O que se passa com Steven Soderbergh?
Ele é um dos diretores mais criativos do cinema atual. Conseguiu a façanha de ser indicado duplamente ao Oscar de melhor diretor (por Traffic e Erin Brockovich-uma mulher de talento) no ano 2000. Não obstante, transita pelo cinema independente com a mesma leveza e repercussão de suas incursões comerciais. Logo por sua estréia em longa metragens, faturou a Palma de ouro e fez de Sexo, mentiras e videotape (1989) o primeiro filme independente americano de grande repercussão internacional (inclusive nas bilheterias).
Os críticos do cinema de Steven Soderbergh atacam sua veia workaholic como uma das razões do que entendem ser uma falta de identidade de seu cinema. Soberbergh, ainda que por vias tortas, vem dá razão a essa turma. O diretor já havia confidenciado aos mais próximos (e Matt Damon posto a boca no trambone) que considerava se aposentar do ofício de dirigir. Buscava uma mudança de rumo e via a pintura e a fotografia como destinos profissionais possíveis (bom frisar que ele já não precisa do dinheiro né?!). Soderbergh anunciou esta semana, em um programa de rádio americano, que esse dia (da aposentadoria como diretor) está mais próximo do que se imagina. Segundo Soberbergh, ele já não sente a excitação de outrora em dirigir filmes (o que, diriam os profissionais da intriga, se deve a saturação de projetos; em 2011 ele lançará três filmes). O diretor disse que tem recusado todas as propostas que tem recebido nos últimos três anos. Após Liberace (filme sobre um pianista homossexual com Matt Damon e Michael Douglas) e Man from U.N.C.L.E (ainda sem detalhes revelados) que o unirá a seu grande amigo, sócio e ator preferido George Clooney, Soderbergh irá dizer adeus. Ou até logo. Aos 47 anos, o cansaço do prolífero diretor, produtor e roteirista é compreensível. Grandes diretores já usufruíram de longos hiatos. Soderbergh talvez rejeite essa percepção, mas não pode dizer que não sentirá vontade de voltar a dirigir e que não irá fazê-lo. Afinal, foi por experimentar essa excitação efervescente – de que sente falta agora - que ele se embrenhou em uma rotina esmagadora de projetos. Nos últimos cinco anos, contando colaborações em roteiros, atuações como produtor e trabalhos como diretor foram 40 filmes. É muita coisa. Che, projeto audacioso sobre o revolucionário argentino Che Guevara, foi rodado em cinco países diferentes e Soderberg dirigia, ao mesmo tempo, o terceiro filme da série Onze homens e um segredo. A aposentadoria, ainda que ele negue, parece mais com férias prolongadas.

