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sábado, 4 de maio de 2013

Crítica - A morte do demônio


Ode ao gore!

O remake de A morte do demônio (Evil dead, EUA 2013) não é um filme para quem tem “nojinho”. Dito isso, a produção dirigida por Fede Alvarez deve agradar ao público que vê no terror hardcore a grande manifestação do gênero. Se essa versão perde no humor, na comparação com o filme original, ganha na tensão crescente injetada por Alvarez na trama. O roteiro, que teve supervisão de Diablo Cody, apresenta preocupações incomuns para o gênero como justificar a presença de um grupo de jovens em uma cabana isolada no meio da floresta. O roteiro, no entanto,  falha na pretensão nítida de relacionar a possessão demoníaca ao ônus de uma intervenção em viciados em drogas. Não se trata de uma comparação efetiva, mas de uma insinuação mal dosada que acaba empobrecendo o que poderia ser apenas um destacado mérito.

Sem búúú: o buraco em A morte do demônio é mais embaixo

Se há esse “porém”, A morte do demônio não economiza no sangue e nas mutilações, constituindo-se como uma ode ao gore. O aspecto trash, essência da trilogia original, parecia não fazer parte do pacote até a meia hora final, quando a tensão é tamanha que a realização, com a audiência já fisgada, manda ver no absurdo. No entanto, Alvarez não faz essa transição de maneira sofisticada – o que também compromete o final do filme. Uma vez que o público que desconhece o material original e vinha acompanhando um terror sem concessões ao risível – à parte a bem sacada (que vem do original) cena do estupro de uma das mulheres por uma árvore – pode não reagir bem à mudança de tom que caracteriza o desfecho do filme.
Esse ruído não depõe contra o talento de Alvarez, que merece um impulso em Hollywood, mas diminui sensivelmente a qualidade do entretenimento que A morte do demônio objetiva ser.
Como remake funciona tanto por preservar o espírito do original como por ser reverente a ele, mas como produto de seu espaço tempo se apequena ante produções que tem o original como referência. Um paradoxo que somente por existir tira o brilho do filme.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Filme em destaque - A morte do demônio

(Antes da) Meia-noite levarei sua alma

Nova versão de um dos maiores clássicos do terror promete muita carnificina no cinema para um público já acostumado ao torture porn de filmes como Jogos mortais e O Albergue

Sam Raimi procurou Fede Alvarez depois deste último ter feito sucesso na internet com um curta em que robôs gigantes invadem e destroem Montevidéu (Ataque de pânico). A razão do contato era a possibilidade de fazer um longa a partir daquele filme. Nem Alvarez nem Raimi souberam precisar exatamente como o papo que bateram sobre cinema, e o gênero de horror em particular, levou-os ao remake de A morte do demônio. O filme, bem mais hardcore do que a versão original, na avaliação que Alvarez fez ao New York Times, é uma reimaginação do filme de 1981 que pôs Sam Raimi no mapa e iniciou uma das séries mais cults da história do cinema, no Brasil conhecida sob a alcunha Uma noite alucinante. Raimi decidiu patrocinar a estreia do uruguaio tanto no cinema americano como na direção de longas. Sucesso absoluto de público – o filme custou cerca de U$ 17 milhões e já rendeu somente nos EUA mais de U$ 45 milhões – uma sequência de A morte do demônio já está em pré-produção. “Terá uma pegada mais humorística”, entrega Alvarez à Total Film.
Alvarez orienta uma de suas vítimas: sem poupar
o elenco
Uma das grandes diferenças entre essa reimaginação e o original é justamente a pouca atenção ao humor. A outra é a ausência do personagem Ash Williams, vivido por Bruce Campbell – de volta como produtor executivo na nova versão. A razão para essas mudanças estruturais, segundo Alvarez, é forjar uma identidade própria para a nova versão. “Ash é um personagem muito icônico. Não acho que seria de bom tom atualizá-lo”. Alvarez conta que Raimi lhe deu total liberdade e concordou com essa percepção. Outra ideia do diretor foi usar o mínimo possível de recursos do CGI (os famigerados efeitos especiais). “Era de bom tom manter a aura de terror do original”, brinca Alvarez com seus tons sobre tons. Para ele, uma produção que abusa do CGI afasta o espectador. “Não foi fácil para o elenco”, disse à revista brasileira Preview.
Esse elenco é composto majoritariamente por jovens. Shiloh Fernandez, que já esteve em A garota da capa vermelha, e Jessica Lucas, que já esteve em filmes como O pacto e Cloverfield – o monstro, são os menos desconhecidos. A trama é a mesma do original. Cinco amigos vão para uma cabana remota onde encontram um livro dos mortos que desperta demônios que moram na floresta. Entre possessões e o grotesco nonsense como um estupro realizado por uma árvore, A morte do demônio promete uma experiência que os filmes de horror de hoje não conseguem oferecer: imersão total.

