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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Em off

Nesta edição da seção Em off, concurso cultural com oferecimento do AdoroCinema, biografias não autorizadas de gente do cinema, as figas para 50 tons de cinza, a confissão de Tom Hiddleston e cabeça que já está em 2014.

Loki tem um qzinho de Nicholson
Eu quero ser o seu malvado favorito: Tom Hiddleston sabe fazer propaganda...

Tom Hiddleston, que se as casas de apostas aceitassem esse tipo de aposta, deve roubar a cena da sequência de Thor, que ganhou o subtítulo de O mundo sombrio e estreia na próxima sexta-feira nos cinemas brasileiros, disse em entrevista recente à revista Entertainment Weekly que o coringa de Jack Nicholson foi sua maior influência na composição de seu personagem, o Deus da trapaça. “Adoro vilão que se diverte”. Nós, público e crítica, também!

Pensando em 2014
O AdoroCinema elaborou uma lista para os apressadinhos. Aqueles cinéfilos ansiosos (e que cinéfilo não é ansioso?) que já estão com a cabeça nos lançamentos de 2014. O site fez um inventário com os principais destaques mensais de alguns dos lançamentos mais antecipados da próxima temporada. Remakes, nacionais, releituras, novas adaptações, blockbusters e potenciais destaques da safra do próximo Oscar figuram entre os mencionados. Vale a pena dar aquela espiadinha clicando aqui.

Promoção
Por falar em AdoroCinema, a primeira promoção fruto da parceria entre o site de cinema número 1 do país e o blog de sua preferência já está no ar. A partir da publicação desta seção Em off para ser o mais preciso possível. São dois pares de ingresso em disputa. Um, para o filme Aposta máxima com Ben Affleck e Justin Timberlake, e o outro para Terror em Silent Hill 2: revelação 3D. Para concorrer aos ingressos é muito fácil. Basta curtir a página do blog no Facebook e enviar um e-mail para reinaldoglioche@hotmail.com com a resposta para a seguinte pergunta: De quem, ligado ao cinema, você gostaria de ver uma biografia não autorizada e por que? As duas melhores respostas faturam os dois pares de ingresso e a promoção se estende até domingo às 19h. Observação importante. Só estarão aptos à concorrência aqueles que enviarem as respostas por e-mail e que curtirem a página do blog no Facebook.

10 biografias não autorizadas de gente do cinema que gostaríamos de ver
No espírito da promoção, e do debate que toma conta do país, Claquete elaborou uma listinha com dez personalidades do mundo do cinema que o blog gostaria que fossem alvos de biografias não autorizadas.

Harvey Weinstein
Todo poderoso do marketing e produtor megalomaníaco, Harvey Weinstein é o Howard Hughes da nossa era. Merecia uma investigação tão espirituosa e ruidosa quanto suas campanhas pelo Oscar para filmes como Shakespeare apaixonado, O discurso do rei e O artista.

Quentin Tarantino
Gênio ou plagiador habilidoso? A polêmica talvez nunca se esgote e uma biografia pormenorizada com foco nos anos de formação de Tarantino talvez propicie um olhar revigorado sobre um dos últimos autores de cinema a extrapolar nichos.

Tom Cruise
Ok, já há biografias não autorizadas sobre o astro, o que só prova como o Brasil por se ensimesmar nesse debate é um país atrasado. Mas nenhuma biografia foi muito a fundo nas passagens mais polêmicas da vida de Cruise como a cientologia, seu perfeccionismo extremado, as mulheres, a relação desigual com os filhos, a queda em Hollywood, o novo começo... Personagem tão rico, merece mais disposição do mercado editorial.

Jennifer Aniston
O divórcio ruidoso de Brad Pitt, os muitos namorados e, finalmente, o papel de amante. A vida pessoal de Jennifer Aniston, é inegável, obscurece sua carreira em matéria de holofote. O ideal seria uma biografia corajosa em buscar o equilíbrio narrativo, sem inversão de prioridades; preservando, na medida do possível, todos os detalhes sórdidos.

David O. Russell
Diretor genial e genioso, com série de escândalos e desafetos, que aos poucos foi se ajustando ao mainstream e fazendo alguns dos filmes mais interessantes dos últimos dez anos. David O. Russell é o tipo Roberto Carlos: biografia de verdade só se não for autorizada.

Zhang Yimou
Um dos cineastas mais visualmente impressionantes de que se tem notícia e seguramente um dos melhores diretores chineses. Yimou, no entanto, é questionado em seu país por se submeter ao regime comunista para obter aprovação de seus filmes, por muitos considerados propagandistas. Ele valeria uma boa biografia. De quebra, o processo de feitura do livro daria um filme e tanto.

