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terça-feira, 23 de julho de 2013

Batman e Superman juntos no cinema - os bastidores desse anúncio bombástico

O logo usado pela Warner para fazer o anúncio que marcou a edição 2013 da Comic-Con

Todo mundo foi pego de surpresa quando Zack Snyder e a Diane Nelson (presidente da DC Entertainment, divisão de filmes da DC Comics abrigada na Warner Brothers) anunciaram que O homem de aço 2, que diferentemente do que muitos criam ainda não estava oficialmente confirmado, terá o acréscimo do Batman. O filme será dirigido pelo mesmo Zack Snyder e roteirizado por David S. Goyer, que escreveu junto com Christopher Nolan o roteiro do primeiro filme. Nolan ficará com a produção executiva, cargo mais distante do que o que ocupou em O homem de aço, no qual foi produtor – além de roteirista.
O anúncio bombástico foi acompanhado da confirmação da ascensão do universo DC no cinema. O filme do Flash foi confirmado para 2016 e o da Liga da Justiça para 2017. A confirmação e alocação de O homem de aço 2 em 2015 visa objetivamente rivalizar com a sequência de Os vingadores, já intitulada The avengers: age of ultron, que estreia neste mesmo ano.
Fazer um filme de transição contando com os dois principais personagens da editora é uma boa ideia, mas é também o plano B da Warner/DC. Os executivos do estúdio, e a própria indústria, esperavam que O homem de aço rompesse a barreira do U$ 1 bilhão. Algo conquistado pelos dois últimos filmes estrelados pelo homem morcego e que a Marvel faz crer ser fácil de obter com seus filmes. Aproximando-se do fim de sua carreira nos cinemas, o filme sofre para atingir a marca dos U$ 700 milhões. Seria uma bilheteria estratosférica, não tive custado – sem computar gastos com divulgação – U$ 225 milhões. Outro problema é que a marca de U$ 1 bilhão era estratégica para a consolidação do universo DC no cinema. Mas ela não veio. O que fazer?
Snyder em momento "I´m the fucking man" durante o
anúncio na Comic-Con: Será?
A Warner então pretende fazer um filme tão megalomaníaco como Os vingadores, e anunciá-lo na Comic-Con em San Diego é o tiro certeiro nessa direção, para cacifar o universo DC cujas pavimentações depois de Lanterna verde e O homem de aço estão bem comprometidas. De quebra, é a oportunidade perfeita de reimaginar o Batman depois da épica e sombria conclusão da trilogia de Nolan. Fazê-lo com o objetivo de desenhar o universo DC nos cinemas é algo que importa da Marvel. Os filmes de Nolan tinham lógica e universo próprios.
Assegura-se, portanto, o interesse genuíno na expansão do universo DC, no encontro desses titãs no cinema (e a anunciada inspiração no clássico das HQs “O cavaleiro das trevas” de Frank Miller não é mero acaso) e na propulsão de dois personagens icônicos em momento de reinvenção.
Do ponto de vista do marketing, é uma alternativa justificada e cheia de potencial. Para observadores da indústria, porém, não esconde o sufrágio dos planos iniciais da Warner e da DC. A opção por Zack Snyder para tocar o filme é outro ponto de discussão, que será tema de futura análise no blog, que reforça a desconfiança de que a DC possa se equivaler à Marvel no cinema.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Crítica - O homem de aço

Habemus super

O que mais impressiona em O homem de aço (Man of steel, EUA 2013) é que ao longo de seus 140 minutos são muitos os bons momentos do filme. Sua potencialidade é oxigenada a todo o tempo por um texto muito ambicioso, mas pouco focado. A potencialidade não se consuma muito em parte a uma direção desvinculada, em essência narrativa, do que propõe o roteiro. Em miúdos: Zack Snyder não era o diretor certo para o roteiro que foi filmado. A forma como foi filmado é a grande avalista dessa constatação.
O tom solene é um direito adquirido dos filmes de Superman e deveria receber a mesma mesura que outros cânones do universo do homem de aço receberam. Há a correta opção de intercalar momentos cruciais da formação de Clark Kent, assim como a consolidação de sua percepção como figura central nos rumos da humanidade antes de assumir sua identidade secreta como jornalista do Planeta Diário, mas há, também, a interjeição de dilemas esgotados no universo do personagem. Não obstante, há a maquiagem do filme de ação profundo quando, na verdade, toda a construção valorizada por Snyder ecoa em cenas – realmente fantásticas – de destruição de fazer inveja em Michael Bay.
Se o aspecto visual de O homem de aço enche os olhos, sua massa narrativa apresenta gorduras. A história não é tão densa para justificar uma metragem tão longa. A grande maioria dos personagens são apenas penduricalhos narrativos desprovidos de qualquer efetividade dramática, inclusive o vilão Zod que desperdiça o talento do ótimo Michael Shannon. A exceção é Lois Lane (Amy Adams), personagem mais interessante do longa. Muito bem construída, em seus conflitos e imperfeições, a personagem é outra escanteada quando o quebra-quebra se impõe.

