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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Em off

Nesta edição da seção Em off, Batman reloaded, o cinema mexicano insurge ao topo da América Latina, a ansiedade aperta por alguns dos grandes lançamentos do ano, os filmes imperdíveis do festival do Rio, strippers famosos do cinema e Jennifer Aniston cada vez mais à vontade no ecrã.

O cinema mexicano pede passagem...
Se o Brasil já perde, e feio, para a Argentina em matéria de cinema é bom ir se preparando para ser ultrapassado pelos mexicanos. Se é que isso já não aconteceu. Nos dois últimos festivais de Cannes, os diretores premiados foram mexicanos em uma clara demonstração de que há uma efervescência ali que está comovendo o circuito de arte e, principalmente, fomentando significativas mudanças criativas. Carlos Reygadas ganhou o prêmio em 2012 com Post Tenebrax Lux e, em 2013, foi a vez de Amat Escalante, cujo Heli – dimensionado por sua crueza e violência – é um dos principais destaques do festival do Rio que começou há poucos dias.





30 filmes imperdíveis do Festival do Rio 2013
A equipe do AdoroCinema preparou uma lista para lá de especial com alguns dos filmes que serão exibidos no evento que pautará a agenda cinéfila carioca pelos próximos dias. Muitos serão exibidos em breve nos cinemas brasileiros, mas quem se aguenta esperar?

Ainda o Batman de Ben Affleck...
George Clooney falou à revista Empire sobre a escolha do chapa Ben Affleck, para quem produziu Argo, para viver o homem-morcego no cinema. “Eu talvez seja a pessoa menos indicada para emitir uma opinião a respeito, já que praticamente destruí o personagem, mas acho que só podemos criticar algo quando esse algo está lá e o filme ainda não foi feito. Ben é um cara inteligente. Ele sabe o que está fazendo”.
A escolha de Affleck para viver Batman promoveu agito sem precedentes em Hollywood e atendeu mais do que o esperado aos anseios da Warner de promover uma verdadeira onda de ansiedade com tal anúncio.

Ainda o Batman de Nolan...
Prova de que Batman é mesmo o carro-chefe do estúdio é que nesta semana está sendo lançada a terceira coleção da trilogia orquestrada por Christopher Nolan no mercado americano. A “collector´s edition” da vez, como mostra a foto abaixo, vem recheada de mimos e com mais 40 horas de extras. O detalhe é que o terceiro filme da trilogia, com bem todos sabem, foi lançado nos cinemas no ano passado. Batman é mesmo uma mina de ouro...



Abstinência de Scorsese
O estúdio Paramount vive uma apreensão em particular. Martin Scorsese precisará de mais tempo para montar o corte final de O lobo de Wall Street, o filme mais aguardado do ano em nove de dez listas cinéfilas. O corte atual do filme tem cinco horas e estúdio e Scorsese querem reduzi-lo para duas horas e meia. Para que isso ocorra, será necessário adiar a estreia do filme – previamente marcada para 15 de novembro.
Para não perder sua boquinha no Oscar – afinal estamos falando de Scorsese – a Paramount tenta viabilizar o lançamento do filme no Natal, para que ainda seja elegível para o prêmio da Academia. Se esse cenário se concretizar, o filme de ação Jack Ryan – que retoma as aventuras do personagem criado por Tom Clancy – será remanejado para janeiro. Dedos cruzados!

Em 6 de dezembro?
O filme mais polêmico do ano, e que desperta mais curiosidade no mundo da cinefilia, ganhou data de estreia no Brasil. La vie d´Adèle, vencedor da Palma de Ouro no último festival de Cannes, teve sua estreia marcada para o dia 6 de dezembro. Uma das últimas polêmicas despertadas pelo filme, posterior a sua consagração em Cannes, ocorreu em virtude de uma declaração da atriz Léa Seydoux de que sentia de que “havia caído em uma armadilha” no tocante às cenas de sexo homossexual que fez com a atriz Adèle Exarchopoulos. O diretor do filme, o franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, declarou que se sentia humilhado por essa colocação e que repensaria se o filme deveria, ou não, ser lançado comercialmente.



Arte subestimada
Fazer strip-tease é uma arte. Tem quem vá assistir Família do bagulho no cinema somente para ver Jennifer Aniston fazer seu show. Se há talentos natos como Channing Tatum (Magic Mike) e Natalie Portman (Closer - perto demais), há embaraços famosos (mas nem por isso menos sensuais) como Demi Moore em Striptease. O AdoroCinema juntou tudo e elaborou uma lista com 15 cenas de strip que trazem celebridades tirando a roupa. Confira!

Naughty girl

Jennifer Aniston pode não estar se reinventando como atriz, mas certamente está ousando. O seu strip de tirar o fôlego, para os padrões de um filme que se pretende familiar, é bom que se diga, se segue a participações desbocadas e desavergonhadas da atriz nos filmes Quero matar meu chefe (2011) e Viajar é preciso (2012). No primeiro filme ela faz uma ninfomaníaca incontrolável e que fala um monte de sacanagens e no segundo, faz uma mulher dispostas a novas experiências sexuais.
Jason Sudeikis, que fez par com ela em Quero matar meu chefe e fecha o ciclo (?) em Família do bagulho, é o que se chama de cara certo, no lugar certo...

Sobre famílias...
Uma coincidência que une dois filmes merece a menção por aqui. Duas comédias familiares sobre famílias que são, também, sátiras e recheadas de clichês estão em cartaz nos cinemas brasileiros. A família, de Luc Besson, mostra uma família de mafiosos tendo que se adaptar à vida no programa de proteção à testemunhas, enquanto que Família do bagulho (em uma exagerada terceira menção neste post), satiriza a classe média americana. As críticas serão publicadas em Claquete na segunda e terça respectivamente.

sábado, 24 de agosto de 2013

Ser Batman é a verdadeira segunda chance de Ben Affleck?


