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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Crítica - Contra o tempo

Bem feito!

A ficção científica sempre foi um porto seguro para ótimas ideias e Contra o tempo (Source code, EUA 2011) é mais um bom exemplo disso. O segundo filme de Duncan Jones vem confirmar o talento do realizador de Lunar – uma ficção tão inventiva quanto pensativa. Esse seu segundo filme, embora seja mais comercial, preserva a verve narrativa do primeiro filme ao apresentar um protagonista solitário em um processo de inflexão inusitado e relativamente imprevisível.
Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) acorda em um trem e, além de não se reconhecer, não reconhece a pessoa que lhe acompanha (Michelle Monaghan). Logo descobrimos que Colter é um soldado americano que faz parte de um procedimento experimental em que se é possível voltar nos oito minutos finais da vida de alguém; o procedimento se chama código fonte e é baseado em princípios de física quântica. A missão de Colter é descobrir o terrorista responsável por explodir o trem. E ele reviverá aqueles oito minutos de um determinado passageiro quantas vezes forem necessárias para realizar sua missão. Contra o tempo vai se descortinando com o tempo (sem trocadilhos) e funciona tanto como thriller como fita de ação.
O roteiro de Ben Ripley apara bem as arestas e se mostra menos bifurcado do que o de outra ficção recente que propõe paralelismos (A origem) e apresenta menos metáforas também. Jones se vale de uma lógica intrincada para oferecer um filme até certo ponto comum, ainda que mais eficiente do que a média da produção hollywoodiana atual.

Beleza e inteligência: Jones alia alguma engenhosidade visual com muito esmero criativo para entregar um filme acima da média


A inteligência do argumento encontra respaldo na concepção visual de Jones. Jake Gyllenhaal colabora para o sucesso da fita. É o ator quem confere veracidade à trama quando esta atravessa seu momento mais frágil (e isso tem a ver com uma descoberta sobre a real condição de Colter Stevens).  
Duncan Jones mostra-se um realizador interessante, com uma percepção visual interessantíssima e uma compreensão mimética das possibilidades narrativas da ficção científica. Contra o tempo é um filme que flui de forma natural por diferentes gêneros e agrada em todos eles. É uma das surpresas do ano.