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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A milhagem de Rodrigo Santoro

Entre a pecha de galã e astro brasileiro no cinema americano, Rodrigo Santoro é ator de alto gabarito. A distância do agito das celebridades brasileiras e a opção por projetos de grande visibilidade, mas em que não defende os personagens principais, valeram certa implicância de parcela do público e da imprensa especializada com o ator. Contudo, essas mesmas opções reforçam a plenitude em que sua carreira se encontra no presente momento. Alternando trabalhos complexos no cinema nacional, como em Heleno (2012) e Não por acaso (2007), com projetos não tão adensados, mas de maior visibilidade no mercado americano, como O que esperar quando você está esperando (2012) e Recém-formada (2009), Santoro constituiu uma carreira de bifurcações interessantes. Ajuda a chamar a atenção, no Brasil, de filmes brasileiros que sem sua presença não teriam grande espaço e penetração e reveste de um charme particular produções americanas que sem ele, não teriam qualquer atenção do público do país.
São contornos interessantes de uma carreira consolidada e cada vez mais plural. Nas últimas semanas foi divulgado que o ator estará, ao lado de Antonio Banderas, no filme sobre os mineiros chilenos que ficaram semanas soterrados e comoveram o mundo. É um bom filme para esse selo de ator do mundo que Santoro cultiva.
Outro filme bastante aguardado por Santoro é a continuação de seu maior sucesso internacional de público. 300, a ascensão de um império, que deve ser lançado em março de 2014, promete ter muito mais Santoro em tela, já que o filme é focado em seu personagem.
Rodrigo Santoro persevera na busca de destaque internacional e reconhecimento nacional enquanto consolida uma carreira de muitos pontos altos e poucas escolhas equivocadas.

Isso é Santoro


12 filmes nacionais
15 filmes internacionais
2 prêmios de melhor ator no festival de Brasília pelos filmes Bicho de sete cabeças (2001) e Meu país (2011)
Vencedor do troféu Chpard de revelação masculina no festival de Cannes 2004 pelo filme Carandiru, que participou da mostra competitiva
2 prêmios de melhor ator no Grande Prêmio do cinema brasileiro pelos filmes Bicho de sete cabeças (2001) e Carandiru (2003)
Melhor ator no festival de Havana por Heleno


Confira o trailer de 300, a ascensão de um império

domingo, 9 de junho de 2013

Insight - As escolhas de Santoro e a percepção de Moura

Rodrigo Santoro e Wagner Moura são duas faces da mesma moeda? É inegável que são, sob perspectivas distintas, mas complementares, os dois atores mais bem sucedidos artística e comercialmente do país. Ambos estão imersos, em diferentes estágios deste processo, na confecção de suas assim chamadas carreiras internacionais.
Rodrigo Santoro, a esta altura, já pode ser chamado de um veterano do cinema internacional, tendo aparecido em produções argentinas, espanholas, americanas e inglesas ao longo de dez anos. Wagner Moura está na fase de decolagem, mas como sinalizado na seção Insight “O voo internacional deWagner Moura” vislumbra um horizonte ensolarado.
Santoro no topo do cartaz: o
primeiro encontro com Moura
Rodrigo Santoro era um galã emergente das novelas globais quando despontou fervorosamente no cinema com Bicho de sete cabeças (2001). Então com 26 anos, Santoro impressionou e colecionou prêmios na pele de um adolescente viciado que é “abandonado” pela família ao sistema. Ainda em 2001, ele foi o protagonista de um dos projetos mais ousados de Walter Salles, Abril despedaçado, filme no qual fazia um membro de uma das famílias envoltas em uma saga por vingança no sertão brasileiro. Aqui, neste longa, seu caminho se cruzou pela primeira vez com Wagner Moura que faz um personagem menor na trama.
As escolhas ousadas de Santoro iam além do fato de optar por construir uma carreira no cinema em detrimento da exposição como galã de novela em um país em que a cultura vigente determina o contrário, ele fazia opções que o desafiavam como intérprete.
Enquanto estava no ar na TV (e fazia sucesso) como o cafajeste Diogo na novela "Mulheres apaixonadas", teve a coragem de viver um travesti em Carandiru e viu-se no meio de um emaranhado de expectativas desarmadas sobre seu trabalho e objetivos como ator. No filme de Hector Babenco seu caminho se cruzou pela segunda vez com o de Wagner Moura, ainda relativamente desconhecido, que dava dignidade e graça a um dos melhores personagens do filme. Esses dois encontros em um momento específico e relativamente prolífico do cinema brasileiro demonstra que ambos detinham faros aguçados para bons projetos e, também, ainda que em proporções diferentes, despertavam confiança nos prestigiados realizadores em questão.

