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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Crítica da 70ª edição do Globo de Ouro




No futuro, talvez, essa septuagésima edição do Globo de Ouro, prêmio anualmente concedido pela Hollywood Foreign Press Association (HFPA) seja apontada como a edição em que a HFPA abandonou de vez e oficialmente o rótulo de parâmetro do Oscar. Essa condição há muito já não se verifica, mas jamais havia sido ensejada de forma tão clara pela própria organização. A começar pelas improbabilidades. Argo, contra prognósticos fortuitos e forjados na esteira do anúncio dos indicados ao Oscar, confirmou o favoritismo que experimentava junto a Lincoln e ganhou os prêmios de melhor filme em drama e de melhor direção para Ben Affleck. Lincoln, por sua vez, foi o grande derrotado da noite. Só converteu em troféu uma de suas sete indicações (Argo tinha cinco) e a vitória em melhor ator drama é mais de Daniel Day Lewis (que caminha para mais uma gloriosa e ostensiva temporada de prêmios) do que do filme dirigido por Spielberg.
A pulverização dos prêmios, Os miseráveis ficou na liderança com três prêmios seguido pelo já citado Argo e Django livre com dois cada, entrega mais do que um ano equilibrado a ausência de um trabalho capaz de mesmerizar os eleitores como O artista no ano passado.
A opção por Argo e Os miseráveis (a HFPA tem uma queda acentuada por musicais, sejam eles bons ou ruins) e a presença diminuída desses filmes no Oscar são mais um sinal de que a antecipação do calendário proposta pela Academia neste ano foi algo positivo para a corrida pelo Oscar. A vitória de Argo, em particular, aliado ao triunfo no Critic´s Choice Awards há alguns dias atrás, pode impulsionar a candidatura do filme no Oscar. Uma vitória, porém, segue improvável. Em 85 anos de história, apenas Conduzindo miss Daisy em 1990 venceu o Oscar de melhor filme sem ter seu diretor nomeado. Zebras são possíveis, mas raras nessa configuração. Argo, apesar de ser ótimo filme, não é o filme que parece sobrescrito para protagonizar uma façanha como a de Conduzindo miss Daisy. Tampouco a vitória do longa de Affleck nos globos tem algum caráter político. A engenhosidade da trama fisgou o eleitorado da HFPA e é pontual que a escolha de Affleck como melhor diretor se dê na mesma semana em que ele se vê excluído da disputa no Oscar.
No campo das atuações, é possível apontar a vitória de Christoph Waltz como melhor coadjuvante por Django livre como uma surpresa. O próprio não esperava. Vitorioso há três anos por Bastardos inglórios, ele não deve repetir o feito no Oscar. Fora da lista do Sindicato dos atores (SAG) ele deve ver o favoritismo no Oscar cair no colo do vitorioso no sindicato. Mas a briga pelo troféu de coadjuvante no Oscar, em que só há vencedores prévios, tem tudo para pegar fogo.
A vitória de Tarantino tampouco deve reverberar no Oscar. Mas ele tem mais chances de reprisar o triunfo do Globo de ouro do que seu companheiro Waltz.
As demais vitórias já eram esperadas. Adele em canção, Jennifer Lawrence em atriz por comédia ou musical, Jessica Chastain em atriz dramática, As aventuras de Pi em trilha sonora e Amor em filme estrangeiro. Talvez a vitória de Valente tenha sido uma surpresa, já que o filme é tido como mais fraco da história da Pixar. Mas é Pixar. Hugh Jackman derrotou Bradley Cooper como melhor ator em comédia e musical e frustrou os planos de Cooper de ganhar algum prêmio relevante na temporada. Já que de agora em diante ambos devem aplaudir as vitórias de Daniel Day Lewis.
No mais, o Globo de Ouro sofreu com a ausência de Ricky Gervais, o anfitrião das últimas duas edições. Tina Fey e Amy Poehler se saíram bem, mas não se comparam a acidez e entretenimento proporcionados pelo comediante inglês.
Jodie Foster fez um discurso de tons agressivos contra a cultura de celebridades e confundiu interlocutores quando parecia que ia se assumir lésbica em público pela primeira vez. Em outro momento, pareceu anunciar sua aposentadoria. Não foi dos melhores discursos de um homenageado no Globo de Ouro, ainda que alguns olhos tenham marejado.
Resta saber o caminho consciente que a HFPA tomará daqui para frente nessa digressão que faz dos Oscars. Essa independência é boa para a organização, para o Oscar, mas principalmente, para a temporada de premiações.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Cenas de cinema especial: Globo de ouro 2013