Foto: Acess Hollywood

A notícia foi cataclísmica nas redes sociais. Ben Affleck será o novo Batman. A percepção majoritária é negativa, mas não poderia se esperar nada diferente de um anúncio até certo ponto surpreendente como esse. Daniel Craig foi o último a experimentar a grita dos fãs comumente chamados de xiitas. Tobey Maguire para homem-aranha e Heath Ledger para o coringa também experimentaram fúrias semelhantes. No caso de Affleck não são nem mesmo esses que promovem um levante contra sua escolha para encarnar Bruce Wayne e seu alter ego neste novo ciclo do personagem.
A Warner soltou essa informação na quinta-feira e Claquete foi um dos primeiros veículos do Brasil a reproduzi-la em sua fan page. De acordo com o comunicado oficial, a opção por Affleck é de oferecer um contraponto ao Superman ainda em formação interpretado por Henry Cavill. “Ben provê um interessante contraponto ao Superman de Henry. Ele tem os atributos e recursos para caracterizar um homem mais velho e mais sábio que Clark Kent; que carregue cicatrizes da experiência que é combater o crime, mas que mantém certo charme que o mundo vê no bilionário Bruce Wayne”, disse Zack Snyder no documento liberado pela Warner à imprensa. A contestação à Affleck diz respeito a seus recursos como intérprete e sua capacidade de dar conta da complexidade de um personagem como Bruce Wayne.
A fala da presidente mundial de marketing e distribuição da Warner, Sue Kroll, no entanto, permite ir além do óbvio na análise da escolha de Affleck para o papel. Ela disse que “estamos entusiasmados que Ben esteja dando sequência ao extraordinário legado da Warner com o personagem. Ele é um ator tremendamente talentoso que dominará esse papel neste que já é o mais antecipado filme do verão de 2015”.
A Warner queria Ben Affleck envolvido com os personagens da DC de qualquer maneira. Há algum tempo especula-se seu nome para a direção do filme da Liga da Justiça. Essa especulação tinha corpo antes mesmo da confirmação oficial de que o filme seria, de fato, feito; o que só veio a acontecer em julho na última edição da Comic Con.
Affleck desconversava, mas jamais negou de fato que voltar a se envolver com um filme de super-heróis estivesse fora de seu rol de interesses neste momento da carreia. Já é notório para o leitor de Claquete, que Ben Affleck desperta grandes expectativas na Warner que o quer em seu rol de grandes artistas, pelo menos como diretor. Tê-lo como Batman é uma demonstração que essa intenção está ganhando terreno. Uma demonstração de ambas as partes. Primeiro porque a responsabilidade não deve ter vindo sem ônus para o estúdio. Affleck já chamou a atenção por conciliar estética comercial e veia autoral em seus filmes. É um dom raro em um diretor e um baita de um diferencial aplicado em filmes de super-heróis no cenário pós O cavaleiro das trevas (2008). O ator e diretor, assumindo o traje de Batman deve ter mais liberdade para tocar seus projetos como diretor no estúdio. Além do mais, é possível que tenha ficado encaminhado para que Affleck assuma a cadeira de diretor em um eventual futuro filme do homem morcego e da Liga da Justiça. A ideia é criar um universo e com Affleck a bordo isso torna-se plenamente possível. O que não quer dizer que irá acontecer. É preciso ter em mente que Zack Snyder, que para todos os efeitos não foi feliz na reinvenção do Superman em O homem de aço, será o primeiro a pôr as mãos nesse novo Batman. Portanto, o que é bonito no papel, pode não permanecer assim na prática.


A internet foi à loucura com a escolha de Affleck para viver Batman. Claquete selecionou algumas montagens bacanas a respeito do imbróglio que se deu no mundo digital. Na primeira imagem, uma brincadeira com a curtição no QG da Marvel a respeito da escolha da rival. Na foto seguinte, o texto diz "George Clooney deve estar aliviado com a possibilidade de que finalmente alguém interpretará um Batman pior que ele" e no texto baixo, aludindo o fenômeno nerd "Guerra dos Tronos", a chamada: "Se prepararem... uma fúria nerd está chegando".



Assumindo os riscos
Todo mundo sabe o histórico de mau ator que Ben Affleck carrega. Aqui mesmo em Claquete este tópico frequentemente volta a receber certo destaque. Todo mundo sabe, também, que Affleck foi um dos responsáveis para o fracasso, ainda que o filme não seja de todo ruim, de Demolidor – o homem sem medo (2003), uma da primeiras incursões de um personagem Marvel no cinema depois do êxito do primeiro X-men em 2000. A partir daquele fatídico 2003, Affleck carregou um estigma tão duro para um ator quanto para um atacante em jejum de gols: não ser bom em seu ofício.
Desde que começou a dirigir, mostrando ser genuinamente bom e cada vez melhor nisso, Affleck recuperou muito da simpatia de público, crítica e, principalmente, indústria. Mas era diferente. O incômodo com as constantes comparações e apartes entre o Ben Affleck diretor e o Ben Affleck ator ainda estavam lá. Pairando sobre um ator que evoluía conforme se consolidava, também, como diretor.
Entrar no olho do furacão ao assumir o papel do Homem-morcego depois de sua mais bem sucedida encarnação com a dupla Christopher Nolan/Christian Bale é um risco calculado. O que não quer dizer que não seja um risco grande. Affleck se investe da responsabilidade de apagar o lastro de más impressões deixadas desde que despontou como ator no fim dos anos 90. Somente um papel de grande projeção midiática, nos termos de Tony Stark/Homem de ferro para Robert Downey Jr pode fazer isso. Mas se o tiro sair pela culatra, o tombo poderá pôr a perder as recentes conquistas de Affleck como artista.

Ben Affleck aceitando a pressão: o risco é calculado, seu efeitos imprevisíveis...

De qualquer jeito, é Hollywood sendo cinematográfica também nos bastidores. Sob a perspectiva do marketing, a escolha é ótima. Affleck hoje é um artista respeitado e uma marca de prestígio no cinema americano. Em termos de ambição é um gol de placa, pois se vislumbra critério e aplicação nos planos da Warner de consolidar o universo DC nos cinemas. Resta observar o desenvolvimento dessa história e torcer para que ele em si não seja mais interessante do que os filmes que vem por aí.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Batman e Superman juntos no cinema - os bastidores desse anúncio bombástico

O logo usado pela Warner para fazer o anúncio que marcou a edição 2013 da Comic-Con

