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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

30 cenas clássicas do cinema que foram improvisadas

Que o cinema é mágico, todos nós já sabemos. Mas descobrir de quando em quando como essa magia se manifesta é fazer parte dessa mágica também. Robert De Niro se tornou imortal quando, em frente ao espelho entre um take e outro nas gravações de Taxi Driver (1976) sussurrou : "are you talkin´ to me?". Harrison Ford, por causa de uma indisposição, foi o responsável por um dos melhores momentos de Os caçadores da arca perdida (1981). Ryan Gosling, por exemplo, introduziu em Amor a toda a prova (2011) a singela homenagem a Dirty dancing - ritmo quente, filme que é referência para quem gosta de romances e musicais e para quem viveu a década de 80. No aparentemente improvisado Quero ser John Malkovich (1999), um figurante bêbado fez com que o controlador Charlie Kaufman tolerasse intervenções alheias. 
Frases célebres, cenas marcantes e alguns dos filmes mais significativos da história do cinema como Tubarão, O poderoso chefão, Tootsie, Casablanca e O iluminado surgem em uma matéria especial preparada pela equipe do AdoroCinema que merece ser conferida por quem tem pelo cinema aquele fascínio que Georges Méliès ensejou. 


No vídeo, uma menina reproduz a clássica fala de De Niro em Taxi Driver. Clique aqui para conferir a matéria especial no AdoroCinema.  

sábado, 28 de maio de 2011

Grandes Vencedores da Palma de Ouro - De Michael Haneke, A fita branca

Um filme em preto e branco, sem música, que antecipa o nazismo e que se pretende inflexivo sobre as origens do mal. A fita branca não poderia deixar de ser uma obra com a assinatura de Michael Heneke, um cineasta que sempre se mostrou à vontade em grafar a violência como idiossincrasia humana. Na briga pela Palma de ouro em 2009, Haneke levou a vantagem em uma competição em que os principais candidatos rondavam a violência, mas não com a mesma propriedade narrativa. A fita branca antes de ser um exercício de estilo é um decágono sobre as raízes da maldade.




A competição

O júri presidido pela atriz francesa Isabelle Huppert não tinha uma tarefa fácil. Esse foi o último grande ano do festival até aqui. Além de algumas gratas surpresas como O profeta, de Jacques Audiard, disputavam a Palma de ouro Pedro Almodóvar com Abraços partidos, Quentin Tarantino com Bastardos inglórios, Ken Loach com À procura de Eric, Ang Lee com Aconteceu em Woodstock, Park Chan-Wook com Sede de sangue, Lars Von Trier com Anticristo, Jane Campion com O brilho de uma paixão e Marco Bellocchio com Vincere. Era uma seleção de respeito. Tanto que Huppert foi acusada por setores da crítica de que a premiação de Haneke foi outorgada em favorecimento ao diretor que é seu amigo pessoal. Uma bobagem. A fita branca era digno da distinção que recebeu.


Além da Palma
Indicado a dois Oscars (filme estrangeiro e fotografia), Indicado ao Bafta de filme estrangeiro, indicado ao César de filme estrangeiro e quatro prêmios no European Film Awards (filme, direção, roteiro e fotografia)


Curiosidades
- O ator Ülrich Mühe, de A vida dos outros, era a opção de Haneke para ser o pastor no filme. Mas o ator morrera poucos meses antes do início das filmagens
- Heneke confessou em entrevista após a Palma em Cannes que havia pensado em A fita branca como uma minissérie para a TV, mas logo abandonou a ideia
- As cenas foram filmadas em cor e alteradas para preto e branco na pós-produção. O processo de conversão foi supervisionado pelo diretor de fotografia Christian Berger

sábado, 21 de maio de 2011

Grandes Vencedores da Palma de Ouro - De Nanni Moretti, O quarto do filho

O cinema italiano passou um tempo afastado do neo-realismo que tanto o caracterizou. Essa condição não foi de todo ruim. O cineasta italiano Nanni Moretti propôs no vencedor da Palma de ouro de 2001, O quarto do filho, uma imersão ao invés de uma representação do real. A tragédia que muda a vida da família do psicanalista vivido pelo próprio Moretti é abordada com sutileza e cálculo em uma dramatização que devolveu o vigor ao cinema italiano que andava esquecido no circuito de festivais.



