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sábado, 18 de maio de 2013

Crítica - Homem de ferro 3

Futuro incerto


Homem de ferro 3 (Iron man 3, EUA 2013) é um filme de transição. Depois de consolidar o universo Marvel no cinema, é a hora de consolidar o universo Tony Stark. Esse terceiro filme se presta a esse intuito. Robert Downey Jr. pode ou não renovar para mais uma bateria de filmes, mas é preciso pensar além do futuro imediato e a Marvel – como deixa claro o “Tony Stark will return” depois da cena pós-créditos – vê no personagem o seu James Bond.  Tudo em Homem de ferro 3, seus defeitos e qualidades, convergem para a consolidação desse “universo Tony Stark”. O filme, seguramente mais frágil do que os anteriores, escala a megalomania característica dos vilões ‘bondianos’ na figura de Aldrich Killian (Guy Pierce); investe mais em Tony Stark na tela do que no Homem de ferro e até enseja as “stark girls”, ainda que timidamente nesse primeiro rascunho, na figura da personagem de Rebecca Hall. O cálculo está muito bem feito. O perigo é que Homem de ferro integra outro universo, o Marvel, e essa dupla pretensão pode gerar desequilíbrios no longo prazo. Além do mais, ainda resta a incógnita se o personagem conseguiria sobreviver sem Robert Downey Jr. Não é porque Bond sobreviveu sem Sean Connery, que o mesmo aconteceria aqui.
A questão, no entanto, merece uma análise à parte. O filme, ainda que decepcione na comparação com seus predecessores – em especial o primeiro, se firma como um blockbuster digno. Sob muitos aspectos, como filme evento, Homem de ferro 3 é um triunfo. Há um roteiro que se passa muito bem por inteligente, ainda que não o seja, personagens cativantes (os novos e os de sempre) e Robert Downey Jr. provando que consegue se manter no auge mesmo com a pressão maior sobre seus ombros. Mais tempo em tela com menos cenas de ação e um personagem já conhecido e relativamente desgastado não diminuíram a força de Downey Jr. para autoparódia e muito menos tornaram seu cinismo menos efetivo. O ator continua responsável pelo melhor que Homem de ferro tem a oferecer como cinema, o que põe em dúvida se a série tem condições de evoluir sem o ator.

Robert Downey Jr. em cena do filme: ele ainda vale o ingresso

Os efeitos especiais, desnecessário dizer, são de brilhar os olhos. O clímax do filme, em que diversas versões do Mark (nome de batismo do traje do Homem de ferro) funcionam automaticamente e Tony migra de um para outro conforme as circunstâncias exigem talvez seja o mais próximo da HQ – no sentido visual – que um filme da Marvel já chegou.   
Homem de ferro 3, com sua massiva bilheteria, esconde um esgotamento criativo da Marvel. Os vingadores não foi a coca-cola que se esperava e a transição ensejada por Homem de ferro 3 talvez já seja reflexo disso. É cedo para dizer. Certo é que a Marvel precisa mais do que nunca de Robert Downey Jr., que já não precisa mais da Marvel. É a resolução dessa história que decidirá o futuro do personagem daqui para frente.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

ESPECIAL OS VINGADORES - Os dez melhores filmes com personagens Marvel


Os vingadores é o maior projeto Marvel nos cinemas. É a grande cartada do estúdio nessa nova e arriscada fase que foi iniciada em 2008 com Homem de ferro. É sabido que a Marvel não detém, no cinema, os direitos de todos os seus personagens. Situação que começará a ser revertida no final dessa década. De qualquer jeito, seus personagens foram ao cinema por outros estúdios. Claquete, na antecipação de Os vingadores, lista os dez melhores filmes com personagens Marvel.



10 – Blade 2, de Guillermo Del Toro (Blade 2, EUA 2002)
É fato que foi com o primeiro Blade, em 1998, que os personagens da Marvel passaram a ser considerados fontes fidedignas para produções hollywoodianas. Contudo, foi com o segundo filme do caçador de vampiros, personagem de segunda linha do selo Marvel, que a ideia de que um filme de herói poderia ser algo mais surgiu. O cineasta Guillermo Del Toto, conhecido por seu requinte visual, fez do filme do caçador de vampiros algo divertido, assustador e transbordante em ação. Tudo isso muito bem fundamentado visualmente.


9-  Capitão América – o primeiro vingador, de Joe Johnston (Captain America: the first avanger, EUA 2011)
A maior prova de que filme de super-herói também pode ser uma bela matinê. Conjugando muito bem a responsabilidade de ser a principal ligação entre os filmes da Marvel Studios (os dois Homem de ferro, Thor e O incrível Hulk) e Os vingadores, com a função de ser um filme de introdução ao personagem, Capitão América – o primeiro vingador apresenta um ritmo maravilhoso e personagens carismáticos. É daquele tipo de filme que se revê sem cansar.


