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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Momento Claquete #33

 Oscar 2013

Jack Nicholson é o penetra na festa de George Clooney, Grant Heslov e Ben Affleck, produtores premiados por Argo 

Adele, que não desgrudou de seu Oscar, bate um papo com Richard Gere: fãs mútuos? 

Daniel Day Lewis e Meryl Streep posam para os fotógrafos no backstage do teatro Dolby 

Anne Hathaway e Jennifer Lawrence posam para as lentes da revista Entertainment Weekly 

Anne Hathaway em momento "vamos cair essa ficha?" no backstage do teatro Dolby 

Robert De Niro e Bradley Cooper compartilham um momento de descontração durante a cerimônia do Oscar 

George Clooney e Denzel Washington posam para uma foto que foi parar no instagram da Academia

Jennifer Lawrence faz cara de "me poupe" e se pronuncia graficamente no backstage do teatro Dolby

Laços de família: Se Summer Phoenix viu seu irmão Joaquin perder a disputa de melhor ator, seu marido, Casey Affleck, testemunhou a consagração de seu irmão, Ben, no Oscar 2013 

Catherine Zeta Jones prestes a dançar All that Jazz dez anos depois de tê-lo feito pela primeira vez no Oscar 

Joseph Gordon-Levitt e Daniel Radcliffe foram parar no Instagram 

Natalie Portman, no after party da Vanity Fair, provocou boatos de uma nova gravidez. Será?


Fotos: Just Jared, Entertainment Weekly, reprodução/Instagram, Vanity Fair

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Crítica da 85ª edição do Oscar


Confissões de uma academia em crise...

Humildade ou falta de autonomia? Ebulição institucional ou equilíbrio fora do comum? Quais as depreensões da vitória, previsível e ainda assim surpreendente, de Argo no Oscar 2013


O triunfo de Argo confirmou uma suspeita eriçada ao longo da temporada de premiações. A de que o Oscar, a despeito dos esforços da direção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para diminuir a influência de premiações periféricas e do marketing avassalador dos estúdios,  a instituição ainda é (muito) suscetível a esses fatores. O raciocínio é simples: Quando os acadêmicos foram votar para definir os indicados, nenhum prêmio de maior projeção havia sido entregue e apenas a lista do indicados ao Globo de Ouro divulgada. Naquele momento, Argo não era um top contender para a Academia. Sim, tinha sete indicações assim como as oito de Os miseráveis em categorias que, assim como Argo, lhe deixavam no meio termo entre os figurantes e aqueles que realmente brigavam pelo título de melhor filme. Passada a consternação com a surpreendente exclusão de Ben Affleck dos indicados a melhor diretor, teve início uma campanha irascível em sua naturalidade para a vitória de Argo. Em parte pela solidariedade de outros setores da Academia para com Affleck que se viram incumbidos da necessidade de remediar a franca omissão do brunch de diretores da Academia (responsável por definir os indicados na respectiva categoria); e, em parte, pelo fato de que ciente de que prêmios como Globo de Ouro, Critic´s Choice Awards e os principais sindicatos de Hollywood estavam se alinhando a Argo, a Academia – enquanto colegiado coletivo – ensimesmou-se das reações adversas que se levantaria se continuasse a ignorar um filme tão celebrado. A combinação desses dois fatores resultou em um Oscar previsível quando se aguardava com alguma ansiedade pelo imprevisível. Condição esta também fomentada pela antecipação das indicações por parte da Academia. Efetivamente, à luz dos resultados da temporada, é possível dizer que essa medida não surtiu efeito. Será preciso repensá-la mais adiante.

Incorreto, inteligente e ligeiramente amoral, o anfitrião do ano, Seth MacFarlane, não agradou à maioria da imprensa americana, mas foi o principal responsável pela elevação de audiência do Oscar nos EUA; principalmente entre a faixa demográfica chave (18-49 anos) que subiu quase 20% em relação a 2012

