O contrário teve vez, pela primeira vez, em 2013. Trata-se de John Hawkes. O ator foi indicado ao Globo de Ouro, ao critic´s Choice e ao SAG, mas não chegou ao Oscar. É a primeira vez que um ator presente nessas três listas não chega ao Oscar. No lado feminino, o mesmo aconteceu com a já oscarizada Marion Cotillard que, apesar de presente nas listas do Critic´s, do SAG e do Globo de Ouro, não chegou ao Oscar.

Quem não tem medo de Amy Adams?
Em oito anos são quatro indicações na categoria de atriz coadjuvante. Amy Adams é, literalmente, a rainha do galinheiro. Com todo o respeito. Nenhuma atriz foi tão reconhecida pela Academia em papéis coadjuvantes em tão curto espaço de tempo. A média é de indicação a cada dois anos. Indicada pelo trabalho em O mestre, Adams já concorreu por Retratos de família, Dúvida e O vencedor.

Todo poderoso Hoffman
Se Amy Adams é um prodígio, o que dizer de Philip Seymour Hoffman? Em O mestre é a terceira vez em que trabalham juntos. A primeira foi em Jogos do poder (2007), pelo qual Hoffman também foi indicado ao Oscar de coadjuvante. No ano seguinte, dividiram a cena em Dúvida, pelo qual o ator também recebeu indicação ao Oscar de coadjuvante.
Pelo visto, Amy Adams e Philip Seymour Hoffman juntos em um filme dá caldo. E Oscar!

Hoffman e Adams em cena do excelente Dúvida: unidos pelo Oscar...


Todo poderoso Hoffman II
Por O mestre, Hoffman (O De Niro e Nicholson de sua geração junto e misturado) recebeu sua quarta indicação ao Oscar. Ator maiúsculo, ele ainda foi negligenciado pela academia por excelentes trabalhos em Tudo pelo poder (2011), Sinédoque Nova Iorque (2008), A família Savage (2007), Antes que o Diabo saiba que você está morto (2007), Dragão vermelho (2002), entre outros grandes trabalhos. A favor da Academia, o fato de que não ia pegar bem indicá-lo todo ano...


Mais um Coppola
A dinastia Coppola segue rendendo frutos no Oscar. Depois do poderoso chefão Francis, do sobrinho Nicolas e de Sofia, a filha prodigiosa, é a vez de Roman – outro herdeiro de Francis – chegar ao Oscar. Ele está indicado junto com Wes Anderson pelo roteiro de Moonrise kingdom.

Nunca antes na história desse prêmio...
É a primeira vez nos 85 anos do Oscar que concorrem a estatueta de melhor ator coadjuvante apenas vencedores do Oscar. Philip Seymour Hoffman, Tommy Lee Jones, Christoph Waltz, e Alan Arkin já tem um Oscar cada um e Robert De Niro, dois. Agora é ver quando será a primeira vez que uma categoria de atuação reunirá apenas atores com dois Oscars; uma façanha certamente mais difícil de acontecer.

Galãs no Oscar
A categoria de melhor ator se habituou a ter, ao menos, um galã por ano. E tem sido assim desde meados dos anos 90 quando Tom Cruise concorreu a estatueta de melhor ator por Jerry Maguire-a grande virada em 1997. De lá para cá, Matt Damon, Russell Crowe, Jude Law, Nicolas Cage, Heath Ledger, Leonardo DiCaprio, Johnny Depp, Brad Pitt, Ryan Gosling, George Clooney e Brad Pitt marcaram presença. Em 2013, o time dos galãs é representado por Hugh Jackman e Bradley Cooper. Não que os outros concorrentes (Joaquin Phoenix, Daniel Day Lewis e Denzel Washington) não fustiguem suspiros.

Certos trabalhos...
O italiano Dario Marianelli obteve em 2013 sua terceira indicação ao Oscar de trilha sonora pelo trabalho em Anna Karenina. O interessante é que todas as indicações são por composições para filmes dirigidos por Joe Wright. Algo semelhante ocorre com o fotógrafo polonês Janusz Kaminski que costuma ser reconhecido pela Academia quando trabalha com o cineasta Steven Spielberg. Kaminski, no entanto, ostenta uma exceção: foi nomeado ao Oscar por O escafandro e a borboleta de Julian Schnabel.

Marianelli: ele já tem um Oscar e se ganhar outro, o primeiro nome que agradecerá será o de Joe Wright


Dez é o número da sorte
Ele já é um dos maiores perdedores do Oscar. Na categoria de fotografia, ninguém o supera em número de indicações sem vitórias. Roger Deakins conquistou em 2013 nada mais nada menos do que sua décima indicação ao Oscar pelo trabalho em 007- Operação skyfall. Alguns dizem que este é o seu ano. Será?

