sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Questões cinematográficas - O significado de 2011 para o cinema
domingo, 22 de maio de 2011
Questões cinematográficas - Qual a saída de Hollywood após o novo ocaso do 3D?
domingo, 13 de junho de 2010
Ponto crítico - O 3D


Cristiane Costa, editora do blog Madame Lumière, acrescenta um dado a essa engenhosa equação. “Para quem ama cinema como um espectador, é compensador perceber que há um interesse da indústria em tornar a experiência cinematográfica mais vívida, mais evocativamente sensorial como um híbrido momento de realidade e fantasia, independente de propósitos comerciais. Por outro lado, como crítica de cinema, penso que o 3D tem sido usado de forma exagerada sem prezar pela qualidade da tecnologia para um dado filme, e principalmente, sem avaliar criteriosamente se um longa-metragem deve ou não ser rodado em 3D”. Cristiane se refere a corrida ensandecida que alguns estúdios tem se lançado para converterem filmes rodados no tradicional 2D para a terceira dimensão. A Warner é o caso mais excepcional. O estúdio adiou o lançamento de Fúria de Titãs em quase um mês para que as cópias fossem convertidas para o 3D. Os dois últimos capítulos da saga de Harry Potter também estão sendo convertidos para o formato tridimensional. A Disney foi outra que enveredou pelo mesmo caminho. Os ingressos do 3D ajudaram a tornar Alice no país das maravilhas o quinto filme a superar a barreira do bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. Alex Gonçalves, do blog Cine Resenhas, gostou do que viu em Alice no país das maravilhas. Para ele, o filme de Tim Burton “encontra vida dentro do 3D”. Mas Alex Gonçalves faz uma valiosa ressalva: “ há diretores como James Cameron que estudam possibilidades de revolucionar o cinema 3D como testemunhado em Avatar. O problema se encontra na abertura dada para que estúdios se deem ao trabalho de somente converter aquilo que foi filmado com uma estratégia de lançamento diferente. É preciso saber fazer com que as ações vistas na tela grande consigam encontrar interatividade com aqueles que as contemplam em suas poltronas.”

A editora do Madame Lumière, por sua vez, não aprovou o que viu em Fúria de Titãs. “Havia erros bizarros de perspectivas de imagens que se tornaram confusas na tela, ou seja, foi como assistir um filme retalhado às pressas para ser exibido em 3 D”. Cristiane continua: “A sensação é que fui enganada por um produto que não se dispõe a entregar o que deveria”.
Outra preocupação latente originada pela popularização do 3D (a cidade de São Paulo que há três anos tinha 10 salas habilitadas para exibir filmes no formato, hoje já conta com 35) é a homogeneização da produção cinematográfica americana. Setores da crítica argumentam que o 3D pode prejudicar severamente a produção independente americana, já que seria mais difícil os estúdios distribuírem ou comprarem esses filmes com a procura pelo 3D em ebulição. A editora do Madame Lumière não acredita nessa possibilidade. “Não acho que o 3 D possa prejudicar produções independentes porque o cinema é um calidoscópio de imagens que podem ser enfocadas e dirigidas de formas distintas exatamente para não alienar o expectador da sétima Arte. Há lugar para todos e o papel do cinema não é somente entreter mas também formar opinião crítica”. Para Cristiane Costa depende dos profissionais de cinema (diretores e equipes de produção) a articulação de soluções criativas para que a produção americana não fique engessada pelo deslumbre com o 3D.