Agressividade e paciência
2003 foi mesmo um ano difícil para Rodrigo Santoro. Além da exposição na TV, do papel polêmico em Carandiru, ele estreou no cinema americano – em uma época em que ninguém do Brasil havia feito isso depois do advento da internet – e se viu no epicentro de expectativas desequilibradas. A estreia foi na sequência de As panteras, um bom filme ruim de ação. Santoro entrou mudo e saiu calado e a imprensa de celebridade brasileira não perdoou. A marcação foi muito grande e negativa em cima do ator que refugiou-se nos EUA, em busca tanto de equilíbrio quanto de mais trabalho. Faltava a observação de que Santoro era um desconhecido, latino, tentando conquistar seu espaço no cinema americano na base do talento. Não é fácil nem mesmo para americanos. A figuração em um blockbuster, dentro dessa perspectiva, era um triunfo danado. Ainda em 2003, ele estrelou Simplesmente amor, uma comédia romântica em que dividia a cena com um numeroso e estrelado elenco com igual importância na trama.
Aos poucos, foram surgindo propostas melhores e Santoro soube tirar o proveito ideal delas. Filmes como 300 – em que fez o vilão – e a curta participação na série "Lost" foram providenciais para torná-lo um rosto conhecido na indústria e reconhecível para o americano consumidor de cultura pop. Com trânsito no cinema americano, ele buscou a diversificação de quem tem prazer em atuar e não em ser um astro. Esteve em projetos como Leonera (2008), filmado na argentina, Cinturão vermelho (2008), do papa David Mamet e O golpista do ano (2009), todos independentes. Não se desligou do cinema nacional – rodou ótimos filmes como Os desafinados (2008), Não por acaso (2007), Meu país (2011) e Heleno (2012) – e deu sequência ao projeto de participar de projetos de visibilidade internacional, como o recente O último desafio em que atuou ao lado de Arnold Schwarzenegger, justamente no retorno do astro ao cinema.

Em 2003, Santoro foi travesti em Carandiru (1) e "casou-se" na prisão com Gero Camilo, enquanto arrasava o coração de Camila Pitanga e telespectadoras em "Mulheres apaixonadas" (2). O ator também é parceirão de muitas celebridades internacionais e vira e mexe serve de guia delas no Rio de Janeiro como ocorreu quando Gerard Butler e Madonna vieram ao carnaval carioca em 2010 (3). No ano passado, foi apontado como affair de Jennifer Lopez em virtude da química que ostentava com ela em O que esperar quando você está esperando

Santoro soube aliar agressividade à paciência, ao escolher projetos de inegável importância em diferentes nichos e aspectos e esperar pelos resultados de seus trabalhos. A opção pela carreira internacional foi algo que se consolidou quase que simultaneamente à escolha pelo cinema em detrimento da tv.

Meios e fins
Já Wagner Moura não tinha essa ambição. Pelo menos não assumidamente. O cinema seguiu em paralelo a projetos na TV. Se filmes como Nina (2004), Deus é brasileiro (2003) e Cidade Baixa (2004) davam a Moura um aspecto cult, o trabalho na TV lhe acenava com o pop em produções como Sitcom.br e JK. Mas então veio o ano de 2007 que favoreceu uma explosão midiática do ator combinando cinema, com o primeiro Tropa de elite, e a TV, como o vilão da novela "Paraíso Tropical". A partir deste momento histórico, do sucesso incontornável e das possibilidades que ele atrai, Moura passou a se dedicar mais inteiramente ao cinema. E o ator mostrou-se cada vez melhor. Os protagonismos enfileiraram-se e depois do segundo Tropa de elite, lançado em 2010, a carreira internacional veio buscá-lo. O diretor Neil Bloomkamp se impressionou com o desempenho do ator nos filmes de José Padilha e o chamou para integrar o elenco principal de Elysium, filme que promete ser uma das sensações do ano. Mesmo sem debutar efetivamente no cinema americano, Moura já assegurou mais dois projetos. Um filme independente sobre Fellini, em que viverá o cineasta italiano, e um drama de Stephen Daldry.