Monstros da música no Oscar
Bruce Springsteen, Bob Dylan, U2, Dido, Eminem, Celine Dion, Paul McCartney e Adele. Em comum, todos eles têm indicações ao Oscar. O status pop ajuda consideravelmente na vitória. Mas a regra nem sempre se aplicou. Resta saber se Adele se juntará ao time vencedor de Eminem e Bob Dylan ou ao derrotado de U2 e Dido. 

sábado, 24 de novembro de 2012

Crítica - Curvas da vida


O último romântico!

São muito claras as razões que fizeram Clint Eastwood aceitar protagonizar Curvas da vida (Troube with the curve, EUA 2012). Gus Lobel, seu personagem, enfileira-se naquele tipo que Clint parece ter se especializado em construir no último e glorioso ato de sua carreira como ator e o filme propriamente dito, em seus conflitos e dramaturgia, salpica familiaridade. Curvas da vida, em análise mais criteriosa, é um filme de Clint Eastwood sem a direção de Clint Eastwood. Essa constatação deriva tanto da presença dos habituais colaboradores de Eastwood, como o diretor de fotografia Tom Stern e mesmo do diretor Robert Lorenz, há mais de dez anos produtor e assistente de direção de Eastwood, passando pela geografia dos conflitos dos personagens. No entanto, falta a Lorenz a sobriedade irmanada na sensibilidade que tanto faz pelo cinema de Eastwood.
Mesmo assim, Curvas da vida se subscreve como um bom filme. Em muito pela forte presença de Clint Eastwood, que demonstra perícia na hora de fazer humor (e são muitos esses momentos) e o mesmo desembaraço nas cenas que exigem mais rigor dramático. É um ator salutar, ainda visceral, que encontra em Amy Adams, conciliando o paradoxo de ser uma mulher forte e independente em um ambiente majoritariamente masculino (o escritório de advogados em que trabalha e os bastidores do baseball) e ainda uma mulher que devido a espinhosa relação com o pai sente-se abandonada, uma parceira de cena que não deixa a peteca cair.  
Química: Eastwood e Adams garantem o homerun de
Curvas da vida
Na trama, Gus é um olheiro do time Atlanta Braves. Sofrendo de um princípio de cegueira, ele resiste à aposentadoria e grunhe (no melhor estilo Eastwood) a quem quer que lhe contrarie. Com o contrato prestes a vencer, ele é enviado para observar um talento que emerge da liga universitária e que está sendo cobiçado pelos principais times da liga profissional de baseball. A pedido de Pete (John Goodman), Mickey (Amy Adams) acompanha o pai, a revelia deste, nessa viagem que ganha, portanto, outros atrativos.
Curvas da vida tem um roteiro esquemático, mas estranhamente dá conta de algumas sutilezas que arejam o filme, como por exemplo, o fato de pai e filha apresentarem temperamentos tão parecidos. Ou ainda, de prover uma visão romântica do esporte – um paralelo saboroso ao proposto por O homem que mudou um jogo (em seus detalhes um filme melhor), mas deixar transparecer a fascinação que as estatísticas esportivas provocam nos americanos.
O final mais cinematográfico do que realista, o que pode incomodar alguns pelo atropelo com que emerge, não nos deixa esquecer que estamos vendo um filme romântico. Feito sob influência de um homem que sabe que esse romantismo talvez só tenha lugar nos filmes. A parte da platéia que comungar com ele dessa percepção, verá  que Curvas da vida, no final das contas, rebate bem a tal da bola curva.  

sábado, 12 de fevereiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - A peleja das atrizes coadjuvantes


Da esquerda para a direita: Helena Bonhan Carter (O discurso do rei), Amy Adams (O vencedor), Melissa Leo (O vencedor), Heilee Steinfield (Bravura indômita) e Jacki Weaver (Reino animal)


A Matriarca


Melissa Leo, aos 50 anos, está vivendo o auge de sua carreira. Em O vencedor ela encarna uma figura materna controversa, mas que encontra ressonância do lado de cá das telas. Atriz despudorada e de traços fortes, Leo é o tipo de intérprete que desaparece em um papel. Seja ele qual for.


Prós:
+ Ganhou os principais prêmios da temporada (Globo de ouro, SAG e Critic´s choie awards)
+ Faz parte do elenco mais festejado e premiado da temporada
+ No último ano a premiada na categoria também fazia uma mãe relapsa (Mo´Nique por seu desempenho em Preciosa)
+ Faz campanha assídua junto aos votantes


Contras:
- No último ano a premiada na categoria também fazia uma mãe relapsa (Mo´Nique por seu desempenho em Preciosa)
- Pegou mal na indústria o fato da própria atriz ter pagado para veicular anúncios pedindo votos para ela em importantes publicações como Hollywood Reporter e Variety
- A concorrência com a colega de elenco Amy Adams pode roubar-lhe alguns votos cruciais para a vitória
- Não é a melhor atuação entre as selecionadas e, como já foi bastante premiada na temporada, esse fato pode começar a pesar



Segunda indicação
Indicação anterior: melhor atriz por Rio congelado (2009)



A outra matriarca

Não fosse pela lembrança do Globo de ouro e essa australiana de forte ligação com o teatro não estaria na lista das indicadas ao Oscar. Jacki Weaver, 63 anos, já fez cinema e TV. Sempre sem chamar muita atenção. Em Reino animal ela se reinventa. Como a matriarca de um clã de bandidos, ela explode na tela. Em todos os sentidos.