We miss you Rick

Não que a performance de Amy Poehler e Tina Fey tenha sido decepcionante. Elas são ótimas e garantiram o entretenimento. Mas também deixaram claro que Rick Gervais é mesmo insuperável em matéria de host na atualidade...

WTF moments
O que mais marcou a 70ª cerimônia do Globo de Ouro foi a saraivada de gafes na cerimônia. Do apagão no teleprompter que deixou Paul Rudd e Salma Hayek em maus lencóis ao nervosismo de Anne Hathaway que quase não deixou os produtores de Os miseráveis agradecerem o prêmio que tinham acabado de ganhar, passando pelo ex-espião da CIA Tony Mendez que, também nervoso, mostrou dificuldades de apresentar o indicado a melhor filme Argo, baseado em sua incrível façanha e pelo discurso de Jodie Foster que deixou todo mundo com a pulga atrás da orelha.

WTF moments II

Por falar nesse discurso, a homenageada com o prêmio Cecil B. DeMille por um momento parecia que ia anunciar sua homossexualidade, especulada pela imprensa há anos. Em outro, parecia anunciar sua aposentadoria da atuação. No fundo, era apenas uma crítica a cultura de celebridades e a forma como as mulheres são tratadas no mundinho de Hollywood. Foster, que estava nitidamente “alegre”, teve que explicar seu discurso no backstage. Mas conseguiu arrancar lágrimas de quem estava também “alegre” antes disso.

... e já que o clima é de confidências
Kevin Costner, que ganhou o prêmio de melhor ator em minissérie ou filme para a TV pela produção do History Channel Hartfield & McCoys, resolveu abrir o coração. Lembrou-se da primeira vez que compareceu à cerimônia do Globo de ouro, fez um rápido flashback da carreira (que pode se reabilitar depois desse prêmio) e em tom nostálgico agradeceu a todos pela carreira, pelo momento e pelo cinema.

Argo fucked?
É por essas e outras que o Oscar é Oscar! Ben Affleck não soube conter a cara de surpresa e choque quando viu seu nome anunciado como o melhor diretor do ano no Globo de Ouro. A vitória, que ganhou contornos de improvável depois de sua ausência na lista do Oscar, mostra a ruptura cada vez mais flagrante entre Oscar e Globo de Ouro. Com o Oscar reconhecendo cada vez mais um cinema artístico e a HFPA o cinema de indústria. No final das contas, a temporada não está sendo tão ruim assim para Affleck. Ele já ganhou mais do que outros diretores, como, por exemplo, Kathryn Bigelow e Tom Hooper, igualmente esnobados pelo Oscar.

Ben Affleck vibra: não tão mal assim na fita...


Não quer dizer nada
Agora, a vitória de Argo em linhas gerais não significa nada em termos de Oscar. A consagração do filme, porém, pode lhe impulsionar na disputa de melhor filme do ano. Mas a vitória, sem a nomeação de diretor, segue altamente improvável.

Surpreso de verdade
Bateram tanto em Django livre nos últimos dias, que ninguém da equipe do filme julgava possível conquistar prêmios na noite de domingo. Christoph Waltz, que ganhou o prêmio de ator coadjuvante, não soube disfarçar a surpresa com a vitória. Waltz, emocionado e sem discurso preparado, engrandeceu Tarantino.

Surpreso de verdade II
Premiado pelo roteiro de Django livre, Tarantino também demonstrou surpresa. “Realmente não esperava isso”. Ele aproveitou o holofote para defender seu método de criação e, no seu tradicional estilo espalhafatoso, louvou sua concorrência na categoria. 

