quarta-feira, 30 de outubro de 2013
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terça-feira, 14 de maio de 2013
Crítica - Somos tão jovens
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| Mendonça afia o baixo e se revela o às de Somos tão jovens |
sexta-feira, 2 de março de 2012
Crítica - A dama de ferro
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
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domingo, 11 de abril de 2010
Os 25 melhores filmes da década: 7 - Não estou lá

Sinopse
Uma biografia da obra de Bob Dylan em que vários atores vivem personagens espelhados nas fases da carreira do cantor e compositor americano. Todos são Dylan e nenhum deles é Dylan.
Comentário
O diretor Toddy Haynes filma a “vida” da obra de Bob Dylan. É isso mesmo. Não estou lá é a tentativa do diretor de emoldurar a arte camaleônica e ressonante de Dylan, um dos maiores artistas de nosso tempo. Tentativa muito bem sucedida por sinal. Seu filme é hermético e crepuscular, mas não deixa de ostentar uma energia muito rock and roll. A música de Dylan, os atores e a reconstituição dos eventos que marcaram a vida e influenciaram a obra de Dylan estão lá. Registrados com o devido vigor imaginativo de um cineasta em pleno domínio de uma linguagem ousada e, justamente por isso, irresistível.
Não estou lá marca também, como pouco se viu nessa década, uma perfeita simetria entre arrojo estético e inovação narrativa. Essa combinação raras vezes resulta em coisa boa no cinema. Sempre há a prevalência de uma em detrimento da outra. Haynes e seu filme conseguem a proeza de atingir um equilíbrio que só enobrece a figura que homenageiam.
Prêmios
Indicado ao Oscar de melhor atriz coadjuvante; indicado ao Bafta de melhor atriz coadjuvante; indicado ao Critic´s choice awards de melhor atriz coadjuvante; prêmio de melhor atriz coadjuvante pelos círculos de críticos de Chicago, Ohio, San Diego e Toronto. Indicado ao SAG de melhor atriz coadjuvante; Globo de ouro de melhor atriz coadjuvante; 6 indicações ao Independent Spirit Awards; Prêmio do Júri no festival de Veneza e leão de prata de melhor atriz;
Curiosidades
- Cate Blanchet é um dos atores que vivem Bob Dylan. Sua encarnação de Dylan foi a mais elogiada e rendeu muitos prêmios e indicações para a atriz.
- Foi um dos últimos trabalhos de Heath Ledger. Foi o último que ele participou da campanha de divulgação.
- Heath Ledger substituiu Colin Farrel, preferência do diretor Todd Haynes que teve de se retirar do projeto por “conflitos de agenda”
- Dylan aprovou o uso de suas músicas no filme antes do projeto ganhar forma
- Toddy Haynes levou seis anos para capitalizar os recursos para rodar o filme
- Foi o primeiro filme que Heath Ledger e Christian Bale fizeram juntos. Um ano mais tarde estariam de lados opostos da lei em Batman – o cavaleiro das trevas
- Julianne Moore trabalhou em todos os filmes para cinema de Todd Haynes. Aqui ela faz uma participação pequena, mas importante.
- Oren Moverman, que divide os créditos do roteiro com Todd Haynes, debutou na direção no ano passado com O mensageiro
Ficha técnica
título original: I'm Not There
gênero: Drama
duração: 02 hs 15 min
ano de lançamento: 2007
Estúdios:Killer Films / Wells Productions / John Wells Productions / Endgame Entertainment
distribuidoras:The Weinstein Company / Europa Filmes
direção: Todd Haynes
roteiro:Oren Moverman e Todd Haynes
produção:John Goldwyn, Jeff Rosen, John Sloss, James D. Stern e Christine Vachon
fotografia:Edward Lachman
figurino:John A. Dunn
edição:Jay Rabinowitz
Elenco: Christian Bale, Richard Gere, Heath Ledger, Cate Blanchet, Ben Whishaw, Marcus Carl franklin, Michelle Willians, Julianne Moore, David Cross e Charlotte Gainsbourg
Fonte: Arquivo pessoal
domingo, 18 de outubro de 2009
Insight
Um sub gênero caro ao cinema é o chamado biopic, ou como chamamos aqui no Brasil, biografias. Retratar trajetórias de vida vitoriosas ou de proeminentes seres humanos que marcaram a história é uma característica itinerante do cinema, em particular do cinema americano. É compreensível, em um sociedade que aprendeu a valorizar a ambição e os desdobramentos dela, o fascínio por vidas que desconhecem limites ou que os subjugam com determinação e afinco vorazes.
O retrato que o cinema constrói de celebridades, políticos, grandes personalidades e ou gente que fez a diferença em níveis menos estratosféricos, geralmente é lisonjeiro. Há sempre uma preocupação vaticinante em homenagear o biografado, quando vivo, e de honrá-lo e reverência-lo, quando morto.