Entregue à humanidade: Superman se prepara para encarar Zod em um dos momentos mais megalomaníacos do filme de Snyder

Outro grande problema do filme é a total falta de humor. O único momento gracinha surge quando o Superman está em custódia do exército americano e batendo um papinho com Lois. Muito pouco para um filme que tem um personagem bem menos trágico do que, por exemplo, o cavaleiro das trevas.
O dilema existencial do Superman é outra má formulação do filme. Nunca nos convencemos da hesitação de Clark em assumir seu protagonismo à frente da humanidade e não é um problema de Henry Cavill, muito eficiente em cena e correto em evitar emular Christopher Reeve. A ideia de beber na fonte da trilogia do cavaleiro das trevas resultou em um filme irregular (o que seria Clark vagando pelos EUA em busca de sentido na vida tal qual o Bruce Wayne de Christian Bale em Batman begins?), moroso (ainda que com cenas de ação frenéticas) e que esconde suas consideráveis virtudes em um balaio de muitos defeitos.
Não é um filme ruim. Longe disso! Mas é um filme que, além de esquecível, compromete severamente – no âmbito da percepção da indústria cultural - os avanços conquistados pela trilogia de Nolan na seara das adaptações cinematográficas de HQs. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Filme em destaque - O homem de aço

Com Cristo, Shakespeare e sem cueca

Ambicioso e solene, O homem de aço tem a árdua missão de superar os filmes da Marvel lançados em 2013 em matéria de bilheteria, mapear o futuro da DC Comics no cinema e revitalizar a carreira do filho de Krypton na tela grande

“Não se deve comparar O homem de aço à trilogia do cavaleiro das trevas”, disse Christopher Nolan em janeiro deste ano quando indagado sobre o que esperar do novo filme do superman, do qual é o principal produtor. Se a fala causa surpresa, até porque Nolan foi recrutado pela Warner para fazer pelo homem de aço o que fez pelo homem morcego, a ausência dele na maratona promocional do filme e seu silêncio quase sepulcral desde janeiro denotam que o filme de U$ 250 milhões que chega nesta sexta-feira (12) aos cinemas brasileiros não é, internamente, a unanimidade que se faz crer.
Nolan foi o primeiro nome confirmado em O homem de aço. O nome do diretor Zack Snyder teve que ser aprovado por Nolan que juntamente com David S. Goyer alinhavou o argumento do filme roteirizado por Goyer.
Os primeiros indícios de que as coisas não iam bem surgiram no verão americano do ano passado quando a Warner, com o desfecho da trilogia do cavaleiro das trevas nos cinemas, anunciou que lançaria O homem de aço no verão de 2013 e não no fim de 2012 como inicialmente aventado. Oficialmente, a posição do estúdio era de que, dessa maneira, teria um grande lançamento nessa temporada.
Se por um lado, Nolan parece insatisfeito com o resultado final, por outro Snyder tem em O homem de aço sua última chance de abandonar a pecha de promessa e converter-se em realidade como cineasta. Depois dos sucessos de Madrugada dos mortos (2004) e 300 (2006), o diretor obteve fracassos comerciais e de crítica com Watchmen (2009) e Sucker punch – mundo surreal (2011). O homem de aço também é sua primeira produção assumidamente de linha de frente do estúdio Warner com o qual frequentemente trabalha.
As críticas ao filme, majoritariamente negativas, questionam o tom solene da obra e apontam na falta de humor e conflitos mais bem delineados sérios problemas estruturais da fita de Snyder.
Nolan e Snyder nos sets: ninguém fala, mas discordâncias
afastaram Nolan do dia a dia das gravações
A bilheteria é positiva, mas longe de atingir o sonho dourado do estúdio e O homem de aço não deve chegar a necessária marca do bilhão de dólares para viabilizar o filme da Liga da justiça. Até o último fim de semana, o filme tinha arrecadado nos EUA U$ 271 milhões, o que o coloca atrás justamente de Homem de ferro 3 em termos de faturamento doméstico. No mundo, porém, a surra que o filme leva do rival da Marvel é mais sonora. Faltando estrear em alguns mercados como o Brasil, a fita já arrecadou U$ 315 milhões. O total de U$ 586 milhões apenas cobre o investimento feito pelo estúdio.  Homem de ferro 3, para efeitos de comparação, superou a vistosa marca de U$ 1,2 bilhão.
A despeito da discussão a respeito do custo dos lançamentos de verão, é pacífico que o novo filme do Superman não emplacou.

