segunda-feira, 14 de junho de 2010

Crítica - Plano B


Um bom plano b
Jennifer Lopez está de volta aos cinemas em comédia romântica que honra o gênero



Apesar de afastada das telas de cinema a quase 4 anos, o retorno de Jennifer Lopez não rendeu o que se imaginava. O público americano torceu o nariz para Plano B (The back up plan, EUA 2010), nova comédia romântica estrelada pela diva do cinema e da música. Após quase dois meses em cartaz, o filme alcançou os U$ 35 milhões que custou para ser feito. Ou seja, é prejuízo homérico para o novo estúdio CBS films que com seu segundo longa metragem para cinema, o primeiro foi Decisões extremas estrelado por Harrison Ford, ganha sua segunda bomba financeira.
Contudo, o filme que estreou neste final de semana do dia dos namorados no mercado brasileiro não é ruim. Plano B, é bem verdade, abusa da boa vontade do espectador. Não bastasse as idiossincrasias características do gênero comédia romântica, a audiência tem que acatar a ideia de que Jennifer Lopez não só não consegue ser feliz em nenhum relacionamento, como não consegue um doador de esperma conhecido para gerar um filho artificialmente. A aventura de Zoe, papel de Jennifer, começa justamente na clínica de inseminação artificial. É na saída da clínica que nossa heroína (que mesmo sendo proprietária de uma pet shop, veste-se como uma diva da moda) encontra o amor de sua vida. O bonitão Alex O´Loughlin imita trejeitos de Gerard Butler (uma figura já veterana em comédias do tipo), mas tem brilho próprio e alcança boa química com Jennifer. Aliás, a atriz aparece bem confortável em cena. Algumas delas do tipo que não estávamos acostumados a ver J. LO em ação, como arrotando ou se lambuzando de ensopado. Essa comédia física mais afeita a filmes de Jim Carrey acaba se revelando um valoroso trunfo cômico que ajuda a fita a sair do lugar comum. O diretor Alan Poul segue a cartilha das comédias românticas direitinho e todos os momentos chave estão lá. As briguinhas, o momento “descobri que fui feito (a) para você ”, a particularidade do casal que sempre gerará consternação (no caso aqui é quem roubou o táxi de quem na chuvosa tarde em que se conheceram) e o felizes para sempre mais esperto possível. Plano B não inventa a pólvora, mas é um filme feito sob medida para quem gosta do gênero. E de Jennifer Lopez.

domingo, 13 de junho de 2010

Insight

Cinema comercial X cinema artístico e a questão da percepção

Na semana passada, a seção Insight focou o cinema de arte, suas adjacências e resiliências. Aprofundando a questão aventada no último domingo, é oportuno discutir a questão da percepção. Afinal, é ela a responsável direta na hora de eleger um filme como artístico ou comercial. Não é preciso ir muito longe para enxergar discrepâncias dentro da própria crítica cinematográfica. Há quem goste de Godard, apenas pelo seu significado cultural (mas na verdade não suporta seus filmes), há quem veja em Godard um rompimento estético saudável, mas pouco substancioso em termos estruturais e há quem pense que Godard é uma fraude. Todos classificam o octagenário cineasta francês como integrante da ala artística do cinema. Essa dicotomia ajuda a mapear o quão subjetiva, embora itinerante, é a crítica cinematográfica. Daí a dificuldade de rotular cineastas como o americano Steven Sodebergh (que alterna trabalhos autorais com projetos mais comerciais). Steven Spielberg é tido como o Midas do cinema blockbuster americano, mas seria injusto dizer que o homem que criou Parque dos dinossauros, E.T, Contatos imediatos do terceiro grau, A lista de Schindler, Munique e Minority report – a nova lei, não seja ele, um legítimo integrante do cinema artístico. Akira Kurosawa, maior cineasta nipônico de todos os tempos (cultuado como um dos pilares do cinema de arte por muitos formadores de opinião) inspirou seu cinema nos westerns americanos de Howard Hawks e John Ford. Almodóvar, sinônimo de cinema de arte nos quatro cantos da terra é sucesso de bilheteria na Espanha, seu país natal.

Godard: Diferentemente de seu parceiro, e posteriormente desafeto, François Trauffaut ele privilegiou um contante rompimento estético. A maioria da crítica admirou mais Trauffaut, mas não ignora Godard

O espanhol Pedro Almodóvar é mais amado pelo público do que pela crítica em seu país. No estrangeiro ocorre o inverso


No Brasil, Fernando Meirelles é um bom exemplo dessa bifurcação. Cidade de Deus, grande sucesso do cinema nacional e um dos catalisadores do bom momento que o nosso cinema vive, é, em última análise, um filme de arte. Tanto que arrebatou Cannes e toda a classe artística internacional que vira e mexe arranja uma brecha para exaltar o filme de Meirelles. Cidade de Deus é comercial? Também. Linguagem, ambientação e estrutura narrativa facilitam essa percepção. Ao confluir arte e indústria, Meirelles obteve sucesso em uma seara difícil. É lógico que um filme comercial não nega a arte, mas tão pouco a reafirma. Meirelles pensou primeiro no que tinha que dizer e depois na forma de fazê-lo. Essa é ainda a melhor maneira de se “pensar” cinema. E ao se contemplar um filme, é possível intuir qual foi a atitude do cineasta.