8 - X-men, de Bryan Singer (X-men, EUA 2000)
Se o primeiro Blade mostrou que era possível a Marvel vingar no cinema, foi o primeiro X-men que mostrou o caminho das pedras. O filme de Singer disfarça, e muito bem, o orçamento modesto com cenas muito bem pensadas para parecerem maiores do que de fato são. Um roteiro afiado e um astro, Hugh Jackman, esperando para ser descoberto. 


7- Hulk, de Ang Lee (Hulk, EUA 2003)
Filme muito subestimado. Nem público, nem crítica reagiram bem à investida psicológica que Ang Lee impetrou no filme. Uma introspecção que, naquele momento, não parecia oportuna em um filme baseado em quadrinhos. Se o filme fosse lançado hoje, depois do vanguardista Batman de Christopher Nolan, a recepção a ele talvez fosse diferente. Lee fez do Hulk uma poderosa arma do inconsciente de Bruce Banner e circunscreveu à tragédia familiar toda a sua desgraça. Uma leitura shakespeariana para um personagem até certo ponto simplório. 


6 – Homem de ferro, de Jon Favreau (Iron man, EUA 2008)
O primeiro filme Marvel, mais do que ser um ótimo e inteligente entretenimento, é a demonstração perene de como planejamento e controle implicam em sucesso criativo e comercial. Esmerado pelo talento e carisma de Robert Downey Jr., Homem de ferro se revela uma comédia de ação dotada de invejável senso crítico. Uma combinação ímpar não só nos filmes baseados em HQ, como nas produções hollywoodianas em geral.


5 – X-men 2, de Bryan Singer (X-men 2, EUA 2003)
Primeira prova viva de que uma sequência pode ser muito melhor que o original nas adaptações de HQ. X-men 2 eleva a discussão intrínseca ao universo dos mutantes (tolerância, preconceito, etc) e apresenta um filme muito mais atraente e com personagens envoltos em dilemas ainda mais agonizantes.


4- Homem aranha, de Sam Raimi (Spider man, EUA 2002)
Era grande a expectativa pelo filme do cabeça de teia. Sam Raimi deu uma aula de como fazer um filme de origem capaz de agradar aos fãs sem alienar espectadores ocasionais. Apostando em um enredo simples e em personagens carismáticos, o diretor foi fiel ao espírito dos quadrinhos e ainda entregou um filme coeso e empolgante.


3 – Homem aranha 2, de Sam Raimi (Spider man 2, EUA 2004)
Entrou para a galeria de sequências superiores ao original, assim como O poderoso chefão 2, O império contra-ataca e O cavaleiro das trevas. É um filme que consegue sublinhar com eficácia inédita até então em um filme baseado em HQ os dilemas humanos inerentes ao herói. Consegue ser mais divertido, mesmo sendo mais sombrio. Uma combinação tão improvável quanto certeira.


2 – Kick ass – quebrando tudo, de Mathew Vaughn (Kick ass, EUA 2010)
Menos conhecido do que os companheiros de lista e integrante de um selo especial da Marvel, Kick ass acabou recebendo tratamento de luxo no cinema. O diretor Mathew Vaughn preservou o cinismo do material original e investiu no humor negro sem diminuir a pegada violenta do material original. Resultado? O mais divertido e anárquico filme baseado em HQ, sem deixar de ser inteligente e repleto de ação.


1- X-men: primeira classe, de Mathew Vaughn (X-men: first class, EUA 2011)
E Mathew Vaughn conseguiu novamente. Ele já deveria ter dirigido o terceiro X-men, mas deu uma amarelada. Voltou à franquia mutante por cima da carne seca após o sucesso de público e crítica alcançado com o barato e underground Kick Ass. Resultado? Fez o filme mais político dos últimos anos e ponto. Não é pouca coisa. X-men: primeira classe é vintage, é cool, é inteligente e é puro carisma. Não a toa está em primeiro, não é mesmo?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Insight