A Harvey com amor
Pode não ter sido a vitória que ele se habituou a ter no Globo de Ouro, mesmo assim, os filmes distribuídos por Harvey Weinstein fizeram bonito na cerimônia realizada no Bevely Hilton Hotel. Django livre e O lado bom da vida conquistaram estatuetas e coube a Jennifer Lawrence massagear o ego do titã do marketing: “Obrigado Harvey por matar quem você teve que matar para me colocar aqui em cima”. Novos tempos!

Os perdedores e Tommy Lee Jones
Há sempre um fetiche das transmissões de premiações pelo flagra no rosto dos perdedores no momento em que o vencedor é anunciado. É quase tão orgânico que vez ou outra se perde a reação de alguns vencedores. No Globo de Ouro 2013, a TV flagrou o descontentamento de Bradley Cooper, que talvez achasse que fosse ganhar em virtude do bom momento de seu filme na temporada de premiações, e Taylor Swift que deveria saber que não tinha vez contra Adele.
No entanto, o melhor “flagra” da noite foi quando a câmera encontrou a face imutável de Tommy Lee Jones enquanto Will Ferrell e Kristin Wiig faziam uma piada com sua parceira de cena em Um divã para dois, Meryl Streep. O rosto de Jones estava tão assustador que o câmera, com medo, foi flagrar outra coisa...



Streep, sempre Streep
Indicada, Meryl Streep não pôde comparecer à cerimônia por causa de uma gripe. Isso não quer dizer que não tenha sido uma referência vivaz e contínua no evento. Desde brincadeiras no monólogo inicial à piada de leve da vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz em comédia Jennifer Lawrence: “Eu venci Meryl Streep”.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Oscar Watch 2013 - Crítica das indicações à 70ª edição dos prêmios Globo de Ouro


Como de hábito, a lista apresentada pela Hollywood Foreign Press Association (HFPA) passa longe da unanimidade. Mas em 2012, a opção por nomes e filmes mais sólidos deram o tom. É isso o que ajuda a explicar o favoritismo de Lincoln, cinebiografia do presidente americano mais popular da história feita por um dos diretores mais populares da história, Steven Spielberg, e a exclusão da categoria de O mestre, saudado por muitos como um dos filmes mais importantes e complexos da temporada. Mesmo assim, O mestre valeu a seus três principais atores indicações ao prêmio.
A hora mais escura, filme seguinte a Guerra terror de Kathryn Bigelow, conquistou quatro indicações e se alinhou a Argo, de Ben Affleck, e Django livre, de Quentin Tarantino, ambos com cinco nomeações, como as grandes forças na categoria dramática a assombrar o favoritismo de Lincoln.
Do lado das comédias, O lado bom da vida, novo longa de David. O Russell, é o filme a ser batido. Os miseráveis não parece apto à concorrência de um dos filmes mais prestigiados da temporada, mas o gosto da HFPA por musicais pode desequilibrar essa disputa. Os outros três filmes listados na categoria, Moonrise kingdom, O exótico hotel Marigold e Amor impossível, fazem apenas figuração.
Entre os diretores, Steven Spielberg goza de certo favoritismo. Mas Affleck e Tarantino podem ser surpresas. Ang Lee por As aventuras de PI, que também está indicado entre os filmes dramáticos, seria uma opção surpreendente dentro do desenho que se ergue na atual temporada.

Cena de Django livre, novo longa de Tarantino: o filme caiu nas graças da HFPA e pode decolar na temporada ou ficar pelo Globo de Ouro mesmo