Sotaque inglês
O escolhido para viver Superman em sua nova encarnação foi o inglês Henry Cavill, cujo trabalho de maior expressão até então tinha sido sua participação na série "The Tudors". Cavill, no entanto, já havia chegado bem perto de ostentar a capa do homem de aço. Ele era a primeira escolha de McG para viver o herói no filme que acabou sendo realizado por Bryan Singer, que tinha uma visão diferente para o que deveria ser feito e buscou um ator (Brandon Routh) mais semelhante ao icônico Christopher Reeves. Cavill também era o preferido de Stephenie Meyer para viver o vampiro Edward, mas também ficou no quase. Com Nolan e Snyder, sua vez chegou e a Empire escreveu que ele tem “o queixo mais esculpido de um Superman jamais visto”. O elogio esconde os dotes dramáticos do ator que foram bem exigidos na versão de Snyder.
“Aqui o conflito é sobre assumir ou não um papel de protagonismo diante do mundo”, disse o diretor em entrevista à Total Film. A natureza de Superman sempre valeu comparações com Jesus Cristo e no novo filme, rodado em tom épico, essa sombra é mais presente. “Não fomos nós quem estabelecemos essa comparação”, diz o diretor em entrevista ao IG.
Mas a relação de um filho superpoderoso enviado à Terra para liderar a humanidade é novamente adensada pelo filme que, diferentemente de Superman- o retorno (2006), reconta a origem do homem de aço sob esse prisma de aceitação e posicionamento diante de um desafio maior.

Henry Cavill e seu super queixo: o maior herói americano tem sotaque inglês

Shakespeare na panela de pressão
A ideia de conflito existencial em Superman remete ao titã da dramaturgia William Shakespeare. E o conflito emanado dos pais de Clark/Kal-el, o pai adotivo Jonathan (Kevin Costner) e o pai biológico Jor-el (Russell Crowe) pauta a narrativa. O primeiro acha que o filho não deve assumir seus poderes para o mundo, enquanto que o segundo (em um nível meramente psicológico em Clark, já que morreu na destruição de Krypton) acha que o filho deve liderar a humanidade contra o mal.
Esse mal é, neste primeiro filme, encarnado pelo general Zod – que em Superman II foi vivido pelo ótimo Terrence Stamp e agora ganha contornos insanos pelo não menos cativante Michael Shannon.
O antagonista é que traz O homem de aço de volta ao universo dos blockbusters e engatilha explosões a torto e a direito que mais do que justificam os U$ 250 milhões gastos na produção.

A ausência de Lex Luthor, da cueca vermelha e uma Lois Lane mais intrépida - vivida pela atriz Amy Adams - talvez sejam as novidades mais efetivas do filme incumbido de revitalizar o Superman no cinema.

Ser ou não ser: Jonathan Kent leva um papo com Clark sobre responsabilidades e sobrevivência

domingo, 14 de abril de 2013

Insight - Os filmes do verão americano de 2013


Já se aproxima a temporada mais quente do cinema, a época dos blockbusters americanos de férias que são lançados entre maio e o final de agosto. Claquete, como de hábito, dá uma peneirada geral no que tem de melhor na temporada, nas potenciais surpresas, nas franquias que buscam recordes, nos iminentes fracassos e no que vale a pena ficar de olho.

