Contrabando (Contraband, EUA 2012) pode ser descrito
vulgarmente como o melhor e o pior que Hollywood tem a oferecer em matéria de
entretenimento. É, também, aquele tipo de filme que cresce exponencialmente na
telinha (ou mesmo telona) de casa. Mark Wahlberg estrela como um sujeito de
passado criminoso que se endireitou na vida e tem o respeito de seus antigos
comparsas por isso. No entanto, ele é levado de volta à vida criminosa em
virtude de um desarranjo de seu cunhado com um traficante de drogas local. Para
manter sua família fora do radar dos criminosos, aceita contrabandear uma
remessa de dinheiro falsificado do Panamá para os EUA. Obviamente, nem tudo
sairá como o planejado.
Estão todos lá. Os principais códigos do filme de gênero que
ergueram o bastião dos filmes B com estilo e classe. O desconhecido Baltasar Kormákur, na direção, consegue manter a tensão viva, mesmo que o público saiba
precisamente para que ponto a trama vai. As reviravoltas, ainda que
previsíveis, estão bem contextualizadas na trama e o bom elenco coadjuvante
formado por Kate Beckinsale, Giovanni Ribisi, Ben Foster e Diego Luna ajuda a
aumentar a boa vontade com o filme.
Mas a presença desses códigos e a total indisposição de “mudar um time que está ganhando” faz de Contrabando um filme símbolo do jeito
industrial como Hollywood despeja filmes no mercado. Não à toa, a produção não
foi sequer lançada nos cinemas brasileiros, indo direto para o home vídeo. Nos
EUA, por exemplo, fez respeitáveis U$ 70 milhões (custou pouco mais de U$ 20 milhões),
renda superior ao recente e muito mais caro Depois da terra. O que nos leva a
constatação que esse tipo de filme vende. Existe um público cativo e fiel a esse tipo
de produto que potencializa-se ainda mais nas megastores e locadoras. Se for
bem feito, como no caso de Contrabando, o custo é mais do que bem recompensado.
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