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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Questões cinematográficas - O significado de 2011 para o cinema

É até certo ponto imprudente buscar o significado de um ano, em um contexto sócio-cultural, ao fechar das cortinas do próprio. Contudo, o desafio é certamente prazeroso. Ao apagar das luzes, 2011 deixa uma indústria cinematográfica mais consolidada no Brasil – ainda que distante do ideal – e muitos números e tendências que ainda precisam ser abalizados.
Hollywood fecha o ano com recordes de faturamento, mas com os preços dos ingressos inflacionados e com uma porção de plataformas alternativas de distribuição em análise. 2011, no futuro, será visto possivelmente como o marco zero de vias alternativas para distribuição de filmes. Foi nesse ano que as locadoras virtuais experimentaram um crescimento maiúsculo, na casa dos 200% em uma média internacional em relação a 2009. Foi o ano em que importantes estúdios firmaram acordos de distribuição de seus filmes por redes sociais como o Facebook. Ainda que o sistema seja experimental, e disponível apenas nos EUA, permite elucubrações a respeito. A Warner, por exemplo, já disponibiliza filmes relativamente recentes de seu catálogo por U$ 1,99 para usuários do Facebook nos  EUA.
Outros estúdios, como Sony, Universal e a própria Warner discutem um modelo de distribuição um tanto mais controverso. Disponibilizar lançamentos de cinema no sistema de Vídeo on Demand (VOD, na sigla em inglês) apenas sessenta dias após a estréia nos cinemas. Filmes como Passe livre e Esposa de mentirinha foram lançados nesse formato. Reféns,  no entanto, teve um intervalo de apenas 15 dias. A justificativa foi tentar aumentar a arrecadação do filme que fracassara vigorosamente em levar público aos cinemas.
Os estúdios entraram em uma dispendiosa queda de braço com o mercado exibidor que, com essa nova estratégia de distribuição, vê encolher a sua fatia do bolo.
O alto preço do VOD (em média U$ 35) também é um empecilho.
A Net e outras operadoras de tv por assinatura estão começando a afirmar o serviço no Brasil valendo-se dos lançamentos em dvds.

Jennifer Aniston e Adam Sandler em cena de Esposa de mentira, filme disponibilizado para assinantes da Directv 60 dias após o lançamento nos cinemas


Mas o que isso tudo permite intuir? Que a indústria do cinema está se debatendo na busca por soluções para demandas contemporâneas.  O conceito de entretenimento está mudando, mas as mudanças não serão radicais e Hollywood precisa descobrir como oxigenar e não asfixiar seu nicho de negócios.
O que nos leva ao circuito de festivais. Nunca foram tantos. Só no Brasil, há congestionamento de festivais no segundo semestre. Em 2011, por exemplo, o festival de Brasília teve de ser antecipado para não coincidir com quatro outros eventos realizados simultaneamente no nordeste. Acabou por dividir parcialmente as atenções com o Festival do Rio.
A importância dos festivais cresce em virtude da facilidade com que se fazem filmes hoje em dia. O que não implica em qualidade narrativa ou estética, mas o digital favorece a produção e os festivais são valiosas plataformas para vender um filme. A fita nacional brasileira Desaparecidos é um caso célebre. Inspirado pelos sucessos de A bruxa de Blair e Atividade paranormal, David Schurmann rodou a versão nacional híbrida desses dois sucessos independentes americanos valendo-se de câmeras digitais, redes sociais e campanhas virais. A fita, atualmente em cartaz em três salas paulistanas, não conseguiu um distribuidor comercial. Schurman então lançou o filme na marra. É um sonho realizado, mas não atesta qualidade. Como foi o caso do uruguaio A casa, longa metragem inteiramente gravado com um Iphone.
Essas invencionices valem algum momento midiático, mas são pouco produtivas em termos mais amplos e culturais. Outra produção nacional lançada em 2011, Os 3 é fruto dessa estranha osmose entre tecnologia e cinema. A fita de Nando Olival tenta confluir questões clássicas do cinema com modernidades da era dos reality shows. O filme não consegue atingir seus objetivos, mas alinha uma lógica de produção que tem tudo para atingir seu pico nos próximos dez anos. Haverá, mais do que nunca, diretores estreantes pensando pouco o cinema - e a tendência é verificar um número ainda maior em países como o Brasil.