Os carros-chefes
Como de hábito nos últimos anos, os super-heróis são as principais estrelas da temporada. Contudo, diferentemente do que se acostumou, eles chegam sob o bastião da desconfiança. Homem de ferro 3, Superman: o homem de aço e Wolverine: imortal têm em comum a necessidade de provar que os protagonistas de suas respectivas séries ainda tem fôlego no cinema.
No caso de Homem de ferro 3, o primeiro a chegar, o buraco é mais embaixo. Além de ser o teste mais resiliente do carisma de Robert Downey Jr. desde que o primeiro filme foi lançado em 2008, representa também um ponto estratégico nos planos da Marvel de dar continuidade a seu universo no cinema depois do megassucesso Os vingadores. O homem de aço é a última oportunidade para o promissor Zack Snyder vingar como realizador e para que Superman, fracassado em suas últimas incursões no cinema, se reabilite como franquia e permita que a Warner desengavete o plano de levar A liga da justiça ao cinema. Já Wolverine: imortal, embora com menos pressão, precisa superar a má impressão deixada pelo primeiro filme entre público e crítica.  

Ben Kingsley e Robert Downey Jr. brincam na premiere russa de Homem de ferro 3 realizada na última semana: necessidade de um sucesso ainda mais retumbante do que o dos dois primeiros filmes

Outros lançamentos reclamam a condição de peso pesado da temporada. O aprendiz de Steven Spielberg J.J Abrams retorna com a sua sequência para a reimaginação de Star Trek. Além da escuridão, que estreia no disputado maio, tem sido visto como potencial concorrente a maior bilheteria do ano. Talvez seja muito otimismo, mas os últimos grandes campeões de bilheteria têm sido posicionados em maio.
Também em maio serão lançados O grande Gatsby (no Brasil em junho), o blockbuster de Baz Luhrmann quer fisgar tanto o público jovem como o público adulto, Se beber não case – parte III e Velozes e furiosos 6. Os dois últimos compõem franquias rentáveis e que alcançaram recordes nas respectivas séries com sequências lançadas em 2011.
A Pixar recorre a seu passado para brigar de igual para igual com esses lançamentos mais comentados e apresenta no final de junho Universidade monstro, continuação de Monstros S.A (2001), um dos maiores sucessos da história do estúdio.

Eles merecem atenção
Em meio aos lançamentos mais comentados, há alguns filmes que podem surpreender positivamente. Alguns já até contam com algum tipo de buzz, caso de Elysium. A nova ficção científica do diretor de Distrito 9 marca a estreia de Wagner Moura em Hollywood e conta com Matt Damon e Jodie Foster em uma trama sobre um futuro distópico em que a Terra abriga os pobres e renegados enquanto os ricos moram em uma estação espacial. O lançamento está programado para 9 de agosto nos EUA. Também programados para agosto estão 2 guns, uma adaptação de uma HQ adulta, que reúne Denzel Washington e Mark Wahlberg pela primeira vez na tela; Kick-ass-quebrando tudo 2, continuação de outra adaptação cult de HQ e agora com Jim Carrey no elenco; 300: rise of na empire, continuação do sucesso 300 estrelado por Rodrigo Santoro; e Percy Jackson e o mar de monstros.
Antes desse fecho promissor na temporada de blockbusters de 2013, Círculo de fogo, novo filme do sempre interessante Guillermo Del Toro; O ataque, a versão de Roland Emmerich para uma invasão à Casa Branca; Guerra mundial Z, filme sobre um apocalipse zumbi dirigido por Marc Forster e estrelado por Brad Pitt; e Truque de mestre, filme com grande elenco que mistura mágica à lógica de filme de assalto.

Guillermo Del Toro nos sets de Círculo de fogo: um possível grande sucesso da temporada de blockbusters

Henry Cavill como Superman na capa da EW que destaca os lançamentos de verão: o filme mais pressionado de toda a temporada

Pode ser?
Todo verão busca o seu Ted (um sucesso colossal e até certo ponto inesperado) e olhando para 2013 há algumas possibilidades devidamente calculadas pelos estúdios. Novamente, elas se ajustam com maior proeminência na seara das comédias. Sandra Bullock e Melissa McCarthy se juntam sob as ordens do diretor de Missão madrinha de casamento em As bem armadas.
Vince Vaughn e Owen Wilson, que dividiram a cena na comédia campeã de bilheteria Penetras bons de bico (2005) voltam a contracenar em The internship, filme que coloca dois quarentões como estagiários de uma gigante digital.
É o fim reúne gente como James Franco, Rihanna, Seth Rogen, Emma Watson, entre outros para uma comédia sobre o fim do mundo.
Já os seríssimos candidatos a flop da temporada são O cavaleiro solitário, nova parceria entre Johnny Depp e Gore Verbinski que bateu o recorde de problemas durante a produção; Depois da terra, M. Night Shyamalan dirige Will Smith em ficção científica e Shyamalan está sempre contra as chances; Gente grande 2, Adam Sandler bancando a sequência de um de seus piores momentos, Os Smurfs 2, o primeiro já não era grande coisa, mas era uma novidade relativa; e The mortal instruments: city of bones, um dos candidatos a “novo Harry Potter” programado para fechar o verão.