Confira Sam Raimi e Fede Alvarez falando sobre A morte do demônio 

domingo, 7 de abril de 2013

Insight - O gênero de terror está esgotado?


A hesitação da The Weinstein Company em confirmar o quinto filme da série Pânico e a discussão sobre a possibilidade de reiniciar a série no cinema lançam a pergunta: o gênero está esgotado? A franquia assinada por Wes Craven, ele próprio um papa do gênero, foi o último grande sopro de originalidade no cinema de horror. O quarto filme, lançado em 2011, no entanto, não rendeu o esperado pelos produtores nas bilheterias. Nos últimos anos, salvo uma ou outra pequena exceção, o gênero tem sido engolido por refilmagens pouco imaginativas e derivados do último grande filme original do gênero: Jogos mortais.
Dois cineastas, no entanto, compõem a resistência. O americano Sam Raimi e o mexicano Guillermo Del Toro, ambos com um histórico de sucesso no gênero, patrocinam o que pode ser uma nova virada para o gênero. Del Toro tem produzido novos nomes, majoritariamente latinos, em filmes como O orfanato (2007), Não tenha medo do escuro (2010) e Mama, em cartaz nos cinemas. Sam Raimi faz o mesmo. Ele esteve por trás de filmes como Possessão (2012) e 30 dias e noite (2007) e agora produz o remake do filme que lhe deu fama, A morte do demônio.
A predileção por diretores latinos, o argentino Andrés Muschietti é o responsável por Mama e o uruguaio Fede Alvarez o diretor de A morte do demônio, está relacionada à gramática visual do cinema latino, mais inventiva e porosa do que a de diretores emergentes de outros cantos do mundo.

Cena de Mama, filme de terror que mexe com as emoções: sobrevida no gênero

Vem do Uruguai, também, uma das últimas propostas ousadas no gênero. Lançado em 2011, o uruguaio A casa foi rodado de maneira a parecer ser um único plano-sequência de 80 minutos em uma câmera digital. O filme tem remake americano garantido com supervisão do diretor do original, Gustavo Hernández.
Esse movimento que parece buscar uma nova postura estética para o cinema de horror tem a ver com a saturação do terror gore materializado em filmes como O albergue e as sequências de Jogos mortais.
Muschietti foi selecionado por Del Toro depois que este viu um curta dirigido pelo argentino na internet. Daí, o mexicano decidiu produzir um longa a partir daquele curta. Assim surgia Mama, um dos primeiros sucessos de público e crítica do ano. A trajetória de Mama para chegar aos cinemas é sintomática tanto das possibilidades ensejadas pela internet como da carência que aflige o cinema de horror no tangente a talentos e ideias. Mas também é um sinal claro de que não há, neste momento, sinais de esgotamento. Sam Raimi, que rodou em 2009 o último grande filme do gênero (Arrasta-me para o inferno) acredita que a nova versão de A morte do demônio pode ser ainda mais hypada do que a original. Seria um alento para um gênero que anda precisando... 

"O filme mais aterrorizante que você verá": a promessa do slogan de A morte do demônio se cumprirá?