O cineasta alemão Wim Wenders deve ganhar uma indicação ao Oscar por seu documentário rodado em 3D


A linguagem cinematográfica, por sua vez, pode se ver em face de mudanças. James Cameron defende essa ideia há alguns anos. Em 2011 ganhou simpatizantes de peso na figura de cineastas como Wim Wenders, que rodou seu documentário Pina em 3D, Werner Herzog, outro a conceber um doc (The cave of forgotten dreams) no formato, Steven Spielberg (As aventuras de Tintim) e Martin Scorsese (A invenção de Hugo Cabret).
Este último, uma verdadeira enciclopédia cinematográfica ambulante, ecoou Cameron e disse entender que o 3D está para o cinema atual como os adventos do som e da cor estiveram em outra época. Os novos entusiastas do 3D vem socorrer a menina dos olhos de Cameron em um momento que o formato se vê vítima da cobiça desenfreada dos mesmos estúdios que discutem uma agenda alternativa de distribuição de filmes. Não é possível apontar se Scorsese e companhia estão certos, mas certamente o sucesso do 3D em sua proposta de tornar-se uma ferramenta narrativa cinematográfica passa pelo entusiasmo desses profissionais. Nesse sentido, enquanto o 3D encolhe nas bilheterias, o debate acerca de sua legitimidade como ferramenta narrativa se sofistica.
Esses foram os temas que subliminarmente pautaram o cinema enquanto arte e negócio, refletidos um no outro, em 2011. 2012 talvez encaminhe algumas respostas, mas a probabilidade é que viabilize mais algumas perguntas.

domingo, 22 de maio de 2011

Questões cinematográficas - Qual a saída de Hollywood após o novo ocaso do 3D?

Os óculos já não eram confortáveis e, a cada mês que passa e novo lançamento que chega, o 3D perde atratividade. Não é uma surpresa. Essa realidade já era esperada pelos executivos de estúdio. Até porque já aconteceu antes; na metade do século XX. Talvez James Cameron e alguns seguidores mais fervorosos do mago da tecnologia esperassem que o 3D, em sua nova encarnação, tivesse, como anunciavam, o “impacto do som” na evolução cinematográfica. James Cameron ainda continua engajado em provar a veracidade de sua profecia, que teve seus quinze minutos de viabilidade na esteira do mega sucesso de Avatar. Segundo Cameron, a avareza dos estúdios está pondo tudo a perder. Vira e mexe, o diretor de Titanic põe a boca no trambone a vociferar contra os filmes rodados em 2D e convertidos para o 3D na pós-produção. Segundo Cameron, esses filmes “sujam” a imagem do 3D e ajudam a cansar o público. O diretor, em entrevista a Entertainment Weekly em virtude do relançamento de Avatar nos cinemas no ano passado, declarou que o 3D não radicaliza a produção de cinema (contrariando um parecer próprio de alguns meses antes). “Assim como a cor não eliminou os filmes em preto e branco”, disse. Em 2008, quando Avatar estava em pós-produção, Cameron disse à mesma publicação que “tudo mundo estará fazendo filmes em 3D em 20 anos”.

James Cameron orienta seus atores no set de Avatar: Para o diretor, a revolução já foi maior do que será...


Tirado o componente marketeiro e o ócio dos fatos de cada declaração, as falas de James Cameron são sintomáticas de uma indústria (Hollywood e não o cinema) que agoniza em termos de renovação. Para se fazer um paralelo erudito, o ator Caco Ciocler, em entrevista ao Globo News em Pauta (programa do canal a cabo Globo News) afirmou que o stand up comedy é fruto de “uma crise criativa do teatro”. Para Ciocler, embora ele não veja o stand up comedy como teatro, ele entende que essa cada vez mais popular forma de entretenimento surgiu de uma crise da instituição teatral. É uma leitura interessante de se aproximar do que vivencia Hollywood diante do novo ocaso do 3D. O 3D, da perspectiva dos estúdios, representa um ganho financeiro maior com uma oferta de entretenimento que, em si, independe do filme. Do ponto de vista da realização, o 3D é mais uma alternativa narrativa. Foi o que fez o cineasta alemão Werner Herzog com o documentário Cave of forgotten dreams (2010). O filme, que foi lançado há três semanas nos EUA, mostra Herzog explorando cavernas francesas e fazendo uso do 3D. O alemão gostou da experiência. “O 3D adequou o sentido de profundidade que eu queria passar”, afirmou o diretor alemão ao New York Times. O problema é que o documentário de Herzog foi pouco visto. Pior, já foi concebido com essa limitação em mente. O 3D aqui, do ponto de vista da produção, é um recurso que apenas acresce ônus sem garantir retorno financeiro.
Essa dicotomia oficializa o fracasso do 3D como bote salva vidas de Hollywood. Salvo uma ou outra produção circunstancial, tal qual foi Avatar, o 3D não se cristalizará em lucro. Considerando as etapas de produção e a oferta em demasia de filmes no formato, resultará em um ônus cada vez maior. A pergunta que excede os caprichos de Cameron e o pragmatismo de Herzog é: Se não o 3D, o quê?