Na categoria de roteiro pode se cristalizar a força de Lincoln na temporada. O Globo de Ouro dificilmente alinha o prêmio de roteiro ao de filme dramático, salvo quando há muito entusiasmo com a produção em questão, caso de A rede social em 2011 e O segredo de Brokeback Mountain em 2006. Ano passado, por exemplo, Meia noite em Paris triunfou nessa categoria e na de melhor comédia. Apenas O lado bom da vida pode fazer o mesmo esse ano no segmento das comédias. Já em drama, tudo indica que Lincoln deve prevalecer em filme, direção e roteiro. A fita poderia faturar ainda os prêmios de ator e ator coadjuvante, se tornando um dos maiores vencedores do Globo de Ouro em todos os tempos com cinco prêmios. Apesar do prestígio de Daniel Day Lewis, sua vitória, no entanto, não é uma certeza. Joaquin Phoenix, muito elogiado por O mestre, pode ser uma boa aposta. John Hawkes (As sessões), Richard Gere (A negociação) e Denzel Washington (O voo) têm menos chances, ainda que Washington, que já não ganha um Globo de Ouro há muito tempo, apresente prestígio tão consolidado quanto Day Lewis.
Entre as atrizes dramáticas Jessica Chastain parece um passo a frente por seu desempenho em A hora mais escura. Sua vantagem se agiganta mais em seu background recente no cinema. Contudo, Marion Cotillard (Ferrugem e osso) e Naomi Watts (O impossível) podem ser alternativas a uma premiação até certo ponto previsível.
No âmbito das comédias e musicais, Jack Black por Bernie pode ser o elemento surpresa na briga entre Hugh Jackman (Os miseráveis) e Bradley Cooper (O lado bom da vida). Mas o último é a aposta mais segura. Assim como sua parceira de cena, Jennifer Lawrence, parece certeza entre as atrizes de comédia.
Na briga dos coadjuvantes, a alta estima conquistada por Django livre junto aos votantes e a preferência sempre indisfarçada da HFPA por Leonardo DiCaprio pode dar ao ator mais uma vitória no Globo de Ouro. A última foi por O aviador. Mas Tommy Lee Jones por Lincoln é um nome a se respeitar, ainda mais com a força que o filme vem demonstrando na temporada. Anne Hathaway (Os miseráveis) vem convivendo com a expectativa desse ser o seu ano e no Globo de Ouro a certeza disso deve começar a se construir. Mas figuras igualmente queridas como Amy Adams (O mestre) e Sally Field (Lincoln) podem ser potenciais estraga prazeres.

Naomi Watts é um nome emergente na temporada por sua atuação em O impossível e pode ser uma opção a Jessica Chastain

Amour deve prevalecer entre as produções estrangeiras e Detona Ralph e A origem dos guardiões dividem o favoritismo entre as animações.
No lado da TV, as novatas da HBO Girls e The newsroom devem prevalecer, mas as surpresas não devem dar o tom nas categorias de atuação. A HBO, com Game change, também deve ser a grande vencedora entre as minisséries e filmes feitos para a tv.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Oscar Watch 2013 - Cenas de cinema (indicações para o Globo de Ouro 2013)



O plano geral
Lincoln, com sete indicações, confirma no Globo de Ouro o favoritismo que já havia deixado transparecer no curso da vigente temporada de premiações. Django livre e Argo, com cinco nomeações cada, compõem o triunvirato de preferências dramáticas da HFPA para 2012. O entusiasmo com o novo longa de Tarantino talvez seja circunstancial e não chegue ao Oscar. De maneira geral, a associação de jornalistas estrangeiros apostou na corrente dos filmes que já geravam algum burburinho e evitou a ousadia. Essa opção pôde se verificar inclusive no segmento de TV, onde  geralmente há mais experimentação por parte da HFPA. Há poucas novidades e a maioria, vejam só, já testadas pelo Emmy, caso de Girls. A grande surpresa ficou pela esnobada completamente injustificada em Mad men em seu quinto e melhor ano.

A cota do 3D
Nos últimos quatro anos, o 3D brilhou entre os premiados no Globo de ouro. Ok, apenas Avatar faturou o prêmio de melhor filme, mas desde então apenas David Fincher (A rede social) ganhou o troféu de direção por um filme não rodado em 3D. Ano passado, Martin Scorsese ganhou seu terceiro Globo de ouro por A invenção de Hugo Cabret, rodado em 3D. Neste ano, Ang Lee por As aventuras de Pi, carrega a tocha do 3D entre os diretores indicados. Mais do que a academia, que ainda não outorgou seu Oscar a nenhum diretor por um trabalho em 3D, a HFPA parece entusiasmada com essa ideia de grandes diretores a frente do 3D.

