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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Crítica - A hora mais escura


Entre a cruz e a espada

Grande fomentador de polêmicas, A hora mais escura (Zero dark thirty, EUA 2012) não merece grande parte delas. Ao focar na caçada a Osama Bin Laden pelos EUA, Kathryn Bigelow simplifica alguns temas complexos pelos quais perpassa e o faz de maneira oportunista. Ela e Mark Boal, roteirista do longa, logo anunciam em meio a vozes do 11 de setembro que se trata de um filme-reportagem, baseado em fatos que ocorreram e foram colhidos por Boal, jornalista que já cobriu a ação americana no Afeganistão, mas também reclamam a liberdade de uma obra de ficção. Esse oportunismo custa caro a A hora mais escura. Primeiro porque falta interpretação ao filme – e por isso serve de combustível tanto para quem vê legitimidade no uso da tortura para combater o terrorismo como para quem condena essa prática. O filme não defende a tortura como muitos rotularam desde que foi lançado nos EUA, tampouco a condena. É apenas um registro oportunista e sem profundidade das escamas da guerra ao terror. Talvez por isso Bigelow, nas constantes defesas em que se viu incumbida de fazer do filme desde que ele foi lançado, morda e assopre conservadores e liberais. O problema estrutural de A hora mais escura não é seu aparente apartidarismo, é flagrante a simpatia da realização pela gestão Obama, mas a pobreza de contextualização filosófico-sociológica com a qual encampa o flagelo americano na guerra ao terror em geral, e na obsessão com Bin Laden, em particular.  Nesse sentido, a performance de Jessica Chastain é eloquente. Ótima atriz, Chastain – indicada ao Oscar por razões que excedem seu trabalho aqui – está deslocada. Pouco convincente como uma agente da CIA que vai se transformando e endurecendo à medida que a caçada a Bin Laden avança em anos. Chastain não consegue interiorizar os conflitos éticos e morais de um país e, dessa maneira, torna-se uma espécie de relatoria do filme – que padece do mesmo problema.

Jessica Chastain e Kyle Chandler: o elenco coadjuvante não decepciona, mas a atriz não acerta o tom do registro

O que não quer dizer que o trabalho de Bigelow e Boal seja ruim. O roteiro de A hora mais escura é muito bem estruturado nos recortes temporais que faz; nas associações que projeta e nas adversidades em que joga luz. Bigelow, por sua vez, dirige com a firmeza e economia de emoções necessárias para um drama como o que A hora mais escura pretende ser.
Mesmo assim, ela não resiste à auto-adulação. Como A hora mais escura fracassa em estabelecer um discurso vívido e ressonante, Bigelow conclama o saldo de Guerra ao terror, no comentário final que avaliza com a última cena – sendo que essa conclusão funciona muito mais lá do que cá. Incidir que a América é um país beligerante e que depois do 11 de setembro mergulhou em uma obsessão que ceifa muitos dos próprios ideais americanos é um discurso prévio ao filme e que este falha em dimensionar.
Se se preocupasse menos em ser uma versão fiel dos fatos, A hora mais escura talvez fosse um filme mais verdadeiro. Se quisesse de fato discutir a obsessão americana com o terrorismo, o faria com mais criticismo e menos empenho em parecer verossimilhante. Para um filme-reportagem, A hora mais escura é uma ficção problemática. Para uma obra de ficção, é pouco contundente em suas proposições.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Filme em destaque - A hora mais escura


Chris Pratt e Joel Edgerton em cena do novo e comentado filme de Kathryn Bigelow sobre a caçada a Osama Bin Laden. Filme, que concorre a cinco Oscars, gerou mais polêmicas do que a própria ação que matou o terrorista


“É o elenco masculino mais bonito jamais reunido em um filme”. Escreveu a crítica de cinema Sasha Stone do blog Awards Daily sobre A hora mais escura, que foi listado por ela, por razões totalmente diversas da beleza de seu elenco masculino, como um dos melhores filmes de 2012. O filme de Kathryn Bigelow, que estreia nos cinemas brasileiros nessa sexta-feira com a força de suas cinco indicações ao Oscar (filme, atriz para Jessica Chastain, roteiro original, montagem e edição de som), de fato reúne um numeroso elenco e com proeminência masculina. Jason Clarke, Mark Strong, Kyle Chandler, Alexander Karim, Edgar Ramirez, James Gandolfini, Joel Edgerton, Mark Valley e Chris Pratt são os nomes que validam (ou não) a afirmação de Sasha Stone.

Mudança aos 45 do segundo tempo
O elenco, no entanto, não foi a maior das preocupações de Kathryn Bigelow na confecção de A hora mais escura. Desde o Oscar conquistado em 2010 por Guerra ao terror, Bigelow e seu atual namorado, o jornalista, roteirista e produtor Mark Boal, alimentavam a ideia de fazer um filme sobre a busca por Osama Bin Laden. A outra ideia era fazer um filme sobre o tráfico de drogas na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Esse projeto ficou para depois. Quis o destino que o projeto escolhido para dar sequência ao premiado Guerra ao terror sofresse profundas mudanças estruturais já sendo desenvolvido. Isso porque o presidente Barack Obama anunciou em maio de 2011 que os EUA haviam achado e matado o terrorista mais procurado do mundo. “Tivemos que mudar tudo”, disse Bigelow ao Los Angeles Times. “Mas a essência da história continua a mesma”.
A personagem de Jessica Chastain, a obstinada agente da CIA Maya, é um decalque de muitos personagens aos quais Mark Boal teve contato em sua pesquisa, mas a figura central é uma mulher que esteve envolvida durante dez anos na investigação que culminou na morte de Bin Laden. Jessica Chastain foi sempre a opção número um de Bigelow para viver essa personagem. Bigelow ligou pessoalmente para Chastain para lhe apresentar o projeto.

