sábado, 9 de outubro de 2010

Panorama - A professora de piano


Michael Haneke é defensor de um cinema de choque. Que exponha em imagens a contradição humana. Não é um dividendo tão fácil de ser conquistado por um cineasta, mas Haneke é dos poucos a consegui-lo de maneira quase sucessiva em seus filmes. A professora de piano (La pianiste, França/Áustria 2001) é  um dos muitos trabalhos do diretor a deixar a platéia presa em um estado de imersão do qual não consegue se desvencilhar. Na trama, Isabelle Huppert (bastante premiada pelo papel) vive Erika Kohut, uma professora de piano em um conservatório de Viena. Erika mantém, em um primeiro olhar, uma vida bastante pacata. Mora com a mãe, toca música clássica e não se envolve com modismos passageiros (em uma demonstração de rigor conservador), mas Erika também costuma frequentar cinemas pornôs em busca de excitação. O inicio de uma relação com um de seus alunos, pautada por jogos perversos (em sua maioria de natureza sexual) culmina para que conheçamos mais da verdade daquela mulher e que a sombra projetada por gestos dissimulados possa ser percebida como tal.
A professora de piano não é o melhor filme de Michael Haneke, mas é tão eloquente quanto em sua proposta deflagradora de debates e de cisões entre os aforismos que vigoram em nossa sociedade. Um filme que exige do espectador paciência, estômago e cumplicidade; e apresenta um cineasta que não gosta de teorizar o mundo provendo-lhe respostas, mas fazendo as perguntas certas.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tropa de elite 2 - Do conceito ao filme

Com a arma apontada para a platéia. Foi assim que Tropa de elite, maior sucesso de público e crítica do cinema nacional nos últimos anos, se encerrava. Como seguir adiante depois de um final tão eloquente? Tão definitivo? José Padilha, Marcos Prado e Bráulio Mantovani, as três principais mentes por trás do primeiro filme (e do segundo), sabiam que precisavam apresentar algo genuinamente novo. Alguma coisa que escapara, de alguma forma, ao primeiro filme. Mas o quê? Tropa de elite é um filme coeso e muitíssimo bem resolvido, com arestas aparadas e discurso multifacetado. “A primeira coisa foi desenvolver um arco dramático para o personagem Nascimento”, revelou o roteirista Bráulio Mantovani em entrevista à revista Preview. Mantovani alude com sua resposta ao fato de que o protagonista legítimo do primeiro filme era Matias (André Ramiro). “Houve uma mudança na sala de edição. Percebemos que o Wagner (Moura, intérprete do capitão Nascimento) havia roubado o filme. Então mudamos o foco narrativo. Ele se tornou o narrador da história, mas a transformação era do Matias. O Nascimento termina o filme como começou”. Essa então é a primeira diretriz do novo filme. O protagonista de Tropa de elite 2 é Nascimento, promovido a coronel e, logo, a integrante da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.


Agora ele é mesmo o cara: em Tropa de elite 2, a transformação ocorre com Nascimento...


O personagem de maior ressonância do cinema nacional na última década vai “sofrer como protagonista” garante o roteirista do filme. Era necessário ampliar o escopo da crítica que Tropa de elite pretende ser. Depois da corrupção no âmago da Policia Militar era hora de focar as relações escusas entre polícia e governo. As politicagens que desembocaram nas organizações criminosas conhecidas como milícias.
José Padilha admite que o mais complicado foi elaborar o segundo filme. A realização não foi tão problemática. “Tivemos apoio”, declarou o diretor ao programa Starte da Globo News. O diretor argumenta que teve acesso ao equipamento e as instalações do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar), algo que de certa forma faltara ao primeiro filme. Padilha lembra, também, que só realizou este segundo Tropa porque tinha o que dizer. “Detesto a sensação de estar me repetindo.”
O advento do cenário político carioca provocou muitas mudanças no roteiro do filme. “A primeira versão foi minha. Depois o Zé (Padilha) reescreveu. E na sala de edição mudamos algumas coisas, mas nada tão profundo quanto no primeiro filme”, explica Mantovani.