E quanto a salvação do cinema? O 3D é o caminho? Os blogueiros consultados por Claquete diferem em suas opiniões. “Honestamente penso que o Cinema não precisa ser salvo, muito menos pelo 3 D. O Cinema está além de artefatos meramente técnicos e é evidente perceber que os grandes blockbusters das últimas temporadas renderam o retorno financeiro sem apelar somente para o 3 D. O 3 D é um produto e como todo produto lançado com fins também comerciais, ele é baseado em uma tendência de consumo”, declara com convicção Cristiane Costa. Já Alex Gonçalves pondera que as inovações tecnológicas são responsáveis pela prosperidade do cinema. “O cinema sempre confere inovações tecnológicas, que vão desde aparelhos para reprodução de mídias até o próprio cinema 3D. Porém, todos esses avanços possuem data de validade, como o VHS que foi superado pelo DVD e que agora encontrou no Blu-ray seu provável substituto. O que quero dizer é que enquanto os estúdios não forem capazes de se sobressaírem dentro deste recurso, e não encará-lo somente como forma de potencializar a venda de seu produto, o público logo se cansará de investir mais no valor do ingresso”. Para o editor do Cine Resenhas, dentro deste cenário, o 3D é uma salvação para o cinema, mesmo que por um período determinado.
Cristiane Costa encerra a discussão sobre o 3D com uma frase que talvez sintetize o pensamento de todo apaixonado por cinema: “O que faz um bom Cinema é muito mais criar um éden de emoções humanas através de histórias genuinamente coerentes, profundas e verdadeiras do que um éden de recursos tecnológicos”.
domingo, 28 de março de 2010
Insight
A julgar pelos resultados das bilheterias em 2009 e de como eles estiveram profundamente relacionados ao 3D, a afirmação que se seguirá no presente artigo não só parece fruto de desinformação como uma previsão digna de um profeta paraguaio (com o perdão aos paraguaios). Contudo, se é necessário reconhecer que a proliferação do 3D está vinculada a mais uma tentativa da indústria de frear a pirataria, é preciso reconhecer também que o 3D restringe ainda mais o cinema, enquanto atividade cultural, limita a qualidade da produção cinematográfica americana e faz mal a saúde. Sim. Isso mesmo que você leu. Não existe nenhum mal direto que possa ser ocasionado das transmissões em 3D. No entanto, médicos britânicos já advertiram para as inúmeras possibilidades de contaminações decorrentes de óculos 3D mal higienizados. Além, obviamente, das fortes dores de cabeça e das vistas cansadas. O que a longo prazo pode forçar uma pessoa a ter que aderir o uso de óculos de grau para vista cansada ou mesmo para leitura. No Brasil, ainda não há fiscalização regulamentada pela vigilância sanitária sobre a higienização dos óculos 3D.
O cenário pós Avatar
Porém, não é só a saúde do frequentador de cinema que está em risco com a popularização do 3D. A qualidade dos filmes deve cair maciçamente. Primeiro, em virtude do efeito Avatar, é sabido que haverá uma invasão de filmes 3D. Um exemplo da gana dos donos de estúdio pelo horizonte (de dólares) descortinado pela nova ferramenta (na verdade antiga, já que o 3D não é algo novo e o próprio cinema fez uso avantajado da tecnologia nos anos 60, embora com padrões tecnológicos bem mais modestos), é o adiamento da estréia do blockbuster Fúria de titãs. A Warner adiou o filme de março para maio, para que pudesse convertê-lo para 3D. Os dois novos filmes de Harry Potter, já em fase de pós-produção, serão submetidos ao mesmo procedimento. Mas não é só a Warner quem quer surfar na onda do 3D. Praticamente todos os estúdios têm projetos em 3D. Seja para filmes com performance capture (caso de filmes como Avatar e A lenda de Beowulf) ou live action (como os filmes do bruxinho de Hogwarts). A Sony, por exemplo, anunciou que o novo Homem –aranha será em 3D. Essa saturação do mercado aponta, primeiramente, para um esgotamento do interesse do espectador pelo 3D. Primeiro, porque haverá uma oferta tremenda, o que já implica em baixa de apelo. Segundo, por que os ingressos continuarão caros.

E o pós 3D?
Essa fase do 3D, assim como a da década de 60, vai passar. Hollywood tem seus ciclos. Uns são mais longevos. Outros mais frequentes. No caso do 3D, seu segundo reinado em Hollywood se deve mais a ascensão da internet e aos prejuízos impostos pela pirataria do que por sua capacidade de atração. Outros mecanismos de defesa surgirão e, assim como o 3D, não serão imbatíveis. A concomitância desses outros mecanismos de defesa com a queda do interesse pelo 3D será providencial para a indústria. Os avanços do 3D no home vídeo terão efeito semelhante ao surgimento da TV, do DVD e do Blu-ray. Muitos propagarão a morte do cinema. Mais uma vez estarão errados. E os eixos hollywoodianos irão se ajustar. Mas não há como negar, que a próxima década se anuncia como de vacas magras para o cinéfilo de verdade.