Fernando Meirelles exige controle criativo sobre seus filmes. Ele se incumbe de pensá-los primeiro


É lógico que há filmes que obedecem apenas a lógica mercantilista dos estúdios e mega produtores. Era assim na era de ouro de Hollywood e ainda é assim na era da internet. Existe uma horinzontalização da produção cinematográfica. Adaptações de HQs, remakes, reboots, continuações. Hollywood gosta de operar dentro de uma margem de segurança. Mas até mesmo nesse nicho tão bem resolvido existe espaço para divagações artísticas. O que dizer de filmes como Batman – o cavaleiro das trevas, Os bons companheiros de Scorsese, ou até mesmo O poderoso chefão de Coppola (uma superprodução dos anos 70)?
São filmes - a primazia - comerciais, mas com fortes componentes ligados ao cinema de arte.
Como pode se ver, a percepção no que toca a definição de artístico e comercial é traiçoeira. Roman Polanski é outro exemplo interessante. Campeão de bilheteria na França nos anos 60 e 70 e não tão valorizado por lá até bem pouco tempo atrás, Polanski sempre foi tido como expoente do cinema de arte em outros lugares do mundo (como no Brasil). A tal da percepção passou a ficar mais homogênea (ou influenciável) com o advento da internet e da indefectível globalização. A teoria do autor (teoria de cinema popularizada com o surgimento da Nouvelle Vague nos anos 60) ainda é parâmetro para se medir o cinema de arte. Mas já há concessões. A tolerância ao cinema de arte é hoje muito maior do que no passado. Prova disso foi a vitória do filme Uncle Boonmee Who can recall his past lives no festival de Cannes deste ano. O diretor Apichatpong Weerasethakul admitiu que gosta de filmar sem roteiro. Que se pudesse escrever o que gostaria de filmar, não faria um filme, faria outra coisa. Isso diz muito sobre a percepção de arte no cinema hoje. Os engajados nesse tipo de cinema que não necessariamente é arte, embora seja tomado como tal, se orientam pela lógica brilhantemente capturada pelo pensador Millôr Fernades: “Se se ganha dinheiro, o cinema é uma indústria. Se se perde, é uma arte!” No fim das contas, essa deturpação sociológica é dominante.


Cena de O escritor fantasma, último filme de Roman Polanski: Um diretor de forte identidade autoral que até bem pouco tempo atrás não era valorizado em seu país

Ponto crítico - O 3D

Ponto Crítico destaca esse mês uma discussão que vem povoando a mente cinéfila nos últimos meses. Desde o final de 2008, o 3D dava sinais de que era uma aposta dos estúdios de Hollywood para combater a pirataria. O que era tomado como um mecanismo de defesa antigo (o primeiro grande frisson acerca do 3D data dos anos 60), ganhou status de nova ferramenta narrativa após James Cameron impressionar meio mundo (mas nem tanto quanto ele gostaria) com Avatar. A ficção cientifica que levou 8 anos para ser produzida e arrecadou U$ 2,7 bilhões de dólares nas bilheterias do mundo todo, atiçou a ganância de executivos dos principais estúdios de cinema. Avatar e suas cópias em 3D são responsáveis por 50% do faturamento de cinema nos últimos 6 meses. Um dado que com toda a justiça causa euforia nos entusiastas da tecnologia. Há quem acredite que o 3D será um bote salva vidas para um negócio ao relento como o cinema, cujos prejuízos causados pela pirataria aumentam ano após ano. Há quem diga também que esse não é o caso. Que o 3D é uma ferramenta narrativa valiosa que ainda precisa ser plenamente compreendida por diretores e roteiristas. “Nem todos são James Cameron”, constatou o óbvio o amigo e também entusiasta do 3D Robert Zemeckis em entrevista recente.

James Cameron, o midas do 3D: ele transformou o apelo da tecnologia para os próximos anos


Cartaz promocional de Toy Story 3, que estréia esta semana nos EUA: Por que não em 3D?