Todo mundo foi pego de surpresa quando Zack Snyder e a Diane Nelson (presidente da DC Entertainment, divisão de filmes da DC Comics abrigada na Warner Brothers) anunciaram que O homem de aço 2, que diferentemente do que muitos criam ainda não estava oficialmente confirmado, terá o acréscimo do Batman. O filme será dirigido pelo mesmo Zack Snyder e roteirizado por David S. Goyer, que escreveu junto com Christopher Nolan o roteiro do primeiro filme. Nolan ficará com a produção executiva, cargo mais distante do que o que ocupou em O homem de aço, no qual foi produtor – além de roteirista.
O anúncio bombástico foi acompanhado da confirmação da ascensão do universo DC no cinema. O filme do Flash foi confirmado para 2016 e o da Liga da Justiça para 2017. A confirmação e alocação de O homem de aço 2 em 2015 visa objetivamente rivalizar com a sequência de Os vingadores, já intitulada The avengers: age of ultron, que estreia neste mesmo ano.
Fazer um filme de transição contando com os dois principais personagens da editora é uma boa ideia, mas é também o plano B da Warner/DC. Os executivos do estúdio, e a própria indústria, esperavam que O homem de aço rompesse a barreira do U$ 1 bilhão. Algo conquistado pelos dois últimos filmes estrelados pelo homem morcego e que a Marvel faz crer ser fácil de obter com seus filmes. Aproximando-se do fim de sua carreira nos cinemas, o filme sofre para atingir a marca dos U$ 700 milhões. Seria uma bilheteria estratosférica, não tive custado – sem computar gastos com divulgação – U$ 225 milhões. Outro problema é que a marca de U$ 1 bilhão era estratégica para a consolidação do universo DC no cinema. Mas ela não veio. O que fazer?
Snyder em momento "I´m the fucking man" durante o
anúncio na Comic-Con: Será?
A Warner então pretende fazer um filme tão megalomaníaco como Os vingadores, e anunciá-lo na Comic-Con em San Diego é o tiro certeiro nessa direção, para cacifar o universo DC cujas pavimentações depois de Lanterna verde e O homem de aço estão bem comprometidas. De quebra, é a oportunidade perfeita de reimaginar o Batman depois da épica e sombria conclusão da trilogia de Nolan. Fazê-lo com o objetivo de desenhar o universo DC nos cinemas é algo que importa da Marvel. Os filmes de Nolan tinham lógica e universo próprios.
Assegura-se, portanto, o interesse genuíno na expansão do universo DC, no encontro desses titãs no cinema (e a anunciada inspiração no clássico das HQs “O cavaleiro das trevas” de Frank Miller não é mero acaso) e na propulsão de dois personagens icônicos em momento de reinvenção.
Do ponto de vista do marketing, é uma alternativa justificada e cheia de potencial. Para observadores da indústria, porém, não esconde o sufrágio dos planos iniciais da Warner e da DC. A opção por Zack Snyder para tocar o filme é outro ponto de discussão, que será tema de futura análise no blog, que reforça a desconfiança de que a DC possa se equivaler à Marvel no cinema.

domingo, 30 de setembro de 2012

Crítica - Batman: o cavaleiro das trevas ressurge


Sobreposição apoteótica



Eis que estreou o novo e, até onde consta, derradeiro Batman de Christopher Nolan. Mas se Batman- o cavaleiro das trevas ressurge (Batman – the dark Knight rises, EUA 2012) traz consigo toda a pompa e grandiloquência imaginadas para esse “gran finale”, traz também vícios e desacertos narrativos e estruturais que tornam esse aguardado desfecho uma experiência relativamente frustrante e digna de ressalvas inimagináveis nos dois primeiros filmes da série.
É preciso estabelecer um nível de condescendência com Nolan. O cavaleiro das trevas (2008), em toda a sua exuberância, deixou muito pouco de relevo dramático dentro do universo do homem-morcego para ser explorado ainda nessa leitura de Nolan. Dessa forma, a missão era ingrata. As expectativas desmesuradas de público, crítica e indústria não tolerariam um filme inferior ao que promoveu o coringa de Heath Ledger à galeria de grandes personagens da história do cinema. Mas nada sugeria que o resultado pudesse ser tão contraditório.
O cavaleiro das trevas ressurge traz ecos francamente incômodos de A origem, sucesso inventivo e corpulento que Nolan rodou no ínterim entre os dois últimos filmes da trilogia do cavaleiro das trevas. Não obstante, a fluxo narrativo é enviesado. Há muita parcimônia a princípio e muito atropelo na meia hora final. Como se isso não bastasse, Nolan descrê da imagem. Logo ele, um cineasta visualmente tão eloquente se submete a cenas meramente expositivas – talvez uma insegurança eriçada após alguns olhares dispensados a A origem.
Outro grave problema é o vilão. Ainda que seja pelo prazer de especular, o desfecho de O cavaleiro das trevas sugeria que o Coringa ainda se mostraria presente na trajetória de Batman, mas a tragédia que acometeu Heath Ledger transformou isso. Não à toa, Nolan hesitou tanto antes de confirmar a participação no terceiro filme. Ele refugiou-se, então, em Bane. Vilão pouco carismático, mas protagonista de um dos mais marcantes arcos do homem-morcego nos quadrinhos, replicado com alguma carga dramática no filme. Escolheu um ator carismático e promissor, Tom Hardy, para dar viço ao personagem. Hardy esforça-se e até tem seus momentos, mas a lembrança perene do Coringa de Ledger torna ainda mais ingrata sua missão. Bane é uma caricatura mal formulada em cena. Um vilão que, inclusive, se apequena no desfecho (que apresenta uma reviravolta previsível –outra falha aqui proporcionada pela apática tentativa de “casar” com o filme original).

Tom Hardy como Bane: um ator talentoso e carismático que sucumbe a um personagem mal elaborado


Como se não bastasse, o filme apresenta outros dois graves problemas. O primeiro é o fato de Nolan repisar, em termos dramáticos, aspectos do personagem Wayne/Batman já suficientemente desenvolvidos nos dois primeiros filmes sem o acréscimo de uma nova camada ou um conflito redesenhado. O segundo problema é a inversão de tom do filme. Há um norte moralista na narrativa que inexistia no capítulo anterior. A complexidade moral de O cavaleiro das trevas, sua ambiguidade trágica e sua protuberância filosófica dão vez a um discurso político mal adornado que parece viver apenas para justificar o vazio da proposta do terceiro filme. 
Nolan, em sua opção pelo hiper-realismo, não soube administrar sua cria. Fez um dos melhores filmes da história e se viu incumbido de continuar de onde parou. Acabou por fazer um desfecho válido do ponto de vista do entretenimento, digno, sob a perspectiva das grandes trilogias cinematográficas, mas invariavelmente decepcionante se consideradas suas potencialidades.
Apesar de dar vida a uma personagem que nunca escapa à figura de apêndice narrativo, Anne Hathaway impressiona como mulher gato – ainda que essa alcunha (acertadamente) jamais seja pronunciada. Chistian Bale, por sua vez, parece no piloto automático. Percepção que tem seu pico em uma cena com Michael Caine ainda na primeira hora do filme.
A conclusão possível após refletir sobre esse terceiro filme – e a necessidade de reflexão não deixa de ser um mérito construído mais pelos dois primeiros filmes do que por este derradeiro – é de que Nolan sentiu a pressão. Ilusionista que é, e O grande truque (outro ótimo filme que realizou na entressafra dos filmes do morcego) continua a ser um testamento eloquente, pensou que poderia ludibriar sua plateia com seus artifícios. Pode ter conseguido.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as impressões (e algumas divagações) sobre os primeiros trailers de dois dos filmes mais aguardados de 2012; a comédia que promete marcar 2011; o lembrete de uma nova seção que chega a Claquete; o reinado de Harry Potter ainda ofuscando o horizonte e considerações sobre três produções que não tem nada a ver entre si, mas tudo a ver com você cinéfilo.