O "Nascimento da vez": no novo filme vemos Matias operando como seu mentor


Invariavelmente, Tropa de elite 2 chega sob altas expectativas. José Padilha armou um verdadeiro esquema de guerra para evitar o que ocorreu na ocasião do lançamento do primeiro filme: uma cópia pirata nos camelôs um mês antes do filme nos cinemas. A primeira exibição da fita ocorreu nesta terça-feira em Paulínia para uma platéia selecionada composta pelo elenco do filme, alguns jornalistas e muita gente do cinema. As primeiras críticas que surgem apontam para um filme vigoroso e que em certos aspectos supera a ousadia do primeiro filme.
José Padilha, as vésperas de se lançar na produção de Nunca antes na história desse país (um filme sobre corrupção à brasileira) não pede para sair. Ele segue provocando o debate na sociedade brasileira. Em recente entrevista à Veja disparou: “Com todo o respeito por quem faz, mas cinema puramente comercial não me interessa”.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

TOP 10

Eles já estão aí há algum tempo. Alguns se proliferam nas comédias românticas, outros em filmes que não guardam nenhum tipo de romantismo. Em comum eles têm a fase em que se encontram na vida. São todos cinquentões. O TOP 10 traz para o leitor e, especialmente, para as leitoras os dez cinquentões mais charmosos do cinema.

10 – Alec Baldwin
                                                                     52 anos                                                                       

Ele pode ter ganhado uns quilinhos, mas Alec Baldwin continua ostentando aquela dose de charme de outrora. Basta ver sua composição sofisticada no recente Simplesmente complicado para constatar que Baldwin ainda pode ser tido como um “catchy”.



9 – Hugh Grant
50 anos

Recém ingresso no clube dos cinqüentões, o inglês de riso fácil é um habituê de comédias românticas. Continuar a estrelar esse tipo de filme aos 50 anos é uma prova cabal de que há mais charme do que o sugerido pelo sotaque.


8- Kevin Spacey


51 anos

Tem coisa mais chique do que americano radicado em Londres? E que dirija uma companhia teatral? Que tenha dois Oscars, gosto apurado pela literatura, politicamente engajado e sempre moderado na hora de usar a voz? Kevin Spacey é assim. Isso também é conhecido em alguns lugares do mundo como charme.


7- Ricardo Darín

53 anos

É pacífico que latinos mexem com as mulheres. Na profusão de clichês atribuídos aos sexy lovers, Ricardo Darín não chega a ser uma exceção. Mas seus atributos vão além deste perfil. Darín esbanja vitalidade sem prescindir da doçura. Tudo embalado pela língua portenha.



6 – Tim Robbins


51 anos

Até pouco tempo ele fazia parte da união mais duradoura de Hollywood. As duas décadas de casamento com Susan Sarandon ficaram para trás, mas a imagem de homem apaixonado, fiel e de classe permanece.



5 - Sean Penn


50 anos

O que dizer de um bad boy com consciência social? Sean Penn já deu uns catilipapos em Madonna, mas também ajudou, com as próprias mãos, na reconstrução de Nova Orleans. Penn é avesso a grandes eventos midiáticos, mas sempre dá um jeitinho de roubar a cena.



4- Bruce Willis


55 anos

Se existe um careca que elas ainda gostam é Bruce Willis. O eterno duro de matar já não exibe a forma física de outrora, mas continua agradando com o sorriso fácil e a postura de astro acidental.



3- Colin Firth

50 anos

Ele conquistou o coração de Bridget Jones e muitas outras mulheres como Mark Darcy. Firth já provou ser grande ator, mas a aura romântica parece lhe acompanhar onde quer que vá. Uma projeção que faz bem a carreira do inglês e ao charme do tímido e retraído ator.

 
 
2- Viggo Mortensen


51 anos

Um dos atores mais polivalentes da Hollywood atual descobriu o sucesso já na idade do lobo, na pele do Aragorn de O senhor dos anéis. Ponderado e extremamente simpático, Viggo tem a seu favor a beleza rústica.



1- David Duchovny

50 anos

De certa forma, ele ainda tem cara de bebê. E isso ajuda entender porque ele dá tão certo na TV e no cinema. Duchovny acaba de completar 50 anos, mas isso não diminui em nada seu charme despojado de mamãe quero colo. Alguém se habilita?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Claquete destaca

+ Enquanto o Brasil ataca com Lula- o filho do Brasil, a Argentina anunciou esta semana que o selecionado do país para tentar o Oscar é Carancho, novo trabalho de Pablo Trapero. O filme, exibido e aplaudido efusivamente em Cannes, está em exibição no Festival do Rio.