Cristiane Costa, editora do blog Madame Lumière, acrescenta um dado a essa engenhosa equação. “Para quem ama cinema como um espectador, é compensador perceber que há um interesse da indústria em tornar a experiência cinematográfica mais vívida, mais evocativamente sensorial como um híbrido momento de realidade e fantasia, independente de propósitos comerciais. Por outro lado, como crítica de cinema, penso que o 3D tem sido usado de forma exagerada sem prezar pela qualidade da tecnologia para um dado filme, e principalmente, sem avaliar criteriosamente se um longa-metragem deve ou não ser rodado em 3D”. Cristiane se refere a corrida ensandecida que alguns estúdios tem se lançado para converterem filmes rodados no tradicional 2D para a terceira dimensão. A Warner é o caso mais excepcional. O estúdio adiou o lançamento de Fúria de Titãs em quase um mês para que as cópias fossem convertidas para o 3D. Os dois últimos capítulos da saga de Harry Potter também estão sendo convertidos para o formato tridimensional. A Disney foi outra que enveredou pelo mesmo caminho. Os ingressos do 3D ajudaram a tornar Alice no país das maravilhas o quinto filme a superar a barreira do bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. Alex Gonçalves, do blog Cine Resenhas, gostou do que viu em Alice no país das maravilhas. Para ele, o filme de Tim Burton “encontra vida dentro do 3D”. Mas Alex Gonçalves faz uma valiosa ressalva: “ há diretores como James Cameron que estudam possibilidades de revolucionar o cinema 3D como testemunhado em Avatar. O problema se encontra na abertura dada para que estúdios se deem ao trabalho de somente converter aquilo que foi filmado com uma estratégia de lançamento diferente. É preciso saber fazer com que as ações vistas na tela grande consigam encontrar interatividade com aqueles que as contemplam em suas poltronas.”


Os ingressos em 3D ajudaram a Disney a arrecadar mais de U$ 1 bulhão nas bilheterias com o filme de Tim Burton


A editora do Madame Lumière, por sua vez, não aprovou o que viu em Fúria de Titãs. “Havia erros bizarros de perspectivas de imagens que se tornaram confusas na tela, ou seja, foi como assistir um filme retalhado às pressas para ser exibido em 3 D”. Cristiane continua: “A sensação é que fui enganada por um produto que não se dispõe a entregar o que deveria”.
Outra preocupação latente originada pela popularização do 3D (a cidade de São Paulo que há três anos tinha 10 salas habilitadas para exibir filmes no formato, hoje já conta com 35) é a homogeneização da produção cinematográfica americana. Setores da crítica argumentam que o 3D pode prejudicar severamente a produção independente americana, já que seria mais difícil os estúdios distribuírem ou comprarem esses filmes com a procura pelo 3D em ebulição. A editora do Madame Lumière não acredita nessa possibilidade. “Não acho que o 3 D possa prejudicar produções independentes porque o cinema é um calidoscópio de imagens que podem ser enfocadas e dirigidas de formas distintas exatamente para não alienar o expectador da sétima Arte. Há lugar para todos e o papel do cinema não é somente entreter mas também formar opinião crítica”. Para Cristiane Costa depende dos profissionais de cinema (diretores e equipes de produção) a articulação de soluções criativas para que a produção americana não fique engessada pelo deslumbre com o 3D.


Chris Nolan orienta Aaron Eckhart nos sets de Batman - o cavaleiro das trevas: o diretor bateu o pé com a Warner e garantiu que o terceiro filme do homem morcego sob seu comando não será em 3D


E quanto a salvação do cinema? O 3D é o caminho? Os blogueiros consultados por Claquete diferem em suas opiniões. “Honestamente penso que o Cinema não precisa ser salvo, muito menos pelo 3 D. O Cinema está além de artefatos meramente técnicos e é evidente perceber que os grandes blockbusters das últimas temporadas renderam o retorno financeiro sem apelar somente para o 3 D. O 3 D é um produto e como todo produto lançado com fins também comerciais, ele é baseado em uma tendência de consumo”, declara com convicção Cristiane Costa. Já Alex Gonçalves pondera que as inovações tecnológicas são responsáveis pela prosperidade do cinema. “O cinema sempre confere inovações tecnológicas, que vão desde aparelhos para reprodução de mídias até o próprio cinema 3D. Porém, todos esses avanços possuem data de validade, como o VHS que foi superado pelo DVD e que agora encontrou no Blu-ray seu provável substituto. O que quero dizer é que enquanto os estúdios não forem capazes de se sobressaírem dentro deste recurso, e não encará-lo somente como forma de potencializar a venda de seu produto, o público logo se cansará de investir mais no valor do ingresso”. Para o editor do Cine Resenhas, dentro deste cenário, o 3D é uma salvação para o cinema, mesmo que por um período determinado.
Cristiane Costa encerra a discussão sobre o 3D com uma frase que talvez sintetize o pensamento de todo apaixonado por cinema: “O que faz um bom Cinema é muito mais criar um éden de emoções humanas através de histórias genuinamente coerentes, profundas e verdadeiras do que um éden de recursos tecnológicos”.

sábado, 12 de junho de 2010

De olho no futuro...