Robert Downey Jr. na berlinda


É até espantoso enunciar um artigo colocando Robert Downey Jr. no paredão. Além de um tanto estranho. Contudo, a preocupação é legítima. O próprio Downey Jr., em sua passagem pelo Brasil no último mês de janeiro, tocou no assunto. Indagado se temia que o público se enjoasse dele, o ator foi bastante sereno ao afirmar que “eles me mandarão um recado, caso isso aconteça”. Para Downey Jr., as bilheterias são o melhor termômetro para aferir se ele ainda está em alta ou não junto a seu “eleitorado”. E o que dizem as bilheterias? Que  Robert Downey Jr. pode começar a se preocupar. Não, o astro não deixou de fazer dinheiro. A estreia de Sherlock Holmes: o jogo de sombras nos EUA, ainda que tenha sido inferior às expectativas da Warner, rendeu U$ 39 milhões. Houve, no entanto, uma queda considerável em relação à abertura do primeiro filme, que registrou U$ 62,3 milhões. Se o segundo Homem de ferro teve uma abertura maior do que o primeiro filme (U$ 128 milhões contra U$ 98 milhões), o resultado final das bilheterias dentro do mercado americano não confirmou a tendência. O primeiro filme encerrou carreira com R$ 319 milhões enquanto que o segundo chegou a R$ 312 milhões. A frieza dos números pode ser questionada pela qualidade das sequências, algo que prescinde, ainda que não completamente, da presença de Robert Downey Jr.
O que preocupa nas entrelinhas são as opções de Downey Jr para a condução de sua carreira. É inegável que ele se reinventou como astro de cinema e, inclusive, é grande responsável pelo sucesso da Marvel enquanto estúdio de cinema. Mas é chegado o momento para o ator diversificar seus projetos. Sherlock Holmes e Homem de ferro, duas franquias que só existem em virtude do apelo de Downey Jr, polarizam suas qualidades e lhe atribuem mais responsabilidades do que o desejável. Até o momento o pendor desse fato tem lhe sido favorável, mas as bilheterias sugerem atenção. As coisas podem mudar.
Neste momento, o ator só está envolvido na produção do terceiro Homem de ferro, que já declarou considerar o melhor roteiro que já leu em sua vida. O material promocional de Os vingadores divulgado até o momento se foca inteiramente em Downey Jr., mesmo o filme contando com vários personagens do universo marvel vividos por gente como Scarlett Johansson, Chris Evans e Samuel L. Jackson.
São muitas as premências para uma mudança de rumo. A preservação da imagem é uma delas. O ator seria o principal responsável pelo esgotamento das séries que protagoniza. Até mesmo em virtude do fato de, há quatro anos, estar envolvido apenas com elas. Excetuando-se, é claro, a participação na comédia Um parto de viagem.
Outro ponto para uma alternância no perfil dos projetos, é que Downey Jr. sempre se provou ótimo ator dramático e experimentar-se novamente nessa seara poderia lhe ser produtivo, não só em matéria de prêmios. Mas o mais importante mesmo seria surpreender seu público. Desafiá-lo desafiando a sim mesmo. Por trás da comodidade que as atuais franquias lhe proporcionam, jaz uma pressão que pode dinamitar, ainda que em termos distintos, mais uma vez a carreira desse talentosíssimo e carismático ator.

domingo, 24 de abril de 2011

Tira-teima

Na próxima sexta-feira estréia nos cinemas brasileiros Thor, o terceiro filme da Marvel Studios e o primeiro de quatro filmes estrelados por heróis a chegar aos cinemas em 2011.Os outros filmes são Capitão América: o primeiro vingador, X-men: primeira classe e Lanterna verde. Para ir entrando no espírito, e rememorar o que de melhor já pintou nos cinemas sob as rédeas desses dois celeiros de super heróis e super vilões, a seção Tira-Teima deste mês coloca Marvel X DC na arena. Pode desligar o joystick!


Os filmes


Marvel

Blade – o caçador de vampiros (1998) ; X-men – o filme (2000); Homem aranha (2002); Blade 2 (2002); Hulk (2003); X-men 2 (2003); Demolidor – o homem sem medo (2003); Blade trinity (2004); Homem aranha 2 (2004); O justiceiro (2004); O quarteto fantástico (2005); Elektra (2005); X-men: o confronto final (2006); Homem aranha 3 (2007); Motoqueiro fantasma (2007); Quarteto fantástico e o surfista prateado (2007); O incrível Hulk (2008); Justiceiro: zona de guerra (2008); Homem de ferro (2008); X –men origens: Wolverine (2009); Homem de ferro 2 (2010); Kick Ass: quebrando tudo (2010)


DC


Superman – o filme (1978); Superman 2 (1980); Superman 3 (1983); Supergirl (1984); Superman 4, em busca da paz (1987); Batman (1989); Batman – o retorno (1992); Batman eternamente (1995); Aço (1997); Batman & Robin (1997); Mulher gato (2004); Constantine (2005); Batman begins (2005); Superman – o retorno (2006); V de vingança (2006); Batman – o cavaleiro das trevas (2008); Watchmen (2009)







Empreendedorismo cinematográfico


A Marvel que licenciou seus personagens para variados estúdios (Sony, Fox e Universal são alguns deles), lançou Homem de Ferro como o primeiro filme sob produção própria – com acordo de distribuição firmado com a Paramount. Em 2009, a empresa foi vendida para a Disney. Após o término do licenciamento de personagens como X-men e Homem aranha, todos voltarão para a Marvel sob a batuta da Disney.
Já a DC mantém um longo relacionamento com a Warner Brothers que produziu e distribuiu todos os filmes baseados em personagens da editora. A relação, estremecida pelo sucesso comercial da Marvel no cinema, já dá sinais de esgotamento. Mas a DC não apresenta planos de vôo solo no cinema.


