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terça-feira, 24 de maio de 2011

Cenas de cinema

Almodóvar sem pele

O próprio diretor já havia antecipado em entrevista ao jornal espanhol El País que estava preparado para sair de mãos vazias de Cannes. Não deu outra. Almodóvar saiu sem prêmios da croisette e, mais uma vez, viu a aguardada Palma de ouro seguir para as mãos de outro cineasta festejado, no caso o americano Terrence Malick.
Seu filme, A pele que habito, já começa a subir de cotação entre a crítica internacional. O número de críticas elogiosas já superam as que relativizam os ganhos de Almodóvar em sua incursão pelo thriller. No Brasil, o filme está programado para estrear no dia 25 de novembro.


Onde está Malick?
Não foi a primeira vez que aconteceu. Foi a segunda. Raríssima na história do festival de Cannes, o vencedor da Palma de ouro, o cineasta americano Terrence Malick não compareceu a premiação, nem a entrevista coletiva realizada horas depois em Cannes. Segundo o produtor do filme, Bill Pohlad, “Malick é uma pessoa extremamente tímida, mas posso assegurar que está extremamente feliz por este momento”.


Misoginia que vale Palma
Como diria aquela outra, não é brinquedo não! O cineasta dinamarquês agregou, por conta própria, a pecha de nazista à sua péssima fama. Tido como misógino e com relatos de estrelas do porte de Nicole Kidman e Björk de ser cruel com suas atrizes, Von Trier é quase certeza de prêmio para as moçoilas em Cannes. É a terceira vez que uma atriz sob seus cuidados leva a Palma de melhor atriz para casa.


Invencibilidade garantida
Outra previsibilidade assegurada pela 64ª edição do Festival de Cannes foi o prêmio para os irmãos Dardenne. Os belgas garantiram, dessa maneira, uma improvável hegemonia no festival. Em cinco participações, cinco prêmios. É uma estatística invejável que mereceu a desdenha do diretor turco Nuri Bilge Ceylan que dividiu o Grande Prêmio do Júri com os belgas: “Se me perguntassem o por quê do empate, eu não saberia responder”, afirmou na coletiva de imprensa.



De Niro e seu tradutor
Desde a primeira entrevista coletiva estava claro. Com um lacônico presidente, a voz do júri que melhor se comunicaria com a imprensa seria a do cineasta francês Olivier Assayas. Não foi diferente no ato final do júri em Cannes. De Niro, querendo agradar ao público, tropeçou no francês e foi prontamente acudido por Assayas que havia elaborado muito bem, há quinze dias, a meta do colegiado composto por ele, De Niro e muitos outros: “Estamos aqui para julgar filmes e não cineastas”. Kirsten Dunst diz obrigado.

O cineasta francês Olivier Assayas posa para foto em Cannes: ele ajudou De Niro no francês e no trato com imprensa




Reação à Palma de Ouro
No Brasil, a imprensa recebeu a premiação de A árvore da vida com parcimônia. O portal IG salientou a previsibilidade da premiação, mas entendeu que os prêmios de direção e de interpretação foram zebras. A Folha de São Paulo destacou a divisão de opiniões acerca do grande vencedor da 64ª edição do festival, enquanto que o UOL preferiu sublinhar uma possível influência do presidente do júri Robert De Niro na escolha dos premiados.
O Globo aventou a possibilidade do prêmio para a atriz Kirsten Dunst ser uma espécie de “troféu de consolação” para um dos filmes mais “vistosos” em competição e O Estado de São Paulo destacou as justificativas do júri pela preferência ao trabalho de Malick.



Ninguém reparou em Um certo olhar
A salvo o filme de abertura, Inquietos de Gus Van Sant, a mostra Um certo olhar foi pouco notada pela crítica internacional em 2011. Poucos foram os destaques. No Brasil, ainda houve interesse por conta da participação de um longa brasileiro, o pouco elogiado Trabalhar cansa. Mas na imprensa internacional foram poucas as menções. Também pode ter contribuído para esse fato, o bom nível da competição principal.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Repercutindo Cannes 2011


O presidente do júri Robert De Niro entremeado por Kirsten Dunst e Jean Dujardin, os atores vencedores
da 64ª edição do festival de Cannes


