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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Crítica - Coincidências do amor

Coincidências do amor (The switch, EUA 2010) é uma grata surpresa em um circuito dominado por comédias românticas decididas a serem diferenciadas, mas decididamente irmanadas no fracasso desse intento. A fita dirigida por Will Speck e Josh Gordon, baseada em um conto publicado na revista The New Yorker, parte de um premissa muito semelhante a outra comédia romântica exibida nos cinemas em 2010. Em Plano B, Jennifer Lopez sentia o sino da maternidade bater e não se via com muitas chances de ser mãe, já que não conseguia um relacionamento estável. Optou pela inseminação artificial só para no mesmo dia conhecer o amor de sua vida. Plano B, é bem verdade, é agradável e tira proveito de situações incomuns (embora previsíveis) dentro do universo da comédia romântica. Já Coincidências do amor amplia o escopo. Na trama, Jennifer Aniston vive uma solteirona que vive o mesmo dilema. Ela decide fazer a inseminação artificial, no que é desencorajada pelo personagem de Jason Bateman, amigo de longa data que no fundo é apaixonado por ela – mas nunca teve forças para assumir esse sentimento (para si e para ela).
Na primeira meia hora o filme investe fortemente na comédia, no que se vale do excelente timing cômico de Bateman, para depois adentrar um nicho mais sério, mas sem perder a graça ou o jeito fofura de comédia romântica. Acidentalmente (em uma cena não tão engraçada quanto deveria), o personagem de Bateman troca o esperma do doador eleito por Jennifer pelo seu. Daí em diante, Coincidências do amor segue um caminho previsível, mas irresistível. O filme não se omite de capturar os sentimentos contraditórios de seus personagens (importante frisar que além de ser protagonista, o ponto de vista adotado pelo roteiro é o de Bateman) e estende seu escopo, criando algumas cenas bastante comoventes (ainda que moralistas). Essa opção faz da comédia romântica em questão, um hibrido dos mais interessantes. Pois ajusta as expectativas da platéia (expectativas essas relacionada ao desenvolvimento de um filme do gênero) a elementos não tão insidiosos em um romance. O filme ter sido um fracasso mapeia o que deu errado. No final das contas, por mais absurda que seja a premissa do filme (uma troca de esperma que vincula duas pessoas para sempre), Coincidências do amor é a comédia romântica mais verdadeira dos últimos tempos. Talvez não estejamos preparados para algo assim. Uma pena. Comédia romântica é bom. Se for inteligente e factível é melhor ainda.