O alemão Werner Herzog, que esteve essa semana em São Paulo para um congresso sobre jornalismo cultural, inseriu o 3D no horizonte dos documentários. Outro alemão, Wim Wenders arrebatou o festival de Berlim com outro documentário no formato


A resposta não forma a unidade que favorece os preguiçosos. Manter Hollywood operante e altiva passa tanto pela aproximação do circuito de festivais (e plataformas como Veneza e Cannes nunca estiveram tão próximas), como pelo estreitamento do cinema comercial com um cinema mais pensante. Como provam o sucesso de filmes como Cisne negro e A origem, tão distintos em concepção e proposta, mas unidos pelo perfil do público a qual desejam se comunicar.
O Home Entertainment é um filão que os estúdios já manifestaram o desejo de explorar (para saber mais clique aqui). Em menos de quinze anos surgiram os DVDs, os Blu-rays, os streamings e os downloads digitais. A aparelhagem para se assistir cinema em casa evolui a passos largos e as salas de exibição perdem em matéria de atratividade com o alto custo dos ingressos. O cinema, com a democratização do acesso proposto pela internet, em um primeiro plano, e pela pirataria, em um segundo plano, passou a ser um programa de classe média para cima.

Cena de Thor, primeiro lançamento do verão americano de 2011: primeiro no mercado internacional...


A saída para Hollywood é conseguir motivar o público a pagar o ingresso para conferir um filme no cinema, tão logo isso seja possível. É lógico que alguns ajustes na distribuição precisam ser feitos pontualmente e a internet deve fazer parte desse entorno. Nos últimos três anos, os estúdios têm privilegiado o mercado internacional, nos lançamentos de seus principais blockbusters, em detrimento do mercado doméstico. A Marvel, por exemplo, lançou Homem de ferro 2 (2010) e Thor (2011) no mundo todo, para uma semana depois, lançar nos EUA. A geografia do marketing promocional também mudou. Hollywood aposta no mercado internacional como respiro de sua produção cinematográfica. É uma escolha acertada. Mas também não deixa de ser uma nuvem de fumaça. No final das contas, não há nenhuma tábua mágica de salvação. Precisa-se, apenas, de bons filmes.

domingo, 13 de junho de 2010

Ponto crítico - O 3D

Ponto Crítico destaca esse mês uma discussão que vem povoando a mente cinéfila nos últimos meses. Desde o final de 2008, o 3D dava sinais de que era uma aposta dos estúdios de Hollywood para combater a pirataria. O que era tomado como um mecanismo de defesa antigo (o primeiro grande frisson acerca do 3D data dos anos 60), ganhou status de nova ferramenta narrativa após James Cameron impressionar meio mundo (mas nem tanto quanto ele gostaria) com Avatar. A ficção cientifica que levou 8 anos para ser produzida e arrecadou U$ 2,7 bilhões de dólares nas bilheterias do mundo todo, atiçou a ganância de executivos dos principais estúdios de cinema. Avatar e suas cópias em 3D são responsáveis por 50% do faturamento de cinema nos últimos 6 meses. Um dado que com toda a justiça causa euforia nos entusiastas da tecnologia. Há quem acredite que o 3D será um bote salva vidas para um negócio ao relento como o cinema, cujos prejuízos causados pela pirataria aumentam ano após ano. Há quem diga também que esse não é o caso. Que o 3D é uma ferramenta narrativa valiosa que ainda precisa ser plenamente compreendida por diretores e roteiristas. “Nem todos são James Cameron”, constatou o óbvio o amigo e também entusiasta do 3D Robert Zemeckis em entrevista recente.

James Cameron, o midas do 3D: ele transformou o apelo da tecnologia para os próximos anos


Cartaz promocional de Toy Story 3, que estréia esta semana nos EUA: Por que não em 3D?