Cena de Jogos do poder em que Tom Hanks vive o congressista Charles Wilson: Não é uma biografia convencional, mas mostra muito sobre a vida e o jeito de ser do personagem
Esse é um dos cânones desses sub gênero. Há, no entanto, exceções. Cineastas que procuram a verdade, nem sempre abrasadora, sobre seus biografados. Há também biografias que se confundem com o registro de um período histórico, o que municia o cineasta com uma perspectiva diferente. Já que o olhar sobre o personagem parte de um outro referencial.
São muitas, não restam dúvidas, as formas e estruturas de elaborar uma biopic. O cinema americano é, por razões óbvias, o mais fértil na produção dessa ficção - verdade. Existem alguns filmes exemplares que se confundem com o que de melhor foi produzido por Hollywood. Recentemente tivemos filmes como O aviador de Martin Scorsese (sobre a vida do excêntrico Howard Hughes), Ray de Taylor Hackford (sobre a vida do cantor Ray Charles), Milk de Gus Vant Sant (sobre a vida do primeiro político americano assumidamente homossexual eleito Harvey Milk), W de Oliver Stone ( sobre o ex-presidente George W. Bush), 8 Mile (sobre o rapper Eminem), Uma mente brilhante (sobre o matemático John Nash) e O vigarista do ano ( sobre, bem, o trambiqueiro profissional Clifford Irving).

Leonardo Di Caprio como Howard Hughes: Um estudo elaborado de uma vida que desconheceu limites
Há ainda exemplos de filmes que mostram muito sobre uma personalidade a partir de um recorte específico. Ao invés de focar toda a sua vida, focam um evento importante que resume ou ilustra precisamente a vida dessas personalidades. Como o fazem Capote , de Bennet Miller (sobre o escritor e jornalista Truman Capote), Jogos do poder de Mike Nichols (sobre o congressista Charles Wilson ), Treze dias que abalaram o mundo de Roger Donaldson (sobre John Kennedy), Hollywoodland ( sobre o ator George Reeves) e o recente, em cartaz nas telas brasileiras, O desinformante de Steve Sodebergh (sobre um executivo em busca de notoriedade).
Pessoas comuns com histórias extraordinárias também são objeto de biografias. E não só hollywoodianas. O espanhol Ramón Sampedro que tetraplégico lutou bravamente para ter o direito de dar fim a sua vida, teve seu livro adaptado para os cinemas. Mar adentro foi um grande sucesso de público e critica do cinema espanhol.
Portanto, hoje as biografias se dividem, mesmo que em um movimento involuntário, em duas frentes. Aquelas que são biografias assumidas, tratadas com a pompa e, frequentemente, com a reverência características e aquelas que partem do minimalismo de um acontecimento ou momento específico para tecer um comentário maior. São essas as mais impiedosas, ou menos reverentes, com seus biografados.