O universo no cinema


Enquanto a Marvel tece planos para ligar todo o universo Marvel no cinema, à medida que apresenta alternativas as já consagradas fórmulas de sucesso (com o reboot de Homem aranha e uma nova franquia mutante, X-men: primeira classe), a DC não consegue firmar nem mesmo seu segundo grande personagem no cinema. O super homem terá uma nova chance nos cinemas em 2013.



O carro chefe


Marvel

Homem de ferro
O personagem pertencia ao segundo escalão da editora. Não á toa ainda não tinha tido os direitos negociados com nenhum estúdio de cinema. Com o filme estrelado por Robert Downey Jr. passou ao primeiro time e garantiu a viabilidade da Marvel como estúdio cinematográfico.

DC

Batman
Nenhum outro personagem de quadrinhos rendeu tanto no cinema. Com seis filmes oficiais, e um sétimo a caminho, Bruce Wayne e seu alterego são os grandes responsáveis pela longevidade desse neo gênero cinematográfico. São também os filmes do Batman, a despeito de seus vilões fantasiados, os que menos se assemelham a uma adaptação de HQ. É a principal franquia da DC/Warner no cinema e dificilmente deixará de ser.








O horizonte límpido


A Marvel tem oito produções em andamento e muitos planos. Sem contar que a partir de 2013 alguns personagens voltarão aos cuidados da editora. A ideia de interligar o universo Marvel no cinema ainda poderá render muitos frutos. E ótimas bilheterias.
As fichas da DC estão em Lanterna verde. Um personagem do segundo escalão da editora que, se repetir o efeito de Homem de ferro para a Marvel, poderá desbravar as fronteiras para outros personagens como Flash e Mulher maravilha que vivem tendo seus projetos cancelados.
O super homem é outro personagem com a corda no pescoço. Se a bilheteria do novo filme (previsto para 2013) for ruim, o homem de aço ficará um bom tempo longe dos cinemas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Contexto

O herói dentro de cada um

Nos últimos dez anos o cinema americano foi prolífero em apresentar heróis nas telas de cinema. Adaptações de HQs constituem o principal artífice dessa aparentemente inesgotável fonte de fazer dinheiro. Mas os heróis vêm também dos videogames, da literatura infanto-juvenil e, acreditem, até de brinquedos e parques de diversões.
Além de fazer dinheiro, e trazerem efeitos especiais de ponta, os filmes de superheróis trazem em seu eixo central uma questão para lá de interessante. A força interior de cada um de nós. No recente Kick Ass-quebrando tudo, o adolescente David Lizewski (Aaron Johnson) tem uma curiosa epifania. Por que nunca ninguém tentou ser super-herói antes? À parte a verborragia pop que acresce muito ao divertido filme de Mathew Vaughn, é uma indagação filosófica interessante. Ao que o próprio David em dado momento do filme subverte a famosa frase de um famoso herói dos quadrinhos e do cinema. “Sem grandes poderes, não há nenhuma responsabilidade. Exceto que isso não é verdade”. Pode parecer uma simplificação ridícula, mas, na verdade, é uma constatação da responsabilidade que cada um de nós temos para com o próximo e um mundo melhor. David é um adolescente, que em um surto de carência e ingenuidade, tenta fazer a diferença de uma maneira ufanista. Kick ass se vale da fantasia, e de uma fantasia regada a humor negro, para debater anseios e aflições bem humanas.

David trajado de Kick ass: Quem disse que para ser herói é preciso ter super poder?



Cartaz de Homem aranha 2: A trilogia do aranha é referência em potencialidade dramática nos filmes de superheróis

Outros filmes se valem do mesmo ofício. Homem aranha (o referencial explicito de Kick ass), por exemplo, nada mais é do que um drama sobre a adolescência de um rapaz tímido que perdeu os pais cedo e que não consegue se expressar de maneira satisfatória. Em O senhor dos anéis, a honra é um conceito mais forte do que podemos aferir em nosso cotidiano. A obstinação de Frodo, Sam, Aragorn, Legolas e os demais membros da irmandade do anel é um comentário sobre a nossa obstinação perdida. Harry Potter é outro que, dentro de uma faixa de público específica, reproduz celeumas humanas em um universo fantástico. O que Harry, Rony e Hermione querem é viver intensamente a fase da vida em que estão. Voldermont e o quadribol são apenas variantes.