O reinado americano na França continuou. Em dez anos, nenhuma cinematografia prevaleceu tanto na croisette. Com a vitória do épico existencialista de Terrence Malick, A árvore da vida, são quatro vitórias em uma década. É um feito e tanto. Descolada dessa significante insurgência, a edição 2011 do festival agradou muito mais do que a de 2010. Um fato que já era antecipável no momento do anúncio dos filmes selecionados para integrar a competição. Isso não garantiu que a escolha do vencedor da Palma de ouro fosse indubitável. Houve vaias no momento do anúncio e moderadas contestações da crítica internacional (o prêmio da crítica em Cannes foi para o finlandês Le Havre). O próprio De Niro deixou escapar que o filme não era unanimidade entre o júri. “A maior parte de nós achou que o filme era extraordinário e para o qual mais fazia sentido a Palma de ouro”, disse na coletiva pós-premiação.
De Niro, aliás, foi elogiado por seus colegas de júri como um presidente bastante democrático e debatedor. Esses adjetivos foram aventados para rebater percepções da imprensa de que os resultados da 64ª edição de Cannes muito se assemelhavam ao gosto do ator americano. O drama de violência urbana Drive rendeu ao diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, a Palma de melhor diretor. O prêmio do júri, um dos mais contestados pela crítica, foi para o francês Polisse. O filme, sobre investigações policiais contra pedofilia, se caracteriza por uma estética documental que críticos americanos rotularam como “sub Lei & ordem”, em referência à famosa série de TV daquele país. Mas o cinema francês, como é tradição, não poderia sair sem um prêmio sequer no festival. Além da premiação de Polisse, o francês Jean Dujardin foi escolhido o melhor ator por The artist. Dujardin derrotou os favoritos Sean Penn (This must be the place) e Michel Piccoli (Habemus papam). Presente em quase toda a metragem de The artist, um filme em preto e branco e mudo, o ator se emocionou com surpreendente vitória. A crítica internacional preferia outros desempenhos, mas não contestou a vitória do francês. Maior revolta gerou o triunfo da americana Kirsten Dunst por Melancholia. Embora seu nome fosse ventilado nos corredores de Cannes, ninguém parecia prever que Tilda Swinton (que arrebatou em We need to talk about Kevin) sairia sem esse prêmio. Assim como o próprio filme que agradou bastante. Outras fitas muito badaladas no festival que saíram sem prêmio foram o drama austríaco Michael, outro sobre pedofilia (ainda que com um enfoque diferente de Polisse), o australiano Sleeping beauty e o já citado finlandês Le Havre.
Mesmo com algumas contestações, as escolhas do júri presidido por Robert De Niro agradaram mais do que as que o colegiado comandado por Tim Burton ano passado realizou. As sanções e críticas aos vencedores da edição de 2010 foram agudas, mas a favor de De Niro pesou o melhor nível dos candidatos desse ano. Prova disso, é o empate para o Grande prêmio do júri. O belga The kid with the bike, dos irmãos Dardenne e o turco Era uma vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan, ambos já premiados em Cannes, dividiram a honraria.

Kirsten Dunst era só sorrisos: ela agradeceu a Von Trier pela liberdade que lhe conferiu e ao júri por não ter desistido do filme após as declarações polêmicas do diretor no meio da semana

Os vencedores:


Palma de Ouro
A Árvore da Vida, de Terrence Malick (EUA)
Grande Prêmio do Júri
The kid with the bike, de Luc e Jean-Pierre Dardenne (Bélgica/França)
Era uma vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)
Melhor Diretor
Nicolas Winding Refn, por Drive (EUA)
Melhor Atriz
Kirsten Dunst, por Melancolia (Dinamarca)
Melhor Ator
Jean Dujardin, por The Artist (França)
Melhor Roteiro
Footnote (Israel)
Prêmio do Júri
Polisse, de Maiwenn Le Besco (França)

sábado, 21 de maio de 2011

Cenas de cinema

Por Ivo Pitanguy

Pedro Almodóvar, na coletiva de imprensa em Cannes de seu novo lançamento, A pele que eu habito, declarou que as referências ao Brasil em seu filme excedem a música (é o quinto filme do espanhol com música brasileira na trilha) e a nacionalidade de um personagem. “A cirurgia plástica é uma indústria muito forte no Brasil”, argumentou o cineasta que não soube precisar se o mais famoso dos cirurgiões plásticos brasileiros, Ivo Pitanguy, está vivo. Sí Almodóvar. Está!