A competição

O júri presidido pela norueguesa Liv Ullman tinha uma seleção forte para julgar. Grandes cineastas com grandes filmes disputavam a Palma de ouro. O australiano Baz Luhrmann concorria com Moulin Rouge – amor em vermelho, o bósnio Danis Tanovic com Terra de ninguém, o alemão Michael Haneke com A professora de piano, o francês Jean-Luc Godard com Éloge de L´amour, o americano David Lynch com Cidade dos sonhos, o português Manoel de Oliveira com Porto da minha infância, o americano Sean Penn com A promessa e os também americanos irmãos Coen com O homem que não estava lá. Também na disputa, a animação que viria a revolucionar o formato precipitando sua transformação em gênero, Shrek.
Era uma disputa forte e Moretti, de fato, tinha um dos filmes mais proeminentes da seleção. Talvez não fosse o melhor, mas não dá para dizer que não merecia a palma.

Além da Palma
Indicado ao César de filme estrangeiro e três prêmios (filme, atriz e música) da academia de cinema italiana


Curiosidades
- Foi escolhido o melhor filme de 2001 pela revista Cahiers du cinema
- Nanni Moretti foi o único ator do elenco principal que não recebeu um prêmio sequer pelo filme
- Moretti confessou à época da vitória em Cannes que já pensava que nunca venceria a Palma de ouro no festival. O italiano já havia concorrido quatro vezes

sábado, 14 de maio de 2011

Grandes Vencedores da Palma de Ouro - De Quentin Tarantino, Pulp fiction-tempos de violência

Foi o ano de Tarantino. A competição em 1994 na riviera francesa era, até certo ponto, fraca. Mas o ano seria de Tarantino de qualquer jeito. Cannes serviu de trampolim para a história, na que talvez tenha sido a última edição do festival a confirmar uma tendência cinematográfica - no caso o boom do cinema independente americano (em um movimento semelhante ao testemunhado nos anos 70).
Pulp Fiction, seis anos depois, seria considerado o melhor filme da década de 90 (e o mais significativo em listas que se recusavam a apontar o melhor) por um punhado de críticos e publicações de prestígio no meio cultural.
A revolução narrativa proposta por Tarantino, regada a diálogos ácidos e violência temperamental, se submetia a um tratamento estético inovador que dialogava com pop no mesmo nível que o afirmava. Tarantino ganhava o status de autor em uma precipitação que só Cannes poderia autenticar. E os tempos de Tarantino na croisette continuariam enquanto outros se dispunham a reconhecer sua veia autoral.



A competição


O júri presidido por Clint Eastwood tinha algumas figuras de boa repercussão para julgar. Como o italiano Nanni Moretti com Caro diário, o egípcio Atom Egoyan com Exótica, o britânico Mike Figgs com Nunca te amei, o chinês Zhang Yimou com Tempo de viver, o italiano Giuseppe Tornatore com Uma simples formalidade e o polonês Krzysztof Kieslowski com a terceira parte de sua trilogia das cores, A fraternidade é vermelha. Havia o cinema independente americano na figura dos irmãos Coen (que já haviam assombrado Cannes alguns anos antes) com Na roda da fortuna e do semi desconhecido Quentin Tarantino (na França, seu Cães de aluguel só pegou depois da consagração de Pulp Fiction).
Ainda hoje Tarantino e os Coen respondem pela produção independente americana que mais reverbera internacionalmente. Em 1994, o júri cedeu a Tarantino.