Prós:
+ Uma atuação que se impôs por talento e merecimento. Sem a força das campanhas, amizades e interesses. Pode ir mais longe


Contras:
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- É a menos famosa entre as indicadas
- Poucas pessoas viram seu filme e muitas darão preferência a outras produções oscarizáveis
- É uma categoria em que predomina um perfil jovem de premiada


Primeira indicação


Sem encantamento


Quase ninguém percebe, mas um dos diamantes do cinema americano é italiano de nascença. Amy Adams, que aos 36 anos alcança sua terceira indicação ao Oscar, construiu uma carreira sólida alternando projetos comerciais como Encantada e Uma noite no museu 2 e filme mais ambiciosos como Dúvida e este O vencedor, pelo qual concorre ao Oscar em 2011. Aqui ela aparece sem vaidades, um pouco enfeada, mas ainda assim dona de uma graciosidade que faz reverberar em todas as suas personagens.


Prós:
+ Por ser sua terceira indicação em seis anos, há quem possa achar justo premiá-la
+ Está melhor no filme do que sua colega de elenco Melissa Leo
+ Pode se beneficiar da overdose de Melissa Leo nas premiações que antecedem o Oscar
+É uma figura querida na academia e é sempre muito simpática. Tem fãs de diversas orientações dentro do colegiado. Desde o dramaturgo John Patrick Shanley (que a dirigiu em Dúvida) até o diretor Walter Salles (que está gravando com ela o filme On the road).


Contras:
- Largou atrás na concorrência com Melissa Leo
- Existe a percepção de que ela ainda irá apresentar seu grande desempenho da carreira e pode ser premiada na categoria de atriz (está vinculada há pelo menos dois anos a um projeto sobre a vida de Janis Joplin)
- Ganhou apenas um prêmio da crítica na temporada. Entre as concorrentes é que menos troféus conquistou


Terceira indicação
Indicações anteriores: melhor atriz coadjuvante por Retratos de família (2006) e melhor atriz coadjuvante por Dúvida (2008)



A sra. Burton

Helena Bonhan Carter mantém a tradição de termos, ao menos, uma britânica concorrendo nesta categoria. Aos 44 anos, a atriz conquista sua segunda indicação ao Oscar. Esposa do excêntrico Tim Burton, Carter se aproximou do marido também na arte. Musa de seu marido nas telas, chega ao Oscar como majestade. Se dependesse do séquito de fãs (dela e do marido) o Oscar já seria dela.


Prós:
+ Está em um dos filmes favoritos da temporada
+ Pode se beneficiar do apoio da classe dos atores ao filme
+ Inglesas têm o histórico de triunfarem nessa categoria e a última a vencer foi Tilda Swinton em 2008


Contras:
- Assim como Amy Adams só ganhou um prêmio em toda a temporada.
- Como Colin Firth e Geoffrey Rush brilham mais no elenco, suas chances de premiação diminuem
- A última inglesa a triunfar na categoria foi Tilda Swinton em 2008
- Nos últimos dez anos nenhuma vencedora nesta categoria estava em um filme de época
- Ela e o marido são muito reclusos e isso pode afastar alguns votos


Segunda indicação
Indicação anterior: melhor atriz por Asas do amor (1999)



A prodigiosa


Ela tinha apenas 12 anos quando começou a rodar o filme que pode mudar sua vida. Hoje, com a nomeação para o Oscar, e o peso de ter ganhado o maior número de prêmios entre as concorrentes por seu papel em Bravura indômita, Hailee Steinfield ainda não sabe como o futuro será. Com 14 anos e sem projetos para o cinema, a atriz que impressionou com sua estréia fará um bem para os cinéfilos se optar pela carreira artística.


Prós:
+ Ganhou a maioria dos prêmios da crítica
+ A academia adora reconhecer trabalhos de estréia. Geralmente esse reconhecimento se dá nessa categoria
+ Crianças já foram premiadas nessa categoria antes
+ Seria uma forma de reconhecer o filme dos irmãos Coen no caso de uma premiação pulverizada
+ Ela tem mais tempo em tela do que todas as suas concorrentes


Contras:
- O fato de Melissa Leo ter a prioridade por ser uma atriz veterana
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- Não ter ganhado nenhum prêmio major, o reconhecimento a atuação de Hailee veio todo da crítica americana


Primeira indicação