O amor da vida de Banderas
O ex-latin lover de Hollywood, Antonio Banderas foi a premiere de A pele que eu habito, filme que o reúne ao cineasta que o revelou, acompanhado de sua esposa – a atriz americana Melanie Griffith. Banderas, no entanto, não perdia a oportunidade de pular no colo de Almodóvar. “Ele é a minha vida”, dizia todo alegre e entusiasmado.

Almodóvar e Banderas posam para os fotógrafos: o muso de um é o muso do outro


A recepção de sempre

Almodóvar recebeu palmas fervorosas ao fim da exibição de A pele que eu habito. Mas a recepção ao seu filme foi morna. A crítica se dividiu. E em Cannes, com Almodóvar, sempre foi assim. Salvo a exceção de sua estréia na croisette, em 1999, quando arrebatou público e crítica com Tudo sobre minha mãe. O diretor espanhol, como está sempre se experimentando tematicamente, embora preserve o viço estético, nunca mais arrebatou instantaneamente na riviera francesa.


Lars Von Trier – polêmica 2022

O polemista dinamarquês fez uma piada infame e conseguiu seu intento: polarizar as atenções no festival. Mesmo com seu filme Melancholia não surtindo o mesmo impacto de seu antecessor (Anticristo), Von Trier conseguiu se vincular como a lembrança mais vívida dessa edição de Cannes. A piada em que se diz nazista e admite simpatia e compreensão pela figura de Hitler chateou o presidente do festival, o judeu Giles Jacob. Embora amigos, Jacob optou por uma punição extraordinária e baniu o cineasta do evento. Von Trier tornou-se persona non grata no festival.
Em 2009, o júri ecumênico já havia lhe outorgado um prêmio irônico que o próprio Jacob fez questão de desautorizar por considerar censura. Von Trier, no entanto, segue com seu tino provocador e, parece, ter perdido as costas quentes. Pelo menos em Cannes.

O dinamarquês passou os últimos dois dias concedendo entrevistas para jornalistas de todo mundo, mais do que qualquer outro concorrente à Palma de ouro: À Folha de São Paulo, ele disse que pedir desculpas é algo "americano demais"

De mentirinha
No entanto, as coisas não são tão definitivas quanto parecem. O filme, Melancholia, continua elegível para a Palma de ouro. Segundo bochichos na croisette, as maiores chances são para a atriz Kirsten Dunst. E o próprio Von Trier, que não poderá comparecer a cerimônia de premiação, poderá voltar a Cannes em outros anos. “A punição é válida só para esse ano”, afirmou em nota oficial a direção do evento.


Os favoritos de momento I
E a festa está terminando. Um dia antes do anúncio dos vencedores pelo presidente do júri Robert De Niro, Claquete aponta as prováveis escolhas. A briga pela palma reúne três filmes destacados por setores influentes da crítica. São eles The kid with the bike, dos irmãos Dardenne; A árvore da vida, de Terrence Malick e Michael, do austríaco Markus Schleinzer. Contudo, não seria surpresa se em uma disputa com a presença de quatro diretoras, uma mulher vencesse. Nesse sentido, a escocesa Lynne Ramsey com We need to talk about Kevin e a japonesa Naomi Kawase com Hanezu no Tsuki são opções viáveis.


Os favoritos de momento II
Mas se nenhum filme tornou-se unanimidade, embora o nível das fitas tenha agradado, por que não premiar Almodóvar? Essa pode ser a pergunta que algum membro do júri levantará e a resposta poderá vir em forma de Palma de ouro.