Além da Palma

Sete indicações ao Oscar com vitória na categoria de roteiro original; nove indicações ao Bafta com vitória nas categorias de roteiro original e ator coadjuvante (Samuel L. Jackson); indicado a melhor filme estrangeiro no César; indicado ao Directors Guild Awards; Seis indicações ao Globo de ouro com vitória na categoria de roteiro; 4 Independent Spirit awards (filme, direção, roteiro e ator para Samuel L. Jackson);



Curiosidades

- O papel de Jules foi escrito especificamente para Samuel L. Jackson que desde então aparece em todos os filmes de Quentin (em Bastardos inglórios ele surge como o narrador e some tão subitamente quanto aparece)
- A participação de Tim Roth e Amanda Plummer como “Pumpkin” e “honey bunny” foi um capricho de Tarantino que só poderia acontecer, segundo o próprio, com esses dois atores
- John Travolta, que teve sua carreira resgatada do ostracismo graças a esse filme, em entrevista no ano 2000 disse acreditar que Tarantino será dos grandes cineastas negligenciados pela academia e que só receberá um Oscar honorário
- Quentin Tarantino ganhou seu único Oscar pelo roteiro desse filme
- Uma Thurman negou o papel. O diretor teve que fazer inúmeras tentativas de convencimento e venceu Uma pelo cansaço. Já para Kill Bill, esse approach não foi necessário.
- Sylvester Stallone foi considerado para o papel de Butch, que acabou com Bruce Willis.


* Durante o mês de maio a seção Cantinho do DVD não será publicada em virtude do especial Grandes Vencedores da Palma de Ouro

sábado, 7 de maio de 2011

Grandes Vencedores da Palma de Ouro: De Martin Scorsese, Taxi Driver

Esse talvez seja o filme pelo qual Martin Scorsese será lembrado.Talvez não. Seguramente foi esse filme, e sua consagração em Cannes, que ajudaram a fazer de Scorsese e Taxi Driver referências no cinema moderno.
O filme que coloca um veterano do Vietnã surtando nas ruas de Nova Iorque e autentica uma linguagem mais trepidante e crua de retratar a violência nos cinemas foi um achado artístico que alvoroçou a riviera francesa. O cinema independente americano efervescia e vivia dias de glória com gente como Scorsese, Lumet, De Palma e Coppola. Cannes viu e deu voz a todos eles, mas nenhum marcaria mais do que a saga da loucura perpetrada por Scorsese, De Niro e o roteirista Paul Schrader com Nova Iorque como perímetro.



A competição


O que esperar de um júri presidido pelo famoso dramaturgo americano Tennessee Williams com uma seleção de concorrentes que reunia Alan Parker, Carlos Saura, Eric Rohmer, Wim Wenders e Roman Polanski? A vitória do novato Martin Scorsese seguramente não seria uma opção considerada antes do festival. Com apenas três filmes no currículo, Taxi driver valeu a primeira incursão do cineasta em um festival de cinema estrangeiro. Naquele ano de 1976, fora de competição outros cineastas notórios aportariam em Cannes como Paolo Pasolini (Apartamento para uma Oréstia africana), Ingmar Bergman (Face to face), Alfred Hitchcock (Trama macabra), Bernardo bertolucci (1900) e Gene Kelly (Hollywood... Hollywood). O fato de Scorsese ter eclipsado todos eles diz muito sobre Cannes e sobre esse que é um dos maiores diretores de todos os tempos.


Além da Palma

Indicado a quatro Oscars (filme, trilha sonora, ator para Robert De Niro e atriz coadjuvante para Jodie Foster); Indicado a seis Baftas (filme, direção, montagem, ator, trilha sonora e atriz coadjuvante); Indicado ao Director Guild Awards; Indicado a dois Globos de ouro (Filme drama e ator drama);


Curiosidades


- É considerado pelo AFI um dos 25 filmes americanos mais importantes de todos os tempos
- A revista Time o elegeu como o filme mais injustiçado da história do cinema em eleição realizada em 1999
- A longa história de injustiça da Academia de Hollywood para com Scorsese começara com esse filme. Embora Taxi driver tenha sido indicado para melhor fita do ano, Scorsese foi excluído da lista dos diretores.
- É a estréia de Jodie Foster no cinema. A atriz tinha 12 anos à época
- A famosa fala de Robert De Niro em frente a um espelho (“Are you talking to me?”) é fruto de um improviso do ator
- Dustin Hoffman, Jeff Bridges e Harvey Keitel foram atores considerados para interpretar Travis Bickle (o personagem principal).
- Scorsese, em entrevista nos anos 90, disse rejeitar o rótulo de autor de Taxi driver. Para ele, esse título deveria ser concedido ao roteirista Paul Schrader que desenvolveu o roteiro em cinco dias.