Perto de pedir a conta
Pois é, a coisa demorou a engatar. Primeiro foi a demora para achar a cara e, por ventura, o protagonista de Capitão América: o primeiro vingador. Depois a mocinha. Natalie Portman e Emily Blunt declinaram de convites formais. Mas quem vê o elenco da produção que deve começar a ser rodada em julho não desconfia desses contratempos. A mais recente adição ao estrelado elenco do novo filme da Marvel Studios é Stanley Tucci (indicado ao Oscar este ano por Um olhar do paraíso). Ele vai se reunir a Chris Evans, Hayley Atwell, Samuel L. Jackson, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving e Dominic Cooper.


A vida imita a arte que imita a vida que imita a arte...
Todo mundo ficou sabendo que no fim de semana passado o galã do seriado teen Gossip girl, Chace Crawford, foi preso por porte de maconha nos EUA. Coincidências a parte, também no final da semana passada foi liberado o primeiro trailer de Twelve, novo filme do diretor Joel Shumacher. Em Twelve, Crawford faz um jovem de classe AAA que é o contato de um traficante (50 Cent) no mundo dos ricos, belos e poderosos. Ele começa a distribuir entre sua galerinha uma nova droga (a twelve do título) e logicamente nada mais será como antes. Obviamente há semelhanças com Gossip girl e o filme não promete nada de original, mas parece ser interessante. Claquete traz para você o trailer estendido da fita.




Definida a nova estrela feminina de Almodóvar!
Enganou-se quem pensava que o cineasta espanhol Pedro Almodóvar engataria sua terceira colaboração seguida, a quinta na carreira, com a diva Penélope Cruz em seu novo filme A pele que eu habito. O diretor espanhol divulgou comunicado à imprensa esta semana confirmando a também espanhola Elena Anaya como principal protagonista feminina do filme que começa a ser gravado no segundo semestre. A escolha de Anaya não é tão inusitada quanto possa parecer. A atriz esteve em Fale com ela (2002) e foi a protagonista de Ata-me (1990), justamente o último trabalho juntos de Almodóvar e Antonio Banderas, o protagonista de A pele que eu habito.


Ayala em foto de editorial de moda: Almodóvar tem uma nova musa!

Como é que ninguém teve essa ideia antes?
Se há uma figura hipnótica e que exerça fascínio em Hollywood hoje, essa figura é Angelina Jolie. Em outras épocas, essa fascinação coube a atrizes como Elizabeth Taylor e Vivien Leigh. Ambas interpretaram nas telas de cinema a rainha Cleópatra, símbolo de poder e adoração que chega a ser quase uma metáfora as avessas ao status dessas atrizes. Pois bem, o produtor Scott Rudin, acostumado a bancar produções com pedigree, comprou os direitos da biografia que já ganhou as telas de cinema algumas vezes e confessou ao USA Today que tem Angelina Jolie em mente para viver a rainha. Pois é, faz dinheiro quem sabe!

Liz Taylor como Cleópatra e Angelina Jolie, na fila para pegar a coroa suprema de uma diva hollywoodiana


Manchando o legado de Bourne
Quem acompanha Claquete há algum tempo já leu aqui mesmo na coluna De olho no futuro... inúmeras noticias sobre o quarto filme do espião Jason Bourne. Intrigas, boatos, mandos, desmandos, suposições e algumas confirmações. Pois bem, essa semana saiu mais uma confirmação recheada de suposições. A Universal assinou contrato com o roteirista Tony Gilroy (diretor de Condusta de Risco e roteirista da trilogia Bourne) para escrever o roteiro do quarto filme, provisoriamente chamado de Bourne Legacy (O legado Bourne). O estúdio não confirmou Matt Damon no papel e adiantou que tem interesse em realizar spin offs com alguns personagens da trilogia. Será que esse é o caminho? De olho no futuro... arrisca o palpite que o próprio Gilroy irá assumir a direção dessa chapa quente. Lembremos que Gilroy mostrou habilidade na condução de uma trama de espionagem no recente Duplicidade. Ademais, ninguém não iniciado em Bourne vai querer pegar um pepino desses.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

TOP 10 Especial - dia dos namorados

É dia dos namorados e em homenagem a essa data tão comemorada por uns e ignorada por outros, Claquete lista 10 casais tragicamente românticos do cinema. A lista, embora numerada, não objetiva listar os melhores (até porque chega a ser algo imponderável tratando-se de romance), mas traz os 10 mais expressivos e que reúnem um componente de tragédia. A morte, obviamente, é um elemento constante na vida desses casais e que ajudou a perpetuá-los, mas a tragédia de seus amores não se resume apenas a única certeza que temos na vida. Sem mais delongas, vamos a lista!




