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sábado, 7 de setembro de 2013

Crítica - Jobs

Sem design e sem arrojo

O inferno está cheio de boas intenções e deve recepcionar esse Jobs (EUA 2013), filme que brilha no oportunismo e no hype de ser o primeiro a dimensionar no cinema aquela que é a primeira das grandes personalidades da chamada “era digital”, o criador da Apple e de todo um status quo por ela fomentado, Steve Jobs. Jobs falha clamorosamente em dar conta da complexidade do personagem que suscitava admiração e pavor tanto no meio empresarial como nas próprias hordas da Apple. O filme de Joshua Michael Stern é, ainda, por vezes, cansativo; algo que vai ao extremo oposto do espírito inspirador (e frequentemente ansioso) de seu biografado.  
A montagem é outro problema grave. Há, por certo, muito para se dar conta sobre o personagem. O filme deliberadamente se incumbe de cobrir desde os tempos de faculdade, do momento em que Jobs se irrompe contra essa instituição, até seu retorno “por cima” à Apple. São quase 30 anos em uma jornada marcada por alto-indulgências, renúncias e um processo de amadurecimento pouco compreensível, nos termos da dramaturgia erguida pelo roteiro de Matt Whiteley. Aí reside o grande revés de Jobs enquanto cinema. Há o comedimento em elevar o mito, mas há, também, demasiada superficialidade no questionamento que se faz da figura humana de Jobs.
Essa hesitação narrativa, temperada pela falta de talento do diretor em problematizar seu personagem, torna Jobs frequentemente opaco.

Visionário: o filme parece não se dar conta de que o público já sabe de antemão que Steve Jobs era um visionário e perde precioso tempo narrativo preparando essa "revelação"

O uso do termo frequentemente se justifica porque há bons respiros no filme. O personagem é muito bom e o interesse que paira sobre ele fomenta certa condescendência da audiência para com o tom e os propósitos da narrativa. Ashton Kutcher é outro bem intencionado que não atinge o resultado esperado. Não é segredo que seu casting se deu mormente por sua semelhança física com Jobs. Apesar de ter revelado recursos dramáticos nada desprezíveis em filmes como Efeito borboleta e Jogando com prazer (em que dava cor à percepção que muitos têm dele), Kutcher não é um ator de tantos recursos quanto um personagem como Jobs exige. Pesa-lhe contrariamente, ainda, o fato de ser muito difícil para a platéia levá-lo a sério, tendo em vista que construiu para si uma imagem vinculada à comédia de erros. Kutcher conquista esse outro olhar do público ao longo de Jobs, mas nunca vai além disso. Copiando gestual e postura do criador da Apple, ele apresenta uma performance digna, mas sem grandes predicados. O elenco de apoio, sem um juízo tão severo sob suas caracterizações, se sai consideravelmente melhor. Em especial Josh Gad, como Wozniak, co-criador da Apple.
Jobs é um filme em que facilmente se identifica todo o seu potencial, mas mesmo isso advém do personagem e não de sua organização narrativa. Uma pena. Steve Jobs, porém, ainda será pauta do cinema mais vezes e, talvez, com oportunismo e hype diminuídos, o personagem, enfim, saia beneficiado.  

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Especial Toy Story 3 - Por que voltar a esses personagens?


Dizer que Toy Story (1995) ajudou a estabelecer a Pixar como estúdio de cinema é uma constante na cobertura internacional de cinema. Mas é uma afirmação imprecisa. Toy Story foi o primeiro filme da Pixar. A empresa/estúdio, surgiu como uma divisão de efeitos especiais da Lucasfilms, cujo braço forte é a Industrial Light & Magic. Em 1986, a empresa foi comprada por U$ 26 milhões pelo visionário do mundo digital Steve Jobs, que repassou o controle criativo da empresa, que até então desenvolvia hardwares e softwares, para John Lasseter. Foi Lasseter quem aprimorou o departamento de animação da empresa. Em 1991, foi firmado um contrato para fazer três filmes a serem distribuídos pela Disney. O primeiro deles foi justamente Toy Story, dirigido pelo próprio Lasseter. O filme de 1995, que trazia no seu elenco de vozes Tom Hanks e Tim Allen, era uma fábula infantil de irresistível apelo.


Steve Jobs em foto "I´m the fucking man!": ele viu ouro antes de reluzir...


No filme, cujos personagens principais são brinquedos, são abordados com extrema leveza e simplicidade questões como amadurecimento, ciúmes, inveja e amizade. Woody (Hanks) é um boneco cowboy que se ressente quando seu dono ganha um novo e mais adornado brinquedo, o astronauta Buzz Lightyear (Allen). Além da magia de ver os nossos brinquedos preferidos ganharem vida, Toy Story é uma poderosa alegoria sobre as circunstâncias da vida em sociedade.
O filme causou tão boa impressão que além de três indicações ao Oscar (roteiro original, canção e trilha sonora), rendeu a John Lasseter um Oscar especial pelo desenvolvimento de artes animadas em computador para evolução do cinema.


John Lasseter em seu QG criativo (que fica em sua casa): Um oscar especial pelas conquistas realizadas em Toy Story. Outros, tão especiais quanto, viriam nos anos seguintes


Esse Oscar lá de 1995 ajuda a entender o por que de se voltar a Toy Story. O filme que concedeu uma identidade a Pixar, hoje já parte da Disney (em janeiro de 2006 a Disney comprou a Pixar de Jobs pelo valor de U$ 7,6 bilhões), é o símbolo mais portentoso da evolução constante do estúdio. Tanto na parte técnica (o aprimoramento dos softwares disponíveis, a redução do período de desenvolvimento de um projeto e a maior qualidade dos efeitos animados) quanto na elaboração dos roteiros. E depois de uma bem sucedida continuação (considerada por muitos, superior ao original), Toy Story 3 – que será precisamente o 11º filme da Pixar, vem para que fiquem cristalinas as conquistas do estúdio no cinema.
Woody, Buzz e companhia (além de novos e ansiados personagens) voltam mais de uma década depois para mostrarem o quanto amadureceram como personagens e, no que pode até mesmo ser tomado como pleonasmo, mostrar o amadurecimento da Pixar.