Owen Wilson e Vince Vaughn "penetram" no Google dessa vez em busca de uma bilheteria arrasadora


Cinco filmes que serão lançados no verão americano e que podem figurar entre os melhores do ano:

1-Only God forgives
Nova parceria entre Ryan Gosling e Nicolas Winding Refn, diretor de Drive. Um thriller sobre vingança, com fotografia estilizada e trilha descolada ambientado na Tailândia

2- The english teacher
Julianne Moore é uma professora que se envolve com o aluno cheio de pretensões literárias e depois se ressente quando ele fica atraente para outras mulheres.

3- The iceman
Michael Shannon é um homem a serviço da máfia. Sem mais!

4 – Blue Jasmine
O novo de Woody Allen, de volta aos EUA. Sem mais!

5 – Fruitvale
O maior hit de Sundance deste ano recria a história real de um jovem negro assassinado por policiais em São Francisco (EUA) no último dia de 2008.

Fotos: divulgação, EW, reuters

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as próximas biografias polêmicas a ganharem os cinemas, alguns takes de Ryan Gosling, uma seleção especial para o final de semana do Halloween, a constatação de que os heróis já não são mais os mesmos e o começo dos festejos em Hollywood.


Ryan Gosling em cinco takes

Na última semana, Claquete publicou um perfil de Ryan Gosling, no qual estipulou que o ator, que já demonstra grande talento, caminha para se tornar um dos principais expoentes de Hollywood. Uma rápida olhada em sua filmografia sugere que o otimismo é justificado. Claquete selecionou alguns destaques:

Perturbado

Em Cálculo mortal (2002), Gosling vive um jovem assassino de forte inclinação homossexual. Com uma atuação clean, o ator demonstra consciência exata do que deve mostrar, sugerir e ocultar. Um personagem charmoso que apresentaria o talento de Gosling para tipos soturnos.


O homem ideal

Em Diário de uma paixão (2004), o ator dá vida a Noah, um arquétipo romântico muito bem idealizado nas páginas de Nicolas Sparks e materializado em uma performance viril e sensível do ator que se mostrava capaz de assumir um papel romântico e pincelá-lo com nuances dramáticas adornadas por carisma e energia.


Perturbado novamente   

Mais um personagem cheio de nuanças e cujos limites dependem muito da intuição do ator. Na pele de um paciente de uma instituição psiquiátrica com fortes impulsos suicidas, Gosling atrai os olhares da audiência em A passagem (2005) com uma caracterização ritmada, fluída e imprevisível.


Perturbado redimido
A indicação ao Oscar veio por essa demolidora composição de um professor viciado que enxerga na relação com uma aluna que descobre suas aflições, o caminho de volta do ostracismo emocional e psicológico em que está. Sua atuação em Half Nelson é das coisas mais liberadas de vaidade que se tem notícia no cinema recente.


The cocky

Quem entende inglês sabe que a palavra aí de cima reúne múltiplos significados. De algum jeito, todos eles sintetizam bem o personagem que Gosling vive em  Um crime de mestre. O promotor assistente que está prestes a mudar para um grande escritório de advocacia e que, portanto, assume uma postura negligente em um caso de assassinato é uma demonstração de subordinação a outro grande ator, no caso Anthony Hopkins. Gosling, porém, sabe aproveitar os respiros que tem para brilhar.