*Durante o mês de maio a seção Cantinho do DVD cederá espaço ao especial Grandes Vencedores da Palma de Ouro

sábado, 5 de junho de 2010

Grandes momentos do cinema

Existem momentos no cinema que se eternizam pela parcela do inusitado que ostentam. Outros que se esmeram no imponderável. Taxi Driver, uma das muitas obras primas de Martin Scorsese (a primeira a levar a Palma de ouro em Cannes) é um filme que se assenta sobre essas verdades. Uma cena em especial, a que ganha destaque na seção deste mês, explode toda a verve subversiva e paranóica que Taxi Driver tão brilhantemente captura. Robert De Niro se posiciona em frente ao espelho e ensaia a melhor maneira de sacar sua arma bancando o durão. Não há quem não faça isso. Desde o adolescente cheio de referências do mundo dos vídeo - games e do gangsta rap até o mais laureado policial. Taxi Driver sublinhava à sua época os efeitos desestabilizadores da guerra em um individuo, mas essa cena mostra que estabilidade emocional – no fim das contas – é uma noção um tanto quanto manca em um mundo em constante transformação.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

TOP 10 especial: Discursos/ mónologos do cinema

1 – “I´m a fan of man”, Al Pacino em O advogado do Diabo


É isso mesmo! Al Pacino de novo. Recordista de aparições na lista (foram 3 numa lista de 10), pode-se argumentar que o ator foi beneficiado por personagens fortes e belas falas. Não deixa de ser verdade, mas Al Pacino construiu essa ponte. Um ímã para personagens fortes e um verdadeiro trator em cena, Pacino catalisa e muito. É o que ocorre na cena escolhida para encabeçar esse top 10 dos grandes discursos e/ou monólogos do cinema. O advogado do diabo é tido, em termos gerais, apenas como uma veia de entretenimento inteligente e casual. Pacino e sua célebre caracterização do Diabo transformam o filme em algo mais. É pontual que o primeiro lugar desta lista traga em seu cerne uma discussão filosófica que abranja fé, ciência, história, ambição, ética e muito mais. Não é pontual que Al Pacino seja o homem a lhe dar viço.
Nessa cena testemunhamos uma barganha entre John Milton/Diabo (Pacino) e seu protegido, Kevin Lomax (Keanu Reeves). Frases sensacionais, insights primorosos sobre a relatividade entre destino e livre arbítrio e um argumento estarrecedor sobre a fraqueza do homem. É difícil fazer justiça a esses 5 profundos minutos em que o Diabo tenta convencer o advogado Lomax de que reinar no inferno é melhor do que servir nos céus. Não é fácil. O gosto com que Al Pacino vive o personagem, com o perdão do trocadilho, é diabólico. Ele está tão soberano que leva Keanu Reeves a reboque. Uma cena monumental que mais do que muitos filmes que se valem de teses sociológicas diz muito sobre o homem, o meio, e todas as suas interjeições.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

TOP 10 especial:Discursos/ Monólogos do cinema

2 - "Some guys run and some guys stay. Charlie, here, he stays!", Al Pacino em Perfume de Mulher

A injustiça e toda a dualidade de sentimentos que ela provoca inspirou grandes oratórias de líderes consagrados pela história como Martin Luther King e Dalai Lama. O companheirismo e a solidariedade também inflamaram discursos que se alinhavam aos primeiros em termos catárticos. Em Perfume de mulher, filme superlativo por muitas razões, temos uma cena em que essas duas noções confluem brilhantemente. O discurso matador do coronel Frank Slade (Al Pacino) comove, arrebata, assusta, arrepia, revigora e estarrece a platéia. Aos que estão presentes no plenário da universidade em que Slade discorre sobre a importância da amizade, do altruísmo, da integridade e da honestidade, resta a condescendência com uma fala absolutamente irrevogável. Em atuação solene, Pacino usa toda a sua autoridade como intérprete para dar vida a uma sequência capital da fita. É ali que a platéia percebe, finalmente, que os personagens atravessaram de maneira bem sucedida o conflito proposto pelo filme.
Ao lançar-se na defesa do injustiçado Charlie (Chris O´Donnel), Slade reafirma o vínculo afetivo estabelecido entre os dois e reconhece a força interior de Charlie, fundamental para a recuperação emocional de Slade, que flertava com o suicídio. De quebra, a oportunidade lhe proporciona um momento único de vaidade e relevância, algo que havia muito tempo dava por falta.
Essa combinação de fatores, e pela cena ser daquelas que queremos ver, rever e ver novamente, que o segundo lugar desta lista fica, mais uma vez, com Pacino.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Top 10 especial: Discursos/ Monólogos do cinema