10 – Sam Wheat e Molly Jensen (Patrick Swayze e Demi Moore) em Ghost – do outro lado da vida, 1990

Quem não se emocionou com a cena de intimidade enquanto se modela um vaso de argila? Ou então com a peculiar forma de Sam de demonstrar a reciprocidade de seu amor por Molly com o insuficiente e logo valorizado “idem”? A estória de amor que superou a morte comoveu platéias do mundo inteiro que torceu para que Sam conseguisse proteger Molly das investidas de um mal intencionado colega. A fantasia do amor maior que a vida ganhava seu melhor escaldo no cinema.

9 – Justin Quayle e Tess Quayle (Ralph Fiennes e Rachel Weiz) em O jardineiro fiel, 2005
Esse talvez seja o casal mais inusitado da lista, mas Justin Quayle e Tess ostentam uma linda e trágica história de amor. A ativista política Tess casou-se com o diplomata Justin apenas por conveniência. A união atendia interesses de ambos e nunca ultrapassou as fronteiras da figuração. Contudo, após o assassinato de Tess, Justin se coloca a frente das investigações e a medida que vai descobrindo novos fatos sobre sua mulher, vai se apaixonando por ela. Uma estória tocante e envolvente que não é o eixo central do filme, mas certamente agrega valor à fita de Fernando Meirelles.


8 – Tristan Ludlow e Susanah Fincannon (Brad Pitt e Julie Ormond) em Lendas da paixão, 1994
A pior coisa que pode acontecer a uma família já não muito estável é que dois irmãos se apaixonem pela mesma mulher. É justamente isso que ocorre na família Ludlow que ainda se vê as voltas com a guerra. Tristan se apaixona pela namorada do irmão que também se apaixona por ele. Rivalidade, traições, punição, dor, perda e tristeza dão o tom de uma linda e trágica estória de amor.

7 – Jack Dawson e Rose De Witt (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet) em Titanic,1997
A história de amor de uma geração. Essa foi a frase mais ouvida no final da década de 90 quando em pauta estava o filme Titanic. A história real do naufrágio do transatlântico foi eclipsada pela ficcional estória de amor entre o pobretão Jack e abastada Rose. O amor idílico só poderia ser vivido ali, distante da realidade, e o trágico destino de Jack fez dessa verdade algo inescapável.

6- Christian e Satine (Ewan McGregor e Nicole Kidman) em Moulin rouge – amor em vermelho, 2001
O amor pode ser intuitivo e persuasivo. A cortesã Satine e o escritor falido Christian protagonizam um amor que emperra as ambições de ambos e de todos ao redor. No entanto, a vontade de viver essa paixão (nem que por um breve período de tempo) move –os ao encontro de um destino que cada vez mais parece menos feliz.

5- Warren Justice e Sally Atwater (Robert Redford e Michelle Pfeiffer) em Íntimo e pessoal, 1996
É comum se apaixonar por um colega de trabalho. Nem tão comum se apaixonar por seu chefe. Menos comum ainda é o amor ser recíproco e temperado por compreensão, apoio e estímulo quando se tem a mesma carreira. É o que ocorre com Sally que se apaixona por seu chefe Warren que a faz evoluir na carreira. A estória de amor é abruptamente interrompida, deixando apenas a imensidão do vazio, quando Warren é morto enquanto fazia uma cobertura especial no Panamá.

4- Tommas J. Sennett e Vada Margaret (Macaulay Culkin e Anna Chlumsky) em Meu primeiro amor, 1991
Se a primeira vez é inesquecível, para Vada Margaret seu primeiro amor é ainda mais pulsante e presente em sua vida. A linda, contagiante, pura e inocente estória de amor vivida por duas crianças descobrindo o valor e o sentido de algumas palavras é tão transcendental e tão vivaz que ao mesmo tempo que prescinde do título de “estória de amor”, o faz valer com uma força arrebatadora.

3- Ennis del Mar e Jack Twist (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal) em O segredo de brokeback Mountain, 2005
Dos melodramas mais poderosos a surgir no cinema, O segredo de Brokeback Mountain conta a história de um amor proibido. Renegado. Ennis luta contra seus impulsos enquanto Jack anseia por eles. A poesia de seus encontros a cada temporada na montanha Brokeback em que podem fantasiar e sentirem-se completos se desgasta com o tempo. Enquanto o inevitável se espraia, o amor que sentem um pelo outro e o fogo abrasador dessa paixão nunca se reproduz fora daquele lugar. Um amor trágico e condenado que caracteriza uma das estórias de amor mais lindas que o cinema já concebeu.