1 - Wagner Moura roubando a cena em Carandiru; 2- cantando Legião Urbana em show patrocinado pela MTV em homenagem à banda; 3- interpretando Hamlet no teatro; 4 - e conquistando o Brasil como o possessivo Olavo perdidamente apaixonado pela garota de programa vivida por Camila Pitanga em Paraíso tropical (isso mesmo, Pitanga é outro ponto de convergência dos últimos trabalhos de Moura e Santoro em novelas)

Moura ainda é uma aposta no cinema americano, mas uma aposta de ser uma atração. Santoro já é uma realidade. Mas uma realidade que remonta a um ator eficiente já estabelecido; sem ser em si uma atração, como um Tim Roth, um Denis o´ Hare ou Danny Huston.
Esses diferentes status não se articularam por resíduos de talento, mas sim por opções feitas pelos atores na condução de suas carreiras e, também, por contingências de mercado.
Rodrigo Santoro escolheu “peregrinar” em busca de seu lugar ao sol, enquanto que Wagner Moura foi “garimpado” pelo cinema americano. São meios e fins que se confundem em face de jornadas vitoriosas em dimensões bem particulares.

sábado, 1 de junho de 2013

Carta do editor - Junho de todos os santos



Bonito e talentoso. Essas são as duas palavras mais empregadas para descrever sumariamente Rodrigo Santoro. Mas Santoro, que construiu para si uma filmografia respeitável dentro e fora do Brasil ainda é alvo de muito preconceito de brasileiros que enxergam certo pedantismo nas escolhas do ator. Paralelamente a isso, outro ator brasileiro se prepara para lançar carreira internacional e conforme apontado na seção Insight “O voo internacional de Wagner Moura”, publicada em 12 de maio, a expectativa é que o baiano vingue com gosto no cinema internacional. Nesse mês de junho, Claquete se revestirá do desafio de expor as diferenças e similaridades entre os projetos de carreira de Wagner Moura e Rodrigo Santoro. Os desafios e contextos enfrentados por cada um em suas decolagens internacionais e demais reminiscências cabíveis. Para isso, acionaremos a seção Tira-teima, além de matérias especiais que serão publicadas ao longo do mês. Vale a pena conferir e, quem sabe, rever alguns conceitos e parâmetros.  
Alguns dos filmes mais aguardados do ano chegam aos cinemas brasileiros em junho e Claquete, obviamente, se preparou para eles. Produções como O lugar onde tudo termina, O grande Gatsby, Antes da meia-noite, Depois da terra, Segredos de sangue e Guerra mundial Z chegam aos cinemas e receberão atenção do blog. Outro lançamento prometido para junho é Os amantes passageiros, novo filme de Pedro Almodóvar. Almodóvar, como se sabe, é sempre um acontecimento. Ainda mais em seu aguardado retorno às comédias.

Como você pode reparar, Claquete mudou o visual. Dar uma repaginada é sempre bom, ainda mais para um blog de cinema guerrilheiro como o nosso. Essa mudança visa preparar o terreno para o aniversário de quatro anos do blog que será comemorado em julho.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Crítica - O último desafio



Pancadão do Arnold!

Ele está de volta! Enfim, e definitivamente, Arnold Schwarzenegger regressa ao cinema de ação brucutu em grande estilo com O último desafio (The last stand, EUA 2013). Depois de ensaiar um comeback na sequência de Os mercenários em 2012, o gigante austríaco ganha o seu “filme de retorno” na pele de um xerife de uma pacata cidadezinha de fronteira entre os EUA e o México que precisa conter um traficante que dispõe de um pequeno e paramentado exército disposto a garantir que ele cruze a fronteira e sele uma bem sucedida fuga do FBI.
O último desafio, no entanto, não é um legítimo filme de Schwarzenegger como o rótulo que vem dos anos 80 e 90 sugere. Há, claro, a total indiferença pela verossimilhança e uma aproximação muito saudável com o humor, mas há também outros ingredientes nesse molho. O primeiro é a globalização latente no filme. Desde o diretor, o sul coreano Jee-Woon Kim, que já rodou eficientes fitas de ação em seu país, passando pelo elenco multifacetado com as presenças do oscarizado Forest Whitaker, do talentoso ator espanhol Eduardo Noriega, do anárquico comediante Johnny Knoxville e do brasileiro Rodrigo Santoro.
Essa miscelânea acaba por se configurar na grande atração de O último desafio que resulta em um kitsch do cinema de ação.

Como andar de bicicleta: Arnold não perdeu "a manha de astro de ação" 


Isso posto, é preciso dizer que Schwarzenegger, aos 66 anos, ainda convence como astro de ação e mostra que ainda tem muita lenha para queimar depois do hiato na carreira proporcionado por sua incursão na política.
O clímax do filme, uma cena de tiroteio, é das coisas mais divertidas em um filme de ação em anos. O último desafio não tem medo do ridículo e não objetiva parecer algo que não é. Pelo contrário, a todo tempo sinaliza para a plateia a grande gozação que é. Brincar, fingindo que fala sério, é uma virtude que precisa ser apreciada.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Crítica - Heleno


Verdade e poesia!