+ Julia Roberts e Meryl Streep devem atuar juntas em August: osage county. Adaptação da peça de humor negro premiada com um Tony e um Pulitzer. O projeto é da Weinstein company.

+ E Meryl Streep também foi confirmada em The iron lady, cinebiografia da ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher. O filme deve começar a ser rodado até o final do ano e tem previsão de estréia para o fim de 2011.

+ Mais uma nota de falecimento de uma grande figura de Hollywood. Morreu, aos 81 anos, o ator Tony Curtis. Imortalizado ao lado de Jack Lemmon na comédia Quanto mais quente melhor, Curtis era tido como um dos grandes galãs da era de ouro hollywoodiana. Como tantos outros teve seus escândalos por conta de álcool, drogas e mulheres.
Tony na praia: dolce vitta...


+ O leitor de Claquete parece não ter sido cativado por Wall street- o dinheiro nunca dorme. Em enquete promovida pelo blog, 33% disseram que gostaram muito do filme, mas a porcentagem restante assinalou alternativas que de alguma maneira rechaçam o filme. Como não gostou do filme (17%) ou que a fita não pertence ao gênero que costuma apreciar (12%). Em enquete paralela, a maioria acolheu Platoon como o melhor filme de Oliver Stone. A fita de 1986 foi seguida de perto por JFK – a pergunta que não quer calar e Wall street – poder e cobiça.

+ Christopher Nolan não consegue se dividir em dois. Então, enquanto dirige o terceiro Batman (que na verdade será o sétimo), produzirá o reboot que a Warner toca de Superman. Nolan anunciou nesta semana que o diretor responsável pela empreitada será Zack Snyder (300 e Watchmen). Snyder, já como diretor, anunciou que Brandon Routh não retorna como Clark Kent/super-homem. Está aberta a temporada de caça ao homem de aço.Literalmente.

+ Conforme Claquete previra há alguns meses, o quarto filme da série Bourne, Bourne legacy (que ainda não conta com a participação de Matt Damon), será dirigido por Tony Gilroy. Roteirista da trilogia original e diretor de filmes como Conduta de risco e Duplicidade, Gilroy era a escolha óbvia da Universal para tentar manter o mínimo de pedigree numa série que já parece solvente. Vale lembrar que o novo filme não será baseado na obra de Robert Ludlum.

+ A revista inglesa Empire divulgou novas imagens de um dos grandes lançamentos do ano que vem. Chis Hemsworth é Thor e ele chega aos cinemas em maio de 2011.

 Chris como o mitológico Thor...


... e ao lado de Natalie Portman recebendo instruções do diretor Kenneth Branagh

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cenas de cinema

David Letterman sabia?

Depois da revelação de que o “surto” de Joaquin Phoenix não passou de uma farsa orquestrada pelo próprio e por Casey Affleck para quem pudessem rodar uma crítica “naturalista” a indústria das celebridades, instalou-se a pergunta: David Letterman sabia?
Para quem não se lembra, em fevereiro de 2009, o ator compareceu irreconhecível (ele manteria o visual riponga dali em diante) para uma entrevista promocional do filme Amantes. Nos 10 minutos de entrevista, Joaquin aparentava embriaguez e não falava coisa com coisa. Foi um dos momentos mais bizarros da Hollywood atual e rendeu discussões, adivinhações e paródias. A mais famosa “tiração de sarro” foi do ator Ben Stiller no Oscar do ano passado.
Phoenix voltou ao programa de David Letterman no mês passado e esclareceu que Letterman não sabia. Ele e o apresentador do Late show encenaram uma briguinha para promover o fracassado documentário sobre o surto de Phoenix. De barba feita e bastante simpático, Joaquin assumiu seu novo papel: tentar fazer o último ano valer alguns dólares a mais na bilheteria.

