Mostrando postagens com marcador O concurso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O concurso. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de julho de 2013

Crítica - O concurso

Fazendo o mesmo, mas de forma diferente

A comédia brasileira está desgastada? A resposta pode ser desalentadora quando você percebe exatamente para onde um filme vai após seus cinco primeiros minutos. O que difere O concurso (Brasil 2013) da média das comédias nacionais que voltaram a brilhar nas bilheterias do país em 2013, é que o filme de Pedro Vasconcellos assume essa “imperfeição” de cara e brinca justamente com a noção de que o que importa é a viagem e não o destino, tanto em sua estrutura narrativa, como em suas soluções dramáticas.
Se beber, não case! (2009) é uma referência, ainda que inconsciente, a aumentar o brilho do filme que consegue brincar com estereótipos sem deixar de preservar a humanidade dos personagens, algo nem sempre tangenciado no filme americano. O grande mérito de O concurso, nesse aspecto, é pegar estereótipos de larga fama no país, como o gaúcho homossexual, o carioca malando, o nerd virgem do interior, entre outros e inseri-los com naturalidade em outro estereótipo, menos notório, mas muito mais fechado que é o do concurseiro, aquela pessoa obstinada em passar em um concurso público que reorganiza toda a sua vida para esse propósito e, por vezes, continua concurseira mesmo depois de uma eventual aprovação.

"Me come ou eu te mato": o dilema nonsense de Bernardinho (Rodrigo Pandolfo) imposto pela voluptuosa participação de Sabrina Sato

Ou seja, brincar com sonhos e estereótipos não é uma primazia deste filme, mas ele é muito feliz ao fazê-lo de forma irreverente e privilegiando o trabalho dos atores em detrimento de maior veracidade do roteiro.
Fábio Porchat, na pele do gaúcho envolto em dúvidas acerca de sua sexualidade, Anderson Di Rizzi, como o nordestino mandingueiro que faz votos a todos os santos, Rodrigo Pandolfo, como paulista do interior virgem e filhinho de mamãe, e Danton Mello, como o advogado malandro carioca, esbanjam química como os quatro finalistas do concurso para juiz federal que perdem as estribeiras no fim de semana que antecede à realização do derradeiro exame para o cargo. O filme torna toda a situação mais dramática ao delimitar que apenas um dos quatro será aprovado. Mesmo com o clima de rivalidade à espreita, eles desenvolvem uma amizade que irá desfilar pelas obrigatórias paisagens das comédias brasileiras (favela, funk, e biblioteca nacional?).

Por fim, trata-se de um filme que não faz feio ao filão do bromance e que incute na comédia brasileira a noção de que ela pode se reciclar sem abrir mão de suas características mais marcantes. O que precisa se delimitar é se é esse o caminho a ser seguido.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Filme em destaque - O concurso

Sem pagou, passou

Comédia nacional faz graça com cultura enraizada em grande parte da população brasileira de prestar concurso público e brinca com estereótipos em voga na cena nacional

“A equivalência que tem entre os dois filmes é a química desses quatro caras juntos”, opina LG Tubaldini Jr, produtor de O concurso, a respeito das comparações entre o filme, que chega nesta sexta-feira (19) aos cinemas do país, e o filme original da trilogia Se beber, não case! (2009), encerrada neste ano.
A comparação, cada vez mais constante, partiu de um dos mais renomados nomes do elenco. O ator Fábio Porchat, há alguns meses, anuiu com a perspectiva de que o filme era um “Se beber, não case! brasileiro”. O diretor Pedro Vasconcellos, em coletiva de imprensa que Claquete participou, refutou a ideia. “Antes desse filme, foram vários os que tinham como mote um grupo de amigos aprontando todas em um fim de semana”. Para Tubaldini, a memória do filme dirigido por Todd Philips se impõe, até mesmo porque “Se beber, não case! zerou as piadas com quatro caras aprontando todas”.
A ideia de fazer uma comédia já estava consolidada para Tubaldini à época do lançamento de Qualquer gato vira-lata em 2011. A ideia de fazê-la com o pano de fundo dos concursos públicos surgiu de seu convívio social. “Tenho muitos amigos de formação jurídica que prestam concursos. Uns conseguem passar e outros não, mas todos têm ótimas histórias. Com o tempo fui percebendo que os contos, os adágios davam base para um ótimo roteiro e aí convidei o Pedro para a empreitada”, explica o produtor. Vasconcellos, que estreia na direção de cinema com O concurso, credita aos atores o eventual sucesso que seu filme possa experimentar. “Quando se trabalha com atores virtuosos como esses, fica fácil o trabalho de um diretor”.
E que atores são esses? Fábio Porchat assume, na leitura do diretor, o estereótipo mais difícil. Ele faz um homem pressionado pelo pai a ser juiz e que vive um conflito interno sobre sua sexualidade. Seu personagem é gaúcho de Pelotas em uma das muitas atitudes irreverentes do filme em relação a estereótipos brasileiros. Anderson Di Rizzi, que vive trajetória ascendente na tv Globo, vive um cearense muito família e muito devoto de todos os santos possíveis e imagináveis. Rodrigo Pandolfo vive um engomadinho paulista do interior, virgem, e com grave problema de auto-estima. Danton Mello personifica o malandro carioca, arquétipo mais reconhecível de todos, como um advogado espertalhão. Os quatro são finalistas em um concurso para juiz federal e estão na cidade maravilhosa para a realização do exame oral, marcado para as 8h de uma segunda-feira. Serão muitas as aventuras pelas quais passará a trupe no fim de semana que antecede a prova. A comparação com Se beber, não case! ganha força aí, mas o filme apresenta um repertório de gags bem brasileiras que não aprofunda a analogia. Além do mais, todos os personagens recebem especial atenção do roteiro, algo que não se verifica no filme de Todd Phillips.

O diretor Pedro Vasconcellos, de cabelo comprido no canto inferior da imagem, confere junto a seu quarteto de protagonistas um take

De Chaplin a Pirapora
O filme foi rodado em 30 dias com orçamento de R$ 5 milhões e promove a tão falada estreia de Sabrina Sato no cinema. A agora atriz faz uma atiradora de facas que persegue o personagem de Pandolfo com a finalidade de desvirgina-lo.
Alternando-se entre o pastelão e o nonsense, O concurso quer “brincar com os sonhos dos brasileiros. Com esses estereótipos, mas sem deixar de tratar os personagens de maneira humana”, avalia Vasconcellos. “Comédia é verdade assim como qualquer gênero, mas é mais técnica”, opina Pandolfo que viajou para Salto de Pirapora para se inspirar na composição de seu personagem, cidadão da fictícia Piraporinha. Di Rizzi, por sua vez, enxerga muito de Chaplin em seu personagem e reconhece que o trabalho em cinema é “mais delicado” do que na tv.
Elenco e produtores já pensam na sequência e torcem para que o público abrace o filme. “Não acredito em fazer filmes para o público. Sei que é estranho para um produtor dizer isso”, expõe Tubaldini, “acredito em filme bom. Depois é só deixá-lo acontecer”.