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domingo, 7 de abril de 2013

Insight - O gênero de terror está esgotado?


A hesitação da The Weinstein Company em confirmar o quinto filme da série Pânico e a discussão sobre a possibilidade de reiniciar a série no cinema lançam a pergunta: o gênero está esgotado? A franquia assinada por Wes Craven, ele próprio um papa do gênero, foi o último grande sopro de originalidade no cinema de horror. O quarto filme, lançado em 2011, no entanto, não rendeu o esperado pelos produtores nas bilheterias. Nos últimos anos, salvo uma ou outra pequena exceção, o gênero tem sido engolido por refilmagens pouco imaginativas e derivados do último grande filme original do gênero: Jogos mortais.
Dois cineastas, no entanto, compõem a resistência. O americano Sam Raimi e o mexicano Guillermo Del Toro, ambos com um histórico de sucesso no gênero, patrocinam o que pode ser uma nova virada para o gênero. Del Toro tem produzido novos nomes, majoritariamente latinos, em filmes como O orfanato (2007), Não tenha medo do escuro (2010) e Mama, em cartaz nos cinemas. Sam Raimi faz o mesmo. Ele esteve por trás de filmes como Possessão (2012) e 30 dias e noite (2007) e agora produz o remake do filme que lhe deu fama, A morte do demônio.
A predileção por diretores latinos, o argentino Andrés Muschietti é o responsável por Mama e o uruguaio Fede Alvarez o diretor de A morte do demônio, está relacionada à gramática visual do cinema latino, mais inventiva e porosa do que a de diretores emergentes de outros cantos do mundo.

Cena de Mama, filme de terror que mexe com as emoções: sobrevida no gênero

Vem do Uruguai, também, uma das últimas propostas ousadas no gênero. Lançado em 2011, o uruguaio A casa foi rodado de maneira a parecer ser um único plano-sequência de 80 minutos em uma câmera digital. O filme tem remake americano garantido com supervisão do diretor do original, Gustavo Hernández.
Esse movimento que parece buscar uma nova postura estética para o cinema de horror tem a ver com a saturação do terror gore materializado em filmes como O albergue e as sequências de Jogos mortais.
Muschietti foi selecionado por Del Toro depois que este viu um curta dirigido pelo argentino na internet. Daí, o mexicano decidiu produzir um longa a partir daquele curta. Assim surgia Mama, um dos primeiros sucessos de público e crítica do ano. A trajetória de Mama para chegar aos cinemas é sintomática tanto das possibilidades ensejadas pela internet como da carência que aflige o cinema de horror no tangente a talentos e ideias. Mas também é um sinal claro de que não há, neste momento, sinais de esgotamento. Sam Raimi, que rodou em 2009 o último grande filme do gênero (Arrasta-me para o inferno) acredita que a nova versão de A morte do demônio pode ser ainda mais hypada do que a original. Seria um alento para um gênero que anda precisando... 

"O filme mais aterrorizante que você verá": a promessa do slogan de A morte do demônio se cumprirá?

domingo, 8 de maio de 2011

Insight

O cinema de horror entre os filmes da série Pânico

Pouco antes do lançamento de Pânico 4, o diretor dos quatro filmes da série, Wes Craven, disse que Pânico está para o cinema de terror como Star Wars está para a ficção científica. A comparação, a princípio despropositada e pretensiosa, ostenta forte ressonância. Pânico, de fato, realinhou a produção do gênero nos anos 90 gerando cópias descaradas e restabelecendo o status quo dos filmes de horror, agregando-lhe mais charme e senso de humor. Características que andavam perdidas do gênero até o retorno do Ghostface e de Sidney Prescott a Woodsboro.