3 – “I love you baby”, Heath Ledger em 10 coisas que eu odeio em você

Ok, o filme é teen. Ok, não é um momento - vamos dizer - demolidor do cinema, mas é inegável que todo mundo já fantasiou com uma situação dessas. Pagar mico por amor é algo inexorável ao ser humano. A releitura de Megera domada de Shakespeare tem seu charme. E o grande, e inusitado, momento da fita que alçou Heath Ledger a fama é o momento em que ele na frente de toda a escola canta desavergonhadamente, com muito charme e pouca afinação, uma música para lá de contagiante para sua paixão, vivida pela atriz Julia Stiles. O momento valeu a Ledger um lugar no coração de muitas fãs e ao filme, um lugar nessa prestigiada lista.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Grandes momentos do cinema

"Their moral is a bad joke!"
Batman - o cavaleiro das trevas

Tem como não babar nessa cena? Talvez o melhor diálogo filosófico já exibido na história do cinema, equiparado apenas a O sétimo selo de Ingmar Bergman. Quando Batman adentra a sala de interrogatório para arguir o coringa, a platéia aguarda o desenrolar da cena com apreensão e expectativa. Em suspensão, assistimos um embate psicológico refinado e extremamente bem fundamentado. O psicótico coringa tem clareza acadêmica em seus posicionamentos. Mais acachapante do que a retórica iluminista do caótico vilão, é a forma como ele domina completamente a situação. A engenharia do plano arquitetado por ele é tão brilhante, tão fascinante do ponto de vista filosófico que impressiona a densidade dramática conseguida. Nos faz quase torcer por um lunático anárquico. É lógico que essa condição pode ser atribuída a poderosa interpretação de Heath Ledger. O ator está absoluto (tal qual seu personagem), mas seria infantil ignorar a eficiência do roteiro na construção da cena e do sentido que dela emerge.
Sem sombra de dúvidas um dos mais impressionantes momentos do cinema.

Clique aqui para assistir a cena!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

TOP 10 Especial: Discursos/ Monólogos do cinema

4 - "Now, imagine she´s white!", Matthew McConaughey em Tempo de matar

Se há algo que os americanos adoram é serem moralistas. Se há um tema que o moralismo americano abraça com gosto é o preconceito. Principalmente o racial. É inegável, porém, o apelo humanístico inerente a esses filmes e a força dramática de algumas cenas que reverberam no inconsciente cinéfilo e encontram algum respaldo sociológico. Queiramos admitir ou não. Uma dessas cenas é o tradicional “closing arguement” de um tribunal de júri no filme Tempo de matar (1996). Um jovem, e ainda não ingresso nas comédias românticas, Matthew McConaughey vive com expressividade um jovem advogado idealista e pobretão. O tipo clichê vinha a calhar no filme de Joel Shumacher. Havia muitos outros clichês ali também. Mas McConaughey, que possivelmente terá essa como a melhor cena de sua carreira como ator, injeta passionalidade e transforma uma cena bem escrita e moralista em um grande momento do cinema. Um advogado que se envolveu demais, que se desapaixonou pela profissão, que errou, que acertou, que foi chamuscado pela causa que defende e que tem, ao mesmo tempo em que proporciona ao público e aos jurados, uma epifania.
Tempo de matar, como muitos dramas de tribunal, tem grandes cenas, grandes personagens, diálogos irrepreensíveis e monólogos memoráveis. Contudo, poucos se assentam em tamanha simplicidade arrasadora. Essa cena é matadora porque não pretende emular a verdade, ela se apropria da verdade com descomunal veracidade.
No filme, o personagem de McConaughey defende um homem negro (Samuel L.Jackson) que matou os estupradores brancos de sua filha que estavam prestes a serem inocentados por um júri. Levado a julgamento, em uma cidade segregada, ninguém esperava um julgamento justo. O monólogo do advogado, no entanto, desmonta expectativas.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Top 10 especial: Discursos/Monólogos do cinema