sábado, 16 de março de 2013

Crítica - Oz:mágico e poderoso


Espírito de aventura

Antes de qualquer coisa, Oz: mágico e poderoso (Oz the great and powerful, EUA 2013) é um filme com a marca Disney. O status quo dos filmes Disney é a característica mais límpida do filme de Sam Raimi. Desenvolvido, a partir de um orçamento de U$ 200 milhões, para ser um evento, Oz: mágico e poderoso é um produto bem aparado e divertido, mas longe de ser algo além disso. Diferentemente do ocorrido na trilogia Homem-aranha, Sam Raimi aqui limita-se a envergar o filme e não necessariamente a dotá-lo de alma.
Esse resultado existe talvez pelo selo Disney precisar se destacar, talvez porque Raimi funcione melhor quando há mais liberdade de ação. De qualquer maneira, o filme é um triunfo técnico de grande exuberância visual; com o 3D recebendo especial atenção de Raimi.
O mágico farsante Oscar (James Franco) depois de impetrar mais uma de suas fugas providenciais chega a Oz, uma terra encantada que está sob domínio de uma bruxa má. Oscar é logo confundido com o mágico ao qual se refere uma profecia local que viria para resgatar Oz das garras da bruxa má. Em parte fustigado pela gigantesca quantidade de ouro que será sua, já que o mágico é, por direito, o herdeiro do trono de Oz, e em parte pela vaidade de ser reconhecido como um grande mágico, Oscar faz se passar por alguém que não é. Algo que, em sua percepção, foi o que sempre fez. À medida que o perigo vai se anunciando iminente, Oscar vai vacilando em sua convicção como farsante, mas vai descobrindo em si – amparado por Finley (Zach Braff), um macaquinho alado, uma menininha de porcelana (voz de Joey King) e da bruxa boa Glinda (Michelle Williams) – sua vocação para ajudar os outros. Ou como lhe diz Glinda em um dado momento, que melhor do que grandeza nele é haver bondade.

Visual exuberante e humor afável: Oz, mágico e poderoso reza a cartilha Disney de aventuras...

Além do visual arrebatador, dos efeitos especiais prodigiosos, da direção de arte impecável e dos figurinos vistosos, Oz, mágico e poderoso também encontra destaque no afinado elenco reunido por Raimi. Michelle Williams, Mila Kunis e Rachel Weisz aferem beleza e graça às três bruxas de Oz. Já James Franco vale-se de seu carisma sempre em dia e do jeitão despojado de sua persona fora das telas para cativar como o malandro de bom coração.
No fim, é o selo Disney que prevalece nesta bem azeitada aventura desenhada para ser aproveitada em família. 

domingo, 15 de abril de 2012

ESPECIAL OS VINGADORES - Por que há tantos filmes sobre super-heróis e por que eles estão cada vez melhores?


Crise criativa é algo intrínseco ao próprio sistema hollywoodiano. É um sintoma indesviável do gigantismo do maior símbolo da indústria cultural de nossos tempos. Portanto, soa repetitivo afirmar que as adaptações de HQ são boias salva vidas para a indústria do cinema americano. Mas são isso mesmo. De quebra, por meio de cineastas inventivos e vanguardistas como Christopher Nolan, Bryan Singer e Sam Raimi, se tornaram também modelos de cinema comercial com vocação artística. Impossível não detectar, por exemplo, profunda ressonância filosófica no Batmam de Chistopher Nolan; ou deixar de identificar um bem articulado comentário político em alguns filmes da franquia mutante. Dramas essencialmente humanos podem ser vistos em sombreamentos distintos em filmes como Homem-aranha ou Homem de ferro. Sem escapar à percepção artística de filmes como Marcas da violência e Estrada para a perdição, também eles adaptações de quadrinhos.
O que ocorre é que, de uns anos para cá, Hollywood constatou que não residia apenas na literatura uma fonte fidedigna para adaptações. Outras mídias, além de universos igualmente fascinantes, ofereciam base consolidada de fãs, potencial comercial expansível e possibilidades narrativas inexploradas. Dentre essas novas fontes (videogames, peças, músicas), as HQs se apresentam como as mais ricas em variações estéticas e discursivas – ainda que tematicamente possam parecer uniformes.
Isso porque os super-heróis são valiosos espelhos para nossas aflições cotidianas e ainda mais interessantes do ponto de vista catártico. Dessa maneira, a partir do momento em que se dominou o conceito de super-herói no cinema, nada mais previsível do que industrializá-lo.

Chris Evans, o Capitão América do cinema, e Stan Lee, o criador de boa parte dos heróis da Marvel, no set de Os vingadores: Marvel tenta levar para o cinema a dinâmica narrativa de seus quadrinhos