Os favoritos de momento III
Na disputa por melhor ator a briga parece concentrada entre o americano Sean Penn por This must be the place e o italiano Michael Piccolli por Habemus Papam. Na disputa pela Palma de melhor atriz, há mais nomes aventados. Tilda Swinton (We need to talk about Kevin), Kirsten Dunst (Melancholia), Emily Browning (Sleeping beauty) e Elena Anaya (A pele que eu habito).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Momento Claquete # 15

Angelina Jolie e Dustin Hoffman demonstram cumplicidade na premiere de Kung fu Panda 2, realizada na semana passada em Cannes 


Penélope Cruz chega sob grande comoção para a premiere de Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas no sábado (14) na croisette


O elenco do drama austríaco Michael, que já despontou como um dos favoritos do festival, posa para a tradional foto na entrada do cinema 


O cineasta Gus Van Sant, cujo filme Inquietos abriu a mostra Um certo olhar, devolve a gentileza para os fotógrafos presentes na riviera francesa 


Sean Penn e Brad Pitt, que vivem filho e pai em A árvore da vida, comparecem a exibição oficial do longa na noite de segunda-feira (16) no festival de Cannes. O quinto longa da carreira do cineasta Terrence Malick recebeu vaias e aplausos durante a sessão de 2h40min 


A atriz francesa Marina Fois, que teve performance elogiada no drama francês Polisse, em uma festa que agitou o fim de semana em Cannes 


O presidente do júri Robert De Niro parte para mais um dia árduo de trabalho na croisette 


O cineasta dinamarquês Lars Von Trier, entremeado pelas atrizes Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg, se superou em matéria de polêmica na edição de 2011 do festival francês. Indagado sobre suas influências alemãs, afirmou entender Hitler e simpatizar com sua figura. Pediu deculpas, por pressão da direção do evento, menos de duas horas depois 


Mel Gibson e Jodie Foster passearam por Cannes na manhã dessa quarta-feira (18): "Uma performance demolidora de Mel Gibson em Um novo despertar", escreveu a Cahiers du cinema

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cenas de cinema

Lady Gaga vs Jessie J
E não é só nas FMs brasileiras que Lady Gaga e a nova sensação do brit pop Jessie J estão se digladiando. Ambas foram as principais atrações musicais de algumas prestigiadas festas no primeiro fim de semana em Cannes. Se Lady Gaga foi cortejada por Tarantino para estrelar seu novo filme (notícia que na verdade já não é nova), Jessie J agradou uma platéia de gregos, troianos, Brads e Angelinas na croisette.

Jessie J causa na croisette: Where´s Gaga?


E o negócio é música...
Quem também mandou ver nas festas regadas a champanhe na capital mundial do cinema nessas semanas de maio foi Kanye West que teve a providencial ajuda de Jamie Foxx, que sem nenhum filme para promover, se aventurou na França para cantar Gold digger.


Do tipo irrecusável
Piratas do caribe: navegando em águas misteriosas foi a grande atração do final de semana no festival francês. Johnny Depp e Penélope Cruz trocaram juras de amor profissional e a espanhola assegurou que Javier Bardem não sentiu ciúmes de Jack Sparrow. Depp, por sua vez, garantiu que Sparrow é seu personagem preferido e que ele toparia vivê-lo mais vezes.
A crítica e o público de Cannes, no entanto, não se empolgaram tanto assim com a quarta aventura do pirata mais cool dos sete mares.

Depp e Cruz fazem xis: sim, eles querem trabalhar juntos novamente...



Jogando com o regulamento
A revista Screen, que circula diariamente em Cannes reverberando a posição da crítica em relação aos filmes exibidos, classifica The kid with a bike, dos irmãos Dardenne, como o melhor filme do festival até agora. Em segundo aparece o drama austríaco Michael, sobre pedofilia. Em terceiro aparece o drama épico de Terrence Malick, A árvore da vida. Ainda há alguns figurões para debutar em Cannes este ano, como Von Trier e Almodóvar, mas nos últimos cinco anos, o favorito da crítica não levou.



Dois pesos e duas medidas
O que viabiliza um paradoxo. Os irmãos Dardenne são, notadamente, favoritos em Cannes. São dos poucos a ostentar duas Palmas de ouro. Além do caráter improvável de ganharem uma terceira, o filme vem sendo considerado – mesmo por quem o elogia – menor dentro da filmografia da dupla.