Depois de Mark Zuckerberg...
Quem pode negar que A rede social é cool? Além de inteligente, dinâmico e profundamente reverberante do status atual da sociedade, o filme de David Fincher é responsável por desencadear uma nova leva de biografias dos precursores digitais desse novo século. Depois de Mark Zuckerberg vem aí as histórias de Julian Assange, o fundador do Wikileaks, que ameaça encerrar as operações do site por falta de verbas,  e Steve Jobs, o “visionário” da Apple que faleceu no início do mês.
Assange, que teve duas biografias publicadas em 2011, terá dois filmes com propostas bem diferentes. A primeira lhe será mais lisonjeira e os direitos foram adquiridos por Steven Spielberg. A segunda, adquirida pela Sony que lançou A rede social, deve ser mais inflamável e polêmica. A mesma Sony já estuda levar a bio recém-lançada de Steve Jobs para os cinemas e quer Aaron Sorkin, roteirista de A rede social, para “amaciar a carne”. Potenciais vencedores do Oscar? Sucessos de bilheteria? Análises sobre o homem e o meio? Bem vindo a nova corrida espacial hollywoodiana.

Steve Jobs é o próximo da fila de um tipo muito particular de biografia cinematográfica... 


O 15º Hollywood Film Awards
Não é por acaso que alguns dos mais respeitados críticos de cinema dos Estados Unidos apontam o francês The artist, o independente The descendants e o high profile Moneyball como os principais concorrentes da temporada de premiações que se anuncia. As três produções, e os principais responsáveis por elas, foram homenageadas no 15º Hollywood Film Awards. George Clooney, que pode se consagrar mais uma vez como artista completo que é nesta temporada, recebeu um troféu especial em homenagem à carreira. O diretor e roteirista Alexander Payne também foi homenageado, assim como o foram Bennett Miller (diretor de Moneyball), Michel Hazanavicius e Jean Dujardin (diretor e ator de The artist). Tudo bem que a bela inglesa Rosie Huntington-Whiteley, a nova Trasformers girl, também foi homenageada; mas aí já outra história...
 George Clooney comparecer ao evento acompanhado da nova paixão Stacy Keibler


Barba, cabelo, bigode... e cueca
Há não muito tempo atrás, os heróis estavam circunscritos as alegorias que seus filmes eram. Em um movimento repentino, em que Christopher Nolan tem grande responsabilidade, mas que também passa pela trilogia Bourne, a realidade e a tragédia investiram de vez nesse subgênero hollywoodiano. Dois célebres heróis que povoam o imaginário cinematográfico chegarão aos cinemas nos próximos anos um pouco mudados.
O primeiro é o filho de Krypton. O Superman de Zack Snyder, que será vivido pelo britânico Henry Cavill, não usará a cueca vermelha por fora do uniforme e passará a maior parte do tempo sujo e barbado como atestam fotos do set de filmagens divulgadas recentemente. Pode-se argumentar que essas “mudanças visuais” pouco tem a ver com a ideia de explorar a fragilidade do homem de aço. Fragilidade emocional, diga-se.
Outro brucutu frágil é James Bond. A ideia dos produtores de sensibilizar o mulherengo a serviço do MI 6 culminou na contratação de Sam Mendes, o premiado diretor de Beleza americana e Foi apenas um sonho, para mitigar o sofrimento de 007. Com Javier Bardem confirmado como vilão e boatos de que a ideia é “rodar um filme mais sério com aspirações ao Oscar”, ficou resolvido que Bond surgirá com um visual mais relaxado (tipo barba por fazer e aparência depressiva), para dar forma ao sofrimento.
Realidade é outra coisa!

Henry Cavill nos sets de Superman - o homem de aço: o filho de Krypton com um visu a la Tarzan 




Dia das bruxas


Com o fim de semana do halloween à espreita, vale a pena fazer uma listinha para assistir no fim de semana. Claquete elaborou uma lista de filmes para deixar seu fim de semana macabro na medida certa. Estão presentes perolas do terrir, representantes de um terror mais visual, outros de uma vertente mais sugestiva e filmes especializados em pregar sustos. Uma salada de respeito!

1- a bruxa nojenta de Arrasta-me para o inferno; 2- o pé putrefato de Jogos mortais; 3- o momento da verdade em O bebê de Rosemary


 Jogos mortais (Saw, EUA 2004), de James Wan
É bem verdade que a série se desvirtuou e virou um pornô gráfico e absurdo de violência e sangue, mas esse primeiro filme –elogiado em sundance – é uma produção independente com alma de filme B e uma história arrepiante e enervante na medida certa.   


 Brinquedo assassino (Child´s play, EUA 1988), de Tom Holland
A definição de terror gore nos anos 80 era bem diferente da atual e esse filme dirigido com desenvoltura e audácia por Tom Holland ilustra bem isso.  Um serial killer, antes de ser morto, transfere sua alma para um brinquedo, e dá sequência à contagem de vítimas. Aterrorizou toda uma geração. Hoje pode soar ingênuo, mas ainda tem seu impacto.