Joaquim Phoenix
O melhor ator desde De Niro e Pacino? Talvez. Mas Joaquim Phoenix é também um estranho no ninho no metiê hollywoodiano e esse tipo de personagem é para lá de interessante para uma biografia rigorosa, concentrada e com interesses além dos comuns. Estamos na torcida.

Charlie Kaufman
O roteirista mais brilhante e mais antipático, assumidamente invejoso, a ter pisado em Hollywood. Essa biografia é para ontem! Para quem não sabe, Kaufman é o responsável pelos amalucados e inesquecíveis Quero ser John Malkovich (1999), Adaptação (2002) e Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004), entre outros.

Fernando Meirelles
Arquitetura, publicidade, cinema e Cidade de Deus. A trajetória de Fernando Meirelles, um pensador tão plural como sedutor que não se avexa de emitir opiniões sobre todo e qualquer assunto, é das grandes biografias que o cinema brasileiro merece. Que nossas leis permitam que essa luz se manifeste!

Leonardo DiCaprio
E esse negócio com modelos, hein? Alguém tem que escrever sobre esse troço. Leonardo DiCaprio se tornou um dos melhores atores do momento, mas teve um início conturbado e não soube exatamente como lidar com a fama. A parceria com Scorsese, a obsessão por modelos, a birra com o Oscar. Vem DiCaprio!


Agora vai?

Depois de confirmar o novo protagonista, Jamie Dornan, os produtores de 50 tons de cinza adiaram o início das filmagens de novembro para dezembro. Além de prover mais tempo de preparação para Dornan, a mudança tem como objetivo dar tempo do novo roteirista Patrick Marber promover as mudanças que julgar necessárias no roteiro escrito por Kelly Marcel. A expectativa é de que, finalmente, a produção do filme mais comentado do momento entre nos eixos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Crítica - Somos tão jovens



Olhar inconformista

Somos tão jovens (Brasil 2013), recorte sobre os anos de formação de Renato Russo como músico, é daqueles filmes que se agigantam na polarização que insinuam. É, sob certo aspecto, um filme homenagem que reveste seu protagonista de carinho e fala diretamente aos fãs – geralmente desprovidos do senso crítico. Em um segundo momento, é, também, um filme sobre um dos últimos movimentos genuinamente criativos com marca nacional – ainda que situado em um espaço-tempo de prolificidade de movimentos de rebeldia e inconformismo tutelados pela juventude no mundo.
Somos tão jovens, na direção enérgica de Antonio Carlos da Fontoura, concilia essa aparente dicotomia de maneira muito orgânica. É um filme vibrante, não apenas por retratar a gênese de um dos mais celebrados músicos da história do Brasil, mas também por buscar entender o momento em que Renato Manfredini Junior se torna Renato Russo.
É nessa investigação que Somos tão jovens, até então um registro cheio de vida, cai na mesmice. O roteiro de Marcos Bernstein adota os caminhos conhecidos e menos ousados e torna Somos tão jovens um produto que flerta perigosamente com a trivialidade enquanto cinema. Se essa entrega ao óbvio não acontece de todo é em virtude do talento messiânico de Thiago Mendonça que vive com coração e minúcia Renato Russo. Desde trejeitos característicos do cantor até a composição emocional robusta de suas aflições existenciais.
Mendonça afia o baixo e se revela o às de Somos tão jovens
Mendonça destaca-se ainda por uma proeza improvável. Quando Renato Russo começa a cantar, seja nos vocais do Aborto elétrico, como trovador solitário ou na Legião urbana, Mendonça se conecta à memória de Russo redefinindo-a com vibração, afinação e carisma que, talvez, não sobejassem dessa maneira em Russo.
Esse fator, que poderia ser um problema em certa ótica, acaba reforçando o olhar inconformista pretendido pela realização para essa geração brasileira, no geral, e brasiliense, em particular, que resolveu protestar via Rock´n roll.
Somos tão jovens ainda é capaz de exercer uma nostalgia diferenciada, justamente por apresentar uma juventude tão distinta da que existe hoje. Nesse sentido, ao som das músicas tão envolventes de autoria de Renato Russo, o filme adquire certa amargura.  

sexta-feira, 2 de março de 2012

Crítica - A dama de ferro

Faltou sustância!