Cristiane Costa, editora do blog Madame Lumière, acrescenta um dado a essa engenhosa equação. “Para quem ama cinema como um espectador, é compensador perceber que há um interesse da indústria em tornar a experiência cinematográfica mais vívida, mais evocativamente sensorial como um híbrido momento de realidade e fantasia, independente de propósitos comerciais. Por outro lado, como crítica de cinema, penso que o 3D tem sido usado de forma exagerada sem prezar pela qualidade da tecnologia para um dado filme, e principalmente, sem avaliar criteriosamente se um longa-metragem deve ou não ser rodado em 3D”. Cristiane se refere a corrida ensandecida que alguns estúdios tem se lançado para converterem filmes rodados no tradicional 2D para a terceira dimensão. A Warner é o caso mais excepcional. O estúdio adiou o lançamento de Fúria de Titãs em quase um mês para que as cópias fossem convertidas para o 3D. Os dois últimos capítulos da saga de Harry Potter também estão sendo convertidos para o formato tridimensional. A Disney foi outra que enveredou pelo mesmo caminho. Os ingressos do 3D ajudaram a tornar Alice no país das maravilhas o quinto filme a superar a barreira do bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. Alex Gonçalves, do blog Cine Resenhas, gostou do que viu em Alice no país das maravilhas. Para ele, o filme de Tim Burton “encontra vida dentro do 3D”. Mas Alex Gonçalves faz uma valiosa ressalva: “ há diretores como James Cameron que estudam possibilidades de revolucionar o cinema 3D como testemunhado em Avatar. O problema se encontra na abertura dada para que estúdios se deem ao trabalho de somente converter aquilo que foi filmado com uma estratégia de lançamento diferente. É preciso saber fazer com que as ações vistas na tela grande consigam encontrar interatividade com aqueles que as contemplam em suas poltronas.”


Os ingressos em 3D ajudaram a Disney a arrecadar mais de U$ 1 bulhão nas bilheterias com o filme de Tim Burton


A editora do Madame Lumière, por sua vez, não aprovou o que viu em Fúria de Titãs. “Havia erros bizarros de perspectivas de imagens que se tornaram confusas na tela, ou seja, foi como assistir um filme retalhado às pressas para ser exibido em 3 D”. Cristiane continua: “A sensação é que fui enganada por um produto que não se dispõe a entregar o que deveria”.
Outra preocupação latente originada pela popularização do 3D (a cidade de São Paulo que há três anos tinha 10 salas habilitadas para exibir filmes no formato, hoje já conta com 35) é a homogeneização da produção cinematográfica americana. Setores da crítica argumentam que o 3D pode prejudicar severamente a produção independente americana, já que seria mais difícil os estúdios distribuírem ou comprarem esses filmes com a procura pelo 3D em ebulição. A editora do Madame Lumière não acredita nessa possibilidade. “Não acho que o 3 D possa prejudicar produções independentes porque o cinema é um calidoscópio de imagens que podem ser enfocadas e dirigidas de formas distintas exatamente para não alienar o expectador da sétima Arte. Há lugar para todos e o papel do cinema não é somente entreter mas também formar opinião crítica”. Para Cristiane Costa depende dos profissionais de cinema (diretores e equipes de produção) a articulação de soluções criativas para que a produção americana não fique engessada pelo deslumbre com o 3D.


Chris Nolan orienta Aaron Eckhart nos sets de Batman - o cavaleiro das trevas: o diretor bateu o pé com a Warner e garantiu que o terceiro filme do homem morcego sob seu comando não será em 3D


E quanto a salvação do cinema? O 3D é o caminho? Os blogueiros consultados por Claquete diferem em suas opiniões. “Honestamente penso que o Cinema não precisa ser salvo, muito menos pelo 3 D. O Cinema está além de artefatos meramente técnicos e é evidente perceber que os grandes blockbusters das últimas temporadas renderam o retorno financeiro sem apelar somente para o 3 D. O 3 D é um produto e como todo produto lançado com fins também comerciais, ele é baseado em uma tendência de consumo”, declara com convicção Cristiane Costa. Já Alex Gonçalves pondera que as inovações tecnológicas são responsáveis pela prosperidade do cinema. “O cinema sempre confere inovações tecnológicas, que vão desde aparelhos para reprodução de mídias até o próprio cinema 3D. Porém, todos esses avanços possuem data de validade, como o VHS que foi superado pelo DVD e que agora encontrou no Blu-ray seu provável substituto. O que quero dizer é que enquanto os estúdios não forem capazes de se sobressaírem dentro deste recurso, e não encará-lo somente como forma de potencializar a venda de seu produto, o público logo se cansará de investir mais no valor do ingresso”. Para o editor do Cine Resenhas, dentro deste cenário, o 3D é uma salvação para o cinema, mesmo que por um período determinado.
Cristiane Costa encerra a discussão sobre o 3D com uma frase que talvez sintetize o pensamento de todo apaixonado por cinema: “O que faz um bom Cinema é muito mais criar um éden de emoções humanas através de histórias genuinamente coerentes, profundas e verdadeiras do que um éden de recursos tecnológicos”.

domingo, 28 de março de 2010

Insight

Por que o 3D é mau negócio?