Frodo é um símbolo de coragem e determinação: Um hobbit "qualquer" capaz de feitos extraordinários


De todos esses, Homem de ferro talvez seja o que melhor se alinhe ao aceitável. Um magnata dono de um pool de empresas que fornece material militar ao governo americano, após uma experiência de quase morte, resolve agir conforme sua consciência e salvar o mundo. Homem de ferro não disfarça nem advoga seu personagem principal. Não foi porque Tony Stark subitamente resolveu agir em prol da humanidade que ele deixou de ser um sujeito egoísta, egocêntrico, vaidoso e competitivo.
A moral é: Ser herói é ser humano. Todos nós carregamos nossas neuras, vícios e fantasias. Nem sempre nos abrigarmos nelas será a melhor coisa que faremos, mas é inegável que essa fase nos levará a algum lugar. A alguma realização. Essa é a moral alcançada em Kick ass e é essa moral que ajuda a fazer deste filme, uma antologia sobre os heróis nos cinemas e os humanos que vão prestigiá-los na sala escura.


Tony Stark no melhor jeito Tony Stark de ser: ele é herói sim, mas não se transformou como ser humano. A mudança, se houver, será, tal como na vida real, gradual

Se você gostou do tema abordado na seção deste mês e quiser repercuti-lo sob essa e outras perspectivas, Claquete recomenda:

- Watchmen (EUA 2009), de Zack Snyder

- Trilogia Homem aranha (EUA 2002, 2004, 2007), de Sam Raimi

- Batman begins (EUA 2005), de Christopher Nolan

- Trilogia O senhor dos anéis (EUA 2001, 2002, 2003), de Peter Jackson

- Homem de ferro (EUA 2008), de Jon Favreau

segunda-feira, 3 de maio de 2010

ESPECIAL HOMEM DE FERRO 2 - Critica


Conspirando a favor!

Depois de arrebatar platéias do mundo inteiro e boa parte da critica com Homem de ferro, valendo-se principalmente do fator surpresa, a Marvel Studios tem com seu segundo filme – justamente a continuação de Homem de ferro, a dubiedade das expectativas. Homem de ferro 2 (Iron man 2,EUA 2010) foi concebido para ser o melhor e maior filme da temporada. Ser o primeiro a estrear ajuda nesse sentido. Cientes de que teriam que acertar em tudo que acertaram no primeiro filme e ainda propor mais, os produtores, o diretor Jon Favreau e o roteirista Justin Theroux (que também é ator) convergiram em jogar a favor de Robert Downey Jr., o astro da franquia e, atualmente, o principal Hollywood star.
Homem de ferro 2 tem mais efeitos especiais, mais personagens, mais merchandising e mais Robert Downey Jr. Diferentemente do primeiro filme, onde Downey Jr teve de investir no carisma para fazer graça, o roteiro do novo filme investe nas piadas e no humor sarcástico de seu protagonista. Até mesmo o motorista de Stark, Happy (vivido pelo diretor/ator Jon Favreau) tem seus momentos cômicos. Esse acerto não esconde as deficiências da fita. Como toda a continuação que se propõe maior e mais povoada, Homem de ferro 2 tem seus problemas com arestas mal aparadas. Os personagens secundários não são desenvolvidos a contento e resplandecem no vigor de seus intérpretes. Enquanto Mickey Rourke e Sam Rockwell fazem caricaturas engraçadas e bem sacadas, Gwyneth Paltrow sofre com sua personagem, que encolheu em relação ao primeiro filme, e Scarlett Johansson é outra que não tem muito tempo em cena.


Cara a cara com o mother fucker: Samuel L. Jackson volta como Nick Fury em Samuel L. Jakcson style


No filme, passado logo depois do final do primeiro, Tony Stark é pressionado pelo governo americano a entregar a armadura do Homem de ferro. Paralelamente a isso, sua saúde se deteriora e ele se divide entre seu ego inflamado e o comportamento autodestrutivo de quem beira o precipício. Favreau acertou em não enveredar pelo drama; quem gostou e se identificou com o primeiro filme poderia rejeitar essa nova abordagem. Afinal, o homem de ferro tem uma personalidade bem diferente do Batman. Contudo, a comédia as vezes atrapalha quando se quer falar sério e vice versa. Um problema de ritmo que não acometia o primeiro filme. É a tal coisa de querer abraçar o mundo.
Robert Downey Jr em uma das cenas mais apoteóticas do novo filme: o ator, para variar, é o dono do show novamente