Uma categoria em crise
Já não é de hoje que a categoria de melhor filme em comédia e musical suscita apreensão. É nela que surgem as famigeradas bombas de constrangimento que a HFPA lança vez ou outra. Se não houve nenhuma bomba em 2012, houve um consciente (?) movimento para reduzir a importância da categoria. Isso porque dois dos filmes mais festejados da temporada, incluídos na disputa, não renderam indicações para seus diretores (Tom Hooper por Os miseráveis e David O. Russell por O lado bom da vida), Moonrise kingdom, outro filme bastante comentado, recebeu indicação solitária na categoria com aquela pecha de “para completar a lista”, e dois filmes francamente inadequados a uma seleção de melhores do ano tiveram vez: Amor impossível e O exótico Hotel Marigold. Os filmes, inclusive, receberam outras indicações, o que só aumenta a hesitação a respeito dos critérios que orientam a categoria. Muitas boas comédias, como o campeão de bilheteria Ted, se viram de fora da premiação.

Aliás...
Não custa conjecturar se a exclusão absolutamente injustificável da comédia mais brilhante e inteligente do ano do Globo de Ouro não seria uma forma de não dar palco para o anfitrião do Oscar, Seth MacFarlane, diretor e roteirista de Ted?
Outras comédias rasgadas como Se beber, não case (2009) chegaram a vencer o Globo de Ouro. Fica a dúvida...

 Para a HFPA, o hilário Ted não é uma das melhores comédias do ano...


Vingança é um prato que se come frio
E já que o assunto são as entrelinhas, e Robert De Niro, hein? Louvado por sua atuação em O lado bom da vida e com indicações para o Critic´s Choice Awards e SAG se viu completamente excluído do Globo de Ouro. Quem é bom de memória vai lembrar que há dois anos De Niro recebeu o prêmio Cecil B. DeMille, que a HFPA entrega anualmente a figuras expressivas da sétima arte e foi um azedume só. Em seu discurso de agradecimento, o ator disse lamentar que muitos membros da HFPA não pudessem estar ali por terem sido deportados, entre outras brincadeiras de gosto duvidoso. Dois anos depois, os membros deportados não o convidaram para a festa.

Yes, they were talking to you...

Hooper down
E o que quer dizer a exclusão de Tom Hooper entre os indicados a melhor diretor? Que Os miseráveis não é essa Coca cola toda? Ou que é de Hooper e seu classicismo todo que a HFPA não morre de amores? Talvez sejam as duas coisas juntas...

Streep up
Já Meryl Streep pode espirrar que entra na lista da HFPA. Por Um divã para dois, a maior atriz de todos os tempos conquistou sua 27ª indicação ao Globo de Ouro. A décima em dez anos. Ela vem de vitória, na categoria dramática, por A dama de ferro. É muito amor!

Política dá o tom
Não tem jeito, se há profusão de filmes políticos na corrida pelo Oscar, é natural que eles sejam protagonistas. Lincoln, Argo e A hora mais escura assim o fazem. Juntos somam 16 indicações e dividem nas bolsas de apostas o favoritismo pelos três prêmios mais cobiçados da noite: filme em drama, direção e roteiro.

Até onde vai Lincoln?
É a grande força da temporada. Além de ser o filme “sério” de Steven Spielberg a registrar a maior bilheteria de sua carreira, é o que angariou mais indicações em uma edição do Globo de Ouro entre todas as fitas de Spielberg já indicadas. A lista de Schindler (1993) e O resgate do soldado Ryan (1998), pelos quais Spielberg levou os prêmios de direção e filme em drama, ficam atrás com seis e cinco indicações respectivamente.
Lincoln também quebrou o recorde histórico de indicações do Critic´s Choice Awards estabelecido por Cisne negro em 2011 com 12 indicações. O filme de Spielberg foi nomeado a 13 prêmios lá. Será que tem força para quebrar, ou ao menos igualar, o recorde de indicações no Oscar defendido por Titanic (1997) e A malvada (1950) de 14 indicações?

O Lincoln de Daniel Day Lewis ainda pode fazer muita história...