Além de ser uma raridade dentro da produção cinematográfica brasileira, um filme como Heleno (Brasil 2012) se apresenta, também, como raridade dentro do esquete de filmes biográficos. Isso porque privilegia não a iconografia que leva às telas de cinema, no caso do jogador de futebol Heleno de Freitas, mas a humanidade escondida atrás de tal iconografia. Contudo, não renuncia a certa veia poética que, tanto o tema periférico, o futebol, quanto à época retratada, os anos 40 e 50, favorecem. Isso tudo adornado por uma reconstituição de época primorosa e por uma fotografia em preto e branco não menos do que espetacular - assinada pelo maior fotógrafo do cinema nacional em todos os tempos, Walter Carvalho.
José Henrique Fonseca foi corajoso ao evitar, ao investigar Heleno de Freitas, enveredar pelas vias fáceis da bajulação ou da condenação compulsória – tão constante no tocante a figuras polêmicas, como era o caso de Heleno.
Jogador genial e genioso, Heleno teve a primazia de ser o primeiro jogador problema da história do futebol brasileiro. Mas há muita tragédia em sua trajetória que o torna um personagem irresistível. Só jogou 25 minutos no Maracanã, notoriamente o maior palco de futebol do mundo. Não disputou as copas do mundo em que tinha tudo para ser o grande destaque. Morreu só e jovem em um hospício afetado por uma sífilis que se recusou a tratar. É uma bagagem e tanto para ser lapidada em um filme de duas horas. Fonseca, com o apoio incondicional de um Rodrigo Santoro soberbo, cumpre essa árdua tarefa. Realiza um filme triste, mas solar. Festivo, mas sensível. Histórico, mas livre. O pênalti que Heleno perde em uma partida decisiva, por exemplo, não ocorreu. Mas a dimensão dramática alcançada por aquele evento elevou Heleno, o filme, a outro patamar. É dessa conjunção muito bem elaborada entre realidade e ficção que Heleno, o filme, se vale para construir o retrato de um homem naturalmente complexo. O maior reconhecimento que se podia prestar a um jogador que poderia ter sido muito maior do que se permitiu ser é iluminar suas qualidades sem obscurecer seus defeitos. Heleno consegue isso e muito mais. É um filme que consegue ser justo com seu biografado, por vezes até mesmo duro com suas incorreções, mas não deixa de lhe ser atencioso. A atuação de Rodrigo Santoro, nesse sentido, é providencial para que o público se lembre que Heleno de Freitas era sim muito humano. Talvez até demais! 

sábado, 22 de outubro de 2011

Crítica - Meu país

Famiglia!

Além do fundo autobiográfico, Meu país (Brasil, 2011), estréia na direção de longa metragens de André Ristum, surge como um estrangeiro dentro da produção cinematográfica nacional. Intimista, valorizador dos silêncios e propenso a reflexão, o longa se configura como uma estréia poderosa para Ristum.
Rodrigo Santoro vive Marcos, brasileiro radicado na Itália, muito bem casado com a filha do chefe que o tem como braço direito no negócio da família. Mas Marcos precisa voltar ao Brasil após a morte do pai (Paulo José) para ajustes burocráticos em relação a herança e dívidas. Marcos não esconde o desconforto da viagem em que reencontra o irmão Tiago (Cauã Raymond), um tipo irresponsável que se projetava na escuridão da jogatina com a leniência do pai. Logo Marcos percebe que, assim como o filme na cinematografia nacional, também ele é um estrangeiro naquele contexto.
As coisas, já suficientemente complicadas, se complicam ainda mais quando Marcos toma ciência de que tem uma irmã, fruto de um relacionamento extraconjugal de seu pai, deficiente mental. É através de Manoela (Débora Falabella) que Marcos e sua família irão expiar angústias e frustrações.

Rodrigo Santoro é a força gravitacional de Meu país e Cauã Raymond funciona como uma bússola 