Cena de Alice no país das maravilhas: a aventura de Tim Burton em 3D lidera as bilheterias há três semanas e deve perder o posto para outro filme em 3D, Como treinar seu dragão
sábado, 27 de março de 2010
De olho no futuro...
Eis o Capitão América
Depois de dois meses de intensa movimentação para escolher o intérprete do super soldado da Marvel, o Capitão América, o diretor Joe Johnston e os produtores do filme bateram o martelo em um nome, Chris Evans. O ator que já viveu o Tocha humana nos dois filmes do Quarteto fantástico ficou reticente quanto a proposta. Mas depois de dois dias do convite feito, aceitou. A escolha de Evans denota duas coisas. A primeira delas é a de que nenhum dos outros nomes “desconhecidos” aventados convenceu os produtores e a segunda, é o reconhecimento do carisma do ator que “roubou” a cena nos dois primeiros filmes da família fantástica.

Muita gente ficou confusa e se indagou: Mas peraí, então ele vai ser o Capitão América e o Tocha humana? A Fox, que detém os direitos sobre o quarteto fantástico, anunciou que fará um reboot da série no cinema. Assim como também o fará com Demolidor, outro personagem Marvel controlado pela Fox. Nem Bem Affleck, nem o elenco original do quarteto voltam para esses novos filmes. Evans, tal qual outros atores como Christian Bale (Bruce Wayne e John Connor) e Hugh Jackman (Wolverine e Van Helsing), adentra o seleto rol de atores que vivem mais de um herói famoso.
Uma Bond girl sem muita graça
Foi anunciado essa semana o nome de Freida Pinto (a amada de Jamal em Quem quer ser um milionário?) como a nova Bond girl no filme que está previsto para começar a ser rodado no final do ano. A atriz, que também poderá ser vista no novo filme de Woody Allen, parece ser a que se deu melhor do elenco do festejado filme de 2008. Porém, em termos de Bond girl, é uma decepção. Depois de uma safra com Halle Berry, Teri Hatcher, Sophie Marceu, Rosemound Pike, Eva Green e Olga Kurykenko, Freida não é exatamente um nome que impressiona.


sábado, 13 de fevereiro de 2010
De olho no futuro...
A continuação de Batman – o cavaleiro das trevas continua uma incógnita. Até mesmo para Christopher Nolan que não sabe para onde levar, ou mesmo como levar, a cinesérie do morcego depois da participação arrebatadora e transformadora de Heath Ledger. Mas a Warner, que bancou o próximo, enigmático e aguardadíssimo filme do diretor, A origem, deposita toda a confiança do mundo no diretor. Depois de anunciar, há cerca de dois meses, que não mexeria em Superman (outro herói que a empresa detém os direitos), o estúdio admitiu que há negociações para que Nolan assuma o reboot do personagem no cinema.
Essa notícia mostra duas coisas. Primeira: Além de Eastwood, Nolan é o único diretor que a Warner faz questão de manter sob seus domínios. Desde sua estréia com o independente Amnésia, o diretor só fez filmes com o estúdio, mesmo sem ter um contrato de exclusividade. Segunda: Nolan é hoje o homem número um de Hollywood em termos de Blockbuster com inteligência. E o assédio, e a confiança, do estúdio que mais fatura anualmente corrobora isso.

O outro filme de Jeff Bridges
Todo mundo está falando de Jeff Bridges. Um dos bicho papões da temporada de prêmios por seu papel em Coração louco. Pois bem, em outro filme que Bridges estrelou em 2009, e que ainda não tem previsão de estréia aqui no Brasil, ele faz um tipo muito semelhante ao Bad Blake, seu personagem em Coração louco. Em The open Road, ele faz um homem cheio de arrependimentos e que embarca para uma segunda chance. Um Road movie que tem a presença de Justin Timberlake, que faz o filho negligenciado de Bridges. Confira o trailer do filme!
Prontos para mais uma aventura!
Está confirmadíssimo! O status de boato de que Tom Cruise retornaria para o quarto filme da série Missão impossível acaba de ser superado. A Paramount, estúdio responsável pela série, acaba de confirmar o ator como o superagente Ethan Hunt e J.J abrans, que dirigiu o terceiro filme, como produtor. O retorno de Cruise, que a bem da verdade já não faz dinheiro como antigamente, a franquia mostra que ambos os lados (Paramount e Cruise) superaram as desavenças passadas. Importante lembrar que o ator, que era contratado exclusivo do estúdio (uma das poucas estrelas que ainda gozava de um contrato nesses termos) foi demitido em 2006 após as declarações histéricas de amor a cientologia a Kate Holmes.