 
Um papai que causa furor

Pois é, existem pais que são verdadeiras atrações em festas infantis e não estamos falando daquele pai que pula na piscina de bolinhas. Estamos falando de Brad Pitt que causou um verdadeiro furor ao acompanhar sua filha Zahara na festa da filha do vocalista do Soundgarden Chirs Cornell. Papai Pitt roubou os holofotes. Imagina como a filha de Cornell se sentiria se fosse seu casamento?



O que Clint Eastwood poderia ter sido

O ator Clint Eastwood admitiu em recente entrevista que recebeu um convite do presidente da Warner para ser superman no cinema. O eterno dirty Harry se recorda de ter dito “aquilo não era para mim”. Outra figura icônica cruzou o caminho de Clint. O ator admitiu na mesma entrevista que o papel de James Bond foi oferecido para ele depois da saída de Sean Connary. George Lazemby ficou com o papel porque, novamente, Clint não se via talhado para o personagem. Ele cria não ter o mesmo appeal de Sean Connary. Se tivesse aceitado, Eastwood teria sido o primeiro americano a viver o agente a serviço de sua majestade.
Vale lembrar que cinéfilos e hqmaníacos sonham em ver Clint como Bruce Wayne em uma sonhada versão para cinema de O cavaleiro das trevas de Frank Miller.



5 coisas que você precisa saber sobre Tropa de Elite 2

+ José Padilha montou o filme em três locais diferentes. Em um escritório no Rio de Janeiro, outro em São Paulo e mais um nos Estados Unidos.
+ Só cinco pessoas tiveram acesso ao copião
+ Em entrevista à Folha de São Paulo, o diretor insinuou em tom de brincadeira que o capitão Nascimento pode morrer neste segundo filme
+ O principal bordão do novo filme é “a responsabilidade é minha. O comando é meu!”
+ Os responsáveis pelos efeitos especiais do filme são os mesmo de Transformers, Homem –aranha e O curioso caso de Benjamin Button


Passarela
 Em 21 de setembro o elenco de Wall street - o dinheiro nunca dorme prestigiou a premiere do filme em Los Anegeles: 1- Michael Douglas entre Carey Mulligan e Susan Sarandon; 2- Michael Douglas desta vez está entre os namorados Shia LaBeouf e Carey Mulligan; 3 - Todo o elenco se reune a pedido do diretor Oliver Stone (no centro de bigode).


 Na segunda-feira passada (27) foi a vez da premiere americana de A rede social. Nos destaques estão Adrien Brody, Michael Pitt e os protagonistas Justin Timberlake, cuja performance é a mais elogiada, e Jesse Eisenberg

Ben Affleck e Rebecca Hall compareceram a premiere londrina de Atração perigosa, mais recente trabalho de Affleck como diretor (que será destaque na seção Insight do próximo domingo)
 
 

Termômetro

Superhot

A rede social

A rede social já é o filme mais comentado nas rodas cinéfilas e entre blogs de cinema americanos há algum tempo e tudo indica que irá continuar assim por mais um período. O filme de David Fincher estreou semana passada com força nos EUA, faturando mais de U$ 23 milhões. Houve quem não enxergasse em A rede social um grande filme, mas foram poucos.


Hot

Britney em Glee

Britney Spears foi o grande acontecimento do Segundo episódio da nova temporada de Glee. Comentando sua participação no programa ao vivo em seu twitter, a ex – princesinha do pop foi aprovada pelo criador da série Ryan Murphy que declarou que Britney pode voltar. Murphy fez o seguinte comentário sobre a estrela que valeu a maior audiência da série até aqui: “Foi acima das expectativas”.


Just Fine

Eminem


O rapper Eminem lidera as paradas de sucesso mundo afora com o hit Love the way you lie. Eminem recrutou Megan Fox, Dominic Monaghan e Rihanna para garantir a longevidade de seu single e deu certo. Enquanto a poeira abaixa daqui, se levanta dali. Marshall (Eminem quando não é Eminem) que no cinema atuou em 8 mile (uma espécie de biografia) e fez uma ponta em Ta rindo do que? Está cotado para entrar para o elenco de 360, novo filme de Fernando Meirelles que já conta com Rachel Weiz e Anthony Hopkins.