Mais e melhor?
Quantidade, já diz o famoso dito popular, não se relaciona necessariamente, com qualidade. Mas nessa produção em escala, os erros são imperiosos para que se possa convertê-los em acertos. A Warner não retomaria o personagem Batman tão cedo e o confiaria a um diretor pouco experimentado comercialmente como Christopher Nolan, se a Fox não tivesse tido a mesma ousadia, e sido bem sucedida, com Bryan Singer no primeiro X-men (2000). A Sony não daria o sinal verde para Homem-aranha, que tinha um roteiro assinado por ninguém menos do que James Cameron rodando por Hollywood há pelo menos dez anos, se não tivesse percebido que havia potencial criativo para um personagem como Peter Parker, garoto que de uma hora para outra descobre que grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Conforme atesta essa seção Tira-teima, publicada em abril de 2011 no blog, desde os anos 2000 já foram feitos mais de 20 filmes baseados em HQ. Nem todos, é bem verdade, primam pela qualidade. O recente Motoqueiro fantasma – espírito de vingança, é forte candidato a pior filme dos últimos cinco anos. Mas existe, e não tão veladamente quanto alguns podem supor, a percepção de que os filmes de super heróis podem vocalizar muitas contradições humanas. Nesse sentido, a forma como Christopher Nolan percebe Batman e suas reminiscências instituiu um novo patamar de qualidade para esse perfil de produções. Passa por aí a baixa tolerância a fitas como Motoqueiro fantasma atualmente. Nolan, Raimi e alguns outros mostraram que não é preciso uma abordagem superficial para fazer milhões. É possível atender aos anseios dos estúdios, agradar aos fãs, satisfazer o público e conquistar a crítica ao explorar nuanças investidas na própria origem desses personagens. Uma prova de que essa maturidade veio com o tempo é a recepção pouco amistosa que o Hulk de Ang Lee recebeu em 2003. Lee fez um drama psicológico com toque shakespeariano e nem público e crítica estavam preparados para isso. Nolan e Raimi foram mais sutis e econômicos nessa constante decantação.

O britânico Christopher Nolan mudou definitivamente a percepção de indústria e crítica sobre as possibilidades narrativas de um filme de super-herói


2012, por muitas razões, será decisivo para a maturação desse gênero cinematográfico – o filme de super- herói. Primeiro pela estreia de Os vingadores – filme que é resultado e de certa forma prefácio – do mais ousado projeto narrativo já instituído por um estúdio de cinema (Marvel Studios). Que no caso não era nem mesmo estúdio antes desse projeto começar.
Segundo porque o Batman de Christopher Nolan terá seu capítulo final e o desfecho da trilogia pode arrematar com chave de ouro todas as conquistas a ela creditada ou por tudo em cheque. Terceiro porque a Sony apresenta sua jogada de risco: um reboot da franquia Homem-aranha, que é a mais rentável da história do estúdio. São apenas dez anos do filme original e a proposta nasceu, na verdade, de discordâncias com o diretor Sam Raimi a respeito dos rumos da série. Se vingar, prova de vez as imensas possibilidades narrativas proporcionadas por esses personagens tão ricos. Se der errado, poderá comprometer toda essa estrutura erigida que o presente artigo ilumina.
A expectativa é de que tudo transcorra bem. Mas existe a possibilidade de os maias, pelo menos, derrubarem os super-heróis.  

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as próximas biografias polêmicas a ganharem os cinemas, alguns takes de Ryan Gosling, uma seleção especial para o final de semana do Halloween, a constatação de que os heróis já não são mais os mesmos e o começo dos festejos em Hollywood.


Ryan Gosling em cinco takes

Na última semana, Claquete publicou um perfil de Ryan Gosling, no qual estipulou que o ator, que já demonstra grande talento, caminha para se tornar um dos principais expoentes de Hollywood. Uma rápida olhada em sua filmografia sugere que o otimismo é justificado. Claquete selecionou alguns destaques:

Perturbado

Em Cálculo mortal (2002), Gosling vive um jovem assassino de forte inclinação homossexual. Com uma atuação clean, o ator demonstra consciência exata do que deve mostrar, sugerir e ocultar. Um personagem charmoso que apresentaria o talento de Gosling para tipos soturnos.


O homem ideal

Em Diário de uma paixão (2004), o ator dá vida a Noah, um arquétipo romântico muito bem idealizado nas páginas de Nicolas Sparks e materializado em uma performance viril e sensível do ator que se mostrava capaz de assumir um papel romântico e pincelá-lo com nuances dramáticas adornadas por carisma e energia.


Perturbado novamente   

Mais um personagem cheio de nuanças e cujos limites dependem muito da intuição do ator. Na pele de um paciente de uma instituição psiquiátrica com fortes impulsos suicidas, Gosling atrai os olhares da audiência em A passagem (2005) com uma caracterização ritmada, fluída e imprevisível.