O efeito Avatar!
Missão Impossível 4, cuja previsão de lançamento é para 2011, será rodado em 3D. Outro grande lançamento, que ocupou a mídia especializada –inclusive Claquete – recentemente, também será rodado em 3D. Trata-se de Homem-aranha 4. Todo mundo querendo tirar uma lasquinha do efeito avatar! E faturar tanto quanto. Já que o preço dos ingressos vão subir!
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
James Cameron retoma a consciência
domingo, 20 de dezembro de 2009
Insight
Passaram-se 12 anos desde Titanic, seu último filme e maior sucesso de bilheteria da história e foram 14 anos para que Cameron pudesse materializar Avatar, um sonho que teve e ao qual agregou referências diversas, desde quadrinhos da Marvel à mensagens ecológicas.
A razão para tanta espera foi a ausência de tecnologia para “traduzir” a visão de Cameron para celulóide. Foi o diretor quem assumiu a tarefa de ajudar a desenvolver a tecnologia que deu vida ao universo mitológico de Avatar. Contudo, não foram só câmeras, softwares e programas complexos que o diretor viabilizou. Cameron criou toda uma mitologia, em uma aspiração tolkeniana, ele deu vida aos Na´vi , a um planeta (Pandora), a um ecossistema e todas as suas características (fauna, animais, etc) e pequenas minúcias como linguagem e História.
Avatar é um colosso por todo e qualquer ângulo que se observe. A megalomania de Cameron é fruto de ataques por muitos setores da critica e da indústria. A Fox, no entanto, confiou piamente no diretor que deu ao estúdio, apesar de desacreditado então, o maior sucesso de bilheteria da história, 11 Oscars e muito faturamento em produtos ligados a Titanic. Se Cameron sofreu pressão do estúdio durante os 4 anos em que desenvolveu Avatar, ele não transpareceu, porém, agora a história é outra. Com o lançamento do filme nos cinemas muito está em jogo. E não se trata apenas de se medir a viabilidade do 3D ou o futuro financeiro da Fox. James Cameron construiu seu próprio Titanic. Uma bilheteria de 1 bilhão de dólares não irá representar o lucro que o que o som “bilhão” permite aferir. Não chegar ao bilhão então seria temerário para Cameron e para a evolução proposta por ele.
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Tecnologia a serviço da história
James Cameron sempre foi um entusiasta da tecnologia e por osmose, da ficção cientifica. Ele criou um dos maiores ícones culturais do século passado, O exterminador do futuro. Também deixou suas digitais em Aliens e O segredo do abismo. Avatar pode ser considerado, em linhas gerais, o testamento artístico de James Cameron. A obra pela qual quer ser julgado pela história do cinema. A ambição, embora legitima, pode custar a fama e o status de Cameron. O primeiro indício disso surgiu no Avatar day. Em 21 de agosto desse ano, Cameron, em mais um golpe de marketing bem engendrado, promoveu seu filme em diversas mídias, em escala global. A recepção à Avatar foi de morna para baixo.
Cameron então argumentou que seu filme fora feito para ser assistido em 3D e na tela grande. Que só assim a “experiência Avatar” poderia ser plenamente experimentada.
De fato, as primeiras criticas foram lisonjeiras com o filme, embora não o reconheçam como evolução, no máximo admitem um passo adiante nas já evoluídas técnicas de se contar uma história. O que importa é que Cameron teve de se justificar, algo indesejável em tais circunstâncias.
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Também há por aí muitas ressalvas aos méritos de Avatar e de Cameron, mais precisamente. A percepção geral é de que a razão de ser do filme é simplesmente proporcionar deslumbramento tecnológico. Há um naco de história, embalada na correção política da preservação da natureza, que nunca convence e que ainda é prejudicada pelo que o filme tem de mais atrativo, seus efeitos especiais. Se essa percepção vingar, será um grande revés para Cameron que sempre se orgulhou de usar a tecnologia a serviço de uma boa história. Até mesmo em Titanic, o navio vem abaixo com toda a pompa e espetáculo que milhões em efeitos especiais podem proporcionar para que uma linda e trágica história de amor possa ser contada.