2- Rick Blaine e Ilsa lund (Humphrey Bogart e Ingrid Bergman) em Casablanca, 1942
Entre as muitas desgraças que uma guerra pode acometer, está a separação de casais apaixonados. Seja pelo campo de batalha ou por imposições geo-políticas. É um pouco disso que ocorre com o americano Rick Blaine e a européia Ilsa que se rencontram em Casablanca, ainda divididos pela guerra. Uma estória de amor impossível atemporal, que cativa mais pelos efeitos nostálgicos do que por sua força propriamente dita. Contudo, tem a primazia de ser uma das primeiras e, certamente, a mais longeva.

1- Robert Kincaid e Francesca Johnson (Clint Eastwood e Meryl Streep) em As pontes de Madison, 1995
Não tem jeito. Por todas as circunstâncias, pelos pormenores e pela renúncia que lhe dá viço, a estória de amor (que se deu no período de uma semana) entre o fotógrafo Robert Kincaid e a dona de casa casada Francesca Johnson é a mais expressiva, dolorida e pungente de todas as estórias de amor que ganharam o cinema. Qual o amor deve prevalecer? O filme elabora e tangencia os limites do amor romântico e, ao fazê-lo, ajuda a preservar as chamas de um sentimento que pode, sim, acabar. E é essa a tragédia de todo e qualquer apaixonado.

Cantinho do DVD

O destaque desta semana é uma fita francesa que aborda um tema ainda polêmico em muitos países, mas que vem sendo tratado com naturalidade em muitos outros (em especial na Europa). Baby Love, uma comédia muito agradável, gira em torno de um homem, homossexual, que tenta realizar o desejo de ser pai. A fita não se investe de nenhum tipo de militância nem almeja doutrinar socialmente ninguém. É apenas um filme edificante, bem articulado e desprovido de qualquer preconceito. Vale a conferida.


Equacionando anseios de gênero!
Os europeus têm fama de serem mais flexíveis e tolerantes a determinadas questões sociais. Se a imigração ilegal ainda é um tópico delicado no velho continente, outras questões como a união homossexual já estão avançadas em muitos países da Europa. Baby love (Comme les autres, FRA 2008) é uma comédia com toques dramáticos que aborda com extrema sensibilidade, e ao mesmo tempo com desapego e simplicidade, um tema espinhoso em cinematografias de outros países. Na trama do filme, o pediatra Manu (Lambert Wilson) vive com o advogado Phillipe (Pascal Elbé) na que sua irmã classifica como a união mais estável que ela conhece. No entanto, Manu anseia ter filhos, no que é lembrado por seu parceiro da impossibilidade de tê-los já que é homossexual. Manu, no entanto, está convencido de que ser pai é sua grande ambição de vida. Phillipe, por seu turno, não alimenta essa aspiração. Eles separam-se e Manu se lança a todas as alternativas que dispõe para tentar ter uma criança. Até que a imigrante argentina Fina (Pilar López) surge em sua vida. De uma amizade acidental surge a possibilidade que ela seja barriga de aluguel para a criança e o desejo de Manu. No entanto, Fina acaba se apaixonando por ele.
Posto dessa maneira, Baby love pode soar como um drama romanesco, mas o diretor Vincent Garenq evita tanto o sensacionalismo quanto o tom militante. Ele resolve o seu filme com a benção dos clichês da mais estapafúrdia comédia romântica americana, o que para um espectador incauto pode soar vanguardista. Essa é justamente a grande sacada de Baby Love. Todos têm direito a felicidade. Principalmente dentro de uma estrutura narrativa convencional. A fita francesa é um prazer. Singela, pontual, bem urdida e com final feliz. Ou seja, todo mundo fica satisfeito no final. Os personagens e o público.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Crítica - O golpista do ano

O melancólico Steve Russel

O cinema independente americano tem o brilho de reciclar com certa inventividade fórmulas desgastadas e contar uma mesma história de maneira arejada e contagiante. Foi assim com pequenos filmes como Pequena miss sunshine e Preciosa – uma história de esperança. Filmes que não apresentavam nenhuma originalidade em seus cernes, mas que vinham dotados de coração em tramas bem desenhadas. É isso que ocorre com O golpista do ano (I love you Phillip Morris, EUA 2009). O filme, dirigido e roteirizado pela dupla John Requa e Glenn Ficarra, conta a história de um cidadão acima de qualquer suspeita que após passar pelo que ele chama de epifania (um acidente automobilístico quase fatal) resolve viver a vida nos “seus termos”. Para Steve Russel (Jim Carrey), isso inclui assumir sua homossexualidade e cometer algumas vigarices para manter um alto padrão de vida.
O golpista do ano é sobre esse individuo que tenta preencher a vida de sentido. O inicio da fita e o final, embora um tanto professorais, ratificam essa constatação. É em uma de suas passagens pela prisão que Steve conhece Phillip Morris (Ewan McGregor) e se apaixona por ele. A paixão mútua é muito bem delineada na tela. Tão bem quanto a expertise de Steve para burlar e dissimular.
O filme se vale de uma comédia com retoques dramáticos para contar a história (real) de um homem que tentou prevalecer de todas as formas possíveis e imagináveis a seus impulsos naturais. Essa dicotomia entre dissimulação e impulsos é, na verdade, sobre o que trata O golpista do ano. E é justamente o resultado que advém dela que confere uma certa melancolia ao filme.
Rodrigo Santoro faz o primeiro "namorado sério" de Steve em sua nova fase: o filme tem momentos de humor, mas não é exatamente uma comédia