Perturbado redimido
A indicação ao Oscar veio por essa demolidora composição de um professor viciado que enxerga na relação com uma aluna que descobre suas aflições, o caminho de volta do ostracismo emocional e psicológico em que está. Sua atuação em Half Nelson é das coisas mais liberadas de vaidade que se tem notícia no cinema recente.


The cocky

Quem entende inglês sabe que a palavra aí de cima reúne múltiplos significados. De algum jeito, todos eles sintetizam bem o personagem que Gosling vive em  Um crime de mestre. O promotor assistente que está prestes a mudar para um grande escritório de advocacia e que, portanto, assume uma postura negligente em um caso de assassinato é uma demonstração de subordinação a outro grande ator, no caso Anthony Hopkins. Gosling, porém, sabe aproveitar os respiros que tem para brilhar.


Depois de Mark Zuckerberg...
Quem pode negar que A rede social é cool? Além de inteligente, dinâmico e profundamente reverberante do status atual da sociedade, o filme de David Fincher é responsável por desencadear uma nova leva de biografias dos precursores digitais desse novo século. Depois de Mark Zuckerberg vem aí as histórias de Julian Assange, o fundador do Wikileaks, que ameaça encerrar as operações do site por falta de verbas,  e Steve Jobs, o “visionário” da Apple que faleceu no início do mês.
Assange, que teve duas biografias publicadas em 2011, terá dois filmes com propostas bem diferentes. A primeira lhe será mais lisonjeira e os direitos foram adquiridos por Steven Spielberg. A segunda, adquirida pela Sony que lançou A rede social, deve ser mais inflamável e polêmica. A mesma Sony já estuda levar a bio recém-lançada de Steve Jobs para os cinemas e quer Aaron Sorkin, roteirista de A rede social, para “amaciar a carne”. Potenciais vencedores do Oscar? Sucessos de bilheteria? Análises sobre o homem e o meio? Bem vindo a nova corrida espacial hollywoodiana.

Steve Jobs é o próximo da fila de um tipo muito particular de biografia cinematográfica... 


O 15º Hollywood Film Awards
Não é por acaso que alguns dos mais respeitados críticos de cinema dos Estados Unidos apontam o francês The artist, o independente The descendants e o high profile Moneyball como os principais concorrentes da temporada de premiações que se anuncia. As três produções, e os principais responsáveis por elas, foram homenageadas no 15º Hollywood Film Awards. George Clooney, que pode se consagrar mais uma vez como artista completo que é nesta temporada, recebeu um troféu especial em homenagem à carreira. O diretor e roteirista Alexander Payne também foi homenageado, assim como o foram Bennett Miller (diretor de Moneyball), Michel Hazanavicius e Jean Dujardin (diretor e ator de The artist). Tudo bem que a bela inglesa Rosie Huntington-Whiteley, a nova Trasformers girl, também foi homenageada; mas aí já outra história...
 George Clooney comparecer ao evento acompanhado da nova paixão Stacy Keibler


Barba, cabelo, bigode... e cueca
Há não muito tempo atrás, os heróis estavam circunscritos as alegorias que seus filmes eram. Em um movimento repentino, em que Christopher Nolan tem grande responsabilidade, mas que também passa pela trilogia Bourne, a realidade e a tragédia investiram de vez nesse subgênero hollywoodiano. Dois célebres heróis que povoam o imaginário cinematográfico chegarão aos cinemas nos próximos anos um pouco mudados.
O primeiro é o filho de Krypton. O Superman de Zack Snyder, que será vivido pelo britânico Henry Cavill, não usará a cueca vermelha por fora do uniforme e passará a maior parte do tempo sujo e barbado como atestam fotos do set de filmagens divulgadas recentemente. Pode-se argumentar que essas “mudanças visuais” pouco tem a ver com a ideia de explorar a fragilidade do homem de aço. Fragilidade emocional, diga-se.
Outro brucutu frágil é James Bond. A ideia dos produtores de sensibilizar o mulherengo a serviço do MI 6 culminou na contratação de Sam Mendes, o premiado diretor de Beleza americana e Foi apenas um sonho, para mitigar o sofrimento de 007. Com Javier Bardem confirmado como vilão e boatos de que a ideia é “rodar um filme mais sério com aspirações ao Oscar”, ficou resolvido que Bond surgirá com um visual mais relaxado (tipo barba por fazer e aparência depressiva), para dar forma ao sofrimento.
Realidade é outra coisa!