As faces da polêmica
A hora mais escura se consagrou o filme mais premiado pela crítica em 2012. No início da temporada de premiações muitos criam que o feito conquistado pelo time Bigelow/Boal com Guerra ao terror se repetiria. Os responsáveis pelo filme vendiam a ideia de filme –reportagem, e destacavam que o roteiro refletia intenso trabalho investigativo e de pesquisa. Essas declarações motivaram uma primeira resposta da CIA desautorizando o filme como fonte fidedigna do que de fato aconteceu em relação à captura de Bin Laden. Depois, o Senado americano quis saber se a produção do filme teve acesso a documentos sigilosos. Comissões do congresso passaram, então, a se interessar por um debate pouco conclusivo aludido pelo filme: a efetividade da tortura na ação que matou Bin Laden.
A sucessão de polêmicas obrigou Bigelow a defender seu filme e a opção por um cinema questionador. Críticos ao redor do mundo puseram em dúvida se A hora mais escura é mesmo honesto em seus questionamentos e proposições. Se não é apenas um produto oportunista. O marketing do filme, patenteou um estrategista do Oscar ouvido pelo USA Today, errou e feio na promoção do filme. Se as polêmicas custaram uma posição de maior prestígio no Oscar 2013 ao filme, só é possível especular. Certo é que elas não foram tão positivas como muitos imaginavam.
A hora mais escura, ainda que permaneça entre os dez filmes mais vistos do box office americano, não apresenta o vigor nas bilheterias que fitas envoltas em polêmicas costumam exibir. Seria o elenco masculino mais uma das infindáveis polêmicas que envolvem A hora mais escura?  

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A polêmica ajuda ou atrapalha "A hora mais escura"?



Apontado como um dos fortes candidatos ao Oscar, A hora mais escura, novo longa de Kathryn Bigelow se vê no epicentro de polêmicas que podem tanto impulsionar sua candidatura, como miná-la. O manejo de certos elementos pelo marketing do filme e a absorção deles por crítica e indústria ditarão os rumos da obra na vigente temporada de premiações. O projeto, a bem da verdade, estava destinado às polêmicas. O filme que versaria sobre a caçada a Osama Bin Laden teve de ser reimaginado após a morte deste por uma tropa da marinha americana em maio de 2011.  A hora mais escura aventa um dos maiores dissabores dos EUA na guerra ao terror: o uso da tortura como estratégia de combate ao terrorismo. A CIA já emitiu comunicado oficial condenando o filme e o Congresso americano questiona o vazamento por setores da Casa Branca de arquivos confidenciais sobre a operação que culminou na morte de Bin Laden para o roteirista Mark Boal, que é também jornalista com vasta experiência no Oriente Médio. Boal, inclusive, acompanhou in loco durante muito tempo a ação dos EUA no Afeganistão.
Membros do alto comissariado do governo Obama vieram a público dizer que não houve colaboração do governo na feitura do filme. Bigelow e Boal, no entanto, insistem que apesar de ser uma ficção, há elementos verídicos de sobra no filme que eles classificam como “um registro próximo ao jornalismo literário” (gênero jornalístico dimensionado por Truman Capote no clássico “A sangue frio” que admite recursos literários na confecção de um relato jornalístico).
O meio intelectual americano rapidamente passou a discutir essa questão, então logo percebida como central em A hora mais escura, que é a adoção da tortura como instrumento na guerra ao terror.  O fato de Obama não ter fechado ainda a prisão que os EUA mantêm em Guantánamo (Cuba), uma de suas promessas na primeira campanha para a presidência dos EUA, projeta uma sombra ainda maior sobre o jeito americano de conduzir um conflito longe do fim.
A diretora Kathryn Bigelow no set do filme: relevância
que pode pesar a favor ou contra
A relevância pode ser um valioso cabo eleitoral para A hora mais escura, mas a profundidade de seus questionamentos pode lhe ser prejudicial no momento em que se define quem deve prevalecer na corrida. Nesse sentido, reverenciar um filme como Lincoln – biografia de uma das poucas figuras que é unanimidade entre democratas e republicanos – pode ser uma solução artística para um edema político.
Bigelow e Boal não estão conduzindo bem a situação. É certo que reiterem que o filme fale por si, mas não podem se abster de participarem do debate que fomentam com sua obra e se escorarem em um pretenso registro jornalístico. Ao se equilibrarem em fatores imponderáveis como sorte e ânimos políticos, eles arriscam os rumos do filme no Oscar. Nessa altura do campeonato, a única coisa capaz de selar uma vitória consagradora de A hora mais escura no Oscar seria um atentado terrorista em solo americano. Seria um desfecho agridoce para a carreira de um filme taxado de republicano por democratas e de democrata por republicanos.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Spotlight on - A escolha das diretoras