O roteiro de Theroux é muito bom. Diálogos ágeis, sacadas espirituosas (“Eu privatizei a paz mundial com sucesso”, para ficar em um exemplo cabal) e cenas apoteóticas (como a primeira aparição do chicote negro no GP de Mônaco) ajudam a fazer de Homem de ferro 2 algo bem próximo das pretensões de seus idealizadores. É um senhor filme de verão. Agradável, inteligente, movimentado e tem Robert Downey Jr. Tudo que um bom blockbuster pode querer. Mas não é melhor que o primeiro. O que não chega a ser um demérito, mas comprova, uma vez mais, o espetáculo maior que o mundo que foi Batman-o cavaleiro das trevas.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ESPECIAL HOMEM DE FERRO 2 - Cantinho do DVD

Faz sentido, dentro de um especial planejado para alimentar, e ao mesmo tempo saciar as expectativas do leitor, comentar o primeiro filme da aguardada continuação que chega daqui a uma semana. O post Revendo o primeiro filme contextualizou as circunstâncias da produção do primeiro filme e a percepção dos envolvidos no projeto com o sucesso da fita. Chegou a hora de ir mais a fundo nessa revisão. A seção Cantinho do DVD dessa semana, portanto, apresenta a critica do primeiro Homem de ferro, o filme que avalizou a Marvel como estúdio de cinema.


* Vale lembrar que a critica foi escrita à época do lançamento do filme.



Tudo certo!

Homem de Ferro (Iron Man, EUA 2008) não é só responsável por abrir o verão americano de 2008, época dos grandes lançamentos cinematográficos, ele é também a grande ficha da Marvel, para se firmar na industria cinematográfica. Depois de licenciar seus personagens para outros estúdios, a editora através do recém criado Marvel Studios bancou sozinha os 200 milhões para produzir o filme, e fechou um acordo com a Paramount para distribuí-lo.
Homem de Ferro é portanto o cartão de visitas da Marvel em Hollywood e também representa as chances da editora em evoluir para um estúdio. Se depender do filme, o futuro será próspero. A fita dirigida pelo bom ator e inexperiente diretor Jon Favreau é um triunfo em todos os sentidos possíveis e imagináveis. E como comprova a esmagadora bilheteria do fim de semana de estréia (U$105 milhões), o público endossa.
A história do Homem de ferro, para os não iniciados. Tony Stark é um quarentão bilionário e cuja principal jóia do pool de empresas que possui é uma empresa armamentista. Depois de ser capturado e torturado sob a mira das próprias crias, ele resolve bancar o herói, construindo um traje e combatendo o mal. Como não poderia deixar de ser, o filme é um filme de origem, mas o ritmo impresso pelo diretor Jon Favreau é certeiro. O diretor consegue preservar a essência dos quadrinhos, á parte algumas concessões necessárias -como a substituição do Vietnã pelo Afeganistão, como o país em que Stark é capturado -e abraça com gosto a narrativa cinematográfica vigente em produções de ação contemporâneas, entretenimento aliado a inteligência.
É justamente desse último fator que surge a mais inusitada característica da fita. Sua agenda politica. Ora, um blockbuster de verão que tem como linha mestra de sua narrativa criticar de forma tão aberta e direta o comércio de armas e o papel do governo americano na questão é deverás inesperado. Mas Favreau orquestra sua critica com tamanha habilidade que não permite que o discurso se sobreponha a ação nem que o inverso ocorra.
Alias, Favreau é mais uma grata surpresa. Sua segurança e eficiência em conduzir um processo de criação tão complexo quanto um filme de verão, com expectativas redobradas, devido as apostas da Marvel e a sempre perturbadora marcação dos fãs, é salutar tanto para a critica as voltas com um novo talento para criticar, tanto para o público que passará a conhecê-lo de fato.
Mas não nos enganemos, Homem de Ferro tem alguns problemas. Mas tem também Robert Downey Jr. No que pode ser considerado o papel de sua vida. Não por ser um blockbuster, mas por representar mais uma chance de redenção para o astro que passou os anos 90 imerso em drogas e prisões. Downey Jr. recheia seu Tony Stark de auto referências, cinismo e um delicioso charme blasê. É sem dúvida na presença magnética do ator que o filme ganha seu Status Quo. Downey Jr. pode não ter nascido para viver Tony Stark. Mas de tão bom ator que é, você jura que ele não pode ter nascido para outra coisa.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ESPECIAL HOMEM DE FERRO 2 - Revendo o primeiro filme