A julgar pelos resultados das bilheterias em 2009 e de como eles estiveram profundamente relacionados ao 3D, a afirmação que se seguirá no presente artigo não só parece fruto de desinformação como uma previsão digna de um profeta paraguaio (com o perdão aos paraguaios). Contudo, se é necessário reconhecer que a proliferação do 3D está vinculada a mais uma tentativa da indústria de frear a pirataria, é preciso reconhecer também que o 3D restringe ainda mais o cinema, enquanto atividade cultural, limita a qualidade da produção cinematográfica americana e faz mal a saúde. Sim. Isso mesmo que você leu. Não existe nenhum mal direto que possa ser ocasionado das transmissões em 3D. No entanto, médicos britânicos já advertiram para as inúmeras possibilidades de contaminações decorrentes de óculos 3D mal higienizados. Além, obviamente, das fortes dores de cabeça e das vistas cansadas. O que a longo prazo pode forçar uma pessoa a ter que aderir o uso de óculos de grau para vista cansada ou mesmo para leitura. No Brasil, ainda não há fiscalização regulamentada pela vigilância sanitária sobre a higienização dos óculos 3D.

O cenário pós Avatar
Porém, não é só a saúde do frequentador de cinema que está em risco com a popularização do 3D. A qualidade dos filmes deve cair maciçamente. Primeiro, em virtude do efeito Avatar, é sabido que haverá uma invasão de filmes 3D. Um exemplo da gana dos donos de estúdio pelo horizonte (de dólares) descortinado pela nova ferramenta (na verdade antiga, já que o 3D não é algo novo e o próprio cinema fez uso avantajado da tecnologia nos anos 60, embora com padrões tecnológicos bem mais modestos), é o adiamento da estréia do blockbuster Fúria de titãs. A Warner adiou o filme de março para maio, para que pudesse convertê-lo para 3D. Os dois novos filmes de Harry Potter, já em fase de pós-produção, serão submetidos ao mesmo procedimento. Mas não é só a Warner quem quer surfar na onda do 3D. Praticamente todos os estúdios têm projetos em 3D. Seja para filmes com performance capture (caso de filmes como Avatar e A lenda de Beowulf) ou live action (como os filmes do bruxinho de Hogwarts). A Sony, por exemplo, anunciou que o novo Homem –aranha será em 3D. Essa saturação do mercado aponta, primeiramente, para um esgotamento do interesse do espectador pelo 3D. Primeiro, porque haverá uma oferta tremenda, o que já implica em baixa de apelo. Segundo, por que os ingressos continuarão caros.

Cena de Fúria de titãs: Sam Worthington bem que tentou, mas não será dessa vez que ele não chegará aos cinemas em 3D



Um outro dado importante desse cenário pós – Avatar, será a predisposição dos estúdios de privilegiar os filmes em 3D ou que possam ser lançados também nesse formato. O que implica em uma hegemonização da produção cinematográfica americana. Serão menos dramas e menos comédias ganhando o aval do estúdio. O cinema independente que acabou de ganhar um impulso com a expressiva vitória no Oscar de Guerra ao terror sobre Avatar ( o representante do setor pró 3D) será o mais afetado por essa política que já está estabelecida em Hollywood.

E o pós 3D?
Essa fase do 3D, assim como a da década de 60, vai passar. Hollywood tem seus ciclos. Uns são mais longevos. Outros mais frequentes. No caso do 3D, seu segundo reinado em Hollywood se deve mais a ascensão da internet e aos prejuízos impostos pela pirataria do que por sua capacidade de atração. Outros mecanismos de defesa surgirão e, assim como o 3D, não serão imbatíveis. A concomitância desses outros mecanismos de defesa com a queda do interesse pelo 3D será providencial para a indústria. Os avanços do 3D no home vídeo terão efeito semelhante ao surgimento da TV, do DVD e do Blu-ray. Muitos propagarão a morte do cinema. Mais uma vez estarão errados. E os eixos hollywoodianos irão se ajustar. Mas não há como negar, que a próxima década se anuncia como de vacas magras para o cinéfilo de verdade.