Henry Cavill nos sets de Superman - o homem de aço: o filho de Krypton com um visu a la Tarzan 




Dia das bruxas


Com o fim de semana do halloween à espreita, vale a pena fazer uma listinha para assistir no fim de semana. Claquete elaborou uma lista de filmes para deixar seu fim de semana macabro na medida certa. Estão presentes perolas do terrir, representantes de um terror mais visual, outros de uma vertente mais sugestiva e filmes especializados em pregar sustos. Uma salada de respeito!

1- a bruxa nojenta de Arrasta-me para o inferno; 2- o pé putrefato de Jogos mortais; 3- o momento da verdade em O bebê de Rosemary


 Jogos mortais (Saw, EUA 2004), de James Wan
É bem verdade que a série se desvirtuou e virou um pornô gráfico e absurdo de violência e sangue, mas esse primeiro filme –elogiado em sundance – é uma produção independente com alma de filme B e uma história arrepiante e enervante na medida certa.   


 Brinquedo assassino (Child´s play, EUA 1988), de Tom Holland
A definição de terror gore nos anos 80 era bem diferente da atual e esse filme dirigido com desenvoltura e audácia por Tom Holland ilustra bem isso.  Um serial killer, antes de ser morto, transfere sua alma para um brinquedo, e dá sequência à contagem de vítimas. Aterrorizou toda uma geração. Hoje pode soar ingênuo, mas ainda tem seu impacto.


 O bebê de Rosemary (Rosemary´s baby, EUA 1968), de Roman Polanski
Esse terror psicológico, algo expressionista, do diretor franco polonês é um marco do cinema sugestivo. Bruxas, seitas, Diabo, estupro e alucinações são a matéria prima do cineasta nesse filme assustadoramente impressionante que conta com um desempenho memorável de Mia Farrow.


Os espíritos – a morte está ao seu lado (Shutter, Tailândia, 2006), de Banjong Pisanthanakun
Tudo começa com um atropelamento. Daí, espectros suspeitos começam a aparecer nas fotografias do casal envolvido no atropelamento. Esse filme tailandês, que já ganhou uma refilmagem americana razoável estrelada por Joshua Jackson, sabe como poucos pregar sustos e conta com uma história realmente arrepiante. Sua percepção para aquela dor na coluna será totalmente modificada por esse filme.


Os espíritos (The frighteners, EUA 1996), de Peter Jackson
Antes de sagrar-se um realizador de ponta, Peter Jackson teve seu passado negro e essa fita que mescla humor e terror estrelada por Michael J. Fox é o testamento disso. Fox vive um detetive algo charlatão que se diz capaz de se comunicar com os mortos. O problema é quando ele, de fato, começa a se comunicar com os mortos.


Arrasta-me para o inferno (Drag me to hell, EUA 2009), de Sam Raimi
Sam Raimi é um cara legal. E um cara com profundo conhecimento cinematográfico em termos de ritmo e narrativa. Basta conferir esse filme para concordar. Na trama, que tira sarro da crise financeira, a jovem Christine nega a renovação de um empréstimo a uma velha cigana maltrapilha. Só para esta lhe rogar uma praga daquelas. Com jeitão de lenda urbana, o filme vai longe. É a cereja do bolo no final de semana comemorativo de Halloween.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O aranha cai de sua rede

Acaba de ser divulgado oficialmente pela Sony, em comunicado oficial assinado pela chairman do estúdio Amy Pascal que o diretor Sam Raimi e o astro Tobey Maguire estão se desligando da produção do quarto filme do aracnídeo. E que a franquia permanece "estável". Os planos, agora, são de recontar a origem do paersonagem, ou seja, um reboot; conceito que deu muito certo com Batman.
Há duas semanas surgiram os primeiros informes de desentendimentos entre Raimi e o estúdio. O diretor queria John Malckovic como o vilão Abutre, mas o estúdio não concordava com a potencialidade da história e do personagem. O roteiro foi reescrito e Raimi demonstrou-se irredutível sobre suas idéias para o quarto filme. A experiência do terceiro filme, em que o diretor cedeu aos caprichos do estúdio e utilizou Venom (um vilão que o próprio Raimi afirmara desgostar) ainda atormentava o diretor, que provavelmente se sentiu desconfortavel com a intransigência do estúdio;no que foi acompanhado pelo astro Tobey Maguire que já havia condicionado sua participação a presença de Raimi.
Na nota à imprensa tanto Raimi, quanto a Sony foram polidos e políticos no trato e nas declarações. Obviamente que esse jogo de aparências está escondendo muitos desentendimentos, mágoas e constrangimentos. Certo é, que o lançamento do filme foi adiado em um ano. Inicialmente previsto para 2011, o quarto filme do Aranha foi remanejado para 2012. Claquete irá apurar essa história e, obviamente, repercuti-la para o leitor.