Foram apenas dois anos, mas é possível afirmar que Homem de Ferro permanece como um filme acima da média, no tocante aos filmes de super heróis. Primeiro, por se tratar de um filme de origem (filmes de origem tendem a ser no mínimo aborrecidos). Segundo, por ser um filme dirigido por um diretor inexperiente e sem nenhum blockbuster no currículo (quem poderia pensar que Jon Fravreau se sairia tão bem a frente do filme, apenas o terceiro em sua carreira como diretor). Em um terceiro momento, o risco chamado Robert Downey Jr. Se hoje o ator lança o segundo filme com toda a pompa de astro que tem direito, no primeiro, a apreensão era generalizada e a resposta que Downey Jr. mais dava à época era acerca das semelhanças que compartilhava com o personagem (ambos têm problemas com bebida).
Havia ainda, em jogo, todo o capital financeiro da Marvel (até então uma grande editora de comics), na tentativa de se consolidar como estúdio de cinema.
Quem assistisse Homem de ferro sem a ciência desses fatos, não poderia supor que houvesse tamanha pressão para que esse filme desse certo. Mas nem mesmo os envolvidos esperavam tamanha repercussão positiva. “Foi um prazer fazer esse filme, mas não esperava que o público o abraçasse dessa maneira”, disse Jon Fravreau na faixa de comentários do DVD do filme. “Fiquei super feliz com todo o reconhecimento que o filme recebeu e só posso prometer que nos esforçaremos para fazer melhor no segundo”, acrescentou Robert Downey Jr. em entrevista que consta dos extras do DVD do primeiro filme.

Robert Downey Jr. faz pose na Comic Com do ano passado, onde apresentou o segundo filme: a aposta nele foi risco calculado ou tiro no escuro?


A Marvel garantiu o segundo filme logo após o arrasador fim de semana de estréia de Homem de Ferro. Foram U$ 105 milhões de dólares nas bilheterias americanas e outros U$ 170 milhões nas bilheterias internacionais. O sucesso de público e crítica do primeiro filme foram mais do que merecidos. Homem de ferro é um blockbuster com tudo que tem direito. Têm ação, diálogos ligeiros, efeitos especiais espertos e uma franquia genuinamente poderosa em ebulição. Contudo, a fita de Favreau não se resume somente a isso. É um filme que alia inteligentemente uma critica a indústria armamentista com o despertar da consciência de seu protagonista. Um arremedo dos mais vistosos a surgir no cinema para as massas e que legitima tanto o discurso do filme, quanto a motivação de Tony Stark em tornar-se um super herói.
Homem de Ferro ainda se beneficia do senso de humor inequivocamente particular (e sexy) de Robert Downey Jr. Sua caracterização do playboy aparentemente desalmado que na verdade é um fofo, cativa platéias. Sejam elas compostas por marmanjos, por crianças, por adolescentes, por gente bem casada ou por namoradas que acompanharam o namorado no primeiro filme e que agora os intimam a comparecer na estréia do segundo.
* Para saber mais sobre a realização do primeiro filme e da história da Marvel no cinema clique aqui!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ESPECIAL SHERLOCK HOLMES - Perfil - Robert Downey Jr

O segredo do sucesso dele



O ator como Tony Stark em Homem de ferro: Sexy, cafajeste e campeão de bilheteria

Muitos foram os tropeços na hoje consolidada carreira de Robert John Downey Jr. Prisões, batidas de carro, consumo de drogas, bebedeiras históricas e muito escândalo por conta disso, e de muito mais, marcaram quase duas décadas da vida desse talento precoce. Filho do diretor Robert Downey Sr., Downey Jr., nova-iorquino de nascença, cresceu sob a luz da fama e de Hollywood. Sua estréia no cinema se deu em 1970, aos cinco anos de idade em um filme dirigido pelo pai, Pound. Durante os anos 80, ele quis saber de curtir a vida e participava esporadicamente de séries de tv, o ponto alto foi sua participação no humorístico Saturday night live em 1985. Foi só em 1992 que Downey Jr se fez notar. Por sua interpretação de Charles Chaplin em Chaplin, de Richard Attenborough, o ator foi indicado para o Oscar de melhor ator daquele ano. Prêmio este ao qual concorreu novamente, ano passado, pela caricatura bem humorada que fez do oficio de ser astro de cinema em Trovão tropical. É justamente nos 17 anos que se passaram entre um Oscar e outro que Robert Downey Jr pôs quase tudo a perder e também se recuperou bravamente.