Gente como George Romero (foto) seguiu
rodando seus filmes clássicos

Com o desgaste da série (além dos três filmes rodados quase que a toque de caixa, a profusão de cópias e filmes que “homenageavam” Pânico contribuíram para esse processo), o cinema de terror americano se viu na contingência de buscar um novo hype. Além de Craven (que era a última palavra no gênero), não havia outro expoente americano que pudesse revitalizar o gênero levando-o para outra direção. Foi no terror nipônico, e numa duvidosa leva de refilmagens, que o cinema de terror americano se abrigou. Enquanto gente como Dario Argento e George Romero mantinha uma produção menor e mais circunscrita, gente como Robie Zombie e Zack Snyder os reverenciavam em refilmagens bacanas. Mas foi a onda desencadeada por O chamado e O grito, com seus espectros soturnos e fantasminhas nada camaradas, que ditou o cinema de terror no começo da década passada. Até que em 2004, um filme independente premiado em Sundance chamou a atenção. Rodado com pouco mais de U$ 1 milhão, Jogos mortais, do novato James Wang, agradou público e crítica. O assassino Jigsaw se provaria uma figura tão carismática e sedutora quanto o Ghostface e a série (com uma queda de qualidade abismal) se tornaria a mais longeva de um saga de terror moderna. Jogos mortais surpreendia pelo inusitado grafismo com que expunha a violência. Esse grafismo foi ficando desmedido e ganhando contornos pornográficos nas sequências absolutamente gratuitas. Faltava aos realizadores de Jogos mortais a exuberância narrativa que Wes Craven pauta a série Pânico. Apesar de embutir o senso de humor na série, Jogos mortais nunca excedeu a obviedade do filme de gênero e tornou-se refém de clichês. Essa chaga foi devidamente contornada por Pânico com o advento do quarto filme. Craven se incumbe de sublinhar as diferenças entre a série e os filhotes de Jogos mortais logo na cena de abertura.

Igual, mas diferente: Eli Roth está movimentando a produção de terror nos EUA


Paralelamente a isso, desponta na cena de terror, o nome de Eli Roth. Apadrinhado pelo cineasta Quentin Tarantino, o realizador dos interessantes Cabana do inferno e O albergue, mostra-se um produtor ativo e revela o anseio de arejar o gênero. Seus filmes, é bem verdade, se ajustam mais a Jogos mortais do que a Pânico. Mas Roth demonstra estofo criativo para superar imposições mercadológicas e, mais que isso, uma linguagem própria que pode levá-lo além.
Pânico 4 estréia para mostrar que Roth pode até fazer o seu O senhor dos anéis. Mas que para os fãs, Star Wars sempre terá a primazia.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Crítica - Pânico 4

“Não preciso de amigos, preciso de fãs!”


A frase que dá título a essa crítica foi proferida por um importante personagem em um momento crucial de Pânico 4 (Scream 4, EUA 2011). Ela diz mais sobre esse novo filme de Wes Craven, que revigora a franquia que marcou época nos anos 90, do que qualquer título espertinho. A frase sintetiza uma das preocupações da realização na concepção desse novo filme que retoma a história de Sidney (Neve Campbell), Gale (Courteney Cox) e Dewey (David Arquette) e da fictícia Woodsboro – cidade em que ocorreram os crimes no filme original.
Antes de ser um filme de terror divertido (uma especialidade dessa franquia assinada por Craven e pelo roteirista Kevin Williamson), Pânico 4 é uma obra referencial. Dentro do gênero terror e também no olhar que dispensa para o fenômeno das redes sociais. O escopo aqui, é bom que se diga, é diferente do vislumbrado em A rede social. Dentro dessa proposta bípede, a cena de abertura da fita beira a genialidade. A metalinguagem cinematográfica, que sempre pautou a série, adquire novos contornos nesse quarto capítulo. As referências a outros filmes de terror vêm temperados por um despudor em diminuir produções como Jogos mortais e O chamado. Craven se diverte ao rir do gênero em que se consagrou. Logo no início uma personagem se queixa dos filmes de terror atuais: “Não há desenvolvimento de personagens!”. Em Pânico 4, Sidney Prescott reaparece como uma espécie de tenente Ripley (célebre personagem de Sigourney Weaver na série Aliens) e vira alvo de um novo massacre em Woodsboro. De volta à cidade para a divulgação de um livro, com jeito de auto-ajuda, que escreveu, Sidney se vê no epicentro de mais uma dupla de imitadores dos assassinos originais.
Não seria exagero dizer que Neve Campbell está em seu melhor momento como atriz aqui. Capaz de revelar fragilidade e força com um mesmo olhar, em um mesmo movimento, a atriz sentiu positivamente os anos afastada da série.

Sidney (Neve Campbell) e sua prima Jill (Emma Roberts): a voz do Ghostface agora vem em aplicativo da Apple...


O que mais instiga em Pânico 4 é sua vocação para a autoparódia. A marca da série surge apimentada aqui. Seja na dupla de policiais que evoca Bruce Willis como um clichê ou no final alternativo que Craven embute no próprio filme. Pânico 4 não se leva a sério mesmo quando busca a reflexão. Os limites da fama foram flexionados com o advento da internet? Se a nova década traz novas regras e o clichê é ser imprevisível, dá para dizer que dentro de sua previsibilidade, Pânico 4 deu seu jeito de ser imprevisível. A série exibe novo fôlego, mais conteúdo, mais humor e um senso crítico (para consigo mesma e para com o público que busca se comunicar) que inexistia antes.
A resposta para o sucesso, o próprio Craven – que teve o seu A hora do pesadelo pifiamente refilmado – entrega em uma fala do filme (em mais uma das deliciosas figuras de linguagem de seu cinema): “A regra principal é não fuder com o original!”