Cooper feelings
Apesar de ter uma das atuações mais festejadas da temporada, Bradley Cooper recebeu com incredulidade sua indicação como melhor ator em comédia por O lado bom da vida. Ao New York Times disse estar felicíssimo pelo reconhecimento a um trabalho com potencial de “mudar sua perspectiva como ator” e contente pelo timing das coisas. Afinal poderá dividir o salão com seus ídolos Bill Murray e Daniel Day Lewis, também indicados. O ator confessou também que vira e mexe pratica um dos famosos monólogos de Day Lewis em Sangue negro (I´ll drink your milk-shake) e finaliza: ele é o melhor!


Vive la France!
Dois filmes franceses entre os indicados a melhor fita em língua estrangeira. Outro coproduzido com a Áustria e uma atriz francesa entre as selecionadas na categoria de atriz dramática. Depois da consagração de O artista no último ano, parece que o cinema francês tomou gosto por invadir uma festa até então tida como americana.

Os reincidentes
Kathryn Bigelow, David O. Russell, Quentin Tarantino, Meryl Streep, Alexandre Desplat, Jessica Chastain, John Williams, Leonardo DiCaprio, Julianne Moore, Ed Harris, Nicole Kidman, Woody Harrelson… e a lista continua. Em comum, esse pessoal tem o fato de terem sido indicados no último ano ou no ano anterior. Nessa conta, obviamente, estão excluídos os atores que integram o elenco de séries e seriados que favorecem essa repetição. Estamos falando de gente do cinema que anda polarizando as atenções dos membros votantes da HFPA. Williams e Desplat tem a seu favor o prestígio adquirido como compositores e a multiplicidade de trabalhos avaliados, mas DiCaprio, Kidman e Streep superam rivais à altura simplesmente por adoração mesmo.

Leonardo DiCaprio é um eterno favorito da HFPA que o insere, mais uma vez, na briga por uma vaga no Oscar

Os globos o adoram
16. Isso mesmo. São 16 indicações para a The Weinstein Company, do mega produtor e marqueteiro Harvey Weinstein. Nenhum estúdio conseguiu chegar perto desse número. Disney e DreamWorks, que dividem os créditos por Lincoln, são os que chegam mais perto. Dessa maneira, pelo terceiro ano consecutivo, Weinstein atinge a marca dos dois dígitos no Globo de Ouro em indicações e reina absoluto. Em 2012, os filmes que lhe renderam esse prazer foram Django livre, O lado bom da vida, O mestre, O impossível, Ferrugem e osso e Intocáveis.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Oscar Watch 2013 - Os filmes e artistas que devem estar entre os indicados ao Globo de Ouro


Na próxima quinta-feira (13) serão anunciados os indicados para a 70ª edição dos prêmios Globo de ouro, concedidos pela Hollywood Foreign press association (HFPA). Será, como de hábito, a HFPA que irá afunilar a corrida pelo Oscar. Alguns filmes e artistas, no entanto, já podem ser dados como certos entre os concorrentes dessa histórica edição do Globo de Ouro.
Entre os filmes dramáticos, é possível dar como certa as presenças de Lincoln, Argo e A hora mais escura. As últimas duas vagas devem ficar entre O voo, Indomável sonhadora, As aventuras de Pi e O mestre, com vantagem para os dois últimos. No campo das surpresas, As sessões, Django livre e O impossível poderiam ser listados. Já na categoria comédia/musical, são certas as presenças de O lado bom da vida e Os miseráveis. O independente Moonrise Kigdom e o blockbuster Ted são possibilidades muito palpáveis. A última vaga pode ser preenchida por Sete psicopatas e um shih tzu, Rock of ages, Sombras da noite ou o elogiado This is 40, de Judd Apatow.