Para ler a nota oficial divulgada pelo estúdio, clique aqui!

+ Sam Raimi nunca escondeu o quão desgostoso ficou com o resultado do terceiro filme da franquia. O filme registrou a maior bilheteria da série, mas angariou as piores criticas

+ John Malckovic confirmara ontem à noite que havia recebido um convite de Sam Raimi para atuar no filme.

+ Tobey Maguire iria receber U$ 30 milhões de dólares para rodar o quarto filme

+ A idéia do reboot também está sendo aplicada ao quarteto fantástico (produzido pela FOX). Diferentemente de Batman,no entanto, os filmes do Aranha e do quarteto são muito mais recentes dos que os do Batman de Joel Shumacher.

sábado, 24 de outubro de 2009

De olho no futuro ...


Tudo pronto para a decolagem

Sam Raimi que esse ano fez as pazes com a critica ao lançar o terror Arrasta-me para o inferno, voltou a falar de seu rebento mais famoso. Homem aranha 4 está finalmente nos eixos. Está tudo pronto para começar as filmagens do filme que está previsto para estrear em julho de 2011. Raimi disse que foi um erro pessoal ceder as investidas do estúdio para que tivesse 3 vilões em Homem aranha 3. Falou também que só voltou para o quarto filme porque lhe foi prometida autonomia total. O diretor adiantou que Bruce Campbell, amigo e protagonista da série Evil dead, terá um papel, provavelmente de vilão, na próxima aventura aracnídea.

Dessa água não beberei mais. Peraí, e se eu sentir sede?

Foi anunciado nessa semana que o diretor Walter Salles dirigirá American rust. Adaptação, encomendada pelo estúdio Universal, da obra do escritor americano Philipp Meyer. Salles trabalhará uma vez mais com seus colaboradores de Diários de motocicleta, Jose Rivera (roteirista) e Eric Gautier (fotógrafo). Trabalhará, também, uma vez mais a serviço de Hollywood. Vale lembrar que o diretor pôs – se a falar mal e com virulência da experiência que tivera ao dirigir o, bom, filme Água negra de 2005. Chegou a dizer que nunca mais rodaria um filme para Hollywood. Nem no esquema de co-produção. Ou mudaram a etimologia da palavra nunca ou Salles exagerou para agradar uma platéia que adora difamar a Meca do cinema.

Eu estou falando sério, mas não tão sério assim!

Miley Cyrus em Sex and the city 2

Os produtores de Sex and the city 2 querem agradar as mulheres de todas as idades. A série da HBO se dirigia a mulheres maduras, mas na transição para o cinema, existe a necessidade de ampliar seu público. Talvez por isso, querendo fisgar a audiência mais jovem, Miley Cyrus participará do filme. No filme ela viverá ela mesma e colocará Samantha Jones (Kim Katrall) em uma saia justa.
Quem nunca passou por um constrangimento como esses?
Tem que pagar!

Julia Roberts se embrenhou na India para rodar cenas de seu novo filme. O drama, com toques de existencialismo, Comer, rezar, amar. Ela chegou a provocar furor da população local que, talvez por ela ser uma atriz poderosa, queria que ela pagasse para filmar nas locações indianas. Bem, Julia não pagou, as filmagens atrasaram um pouco e Javier Barden chegou. O ator espanhol viverá o brasileiro Felipe, por quem a personagem de Julia se apaixonará. Bem que os brasileiros podiam cobrar do Barden por ele interpretar um brasileiro, não é?
Barden e Julia se entrosando...

Confissões de um quarentão
George Clooney não tem twitter, mas anda abrindo o seu coração para o público. Pela via mais tradicional mesmo, ou seja, a imprensa. Essa semana o ator disse que já sofreu muito por amor e que tem uma dificuldade imensa de terminar um relacionamento. Já em Up in the air, seu novo filme que acaba de ganhar o título nacional de Amor sem escalas (repara na ironia!), ele vive um especialista em encerrar relacionamentos. Só que os profissionais. Na vida amorosa padece de solidão. A nova fita de Jason Reitman está prevista para estrear no natal aqui no Brasil.