O drama pincelado por Ristum se desenvolve em camadas e metáforas. O acerto de contas de Marcos com seu passado, com o passado de seu pai e com sua família são prospectos de um futuro impensado, evitado. A angústia e imobilidade que acometem o personagem em face dos desdobramentos da morte do pai vão dando vez a descobertas dolorosas, mas significativas sobre si mesmo e suas vontades.
O fato de Marcos ir se afastando de sua mulher (e da Itália) à medida que mergulha nos problemas da família é revelador do status do personagem, um homem cético, maníaco por controle, profundamente reprimido (só desaba em lágrimas lá pelas tantas do filme) e que carrega mais mágoas do que suporta o olhar. Nesse departamento é preciso louvar, uma vez mais, Rodrigo Santoro. O ator vive Marcos com a insalubridade que a caracterização exige. Uma figura reta, endurecida e de gestos robóticos que vai se transformando e revelando fragilidades com o decorrer da trama. Santoro, que já atuou em inglês e espanhol, fala italiano de maneira convicta e não permite que os rumos da atuação (e do personagem) se desconectem em outro idioma. Ele flui do italiano para o português com esmero e refinamento.
O restante do elenco também contribui para a sutil angústia que permeia o registro. Ristum desenvolve seu filme como um poeta que observa beleza nas tragédias. Meu país é um filme sereno, emocional e, de certa forma, corajoso. Por propor uma reflexão e um embrenhamento tão caros ao cinema em geral, mas tão raros em sua assertividade em uma produção nacional.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, o primeiro de uma série de filmes com um dos maiores mitos do cinema, o drama de Wolverine, Claquete expandindo suas fronteiras e um ator brasileiro cujas fronteiras já estão bem expandidas.



Claquete no Facebook
O leitor que acompanha Claquete, desde o dia 1º de outubro, tem mais uma plataforma para curtir o blog. Trata-se da fan page oficial no Facebook, que pode ser conferida aqui. A ideia por trás da fan page é estreitar os laços com o leitor. Possibilitar uma interação maior com o público e certa pontualidade no trânsito de notícias que falta à formatação do blog. Na fan page, além de constarem atualizações e outras matérias interessantes publicadas em Claquete, serão postados links de matérias pertinentes ao universo abordado pelo blog. Dentro desse contexto, o leitor irá encontrar drops de notícias do dia, imagens, vídeos, links para outros blogs interessantes ou notícias relacionadas ao cinema em destaque em sites especializados. A fan page, como pode se perceber, é uma extensão sensorial do blog, com vistas a tornar o leitor mais bem informado, contextualizado e satisfeito.


Hugh Jackman vendendo seu peixe
O ator australiano deu uma entrevista no último final de semana, na premiere australiana de seu mais recente lançamento, Gigantes de aço, sobre o imbróglio envolvendo The Wolverine. Jackman confirmou que as filmagens devem começar em janeiro, negando boatos de que em virtude das filmagens de Os miseráveis haveria um novo adiamento, e disse que a nova versão do roteiro é mais “consistente” do que a anterior assinada por Darren Aronofsky. Jackman mantém o discurso de que a nova produção, agora a cargo de James Mangold, será radicalmente diferente de X-men origens: Wolverine (2009). Vale lembrar que aquele filme fez relativo sucesso de público, mas não caiu no gosto da crítica.

Hugh Jackman na premiere de Gigantes de aço: The Wolverine, em algum momento, vai sair...


Toda a glória de Marilyn
Bem sabe o leitor de Claquete que estão para sair do forno três filmes que recriam momentos da vida de Marilyn Monroe. O primeiro deles, My week with Marilyn, é baseado nos registros de Colin Clark – auxiliar do ator Laurence Olivier – sobre as tensas relações entre seu patrão e a atriz de cinema que mais mexe com o imaginário da humanidade. Dirigido por Simon Curtis, de larga experiência na TV, o filme traz um elenco sofisticado para encenar uma história sobre os anais de Hollywood. Existem grandes expectativas sobre a fita que está na programação do Festival de cinema de Nova Iorque que teve Carnage, de Roman Polanski como filme de abertura na última sexta-feira (30). Kenneth Branagh, ator que teve a mesma formação acadêmica de Laurence Olivier, vive o primeiro ator britânico a ser condecorado com o título de Sir. Julia Ormond viverá a atriz Vivian Leigh e Dougray Scott viverá o dramaturgo Arthur Miller, marido de Marilyn. Outros nomes do elenco são Dominic Cooper, Judi Dench, Toby Jones e Emma Waltson, a Hermione da série Harry Potter.
Michelle Williams, que já ostenta duas indicações ao Oscar (O segredo de Brokeback mountain e Namorados para sempre) é um dos nomes fortes para a temporada do Oscar. Isso porque, além de boa atriz, ela conta com uma personagem talhada para premiações. Naomi Watts, que também viverá Marilyn nos cinemas, é a próxima da fila. 