5 – “Are you a news man or a business man?”, Al Pacino em O informante


Existem atores que transcendem credibilidade. Al Pacino é um desses atores. Em O informante, ele vive o jornalista e produtor do programa jornalístico de TV 60 minutes (muito popular nos EUA). Era preciso que Pacino usasse todo o seu capital para fazer esse personagem crível. Pacino o fez. Em uma de suas últimas grandes performances no cinema, o ator dá um show. Nessa cena em especial. Lowel Bergman (Pacino) se oposiciona à direção da emissora de TV CBS que vetou a participação de Jeffrey Wigand (Russel Crowe), testemunha ocular de um importante e virulento processo envolvendo a indústria tabagista, no programa.
Além do vídeo que Claquete apresenta, para que o leitor possa ter noção de seu efeito, há a principal parte da fala de Lowell Bergman transcrita aqui. Poucas vezes as relações corporativas foram tão bem capturadas em um discurso a ganhar vida no cinema.


“You pay me to go get guys like Wigand, to draw them out. To get him to trust us, to get him to go on television. I do. I deliver him. He sits. He talks. He violates his own fucking confidentiality agreement. And he's only the key witness in the biggest public health reform issue, maybe the biggest, most-expensive corporate-malfeasance case in U.S. history. And Jeffrey Wigand, who's out on a limb, does he go on television and tell the truth? Yes. Is it newsworthy? Yes. Are we gonna air it? Of course not. Why? Because he's not telling the truth? No. Because he is telling the truth. That's why we're not going to air it. And the more truth he tells, the worse it gets!"

Tradução:
Você me paga para pegar caras como Wigand, para colocá-los para fora. Para fazê-lo confiar em nós, para pô-lo na TV. E eu faço isso. Ele senta. Ela fala. Ele viola a porra do acordo de confidencialidade dele. E ele é simplesmente a testemunha chave no maior caso de reforma de saúde pública, talvez o maior, mais caro caso de malignidade corporativa na história dos EUA. E Jeffrey Wigand, que está no limbo, ele vai na televisão e fala a verdade? Sim. É notícia? Sim. Vamos levar isso ao ar? Claro que não. Por quê? Porque ele não está falando a verdade? Não. Porque ele está falando a verdade. Essa é a razão de nós não levarmos isso ao ar. E quanto mais ele fala a verdade, pior fica!”


quarta-feira, 21 de abril de 2010

TOP 10 Especial: Discursos/Monólogos do cinema

6 – “You gotta give them the Razzle Dazzle”, Richard Gere em Chicago

Espera-se de um bom advogado que ele seja capaz de reverter desvantagens. De fazer o ruim parecer bom. De convencer uma audiência de que o culpado é na verdade a vítima. O mecanismo dessa arte de ludibriar é belamente devassado em Chicago. O musical de Rob Marshall tem muitas cenas esplendorosas. Sejam pelo vigor visual, pela exacerbação técnica ou pelo sentido matador que apresentam. As vezes tudo isso junto. Como nessa cena em que o advogado cafajeste vivido por Richard Gere explica a sua cliente, uma assassina desequilibrada emocionalmente (Renée Zellweger) como ele irá manipular o júri, a mídia, e todos os demais componentes desse teatro social que é o tribunal do júri.
Pode-se argumentar que a percepção de Billy Flynt (Gere), além de moralmente condenável, é um tanto ultrapassada e repetitiva. Mas é infalível. Os cânones sociais e da cultura de celebridades são balançados enquanto Gere sapateia com voracidade. Para se ter sucesso em Chicago, ou qualquer outro lugar, é preciso dar o Razzle Dazzle.