O filme de 2010 em 2009

Você já viu aqui em Claquete o trailer de Origem (clique aqui para ver de novo). Pois bem o filme ainda não terminou de ser gravado. Esse fato permite intuir a expectativa em torno do novo trabalho de Christopher Nolan. O primeiro depois do mega sucesso de O cavaleiro das trevas. Para ajudar a controlar a ansiedade, ou no caso de alguns, desencadeá-la, seguem algumas fotos de bastidores.


Da esquerda para a diretira: DiCaprio retoquando a maquiagem, falando no pé do ouvido de Marion Cottilard e seguindo Ellen Page

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Movie Pass

O Movie Pass de hoje destaca Arrasta-me para o inferno. E por fazê-lo, ousa. A nova fita de Sam Raimi que ostenta outros filmes cults no currículo, como a trilogia Evil dead, o western Rápida e mortal e o suspense O dom da premonição, é o melhor filme de terror dos últimos 10 anos. Apesar de ter acabado de estrear nas salas de cinema do país, Claquete reconhece o potencial cult que gravita a obra de Raimi e que lateja nesse filme.
Em Arrasta-me para o inferno, acompanhamos como a ambiciosa Cristine lida com uma maldição que lhe fora rogada por uma velha cigana que se sentiu insultada por ela. Raimi utiliza vários artifícios comuns ao gênero, mas também emprega artíficios bastante particulares. É dessa combinação vitaminada que brota toda a força do filme. Apavorante, engraçado, inteligente, cult. Arrasta-me para o inferno é cinema de primeira qualidade.
A seguir o trailer legendado do filme e a minha critica:


Filme de clima!

A esperada volta ao terror do cineasta Sam Raimi se deu da melhor maneira possível. Depois da consagração comercial alcançada com a trilogia Homem Aranha, pela qual também obteve reconhecimento da critica, o diretor regressa ao gênero que lhe revelou com Arrasta-me para o inferno (Drag me to hell, EUA 2009).
Uma vez mais o diretor conjuga com sensibilidade e técnica os preceitos do cinema de terror com sua visão muito particular do gênero. Se em Evil Dead e suas continuações, conhecidas no Brasil como A morte do demônio 1e 2 e Uma noite alucinante, Raimi costurava momentos de extrema tensão e humor nonsense, em Arrasta-me para o inferno ele o faz com ainda mais domínio e astúcia.
No filme, a ambiciosa Cristine( Allison Lohman) visando obter uma promoção no banco em que trabalha, nega a extensão de um empréstimo para uma velha cigana de aparência asquerosa. A velha então, em uma cena das mais assustadoras e ainda assim ridículas do ano, amaldiçoa Cristine. Em três dias um espirito maligno virá reclamar sua alma. No ínterim, ela passa a ser atormentada por espectros e alucinações. Cristine, com a ajuda do namorado incrédulo, vivido pelo sempre competente Justin Long, irá recorrer a um medium na tentativa de se desviar da maldição.
Raimi não cede aos efeitos especiais, buscando sempre o minimalismo no que concerne a representação do mal. Truques de iluminação, montagem e longos travellings, além da ótima maquiagem são recursos muito bem aproveitados pelo diretor que mantém a tensão proveniente da história. Sempre dosando-a com humor. Rememorando os sucessos do gênero dos anos 80, como Sexta - feira 13 e o próprio Evil dead.
Poucos filmes provocaram tanto medo e petrificaram o espectador na cadeira quanto Arrasta-me para o inferno. É seguro dizer que o filme é o melhor exemplar do gênero produzido na década. Raimi ainda é capaz de sutilezas e paralelismos. Como em uma cena em que demonstra o quão aterrorizante pode ser um jantar para conhecer os futuros sogros. A tensão experimentada ali atinge a mesma intensidade de quando um espirito maligno surge.
Arrasta-me para o inferno assume sua aura cult. E Raimi prova mais uma vez todo o seu talento como contador de histórias( o roteiro é assinado por ele e seu irmão). Se o quisesse, poderia ter feito um filme muito mais aterrador, no entanto, provavelmente seria menos divertido. Raimi acertou peremptoriamente no clima de seu filme. Imperdível.