Cena de Alice no país das maravilhas: a aventura de Tim Burton em 3D lidera as bilheterias há três semanas e deve perder o posto para outro filme em 3D, Como treinar seu dragão

sábado, 27 de março de 2010

De olho no futuro...


Eis o Capitão América
Depois de dois meses de intensa movimentação para escolher o intérprete do super soldado da Marvel, o Capitão América, o diretor Joe Johnston e os produtores do filme bateram o martelo em um nome, Chris Evans. O ator que já viveu o Tocha humana nos dois filmes do Quarteto fantástico ficou reticente quanto a proposta. Mas depois de dois dias do convite feito, aceitou. A escolha de Evans denota duas coisas. A primeira delas é a de que nenhum dos outros nomes “desconhecidos” aventados convenceu os produtores e a segunda, é o reconhecimento do carisma do ator que “roubou” a cena nos dois primeiros filmes da família fantástica.


Chris Evans põe-se a pensar:aceito ou não aceito?
Não criemos pânico
Muita gente ficou confusa e se indagou: Mas peraí, então ele vai ser o Capitão América e o Tocha humana? A Fox, que detém os direitos sobre o quarteto fantástico, anunciou que fará um reboot da série no cinema. Assim como também o fará com Demolidor, outro personagem Marvel controlado pela Fox. Nem Bem Affleck, nem o elenco original do quarteto voltam para esses novos filmes. Evans, tal qual outros atores como Christian Bale (Bruce Wayne e John Connor) e Hugh Jackman (Wolverine e Van Helsing), adentra o seleto rol de atores que vivem mais de um herói famoso.


Uma Bond girl sem muita graça
Foi anunciado essa semana o nome de Freida Pinto (a amada de Jamal em Quem quer ser um milionário?) como a nova Bond girl no filme que está previsto para começar a ser rodado no final do ano. A atriz, que também poderá ser vista no novo filme de Woody Allen, parece ser a que se deu melhor do elenco do festejado filme de 2008. Porém, em termos de Bond girl, é uma decepção. Depois de uma safra com Halle Berry, Teri Hatcher, Sophie Marceu, Rosemound Pike, Eva Green e Olga Kurykenko, Freida não é exatamente um nome que impressiona.

Freida Pinto faz pose sexy: Ela é a nova vítima do Bond de Daniel Craig
Uma dupla do barulho
Jason Bateman e Ben Afleck dividiram uma cena no thriller Intrigas de estado no ano passado. Afleck fazia um senador em maus lencóis enquanto que Bateman um informante atrapalhado. em Maré de azar, filme que também foi exibido (em circuito limitado) nos EUA no ano passado, Bateman e Afleck voltam a contracenar juntos. Dessa vez, Bateman vive um homem que beira o colapso de tantas responsabilidades e Afleck (com um visual porra louca) um cara que lhe apresenta algumas "formas" de relaxar. Maré de azar deve chegar as locadoras brasileiras até o final do semestre. Fique com o trailer:




O 3D não é uma opção
O diretor Michael Bay trava uma batalha informal com o estúdio Paramount que quer o terceiro Transformers em 3D. Só que o estúdio quer converter o filme para 3D depois de pronto, tal qual a Warner está fazendo com o que promete ser um dos hits do verão, Fúria de titãs. Acontece que Bay, que já é contrário ao 3D engrossou a voz: “Já não sou entusiasta do 3D e essa conversão aí, parece fake 3D”, disparou o diretor. No que ganhou um inusitado aliado. James Cameron, nada mais nada menos do que o Mr. 3D, atacou a febre dos estúdios pelo 3D. Cameron disse que dessa maneira a tecnologia seria banalizada. Já que as conversões para o 3D não são plenamente satisfatórias. Enquanto isso, Bay aposta no tradicional. Ou seja, nos bons atores (o que impressiona vindo de um diretor como Bay). Essa semana ele confirmou John Malkovic e Frances McDermond no elenco do terceiro Transformers.
Bay cruza os braços: 3D aqui não senhor!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

De olho no futuro...

