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sábado, 27 de julho de 2013

Spotlight on - Música e cinema estreitam a relação em 2013


Que música e cinema sempre foram unha e carne já se sabe, mas esse ano de 2013, na comezinha, está sendo especialmente generoso para a eficácia e harmonia dessa relação tão benéfica a ambas instituições da arte.
Tudo começou com o Oscar de melhor documentário para a Searching for sugar man (EUA/ING 2012) que investiga as raízes de um cantor de folk dado como morto e cujas canções embalaram a luta contra o apartheid na África do sul. O doc é um triunfo em matéria de cinema e renovação da experiência da descoberta musical. Ainda na cena folk, os irmãos Coen rodaram Inside Llewyn Davis, filme que debutou em Cannes e deve chegar aos cinemas no fim do ano, sobre um cantor que não deu certo. A música folk é o norte do filme.
O cinema brasileiro envernizou esse 2013 musical com contribuições luxuosas. Renato Russo, um dos grandes expoentes do rock nacional, protagonizou capítulo central. Um filme sobre seus anos iniciais como cantor (Somos tão jovens) e outro baseado em uma de suas composições mais famosas (Faroeste caboclo) configuraram essa transfusão de criatividade e vitalidade da música para o cinema. Pensar cinema como música e vice-versa é algo de natureza complexa e poética e coube ao diretor Karim Aïnouz vocalizar cinematograficamente essa complexidade poética em O abismo prateado, filme inspirado na música “Olhos nos olhos”, de Chico Buarque.
Mick Jagger, Beatles, Bob Dylan, David Bowie, Beyoncé, Cher e muitos outros se arriscaram no cinema almejando uma extensão de seu repertório artístico ao longo desses anos. Scarlett Johansson, L.L Cool J, Will Smith e outras figuras de igual calibre também se bifurcam entre cinema e música com o intuito de aproveitar esse extraordinário apelo que é agregar esses dois universos.
Muitos filmes e gente de cinema também inspiraram canções ao longo dos anos. O que 2013 sugere a quem se predispuser a olhar atentamente, é que a relação entre cinema e música pode ser mais prolífica, nobre, profunda , entusiasmante e frutífera artística e comercialmente do que crê nossa vã filosofia.