Jim Carrey entrega sua melhor atuação em anos. O ator acerta o ponto na caracterização de um homem que sucumbe às próprias engenharias. Carrey ainda tem o mérito de evitar repetir a si mesmo. Ewan McGregor é outro em aparição inspirada. O ator faz uma composição delicada revelando toda a fragilidade de seu personagem e se desvia da caricatura e afetação a qual muitos outros atores poderiam ceder. Mas o grande trunfo dessa inusitada história, que tem o seu charme justamente devido a esse histrionismo romântico, é o desenvolvimento dos personagens. Os dois pilares da trama (Phillip e Steve) tentam cada qual a sua maneira contornar aquilo que parece ser a sina de suas vidas. Essa sina, que não tem nenhuma relação com a homossexualidade (embora em um ou outro momento a realização teça um comentário a respeito), corresponde justamente a facilidade com que ambos cedem a seus impulsos. O que, como fica claro no desfecho do filme, nem sempre resulta em um felizes para sempre.

Cenas de cinema

Entrega do nono Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
Aconteceu na terça-feira, dia 8 de junho, a nona edição do Grande prêmio do cinema brasileiro, que o marketing dos organizadores tenta colar como o Oscar nacional, embora premiações como as de Gramado e do festival do Rio sejam mais ressonantes. Contudo, é inegável o apelo mais comercial da premiação. É proibido fumar, comédia de Anna Muylaert protagonizada por Glória Pires e Paulo Miklos sagrou-se o grande vencedor da noite. A fita levou cinco prêmios (filme, direção, roteiro original, trilha sonora e montagem para ficção). Tony Ramos por seu papel em Se eu fosse você 2 derrotou o favorito Tony Ramos por Tempos de Paz. A fita de Daniel Filho foi O curioso caso de Benjamin Button do Oscar nacional. Com 11 indicações, faturou apenas dois prêmios. A atriz Glória Pires foi a outra grande derrotada da noite. Com duas indicações, por É proibido fumar e Lula – o filho do Brasil, a atriz viu Lilia Cabral por Divã faturar o prêmio.

Nas entrelinhas
A premiação de maneira geral foi justa e democrática. Mas a impressão que fica é de que o cinema brasileiro ainda patina na necessidade de se viabilizar. Os vencedores desta nona edição demonstram que o Brasil sabe fazer cinema comercial e eles venceram, na verdade, para mostra isso (apesar de sucesso de público, o que viabiliza, afinal, são os prêmios). O ótimo filme de Anna Muylaert é como entrega a adjetivação, ótimo filme, mas não é o tipo de filme que a gente imagina ganhando o Grande prêmio do cinema brasileiro. É por isso que não é o Oscar.


Cena de É proibido fumar: o grande vencedor do ano é um bom filme, mas passa longe de ser um grande filme


Mike Nichols receberá o 68º American Film Institute Achievment awards
Será entregue hoje na cidade de Los Angeles uma das maiores honrarias que um artista do cinema pode receber. O AFI Achievment award é, na hierarquia dos tributos a carreiras, o prêmio mais distinto que alguém pode receber. Em segundo viria um Oscar especial. O AFI Achievment awards se destaca por que todo o evento é organizado para celebrar o homenageado, as pessoas estão lá simplesmente para prestigiar o laureado. No Oscar, a homenagem faz parte da festa. E em 2010, nem mesmo fez. Este ano, o prêmio que já foi entregue a figuras como Al Pacino, Robert De Niro, Woody Allen, Meryl Streep, Steven Spielberg e Martin Scorsese será entregue ao grande Mike Nichols, diretor de, entre outras obras primas, Closer –perto demais.