“O cara” da Warner
A continuação de Batman – o cavaleiro das trevas continua uma incógnita. Até mesmo para Christopher Nolan que não sabe para onde levar, ou mesmo como levar, a cinesérie do morcego depois da participação arrebatadora e transformadora de Heath Ledger. Mas a Warner, que bancou o próximo, enigmático e aguardadíssimo filme do diretor, A origem, deposita toda a confiança do mundo no diretor. Depois de anunciar, há cerca de dois meses, que não mexeria em Superman (outro herói que a empresa detém os direitos), o estúdio admitiu que há negociações para que Nolan assuma o reboot do personagem no cinema.
Essa notícia mostra duas coisas. Primeira: Além de Eastwood, Nolan é o único diretor que a Warner faz questão de manter sob seus domínios. Desde sua estréia com o independente Amnésia, o diretor só fez filmes com o estúdio, mesmo sem ter um contrato de exclusividade. Segunda: Nolan é hoje o homem número um de Hollywood em termos de Blockbuster com inteligência. E o assédio, e a confiança, do estúdio que mais fatura anualmente corrobora isso.

Nolan está a frente de todos os principais projetos grandiosos e aguardados da Warner Brothers

O outro filme de Jeff Bridges
Todo mundo está falando de Jeff Bridges. Um dos bicho papões da temporada de prêmios por seu papel em Coração louco. Pois bem, em outro filme que Bridges estrelou em 2009, e que ainda não tem previsão de estréia aqui no Brasil, ele faz um tipo muito semelhante ao Bad Blake, seu personagem em Coração louco. Em The open Road, ele faz um homem cheio de arrependimentos e que embarca para uma segunda chance. Um Road movie que tem a presença de Justin Timberlake, que faz o filho negligenciado de Bridges. Confira o trailer do filme!





Prontos para mais uma aventura!
Está confirmadíssimo! O status de boato de que Tom Cruise retornaria para o quarto filme da série Missão impossível acaba de ser superado. A Paramount, estúdio responsável pela série, acaba de confirmar o ator como o superagente Ethan Hunt e J.J abrans, que dirigiu o terceiro filme, como produtor. O retorno de Cruise, que a bem da verdade já não faz dinheiro como antigamente, a franquia mostra que ambos os lados (Paramount e Cruise) superaram as desavenças passadas. Importante lembrar que o ator, que era contratado exclusivo do estúdio (uma das poucas estrelas que ainda gozava de um contrato nesses termos) foi demitido em 2006 após as declarações histéricas de amor a cientologia a Kate Holmes.

14 anos depois de rodar essa cena o quarto filme da série que já faturou mais de U$ 1, 5 bilhão é anunciado para o verão de 2011

O efeito Avatar!
Missão Impossível 4, cuja previsão de lançamento é para 2011, será rodado em 3D. Outro grande lançamento, que ocupou a mídia especializada –inclusive Claquete – recentemente, também será rodado em 3D. Trata-se de Homem-aranha 4. Todo mundo querendo tirar uma lasquinha do efeito avatar! E faturar tanto quanto. Já que o preço dos ingressos vão subir!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

James Cameron retoma a consciência

Na esteira da badalação que Avatar recebe pós-globo de ouro, que a bem da verdade ainda não é tão diferente da que o filme vinha recebendo antes mesmo da premiação, James Cameron teve uma epifania. Nas entrevistas para a imprensa no backstage do Bevely Hilton hotel, onde foi realizada a 67ª cerimônia do Globo de ouro, o diretor disse, entre outras coisas, que o 3D não é o futuro do cinema (como o próprio afirmava a torto e a direito anteriormente), mas que de agora em diante faz parte desse futuro. Essa afirmação, além de calcada na realidade, mostra que a vaidade de Cameron cedeu ao bom senso. A afirmação do diretor, fruto de reflexão, e de percepção de mercado, é algo que este blog já apontava com antecedência. O 3D é uma ferramenta para a potencialização do impacto cinematográfico. Como o são os efeitos especiais para os filmes de ação e os figurinos para os filmes de época. O espetáculo do cinema ganha mais uma valiosa ferramenta, mas nunca se poderia imaginar que seu futuro estaria intrinsecamente ligado a ela. Configuraria-se em uma pobreza de raciocínio e falta de compreensão do cinema e de sua representatividade. Passada a euforia em torno do filme e estabelecida a certeza do sucesso de Avatar (Cameron também falou da continuação do filme), essa frase mentirosa e verdadeiramente marketeira de que o filme antecipa o futuro do cinema, pode ser deixada para trás.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Insight

