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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Em off

Nesta edição da seção Em off, Batman reloaded, o cinema mexicano insurge ao topo da América Latina, a ansiedade aperta por alguns dos grandes lançamentos do ano, os filmes imperdíveis do festival do Rio, strippers famosos do cinema e Jennifer Aniston cada vez mais à vontade no ecrã.

O cinema mexicano pede passagem...
Se o Brasil já perde, e feio, para a Argentina em matéria de cinema é bom ir se preparando para ser ultrapassado pelos mexicanos. Se é que isso já não aconteceu. Nos dois últimos festivais de Cannes, os diretores premiados foram mexicanos em uma clara demonstração de que há uma efervescência ali que está comovendo o circuito de arte e, principalmente, fomentando significativas mudanças criativas. Carlos Reygadas ganhou o prêmio em 2012 com Post Tenebrax Lux e, em 2013, foi a vez de Amat Escalante, cujo Heli – dimensionado por sua crueza e violência – é um dos principais destaques do festival do Rio que começou há poucos dias.





30 filmes imperdíveis do Festival do Rio 2013
A equipe do AdoroCinema preparou uma lista para lá de especial com alguns dos filmes que serão exibidos no evento que pautará a agenda cinéfila carioca pelos próximos dias. Muitos serão exibidos em breve nos cinemas brasileiros, mas quem se aguenta esperar?

Ainda o Batman de Ben Affleck...
George Clooney falou à revista Empire sobre a escolha do chapa Ben Affleck, para quem produziu Argo, para viver o homem-morcego no cinema. “Eu talvez seja a pessoa menos indicada para emitir uma opinião a respeito, já que praticamente destruí o personagem, mas acho que só podemos criticar algo quando esse algo está lá e o filme ainda não foi feito. Ben é um cara inteligente. Ele sabe o que está fazendo”.
A escolha de Affleck para viver Batman promoveu agito sem precedentes em Hollywood e atendeu mais do que o esperado aos anseios da Warner de promover uma verdadeira onda de ansiedade com tal anúncio.

Ainda o Batman de Nolan...
Prova de que Batman é mesmo o carro-chefe do estúdio é que nesta semana está sendo lançada a terceira coleção da trilogia orquestrada por Christopher Nolan no mercado americano. A “collector´s edition” da vez, como mostra a foto abaixo, vem recheada de mimos e com mais 40 horas de extras. O detalhe é que o terceiro filme da trilogia, com bem todos sabem, foi lançado nos cinemas no ano passado. Batman é mesmo uma mina de ouro...



Abstinência de Scorsese
O estúdio Paramount vive uma apreensão em particular. Martin Scorsese precisará de mais tempo para montar o corte final de O lobo de Wall Street, o filme mais aguardado do ano em nove de dez listas cinéfilas. O corte atual do filme tem cinco horas e estúdio e Scorsese querem reduzi-lo para duas horas e meia. Para que isso ocorra, será necessário adiar a estreia do filme – previamente marcada para 15 de novembro.
Para não perder sua boquinha no Oscar – afinal estamos falando de Scorsese – a Paramount tenta viabilizar o lançamento do filme no Natal, para que ainda seja elegível para o prêmio da Academia. Se esse cenário se concretizar, o filme de ação Jack Ryan – que retoma as aventuras do personagem criado por Tom Clancy – será remanejado para janeiro. Dedos cruzados!

Em 6 de dezembro?
O filme mais polêmico do ano, e que desperta mais curiosidade no mundo da cinefilia, ganhou data de estreia no Brasil. La vie d´Adèle, vencedor da Palma de Ouro no último festival de Cannes, teve sua estreia marcada para o dia 6 de dezembro. Uma das últimas polêmicas despertadas pelo filme, posterior a sua consagração em Cannes, ocorreu em virtude de uma declaração da atriz Léa Seydoux de que sentia de que “havia caído em uma armadilha” no tocante às cenas de sexo homossexual que fez com a atriz Adèle Exarchopoulos. O diretor do filme, o franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, declarou que se sentia humilhado por essa colocação e que repensaria se o filme deveria, ou não, ser lançado comercialmente.



Arte subestimada
Fazer strip-tease é uma arte. Tem quem vá assistir Família do bagulho no cinema somente para ver Jennifer Aniston fazer seu show. Se há talentos natos como Channing Tatum (Magic Mike) e Natalie Portman (Closer - perto demais), há embaraços famosos (mas nem por isso menos sensuais) como Demi Moore em Striptease. O AdoroCinema juntou tudo e elaborou uma lista com 15 cenas de strip que trazem celebridades tirando a roupa. Confira!

