segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Movie Pass

O Movie Pass de hoje destaca Quentin Tarantino. Semana passada Claquete noticiou que o diretor americano virá ao Brasil para divulgar seu novo trabalho. O aguardado Bastardos inglórios. Para ajudar a entender Tarantino, e toda a festa em torno de seu nome, é válido revisitar, ou para alguns conhecer, a obra que lhe deu fama e consagração concomitantemente.
Pulp Fiction - tempos de violência é considerado por muitos a melhor obra da década passada. Ajudou a defenir o novo, e ainda vigente, modelo de cinema independente. Estabeleceu o estilo "tarantinesco" de fazer cinema. Verborrágico, violento, repleto de referências e com uma forte influência musical.
Pulp Fiction é, em última análise, um daqueles felizes casos de filme certo na hora certa. Se lançado em outro momento da história, não teria o impacto alcançado. Sua projeção se deve em parte pela necessidade que se tinha de se apegar a algo fora dos padrões desgastados da Hollywood da década passada, e em parte pelo conjunto de paradigmas que Tarantino intencionava quebrar. Visto hoje, percebe-se que nesse sentido, a " revolução " atribuída ao filme à época, era, por demais, exagerada.

A seguir o trailer do filme e a minha critica:

video


Violência e cultura pop dão o tom do novo cinema independente americano
Quentin Tarantino já havia chamado a atenção com seu debute Cães de aluguel. A consagração viria com essa fita de extrema voltagem que se debruça sobre as veias do gangsterismo de esquina. Pulp Fiction – tempos de violência ( Pulp Fiction EUA 1994) foi o grande vencedor do festival de Cannes de 1994. Brilhou na cerimônia do Oscar do ano seguinte e conferiu a seu diretor um status de cult que beira a irreversibilidade.
O filme, é bem verdade, inova em muitas frentes. É de um primor narrativo excepcional, mesmo reformulando a estrutura narrativa clássica. O personagem mais perto do que se convenciona chamar de principal morre no meio do filme, para aparecer no final em eventos que se deram antes de sua morte. A trilha sonora da fita é quase que um apêndice da obra. E a violência nunca esteve tão estilizada em uma produção americana. Tarantino faz excelente uso do humor negro. Seus personagens recitam diálogos impagáveis e que proporcionam grandes momentos cinematográficos.
Essa colagem pop, muitas das vezes se sobrepõe ao retrato de uma sociedade em estado de agonia constante.
Pulp Fiction também recupera a carreira de John Travolta que andava meio esquecido e revela o talento quente de Samuel L. Jackson, aqui na pele de um gangster desbocado. Completam o elenco afiado, Ving Rhames, Bruce Willis, Harvey Keitel e Uma Thurman que junto a Travolta entrega uma das cenas mais emblemáticas da década.
É a partir desse trabalho que a competência de Tarantino será medida. O ex – balconista de locadoras é agora um dos diretores mais venerados da hollywood atual. Ajuda a estabelecer um novo modelo de negócios no cinema e inscreve-se na história com um dos vanguardistas de uma produção independente americana oxigenada e pensante.
Quem diria que um filme exacerbado na violência, com drogas, palavrões e com uma estrutura narrativa inusitada fosse deflagrar tamanha comoção.

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