Mais cedo nesse ano, algumas artistas ligadas ao cinema, enviaram uma carta aberta à direção do Festival de Cannes protestando pela presença diminuta de diretoras entre os selecionados para participar do festival. O diretor do evento, Thierry Frémaux, rebateu a crítica das feministas e disse que a seleção se esmera na oferta e na proposta pertinente aos preceitos do festival. E é verdade. A edição 2011 do evento francês, por exemplo, havia sido bastante elogiada pela vasta presença de diretoras entre os principais concorrentes na croisette.
Mas porque esse caráter pendular na presença de diretoras em festivais de cinema? A resposta é fácil. Ainda são poucas. Disso, o leitor mais antenado no mundo do cinema já sabe, mas o que não é tão óbvio assim é o caminho traçado pelas diretoras atuantes nesse momento e, muito menos óbvio, é o impacto que as escolhas delas terá no futuro e na formação de novas cineastas.
É fácil apontar quem goza hoje de maior influência entre as mulheres que dirigem. Sofia Coppola, é bem verdade, carrega no nome o peso artístico de seu pai, mas com apenas quatro filmes no currículo de diretora, ela já criou uma marca própria e uma galeria de fãs incondicionais de seu cinema. O caminho pavimentado por Sofia, de diretora cult, não é apenas uma nota de rodapé na história que as diretoras constroem. Está com Sofia a tocha de seduzir e influenciar jovens mulheres na hora de optar pela direção. É a filha de Francis Ford quem melhor reúne condições de ser “o Steven Spielberg” de sua geração para as mulheres. A oscarizada Kathyrn Bigelow, por sua vez, também desempenha papel importante na formação de novas diretoras de cinema. Se ela não é conhecida por fazer filmes autorais em que prevaleça a famigerada sensibilidade feminina, ela mostra que mulheres podem sim fazer “filmes de menino”. É dela o neo cult Caçadores de emoção (1991), em que Keanu Reeves e Patrick Swayze são surfistas e policial e bandido respectivamente, e o premiado Guerra ao terror (2009). São filmes que se não entregassem os créditos, dificilmente seriam atribuídos a uma mulher. Bigelow, ao se tornar a primeira mulher a faturar um Oscar por direção por Guerra ao terror, no entanto, pode ter reforçado a noção de que apenas um olhar essencialmente masculino em certas produções é premiável. Uma questão que, no momento, só se pode especular. De qualquer jeito, Kathyrn Bigelow abre portas para que mulheres avancem sobre territórios masculinos no cinema e, com o tempo, promovam mudanças mais estruturantes.

Sofia em ação: sensibilidade e marca feminina na hora de dirigir anunciam grande capacidade de influência na formação de novas cineastas


O lado B
Há, contudo, aquelas diretoras que enxergam na função uma extensão de seus talentos. Assim como ocorre entre os atores, há atrizes que cederam ao impulso de dirigir. Dessas, a mais consistente é Sarah Polley. Atriz de pouca popularidade e reverberação crítica, Polley atingiu público e crítica em cheio com o drama Longe dela (2006), uma história de amor transformada pelo Alzheimer. Com roteiro e direção de Polley, chega agora aos cinemas brasileiros Entre o amor e a paixão (2011), outra história de amor com forte prospecção dramática. Nos últimos festivais de Veneza e Toronto,ela exibiu o documentário Stories we tell, um filme sobre como a memória transforma experiências familiares. Todos muito elogiados. Polley diminuiu seu ritmo como atriz para se dedicar a essa nova e criativa fase. Já Angelina Jolie, atriz blockbuster que vez ou outra se experimenta por um cinema mais sério, debutou na direção no ano passado com Na terra de amor e ódio (2011). O filme tem uma inegável pretensão artística e autoral, o que não deixa de se configurar um contraponto à persona de Angelina Jolie nas telas.
Já Nancy Meyers, roteirista veterana de Hollywood que, em 2000, debutou na direção com Do que as mulheres gostam, optou por fazer seus próprios filmes a dividir o mérito de seu afiado texto e expertise feminina com diretores homens. Desde o filme estrelado por Mel Gibson- que ainda resiste como a maior bilheteria do astro – Meyers lançou três títulos. Todos grandes sucessos de bilheteria. O ponto a se observar é que ela mantém o foco em personagens femininas fortes e sempre busca dar voz a dilemas essencialmente femininos. Esse gosto se estabeleceu definitivamente em sua encarnação como diretora, quando passou a ter total controle sobre seus textos.