Naughty girl

Jennifer Aniston pode não estar se reinventando como atriz, mas certamente está ousando. O seu strip de tirar o fôlego, para os padrões de um filme que se pretende familiar, é bom que se diga, se segue a participações desbocadas e desavergonhadas da atriz nos filmes Quero matar meu chefe (2011) e Viajar é preciso (2012). No primeiro filme ela faz uma ninfomaníaca incontrolável e que fala um monte de sacanagens e no segundo, faz uma mulher dispostas a novas experiências sexuais.
Jason Sudeikis, que fez par com ela em Quero matar meu chefe e fecha o ciclo (?) em Família do bagulho, é o que se chama de cara certo, no lugar certo...

Sobre famílias...
Uma coincidência que une dois filmes merece a menção por aqui. Duas comédias familiares sobre famílias que são, também, sátiras e recheadas de clichês estão em cartaz nos cinemas brasileiros. A família, de Luc Besson, mostra uma família de mafiosos tendo que se adaptar à vida no programa de proteção à testemunhas, enquanto que Família do bagulho (em uma exagerada terceira menção neste post), satiriza a classe média americana. As críticas serão publicadas em Claquete na segunda e terça respectivamente.

terça-feira, 26 de março de 2013

Crítica - Depois de Lucia


Vidas prensadas

Depois de Lucia (Después de Lucía, MEX/FRA 2012) pertence àquela verve cinematográfica que não permite ao espectador uma reação distinta do estarrecimento. Grande vencedor da mostra Um certo Olhar no festival de Cannes de 2012, o filme escrito e dirigido por Michel Franco não é exatamente sobre bullying, como muito se professa erroneamente na mídia, nem necessariamente sobre o luto, mas uma obra acima do rótulo que a massificada crítica de cinema precisa lhe outorgar. Depois de Lucia é, na verdade, uma produção que funde brilhantemente o denuncismo de um “filme de bullying” à sensibilidade e ritmo de um filme sobre o luto. Sob essa perspectiva, conjuga com desenvoltura a parcimônia do cinema asiático com a gravidade do cinema europeu, sem prescindir da aspereza do registro do cinema latino.
Com uma câmera assustadoramente passiva, Franco acompanha Roberto (Hérman Mendonza) e sua filha Alejandra (Tessa Ia) que se mudam de Puerto Vallarta para a Cidade do México após a morte de Lucia – esposa de Roberto e mãe de Alejandra. A mudança representa uma tentativa de recomeço. De novos ares. Mas os vestígios da ausência de Lucia se fazem sentir na intolerância cada vez mais ciosa de Roberto ou na passividade com que Alejandra recebe as ações cada vez mais agressivas de seus colegas de escola. E a subjetividade do tempo dos protagonistas, aqui confrontada a todo momento com a objetividade de certas ações, é muito importante no filme de Franco. Tudo começa quando Alejandra se deixa filmar por um de seus colegas enquanto faz sexo com ele. Depois que o vídeo vai parar na internet, ela passa a ser diariamente assediada e agredida verbal e fisicamente por seus colegas.

A excepcional Tessa Ia em cena do impactante Depois de Lucia: a combinação fatal de culpa e dor em um filme capaz de provocar reações extremas

Os longos planos de Franco e sua câmera estática favorecem uma crescente sensação de incômodo e jogam o espectador em um abismo de desconforto conforme a trama avança e Alejandra e Roberto vão se distanciando de quem já foram certa vez.
Outro mérito que precisa ser destacado no filme de Franco é a total falta de sensacionalismo na abordagem do bullying. O diretor não priva sua audiência de testemunhar a crueldade humana e de apontar a banalidade com que é tratada por aqueles que a praticam, mas não faz do bullying, e da percepção majoritária que se tem dele, um espetáculo catártico.
As atrocidades cometidas contra Alejandra vão desde fazê-la comer um bolo com fezes até trancá-la em um banheiro durante todo um fim de semana, passando por outras tantas horrorosas atitudes. O que leva o filme a um último ato poderosíssimo e de reverberação única. Depois de Lucia é um filme que pode ser assistido uma única vez, e exige muito controle emocional e desatenção da humanidade para se voltar a ele, mas que fica na memória. Com o objetivo mais de provocar uma racionalização complexa do que provocar perplexidade, o filme de Franco estabelece um novo patamar para obras que se pretendem transformadoras.
Depois de Lucia é um filme difícil e emocionalmente desgastante, mas também é um impactante relato sobre duas pessoas tentando resgatar suas vidas de uma existência desorientadora. Não poderia haver contribuições mais significativas do que as de Hérman Mendonza, uma força da natureza em cena, e de Tessa Ia, um poço de contenção capaz de sugerir desespero com a mesma fluência com que externa graciosidade. Depois de Lucia é uma obra-prima muito em parte ao excepcional trabalho desses dois ótimos atores.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Filme em destaque: Biutiful

“Tenho interesse pela morte”

Iñarritu dirige Bardem nos sets de Biutiful: interesse pela morte move o novo filme do cineasta