Cold

Resident evil – o recomeço

Enquanto o 3D esfria, Resident Evil – o recomeço esfria também. Só que em ultra velocidade. O quarto filme da franquia não causou nenhum rebuliço nas bilheterias e tão pouco agitou os gamemaníacos. Deve-se ao 3D sua sobrevida nos cinemas.


So cold

As polêmicas de Lady Gaga

Pois é são muitas. E própria Gaga já não consegue ser tão criativa assim. Em mais um traquejo de marketing gratuito, Gaga usou um vestido de carne. Isso mesmo de carne. E duas vezes. A repercussão como era de se supor foi grande. Mas poderia ter sido maior.

domingo, 3 de outubro de 2010

Claquete em série

Um homem chamado Hank


Não adianta mais falar do quão apropriado é Hank Moody para David Duchonvy neste momento da carreira do uma vez eterno Fox Mulder. Moody, o personagem principal de Californiction, é um escritor egocêntrico e “encantador de mulheres”. Autor de um grande sucesso editorial, ele se viu perdido e desamparado na cidade dos anjos e do sexo. Californication, que é uma produção do canal pago americano Showtime, versa sobre amadurecimento tardio e bifurcações interpessoais. Parece um tema desgastado e é. Mas a forma como a série aborda de peito aberto o assunto e a doce ironia do programa cativam. Quase tanto quanto o cinismo defensivo de seu protagonista.
Exibido no Brasil pelo canal a cabo Warner Channel, a série também estrela as madrugadas do SBT. A terceira temporada acabou na segunda-feira passada no Brasil. O novo ciclo de episódios está marcado para 19 de janeiro nos EUA. No Brasil, tradicionalmente, a série estréia no chamado mid season, ou seja em meados de julho.
No entanto, uma boa pedida para quem não conhece a série e anseia por um entretenimento inteligente, engraçado e sensual, é alugar – ou porque não comprar – as três primeiras temporadas que já estão disponíveis em DVD. Californication e seu atormentado protagonista voltarão a ser temas de Claquete em série no futuro.





A dobradinha da Sony está de volta

Estréia nesta segunda (4), às 21h, a sétima temporada de Grey´s anatomy. A season premiere de Grey´s começa dois meses depois dos eventos que marcaram o elogiado último episódio da temporada passada. Será que McDreamy resistiu?
Outro carro chefe da Sony chega com nova temporada esta semana. Trata-se de Desperate housewives, que se já não tem a atratividade de outrora, continua destilando humor negro em seu sétimo ano. Vanessa Willians e Briam Austin Green (atualmente o Mr. Megan Fox) integram o elenco da nova temporada que estréia às 22h de quarta-feira, dia 6.




Vale a pena passar os sábados à tarde em casa

Um dos grandes sucessos de audiência do canal americano CBS (que exibe os sitcons de sucesso Two and a half men e The big bang theory) retorna à TV brasileira. Rules of engagement, estrelada por David Spade e Oliver Hudson, está atualmente em sua sexta temporada. O show teve seus dois primeiros anos exibidos no Brasil pela Sony. Mas, inexplicavelmente, o canal tirou a série de sua grade de programação. A grata surpresa é que a série retorna, apesar do horário ingrato, no pacotão de novidades do canal desse mês de outubro. O programa será exibido todos os sábados às 16h30min. Rules of engagement acompanha dois casais em momentos distintos de sua união e o amigo esquisitão ( David Spade) que eles têm em comum.


Daniel Filho volta a Globo em grande estilo

Hoje mais do que consagrado como diretor de cinema, Daniel Filho marca seu retorno a dramaturgia da TV Globo com As cariocas, série com 12 episódios baseada no livro de Sérgio Porto. Cada episódio é independente do outro e traz a história de uma mulher vinculada a um bairro carioca, como “A traída da barra”, estrelado por Deborah Secco. Além de Deborah, outras atrizes como Graziella Massafera, Aline Moraes, Paola de Oliveira, Adriana Esteves e Alessandra Negrini também protagonizarão episódios cheios de humor, sensualidade e alma carioca. Há um episódio que traz um aspecto especial. Angélica volta a atuar, e ao lado do maridão Luciano Hulk, em um episódio que tem que lidar com uma traição. Ao que tudo indica, não havia projeto melhor para Daniel Filho se mostrar o filho pródigo.