As primeiras impressões sobre o novo Batman
Junto com o último Harry Potter foi revelado o primeiro teaser do último Batman de Christopher Nolan. O filme, que ainda está sendo gravado, é fortemente aguardado por cinéfilos e crítica. Nolan, como se sabe, tem aumentado as expectativas em torno de sua obra. O novo Batman beira o colapso nesse sentido. Talvez por isso, esse primeiro teaser liberado um ano antes do lançamento nos cinemas (a exemplo do que ocorrera com A origem), revele tão pouco. A ideia é rememorar a trajetória do vigilante e lembrar a audiência, nas palavras do comissário Gordon (Gary Oldman) da angústia experimentada pelo homem-morcego. O teaser aguça ao trabalhar com conceitos já estabelecidos no final de O cavaleiro das trevas. O que permite supor que a engenharia do marketing da Warner deve privilegiar uma campanha, guardadas as devidas proporções, similar à realizada para promover A origem. Deu muito certo a ideia de revelar pouco da trama e bombardear o público com imagens conceituais de alto impacto. Contudo, Batman é algo que não pode ficar totalmente no escuro. Vai ser interessante ver como essa história se desenrola...



As primeiras impressões sobre o novo aranha
A Sony liberou o primeiro trailer de O incrível Homem Aranha. O filme, que medirá forças com Batman no verão de 2012, é um precoce reboot da série iniciada em 2002 com Tobey Maguire como Aranha e Sam Raimi na direção. Quem lê Claquete há muito tempo acompanhou a série de postagens que pormenorizou os bastidores da decisão da Sony de demitir a equipe criativa do quarto filme e reiniciar a série.
Com Andrew Garfield como o cabeça de teia e Marc Webb atrás das câmeras, a produção - mais barata – objetiva reestruturar a trajetória do Aranha no cinema. A linha Ultimate, que fez o mesmo nos quadrinhos com vários personagens da Marvel, é uma escudeira aqui. No entanto, o trailer repisa onde o primeiro filme de Sam Raimi andou tão bem. O vídeo promocional não sugere conflitos distintos dos vislumbrados na fita de 2002. A estrutura narrativa parece a mesma e, pelo menos nesse momento, tudo indica que as comparações serão desfavoráveis à empreitada.
Nas próximas edições de Em off, mais notícias sobre O incrível homem aranha.





Amanhã tem estréia...
Aqui em Claquete. Com 60% dos votos, o cineasta Clint Eastwood foi escolhido para estrelar a primeira seção Filmografia comentada do blog. A nova seção vem substituir Panorama e irá destacar, com uma rica combinação de análise e informação, as filmografias de importantes figuras do cinema.



Os números de Harry Potter

Foi uma estréia demolidora. Harry Potter e as relíquias da morte-parte II destroçou antigos recordes e segue reinando absoluto nas bilheterias. O filme desbancou Lua nova como o de maior faturamento em um único dia com U$ 92 milhões. Foram 18 milhões a mais do que a marca anterior. O oitavo Harry Potter também destronou Batman – o cavaleiro das trevas e sua vistosa marca de melhor bilheteria de fim de semana de estréia (a jóia na coroa de qualquer blockbuster). O recorde anterior era de U$ 158, Harry Potter e as relíquias da morte-parte II cravou U$ 169,2 milhões. Mundialmente, o filme do bruxo amealhou U$ 485 milhões e foi o mais rápido a atingir U$ 200 milhões nos EUA em toda a história.
Com toda a frenesi Harry Potter acontecendo aí fora, Claquete quis saber do leitor qual era o melhor diretor da saga. O vitorioso foi David Yates, aquele que teve mais filmes para dirigir. O primeiro a assumir o posto , Chris Columbus ficou com a segunda posição. Cuáron e Newell também foram lembrados.
O último filme, fresquinho na memória, foi considerado por 33% dos (e)leitores o melhor da saga. Seguido de perto por As relíquias da morte-parte I e O prisioneiro de Askaban. O único a não ser lembrado foi O enigma do príncipe.


A comédia do ano?
Kevin Spacey como um tipo truculento e preconceituoso, um Colin Farrel careca e barrigudo igualmente preconceituoso e uma Jennifer Aniston ninfomaníaca como chefes de Jason Bateman, Jason Sudeikis e Charlie Day respectivamente. Os três subordinados infelizes resolvem matar seus chefes. Para tanto, resolvem contratar o serviço de consultoria prestado por um histriônico Jamie Foxx. O filme, que já está em cartaz nos EUA, estréia no Brasil em 12 de agosto. Quero matar meu chefe registrou a melhor estréia para uma fita proibida para menores de 18 anos depois dos dois exemplares de Se beber não case. Confira as cenas que Claquete disponibiliza (em inglês) e especule se isso é o bom ou ruim.








Um filme que tem tudo para dar certo
Anunciado há poucas semanas, o filme Rush promete ser uma das atrações da temporada de prêmios de 2013. A produção mostrará a rivalidade entre os pilotos de Fórmula 1 Niki Lauda e James Hunt na década de 70. “A rivalidade é o que move a trama”, assegurou o roteirista Peter Morgan de filmes como A rainha e Frost/Nixon. Ron Howard reeditará a parceria estabelecida com Morgan neste último. E os dois atores principais já foram contratados. O australiano Chris Hemsworth – em alta com o sucesso de Thor – será Hunt e o hispano alemão Daniel Bruhl viverá Lauda.



Um filme que deve dar certo
O diretor do sueco Deixe ela entrar, um thriller de espionagem baseado em John Le Carré que imagina as circunstâncias da criação do icônico personagem James Bond e um elenco capitaneado pelo oscarizado Colin Firth com Gary Oldman, Tom Hardy, John Hurt, Ciarán Hands e Mark Strong.
As rusgas entre as agências de inteligência britânica e soviética são a matéria prima da fita que será lançada no festival de Toronto em setembro. No Brasil, a estréia de O espião que sabia demais está agendada para janeiro de 2012.

Colin Firth, que não quer perder de vista seu assento no Kodak Theatre, protagoniza O espião que sabia demais 

Gary Oldman faz um agente britânico em busca de respostas 


Mark Strong vive mais um vilão em sua carreira, mas no final da história ele bem pode ser um dos moçinhos...


Um filme que deve dar errado
Ficou meio na moita o primeiro trailer de Sherlock Holmes: jogo das sombras. Lançado na semana passada, o primeiro vídeo do filme que estréia no natal desse ano sugere que a sequência dirigida novamente por Guy Ritchie investirá em tudo que deu certo no primeiro filme: Robert Downey Jr., Robert Downey Jr. e Robert Downey Jr. Também devem marcar presença a nivelada química com Jude Law, o humor rasteiro e as piadas inteligentes. Contudo, Jogo das sombras nesse primeiro trailer deixa escapar um desgaste que pode prejudicar seriamente a performance do filme junto à crítica. A conferir.

domingo, 24 de abril de 2011

Tira-teima

Na próxima sexta-feira estréia nos cinemas brasileiros Thor, o terceiro filme da Marvel Studios e o primeiro de quatro filmes estrelados por heróis a chegar aos cinemas em 2011.Os outros filmes são Capitão América: o primeiro vingador, X-men: primeira classe e Lanterna verde. Para ir entrando no espírito, e rememorar o que de melhor já pintou nos cinemas sob as rédeas desses dois celeiros de super heróis e super vilões, a seção Tira-Teima deste mês coloca Marvel X DC na arena. Pode desligar o joystick!


