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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Os resultados do Bafta rearranjam a corrida pelo Oscar?


A maior premiação do cinema britânico, realizada no último domingo (16), consagrou 12 anos de escravidão como o melhor filme do ano. Além do principal prêmio, Chiwetel Ejiofor foi eleito o melhor ator pelo filme. Foram os dois prêmios concedidos à fita de Steve McQueen. Gravidade, por seu turno, levou seis Baftas (filme britânico, direção, fotografia, trilha sonora, som e efeitos visuais) enquanto que Trapaça ficou com outros três (roteiro original, maquiagem e atriz coadjuvante para Jennifer Lawrence).
Em termos de resultados, o Bafta tem pouca influência nas escolhas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que outorga o Oscar. De uns tempos para cá, no entanto, quem acompanha a cobertura da temporada de premiações em Claquete sabe que a Academia britânica aumentou seu grau de influência na fase de indicações. Obviamente esse grau de influência tem desdobramentos.
No caso dessa corrida pelo Oscar em particular, particularmente mais longa do que a dos últimos anos, essa influência pôde ser percebida pela opção de Leonardo DiCaprio (O lobo de Wall Street) em detrimento de Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas). A vitória de Barkhad Abdi (Capitão Phillips) entre os atores coadjuvantes ajuda a entender não só porque ele chegou ao Oscar e seu companheiro de cena, Tom Hanks – indicado ao Bafta, ficou pelo caminho, mas ajuda a perceber a força da indicação de DiCaprio.
A distribuição dos prêmios no Bafta, em pleno período de votação para definição dos vencedores do Oscar, demonstra muitas incertezas. Apenas Cate Blanchett, dos considerados favoritos entre os intérpretes, venceu. McConaughey e Jared Leto, nem sequer foram indicados, e Jennifer Lawrence repetiu o que aconteceu no Globo de Ouro e superou Lupita Nyong´o.
A performance de Gravidade, vencendo prêmios como filme britânico e trilha sonora, também sugere uma nuvem de fumaça. Assim como 12 anos de escravidão, por seu turno, que só converteu duas de suas dez indicações em vitória. Trapaça, ao contrário, venceu três prêmios em que não era – nem de longe – considerado favorito. O que isso quer dizer? Que Gravidade é um filme sobre o qual paira consenso absoluto, o que é muito bom para as chances do filme no Oscar; que 12 anos de escravidão surge enfraquecido para a corrida pelo Oscar, a despeito dos prêmios conquistados no sindicato dos produtores e no Globo de Ouro; e que Trapaça é um filme que segue construindo seu momentum. Não era nem de longe o melhor entre os indicados a roteiro original, mas a vontade (e necessidade) de premiar Russell falou mais alto. No Oscar, em que Spike Jonze concorre com Ela, a permuta fica mais difícil. 
Ejiofor com seu prêmio: sua vitória aumenta suas chances e
as de DiCaprio no Oscar
O que o Bafta sugere, e nessa corrida particular essa sugestão tem grande poder de combustão, é que 12 anos de escravidão, a despeito de sua seriedade e de tratar de um tema sobre o qual pairam cobranças por reconhecimento da Academia (escravidão), está mais distante do Oscar de melhor filme. Matthew McConaughey pode sim ser batido pelo eterno injustiçado Leonardo DiCaprio, ou mesmo por qualquer um de seus oponentes. E, finalmente, que caminhamos para a primeira divisão entre diretor e filme desde que a academia ampliou para até dez filmes os selecionados em melhor filme. No ano anterior, vale lembrar, essa divisão ocorreu, em um gesto de tremenda incoerência, por que Ben Affleck não estava indicado ao Oscar por Argo. Ou seja, não foi uma divisão legítima, já que Argo não competia em melhor direção. Russell tem suas chances em direção, mas Cuarón está na dianteira inegavelmente e McQueen pode ser a potencial surpresa, nem tanto pelo seu trabalho, mas pela tentação de fazer história ao premiar o primeiro diretor negro com o Oscar.
Um Bafta estranho anuncia um Oscar mais imprevisível do que de hábito e, justamente por isso, mais emocionante.