Se Argo não é o melhor filme do ano, ou mesmo entre os nove finalistas, é uma escolha digna e que congrega a expressão do gosto médio dos acadêmicos nesse momento. É um filme fácil de se gostar, que exalta a esperteza americana e referencia Hollywood de maneira lisonjeira – ainda que não deixe a crítica de lado. No entanto, será julgado pela história à sombra de toda essa miscelânea que precedeu sua consagração. Ainda mais por ter sido apenas o quarto filme a ter ganhado o prêmio principal sem ter tido seu diretor indicado. Para ficar no único exemplo disponível nos últimos 60 anos, Conduzindo miss Daisy (1989), que levou o prêmio de melhor filme sem que Bruce Beresford tenha sido indicado a melhor diretor, é um dos vencedores mais discutíveis da história do Oscar.
Reminiscências à parte, o Oscar 2013 já se enunciava disputado. A ótima safra de estúdios e a ausência de um filme maiúsculo sugeriam uma edição equilibrada e foi o que se viu. Com quatro Oscars (direção, trilha sonora, fotografia e efeitos especiais), As aventuras de Pi foi o grande vencedor da noite. Seguido por Argo que faturou os prêmios de filme, roteiro adaptado e montagem. Ainda foram bem contemplados Os miseráveis (maquiagem, som e atriz coadjuvante), Django livre (roteiro original e ator coadjuvante) e Lincoln (ator e direção de arte). Este último, apesar dos dois prêmios, se subscreve como um dos maiores perdedores da história do Oscar. Converteu em vitória apenas duas de suas doze indicações. A bem da verdade, apesar da robustez narrativa e do rigor técnico, o filme de Spielberg não era o tipo de material que o Oscar costuma reconhecer. Seu favoritismo se alimentava mais do vazio de grandes filmes e da força da grife Spielberg.
Com ótimos, mas sem grandes filmes, a Academia resolveu segmentar seus prêmios. Contudo, poderia tê-lo feito de maneira mais calejada. Optou pelo melhor ator entre os que concorriam ao prêmio, mas não necessariamente pela melhor atuação. Não que se possa dizer que um prêmio à assombrosa performance de Daniel Day Lewis seja injusto. O Oscar se viu até mesmo em face de um improvável empate. O sexto de sua história. Foi na categoria de edição de som entre os filmes A hora mais escura e Operação skyfall. O empate é sintoma inegável do equilíbrio do ano verificado em muitas categorias. O choque entre os eleitores liberais e conservadores, jovens e velhos, americanos e estrangeiros, propiciou alguns novos paradigmas. Christoph Waltz, que venceu há três anos, voltou a prevalecer como ator coadjuvante – em sua segunda indicação – em uma categoria marcada pelo nível mais alto visto em anos. A vitória de Waltz talvez não acontecesse em outra época. Assim como a vitória de Tarantino, que sempre encontrou restrições entre os conservadores, mas eles já não são maioria. Ao que tudo indica, o texto mais fraco de Tarantino – e o mais fraco entre os roteiros originais – não foi impedimento para que ele recebesse, 18 anos depois de Pulp Fiction, um novo Oscar por roteiro. São mudanças graduais que vão se dando no pensamento da Academia. Passa por aí, também, a opção de redimir Argo (e Ben Affleck) mesmo depois de, em um primeiro momento, considerar o filme um competidor circunstancial.

Peace out: a vitória de Tarantino não deixa de ser um sinal dos tempos de mudança pelos quais a maior premiação do cinema atravessa

O Oscar 2013, e as ilações que se podem fazer dele, sugerem que a Academia experimenta algumas crises. A necessidade de reinvenção, ensaiada com mais propriedade neste ano com a inserção do voto digital e do host Seth MacFarlane, está à frente. Mas também a percepção que se tem do Oscar na própria temporada de premiações. Está-se diante de um prêmio de chancela ou de uma instituição com voz própria? Essa questão, no entanto, o Oscar 2013 anuviou.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Como devem ser as indicações ao Oscar nesta semana


Na próxima quinta-feira (10) serão revelados os concorrentes da 85ª edição do Oscar. Nessa temporada, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood deve destacar um número mais vistoso de produções de estúdio; o que deve configurar um contraponto em relação aos últimos anos em que produções independentes eram favoritas e, de fato, protagonistas do Oscar.
Lincoln, filme de Steven Spielberg que vem encantando o público americano e já é responsável por uma bilheteria superior a U$ 150 milhões deve ser o recordista de indicações do ano. A questão que se coloca a respeito do filme é se baterá o recorde de indicações pertencente a Titanic (1997) e A malvada (1950) de 14 indicações ou igualá-lo. Como se vê, o entusiasmo com o filme de Spielberg é grande, ainda que o filme não seja apontado como virtual bicho papão da temporada, essa é uma possibilidade que será aventada em Claquete mais adiante.
De pronto, é certo que Os miseráveis e A hora mais escura são os principais rivais de Lincoln no número de indicações. Ambos os filmes, com fortes chances de serem indicados a melhor filme do ano, ainda veem outros filmes entre eles e Lincoln na briga pela estatueta de melhor filme. Argo, O lado bom da vida e As aventuras de Pi parecem certezas entre os selecionados do ano para melhor filme. Com menos chances, mas que podem garantir presença na lista estão Moonrise kingdom, Django livre, 007-operação skyfall, O mestre e O voo. A disputa se resume a esses filmes, mas a Academia pode reservar surpresas e resolver incluir o austríaco Amor ou mesmo o francês Os intocáveis, grande sucesso de público nos EUA, entre os indicados a melhor filme. Seria uma solução bem vinda e ainda inédita desde a flexibilização do número de concorrentes ao principal prêmio do Oscar.