Santoro mostra a sua força
Há quem conteste Rodrigo Santoro. Embora hoje essa fatia de público e crítica seja minoria, ela ainda goza de alguma influência e respaldo estatístico. Rodrigo Santoro, no entanto, parece decidido a esvaziar os argumentos daqueles que o questionam. Com filme novo na praça, o elogiado Meu país que estréia na próxima sexta-feira em circuito nacional, o ator carioca acaba de receber o prêmio de melhor ator no festival de Brasília pelo filme. Foi em Brasília, que Santoro recebeu um de seus primeiros prêmios no cinema, há mais de dez anos, por O bicho de sete cabeças. Mas o prêmio não está sozinho. Santoro foi bastante elogiado pela crítica internacional por sua atuação em Heleno, filme de José Henrique Fonseca que teve premiere internacional no último festival de Toronto. Heleno deve estrear em 2012. Mesmo ano que Santoro apresentará What to expect when you´re expecting. Comédia baseada no livro de auto-ajuda homônimo para grávidas de primeira viagem. Santoro fará par com Jennifer Lopez em uma das comédias mais comentadas da próxima temporada. Não obstante, o ator confirmou participação em outro projeto comentadíssimo. The last stand marca, nada mais nada menos, do que o retorno de Arnold Schwarzenegger aos cinemas. Com ótimas atuações e ótimas estratégias de exposição, Santoro segue firme como um ator de fibra, inteligência e inquietude.  

Rodrigo Santoro demonstra firmeza na condução de sua carreira e convicção na escolha de seus papéis

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Crítica - O golpista do ano

O melancólico Steve Russel

O cinema independente americano tem o brilho de reciclar com certa inventividade fórmulas desgastadas e contar uma mesma história de maneira arejada e contagiante. Foi assim com pequenos filmes como Pequena miss sunshine e Preciosa – uma história de esperança. Filmes que não apresentavam nenhuma originalidade em seus cernes, mas que vinham dotados de coração em tramas bem desenhadas. É isso que ocorre com O golpista do ano (I love you Phillip Morris, EUA 2009). O filme, dirigido e roteirizado pela dupla John Requa e Glenn Ficarra, conta a história de um cidadão acima de qualquer suspeita que após passar pelo que ele chama de epifania (um acidente automobilístico quase fatal) resolve viver a vida nos “seus termos”. Para Steve Russel (Jim Carrey), isso inclui assumir sua homossexualidade e cometer algumas vigarices para manter um alto padrão de vida.
O golpista do ano é sobre esse individuo que tenta preencher a vida de sentido. O inicio da fita e o final, embora um tanto professorais, ratificam essa constatação. É em uma de suas passagens pela prisão que Steve conhece Phillip Morris (Ewan McGregor) e se apaixona por ele. A paixão mútua é muito bem delineada na tela. Tão bem quanto a expertise de Steve para burlar e dissimular.
O filme se vale de uma comédia com retoques dramáticos para contar a história (real) de um homem que tentou prevalecer de todas as formas possíveis e imagináveis a seus impulsos naturais. Essa dicotomia entre dissimulação e impulsos é, na verdade, sobre o que trata O golpista do ano. E é justamente o resultado que advém dela que confere uma certa melancolia ao filme.
Rodrigo Santoro faz o primeiro "namorado sério" de Steve em sua nova fase: o filme tem momentos de humor, mas não é exatamente uma comédia


Jim Carrey entrega sua melhor atuação em anos. O ator acerta o ponto na caracterização de um homem que sucumbe às próprias engenharias. Carrey ainda tem o mérito de evitar repetir a si mesmo. Ewan McGregor é outro em aparição inspirada. O ator faz uma composição delicada revelando toda a fragilidade de seu personagem e se desvia da caricatura e afetação a qual muitos outros atores poderiam ceder. Mas o grande trunfo dessa inusitada história, que tem o seu charme justamente devido a esse histrionismo romântico, é o desenvolvimento dos personagens. Os dois pilares da trama (Phillip e Steve) tentam cada qual a sua maneira contornar aquilo que parece ser a sina de suas vidas. Essa sina, que não tem nenhuma relação com a homossexualidade (embora em um ou outro momento a realização teça um comentário a respeito), corresponde justamente a facilidade com que ambos cedem a seus impulsos. O que, como fica claro no desfecho do filme, nem sempre resulta em um felizes para sempre.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cenas de Cinema


História sem fim
Da série histórias de amor que nunca têm fim, vem o novo capítulo da novela protagonizada por Jude Law e Sienna Miller. Depois de estarem noivos e morando juntos, Law e Sienna se separaram devido a traição do ator com a babá do casal. No caso, a babá não era bem do casal, já que ela cuidava das filhas do ator de um primeiro casamento. Voltaram. Separaram-se uma segunda vez. Ficaram. Conversaram. Negaram. Agora, Sienna está sendo vista com a mesma aliança que usava na época do noivado em 2004. O que isso quer dizer? Voltaram de vez? Estão noivos novamente? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