 O bebê de Rosemary (Rosemary´s baby, EUA 1968), de Roman Polanski
Esse terror psicológico, algo expressionista, do diretor franco polonês é um marco do cinema sugestivo. Bruxas, seitas, Diabo, estupro e alucinações são a matéria prima do cineasta nesse filme assustadoramente impressionante que conta com um desempenho memorável de Mia Farrow.


Os espíritos – a morte está ao seu lado (Shutter, Tailândia, 2006), de Banjong Pisanthanakun
Tudo começa com um atropelamento. Daí, espectros suspeitos começam a aparecer nas fotografias do casal envolvido no atropelamento. Esse filme tailandês, que já ganhou uma refilmagem americana razoável estrelada por Joshua Jackson, sabe como poucos pregar sustos e conta com uma história realmente arrepiante. Sua percepção para aquela dor na coluna será totalmente modificada por esse filme.


Os espíritos (The frighteners, EUA 1996), de Peter Jackson
Antes de sagrar-se um realizador de ponta, Peter Jackson teve seu passado negro e essa fita que mescla humor e terror estrelada por Michael J. Fox é o testamento disso. Fox vive um detetive algo charlatão que se diz capaz de se comunicar com os mortos. O problema é quando ele, de fato, começa a se comunicar com os mortos.


Arrasta-me para o inferno (Drag me to hell, EUA 2009), de Sam Raimi
Sam Raimi é um cara legal. E um cara com profundo conhecimento cinematográfico em termos de ritmo e narrativa. Basta conferir esse filme para concordar. Na trama, que tira sarro da crise financeira, a jovem Christine nega a renovação de um empréstimo a uma velha cigana maltrapilha. Só para esta lhe rogar uma praga daquelas. Com jeitão de lenda urbana, o filme vai longe. É a cereja do bolo no final de semana comemorativo de Halloween.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Claquete destaca

+ Mais um nome passou a ser comentado para viver o super homem no novo filme que será dirigido por Zack Synder e produzido por Christopher Nolan. Trata-se de Mathew Goode, que já foi dirigido por Synder em Watchmen. É um nome menos impactante do que os articulados previamente. Jon Hamm da série Mad men e Joe Manganiello, o lobisomem Alcide de True Blood.


+ Angelina Jolie está, novamente, em Budapeste onde grava cenas de sua estréia na direção de longa-metragens. Jolie encurtou sua estada, assim como o número de cenas rodadas, na Bósnia. Embora não admita de pronto, a mudança no itinerário de filmagens se deve aos constantes protestos acerca de sua presença lá e do mote de seu filme (que mostra a paixão entre uma mulher Bósnia e um soldado sérvio).

Angie orienta seus atores no set de filmagens em Budapeste


+ Depois de sete semanas na liderança das bilheterias brasileiras, Tropa de elite 2 cedeu o lugar para Harry Potter e as relíquias da morte – parte 1 que obteve a segunda maior abertura do ano. Perdendo nesta comparação, justamente, para o filme estrelado por Wagner Moura.


+ Harry Potter e as relíquias da morte- parte 1 vem dividindo a crítica e os fãs. A produção, que se sagrou como a de maior bilheteria de estréia da saga nos EUA (U$ 125 milhões), recebeu críticas inusitadas, como a do produtor e criador de Lost, Damon Lindelof. O roteirista escreveu artigo no site americano The daily beast em que afirmou que o sétimo filme é “o pior da série, embora seja uma das adaptações mais fiéis”. Esse paradoxo, segundo Lindelof, é algo que ele ainda não conseguiu digerir.


+ A crítica do sétimo filme de Harry Potter será publicada ainda esta semana em Claquete.


+ A próxima sexta-feira, 26, será de estréias para todos os gostos. Woody Allen lança nova fita na praça. Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, assim como Tudo pode dar certo, vem sendo considerado um trabalho menor de Woody. Mark Walhberg e Will Ferrel dividem a cena com The Rock e Samuel L. Jackson em Os outros caras e Marcio Garcia estréia na direção com Amor por acaso em que contracenam Dean Cain e Juliana Paes.