Robert Pattinson não quer ser Robert Pattinson
Calma lá! Não é mais uma das famigeradas e infelizes declarações do galã da saga Crepúsculo (alguém ainda se lembra quando ele confessou que tinha alergia a vaginas, para depois dizer que estava brincando e que a gente não entendeu?). Em entrevista a revista americana Gloss de junho, o Edward de Crepúsculo falou sobre fama, mulheres e modelos. Johnny Depp é, para Pattinson, o melhor modelo de sucesso profissional disponível em Hollywood. “À medida que um ator constrói uma carreira recheada de filmes de qualidade, o nome dele vai ocupando outro lugar que não o das 'celebridades insignificantes'. É uma batalha fazer o trabalho significar mais do que a fama. Johnny Depp conseguiu. Ele não é julgado por sua imagem pública e sim por seu trabalho. Mas até chegar a esse estágio é preciso ter disciplina... E saber se esconder!", filosofou o ator.

Pattinson em cena de seu último filme, Lembranças: o ator quer distância da imagem de Robert Pattinson


Um produtor muito louco!
Um dos personagens mais descolados do super descolado e hypado Trovão tropical era o produtor de cinema piradão, que cantarolva letras de rap com a mesma velocidade que vociferava palavrões, interpretado por Tom Cruise. Pois bem, depois da elogiada e engraçadíssima participação de Cruise, caracterizado como o indefectível Les Grossman, no MTV Movie Awards do último domingo, a MTV e a Paramount anunciaram que irão produzir um filme centrado no personagem. A produção caberá a Ben Stiller (diretor e roteirista de Trovão tropical, logo o criador de Grossman). Em nota divulgada a imprensa, Stiller disse que “ a vida de Les Grossman é um conto que mostra a luta do ser humano para conseguir se dar bem apesar das dificuldades.” Segundo Stiller, Cruise o garantiu que vai detonar no filme e fazer Cidadão Kane “ parecer uma porcaria feita para a TV.”

Grossman: You shut your fucking mouth and pay attention in my mother fucker movie

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Especial Toy Story 3 - Por que voltar a esses personagens?


Dizer que Toy Story (1995) ajudou a estabelecer a Pixar como estúdio de cinema é uma constante na cobertura internacional de cinema. Mas é uma afirmação imprecisa. Toy Story foi o primeiro filme da Pixar. A empresa/estúdio, surgiu como uma divisão de efeitos especiais da Lucasfilms, cujo braço forte é a Industrial Light & Magic. Em 1986, a empresa foi comprada por U$ 26 milhões pelo visionário do mundo digital Steve Jobs, que repassou o controle criativo da empresa, que até então desenvolvia hardwares e softwares, para John Lasseter. Foi Lasseter quem aprimorou o departamento de animação da empresa. Em 1991, foi firmado um contrato para fazer três filmes a serem distribuídos pela Disney. O primeiro deles foi justamente Toy Story, dirigido pelo próprio Lasseter. O filme de 1995, que trazia no seu elenco de vozes Tom Hanks e Tim Allen, era uma fábula infantil de irresistível apelo.


Steve Jobs em foto "I´m the fucking man!": ele viu ouro antes de reluzir...


No filme, cujos personagens principais são brinquedos, são abordados com extrema leveza e simplicidade questões como amadurecimento, ciúmes, inveja e amizade. Woody (Hanks) é um boneco cowboy que se ressente quando seu dono ganha um novo e mais adornado brinquedo, o astronauta Buzz Lightyear (Allen). Além da magia de ver os nossos brinquedos preferidos ganharem vida, Toy Story é uma poderosa alegoria sobre as circunstâncias da vida em sociedade.
O filme causou tão boa impressão que além de três indicações ao Oscar (roteiro original, canção e trilha sonora), rendeu a John Lasseter um Oscar especial pelo desenvolvimento de artes animadas em computador para evolução do cinema.


John Lasseter em seu QG criativo (que fica em sua casa): Um oscar especial pelas conquistas realizadas em Toy Story. Outros, tão especiais quanto, viriam nos anos seguintes


Esse Oscar lá de 1995 ajuda a entender o por que de se voltar a Toy Story. O filme que concedeu uma identidade a Pixar, hoje já parte da Disney (em janeiro de 2006 a Disney comprou a Pixar de Jobs pelo valor de U$ 7,6 bilhões), é o símbolo mais portentoso da evolução constante do estúdio. Tanto na parte técnica (o aprimoramento dos softwares disponíveis, a redução do período de desenvolvimento de um projeto e a maior qualidade dos efeitos animados) quanto na elaboração dos roteiros. E depois de uma bem sucedida continuação (considerada por muitos, superior ao original), Toy Story 3 – que será precisamente o 11º filme da Pixar, vem para que fiquem cristalinas as conquistas do estúdio no cinema.
Woody, Buzz e companhia (além de novos e ansiados personagens) voltam mais de uma década depois para mostrarem o quanto amadureceram como personagens e, no que pode até mesmo ser tomado como pleonasmo, mostrar o amadurecimento da Pixar.