Os filmes


Marvel

Blade – o caçador de vampiros (1998) ; X-men – o filme (2000); Homem aranha (2002); Blade 2 (2002); Hulk (2003); X-men 2 (2003); Demolidor – o homem sem medo (2003); Blade trinity (2004); Homem aranha 2 (2004); O justiceiro (2004); O quarteto fantástico (2005); Elektra (2005); X-men: o confronto final (2006); Homem aranha 3 (2007); Motoqueiro fantasma (2007); Quarteto fantástico e o surfista prateado (2007); O incrível Hulk (2008); Justiceiro: zona de guerra (2008); Homem de ferro (2008); X –men origens: Wolverine (2009); Homem de ferro 2 (2010); Kick Ass: quebrando tudo (2010)


DC


Superman – o filme (1978); Superman 2 (1980); Superman 3 (1983); Supergirl (1984); Superman 4, em busca da paz (1987); Batman (1989); Batman – o retorno (1992); Batman eternamente (1995); Aço (1997); Batman & Robin (1997); Mulher gato (2004); Constantine (2005); Batman begins (2005); Superman – o retorno (2006); V de vingança (2006); Batman – o cavaleiro das trevas (2008); Watchmen (2009)







Empreendedorismo cinematográfico


A Marvel que licenciou seus personagens para variados estúdios (Sony, Fox e Universal são alguns deles), lançou Homem de Ferro como o primeiro filme sob produção própria – com acordo de distribuição firmado com a Paramount. Em 2009, a empresa foi vendida para a Disney. Após o término do licenciamento de personagens como X-men e Homem aranha, todos voltarão para a Marvel sob a batuta da Disney.
Já a DC mantém um longo relacionamento com a Warner Brothers que produziu e distribuiu todos os filmes baseados em personagens da editora. A relação, estremecida pelo sucesso comercial da Marvel no cinema, já dá sinais de esgotamento. Mas a DC não apresenta planos de vôo solo no cinema.


O universo no cinema


Enquanto a Marvel tece planos para ligar todo o universo Marvel no cinema, à medida que apresenta alternativas as já consagradas fórmulas de sucesso (com o reboot de Homem aranha e uma nova franquia mutante, X-men: primeira classe), a DC não consegue firmar nem mesmo seu segundo grande personagem no cinema. O super homem terá uma nova chance nos cinemas em 2013.



O carro chefe


Marvel

Homem de ferro
O personagem pertencia ao segundo escalão da editora. Não á toa ainda não tinha tido os direitos negociados com nenhum estúdio de cinema. Com o filme estrelado por Robert Downey Jr. passou ao primeiro time e garantiu a viabilidade da Marvel como estúdio cinematográfico.

DC

Batman
Nenhum outro personagem de quadrinhos rendeu tanto no cinema. Com seis filmes oficiais, e um sétimo a caminho, Bruce Wayne e seu alterego são os grandes responsáveis pela longevidade desse neo gênero cinematográfico. São também os filmes do Batman, a despeito de seus vilões fantasiados, os que menos se assemelham a uma adaptação de HQ. É a principal franquia da DC/Warner no cinema e dificilmente deixará de ser.








O horizonte límpido


A Marvel tem oito produções em andamento e muitos planos. Sem contar que a partir de 2013 alguns personagens voltarão aos cuidados da editora. A ideia de interligar o universo Marvel no cinema ainda poderá render muitos frutos. E ótimas bilheterias.
As fichas da DC estão em Lanterna verde. Um personagem do segundo escalão da editora que, se repetir o efeito de Homem de ferro para a Marvel, poderá desbravar as fronteiras para outros personagens como Flash e Mulher maravilha que vivem tendo seus projetos cancelados.
O super homem é outro personagem com a corda no pescoço. Se a bilheteria do novo filme (previsto para 2013) for ruim, o homem de aço ficará um bom tempo longe dos cinemas.

terça-feira, 22 de março de 2011

Em Off

O último filme em que Ashton Kutcher não apareceu pelado, o novo filme de Tom Hanks, o que Sexo sem compromisso tem a ver com Um lugar chamado Notthing Hill e porque é melhor desconfiar do Robocop de Padilha são alguns dos destaques desta edição do Em Off.


Efeito Kutcher I

Pense rápido! Qual foi o último filme em que Ashton Kutcher não apareceu nu?
Errou quem pensou em Efeito borboleta (2004). Errou também quem foi ao longínquo 2000 para apontar Cara, cadê meu carro?. Não foi também em Por amor (2009) em que ia para a cama com Michelle Pfeiffer. Ele aparece apenas descamisado em filmes como Par perfeito (2010), Idas e vindas do amor (2010), De repente é amor (2006) e A família da noiva (2005). Mas o único filme em que Kutcher não exibe pele em demasia é O bicho vai pegar (2006). Também pudera, né?! Na animação, sua contribuição se restringe a dublagem....

To sexy to put a shirt: com 20 minutos de Sexo sem compromisso, Kutcher já havia exibido seu derrière...
 
 
Efeito Kutcher II


Exibicionista, não seria incorreto afirmar que Ashton Kutcher ajudou a popularizar o Twitter nos EUA. Primeira celebridade de escala mundial a aderir à rede social, Kutcher serviu como expressão do status jovem da plataforma.
Casado com a atriz Demi Moore e receptivo à curiosidade alheia, seus filmes sempre rendem uma média bastante satisfatória. O ator tem um público cativo (formado majoritariamente por teens de classe média) que está disposto a prestigiá-lo em seus arroubos de vaidade fílmica. Desde Jogo do amor em Las Vegas, lançado no verão americano de 2008, Kutcher lançou cinco filmes (três produzidos por ele) e teve uma média de bilheteria de U$ 70 milhões nos EUA. Não chega a ser um campeão de bilheteria, mas o jeito despojado e moderninho de Kutcher vende e quem paga, paga bem.



Um lugar chamado Nothing Hill 12 anos depois = Sexo sem compromisso

Se você reparar são muitas as semelhanças entre Sexo sem compromisso, em cartaz nos cinemas, e Um lugar chamado Notthing Hill que arrastou multidões para os cinemas em um dos últimos grandes sucessos da carreira de Julia Roberts no gênero. Tanto lá quanto cá, há uma mulher autosuficiente, receosa de uma relação íntima e um homem um tanto abobado ansioso por ela. Tanto lá quanto cá o sentimento surge depois do sexo e tanto lá quanto cá o homem é “magoado” antes do final feliz. É bem verdade que essa estrutura também pode ser encontrada em outros filmes, o que não tira o mérito dessa comparação em particular...