Sarah Polley já ostenta três elogiadíssimos filmes no currículo de diretora e demonstra que o ofício como atriz pode ser um estágio para algo maior e mais criativo 

A libanesa Nadine Labaki estrela os filmes que dirige e não se furta a tratar de assuntos polêmicos sob perspectivas essencialmente femininas


Diversificação é palavra de ordem
Outras diretoras desempenham importante e qualificado papel nesse tabuleiro. Jane Campion é uma delas. Campion nada mais é do que a segunda mulher a concorrer ao Oscar de direção (até hoje não passaram de quatro). Campion foi a primeira mulher a efetivamente permear a película do feminino. Isso lhe rendeu uma Palma de ouro em Cannes com O piano (1994). A diretora já errou a mão (Fogo sagrado, Em carne viva), mas manteve-se fiel a sua proposta de cinema e sempre ativa e interessante.
Outras diretoras que vão construindo legados necessários são a libanesa Nadine Labaki, cujo mais recente filme (E agora, onde vamos?) acabou de ser lançado nos cinemas brasileiros, Lynne Ramsey, do angustiante Precisamos falar sobre Kevin (2011), e a brasileira Laís Bodanzky que estabelece uma cinematografia plural, pensante e representativa na nova cena cinematográfica brasileira.
São mulheres que carregam o peso do futuro em seus ombros, mas agem com extremo bom gosto e pertinência em suas escolhas pontuais. Mas definitiva, e ainda por ser mensurada, foi a escolha de Haifa al Mansour, que se tornou a primeira diretora de cinema da Arábia Saudita, seguramente o país mais repressor no que tange as mulheres. Mansour obteve, ainda, o feito de dirigir em seu próprio país. Seu primeiro filme, Wadja, não deve ser exibido na Arábia Saudita, mas já foi mostrado no último festival de Veneza. São mulheres, cada qual a sua maneira, contribuindo para que tantas outras tenham escolha na sétima arte.

Jane Campion, uma das mais longevas e interessantes diretoras, orienta Meg Ryan e Mark Ruffalo no set de Em carne viva, um de seus filmes mais desafiadores 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Claquete repercute - Guerra ao terror


O Oscar 2010 foi marcado pela polarização entre o cinema comercial (representado no gigantismo de Avatar) e o cinema independente (na figura do pouco visto Guerra ao terror). Havia, ainda, uma outra polarização em torno da disputa pelo Oscar de melhor filme: a reverberação da crítica ou do público/indústria nos escolhidos da academia. Não se enganem; o que quer que aconteça no Oscar 2011 será efeito direto do que aconteceu no Oscar 2010. Como bem sabemos, Guerra ao terror prevaleceu de forma maiúscula no Oscar. A academia seguiu o alvoroço da crítica e preferiu laurear o filme independente que evita politizar (o que já é um posicionamento político) a guerra do Iraque a consagrar a evolução tecnológica proposta por Avatar. Mas o que Guerra ao terror propõe em termos cinematográficos?
O filme de Kathryn Bigelow se diferencia da produção americana sobre a ocupação militar no Iraque por focar no cotidiano dos homens em conflito. O filme, apesar de tenso e ruidoso, caracteriza-se pela não ação. Não se filma um conflito armado ou o ensejo da invasão americana. Filma-se uma história de homens encarregados pelo desarme de bombas em um território hostil em que bombas, como sabemos pelo noticiário internacional, explodem a todo o momento. Guerra ao terror tem uma lógica muito particular: acompanhar esses homens sem esmiúçá-los psicologicamente. O desejo é esmiuçar os efeitos psicológicos do conflito de forma análoga, quase que intuitiva. Por isso, o final da fita é tão eloquente no comentário que emerge sobre o sargento William James (Jeremy Renner).
Embora imbuído desse ideal, o filme de Bigelow não é manipulador. O grande diferencial da fita, na comparação com outros filmes sobre o Iraque ou de guerra em geral, é a renúncia ao tom politizado. Guerra ao terror não se interessa pelos ideias neoliberais ou conservadores afugentados nas defesas que o cinema prestara em filmes como Nascido em quatro de julho ou No vale das sombras.
Não obstante, os melhores filmes de guerra, de acordo com levantamentos de conjuntos de críticos, são aqueles em que a orientação política da realização coadjuva – quando não é limada. Apocalipse Now e Nascido para matar dos gênios Francis Ford Coppola e Stanley Kubrick são lembranças inerentes. Não a toa a misê en scène dos filmes citados em muito se assemelha a Guerra ao terror. Embora o exemplar mais recente, justamente o único a ter ganhado o Oscar de melhor filme, seja mais simplório no desenvolvimento das ideias.

Quem está na mira? Guerra ao terror evita a exploração de ideias liberais ou conservadoras


O roteiro de Mark Boal, que é jornalista de formação e que escreveu artigos para a Playboy e a New Yorker enquanto correspondente de guerra, foi alvo de críticas (e processos judiciais) de um ex-combatente no Iraque que clamava ser aquela a sua história. Boal, de fato, inspirou-se em fatos reais. Mas poderia não ter se inspirado. A originalidade de Guerra ao terror está mais na forma como aborda uma guerra e suas reminiscências em termos de discurso, do que pela história contada propriamente dita.
Mas e o Oscar com isso? Ao premiar Guerra ao terror, a academia reafirmava a necessidade de se olhar para a produção independente. Reafirmava o valor de um cinema calcado primordialmente em ideias e que não se ressente da boa técnica vir como apêndice. Por fim, reafirmava sua condição de vanguarda. Guerra ao terror tornou-se grande pelo Oscar. Não o era antes. Essa é a maior repercussão que se poderia ter. Um filme escolhido pela crítica e abraçado pela academia. Poucos resultam essa convergência. Esse fato pouco teve a ver com o filme ser sobre o conflito no Iraque. E o grande mérito, nesse aspecto, é de Bigelow. Ela realizou um filme de forte impacto social, alguma tensão emocional e ambivalência narrativa. Agradou tanto liberais quanto conservadores. Uma equação muito bem elaborada que foi evidenciada por uma polarização da crítica em torno do arrojo técnico e temático do filme de Bigelow. Ainda que não fosse o melhor do ano, Guerra ao terror apontava para alternativas no cinema americano. Originalidade no registro, mulheres no comando e criatividade fora do circuito de estúdios. Não é pouca coisa.

