Kevin Spacey é daqueles atores que costumam justificar qualquer filme. Em O super lobista, destaque da seção Cantinho do DVD desta semana, ele é o principal atrativo de um filme que não corresponde às expectativas e acaba por não atingir plenamente suas potencialidades. A crítica, o leitor confere abaixo.
Fazer lobby em prol de alguma coisa ou contra alguma coisa é uma contingência humana. Principalmente em um ambiente político. Nos EUA, a
atividade é legalizada e rende verdadeiras fortunas. No Brasil, há lobistas
informais na figura de advogados e consultores com trânsito nas esferas do
poder.
Ainda que haja alguns filmes sobre lobby, são poucos aqueles
que focam na figura do lobista. O super lobista (Casino Jack, EUA 2010) é um
desses filmes. Cheia de potencialidades, a fita de George Hickenlooper só não
mergulha no marasmo graças às performances cheias de vitalidade de Kevin Spacey
como Jack Abromoff (um lobista que sucumbiu à própria ganância) e Barry Pepper como Michael Scanlon (o lobista melhor amigo do outro lobista).
O problema de O super lobista é sua previsibilidade e a
falta de um arco dramático mais palatável ao espectador. Ainda que Abramoff
seja um personagem e tanto (fã de cinema vive a soltar frases famosas em suas
negociatas), o filme não apresenta o mesmo fôlego do personagem. Em parte pela
condução trivial de Hickenlooper e pelo texto sem sal de Norman Snider.
Abramoff é aquele tipo de sujeito que não se contenta com
muito. Quer muito mais. O filme é simpático com sua figura e, no que de melhor
tem a apresentar, mostra como os lobistas são decisivos para os rumos políticos
e econômicos da maior potência mundial.
Quem já está familiarizado com a profissão, no entanto,
corre o risco do enfado. Apesar de Kevin Spacey estar tinindo, há muito pouco
em O super lobista que valha a pena. A crônica de ganância e corrupção já foi mais
bem abordada em Hollywood.