É preciso dizer que A dama de ferro (The iron lady, ING 2011) não dá conta da complexidade da personagem principal, a ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher (Meryl Streep). Isso em virtude de três aspectos que estão intimamente relacionados. O primeiro deles é que a diretora Phyllida Llyod não só não esconde sua simpatia pela personagem como a sublinha com opções que modificam o caráter do filme: trata-se, afinal, mais de uma homenagem à controvertida figura de Thatcher do que uma biografia propriamente dita. O segundo ponto é a falta de perspicácia de Llyod na construção dramática da fita – demérito que precisa ser compartilhado com o roteiro preguiçoso e mal articulado. Se Llyod acerta em situar seu filme na velhice de Thatcher e, a partir desse recorte temporal, estabelecer uma comparação entre a mulher que experimentou o ápice do poder na Inglaterra e no Ocidente e a mulher que não consegue se desvencilhar de alucinações causadas pela esquizofrenia que lhe vitima, ela erra ao imprimir tom didático e quadrado na construção da personagem. Os flashbacks que mostram a admiração de Thatcher por seu pai, seu ingresso na vida política, o surgimento do amor e algumas das crises de seu governo são engessados por uma lógica narrativa pouco inventiva que, não só arrefece qualquer chance de A dama de ferro ser minimamente satisfatório enquanto cinema, como transforma o filme em um pastiche feminista mal elaborado.

Meryl Streep levanta o dedinho: não ousem estragar meu filme...


O terceiro ponto que faz A dama de ferro sucumbir ante as expectativas ensejadas é a falta de contexto histórico que lhe caracteriza. Além de não abarcar a política de maneira inteligente, de apresentar um retrato simpático e profundamente equivocado do ponto de vista histórico de Thatcher, A dama de ferro erra ao querer cobrir uma vida, e um governo, em um filme de hora e meia. Parece oportuno dizer que um recorte temporal específico talvez fosse mais fiel à essência de Thatcher enquanto personagem histórico.
A dama de ferro é um filme narrativamente pobre, com opções estéticas discutíveis e uma atriz que faz o possível para driblar as limitações da realização. Se A dama de ferro é minimamente tolerável é em virtude do trabalho de Meryl Streep. Atriz detalhista, intuitiva e que sabe chamar a responsabilidade para si.
Se se restringisse à cena inicial, em que flagra uma desorientada Thatcher impotente em um supermercado, A dama de ferro seria genial. Mas o filme segue, sem essa aptidão para a sugestão, e submete seu espectador à constatação de que existem grandes filmes e existem aquelas grandes ideias que poderiam ter resultado em grandes filmes. Meryl Streep, no final das contas, não faz milagres.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as próximas biografias polêmicas a ganharem os cinemas, alguns takes de Ryan Gosling, uma seleção especial para o final de semana do Halloween, a constatação de que os heróis já não são mais os mesmos e o começo dos festejos em Hollywood.


Ryan Gosling em cinco takes

Na última semana, Claquete publicou um perfil de Ryan Gosling, no qual estipulou que o ator, que já demonstra grande talento, caminha para se tornar um dos principais expoentes de Hollywood. Uma rápida olhada em sua filmografia sugere que o otimismo é justificado. Claquete selecionou alguns destaques:

Perturbado

Em Cálculo mortal (2002), Gosling vive um jovem assassino de forte inclinação homossexual. Com uma atuação clean, o ator demonstra consciência exata do que deve mostrar, sugerir e ocultar. Um personagem charmoso que apresentaria o talento de Gosling para tipos soturnos.


O homem ideal

Em Diário de uma paixão (2004), o ator dá vida a Noah, um arquétipo romântico muito bem idealizado nas páginas de Nicolas Sparks e materializado em uma performance viril e sensível do ator que se mostrava capaz de assumir um papel romântico e pincelá-lo com nuances dramáticas adornadas por carisma e energia.


Perturbado novamente   

Mais um personagem cheio de nuanças e cujos limites dependem muito da intuição do ator. Na pele de um paciente de uma instituição psiquiátrica com fortes impulsos suicidas, Gosling atrai os olhares da audiência em A passagem (2005) com uma caracterização ritmada, fluída e imprevisível.


Perturbado redimido
A indicação ao Oscar veio por essa demolidora composição de um professor viciado que enxerga na relação com uma aluna que descobre suas aflições, o caminho de volta do ostracismo emocional e psicológico em que está. Sua atuação em Half Nelson é das coisas mais liberadas de vaidade que se tem notícia no cinema recente.