Joaquin Phoenix em cena de O mestre, de Paul Thomas Anderson: apesar do desempenho mediano na temporada de premiações, o filme deve ter presença sólida na lista do Oscar


A briga pela estatueta de melhor diretor é outra com três certezas: Steven Spielberg por Lincoln, Ben Affleck por Argo e Kathryn Bigelow por A hora mais escura. As outras duas vagas são disputadas por David O. Russell, Tom Hooper, Quentin Tarantino, Ang Lee e Paul Thomas Anderson. Russell e Lee são os favoritos para fisgar essas duas últimas vagas.
Entre os roteiros adaptados, Argo, Lincoln, As aventuras de Pi e O lado bom da vida são presenças certas. As vantagens de ser invisível pode ser o quinto selecionado. Na divisão dos originais, A hora mais escura, O mestre, Django livre, Moonrise kingdom e Looper são as apostas mais seguras, porém, O voo e Amor podem ser lembrados.

Atuações
Entre os atores, Daniel Day Lewis (Lincoln) puxa o bonde. Denzel Washington deve voltar ao Oscar por seu desempenho em O voo. Outras boas apostas são John Hawkes (As sessões) e Bradley Cooper (O lado bom da vida). A quinta vaga é disputada a foice por Hugh Jackman, que conta com a enorme simpatia da academia, por Os miseráveis, Joaquin Phoenix, que não tem lá tanta simpatia junto à Academia, por O mestre, e Richard Gere, eterno injustiçado, com o papel de sua carreira em A negociação. Em um lance de sorte dois deles podem entrar roubando a vaga de Hawkes ou Washington. Improvável que os três figurem entre os indicados.
Entre as atrizes há mais indefinição do que de hábito na categoria. Certas apenas Jessica Chastain por A hora mais escura e Jennifer Lawrence por O lado bom da vida. Com grandes chances estão Naomi Watts por O impossível e Helen Mirren por Hitchcock. Esta pode perder a vaga para Emmanuelle Riva (Amor), Rachel Weisz (Deep Blue Sea) ou mesmo Quvenzhané Wallis (Indomável sonhadora). De qualquer jeito, os concorrentes nessa categoria parecem mais definidos do que na âmbito masculino.
Entre os coadjuvantes masculinos, Phillip Seymour Hoffman (O mestre) e Tommy Lee Jones (Lincoln) são certezas. Alan Arkin (Argo) também deve voltar à disputa. Para as outras duas vagas, muitos concorrentes. A Academia reconhecerá Leonardo DiCaprio, tido como a melhor coisa de Django Livre ou preferirá mais um vilão saborosamente interpretado por Javier Bardem em Operação Skyfall? Robert De Niro voltará a disputar uma estatueta depois de 20 anos por O lado bom da vida? Há espaço para surpresas como Eddie Redmayne por Os miseráveis?

Denzel em O voo: seria sua primeira indicação ao Oscar desde a vitória por Dia de treinamento em 2002 

Anne Hathaway em Os miseráveis, de Tom Hooper: ele se cristaliza como a maior chance de Oscar do filme...


Entre as atrizes coadjuvantes as circunstâncias são muito parecidas. Anne Hathaway (Os miseráveis) e Sally Field (Lincoln) são certezas. Apostas seguras são Amy Adams (O mestre) e Helen Hunt (As sessões). E a última vaga? Será de Nicole Kidman por The paperboy ou a Academia revelará uma surpresa de última hora como Ann Dowd por Compliance?
Abaixo, as apostas de Claquete para os indicados nas principais categorias do Oscar:

Filme
A hora mais escura
Lincoln
Argo
As aventuras de Pi
O lado bom da vida
Os miseráveis
Moonrise kingdom
O mestre

Direção
Ben Affleck (Argo)
Steven Spielberg (Lincoln)
David O. Russell (O lado bom da vida)
Kathryn Bigelow (A hora mais escura)
Paul Thomas Anderson (O mestre)

