De posse das listas do
Sindicato dos Atores (SAG), que foi
revelada nesta quarta-feira (12), e do
Critic´s Choice Awards, revelada na
terça-feira (11), é possível atestar o favoritismo inconteste de
Lincoln, de
Steven Spielberg, que lidera a corrida nas duas premiações enquanto faz vultosa
bilheteria nos EUA.
Os miseráveis, musical de época, compreensivelmente
angariou muitas indicações no Critic´s Choice Awards, mas os mesmos críticos que
o distinguiram nessas categorias escreveram críticas divididas a respeito do
filme. Difícil crer que possa fazer frente a
Lincoln e converter um bom número
de indicações em prêmios.
No campo das atuações, é possível dizer que Bradley Cooper
por O lado bom da vida é forte concorrente ao Oscar. Com a lista do SAG, é
possível indicar que a quinta vagas entre os atores provavelmente será dele. As
outras devem ficar mesmo com Daniel Day Lewis (Lincoln), John Hawkes (As
sessões), Denzel Washington (O voo) e Joaquin Phoenix (O mestre). Este último
ficou de fora da lista do SAG, mas marca presença no Critic´s Choice. Ao lado
de Hugh Jackman (Os miseráveis) que também foi lembrado pelo SAG. A briga de
Jackman é com Cooper e não contra Phoenix. Mas dependendo do rumo das
campanhas, ambos podem entrar no Oscar e Phoenix acabar de fora.
Entre as atrizes, Naomi Watts (O impossível) – presente nas
duas listas – consolidou sua candidatura ao Oscar. Jessica Chastain (A hora
mais escura) e Jennifer Lawrence (O lado bom da vida), no entanto, parecem
largar na frente em ambas as listas em virtude da boa bagagem que trazem dos
últimos dois anos. As outras duas vagas, embora bem encaminhadas, ainda estão
abertas. A francesa Marion Cotillard (Ferrugem e osso) é uma possibilidade cada
vez mais forte.
Jessica Chastain vai se cristalizando como a grande chance de Oscar do novo filme de Kathryn Bigelow, A hora mais escura. Ela larga na frente tanto no SAG quanto no Critic´s choice Awards
Cena de Os miseráveis: o filme marca presença no SAG e no Critic´s Choice Awards mas ainda há dúvidas se sua força excede às indicações
O SAG
Lincoln divide a liderança de indicações com O lado bom da
vida. Quatro para cada um. Ambos os filmes têm a concorrência de Argo, Os
miseráveis e O exótico Hotel Marigold – uma indicação sentimental do sindicato.
Teoricamente, o filme de Spielberg é favorito. Até por ter um elenco grandioso
e grande também. Além da escala gigante do empreendimento que é fazer um filme sobre
um dos presidentes americanos mais icônicos de todos os tempos. Nesse sentido,
Os miseráveis é uma opção correlata e que preserva o bom pedigree. No entanto,
um prêmio ao Os miseráveis talvez incidisse mais em um reconhecimento ao
trabalho do elenco (o que a bem da verdade é o que discrimina a categoria),
enquanto que um prêmio para Lincoln essa condição não estaria tão clara. Poderia significar uma deferência ao filme propriamente dito.
A questão que se coloca na disputa para melhor ator é se o
sindicato estará disposto a premiar Daniel Day Lewis pela terceira vez em menos
de uma década. O ator foi premiado em 2003 por Gangues de Nova Iorque e em 2008
por Sangue negro. Nenhum dos outros indicados já foi premiado e Washington, por
exemplo, é um ator bastante querido.
Entre as atrizes, Jennifer Lawrence e Jessica Chastain são
as favoritas, mas a solidez que Naomi Watts vem apresentando na temporada pode
ser um fator preponderante
Javier Bardem (Operação Skyfall), por seu turno, parece
estar na dianteira para o que parece ser a última vaga aberta entre os
coadjuvantes masculinos. Tommy Lee Jones (Lincoln) e Philip Seymour Hoffman (O
mestre) já são certeza mesmo entre os indicados ao Oscar. O SAG, muito
provavelmente, fique entre um deles. Os veteranos Robert De Niro (O lado bom da
vida) e Alan Arkin (Argo) completam a lista com alguma chance de surpreender.
Entre as atrizes coadjuvantes, duas relativas surpresas. A
primeira é Maggie Smith por O exótico Hotel Marigold, aquele tipo de nomeação
necessária para subsidiar a inclusão do filme entre os melhores elencos do ano.
A outra é Nicole Kidman, atriz notadamente querida pelo sindicato, por The
paperboy – filme que está dividindo opiniões nos EUA. Kidman pode até ganhar
força na corrida, mas é mais provável que sua participação na temporada de
premiações acabe aqui mesmo. Sally Field, outra adorada pelo sindicato, tem
chances fortes de triunfar por seu papel em Lincoln. Mas as
outras duas indicadas, que também devem ir ao Oscar, Anne Hathaway por Os
miseráveis e Helen Hunt por As sessões, também são darlings do sindicato.
Daniel Day Lewis em foto do editorial dos melhores destaques do ano do Los Angeles Times: uma incógnita no SAG, apesar do favoritismo declarado
De olho no Critic´s choice
Nos últimos tempos tem sido essa premiação a principal
bússola do Oscar. Principalmente em termos de antecipar quais serão os
indicados. Em 2013, os concorrentes são mesmos aqueles que o leitor de Claquete
já havia sido informado que seriam. Lincoln, O lado bom da vida, Argo e A hora
mais escura compartilham do favoritismo neste momento. Mas o filme de Kathryn
Bigelow, com consideravelmente menos indicações, perde um pouco de seu estofo
na corrida.
Daniel Day Lewis deve prevalecer na disputa por melhor ator,
mas Joaquin Phoenix é uma ameaça forte. De todos os grupos que distribuem
prêmios nessa temporada, é justamente esse o menos suscetível a mágoa pelas
declarações de Phoenix a respeito da temporada de prêmios. Entre as atrizes,
Jessica Chastain ( A hora mais escura), que teve um excelente 2011, mas que lhe
rendeu apenas uma indicação, deve vencer e Jennifer Lawrence, sua principal
rival por O lado bom da vida, faturar o prêmio de consolação de melhor atriz de
ação por Jogos vorazes.
Difícil prever quem ganha entre os atores coadjuvantes, se o
entusiasmo com Lincoln for muito grande, Tommy Lee Jones pode prevalecer. Do
contrário, Philip Seymour Hoffman é a opção mais palpável. O mesmo se aplica
para as mulheres, Sally Field pode se beneficiar do buzz do filme de Spielberg,
ou Anne Hathaway (Os miseráveis) sair da fila e ganhar seu primeiro prêmio mais
relevante na carreira.
Difícil crer que Amour não leve como melhor fita
estrangeira. Entre os roteiros, Argo e Lincoln são as melhores apostas entre os
adaptados e O mestre e Moonrise kingdom entre os originais.
Já a briga pelo troféu de direção deve obedecer os mesmos critérios da briga
por melhor filme. Spielberg é o principal nome, mas Affleck e Russell são
possibilidades fortes.
Emmanuelle Riva, por Amour, entrou na disputa no Critic´s mas ficou de fora do SAG: a atriz pode ser uma surpresa no Globo de ouro e ganhar força para o Oscar