Damon e Sodebergh no set de O desinformante: Crônica de um mentiroso compulsivo
Independentemente de reverências, agendas políticas, gostos e afinidades, as biografias são, em suma, uma aposta segura. Tanto para produtores, diretores e atores (é um produto de inegável prestígio acadêmico), para o biografado (o filme pode, muitas da vezes, ser redentor), quanto para o público ( na pior das hipóteses é uma aula de história regular, na melhor, cultura em sua melhor embalagem).
Biografias são por excelência sobre a vida de pessoas. Todd Haynes, porém, revolucionou essa percepção. Não estou lá é um filme sobre a vida da obra de Bob Dylan. Como se vê, se uma vida não tem limites, também não terá sua retratação em celulóide.
Portanto, há de se reconhecer a fluência e renovação do sub gênero que talvez seja, o que mais aproxima o homem de sua essência. Seja por seu acertos, por seus erros, por suas omissões ou por seus devaneios. É o homem se vendo pelo cinema.

Josh Brolin como o Bush de Oliver Stone: Um retrato meio desfocado da vida do então integrante da Casa Branca
Critica - O desinformante
O novo filme de Steve Sodebergh é, além de entretenimento de alto nível, um elaborado estudo da paranóia corporativa dos tempos modernos. O desinformante ( The informant EUA 2009), baseado em fatos reais, acompanha a trajetória de Mark Whitacre (Matt Damon), um bioquímico de formação e executivo por vocação, que a pretexto de manter a consciência limpa, e tornar-se uma espécie de herói nacional, denuncia as ilicitudes de sua empresa para o FBI. Tornando-se, inclusive, informante.
O esquema de taxação de preços com os concorrentes denunciado por Whitacre, de fato existia, contudo, o irresistível apelo da mentira para Whitacre compromete a investigação e, mais adiante, a própria situação de Whitacre com a justiça.
O que interessa a Sodeberg, em um primeiro momento, aqui é delinear os efeitos nocivos que uma sociedade capitalista degenerada é capaz de produzir. Seja pela subversão de certas regras sociais, morais ou éticas. Em um segundo momento, Sodebergh mira na capacidade de um indivíduo, tido como bom cidadão, de recorrer a subterfúgios para garantir uma vida melhor. O tom do registro escolhido pelo diretor não poderia ser mais acertado. O humor negro e a ligeira inclinação à comédia de erros se fundem perfeitamente a história que, conforme avança, ganha contornos inacreditáveis.