segunda-feira, 8 de março de 2010

OSCAR WATCH - Cenas de cinema especial: Oscar 2010

She did it!
Sandra Bullock registrou neste fim de semana que encerra a temporada de premiações de 2010, uma marca que não será batida e que dificilmente poderá ser igualada. Sandra venceu no sábado o “prêmio” frambroesa de ouro de pior atriz do ano por sua participação em Maluca paixão. No domingo, foi a vez de levar para casa o Oscar de melhor atriz por seu trabalho em Um sonho possível. Essa marca fenomenal e surreal é só de Sandra e ninguém tasca.


Um dia antes de ganhar o Oscar, a simpática Sandra foi receber seu framboesa de ouro de pior atriz do ano. Antes dela, apenas o diretor holandês Paul Verhoeven por Showgirls e atriz Halle Berry por Mulher gato compareceram a "temida" premiação


O que aconteceu com o “and the Oscar goes to”?
Entre as muitas mudanças dessa edição do Oscar, uma em especial deve ter chamado a atenção dos mais atentos. A parte Kate Winslet que cometeu a “gafe” de anunciar “and the Oscar goes to...”, todos as outras categorias foram precedidas pelo resgatado “the winner is”. Assim como os 10 filmes indicados na categoria principal, essa frase havia sido abandonada nos anos 40. A razão do abandono era de que todos os indicados eram vencedores. Uma falácia, como bem se sabe. Contudo, ser indicado é realmente uma distinção monumental, assim como o é saber que o Oscar está indo para você. Era uma frase icônica, ansiada, sonhada. “The winner is”, além de não ter charme e ostentação é comum e reduz a apoteose do momento da consagração. Nesse sentido, quem se deu bem foi Jeff Bridges, o único a ouvir a tão famosa e célebre frase em 2010.

A influência da critica comprovada
A consagração de Guerra ao terror na noite de 7 de março de 2010 mostra, mais do que qualquer outra coisa, que a critica continua a influenciar, e muito, os prêmios da academia. Isso, inclusive, é muito saudável. O triunfo do filme independente super festejado nos círculos da critica americana demonstra que o Oscar pode até ser um prêmio de indústria, mas que quer cada vez mais se livrar desse rótulo.

A moment of a lifetime
“O momento chegou”, afirmou sem cerimônias e com inegável prazer Barbra Streisand ao anunciar Kathryn Bigelow como a vencedora do Oscar de melhor direção do ano. Bigelow, extremamente emocionada, foi comedida no agradecimento e evitou hastear a bandeira que a própria academia levantou ao destacar Streisend para anunciar o prêmio. Agradeceu a equipe do filme, lembrou-se dos soldados americanos no Iraque e no Afeganistão e mais de uma vez repetiu a frase que marcou essa edição do Oscar e seu nome na história da premiação: “This is a moment of a lifetime”!

Kathryn, super emocionada, evitou o confronto direto com o ex, tão aludido pela mídia , e a principio não fez cena em cima de ser a primeira mulher premiada com o Oscar de direção. Um exercício de diplomacia
A categoria oficial das surpresas
E está virando tradição. Ser favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro pode ser a pior das maldições. O multipremiado filme alemão, A fita branca, foi derrotado pelo argentino O segredo de seus olhos, de Juan Jose Campanella. A premiação do filme argentino não é injusta, mas deixar de premiar A fita branca é. Paradoxos do Oscar. De qualquer maneira, possíveis candidatos na categoria no futuro farão de tudo para evitar o favoritismo.

A piada agridoce
E Campanella saiu-se com a espirituosa: “Quero agradecer a academia por não classificar Na´vi como língua estrangeira”, em uma referência ao filme de James Cameron. A brincadeira elogiosa ganharia conotação penosa para o filme que amargou um desempenho pífio na noite do Oscar.

Cinema independente 5 X 1 cinema comercial
Guerra ao terror e Avatar, ambos com 9 indicações, se enfrentavam em seis categorias (fotografia, som, edição de som, montagem, direção e filme). Ao contrário do antecipado por muita gente, Avatar perdeu, e feio, essa disputa. O surpreendente é que Guerra ao terror ganhou em categorias em que não só não era melhor que Avatar como também não era melhor do que outros concorrentes na disputa. Um duro golpe contra o cinema comercial pode ser sentido mais nas categorias técnicas do que nas nobres. Ao invés de Star trek, Transformers e Avatar, prevaleceu o “barato” Guerra ao terror.