+ Tetro, último filme dirigido por Francis Ford Coppola, tem nova data de estréia no Brasil: 10 de dezembro. O cineasta virá a São Paulo divulgar o filme lançado originalmente em 2009 nos EUA e Europa. Claquete fez um especial sobre o filme que foi publicado em maio. O leitor poderá acessar o especial na página dos ESPECIAIS CLAQUETE.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De olho no futuro...

O gosto pelos malvadões
Depois de ser lorde Blackwood, o antagonista de Robert Downey Jr. em Sherlock Holmes e de encarnar o xerife de Nothingham no aguardado Robin Hood de Ridley Scoot, mais um vilão famoso (por que de não famosos ele já tem muitos), aparece na carreira do inglês Mark Strong. Foi confirmado essa semana que ele viverá Sinestro, o arqui rival do Lanterna verde, no filme que está sendo produzido para o verão do ano que vem. Ryan Reynolds, que será o herói, Tim Robbins, o pai do herói, e Blake Lively, o interesse romântico do herói, já estavam confirmados no elenco.

O herói da década?
Muita gente hesita em responder qual foi o herói dessa primeira década do século no cinema. Jason Bourne (o desmemoriado agente vivido por Matt Damon), Wolverine (o envocado mutante dos X-men vivido por Hugh Jackman) e, acreditem, o ogro Shrek (dublado por Mike Myers) são os mais lembrados. Contudo, Ryan Reynolds quer a dianteira nessa década que entra. Ele é o intérprete de dois novíssimos candidatos a esse título. Além de ser o protagonista de Lanterna verde, ele também estrela Deadpool. Spin off (filme que se origina de outro filme) do spin off de X-men, Wolverine.


Ryan Reynolds e seu tanquinho: prontos para a briga

A briga para viver o Capitão América
Jeremy Renner estava na frente. Mas já ficou para trás. O consenso entre a produção do filme e o diretor Joe Johnston (que acabou de entregar a bomba O lobisomem) permance. Procura-se um ator de recursos (físicos e dramáticos) que ainda não seja astro, mas que esteja apto a sê-lo. O nome mais bem colocado na disputa é o de John Krasinski, o Jim do seriado The Office. Correm por fora o bonitinho Chace Crawford, de Gossip Girl e Garret Hedlund, que foi um dos irmãos de Mark Wahlberg em Quatro irmãos. Dá para ver que Renner perdeu a corrida para gente mais jovem e mais bonita. Ah, essa Hollywood!

Da esquerda para a direita: Crawford, Krasinski e Hedlund

O novo começo de Superman nos cinemas
Poucas semanas depois de oficializar o nome de Christopher Nolan na produção do novo filme do superman (ainda não se confirmou o nome de Nolan como o diretor, mas quem precisa dessa confirmação, certo?), a Warner anunciou (esse sim, em termos oficiais) o nome de David Goyer (roteirista dos dois últimos filmes que Nolan dirigiu do Batman) para assumir o roteiro de Man of Steel, nome provisório do novo filme do superman. Também foi anunciado que Brandon Routh, o último ator a viver o homem de aço, está fora da jogada.


Juntando Owen Wilson e Carla Bruni
O último filme de Woody Allen ainda não estreou no Brasil.Tudo pode dar certo está previsto para maio. No meio do ano deverá estrear nos EUA e Europa, You will meet a tall dark stranger, seu mais novo filme. E Allen que ainda não anunciou se filmará no Rio de janeiro, como sonham alguns empresários tupiniquins, já toca seu próximo projeto que deve ser rodado em Paris durante o verão europeu. Depois de escalar, com direito a grande repercussão mundial, a primeira dama francesa Carla Bruni, o diretor acaba de confirmar Owen Wilson no elenco. Será muito interessante ver Wilson exercitando o humor neurótico do nova-iorquino Allen em Paris. Primeira fila já!

Vera Farmiga diz sim
Madonna tanto fez que conseguiu uma atriz indicada ao Oscar para seu próximo filme como diretora. W.E, um filme de época que mostrará paixões e intrigas na monarquia inglesa vitoriana, está sendo aguardado com ceticismo. Madonna recebeu negativas de gente como Cate Blanchet, Keira Knightely, Natalie Portman e Marion Cottilard. Vera Farmiga (que concorre ao Oscar por seu desempenho em Amor se escalas) topou o convite de Madonna. Agora é esperar para ver o que vai dar!
Vera sorri: Será que ela estará sorrindo quando o filme for lançado?