The cocky

Quem entende inglês sabe que a palavra aí de cima reúne múltiplos significados. De algum jeito, todos eles sintetizam bem o personagem que Gosling vive em  Um crime de mestre. O promotor assistente que está prestes a mudar para um grande escritório de advocacia e que, portanto, assume uma postura negligente em um caso de assassinato é uma demonstração de subordinação a outro grande ator, no caso Anthony Hopkins. Gosling, porém, sabe aproveitar os respiros que tem para brilhar.


Depois de Mark Zuckerberg...
Quem pode negar que A rede social é cool? Além de inteligente, dinâmico e profundamente reverberante do status atual da sociedade, o filme de David Fincher é responsável por desencadear uma nova leva de biografias dos precursores digitais desse novo século. Depois de Mark Zuckerberg vem aí as histórias de Julian Assange, o fundador do Wikileaks, que ameaça encerrar as operações do site por falta de verbas,  e Steve Jobs, o “visionário” da Apple que faleceu no início do mês.
Assange, que teve duas biografias publicadas em 2011, terá dois filmes com propostas bem diferentes. A primeira lhe será mais lisonjeira e os direitos foram adquiridos por Steven Spielberg. A segunda, adquirida pela Sony que lançou A rede social, deve ser mais inflamável e polêmica. A mesma Sony já estuda levar a bio recém-lançada de Steve Jobs para os cinemas e quer Aaron Sorkin, roteirista de A rede social, para “amaciar a carne”. Potenciais vencedores do Oscar? Sucessos de bilheteria? Análises sobre o homem e o meio? Bem vindo a nova corrida espacial hollywoodiana.

Steve Jobs é o próximo da fila de um tipo muito particular de biografia cinematográfica... 


O 15º Hollywood Film Awards
Não é por acaso que alguns dos mais respeitados críticos de cinema dos Estados Unidos apontam o francês The artist, o independente The descendants e o high profile Moneyball como os principais concorrentes da temporada de premiações que se anuncia. As três produções, e os principais responsáveis por elas, foram homenageadas no 15º Hollywood Film Awards. George Clooney, que pode se consagrar mais uma vez como artista completo que é nesta temporada, recebeu um troféu especial em homenagem à carreira. O diretor e roteirista Alexander Payne também foi homenageado, assim como o foram Bennett Miller (diretor de Moneyball), Michel Hazanavicius e Jean Dujardin (diretor e ator de The artist). Tudo bem que a bela inglesa Rosie Huntington-Whiteley, a nova Trasformers girl, também foi homenageada; mas aí já outra história...
 George Clooney comparecer ao evento acompanhado da nova paixão Stacy Keibler


Barba, cabelo, bigode... e cueca
Há não muito tempo atrás, os heróis estavam circunscritos as alegorias que seus filmes eram. Em um movimento repentino, em que Christopher Nolan tem grande responsabilidade, mas que também passa pela trilogia Bourne, a realidade e a tragédia investiram de vez nesse subgênero hollywoodiano. Dois célebres heróis que povoam o imaginário cinematográfico chegarão aos cinemas nos próximos anos um pouco mudados.
O primeiro é o filho de Krypton. O Superman de Zack Snyder, que será vivido pelo britânico Henry Cavill, não usará a cueca vermelha por fora do uniforme e passará a maior parte do tempo sujo e barbado como atestam fotos do set de filmagens divulgadas recentemente. Pode-se argumentar que essas “mudanças visuais” pouco tem a ver com a ideia de explorar a fragilidade do homem de aço. Fragilidade emocional, diga-se.
Outro brucutu frágil é James Bond. A ideia dos produtores de sensibilizar o mulherengo a serviço do MI 6 culminou na contratação de Sam Mendes, o premiado diretor de Beleza americana e Foi apenas um sonho, para mitigar o sofrimento de 007. Com Javier Bardem confirmado como vilão e boatos de que a ideia é “rodar um filme mais sério com aspirações ao Oscar”, ficou resolvido que Bond surgirá com um visual mais relaxado (tipo barba por fazer e aparência depressiva), para dar forma ao sofrimento.
Realidade é outra coisa!

Henry Cavill nos sets de Superman - o homem de aço: o filho de Krypton com um visu a la Tarzan 




Dia das bruxas


Com o fim de semana do halloween à espreita, vale a pena fazer uma listinha para assistir no fim de semana. Claquete elaborou uma lista de filmes para deixar seu fim de semana macabro na medida certa. Estão presentes perolas do terrir, representantes de um terror mais visual, outros de uma vertente mais sugestiva e filmes especializados em pregar sustos. Uma salada de respeito!