Considerações sobre o novo Batman


Christian Bale, Michael Caine, Joseph Gordon Levitt, Anne Hathaway, Tom Hardy e, muito possivelmente, Marion Cottilard estarão o novo filme do Batman. The dark knight rises terá a difícil missão de, no mínimo, se equiparar a O cavaleiro das trevas. Até o título alude ao filme que Heath Ledger imortalizou como do coringa.
Não será fácil para Christopher Nolan igualar o feito de O cavaleiro das trevas. Nas bilheterias a missão pode até ser realizada, mas a qualidade do filme de 2008 não é fácil de ser reproduzida. Assim como ocorreu com Heath Ledger, que meio mundo desaprovou como escolha para intérprete do coringa, Anne Hathaway – a primeira vista – não parece talhada para viver a mulher gato. Mas Nolan sabe o que faz e nós não sabemos o que dizemos.



O Robocop de Padilha

Na última semana foi confirmada a contratação de José Padilha como diretor do reboot que a MGM planeja para Robocop. Os executivos do estúdio, que é bom lembrar enfrenta uma recuperação judicial, se impressionaram com o trabalho de José Padilha nos dois Tropa de elite. A opção pelo brasileiro chega depois da consideração dos nomes de Darren Aronofsky (que chegou a participar da pré-produção antes da quebra do estúdio) e do espanhol Juan Carlos Fresnadillo (diretor de Extermínio 2).
Padilha, em entrevista ao Motion TV online, demonstrou segurança e entusiasmo com a nova empreitada: “Eu só faço filmes que me interessam pelo conteúdo. Podem esperar um controverso, diferente, irônico e violento Robocop”, afirmou.
Contudo, as barbas precisam ficar de molho. O olhar clínico de Padilha para a violência no Rio de Janeiro e sua perícia em construir cenas de ação com recursos limitados pode ser muito importante do ponto de vista técnico, mas falta ao diretor exuberância ficcional. Robocop é um blockbuster americano. Essencialmente fantasioso. O descompasso terá de ser apurado na confecção do roteiro, já iniciada em conjunto com Josh Zetumer (que teve mais roteiros descartados do que filmados até a presente data).



A nova brincadeira de Tom Hanks

Afastado da direção desde sua estréia, que ocorreu com The Wonders – o sonho não acabou (1996), Tom Hanks volta às telas de cinema em 2011 e também para trás das câmeras com Larry Crowne. A história de um cara que já foi nove vezes funcionário do mês e que após ser demitido resolve se reciclar cursando uma faculdade chega ao país em julho. Frequentar a faculdade da comunidade local irá lhe proporcionar uma experiência renovadora. A comédia com tom existencial deve reforçar, como se fosse preciso, o estereótipo de bom moço de Hanks. Julia Roberts está lá para garantir que isso aconteça. Confira o trailer:


domingo, 28 de novembro de 2010

De olho no futuro...

Heróis – safra 2011
Se em 2010, apenas o homem de ferro fez as vezes dos heróis dos quadrinhos nos cinemas, 2011 será um prato cheio. Da Marvel chegarão Thor (no Brasil em 30 de abril) e Capitão América (no Brasil em 29 de julho). A DC se arrisca com heróis do segundo escalão (fórmula que deu muito certo com a Marvel) com Lanterna Verde (que estreará mundialmente em maio). Esse filme será crucial para as futuras incursões dos heróis da DC (até mesmo os famosões Batman e Super homem com filmes em produção) nos cinemas.


Amizade colorida

Em Friends with benefits, dirigido por Will Gluck, Justin Timberlake e Mila Kunis fazem dois amigos que se entendem muito bem ... na cama. O filme será um dos três lançamentos de Justin Timberlake (que em dezembro chega aos cinemas nacionais com A rede social) em 2011. A comédia romântica já está pronta e Mila Kunis andou declarando que adorou ficar a vontade com Justin durante as filmagens. Veja se você acredita nela no trailer que Claquete apresenta:





Batman no more

O ator Christian Bale declarou em recente entrevista ao blog de cinema da MTV americana que o próximo filme do homem morcego (o terceiro que protagonizará) será o seu último. Bale disse que já deu sua contribuição ao universo do herói. Mas fez uma ressalva: “A não ser que Chris (Nolan, o diretor) me convença do contrário”.


E Waltson volta também

Marcado para 16 de dezembro de 2011, Sherlock Holmes 2 teve sua primeira foto divulgada. Ao contrário do que se supunha, o vilão do segundo filme (professor Moriarty) não será vivido por Brad Pitt. O ator Jared Harris (da série Mad men) foi contratado para viver o personagem.





Alice não te quero mais

O diretor Tim Burton está sendo pressionado por executivos e produtores ligados a Disney para assumir a ainda não confirmada sequência de Alice no país das maravilhas. Burton,que assumiu publicamente sua insatisfação com o resultado artístico do filme, não mostra disposição em participar do segundo filme. “Ele disse que não volta”, disse uma amigo próximo ao site Ain´t it cool news. Já ao Worst Previews, o próprio Burton foi mais diplomático: “O final não deixou espaço para uma sequência. O que aconteceu é que, como nos sonhos, tudo fica aberto para interpretações”. Diplomático, mas não menos enfático.


Holofote:

James Franco

Ele já é trintão, mas conserva a cara de garoto. James Franco é uma das apostas para temporada. Há quem diga que seu ano é este. Afinal, ele teve uma bem sacada participação em Uma noite fora de série e estrela dois filmes muito comentados que devem chegar no Brasil no início de 2011 (Howl e 127 hours). Mas pode-se dizer que o ano de James Franco foi mesmo 2008, quando estrelou e provou talento dramático em Milk – a voz da igualdade e arrebatou no papel do chapadão Saul Silver em Segurando as pontas. O Oscar, preveem os oráculos, é questão de tempo.



