quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Movie Pass

O Movie Pass de hoje destaca um filme francês que honra todas as prorrogativas do cinema daquele país. Nathalie X, da diretora Anne Fontaine, atualmente em cartaz no país com a comédia A garota de Mônaco, é daqueles filmes que se pretendem inigmáticos. Razão suficiente, sem considerar o fato da fita ser francesa, para eleva-lo a cult.
Na trama, mulher traída pelo marido contrata uma prostituta para seduzi-lo e reportar os pormenores do romance para ela. Um triangulo inusitado se forma, e Fontaine adentra o ritmo da história. Em Nathalie X, erotismo e imprevisibilidade se atravessam a todo o momento resultando em um filme com um dna muito particular, ainda que pertencente a uma cinematografia que goste da provocação.

A seguir o trailer do filme(infelizmente sem legendas, bom para treinar o francês de biquinho) e a minha critica:


video


Um pequeno exercício de erotismo
A diretora Anne Fontaine realiza um drama sedutor. No amplo sentido da palavra. Nathalie X ( Nathalie... França 2003) é um filme que faz uso do "sexo narrado", aquele no qual todo o erotismo se dá nos diálogos. A diretora usa bem esse recurso, estabelecendo uma relação erótica entre as personagens femininas e tornando a platéia cúmplice.
Mulher(Fanny Ardant) casada a vinte anos com executivo (Gerard Padieu), descobre a infidelidade do marido, imersa em um casamento enfraquecido e sem paixão, ela decide contratar uma prostituta( Emanuelle Beart) para seduzir seu marido e lhe contar os passos da traição.
A diretora estabelece assim um curioso e inusitado painel sobre a solidão e o maniqueísmo inerentes ao ser humano e especula sobre o momento em que nos damos conta deles. Com um roteiro ousado, atuações honestas e um espectador voyeour, Fontaine conseguiu através de um recorte bastante peculiar mensurar, ainda que de forma subjetiva, o quanto o sexo é importante em uma relação e também o quanto deixa de ser.
O final, que se esmera entre a verossimilhança e a inverossimilhança, é talvez o mais acertado para a história que se viu ali. O foco de Fontaine é justamente esse. A vida é feita de verossimilhanças ou incongruências? Com isso, o que parecia hesitação por parte da diretora era na realidade uma opção narrativa. Nathalie X não é um filme maravilhoso, mas é um alternativa sadia e provocante às rotas do cinema americano.

Um comentário:

  1. Interessante fiquei com vontade de ver o filme agora....
    Parabens pelo blog ta lindo ! ! !
    continue com esta dedicação ;)
    beijos
    Anny

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