O drama de Phillip Morris
I love you Philip Morris, comédia independente estrelada por Jim Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro, está há dois anos pronto. Participou, inclusive, do festival de Cannes e da Mostra de cinema de São Paulo de 2008. Contudo, o filme sofre para conseguir distribuição. Analistas atribuem a dificuldade de colocar o filme nas salas ao fato de ser uma “comédia gay” (!?), mas outros filmes mais “gays”, por assim dizer, conseguiram distribuição tranquilamente. De qualquer maneira, depois de ter sua estréia adiada, pela terceira vez, nos EUA - indefinidamente ao que tudo indica - o filme ganhou um mal ajambrado título nacional. O golpista do ano. Esse título não diz absolutamente nada, mas nada mesmo sobre o filme que conta a história de um homem que se viu mais feliz ao assumir sua homossexualidade. Mas que se viu na contingência de ser impostor, já que se descobriu um homossexual de hábitos caros.

Rodrigo Santoro e Jim Carrey em cena de O golpista do ano: Mesmo estrelado por jim Carrey, ninguém acredita que o filme seja "vendável"
Ele ainda não eNegritostava lá!
Parece até mesmo pegadinha, mas até segunda-feira, dia 12 de abril, Russel Crowe, o astro de Gladiador, Uma mente brilhante, O gangster, entre outros filmes, ainda não tinha uma estrela na calçada da fama de Hollywood. Uma das maiores instituições da Meca do cinema. Agora sim, Crowe pode se autoproclamar imortal. Tem um Oscar, uma estrela na calçada da fama e um affair histórico (no caso, aquele com a atriz Meg Ryan).
Russel Crowe imortalizado: Você acha que esse sorriso aí é real ou fake?
O bate e assopra de Cannes
Por força de um contrato firmado com o canal Plus francês, a organização do 63º festival de Cannes recebeu fortes críticas de agências de notícias, entre elas a Associated press, France Press e Reuters, que se queixaram das dificuldades impostas para a cobertura midiática do festival. Houve inclusive ameaça de boicote. Ainda não se sabe como essa rusga entre a organização do festival e as agências afetará o desenvolvimento do festival e a cobertura do mesmo na imprensa internacional. Fato é que sem elas, Cannes perde muito de sua repercussão mundial. Saiba mais sobre o festival de Cannes no post abaixo.

Teu sobrenome é angústia
Que Robert Pattinson está fadado a viver personagens angustiados pelos próximos 5 anos, todo mundo sabe. Mas o que se viu nessa semana foi a tentativa de capitalizar uma produção em cima dessa imposição industrial de Hollywood para com o ator. O roteiro de Havier than Heaven, sobre a vida do vocalista do nirvana Kurt Cobain, circula há pelo menos três anos por Hollywood sem encontrar abrigo em nenhum estúdio. O tablóide The Sun divulgou essa semana que Robert Pattinson estaria cotado para viver Cobain no bendito filme que, finalmente, sairia do papel. O boato inundou a internet e virou trending topic no twitter. Tudo não passou de uma arriscada jogada de um produtor tentando evidenciar o projeto e valorizar o roteiro de seu filme. Com sorte, quem sabe, beliscar Pattinson, o senhor angústia, como protagonista. Ao que tudo indica, seu tiro saiu mesmo pela culatra.

Kurt e Robert: Maybe in a next life...


Nem Neymar, nem Ganso...
O novo discípulo de Dunga é o astro americano Matthew McConaughey. Casado com a modelo brasileira Camile Alves, e pai de dois filhos com ela, o ator foi fotografado hoje de manhã usando uma camisa customizada da seleção brasileira.

McConaughey em clima de copa: só a seleção do Dunga para fazâ-lo colocar uma camisa...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cenas de cinema

As últimas da berlinare I
O novo filme de Roman Polanski, The ghost writer, foi um acontecimento em Berlim. Alçado a favorito, desde o anúncio da participação no festival, The ghost writer causou boa impressão na sessão exclusiva para a imprensa e também parece ter cativado o júri presidido pelo alemão Werner Herzog que fez declarações simpáticas ao filme.

As últimas da berlinare II
Leonardo DiCaprio trocou o ensolarado Rio de Janeiro, onde já tinha até mesmo reservado suíte no Copacabana Palace, pela fria, pero no mucho, Berlim. O ator compareceu a premiere internacional de sua mais recente parceria com Scorsese, o aguardado Ilha do medo não provocou o frisson esperado, mas “é um legítimo Scorsese” escreveu a Vanity Fair.