Fichado e chapadão: "Fiz muita merda na vida", diz o ator em auto-critica


Depois de Chaplin o ator passou a alternar momentos de alguma relevância no cinema com frequentes passagens pela polícia (por direção perigosa, posse de grandes quantidades de droga e até porte ilegal de armas). Filmes como Ricardo Terceiro e Short cuts- cenas da vida foram dois dos poucos que fez de alguma relevância depois de Chaplin. As portas iam se fechando.O casamento, com a primeira mulher Deborah Falconer também esmorecia (eles se separariam várias vezes, mas o divórcio só se deu de fato em 2004).
Mas Downey Jr. ainda tinha amigos. E eram eles quem lhe afiançavam em Hollywood durante seu longo inferno astral. Entre temporadas na prisão e clínicas de reabilitação, Downey Jr. participou de filmes como U.S Marshals – os federais (1998), continuação de O fugitivo em que as estrelas eram Wesley Snipes (veja você) e Tommy Lee Jones, Amigos e amantes (1999), Preto e branco (drama independente que contava com o boxer Mike Tyson) e Garotos incríveis. Apesar de boas participações nesses filmes, Downey Jr e suas recaídas afugentavam os produtores e investidores que não queriam má publicidade para seus produtos. Foi quando o amigo e produtor David E. Kelly, marido de Michele Pfeiffer, o chamou para uma série de participações no seriado Ally McBeal. A aceitação do público foi instantânea. O personagem de Downey Jr. fez bastante sucesso e aos poucos as portas do cinema voltaram a se abrir para ele. Vieram os papéis, ainda pequenos, em filmes como Na companhia do medo (2003), Crimes de um detetive (2003) e Boa noite e boa sorte (2005). Também veio o primeiro protagonismo em muito tempo, na comédia policial Beijos & Tiros (2005). Um filme de humor difícil que não agradou o público americano e os produtores creditaram o fracasso da fita a Downey jr. que embora com menos freqüência, e em incidências menos comprometedoras, ainda dava deslizes indesejáveis.
Mas foi justamente em 2005, a última vez que se ouviu falar de algum problema de bebida ou congêneres da parte de Robert Downey Jr.
Em 2006, ele esteve em dois projetos de ambições mais artísticas, O homem duplo (animação de Richard Linklater protagonizada por Keanu Reeves) e A pele (em que dividiu a cena com Nicole Kidman). Aos poucos, o ator recuperava a confiança de uma indústria que se assenta primordialmente sobre esse pilar.



O ator em cena de Beijos e tiros: O filme não deu muito certo, mas sinalizava o recomeço de Downey Jr.

Em 2007 ele fez, sorrateiramente, a transição do artístico para o comercial. Com um papel pequeno, mas defendido com devoção, em Zodíaco de David Fincher, um daqueles diretores que agradam a gregos e troianos, ele conseguiu se colocar em evidência novamente. O suficiente para se viabilizar como aposta da Marvel studios para o papel principal de Homem de Ferro. Filme que o estúdio (em sua primeira produção solo) guardava grandes expectativas. Downey Jr. sabia que essa era não só sua grande chance de voltar a desfrutar de boa notoriedade, mas sua grande chance como ator. E ele não fez por menos. Homem de ferro foi um grande sucesso de público e crítica, em grande parte devido ao ator, e fez de Downey Jr. um dos nomes mais quentes do momento. Para fechar bem o inesquecível 2008, o ator foi indicado ao Oscar de coadjuvante pelo impagável Kirk Lazarus que fez em Trovão tropical, outra produção do verão americano que lhe caiu no colo de pára-quedas. Seu papel era anteriormente de Owen Wilson que fora afastado da produção após sua malfadada tentativa de suicídio.
Bom ator, carismático, sexy e fotogênico. Quem vê Downey Jr. na pele de Tony Stark ou de Sherlock Holmes não consegue entender como o status de astro demorou tanto para chegar. Para esses Downey Jr diz: “Fiz muita merda na minha vida, mas agora estou careta”, dizia o astro à época do lançamento do primeiro Homem de ferro, quando indagado sobre sua trajetória. Em 2010, além de Sherlock Holmes, o ator estará na continuação de Homem de ferro, que chega em maio e na comédia Due date (atualmente em pós-produção). Ou seja, Downey jr. corre o risco de dominar 2010. Na ciranda que é Hollywood, ele parece ter a fórmula do sucesso bem estabelecida. Há quem veja no fato de seus mais famosos personagens (Sherlock Holmes e Tony Stark) serem figuras geniais e geniosas e chegarem agora, quando o ator está na casa dos 40, mais do que coincidência. Novamente com a palavra Downey Jr. em entrevista recente concedida a revista Premiere americana sobre se imaginava estar onde está nesse ponto da carreira: “Só sou um cara de muita sorte”.



Robert Downey Jr. ao lado de Jude Law em Sherlock Holmes: Hoje ele é um dos atores mais festejados de Hollywood