1- a bruxa nojenta de Arrasta-me para o inferno; 2- o pé putrefato de Jogos mortais; 3- o momento da verdade em O bebê de Rosemary


 Jogos mortais (Saw, EUA 2004), de James Wan
É bem verdade que a série se desvirtuou e virou um pornô gráfico e absurdo de violência e sangue, mas esse primeiro filme –elogiado em sundance – é uma produção independente com alma de filme B e uma história arrepiante e enervante na medida certa.   


 Brinquedo assassino (Child´s play, EUA 1988), de Tom Holland
A definição de terror gore nos anos 80 era bem diferente da atual e esse filme dirigido com desenvoltura e audácia por Tom Holland ilustra bem isso.  Um serial killer, antes de ser morto, transfere sua alma para um brinquedo, e dá sequência à contagem de vítimas. Aterrorizou toda uma geração. Hoje pode soar ingênuo, mas ainda tem seu impacto.


 O bebê de Rosemary (Rosemary´s baby, EUA 1968), de Roman Polanski
Esse terror psicológico, algo expressionista, do diretor franco polonês é um marco do cinema sugestivo. Bruxas, seitas, Diabo, estupro e alucinações são a matéria prima do cineasta nesse filme assustadoramente impressionante que conta com um desempenho memorável de Mia Farrow.


Os espíritos – a morte está ao seu lado (Shutter, Tailândia, 2006), de Banjong Pisanthanakun
Tudo começa com um atropelamento. Daí, espectros suspeitos começam a aparecer nas fotografias do casal envolvido no atropelamento. Esse filme tailandês, que já ganhou uma refilmagem americana razoável estrelada por Joshua Jackson, sabe como poucos pregar sustos e conta com uma história realmente arrepiante. Sua percepção para aquela dor na coluna será totalmente modificada por esse filme.


Os espíritos (The frighteners, EUA 1996), de Peter Jackson
Antes de sagrar-se um realizador de ponta, Peter Jackson teve seu passado negro e essa fita que mescla humor e terror estrelada por Michael J. Fox é o testamento disso. Fox vive um detetive algo charlatão que se diz capaz de se comunicar com os mortos. O problema é quando ele, de fato, começa a se comunicar com os mortos.


Arrasta-me para o inferno (Drag me to hell, EUA 2009), de Sam Raimi
Sam Raimi é um cara legal. E um cara com profundo conhecimento cinematográfico em termos de ritmo e narrativa. Basta conferir esse filme para concordar. Na trama, que tira sarro da crise financeira, a jovem Christine nega a renovação de um empréstimo a uma velha cigana maltrapilha. Só para esta lhe rogar uma praga daquelas. Com jeitão de lenda urbana, o filme vai longe. É a cereja do bolo no final de semana comemorativo de Halloween.

domingo, 11 de abril de 2010

Os 25 melhores filmes da década: 7 - Não estou lá

“Deus, eu estou feliz que eu não sou eu”




Sinopse
Uma biografia da obra de Bob Dylan em que vários atores vivem personagens espelhados nas fases da carreira do cantor e compositor americano. Todos são Dylan e nenhum deles é Dylan.

Comentário
O diretor Toddy Haynes filma a “vida” da obra de Bob Dylan. É isso mesmo. Não estou lá é a tentativa do diretor de emoldurar a arte camaleônica e ressonante de Dylan, um dos maiores artistas de nosso tempo. Tentativa muito bem sucedida por sinal. Seu filme é hermético e crepuscular, mas não deixa de ostentar uma energia muito rock and roll. A música de Dylan, os atores e a reconstituição dos eventos que marcaram a vida e influenciaram a obra de Dylan estão lá. Registrados com o devido vigor imaginativo de um cineasta em pleno domínio de uma linguagem ousada e, justamente por isso, irresistível.
Não estou lá marca também, como pouco se viu nessa década, uma perfeita simetria entre arrojo estético e inovação narrativa. Essa combinação raras vezes resulta em coisa boa no cinema. Sempre há a prevalência de uma em detrimento da outra. Haynes e seu filme conseguem a proeza de atingir um equilíbrio que só enobrece a figura que homenageiam.