Qual vai ser a grande sensação da temporada?

Toda nova temporada de estréias os fãs e a indústria se inquietam. Qual será a nova sensação da temporada? Se Flashforward, tida como a sucessora de Lost, fracassou de forma retumbante no último ano, Modern family e Glee foram sucessos monstruosos e hypes consagradores. Este ano temos um bom número de concorrentes ao “novo Glee” que podem muito bem acabar sendo o novo “Flashforward”. Uma delas é The event (que estréia este mês no Universal channel). Uma série que relaciona diversos personagens (tal qual Lost) e tem a trama misteriosa como mote. Hawai 5.0 , remake da famosa série volta em nova versão que parece vir agradando a público e crítica (e estréia no dia 20 aqui no Brasil pelo canal Liv). Tom Selleck está de volta a TV com Blue blood, série que aborda três gerações de uma família de policiais. Mais sobre essas e outras séries novas nas próximas seções de Claquete em série.


Martin Scorsese apresenta

Já pintou o grande bicho papão do próximo Emmy e Globo de ouro. Ou se você preferir, Mad men encontrou um rival a altura. Trata-se de Boardwalk Empire, nova série da HBO. Criada por Terence Winter, um dos produtores de Família Soprano, e ninguém menos do que Martin Scorsese que, inclusive, dirige o episódio piloto. Steve Buscemi vive Enoch “Nucky” Thompson. O todo poderoso de Atlantic city. A série cobre o período da lei seca e mostra como o crime organizado, olha o pleonasmo, se organizou para driblar a lei e se instituir como um poder paralelo na cidade. O elenco da série ainda conta com nomes como Michael Pitt (Violência gratuita), Kelly Mcdonald (Onde os fracos não tem vez), Michael Shannon (Foi apenas um sonho), Michael Stuhlbarg (Um homem sério) e Stephen Graham (Inimigos públicos). A crítica americana se enamorou da série. O New York times sentenciou: “Surge o mais novo clássico americano”.
Boardwalk Empire estréia no Brasil, pela HBO, no dia 17 de outubro às 22h.

Insight

 Qual a razão de ser do documentário I´m still here?



Ano passado meio mundo foi pego de surpresa quando o ator Joaquin Phoenix anunciou que estava abandonando sua carreira de ator para seguir uma improvável carreira como rapper. O que mais impressionou foi sua aparição pública no programa de entrevistas do apresentador americano David Letterman. Barbudo, aparentemente embriagado, e quase irreconhecível, Phoenix foi monossilábico e mal educado. Não respondia as perguntas de Lettermam e balbuciava coisas pouco compreensíveis. O showbusiness americano pôs-se a ponderar: Phoenix enlouquecera como nos fazia crer ou seria tudo aquilo um inusitado jogo de marketing?
Pouco tempo depois desse incidente foi anunciado que o cunhado do ator, o também ator Casey Affleck estava documentando toda essa nova “fase” da carreira de Phoenix. O material renderia um filme sobre a jornada de Phoenix na busca por seu verdadeiro eu. As pessoas poderiam entender pelo que Joaquin estava passando, dizia Casey a quem lhe perguntasse sobre o projeto no ano passado.

Um maluco no pedaço: Phoenix surpreende no programa de David Letterman em fevereiro de 2009