E o 3D como fica?
A pergunta já ecoa na cabeça de executivos de estúdios e congêneres. A academia deu o devido espaço a Avatar. Concedeu ao filme os prêmios que lhe cabia (e há controvérsias quanto a fotografia do filme) e que atestam o que ele é; tecnologia de ponta. Os prêmios de fotografia, direção de arte e efeitos especiais corroboram a percepção da critica (olha ela aí de novo), e em certo nível do público também, de que Avatar é um deslumbramento visual. E só. E é a isso que o 3D se propõe. É mais uma ferramenta narrativa, não constitui revolução, tão pouco é o futuro do cinema. O Oscar ajudou a devolver as expectativas a seu tamanho devido.

James Cameron no tapete vermelho: Eu não perdi não. Foi a Kathryn que ganhou...


Uma dupla entrosada
Alec Baldwin e Steve Martin, como era de se esperar, foram um show a parte. Senhores do palco, fizeram belas piadas de improviso e as que já estavam no script também foram muito bem aproveitadas. Os dois mestres de cerimônia foram, definitivamente, o melhor da festa.
Steve Martin e Alec Baldwin capricharam nas piadas e na química


Uma cerimônia desencantada
Apesar do talento e da boa apresentação de Baldwin e Martin, a cerimônia do Oscar foi um conjunto de equívocos. Algumas mudanças mal ajambradas, desrespeito com os vencedores das categorias de curta metragem, alguns errinhos pontuais que prejudicaram o bom ritmo da cerimônia e o atraso, em meia hora, que fez com que os principais prêmios da noite, e os mais aguardados, fossem entregues como quem está diante de um toque de recolher. Uma lástima.


Um Na´vi politicamente correto
Depois de correr o mundo a notícia de que Sasha Baron Cohen tivera sua esquete cômica sobre Avatar vetada, ia pegar muito mal se não houvesse nenhum número fazendo graça com o principal filme da noite. Ben Stiller caracterizado como Na´vi apresentou, falando em na´vi, o Oscar de maquiagem e lembrou: “ a ironia é que Avatar não está nem mesmo indicado nessa categoria”. E a graça se resumiu a isso.

Ben Stiller quer plugar: Participação xoxa do comediante mimetiza o que foi a cerimônia e a noite de Avatar

Os mais bonitos

Tom Ford vestindo... Tom Ford



Direto das praias cariocas: Gerard Butler vestiu o smoking para apresentar o Oscar de efeitos especiais



Jake Gyllenhaal foi prestigiar a irmã e arrancou suspiros da platéia feminina e de uma repórter da rede de tv americana ABC


As mais bonitas

Demi Moore que apresentou o tributo "in memorian" arrasou com seu Versace

Carey Mulligan estava deslumbrante em um Prada repleto de cristais Swarovski
Vera Farmiga impressionou a todos no tapete vermelho vestindo um tomara que caia da grife Marchesa
Uma fala que diz tudo
“O show está tão louco que Avatar virou passado”, disparou Steve Martin ao encerrar a 82ª cerimônia do Oscar

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - A vez delas?

Chega a ser até mesmo absurdo, mas Kathryn Bigelow é apenas a quarta mulher a receber uma indicação ao Oscar por direção em 82 anos de premiação. O dado, tão absurdo quanto condenável, pode suscitar muitas discussões sobre machismo e outras coisitas mais que assolam Hollywood e seu símbolo máximo de auto-congratulação. Contudo, depois das indicações de Lina Wertmuller (1977), Jane Campion (1995) e Sofia Coppola (2004) parece improvável que o Oscar desse ano não vá para Kathryn Bigelow, a quarta mulher a penetrar esse clube do bolinha que resiste em reconhecer a excelência em toda a sua pluralidade.


A pioneira: a italiana Lina Wertmüller foi a primeira diretora indicada ao Oscar

Bigelow, apontam os reacionários - ou reacionárias, vencerá por um filme que parece ter sido dirigido por um homem. Essa afirmação, tão provocativa quanto deslocada de razão, mostra que não importa o avanço que se faça, sempre haverá intriga. O Oscar, apesar de sua importância cultural inegável, não é termômetro de conquista sociais (até porque se o fosse, as mulheres estariam em maus lençóis). Porém, se quebrar um tabu como esses, da forma como se anuncia, estará inegavelmente contribuindo para mais um importante avanço sócio-econômico. Para quem estiver contando: depois de conquistarem a presidência em muitos países, agora é a vez do Oscar. Preparem os sutiãs!

Kathryn Bigelow em locação de Guerra ao terror: favoritismo, consagração e bandeira feminista em uma mesma estatueta

domingo, 14 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - A peleja dos diretores

Na montagem: James Cameron (Avatar), Lee Daniels (Preciosa), Kathryn Bigelow (Guerra ao terror), Quentin Tarantino (Bastardos inglórios) e Jason Reitman (Amor sem escalas)


O rei do mundo

James Cameron é egocêntrico e prepotente. Uma característica, na verdade, muito comum em Hollywood. A diferença é que ele não faz muita questão de esconder. Só que seus filmes rendem fábulas e o Oscar precisa de gente como ele. Portanto, doze anos depois de se auto declarar o rei do mundo, James Cameron volta ao centro do mundo do cinema.