Prêmios
Indicado ao Oscar de melhor atriz coadjuvante; indicado ao Bafta de melhor atriz coadjuvante; indicado ao Critic´s choice awards de melhor atriz coadjuvante; prêmio de melhor atriz coadjuvante pelos círculos de críticos de Chicago, Ohio, San Diego e Toronto. Indicado ao SAG de melhor atriz coadjuvante; Globo de ouro de melhor atriz coadjuvante; 6 indicações ao Independent Spirit Awards; Prêmio do Júri no festival de Veneza e leão de prata de melhor atriz;

Curiosidades
- Cate Blanchet é um dos atores que vivem Bob Dylan. Sua encarnação de Dylan foi a mais elogiada e rendeu muitos prêmios e indicações para a atriz.
- Foi um dos últimos trabalhos de Heath Ledger. Foi o último que ele participou da campanha de divulgação.
- Heath Ledger substituiu Colin Farrel, preferência do diretor Todd Haynes que teve de se retirar do projeto por “conflitos de agenda”
- Dylan aprovou o uso de suas músicas no filme antes do projeto ganhar forma
- Toddy Haynes levou seis anos para capitalizar os recursos para rodar o filme
- Foi o primeiro filme que Heath Ledger e Christian Bale fizeram juntos. Um ano mais tarde estariam de lados opostos da lei em Batman – o cavaleiro das trevas
- Julianne Moore trabalhou em todos os filmes para cinema de Todd Haynes. Aqui ela faz uma participação pequena, mas importante.
- Oren Moverman, que divide os créditos do roteiro com Todd Haynes, debutou na direção no ano passado com O mensageiro

Ficha técnica
título original: I'm Not There
gênero: Drama
duração: 02 hs 15 min
ano de lançamento: 2007
Estúdios:Killer Films / Wells Productions / John Wells Productions / Endgame Entertainment
distribuidoras:The Weinstein Company / Europa Filmes
direção: Todd Haynes
roteiro:Oren Moverman e Todd Haynes
produção:John Goldwyn, Jeff Rosen, John Sloss, James D. Stern e Christine Vachon
fotografia:Edward Lachman
figurino:John A. Dunn
edição:Jay Rabinowitz
Elenco: Christian Bale, Richard Gere, Heath Ledger, Cate Blanchet, Ben Whishaw, Marcus Carl franklin, Michelle Willians, Julianne Moore, David Cross e Charlotte Gainsbourg


Fonte: Arquivo pessoal




domingo, 18 de outubro de 2009

Insight

Nosso olhar sobre nós mesmos

Um sub gênero caro ao cinema é o chamado biopic, ou como chamamos aqui no Brasil, biografias. Retratar trajetórias de vida vitoriosas ou de proeminentes seres humanos que marcaram a história é uma característica itinerante do cinema, em particular do cinema americano. É compreensível, em um sociedade que aprendeu a valorizar a ambição e os desdobramentos dela, o fascínio por vidas que desconhecem limites ou que os subjugam com determinação e afinco vorazes.
O retrato que o cinema constrói de celebridades, políticos, grandes personalidades e ou gente que fez a diferença em níveis menos estratosféricos, geralmente é lisonjeiro. Há sempre uma preocupação vaticinante em homenagear o biografado, quando vivo, e de honrá-lo e reverência-lo, quando morto.

Cena de Jogos do poder em que Tom Hanks vive o congressista Charles Wilson: Não é uma biografia convencional, mas mostra muito sobre a vida e o jeito de ser do personagem

Esse é um dos cânones desses sub gênero. Há, no entanto, exceções. Cineastas que procuram a verdade, nem sempre abrasadora, sobre seus biografados. Há também biografias que se confundem com o registro de um período histórico, o que municia o cineasta com uma perspectiva diferente. Já que o olhar sobre o personagem parte de um outro referencial.
São muitas, não restam dúvidas, as formas e estruturas de elaborar uma biopic. O cinema americano é, por razões óbvias, o mais fértil na produção dessa ficção - verdade. Existem alguns filmes exemplares que se confundem com o que de melhor foi produzido por Hollywood. Recentemente tivemos filmes como O aviador de Martin Scorsese (sobre a vida do excêntrico Howard Hughes), Ray de Taylor Hackford (sobre a vida do cantor Ray Charles), Milk de Gus Vant Sant (sobre a vida do primeiro político americano assumidamente homossexual eleito Harvey Milk), W de Oliver Stone ( sobre o ex-presidente George W. Bush), 8 Mile (sobre o rapper Eminem), Uma mente brilhante (sobre o matemático John Nash) e O vigarista do ano ( sobre, bem, o trambiqueiro profissional Clifford Irving).