I´m still here: the lost year of Joaquin Phoenix foi finalizado no início de 2010. O diretor Casey Affleck iniciou uma nova jornada então. Era preciso vender o filme. Arranjar um distribuidor e garantir sua comercialização. A primeira exibição para potenciais compradores ocorreu no festival de Cannes deste ano. Na ocasião, a reportagem do jornal Los Angeles Times teve acesso a produção e, conforme noticiado aqui em Claquete na cobertura que o blog fez do festival francês, classificou o filme como execrável e totalmente egocêntrico. Affleck saiu de Cannes sem distribuidor. Eventualmente, exibindo o trabalho em pequenos festivais e investindo na lábia, conseguiu distribuição. O filme teve premiere internacional em Veneza e estreou no último dia 10 de setembro em circuito reduzido nos EUA. O primeiro fim de semana foi um desastre. Pouco mais de 200 mil pessoas pagaram para ver o sufrágio físico e emocional encenado por Phoenix. Sim, encenado. Porque passado o primeiro fim de semana em cartaz, Casey Affleck admitiu em entrevista ao New York Times que o mockmentury (uma espécie de documentário falso como nas séries The Office e Modern family) era um mockmentury. Uma grande encenação em que os envolvidos obstinavam criticar a indústria das celebridades. As escatológicas cenas de Phoenix cheirando cocaína, recebendo sexo oral de uma assistente, abordando prostitutas ou recebendo as fezes de um colega no rosto enquanto dorme seriam tudo overacting? “Nem tudo era falso. Buscamos manter o máximo de naturalismo possível. Para que a crítica fosse genuína”, declarou o diretor/ator na entrevista ao jornal nova-iorquino. A mídia passou a conjecturar o que de fato era atuação e o que poderia ser real. O episódio no programa de David Letterman, considerado marco zero do case Phoenix, passou a ser questionado então. Primeiro roteiristas do programa disseram que David sabia e que foi tudo combinado. Só para serem desmentidos pelo próprio Letterman que disse que não sabia. O apresentador, com seu típico humor afiado, recebeu Phoenix há duas semanas e passou a história a limpo ao vivo. Promovendo ainda mais o filme de Phoenix e Affleck.
Claquete ainda não conferiu o filme, que não tem previsão de estréia no país. Mas acompanhando a questão de perto é possível apontar alguns aspectos que enriquecem a discussão em torno da proposta de Affleck e Phoenix.
Sim, tudo foi planejado como um grande golpe de marketing e não, Affleck e Phoenix não estavam preparados para divulgar a “verdade” com o filme ainda em cartaz. Esse foi um subterfúgio para colocar o filme em pauta novamente e garantir que as pessoas tivessem interesse em vê-lo. Há maneiras mais sadias de se criticar a indústria de celebridades. Embora seja louvável o esmero criativo de Phoenix em se fazer um personagem, a leitura que a indústria pode fazer desse imbróglio todo pode ser desfavorável as mentes por trás de I´m still here, que no fim das contas mais parece mesmo uma pegadinha de mau gosto.

Los tres amigos: eles sabiam que tudo era de de mentirinha...

sábado, 2 de outubro de 2010

Cantinho do DVD

Alan Ball, mais conhecido atualmente por ser o criador do hit True blood, é um contumaz crítico da sociedade americana. Depois da consagração com o roteiro de Beleza americana e de uma bem sucedida parceria com a HBO (criou e produziu duas séries para o canal), Ball estreou como diretor em um drama chancelado pelo Alan Ball roteirista. Tabu é um pequeno filme, cujo valor de seu texto resplandece. Ball não é um grande diretor, mas isso não afeta o impacto que esse debute tem no público. Vale a pena conhecer este pequeno filme que aborda sexo e preconceito com a parcimônia de evitar o moralismo.

 
Ficha técnica:
Título original: Towelhead
Direção: Alan Ball
Roteiro: Alan Ball
Elenco: Summer Bishil, Aaron Eckhart, Maria Bello, Toni Collete, Matt Letscher e Peter Macdissi
Gênero: drama
Duração: 100 min
Estúdio: Califórnia
Status: disponível para locação em DVD