O titanic de James Cameron
Estreou mundialmente na sexta – feira Avatar, o novo filme de James Cameron. Mas Avatar, por uma conjunção tão improvável quanto excepcional de circunstâncias não pode ser considerado apenas o ‘novo filme de James Cameron’. A fita, orçada em U$ 250 milhões e que, especula-se, consumiu mais que o dobro dessa quantia em produção, marketing e distribuição, é nas palavras de seu próprio autor, a última e mais contundente revolução cinematográfica. Cameron também usa freqüentemente a palavra evolução, já que há, empírica e historicamente, uma tolerância maior a esse termo do que a ‘revolução’.
Passaram-se 12 anos desde Titanic, seu último filme e maior sucesso de bilheteria da história e foram 14 anos para que Cameron pudesse materializar Avatar, um sonho que teve e ao qual agregou referências diversas, desde quadrinhos da Marvel à mensagens ecológicas.
A razão para tanta espera foi a ausência de tecnologia para “traduzir” a visão de Cameron para celulóide. Foi o diretor quem assumiu a tarefa de ajudar a desenvolver a tecnologia que deu vida ao universo mitológico de Avatar. Contudo, não foram só câmeras, softwares e programas complexos que o diretor viabilizou. Cameron criou toda uma mitologia, em uma aspiração tolkeniana, ele deu vida aos Na´vi , a um planeta (Pandora), a um ecossistema e todas as suas características (fauna, animais, etc) e pequenas minúcias como linguagem e História.
Avatar é um colosso por todo e qualquer ângulo que se observe. A megalomania de Cameron é fruto de ataques por muitos setores da critica e da indústria. A Fox, no entanto, confiou piamente no diretor que deu ao estúdio, apesar de desacreditado então, o maior sucesso de bilheteria da história, 11 Oscars e muito faturamento em produtos ligados a Titanic. Se Cameron sofreu pressão do estúdio durante os 4 anos em que desenvolveu Avatar, ele não transpareceu, porém, agora a história é outra. Com o lançamento do filme nos cinemas muito está em jogo. E não se trata apenas de se medir a viabilidade do 3D ou o futuro financeiro da Fox. James Cameron construiu seu próprio Titanic. Uma bilheteria de 1 bilhão de dólares não irá representar o lucro que o que o som “bilhão” permite aferir. Não chegar ao bilhão então seria temerário para Cameron e para a evolução proposta por ele.

Sam Warthington em cena de Avatar: A tecnologia existe para viabilizar o filme ou filme para viabilizar a tecnologia?

Tecnologia a serviço da história
James Cameron sempre foi um entusiasta da tecnologia e por osmose, da ficção cientifica. Ele criou um dos maiores ícones culturais do século passado, O exterminador do futuro. Também deixou suas digitais em Aliens e O segredo do abismo. Avatar pode ser considerado, em linhas gerais, o testamento artístico de James Cameron. A obra pela qual quer ser julgado pela história do cinema. A ambição, embora legitima, pode custar a fama e o status de Cameron. O primeiro indício disso surgiu no Avatar day. Em 21 de agosto desse ano, Cameron, em mais um golpe de marketing bem engendrado, promoveu seu filme em diversas mídias, em escala global. A recepção à Avatar foi de morna para baixo.
Cameron então argumentou que seu filme fora feito para ser assistido em 3D e na tela grande. Que só assim a “experiência Avatar” poderia ser plenamente experimentada.
De fato, as primeiras criticas foram lisonjeiras com o filme, embora não o reconheçam como evolução, no máximo admitem um passo adiante nas já evoluídas técnicas de se contar uma história. O que importa é que Cameron teve de se justificar, algo indesejável em tais circunstâncias.
4 anos de trabalho árduo: Cameron pôs o seu na reta

Também há por aí muitas ressalvas aos méritos de Avatar e de Cameron, mais precisamente. A percepção geral é de que a razão de ser do filme é simplesmente proporcionar deslumbramento tecnológico. Há um naco de história, embalada na correção política da preservação da natureza, que nunca convence e que ainda é prejudicada pelo que o filme tem de mais atrativo, seus efeitos especiais. Se essa percepção vingar, será um grande revés para Cameron que sempre se orgulhou de usar a tecnologia a serviço de uma boa história. Até mesmo em Titanic, o navio vem abaixo com toda a pompa e espetáculo que milhões em efeitos especiais podem proporcionar para que uma linda e trágica história de amor possa ser contada.