Nesta edição de Em off, as expectativas a respeito do novo
filme de Ang Lee; o retorno de Clint Eastwood à atuação; um Ryan Gosling menos
bonito; o crepúsculo de Crepúsculo nas bilheterias e as vacas gordas das
celebridades internacionais no Brasil.
A volta de Clint
Estreia nessa sexta-feira nos cinemas brasileiros Curvas da
vida. Inegavelmente, a grande atração do filme é a presença de Clint Eastwood
como protagonista. Mais: é a primeira aparição de Clint como ator em um filme
que não dirige desde o lançamento de Na linha de fogo (1993). Clint, vale
lembrar, havia anunciado sua aposentadoria como ator em 2008, depois do
lançamento do excepcional Gran torino. Seu retorno é uma demonstração do
prestígio de Robert Lorenz, há mais de dez anos produtor e diretor assistente
de Clint, que o convidou para estrelar seu debute na direção. No filme, Clint
vive Gus Lobel, um olheiro de baseball que precisa enfrentar o começo da perda
da visão e o amadurecimento do uso da tecnologia no jogo que marcou sua vida e
carreira. Tudo temperado por drama familiar e o indefectível jeitão durão dos
últimos personagens de Clint. Um retorno com gosto de quem nunca de fato
partiu.
Making your day: Clint está de volta e ele é sempre um deleite para a audiência...
As duas faces de um jogo
2012 apresentou nas telas brasileiras dois filmes que
mostram teorias opostas a respeito de como as coisas devem ser conduzidas no
baseball, em particular, e no esporte, de maneira geral. No início do ano, O
homem que mudou o jogo, que concorreu ao Oscar, mostrava a história real, do
homem que apostou em um revolucionário método estatístico para montar um time
competitivo. Foi Billy Beane (no filme, Brad Pitt) quem abriu as portas para o
uso cada vez mais frequente da tecnologia nos bastidores do jogo. Já Curvas da
vida, faz a defesa da vertente mais romântica; da que tecnologia nenhuma
substitui a força da intuição e instinto humanos. É um belo combate que, a
despeito da posição que adote o espectador, o lucro é inteiramente deste
último.
O enigma de Pi
O trailer é um deleite para os olhos. A adaptação
cinematográfica do livro "A vida de Pi", de Yann Martel, ganhou na direção de Ang
Lee um sopro de inventividade para elaborar cinematograficamente um filme sobre
uma jornada espiritual e de descoberta. Na trama, o indiano Pi se vê num bote
em alto mar depois de um naufrágio. Como companheiros, uma zebra, uma hiena, um
orangotango e um tigre de bengala. Tobey Maguire seria o único ator famoso no
elenco do filme, mas Lee cortou suas cenas da versão final por achar que sua
participação contrariava a tendência de não ter rostos conhecidos em cena. James Cameron
endossou o uso do 3D no filme e chegou a falar que Ang Lee foi o único cineasta
que captou o que ele, Cameron, sente do 3D. Mas Cameron já disse isso outras
vezes em relação a outros cineastas. A crítica americana, no entanto, já morre
de amores pelo filme e dá como certa sua presença no próximo Oscar. O adjetivo
mais usado tem sido “obra prima” para se referir à As aventuras de Pi,
chatolóide título nacional recebido pelo filme. O filme estreia no Brasil no
natal e poderemos aferir se há verdade em toda essa badalação ou se o
departamento de marketing da Fox, que investe todas as suas fichas para a
temporada de premiações no filme, está merecendo um belo de Pi de aumento.

3D bem usado: Em certo nível, As aventuras de Pi pode ser o Hugo Cabret deste ano...
As entrelinhas das bilheterias
Os números do box office americano neste último final de
semana permitem algumas ilações. A despeito da consagradora bilheteria de
estreia de Amanhecer-parte 2, que arrecadou U$ 141,3 milhões de sexta a
domingo, o número decepciona a Summit – estúdio do filme. Isso porque não foi
quebrado nem mesmo o recorde estabelecido por Lua Nova na própria franquia (U$
142,8 milhões). A expectativa era de quebra de recordes, como todos os
desfechos de franquias poderosas têm feito nos últimos anos. De Harry Potter a
Batman, passando por O senhor dos anéis e Piratas do Caribe. Em contrapartida,
007- operação Skyfall registrou queda de 50% de público em seu segundo fim de
semana. Ainda assim, arrecadou impressionáveis U$ 41,6 milhões. Nada mal para
uma segunda posição. O filme, não obstante, caminha para ser o longa de 007
mais rentável na história do box office americano. Marca que deve ser alcançada
nesta semana. Na terceira posição veio o novo filme de Oscar de Steven
Spielberg, Lincoln. O filme já estava em cartaz há duas semanas em salas selecionadas,
mas teve sua expansão comercial neste fim de semana e registrou faturamento de
U$ 21 milhões. Nada mal para um drama radicalmente diverso das principais opões
de entretenimento nas salas de cinema.
A sexta posição de Argo, com quase U$ 5 milhões de renda no
fim de semana, é um caso à parte. A fita já está em cartaz nas salas americanas
há mais de dois meses e mantém uma das melhores médias de público. O que quer
dizer que as salas que exibem Argo diminuem de semana para semana, mas não o
interesse do público na fita. Outra provável concorrente ao Oscar.
Só Deus perdoa
A expectativa é grande desde que o projeto foi anunciado (e
Drive não tinha nem estreado em terras verde e amarelas). O novo filme do
diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn em parceria com Ryan Gosling, Only God
forgives (que título climático e poderoso, convenhamos) teve seu primeiro
cartaz divulgado. E, dessa vez, nada de jaqueta estilosa. A face bem machucada
de Ryan Gosling deixa transparecer o teor violento do novo filme e consegue
fazer saltitar ainda mais o nível de ansiedade pela produção; que tinha lançamento marcado para o fim deste ano mas foi adiado para meados de 2013.
Ah, a trama? Gosling vive um britânico com trânsito no
submundo tailandês que gerencia um clube de boxe tailandês que serve de fachada
para o tráfico de entorpecentes. Ele é instigado pela mãe (papel de Kristin
Scott Thomas) a investigar o assassinato do irmão. E aí, meu irmão, só Deus!
Celebridades importadas
James Franco esteve outro dia no Brasil para um evento da
Gucci, marca com a qual mantém contrato publicitário. A vinda de Franco é
apenas mais um sintoma do bom momento vivido pela economia brasileira. A nova
loja da Gucci em São Paulo
faz parte desse sintoma. Mas há mais por trás disso. Matthew McConaughey,
Megan Fox, Pamela Anderson, Sarah Jessica Perker, Zac Efron, Paul Walker... a
lista é grande. Em comum, todos esses atores têm recentes trabalhos para
marcas brasileiras. O Brasil nunca foi buscar tanto rostos lá fora para estrelar
campanhas publicitárias. Essa realidade deriva principalmente de dois fatores.
O primeiro é, como já dito, o bom momento econômico vivido pelo país. Isso em
comparação com o cenário pós-crise vislumbrado na Europa e EUA. O segundo é o
alto cachê cobrado por celebridades nacionais, sem noção de que o apelo de uma
celebridade internacional sempre devolverá aos tupiniquins seu “valor regional”.

Alguns dos looks de Matthew McConaughey para a campanha publicitária de uma marca brasileira...