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Top 10 especial: Discursos/ Monólogos do cinema

7 – “They may take away our life, but they will never take our freedom”, Mel Gibson em Coração Valente

Filmes épicos são inspiradores por vocação e grandiloquentes por natureza. Mas poucas vezes no cinema se viu um momento de tamanha expressão como quando Mel Gibson, que brilhantemente vive William Wallace, está diante de milhares de camponeses escoceses que hesitam em rumar para o que imagina-se um abate feroz pelo exército inglês.
Mel Gibson atua com o coração nessa cena. A rouquidão da voz do ator enobrece a postura do personagem. O discurso, obviamente contagiante, se agiganta com a trilha sonora que surge quase que imperceptivelmente para uma platéia ainda arrebatada pelo vigor da cena, da caracterização de Gibson e das palavras que são proferidas por um personagem, em muito por causa desse momento, inesquecível.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

TOP 10 especial: Discursos/monólogos do cinema

8 – “Who is gonna love me?”, Mo´Nique em Preciosa – uma história de esperança

Mo´Nique dominou a temporada de premiações desse ano por sua impressionante composição da monstruosa figura materna de Preciosa (Gabourey Sidibe). Em muito devido a cena, quando o filme já se aproxima de seu final, em que se liberta da fantasia de monstro. Ao explanar para a assistente social vivida por Mariah Carey, na presença de sua filha e de todos nós (uma platéia retraída e abismada), o por quê de ter desprezado tanto sua filha, de tê-la tratado com tanta negligência e violência, Mo´Nique dá um show de interpretação. Sua presença é tão poderosa, tão hedionda que só encontra par na personalidade problemática que ela dá vida no filme.
A cena não nos faz gostar, simpatizar ou perdoar aquela mulher tão maltratada e infeliz, mas nos permite entendê-la. Esse processo de humanização (que só uma grande atriz é capaz de dar conta) se estabelece nessa cena. A história que Preciosa – uma história de esperança conta não têm monstros, apesar das aparências.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Grandes momentos do cinema

A primeira vez que Scarlett Johansson surge no filme Encontros e desencontros é na cena de abertura do filme. Uma cena inusitada que flerta com os instintos da platéia alvoroçada para saber a quem pertence aquele derrière soft e convidativo. Em um misto de voyeurismo e insubordinação, a câmera de Sophia Coppola se aproxima do derrière de Scarlett como quem leva um doce a boca. É uma cena que pouco diz sobre o que veremos adiante, mas que adianta a intimidade que se fará presente ou não no relacionamento de alguns personagens. Afinal de contas, o filme de Sophia é, entre outras coisas, sobre isso, intimidade. De quebra, foi essa cena que promoveu Scarlett Johansson a musa. Muitos diriam que o filme não poderia ter começado de melhor maneira. Um flagra arquitetado para a posteridade.

Neste clipe (que parte da mesma cena inicial do filme) montado com cenas da fita de Coppola, embalado pela música Mad World (que faz parte da trilha sonora do filme), podemos ver um pouco mais de Scarlett e entender um pouco mais de que intimidade é essa que Encontros e desencontros versa. Mais do que isso, só vendo o filme mesmo.



quarta-feira, 31 de março de 2010

TOP 10 especial: Discursos/monólogos do cinema

9 - "Clark kent is how superman sees man kind, David Carridine em Kill Bill, volume 2

Que Quentin Tarantino escreve diálogos e, mais que isso, cenas inspiradas, ninguém duvida. Que Kill Bill, saga de vingança dividida em dois volumes, é um mar de referências cinematográficas todo mundo sabe. Que o resultado obtido por Tarantino com seus dois filmes não prima pelo equilíbrio também é uma constatação imperiosa. Porém, se Kill Bill se resumisse a essa cena, seria uma obra prima milenar. Como não se resume, a grandiosidade da cena resiste ao filme que reúne alguns outros bons momentos, mas é, em geral, dispensável.
Nessa cena, Bill (David Carradine), objeto da obsessão lunática de Beatrix Kiddo (uma Thurman), carinhosamente conhecida como A noiva, discorre em tom filosófico sobre a natureza humana. A grande sacada da cena é a forma como o comentário se estabelece. A metralhadora pop de Tarantino se mune aqui de um famoso herói dos quadrinhos, o superman. A sustância do argumento, aliada ao tom professoral empregado por Carradine na cena, fazem deste um dos grandes discursos da história do cinema. Sem dúvida alguma, uma das melhores coisas a sair da pena de Tarantino.