O diretor mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu afirma que a razão de seus longa-metragens de alguma maneira se aproximarem da questão se deve a sua curiosidade “intelectual e como artista” pela morte. “Mas não há nada de metafísico em meu filme”, argumenta em entrevista promocional no último festival de Cannes, de onde Biutiful (MEX/ESP 2010) saiu com a Palma de ouro de melhor ator - entregue a Javier Bardem.
Na avaliação do diretor, Bardem é crucial para que Biutiful seja uma experiência completa. “Mesmo sem ter escrito uma linha de diálogo, ele é um pouco coautor de Biutiful”, disse em entrevista recente concedida ao jornal O Estado de São Paulo.
Iñarritu não está sendo gentil. Reside em Bardem a grande força do primeiro filme do mexicano sem seu parceiro Guillermo Arriaga. Iñarritu e seu ex- amigo tiveram severos desentendimentos acerca da autoria dos filmes em que colaboraram. Para Arriaga, ele era responsável pelos frutos de Amores Brutos, 21 gramas e Babel, no que Iñarritu discordava.
A parceria se desfez em meio a tumultuadas declarações e ressentimentos de parte a parte.
Biutiful, neste sentido, representa uma evolução na carreira de Iñarritu. É seu primeiro filme sem o suporte de Arriaga (o diretor também assina como roteirista) e, apesar de preservar algumas características reconhecíveis dentro de seu cinema, é o primeiro filme em que Iñarritu se apresenta de forma linear para o público. O diretor argumenta que essa medida não foi proposital. “Essa solução (a narrativa linear ou cíclica) nasce na sala de edição, quando fazemos a montagem”.


Homem de família: Uxbal é generoso para com os filhos, com a ex-mulher bipolar e com os imigrantes ilegais que agencia...


Cotado para o Oscar de melhor produção estrangeira (Javier Bardem também alimenta chances como intérprete), Biutiful é um filme que estuda a relação de um homem com o mundo a sua volta e com o fato de que em breve se verá privado dele. Uxbal (o protagonista vivido por Javier Bardem) descobre um câncer de próstata já em metástase avançada. A finitude se interpõe à rotina precária em que Uxbal se sustenta. Agindo dentro de uma lógica exploratória de imigrantes ilegais e comunicando-se com os mortos (em um eixo que Iñarritu não parece muito interessado em desenvolver), Uxbal se ressente de sua condição. Mas não fica claro se isso ocorre em virtude da proximidade do fim, ou se são apenas os derradeiros capítulos de uma triste novela.
A Barcelona suja, fétida e desigual que as câmeras de Inãrritu capturam é uma importante personagem na trama. Longe do brilho que a cidade ostenta em outras produções, essa Barcelona representa o estado de espírito do protagonista e do homem que o concebeu.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Movie Pass

O Movie Pass de hoje destaca E sua mãe também. Um filme mexicano que marcou época. Em parte pela sua atraente proposta, uma viagem definidora para dois jovens que se envolvem com uma mulher casada, em parte por ter sido ele um dos filmes que devolveram à América Latina o prestigio junto a critica internacional, perdido na década de 90 . E sua mãe também reúne Diego Luna e Gael Garcia Bernal, os dois principais atores do cinema mexicano atual, em grandes momentos. A fita fez bela carreira internacional. Sendo indicada a vários prêmios como o Globo de ouro e tendo participações muito positivas em festivais como Sundance.
Alfonso Cuarón realiza um filme solar, apesar de suscitar alguns dilemas e conflitos, E sua mãe também é um filme colorido, sexy, altivo e comunicativo. A fita tem a qualidade de dialogar indiscriminadamente com um público tão diverso quanto reticiente a interferências externas. É aqui que reside a maior virtude da película de Cuarón.

A seguir o trailer do filme e a minha critica:



Crescer é preciso!
Alfonso Cuarón realiza em E sua mãe também( Y Tu Mama También, MEX 2001) talvez o mais eloqüente e fiel retrato daquela fase em que a adolescência teima em partir. No filme dois amigos inseparáveis se aventuram em uma viagem para a praia, simbolo mor da idílica composição adolescente, e também se aventuram com uma mulher casada que vai orientar sexualmente os dois.
E sua mãe também é sexy, colorido e engraçado. Mas antes de ser isso tudo, é um filme delicado que explora com interesse genuíno todo um ritual de descobrimento e consciência. É nessa "simbólica" viagem que ambos serão confrontados com a urgência de crescer.
Road movies( filmes ambientados em viagens e deslocamentos físicos) são, por estrutura narrativa, convidativos a introspecção. Aqui não é diferente. Cuarón esgota todas as temáticas que seu plot sugere. O valor da amizade, o conceito de traição, a necessidade de amadurecer, o prazer de viver, o sexo e como todos esses elementos se combinam.

É com extrema satisfação que se percebe o vigor da história. E como Cuarón evita as soluções fáceis. O fim de seu filme é original, arrojado e plenamente fiel ao espírito dos personagens e da trajetória que eles construíram para si. E sua mãe também valoriza o cinema de autor ao mesmo tempo que se inscreve como um título de apelo popular.