Quando fazer rir da política é um bom (e inteligente) negócio
A política brasileira pode ser considerada um excelente celeiro para o humor nem sempre sofisticado do brasileiro. Figuras como Lula, Severino Cavalcanti, José Sarney, Roberto Jefferson, Collor, Paulo Maluf e Fernando Henrique Cardoso são alguns componentes de uma fauna tão multifacetada quanto dotada, em si, de poderosos elementos cômicos.
O cinema se habituou a reverberar essa curiosidade cultural. A ideia de político bonachão, cafajeste, popularesco, embora esteja intrinsecamente relacionada a nossa cultura, não é patrimônio brasileiro. Filmes estrangeiros já se valeram de figuras históricas, tanto em filmes biográficos quanto em tramas ficcionais, para explicar o imponderável através de um viés humoristíco.
Dentro desse contexto, o filme O bem amado, baseado no texto de Dias Gomes, vem engrossar as fileiras de produções como Chá com Mussolini (1999), de Franco Zeffirelli, Jogos do poder (2007), de Mike Nichols, Segredos do poder (1998), de Mike Nichols, O grande ditador (1940), de Charles Chaplin, Mera coincidência (1997), de Barry Levinson, A comédia do poder (2006), de François Ozon, entre tantos outros.
A política brasileira pode ser considerada um excelente celeiro para o humor nem sempre sofisticado do brasileiro. Figuras como Lula, Severino Cavalcanti, José Sarney, Roberto Jefferson, Collor, Paulo Maluf e Fernando Henrique Cardoso são alguns componentes de uma fauna tão multifacetada quanto dotada, em si, de poderosos elementos cômicos.
O cinema se habituou a reverberar essa curiosidade cultural. A ideia de político bonachão, cafajeste, popularesco, embora esteja intrinsecamente relacionada a nossa cultura, não é patrimônio brasileiro. Filmes estrangeiros já se valeram de figuras históricas, tanto em filmes biográficos quanto em tramas ficcionais, para explicar o imponderável através de um viés humoristíco.
Dentro desse contexto, o filme O bem amado, baseado no texto de Dias Gomes, vem engrossar as fileiras de produções como Chá com Mussolini (1999), de Franco Zeffirelli, Jogos do poder (2007), de Mike Nichols, Segredos do poder (1998), de Mike Nichols, O grande ditador (1940), de Charles Chaplin, Mera coincidência (1997), de Barry Levinson, A comédia do poder (2006), de François Ozon, entre tantos outros.
No calor da segunda guerra mundial, Charles Chaplin ousou ridicularizar a figura de Hitler em O grande ditadorEm comum, essas fitas têm a proposta de fazer rir no mesmo compasso que pretendem fazer o espectador pensar. As abordagens são sempre inspiradas e, quando não reproduzem fielmente, se esmeram grandemente em figuras e eventos reais.
Em O Bem amado, Odorico Paraguaçu, personagem vivido com gosto por Marco Nanini, é o prefeito da fictícia cidade de Sucupira no litoral baiano. Corrupto, cheio de malandragens e traquinagens, é dono de uma lábia e carisma que estão acima de qualquer suspeita. O fluxo de O bem amado, dirigido com propriedade por Guel Arraes, não traz nada de novo em relação àquelas máximas familiares a quem entende de política ou a quem entende de humor. O mérito está justamente na ambientação, na construção do comentário e na introdução de aspectos novos, trabalhando com a memória do espectador, a um uma estrutura narrativa manjada.
Independentemente das virtudes e das falhas da fita, é louvável que se objetive aproximar o público de um tema tão importante como a política. Se fizer com que o público de divirta, melhor ainda.
Em O Bem amado, Odorico Paraguaçu, personagem vivido com gosto por Marco Nanini, é o prefeito da fictícia cidade de Sucupira no litoral baiano. Corrupto, cheio de malandragens e traquinagens, é dono de uma lábia e carisma que estão acima de qualquer suspeita. O fluxo de O bem amado, dirigido com propriedade por Guel Arraes, não traz nada de novo em relação àquelas máximas familiares a quem entende de política ou a quem entende de humor. O mérito está justamente na ambientação, na construção do comentário e na introdução de aspectos novos, trabalhando com a memória do espectador, a um uma estrutura narrativa manjada.
Independentemente das virtudes e das falhas da fita, é louvável que se objetive aproximar o público de um tema tão importante como a política. Se fizer com que o público de divirta, melhor ainda.

Marco Nanini como Odorico em cena de O bem amado: o ator já havia encarnado o personagem no teatro
Se você gostou deste artigo e do tema debatido, Claquete recomenda:
Jogos do poder, de Mike Nichols (EUA 2007)
Mera coincidência, de Barry Levinson (EUA 1997)
O grande ditador, de Charles Chaplin (EUA 1940)
O candidato aloprado, de Barry Levinson (EUA 2006)
Jogos do poder, de Mike Nichols (EUA 2007)
Mera coincidência, de Barry Levinson (EUA 1997)
O grande ditador, de Charles Chaplin (EUA 1940)
O candidato aloprado, de Barry Levinson (EUA 2006)