Leonardo Di Caprio como Howard Hughes: Um estudo elaborado de uma vida que desconheceu limites

Há ainda exemplos de filmes que mostram muito sobre uma personalidade a partir de um recorte específico. Ao invés de focar toda a sua vida, focam um evento importante que resume ou ilustra precisamente a vida dessas personalidades. Como o fazem Capote , de Bennet Miller (sobre o escritor e jornalista Truman Capote), Jogos do poder de Mike Nichols (sobre o congressista Charles Wilson ), Treze dias que abalaram o mundo de Roger Donaldson (sobre John Kennedy), Hollywoodland ( sobre o ator George Reeves) e o recente, em cartaz nas telas brasileiras, O desinformante de Steve Sodebergh (sobre um executivo em busca de notoriedade).
Pessoas comuns com histórias extraordinárias também são objeto de biografias. E não só hollywoodianas. O espanhol Ramón Sampedro que tetraplégico lutou bravamente para ter o direito de dar fim a sua vida, teve seu livro adaptado para os cinemas. Mar adentro foi um grande sucesso de público e critica do cinema espanhol.
Portanto, hoje as biografias se dividem, mesmo que em um movimento involuntário, em duas frentes. Aquelas que são biografias assumidas, tratadas com a pompa e, frequentemente, com a reverência características e aquelas que partem do minimalismo de um acontecimento ou momento específico para tecer um comentário maior. São essas as mais impiedosas, ou menos reverentes, com seus biografados.



Damon e Sodebergh no set de O desinformante: Crônica de um mentiroso compulsivo

Independentemente de reverências, agendas políticas, gostos e afinidades, as biografias são, em suma, uma aposta segura. Tanto para produtores, diretores e atores (é um produto de inegável prestígio acadêmico), para o biografado (o filme pode, muitas da vezes, ser redentor), quanto para o público ( na pior das hipóteses é uma aula de história regular, na melhor, cultura em sua melhor embalagem).
Biografias são por excelência sobre a vida de pessoas. Todd Haynes, porém, revolucionou essa percepção. Não estou lá é um filme sobre a vida da obra de Bob Dylan. Como se vê, se uma vida não tem limites, também não terá sua retratação em celulóide.
Portanto, há de se reconhecer a fluência e renovação do sub gênero que talvez seja, o que mais aproxima o homem de sua essência. Seja por seu acertos, por seus erros, por suas omissões ou por seus devaneios. É o homem se vendo pelo cinema.



Josh Brolin como o Bush de Oliver Stone: Um retrato meio desfocado da vida do então integrante da Casa Branca

Critica - O desinformante

Mentir é preciso!

O novo filme de Steve Sodebergh é, além de entretenimento de alto nível, um elaborado estudo da paranóia corporativa dos tempos modernos. O desinformante ( The informant EUA 2009), baseado em fatos reais, acompanha a trajetória de Mark Whitacre (Matt Damon), um bioquímico de formação e executivo por vocação, que a pretexto de manter a consciência limpa, e tornar-se uma espécie de herói nacional, denuncia as ilicitudes de sua empresa para o FBI. Tornando-se, inclusive, informante.
O esquema de taxação de preços com os concorrentes denunciado por Whitacre, de fato existia, contudo, o irresistível apelo da mentira para Whitacre compromete a investigação e, mais adiante, a própria situação de Whitacre com a justiça.
O que interessa a Sodeberg, em um primeiro momento, aqui é delinear os efeitos nocivos que uma sociedade capitalista degenerada é capaz de produzir. Seja pela subversão de certas regras sociais, morais ou éticas. Em um segundo momento, Sodebergh mira na capacidade de um indivíduo, tido como bom cidadão, de recorrer a subterfúgios para garantir uma vida melhor. O tom do registro escolhido pelo diretor não poderia ser mais acertado. O humor negro e a ligeira inclinação à comédia de erros se fundem perfeitamente a história que, conforme avança, ganha contornos inacreditáveis.
E a atuação de Matt Damon, nesse sentido, é providencial. O ator, que engordou 15 quilos para o papel, dá um ar de bonachão a Whitacre. O timing cômico de Damon está apuradíssimo e os afiados diálogos ganham ainda mais viço com o ator em cena. O elenco de coadjuvantes também está muito bem. Mas é, de fato, Damon quem brilha. Não será nenhuma surpresa, se o ator receber algumas indicações a prêmios por essa acurada performance.
A conclusão que emerge de O desinformante, a despeito da bipolaridade diagnosticada de seu biografado, é que em um mundo tão distorcido quanto esse que temos aí, a mentira é uma ferramenta poderosa, desde que usada com moderação.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Perfil: Philip Seymour Hoffman