Primeira mão
Harrison Ford e Daniel Craig fazem pose em Cowboys & aliens que deverá ser lançado no verão americano de 2011

Ainda não acabou: jovens tentam enganar a morte em Premonição 5


A gangue está de volta: primeira imagem de Se beber não case 2

domingo, 22 de agosto de 2010

Panorama - Batman begins


Era grande a expectativa pelo Batman de Christopher Nolan. Se Burton havia embarcado na fantasia gótica e Joel Schumacher feito do homem morcego uma alegoria carnavalesca, esperava-se de Nolan um choque de realidade. E foi isso o que ele injetou em Batman begins (EUA 2005). A começar pela caracterização de Christian Bale. O Batman passava a ser um traço da personalidade de Bruce Wayne. Uma materialização de seus traumas, anseios e frustrações. Em Batman begins, presenciamos o surgimento de um herói forjado por problemas psicológicos e um ego inflamado. Não há benevolência e boas intenções aqui. O senso de justiça de Batman é frequentemente questionado pela presença da personagem de Rachel (Katie Holmes) em um comentário que seria potencializado na figura de Harvey Dent (Aaron Eckhart) no filme seguinte. Novamente, a obsessão do protagonista figura como um dos eixos centrais do filme. Tudo o que Bruce Wayne quer é se justificar e fazer de seu Batman algo justificável. Não é preciso dizer que Nolan compõe um painel assombroso. Gothan City nunca esteve tão crua e, ao mesmo tempo, revigorada esteticamente. O fato de Chicago servir como locação para a cidade expõe a verve do cinema de Nolan calcado na busca pela verdade da ambientação. O diretor é pouco afeito a maneirismos de pós-produção e a tecnologias efêmeras como o 3D. O vaticínio de Nolan é posto a prova na franquia do homem morcego; em que soube - como ninguém - conjugar fórmulas comerciais, pressupostos de gênero, linhas filosóficas e vertente autoral. Ele se superaria, e a tudo feito até então, com a segunda parte de sua visão do cavaleiro das trevas.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Cantinho do DVD

Cantinho do DVD de hoje destaca um grande sucesso de público e crítica. Coincidentemente, produzido no mesmo ano da indicação da semana passada (Gran torino). A razão do destaque concedido a Batman - o cavaleiro das trevas foi fazer uma homenagem a amiga cinéfila, e presença constante neste blog, Cintia. É para você que dedico esta critica minha vascaína querida. Beijos!

* Atenção: A crítica foi escrita à época do lançamento do filme.

Estudo sobre as fronteiras da humanidade
Nova aventura do homem morcego sob as rédeas de Christopher Nolan reverbera sobre o papel do homem, do estado e da distância entre as boas intenções e o resultado que advém delas

Depois de uma longa e excitante espera, Batman - o cavaleiro das trevas (Batman -the dark Knight EUA 2008) continuação da reimaginação do homem morcego orquestrada por Chris Nolan em Batman Begins, finalmente chega às telas de cinema de todo o mundo.E chega bem. O filme quebrou o recorde que pertencia a Homem aranha 3 de maior bilheteria de abertura da história. O cavaleiro das trevas faturou mais de 158 milhões de dólares só no primeiro fim de semana em cartaz na América do Norte. O que pode ser apontado como o triunfo de uma elaborada campanha de marketing, denota também a sintonia entre o anseio de critica e público.
O cavaleiro das trevas é um filme baseado em HQ. Mas, Christopher Nolan e seu irmão Johnatan, que ajudou na confecção do roteiro, não se limitaram a gravitar no já rico e extenso universo propiciado pelos quadrinhos. Injetaram adrenalina como jamais experimentada em um filme de herói antes. Uma adrenalina que a despeito das boas cenas de ação, não brota daí, e sim, do poderoso conflito psicológico engendrado entre os personagens principais dessa história sombria.
O cavaleiro das trevas se inicia pouco depois dos eventos mostrados em Batman begins. Testemunhamos um Batman ainda perseguido pelas incertezas a respeito de seus atos como vigilante e de suas ações como ser humano. O que é facilmente mimetizado na cena em que vemos surgir vários Batmans, armados tentando proteger Gotham. O próprio surgimento do Coringa parece ser uma reação ao surgimento do vigilante. Algo que Nolan já acenara com o clássico desfecho de Batman Begins.
Batman e o tenente Gordon continuam sua cruzada para limpar as ruas de Gotham de todo o tipo de escória criminosa. Veem, assim como a população da cidade, em Harvey Dent um potencial e bem- vindo aliado. O promotor de justiça do distrito demonstra energia no combate ao crime e é dono de carisma e inteligência incomuns. E é justamente quando tudo parece dar certo, que surge o coringa, um ás da máfia para o intransigente Batman e o incorruptível Gordon.
Muito tem se visto na critica americana comparações entre o filme e produções exemplares do calibre de Fogo contra fogo, Seven e O poderoso chefão. De fato, o filme carrega similaridades com essas fitas devido a natureza de sua trama e subtramas, mas assim
o fazem, muitos outros filmes menos notórios. Batman- o cavaleiro das trevas, no entanto, se sustenta a despeito de comparações. O filme é, na verdade, um elaborado estudo dos limites da civilidade. Algo também abordado nos três filmes citados, mas sem a profusão que aqui se encontra. Nolan aproveita o farto material que o herói apresenta para aprofundar a discussão sobre o peso da responsabilidade de nossos atos. De nossas escolhas e de como estas podem se desdobrar invariavelmente em más escolhas, por força das circunstancias. Pode parecer casuísta, não é. E não é, por causa do Coringa.
O coringa, na visão de Nolan que Heath Ledger não só ajudou a lapidar, como potencializou com sua soberba atuação , é um instrumento do caos. Um anarquista insandecido e totalmente desprovido de qualquer moral que espalha o caos em Gotham pela simples razão de que pode fazê-lo. E ao fazê-lo, descobre que Batman o completa. Um acréscimo de Nolan a idéia já escopada por Shymalan em Corpo fechado.
O grande trunfo de O cavaleiro das trevas não é seu marketing avassalador. Nem mesmo a rica e diversificada leitura que permite ao espectador. A razão de O cavaleiro das trevas ser a grande atração que é e exercer o fascínio que exerce é Heath Ledger. É inegável que a precoce morte do ator em janeiro agigantou a ansiedade por seu coringa e modificou permanentemente a percepção que dele se tem, mas é inegável também o esmero interpretativo do ator ao criar uma figura tão psicótica e alucinada. Ledger não só ajudou a criar o visual do coringa, como definiu um timbre de voz esquisitamente frágil e debochado, mas que variava para um tom de horror e ansiedade com velocidade e harmonia impressionantes. Um detalhe que escapa a muitos, mas que ratifica o extremo controle que Ledger tinha de seu personagem. E ele foi além. Seu coringa é histérico sem ser afetado. É amedrontador sem ser ameaçador. É caótico, mesmo sendo metódico. É genial mesmo louco. Ledger entrega a melhor atuação do ano até aqui, e a despeito dos boatos de uma possível indicação póstuma ao Oscar. Ele merece. Seria uma justa homenagem a esse grande ator que nos deixou cedo demais.
O cavaleiro das trevas não encerra seu debate; Nolan permite que se perpetue na mente do espectador. O grande cerne desse debate é o destino do personagem Harvey Dent, defendido bravamente por Aaron Eckhart. Falar sobre isso, no entanto, estraga a experiência de se assistir o filme. Basta dizer que é aí que se visualiza toda a força do comentário político e social que Nolan faz.

domingo, 19 de julho de 2009

Top 10: As dez maiores atuações masculinas da década

10 - Johnny Deep por Piratas do Caribe: A maldição do peróla negra


Ninguém acreditava quando via pela primeira vez, mas ao construir o personagem Jack Sparrow, Deep criava um ícone pop. Hoje, o personagem do filme da Disney é um ícone moderno e ajudou Deep a solidificar seu status de astro. O ator criou Sparrow a partir de uma bem sucedida colagem. Ele próprio admitiu que se inspirou nos trejeitos do roqueiro Keith Richards para compor Sparrow, o que motivou a participação de Richards no terceiro filme da já estabelecida franquia, como o pai de Sparrow. A colagem se efetivou com o acréscimo do excelente timing cômico do ator e seu carisma inesgotável.