This is 40: novo filme de Judd Apatow pode ser o azarão da categoria de comédia e musical
Cena de O mestre, de Paul Tomas Anderson: presença incerta entre os indicados a melhor filme dramático, mas seu atores devem obter indicações

Deve prevalecer entre os diretores, como de hábito, os concorrentes que dirigiram dramas. David O. Russell e Tom Hooper, que não foi indicado há dois anos por O discurso do rei e acabou vencendo o Oscar, podem muito bem figurar na lista. Steven Spielberg, que não aparece entre os indicados ao Globo de ouro desde 2006 por Munique, deve voltar à disputa. Seus principais adversários no globo de ouro devem ser Ben Affleck, exaltado pela competente direção de Argo, e Paul Tomas Anderson que mesmerizou críticos com seu trabalho em O mestre. Ang Lee também é outro que deve voltar à disputa depois de vencer Spielberg justamente em 2006 por O segredo de Brokeback mountain; dessa vez, competindo com As aventuras de Pi. Kathryn Bigelow por A hora mais escura ainda é uma incógnita, mas pode aparecer se a opção for por destacar apenas diretores de trabalhos dramáticos.
A disputa pelo troféu de melhor ator em drama é uma das mais definidas. Difícil crer que Denzel Washington (O voo), Joaquin Phoenix (O mestre), Daniel Day Lewis (Lincoln) e John Hawkes (As sessões) não sejam indicados. A última vaga, no entanto, está bem aberta, já que outras fortes candidaturas para o Oscar estão no eixo das comédias. Richard Gere por A negociação é um bom nome para essa quinta vaga, mas Ben Affleck por Argo, ou mesmo seu chapa Matt Damon por Promisse land não podem ser descartados.
Entre as atrizes, a disputa está mais aberta. Jessica Chastain por A hora mais escura deve ser lembrada. Keira Knightley por Anna Karenina e Naomi Watts por O impossível são possibilidades fortes. Quvenzhné Wallis por Indomável sonhadora pode se configurar em um dos hypes da temporada de premiações a partir de sua indicação ao globo de ouro. Marion Cotillard por Ferrugem e osso também pode ser lembrada. Mas essa categoria, mais do que qualquer outra de atuação, está propensa a surpresas. Helen Mirren por Hitchcock e Emmanuelle Riva por Amour se encaixam nessa categoria.

Naomi Watts e Tom Holland em cena de O impossível: ela pode ser lembrada entre as atrizes dramáticas 

Do lado da comédia e musical, Hugh Jackman por Os miseráveis e Bradley Cooper por O lado bom da vida devem puxar a fila entre os atores. Bill Murray pode ser lembrado por Um fim de semana em Hyde Park e Jack Black, elogiado por sua composição em Bernie, também. Tom Cruise por Rock of ages pode completar a lista. Já entre as mulheres, Jennifer Lawrence parece reinar absoluta na categoria por O lado bom da vida. Laura Linney pode entrar na disputa por Um final de semana em Hyde Park, assim como Kristen Wiig por Imogen e Elle Fanning por Ginger and Rosa, Leslie Mann por This is 40 e Maggie Smith por Quartet são duas boas opções para completar a lista.
Entre os coadjuvantes, há muito espaço para surpresas. Isso porque há muitos nomes em igualdade de condições neste momento. Mas alguns parecem mais certos. Caso de Philip Seymour Hoffman por O mestre e Tommy Lee Jones por Lincoln. Albert Brooks, indicado por Drive no último ano, pode ser uma surpresa por This is 40. Mas Robert De Niro por O lado bom da vida e Javier Bardem por Operação Skyfall são opções mais tangíveis. John Goodman, ótimo em O vôo e Argo, pode ganhar uma indicação por qualquer um dos dois. Há, ainda, Leonardo DiCaprio por Django livre.
Para melhor atriz coadjuvante, Anne Hathaway por Os miseráveis e Sally Field por Lincoln devem entrar. Helen Hunt por As sessões e Amy Adams por O mestre também são nomes fortes. Os miseráveis talvez obtenha uma segunda indicação na categoria com Helena Bonham Carter, Amanda Seyfried ou Samantha Barks.
Entre os roteiros, Argo, Lincoln, O lado bom da vida e A hora mais escura são boas apostas. This is 40 e O mestre são boas opções para fechar a categoria.

Premiere de Os miseráveis: Grandes chances de ser o recordista de indicações do ano no Globo de Ouro