quarta-feira, 24 de março de 2010

TOP 10 ESPECIAL - Discursos/monólogos do cinema

A partir de hoje, e pelas 10 próximas quartas-feiras, Claquete edita uma lista muito especial. 10 grandes discursos ou monólogos da história do cinema. Essa lista, obviamente, não se pretende definitiva. Contudo, objetiva rememorar essas grandes cenas que ajudaram a marcar a história do cinema e que, certamente, impressionaram platéias do mundo todo.
A coluna TOP 10 continua sendo editada regularmente. Ou seja, sua periodicidade segue inalterada. A coluna é editada quinzenalmente, sempre às quartas.

10 - "respect the cock", Tom Cruise em Magnólia
Frank Mackey, interpretado magistralmente por Tom Cruise, é um guru de auto-ajuda. Ele faz sucesso afirmando o poder do macho sobre as mulheres. Contudo, atrás da carranca machista jaz um homem traumatizado e que carrega profundos ressentimentos familiares.
Porém, nesse monólogo cheio de raiva, Mackey exorta a uma platéia unissex sobre a dinâmica e os anseios que pautam a perspectiva masculina em uma relação amorosa. A "catarse brucutu" nunca foi tão bem delineada quanto nessa cena. O texto de Paul Tomas Anderson ganha vida na performance arrebatadora de Cruise. Reparem na trilha instrumental que antecede a fala de Mackey.


quarta-feira, 3 de março de 2010

ESPECIAL ILHA DO MEDO - Grandes momentos do cinema

A seção deste mês, em virtude do ESPECIAL ILHA DO MEDO, faz uma deferência a um dos maiores cineastas de todos os tempos. Obviamente, está se falando de Martin Scorsese. E não há momento mais catártico para aqueles que apreciam o cinema, e acompanham a carreira do cineasta, bem como para qualquer artista ou profissional, do que a consagração maior em sua área. No caso do cinema, isso quer dizer Oscar. A academia preteriu Scorsese por três décadas. Sua "maldição" do Oscar passou até mesmo a ser uma espécie de folclore hollywoodiano. Em 2007, com Os infiltrados, Scorsese finalmente deixou a maldição para trás. O tão sonhado e esperado, por ele e por tantos outros, Oscar de direção veio. E veio das mãos de três cineastas que ajudaram a definir o cinema americano contemporâneo. George Lucas, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola entregaram, com inegável satisfação, o prêmio a Marty, que brincou: "Vocês podem checar novamente, por favor?"
Claquete convida você a reviver este mágico momento do cinema.

Aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=YbbzaS8rcak

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Grandes momentos do cinema

Grandes momentos do cinema apresenta hoje dois atores em um de seus melhores momentos. Denzel Washington e Tom Hanks têm dois Oscars cada um. Hanks, inclusive, fatutou seu primeiro por este filme. Trata-se de Filadélfia (Philadelphia, EUA 1993). O filme de Johnathan Demme é um primor sob muitos aspectos. Desde a maravilhosa música de Bruce Springsteen até a direção segura e afinada de Demme. Mas é inegavel que é no forte e conciso trabalho dos atores que reside o maior trunfo do filme. Nessa cena, em particular, isso fica muito visível. Sutil, de ritmo leve e extremamente íntima e sugestiva.
Hanks faz um advogado que prestes a ser promovido a sócio de uma poderosa firma é demitido após ter sido diagnosticado com AIDS. Washington faz seu advogado. Filadélfia foi um dos primeiros filmes a abordar de maneira aberta, honesta e bem sucedida a AIDS e o homossexualismo. O filme é, ainda, um poderoso drama de tribunal. Um filme indispensável para qualquer um que aprecie cinema. Assim como essa poderosa cena que diz muito sobre os personagens, sobre o momento que vivenciam na narrativa do filme e sobre os brilhantes intérpretes que lhe dão vida.