E a atuação de Matt Damon, nesse sentido, é providencial. O ator, que engordou 15 quilos para o papel, dá um ar de bonachão a Whitacre. O timing cômico de Damon está apuradíssimo e os afiados diálogos ganham ainda mais viço com o ator em cena. O elenco de coadjuvantes também está muito bem. Mas é, de fato, Damon quem brilha. Não será nenhuma surpresa, se o ator receber algumas indicações a prêmios por essa acurada performance.
A conclusão que emerge de O desinformante, a despeito da bipolaridade diagnosticada de seu biografado, é que em um mundo tão distorcido quanto esse que temos aí, a mentira é uma ferramenta poderosa, desde que usada com moderação.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Perfil: Philip Seymour Hoffman
Nascido em 23 de julho de 1967 no estado de Nova Iorque, Philip Seymour Hoffman começou a chamar a atenção para si em 1997 no primeiro filme do diretor Paul Tomas Anderson. Muito antes disso já dividia a cena com grandes nomes do cinema, como Al Pacino em Perfume de mulher de 1992.
Hoffman é daqueles atores que vai bem em qualquer papel. Isso em parte tem a ver com seu tipo fácil, gordinho, loiro, de traços simples e bem delineados. Contudo, é o talento que favorece indiscriminadamente o camaleônico Hoffman. O ator é dotado de uma sensibilidade ímpar, de uma intuição poderosa e um senso critico dos mais felizes. Essa combinação tem feito com que Hoffman seja o ator americano mais interessante do momento, superando até mesmo legendas ainda em atividade.
Se existe um tipo comum a sua filmografia são os personagens sob os quais paira algum tipo de desvio. Seja moral, seja de sexualidade, seja de conduta. Enfim Hoffman parece viver personagens desajustados com grande naturalidade, o que não quer dizer absolutamente nada sobre o ator como pessoa, mais um mérito de suas itinerantes criações.
Sempre compondo de dentro para fora, pode - se verificar a acuidade do trabalho do ator ao pegar um tipo de personagem que ele já tenha interpretado e fazê-lo de maneira totalmente diferente. Hoffman não se repete, mesmo que os personagens tenham muitas características em comum.
Por exemplo, o ator já viveu personagens gays inúmeras vezes. Boogie Nights - prazer sem limites, O talentoso Ripley, Ninguém é perfeito, Magnólia e Capote são apenas os filmes mais famosos em que o ator interpretou homossexuais. Em todos os casos o tom do registro é diferente. Seja na postura ou no tom de voz, o ator sempre lança mão de um recurso novo e muitas das vezes surpreendente. Como em Capote que lhe valeu entre tantos prêmios, o da acadêmia. Ali o ator incorpora trejeitos do biografado e alcança um timbre de voz totalmente diferente do seu. A integridade de sua atuação é notável. Ele cria um tipo efeminado, mas não afetado, debochado, mas não grosseiro - além de outras nuanças que o personagem pedia. Em Boogie nights- para estabelecer uma base de comparação- ele cria um tipo imaturo, afetado, atrevido até, em um caminho diametralmente oposto daquele contemplado em Capote.
E é justamente a partir de Capote que Hoffman tem se preservado mais e selecionado com mais apreço seus trabalhos. Depois da consagração artística, o ator parece disposto a adentrar a galeria dos grandes. Uma a uma suas atuações se aglomeram como melhores e melhores seja qual for o critério para aferi-las. Desde o oscar em 2006, o ator já voltou duas vezes a cerimônia por Jogos do poder em 2008 e Dúvida em 2009. Isso, porque houve uma peneira, informal obviamente, para que se chegasse a um denominador comum em relação ao filme pelo qual o ator seria indicado. Em 2007, além de Jogos do poder, o ator foi visto com a habitual competência em A família Savage e, devastador, em Antes que o Diabo saiba que você está morto. Ano passado além de Dúvida, Hoffman esteve brilhante em Sinédoque Nova Iorque.
O ator que já se experimentou em comédias (Quero ficar com Polly), também emprestou sua sofisticação ao Blockbuster Missão impossível 3. Aí está outra base para analisar a capacidade camaleônica de Hoffman. Ele vive com a mesma contundência um sujeito grotesco e pamonha como na comédia em que dividiu a cena com Ben Stiller e um terrorista internacional de fino trato na franquia capitaneada por Tom Cruise.
É prazeroso assistir Hoffman em cena. Ator capaz de hipnotizar uma platéias das mais dispares. Cheio de recursos e extremamente inventivo, Hoffman não parece se intimidar com desafios. Está sempre propenso a conquistar mais e enfileirar conquistas profissionais. Merece ser acompanhado de perto por quem gosta de cinema.

O ator no Oscar desse ano
Foto: Divulgação
domingo, 9 de agosto de 2009
Filme do dia

Oliver Stone hoje está mais manso. Contudo The doors é da época que o diretor costumava incomodar muita gente. A fidelidade com que pincelou a vida do amalucado Jim Morrison e de seu grupo de rock rendeu-lhe alguns prêmios e ajudou a afirma-lo como diretor de cinebiografias.
Aqui toda a problemática vida do vocalista do The doors é reproduzida em detalhes. Stone evita julgamentos, mas não se priva de abraçar o disponível. Limitando o poder de investigação de seu filme. Contudo, The doors é um filme vibrante que beira o histrionismo e tem Val Kilmer, na melhor atuação de sua cerreira. É ele quem faz o “solo” aqui.




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