Roteiro original
Django livre
O mestre
A hora mais escura
Moonrise kingdom
Looper

Roteiro adaptado
Lincoln
Argo
As aventuras de Pi
As vantagens de ser invisível
O lado bom da vida

Filme estrangeiro
Amor
Os intocáveis
O amante da rainha
No
Além das montahas

Ator
Daniel Day Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (O mestre)
John Hawkes (As sessões)
Bradley Cooper (O lado bom da vida)
Denzel Washington (O voo)

Atriz
Jennifer Lawrence (O lado bom da vida)
Naomi Watts (O impossível)
Jessica Chastain (A hora mais escura)
Emmanuela Riva (Amor)
Quvenzhané Wallis (Indomável sonhadora)

Ator coadjuvante
Tommy Lee Jones (Lincoln)
Philip Seymour Hoffman (O mestre)
Javier Bardem (Operação Skyfall)
Robert De Niro (O lado bom da vida)
Leonardo DiCaprio (Django livre)

Atriz coadjuvante
Amy Adams (O mestre)
Anne Hathaway (Os miseráveis)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As sessões)
Nicole Kidman (The paperboy)

Fotografia
Lincoln
O mestre
Operação Skyfall
As aventuras de Pi
Django livre 

Direção de arte
Os miseráveis
Lincoln
Django livre
Argo
Moonrise kingdom

Montagem
Lincoln
A hora mais escura
Argo
Os miseráveis
As aventuras de Pi

Trilha sonora
As aventuras de Pi
Moonrise kingdom
Lincoln
Argo
O mestre


domingo, 2 de dezembro de 2012

Oscar Watch 2013 - Briga de muitos cachorros (e nem todos grandes)


Philip Seymour Hoffman em cena de O mestre: uma certeza perene dessa temporada de premiações é sua inclusão entre os cinco coadjuvantes do ano no Oscar


A corrida pelo Oscar de melhor ator coadjuvante se anuncia como uma das mais intensas e febris da atual temporada de premiações. Isso porque gente que parecia não calçar o número do Oscar ou gente que há muito surgia em produções abaixo de seu calibre resolveu contra-atacar em 2012. Três nomes bastante ventilados nessa etapa da corrida se encontram nessa situação. A Weinstein Company, que distribui Django livre nos EUA, anunciou que fará campanha por Leonardo DiCaprio nesta categoria e que tanto Christoph Waltz como Jamie Foxx disputarão vaga por melhor ator. Mas é DiCaprio, como o vilão que o próprio Tarantino disse odiar, quem reúne as melhores chances de indicação por atuação no filme. Isso é ponto pacífico antes do filme ser mostrado para grande parte da crítica americana. Já Robert De Niro vem sendo festejado por sua atuação em O lado bom da vida. Fora do Oscar há precisamente 20 anos, sua última indicação foi por Cabo do medo (1991), De Niro pode até não chegar ao Oscar, mas projeta uma baita sombra em outros pretendentes ao prêmio. Já John Goodman é aquele tipo de ator sempre eficiente, mas que raramente abraça um papel premiável. Em 2012 ele agarrou alguns desses. Em especial, em Argo, filme cujo elenco inspira elogios rasgados e pode render louros aos colegas de cena Alan Arkin – oscarizado nesta mesma categoria há cinco anos por Pequena miss Sunshine e Bryan Cranston – ator que vê expandir seu séquito de fãs (em Hollywood e fora dela), mesmo sem ser celebridade.

De Niro contracena com Bradley Cooper em O lado bom da vida: ele pode voltar ao Oscar depois de 20 anos


Alan Arkin e John Goodman brindam com Ben Affleck em cena de Argo: um dos coadjuvantes do filme será indicado. Bryan Cranston, além dos dois, é uma possibilidade