Crítica

Alan Ball é um cara que enxerga a dicotomia de ser americano. Ele escreveu o libelo de humor negro que relativizava o american way of life (Beleza americana) e ganhou um Oscar por isso. Para a HBO produziu duas séries que punham as idiossincrasias americanas no microscópio. Agora ele escreve e dirige (seu debute como diretor de cinema) um drama em que novamente mexe com tabus sociais. Tabu (Towelhead, EUA 2007) é um filme onde tanto a sexualidade quanto os preconceitos estão em ebulição. Também estão intrinsecamente relacionados.
Jazira (a talentosa Summer Bishil) é uma garota de 13 anos de ascendência libanesa que está descobrindo sua sexualidade. Seus pais, divorciados, estão pouco propensos a assisti-la durante essa fase. A mãe (Maria Bello), depressiva, se afunda em relacionamentos fugazes com homens que não necessariamente aprecia; o pai (Peter Macdissi), um conservador radical entende que sexualidade não deve ser discutida nessa fase. Jazira, então, submete-se ao interesse que percebe de seu vizinho (Aaron Eckhart), um reservista que espera para ser convocado para a guerra no Iraque (a primeira) a qualquer momento. A curiosidade da menina é de um fluxo assustador (o comentário de Ball aqui é sobre a incorreção dos métodos repressivos de educação). Paralelamente a isso, ela se envolve com um colega de classe, amizade que contraria o pai pelo fato do rapaz ser negro.
Em Tabu, Ball quer discutir como insinuações – por mais inocentes que sejam – podem eclodir em fatos irreversíveis. A hipocrisia também é um alvo. Todos os personagens de alguma maneira são hipócritas. Os únicos que escapam desse jugo (talvez porque não tenhamos tido a chance de conhecê-los melhor) são Milina (Toni Collete) e Gil (Matt Letscher) um casal simpático que acolhe Jazira em momentos de consternação.
Alan Ball evita qualquer ranço moralista e deixa que seus personagens falem por si mesmos. Tabu é um filme incomodo porque fala, em camadas de alto relevo, de coisas que não gostamos de repercutir em reuniões sociais. Como a visão retrógrada que guardamos quanto a educação de nossos filhos ou o preconceito que lançamos mão para definir um vizinho. Contudo, definitivamente, o que há de mais incomodo em Tabu é constatar que aos 13 anos uma menina pode, sim, ser um vulcão sexual em erupção. Mesmo que este vulcão tenha sido despertado de forma precoce e inadvertidamente. Alan Ball não veio nos prover respostas, mas nos fazer o tipo de perguntas que não queremos ouvir.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Editorial - Merece um especial!

Existem coisas na vida que merecem uma atenção especial. Seja aquela linda mulher que cruza a rua, seja o excesso de colesterol que você anda ingerindo nas refeições ou quando dois astros do quilate de Robert De Niro e Edward Norton juntam forças no cinema. É para atender essa demanda metafísica que o especial de Claquete este mês será sobre o filme Homens em fúria que reúne, pela segunda vez, os dois grandes atores de suas respectivas gerações em um mesmo filme. A estréia da fita está programada para o dia 29 de outubro, mas o aquecimento é aqui no seu blog de cinema.
Outubro também é o mês da estréia mais aguardada do cinema nacional. Tropa de Elite 2 chega aos cinemas com grande distribuição na semana que vem e Claquete, obviamente, não pede para sair.
Uma mudança pontual ocorre nas seções especiais de domingo que o leitor tanto preza. A querida Claquete entrevista deixa de ter periodicidade mensal e se junta a Perfil, Ponto crítico, Grandes momentos do cinema e Quero ser star como colunas que dão o ar da graça quando valem muito a pena. A razão da mudança é simples. Além de preservar um interesse mais agudo pela coluna, a nova diretriz proporcionará entrevistas mais completas e preparadas. O perfil da coluna permanece o mesmo. Continuará sendo o cinéfilo, o destaque de Claquete entrevista. Mas o domingo cinéfilo não vai perder seu charme aqui no blog. Já neste domingo estréia Claquete em série. A nova coluna tem como objetivo focar as séries de TV. Há muito tempo, mais precisamente desde Família Soprano, que a TV americana demonstra qualidade de cinema. Mas também haverá destaque para a produção nacional, como a nova série da Globo As cariocas, baseado no livro homônimo de Sérgio Porto que estréia ainda em outubro.
Essas mudanças visam deixar Claquete cada vez mais cultural. Cada vez mais atrativa para você leitor. Afinal, você merece um especial.



Cinco coisas que vão bombar no blog em outubro:
5 – Estará em destaque na mostra Panorama a obra do cineasta alemão Michael Haneke
4 – Claquete repercute Sexo, mentiras e videotape, filme vencedor da Palma de ouro em Cannes em 1989 e que revelou o talento de Steven Soderberg
3 – As críticas dos principais lançamentos do mês: Comer, rezar, amar, Os outros caras, Tropa de elite 2, Você encontratá o homem dos seus sonhos e muito mais.
2 – A seção tira-teima traz para o ringue Tropa de elite x Tropa de elite 2
1- A estréia da nova coluna Claquete em série