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Filme em destaque: Pânico 4

Levando pânico a uma nova geração...
A série de terror que marcou toda uma geração volta aos cinemas 11 anos depois da terceira parte. Nessa reportagem especial, Claquete explica o por quê



Qual é o seu filme de terror favorito? Com essa singela e legítima pergunta, Pânico, uma fita de terror com esquetes bem simples e elenco semidesconhecido, se inscreveu no imaginário cultural como um acontecimento cinematográfico. Copiado por toda a década de 90 e renovando a produção de terror no cinema americano, amenizando – em certos níveis – o tom do gênero. O terror era pop; e o era porque por trás da máscara do Ghostface estava Wes Craven, um dos diretores mais importantes do gênero e responsável por perolas como A hora do pesadelo (1984) e Quadrilha de sádicos (1977).
Com as continuações de 1997 e 2000, a série parecia ter esgotado o seu fôlego, mas vez ou outra surgia na mídia rumores de uma nova continuação. Craven rodou alguns filmes minimamente interessantes na década, como Amaldiçoados (2005) e Vôo noturno (2005) e outro péssimo, A sétima alma (2010). Uma má sucedida tentativa de recriar o sucesso de Pânico. Mas ei, que tal, voltar a Woodsboro? A ideia, afinal de contas, não era nova e com Harvey Weinstein, o todo poderoso produtor dos primeiros filmes, pondo as fichas na mesa, por que não?
Quando tudo parecia certo, as coisas começaram a dar errado. O roteirista Kevin Williamson (responsável pelos roteiros dos três primeiros filmes) exigia ter a palavra final sobre o roteiro e não se acertava com os outros contratados para dar sequência a franquia no cinema. Depois de algumas negociações, Williamson assumiu sozinho o crédito pelo argumento.
Vieram então alguns problemas nas gravações, sempre temperados com novas adições ao elenco.
Anna Paquin e Kristen Bell foram dois nomes prontamente confirmados. As loiras fazem uma cena reverencial à clássica cena de abertura do primeiro filme. A ideia é remeter aos primórdios de Pânico, se é que podemos colocar Pânico e primórdios em uma mesma sentença. É esse interesse que está por trás da marketeira declaração de Craven nessa semana. O diretor comparou sua trilogia original a Star wars, em um contexto específico do cinema de terror. A declaração não disfarça também um outro interesse que o slogan (Nova década. Novas regras) escandaliza: de dar início a uma nova trilogia. “Mas dessa vez, o clichê é ser imprevisível e as virgens também morrem”, alerta um personagem em uma atualização de uma cena do filme original de 1996.
Flashback: o que restou do elenco original esteve presente na premiere americana do novo filme, realizada na segunda-feira (11) em Los Angeles 


It´s good to be back: Craven entre Neve Campbell e Courteney Cox em um dos primeiros dias de filmagem do novo filme



A volta dos que não foram

A trama de Pânico 4 é tão simples quanto óbvia. Alguém resolve resgatar a máscara do Ghostface, justamente no momento que Sidney Prescott (Neve Campbell) retorna a Woodsboro - a cidade dos crimes originais. O jeitão de lenda urbana, história de mistério, e comédia involuntária continua a pautar a condução de Craven aqui. Outros dois célebres personagens retornam: a intrépida repórter Gale (Courteney Cox ) e o agora xerife Dewey Riley (David Arquette). “Mas qualquer um deles pode morrer dessa vez”, advertiu um debochado Kevin Williamson em entrevista ao canal E entertainment television.
Se Craven tentou dar viço a uma opaca produção de terror no alvorecer dos anos 00, o resto da turma passou ao largo de grandes conquistas. Kevin Williamson até conseguiu alguma notoriedade com a criação da série The vampire Diares, mas longe de repetir a febre de Pânico ou de sua outra criação famosa, Dawson´s creek. Neve Campbell tentou se provar atriz de verdade sob as ordens de Robert Altman em De corpo e alma (2003), mas embora impressionasse nos movimentos de balé, faltava-lhe ranço artístico. Courteney Cox teve o ápice no fim de Friends, sitcom que fez com que fosse a mais conhecida do primeiro filme. Com o fim do seriado, tentou a sorte em dois outros programas na TV sem grande ressonância. David Arquette, a parte os problemas com o alcoolismo, só era lembrado por ser o marido de Courteney. Coisa que já não é mais desde meados de 2010.
Essa turma andava precisando mesmo que alguém resolvesse tirar essa máscara do armário...