Ewan McGregor, por sua vez, já faz por merecer uma distinção da academia há algum tempo; e ela pode vir por O impossível. Filme em que faz um pai de família lutando para manter-se vivo e reencontrar-se com seus filhos e esposa na esteira do devastador tsunami que varreu o sudeste asiático em 2004. Russel Crowe é outro que faz dez anos que não é mais citado em prévias para o Oscar. Como o vilão de Os miseráveis, volta a ter seu nome comentado. Mas é pacífico entre a crítica que ele tem a atuação menos impactante dentre as estrelas do longa de Tom Hooper. Isso pode lhe ser prejudicial em um momento definidor da corrida.
São nomes que se projetam para uma disputa intensa e que parece ter apenas uma convicção: Philip Seymour Hoffman estará entre os indicados. Sua candidatura é construída quase que naturalmente desde a exibição de O mestre em Veneza e Hoffman é daqueles atores que os acadêmicos adoram. Se vai ganhar, é cedo para apontar. Mas certamente ele já está na disputa para vencer e não para ser indicado.
Nomes menos comentados, pelo menos nessa fase da corrida, mas que merecem atenção são Javier Bardem por Operação Skyfall, Tommy Lee Jones por Lincoln e Garrett Hedlund por Na estrada. Bardem já provou ter trânsito na academia e se Skyfall for eleito o blockbuster do ano pelos acadêmicos, já que Os vingadores é muito barulhento e O cavaleiro das trevas ressurge, decepcionante, o espanhol pode ser um abalizamento claro dessa opção equilibrada da academia. Já Tommy Lee Jones é outro baita ator que só precisa de um papel mais adornado a seus muitos predicados interpretativos para ter vez junto à academia. Pode ser uma opção conservadora aos nomes de McGregor, Goodman e, até mesmo, DiCaprio. Por último, Hedland é a melhor coisa do contemplativo filme de Walter Salles. Seria uma aposta no novo e também no cinema independente. Coisa que costuma acontecer na categoria. Novos nomes devem surgir, mas essencialmente a corrida pelo Oscar de ator coadjuvante se circunscreve a esses nomes.

Garrett Hedlund: uma força da natureza em Na estrada e uma possibilidade à esquerda para os votantes da academia

domingo, 7 de outubro de 2012

Insight

As particularidades da corrida pelo Oscar 2013


Estamos nos aproximando de mais uma temporada de premiações no cinema. Mas essa safra 2012-2013 tem algumas peculiaridades que chamam à atenção. A mudança mais profunda diz respeito ao calendário de premiação e como a mudança proposta pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para a data dos indicados ao Oscar afetará toda a lógica promocional dos filmes e artistas pleiteantes ao prêmio. É uma mudança com um grande potencial de alterar significativamente as peças do tabuleiro, a forma e a velocidade como elas se movem. O primeiro reflexo disso, que talvez não fosse pretendido, é aumentar a importância do Globo de ouro – que vinha sendo cada vez mais distinto do Oscar - na triagem que este faz dos filmes premiáveis. As indicações para o Globo de ouro estão marcadas para 13 de dezembro. A entrega dos prêmios, pela primeira vez em muito tempo, será depois do anúncio dos indicados ao Oscar: em 13 de janeiro.
Em termos práticos, a corrida começa no final de novembro, quando as primeiras associações de críticos anunciam os seus escolhidos, mas a Academia mudou o panorama. Vale lembrar que desde o ano passado, as famosas screenings (sessões de gala para membros da academia promovidas pelos estúdios) estão proibidas depois do anúncio dos indicados. Esses dois aspectos aliados à novidade de que este ano será a primeira vez que os votos serão submetidos eletronicamente, indica a possibilidade de forte choque de convicções dentro da Academia. A princípio, os filmes lançados em festivais saem na frente. Daí a possibilidade de muitos estrangeiros figurarem na lista. Além de obras já experimentadas como O mestre, de Paul Thomas Anderson, Argo, de Ben Affleck, Silver Linings Playbook, de David O. Russell e Amour, de Michael Haneke. Quem sai perdendo, obviamente, serão as produções independentes. Com menos tempo para vender seu peixe.
As razões da academia são nobres. Quer, principalmente, combater a previsibilidade da temporada do Oscar e diminuir o grau de influência de outros prêmios sobre seus membros. Outro foco das mudanças é diminuir, também, a efetividade de ações de marketing sobre o voto dos acadêmicos. Mas talvez não seja por aí.

Cenas de O mestre, à esquerda, e Indomável sonhadora: destaques dos festivais de Veneza e Sundance, respectivamente, e muito comentados para o próximo Oscar. Enquanto o primeiro tem o maior guru do Oscar a seu serviço, o segundo terá menos tempo para se tornar conhecido entre os acadêmicos


É cedo para dizer. Qualquer análise mais contida e certeira só poderá ser feita em quatro ou cinco anos (isso se esse calendário for mantido), mas a princípio essas mudanças só precipitam a corrida para quem já tem bala na agulha nesse momento. Ou seja, gente como Harvey Weinstein, que promove O mestre, não será necessariamente minado pelas mudanças propostas pela academia. Apenas terá que se adaptar a esse calendário mais estreito.
A academia parece tomar para si a autoria do dito popular “o inferno está cheio de boas intenções”.