Prós:
- Existem avanços técnicos inegáveis em seu filme, como um prêmio de conquista científico-tecnológica está fora de cogitação, um troféu por direção viria a calhar
- Seu filme é o maior sucesso de bilheteria da história
- Seria um momento antológico vê-lo declarar “Doze anos depois, continuo sendo o Rei do mundo”
- Hollywood gosta e vive de super produções. Avatar e todo o seu gigantismo consumiram seis anos e deixaram a cabeleira de Cameron toda branca. Isso pode ser preponderante.

Contras:
- É o único dos cinco que já venceu um Oscar por direção
- Apesar do esmero técnico e do perfeccionismo de Cameron nesse sentido, Avatar é um filme com alguns problemas narrativos e cujo trabalho de direção não se equilibra bem em todos os preceitos básicos do ofício. Não seria um prêmio justo, portanto. E todo mundo sabe disso.
- É vitima de muita inveja em Hollywood
- Se a academia quiser dividir os dois prêmios principais da noite entre o cinema comercial (Avatar) e o independente (Guerra ao terror), é mais provável (em virtude da razão acima citada) que Cameron perca aqui

Indicações anteriores: Melhor filme, melhor montagem e melhor diretor por Titanic em 1998
Vitórias anteriores: Melhor filme, melhor montagem e melhor diretor por Titanic em 1998

A dama de ferro


Kathryn Bigelow pode se tornar a primeira mulher a ganhar um Oscar de direção. O feito, obviamente, será eternizado e celebrado como mais uma conquista do pós-feminismo. Contudo, a diretora que já é uma veterana (tem 58 anos e já dirige há 25), não faz filmes de apelo feminino. Muito menos de apelo universal. Seu negócio é testosterona mesmo. São dela filmes como Caçadores de emoção (aquele que revelou Keanu Reeves e tinha Patrick Swayze como bad Guy) e K19 –the widowmaker.

Prós:
+ Com tantas boas diretoras circulando no cinema americano, já passou da hora de premiar uma. E todo mundo sabe disso.
+ É um dos melhores trabalhos de direção do ano, junto ao de Quentin Tarantino. E todo mundo sabe disso.
+ Ganhou o DGA no final de Janeiro. De todos os sindicatos, o DGA é o que tem melhor aproveitamento no Oscar
+ Existe um lobby forte para premiá-la
+ Se a academia quiser dividir os dois prêmios principais da noite entre o cinema comercial (Avatar) e o independente (Guerra ao terror), ela é a opção mais viável aqui. Pois o que conta para o povão é Avatar levar de melhor filme do ano

Contras:
- A academia pode se sentir obrigada a reconhecer em “grandes termos” Avatar. Tal como fizera, exageradamente, com Quem quer ser um milionário? ano passado
- Têm dois concorrentes muito fortes por filmes queridos pela classe artística, Lee Daniels (que também vêm de uma minoria, pode-se dizer) por Preciosa e Quentin Tarantino (que também tá recebendo um lobby danado, especialmente dos atores) por Bastardos inglórios. Mais do que ameaçá-la, eles podem lhe tirar votos, favorecendo o ex-marido de Bigelow

Primeira indicação

O underdog


Ele fez carreira como produtor de filmes independentes. Contudo, após ler o romance no qual Preciosa-uma história de esperança se baseia, resolveu, ele mesmo, dirigir a adaptação. O trabalho de Daniels debutou em Sundance e, desde então, só colheu bons frutos.

Prós:
+ Hollywood adora uma história de superação. Principalmente se envolve um filme que extrapola os limites da metalinguagem, como é o caso de Preciosa e como era o caso do vencedor do ano passado Quem quer ser um milionário?
+ Pode-se beneficiar do amor que a classe artística vem declarando ao filme
+ Lee Daniels é apenas o terceiro diretor negro indicado ao Oscar. Na disputa entre a mulher e o negro pela presidência dos EUA, o negro venceu. Yes we can?

Contras:
- É relativamente inexperiente e o filme, muito independente, ostenta seis indicações. Sua inclusão entre os diretores, tendo batido gente como Clint Eastwood, Rob Mashall, e Joel e Ethan Coen, em si, já constitui uma vitória
- É o único dos cinco que ainda não ganhou nada
- Seu filme não é o independente da vez. Esse posto pertence a Guerra ao terror. Então ele é duas vezes underdog nessa disputa

Primeira indicação

O hypado


Jason Reitman têm um futuro brilhante como cineasta. Seus Três filmes e toda a atenção que receberam da critica, do público e do Oscar mostram isso. O filho do diretor e ator Ivan Reitman superou papai no oficio. E já engatou, na casa dos 30 anos, sua segunda indicação ao Oscar. Ele pode não ter dirigido Avatar, mas seu futuro é azul.