Homem de mil faces
Nascido em 23 de julho de 1967 no estado de Nova Iorque, Philip Seymour Hoffman começou a chamar a atenção para si em 1997 no primeiro filme do diretor Paul Tomas Anderson. Muito antes disso já dividia a cena com grandes nomes do cinema, como Al Pacino em Perfume de mulher de 1992.
Hoffman é daqueles atores que vai bem em qualquer papel. Isso em parte tem a ver com seu tipo fácil, gordinho, loiro, de traços simples e bem delineados. Contudo, é o talento que favorece indiscriminadamente o camaleônico Hoffman. O ator é dotado de uma sensibilidade ímpar, de uma intuição poderosa e um senso critico dos mais felizes. Essa combinação tem feito com que Hoffman seja o ator americano mais interessante do momento, superando até mesmo legendas ainda em atividade.
Se existe um tipo comum a sua filmografia são os personagens sob os quais paira algum tipo de desvio. Seja moral, seja de sexualidade, seja de conduta. Enfim Hoffman parece viver personagens desajustados com grande naturalidade, o que não quer dizer absolutamente nada sobre o ator como pessoa, mais um mérito de suas itinerantes criações.
Sempre compondo de dentro para fora, pode - se verificar a acuidade do trabalho do ator ao pegar um tipo de personagem que ele já tenha interpretado e fazê-lo de maneira totalmente diferente. Hoffman não se repete, mesmo que os personagens tenham muitas características em comum.
Por exemplo, o ator já viveu personagens gays inúmeras vezes. Boogie Nights - prazer sem limites, O talentoso Ripley, Ninguém é perfeito, Magnólia e Capote são apenas os filmes mais famosos em que o ator interpretou homossexuais. Em todos os casos o tom do registro é diferente. Seja na postura ou no tom de voz, o ator sempre lança mão de um recurso novo e muitas das vezes surpreendente. Como em Capote que lhe valeu entre tantos prêmios, o da acadêmia. Ali o ator incorpora trejeitos do biografado e alcança um timbre de voz totalmente diferente do seu. A integridade de sua atuação é notável. Ele cria um tipo efeminado, mas não afetado, debochado, mas não grosseiro - além de outras nuanças que o personagem pedia. Em Boogie nights- para estabelecer uma base de comparação- ele cria um tipo imaturo, afetado, atrevido até, em um caminho diametralmente oposto daquele contemplado em Capote.
E é justamente a partir de Capote que Hoffman tem se preservado mais e selecionado com mais apreço seus trabalhos. Depois da consagração artística, o ator parece disposto a adentrar a galeria dos grandes. Uma a uma suas atuações se aglomeram como melhores e melhores seja qual for o critério para aferi-las. Desde o oscar em 2006, o ator já voltou duas vezes a cerimônia por Jogos do poder em 2008 e Dúvida em 2009. Isso, porque houve uma peneira, informal obviamente, para que se chegasse a um denominador comum em relação ao filme pelo qual o ator seria indicado. Em 2007, além de Jogos do poder, o ator foi visto com a habitual competência em A família Savage e, devastador, em Antes que o Diabo saiba que você está morto. Ano passado além de Dúvida, Hoffman esteve brilhante em Sinédoque Nova Iorque.
O ator que já se experimentou em comédias (Quero ficar com Polly), também emprestou sua sofisticação ao Blockbuster Missão impossível 3. Aí está outra base para analisar a capacidade camaleônica de Hoffman. Ele vive com a mesma contundência um sujeito grotesco e pamonha como na comédia em que dividiu a cena com Ben Stiller e um terrorista internacional de fino trato na franquia capitaneada por Tom Cruise.
É prazeroso assistir Hoffman em cena. Ator capaz de hipnotizar uma platéias das mais dispares. Cheio de recursos e extremamente inventivo, Hoffman não parece se intimidar com desafios. Está sempre propenso a conquistar mais e enfileirar conquistas profissionais. Merece ser acompanhado de perto por quem gosta de cinema.


O ator no Oscar desse ano

Foto: Divulgação

domingo, 9 de agosto de 2009

Filme do dia


The Doors – o filme

Oliver Stone hoje está mais manso. Contudo The doors é da época que o diretor costumava incomodar muita gente. A fidelidade com que pincelou a vida do amalucado Jim Morrison e de seu grupo de rock rendeu-lhe alguns prêmios e ajudou a afirma-lo como diretor de cinebiografias.
Aqui toda a problemática vida do vocalista do The doors é reproduzida em detalhes. Stone evita julgamentos, mas não se priva de abraçar o disponível. Limitando o poder de investigação de seu filme. Contudo, The doors é um filme vibrante que beira o histrionismo e tem Val Kilmer, na melhor atuação de sua cerreira. É ele quem faz o “solo” aqui.