9- Clive Owen por Closer - perto demais


Poucos conheciam Owen antes desse filme. Depois dele (e não de Rei Arthur como ansiavam alguns produtores) muita gente se interessou pelo ator britânico. Aqui ele faz Larry, um médico imerso em um imprevisível quadrilátero amoroso. O ator, magnético em cena, consegue roubar a atenção de seus colegas mais famosos. A seu favor, talvez pese o fato de que já havia trabalhado com o material anteriormente. O ator participou da montagem em Londres da peça na qual o filme se baseia, embora na ocasião vivesse um personagem diferente.
No filme, ele apresenta uma performance devastadora que impressiona toda vez que se assiste a ela.


8- Sean Penn por 21 gramas

Penn é um ator que devido a alguns aspectos de sua personalidade e celebridade tardou em ter seu talento reconhecido em grande escala. Tudo começou a mudar em 2003. E este filme de Alejandro Iñarritu foi preponderante nesse sentido. Aqui ele faz um homem que acabou de ter um coração transplantado e se lança na busca para saber quem foi o doador. Sua busca leva a tragédia em diversos termos numa trama muito bem engendrada pelo diretor, mas que ganha profundidade e verve na atuação destacada de Penn.


7- Philip Seymour Hoffman por Antes que o Diabo saiba que você está morto

Era preciso incluir Hoffman nessa lista. Talvez o ator mais constante, mais surpreendente e mais regular (no sentido de apresentar sempre grandes performances) da década. Mas por que filme? Talvez o nível de qualidade do trabalho de Hoffman possa ser melhor aferido nessa fita. Já que ele tem consideravelmente menos tempo em tela do que nas outras fitas pelas quais se destacou. No entanto, Hoffman domina a cena de uma maneira irreversível na pele de um homem que arquiteta um plano para roubar os próprios pais e sucumbe ás conseqüências.


6- Russel Crowe por Uma mente brilhante

Quando rodou esse filme, Crowe já era um astro mundialmente conhecido e premiado. Contudo, é justamente aqui que ele entrega sua melhor atuação. Como John Nash, o matemático esquizofrênico que precisou domar a própria mente para viver mas que revolucionou a economia moderna, Crowe demonstra total controle de sua criação (algo que escapa há muitos, e que muitos, não esperavam de um ator que usufruía de tamanha evidência), mantendo o equilíbrio necessário para que a caracterização não caia no ridículo tão pouco ceda ao dramalhão. Um trabalho notável de expressão e de domínio de linguagem corporal que lhe valeu quase todos os prêmios da temporada.



5- Tom Hanks por Estrada para perdição

Esse virou hours concours no Oscar. Com duas estatuetas no currículo e cinco indicações, o ator virou patrimônio da Hollywood atual. Em uma década em que foi menos ativo do que na anterior, Hanks esteve igualmente aprazível. Nesse drama de Sam Mendes, o ator vive um capanga da máfia que depois de traído e abandonado por seu grupo busca vingança ao lado de seu filho e nessa jornada passa a conhecê-lo de fato e a ponderar sobre suas escolhas e as escolhas que não gostaria que seu filho tivesse de encarar. Filme maravilhoso que só alcança toda a sua plenitude através da atuação segura e contida de Hanks.

4- Heath Ledger por O segredo de Brokeback Mountain
Até esse papel Ledger(1980-2008) não era um ator levado a sério. Depois dele angariou fãs ardorosos e detratores igualmente polivalentes. Aqui ele vive Ennis Del Mar, um cowboy sem muitas ambições e também muito conservador na conservadora sociedade do Wymonig dos anos 60 no centurião americano. Contudo, Ennis se envolve inapelavelmente com outro homem e passa o restante de sua vida divido entre a dor causada pela memória e consciência desse seu " pecado" e pela dor causada pela saudade desse "pecado". Ledger cria uma figura introspectiva, rude quase impassível e que não esconde o conflito instalado em sua vida. Uma atuação memorável e que reveste o filme de Ang Lee com toda a profundidade e melancolia pretendidas.


3- Clint Eastwood por Menina de Ouro

Não há necessidade de fazer apresentações aqui. Contudo, é imperativo afirmar que foi nessa década que Eastwood viveu seu melhor momento criativo. Seja como diretor, seja como ator. Tanto em um ofício, quanto no outro, Eastwood brilha intensamente nessa fita que da alienação total por parte do estúdio saltou para o Oscar de melhor filme entre outros prêmios.
Aqui o veterano ator vive Frank Dunn. Dono de uma acadêmia e treinador de boxe que carrega algumas mágoas e arrependimentos e encontra na improvável figura de uma lutadora, igualmente abandonada , a redenção. Eastwood, diretor e ator, sabiamente utiliza as marcas de seu rosto e toda a carranca que lhe é atribuída para emoldurar um registro perene e profundamente tocante.


2- Heath Ledger por Batman - o cavaleiro das trevas

Se há uma palavra que pode definir essa atuação é intensidade. O papel que o destino quis que fosse o testamento artístico de Heath Ledger (1980- 2008) foi também o que lhe deu o Oscar. Aqui ele não só interpreta o coringa - arqui rival do Batman- ele cria a mais sombria versão do personagem e estabelece um novo patamar para a vilania no cinema. Senhor de todas as nuanças de sua caracterização, a entrega de Ledger ao papel impressiona. Tanto que alguns mal informados atribuíram a sua sublime atuação à morte precoce. Um equívoco que em si, só ratifica o poder e a longevidade de seu trabalho.


1 - Sean Penn por Sobre meninos e lobos

Em um filme que trata de perda, dor e tragédia, nada é mais alusivo de todos esses elementos do que a atuação soberba de Sean Penn. Aqui ele vive um ex- presidiário que tenta arrumar a vida, contudo, após o brutal assassinato de sua filha ele volta a flertar com o crime. Equilibrando-se entre a ânsia por vingança e a dúvida acerca do envolvimento de um ex-amigo. A história obviamente vai além e toma rumos inesperados, e é na atuação de Penn que a platéia tem a noção exata do tamanho da tragédia que se contempla.
Penn protagoniza aqui, certamente uma das mais fortes cenas da década (foto ao lado). O momento em que descobre que sua filha está morta é provavelmente o grande momento de Penn como ator. É o auge de sensibilidade que se pode permitir. É impossível não sentir o coração se partir naquele momento repetidas vezes. Uma cena que quanto mais se vê, melhor fica!