Prós:
+ Seu filme é muito badalado pela critica
+ Sua forma de dirigir é clássica e facilita a identificação. Diretores com esse perfil tendem a ser reconhecidos pela academia. Exemplos recentes foram Clint Eastwood e Ron Howard.
+ É cria de Hollywood e isso significa muito em termos de empatia

Contras:
- Justamente pelo fato de que tem um futuro promissor deve prevalecer a percepção de que é melhor esperar para premiá-lo.
- Não ganhou nenhum prêmio por direção na temporada
- Como essa é sua segunda indicação ao Oscar em três anos, e ainda é bastante novo, a velha guarda da academia pode entender que isso já é reconhecimento demais
- Como também concorre por roteiro, e seu roteiro é ótimo, suas chances aqui diminuem. Na onda da pulverização de prêmios, pode-se preferir premiar aqui um diretor e não um diretor/roteirista
- Não é o melhor trabalho de direção do ano e todo mundo sabe disso

Indicações anteriores: Melhor diretor por Juno em 2008



O boa praça


Quem não gosta de Tarantino? Muita gente. Mas aqueles que gostam do excêntrico diretor estão em maior número. E em Bastardos inglórios ele realiza seu melhor trabalho como diretor. Equilibra as arestas de seu roteiro (genial, mas um tanto pernóstico), dirige os atores com sobriedade e desenvoltura e capricha nas referências. O diretor finalmente conteve o cinéfilo.

Prós:
+ Existe um lobby imenso pela vitória de Tarantino nessa categoria (ele já venceu por roteiro antes com Pulp Fiction)
+ É o melhor trabalho de direção dentre os cinco indicados e isso deve contar para alguma coisa
+ Pode-se beneficiar de uma divisão de votos entre James Cameron e Kathryn Bigelow

Contras:
- Costumava execrar o Oscar em premiações distintas desde Cannes até o Scream awards, isso não é facilmente deixado para trás
- O lobby por ele é grande, mas o pela vitória de Kathryn é maior
- O favoritismo na disputa por roteiro pode, mais uma vez, privar Tarantino de levar o Oscar de direção
Indicações anteriores: Melhor direção e melhor roteiro original por Pulp Fiction - tempos de violência em 1995
Vitórias anteriores: Melhor roteiro original por Pulp Fiction - tempos de violência em 1995

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cenas de cinema

O passado o condena
O astro Mel Gibson, como todos sabem, retomou sua carreira como ator. E parte do pacote de ser ator, é promover os grandes lançamentos que estrela. Pois bem, Gibson compareceu a uma dessas entrevistas promocionais concedidas a talk shows americanos para divulgar O fim da escuridão. Só que a emenda não poderia sair pior do que o soneto. Instigado pelo apresentador, mais interessado em polemizar do que saber do filme, Gibson perdeu a compostura e xingou-o de “babaca” no ar. Antes disso, indagado sobre seus escândalos regados a álcool, Gibson saiu-se com a truculenta: “Isso foi há quatro anos cara. Eu segui em frente, mas parece que você não. Já pedi as desculpas necessárias, então vamos seguir em frente.”
Há pouco mais de dois meses ele também criou uma cena no talk show de Jay Leno. Corre o risco de tornar-se persona non grata em programas do gênero.
Mel Gibson, com seus cabelos cada vez mais rasos, coça a nuca: Não me dão paz!


A devoradora de homens...casados
Todo mundo sabe que a celebrity gossip anda em polvorosa com os rumores de que o casamento entre Angelina Jolie e Brad Pitt está por um fio. Pois bem, uma fofoca, como dizem uns e outros, descomunal, tomou conta dos burburinhos essa semana. O rumor dá conta de que Angelina anda demonstrando interesse “demasiado” em Johnny Depp, seu parceiro no filme, atualmente em pré-produção, The tourist. Segundo a revista americana STAR, Angelina além de já ter sido vista tomando vinho com Depp em Los Angeles por mais de uma vez, estaria ligando frequentemente para o ator. Certo é que ela marcou uma reunião, para semana que vem, para que eles possam discutir “métodos de interpretação”. A revista provoca: Será que La Jolie irá tirar o pacato Johnny Depp de Vanessa Paradis? No que Cenas de cinema acrescenta, o que será que Laura Dern (que era esposa de Billy Bob Thorton quando ele começou a namorar Jolie) e Jennifer Aniston (a ex- de Pitt) pensam sobre isso?

O atual homem mais sexy do mundo pela people estaria na mira da marriage breaker Angelina Jolie

Piada
E por falar em rumores, a internet foi bombardeada com um dos mais infames. Depois do imbróglio envolvendo o quarto filme do Homem aranha, a Sony começou a arrumar os estragos. Confirmou o jovem Marc Webb, diretor do recente 500 dias com ela, como diretor da fita e, visivelmente, mira no público de Crepúsculo. Contudo, depois do nome de Zac Efron ser divulgado como possível intérprete de Peter Parker, é para se jogar tudo pelo alto. Isso que vai sair aí pode ser tudo, menos um filme do Homem-aranha.

A guerra dos roses

É como está sendo chamado o embate entre James Cameron e sua ex-mulher Kathryn Bigelow no Oscar desse ano. Ambos dividem o favoritismo pela estatueta principal, de melhor filme e também competem por direção. “Hollywood adora uma lavagem de roupa suja”, disse o articulista da Entertainment Weekly, David Karger, em sua coluna, sobre a coincidência cinematográfica que se deu no Oscar desse ano. No entanto, Cameron e Bigelow estão levando tudo na esportiva. Troca de elogios e admissões de admiração mútuas são uma constante. Pose ou estarão eles se apaixonando de novo?