Carnavalescas
Você pode até ter curtido o carnaval, mas não curtiu como Gerard Butler. O irlandês que esteve no Rio durante o carnaval, quando não era visto ao lado do amigo Rodrigo Santoro, era visto paquerando alguma brasileira. Fosse as atrizes Rita Guedes ou Paola Oliveira, fosse uma linda desconhecida. Butler que segue sem confirmar ou desmentir envolvimento com Jennifer Aniston, teve, sem sombra de dúvidas, um carnaval inesquecível. Detalhe, para ele, o carnaval ainda não acabou. Depois da estadia no Rio, o ator seguiu para Florianópolis.

Foto: AGNEWS
Butler e uma modelo carioca: Ele a conheceu na noite de segunda e passou a tarde com ela na terça

Carnavalescas II
Já Madonna e Paris Hilton fizeram o que delas se esperava. Apareceram. Um pouquinho de tietagem daqui, um pouquinho de samba dali e declarações de paixão pelo Brasil e pelos brasileiros em profusão. Tão protocolar quanto sem graça.


Foto:AGNEWS

Olha o Butler aí gente! No camarote da Brahma no domingo, ao lado de Madonna e Rodrigo Santoro

Um constrangimento absurdo!
Não que esteja se insinuando que haja constrangimentos que não sejam absurdos, mas há alguns casos que exigem redundância. Como no caso da expulsão do cineasta Kevin Smith de um avião da companhia aérea Southwest que proibiu o embarque do diretor por considerar que ele representava um risco para a segurança dos demais passageiros, em virtude de seu excesso de peso. Smith, que a bem da verdade está cada vez mais gordinho, ironizou em seu twitter: “Que risco eu representava, o de rolar por cima de outro passageiro?” Apesar do bom humor do diretor de filmes como Pagando bem, que mal tem? e Dogma, é vexamoso que uma empresa trate seus clientes dessa maneira. E isso aconteceu com uma figura relativamente famosa do showbusiness; imaginemos nós, pobres mortais. De dar medo...

Kevin Smith: Para a Southwest ele é um perigo...

Ah, os eufemismos!
Robert Pattinson saiu-se com uma explosiva declaração após um ensaio fotográfico, para a revista americana Details, em que aparece cercado de mulheres nuas. “Tenho alergia a vaginas”, declarou o astro, que não satisfeito ainda emendou: “Ainda bem que fiz o ensaio de ressaca”. O que isso quer dizer? Maliciosos de plantão, deliciai-vos!

Pattinson entre as mulheres no ensaio da Details: Asco, marketing diferenciado ou pura viadagem?

domingo, 23 de agosto de 2009

Bilheterias

Dados preliminares apontam que Quentin Tarantino acaba de assegurar a maior abertura de sua carreira. Bastardos inglórios arrecadou U$ 37,6 milhões em seu fim de semana de abertura na América do Norte. Estrelado por Brad Pitt, a estréia do longa era aguardada com apreensão pelo mercado. A Weinsten company dependia basicamente do faturamento do filme para garantir um ano dentro da estabilidade e a percepção do filme pela critica não havia sido das mais entusiasmadas. Resta-nos saber se o filme manterá o percentual de demanda no próximo fim de semana, ou se terá uma queda acentuada. De qualquer forma, a abertura foi melhor do que muitos esperavam. Agora é esperar para ver como será o desempenho internacional do filme.
Também estreou nesse fim de semana a comédia romântica Post Grad, da qual Rodrigo Santoro faz parte. O filme, com muito menos cópias do que Bastardos estreou no distinto décimo lugar com U$ 2,8 milhões em caixa.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Santoro em English!

A carreira internacional do ator Rodrigo Santoro está de vento e polpa. Nos próximos dois meses, ele lançará dois filmes de apelo comercial. Um é o já antecipdo I love you Philip Morris, comédia em que divide a cena com Jim Carrey e Ewan McGregor. O outro é esse Post Grad, romance com toques dramáticos em que divide a cena com Alexis Bledel da finada série Gilmore Girls. Nesse filme ele faz David, um vizinho da personagem de Bledel que se interessa por ela.
Clique aqui, para ver o ator dando uma entrevista em inglês sobre o filme. Rodrigo parece cada vez mais a vontade com o idioma. Post Grad estréia nos EUA no próximo dia 21. A previsão de lançamento no Brasil é para Novembro.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Filme do dia


Leonera


Filme argentino que foi muito festejado. Participou de Cannes, da mostra de cinema de São Paulo, entre outros. Aqui o diretor Pablo Trapero realiza um drama prisional com elementos bastante característicos, e um que foge ao senso comum. Mulher acusada de assassinar o marido, presa e grávida, é beneficiada por um indulto previsto na lei argentina. Pode criar seu filho durante os primeiros meses da criança. Essa experiência se revela transformadora. Atenção especial para a participação de Rodrigo Santoro, em perfeito espanhol, como o amante também suspeito do crime.