Um peso e outra medida
A premiere de A árvore da vida, pode se dizer, foi a mais disputada da edição de 2011 até aqui. Com Brad Pitt como anfitrião, os interesses excediam os méritos do filme. Mas não foi Brad Pitt quem fez valer o misto de vaias e aplausos antes mesmo do final da sessão de quase três horas. Os filmes de Malick são contemplativos e costumam ser polarizantes. Natural que não agrade a todos. Agradou a quem já responde bem as minúcias do cineasta ou que esteja disposto, como bem disse Brad Pitt na coletiva do filme a qual Malick não compareceu por ser "tímido”, a “pular no escuro”. Nada a ver com escurinho do cinema; sempre bom deixar claro.

Sou o causador da tua insônia: Brad Pitt dá tchauzinho no tapete vermelho de Cannes



Ainda Kevin
Tilda Swinton, uma das sensações dessa edição do festival, deu entrevista ao portal IG sobre sua protagonista em We need to talk about Kevin. No filme, ela vive uma mãe que não sabe como proceder ante a aparente perversidade do filho. “Tenho muita dificuldade com todo o conceito do mal”, argumentou a atriz na entrevista. “Eu luto com isso”. Tilda ainda relacionou a questão, do ponto de vista da relação materna, a fantasia de que o bebê pode ser um demônio. “É uma coisa tipo o bebê de Rosemary”, em alusão ao clássico do horror de Roman Polanski.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cenas de cinema

Falando sobre Kevin
Causou comoção a premiere oficial da fita inglesa We need to talk about kevin, da diretora escocesa Lynne Ramsay. O filme, que acompanha a turbulenta relação de uma mãe com seu filho, busca iluminar as razões que levam um adolescente a tornar-se um psicopata em concepção social. O filme, na exibição para a imprensa na manhã do primeiro dia de competição, foi muito bem recebido. À noite, na exibição oficial causou incômodo. Setores da crítica pontuaram que, tal qual o vencedor da Palma de ouro dois anos atrás (A fita branca), We need to talk about Kevin não é um filme sobre violência, mas sobre como ela se viabiliza.


Elenco em alta
E a fita de Lynne Ramsay já é apontada como digna de prêmios. Mas, curiosamente, os comentários têm se concentrado no elenco do filme. Tilda Swinton, para muitos, vive seu melhor momento como atriz aqui e confirma seu favoritismo (que antes vigorava em virtude do nome da atriz) à Palma de melhor atriz. Outro que causou impacto na riviera francesa foi Ezra Miller, que vive o Kevin do título em sua fase adolescente.

A diretora Lynne Ramsay faz graça ao lado de Ezra Miller: filme causou incômodo e espanto  


Sem saber o que pensar
A crítica não soube exatamente como se posicionar a respeito de Sleeping beauty, primeiro filme da competição oficial a ser exibido em Cannes. O longa australiano, que marca a estréia da diretora Julia Leigh, mostra uma estudante (Emily Browning) que se presta aos mais estranhos favores sexuais. Sedada com drogas (a referência à bela adormecida do título) fica a disposição de homens das mais variadas procedências.
A diretora na coletiva de imprensa mostrou-se tão hesitante quanto a reação da crítica a seu filme. Uma estréia em Cannes, no mínimo, surpreendente.


A primeira porrada em Cannes
O primeiro filme fortemente atacado pela crítica internacional foi Inquietos, do cineasta americano Gus Van Sant, que abriu a mostra Um certo olhar (principal competição paralela à disputa pela Palma de ouro). Van Sant, um dos principais nomes da seleção, na entrevista coletiva comparou o filme a alguns de seus trabalhos anteriores como Últimos dias e Elefante. Mas a crítica discordou. “É um romance adolescente com ingredientes mórbidos muito mal administrados”, escreveu o britânico The Guardian.


O papado segundo Moretti

Nanni Moretti, sempre um favorito na croisette, exibiu seu Habemus papam na manhã do terceiro dia do festival. O filme agradou. A fita mostra o colapso nervoso do novo papa minutos antes de ele ser anunciado pelo Vaticano como o novo pontífice. Um analista é chamado para tentar devolver perspectiva ao papa. Moretti faz o terapeuta. “Habemus papam calibra uma visão especulativa e bem humorada do que ocorre nos corredores do Vaticano” escreveu a Variety.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Momento Claquete # 14

 Um novo despertar, produção da Focus filmes adiada do ano passado para esse ano em virtude dos escândalos protagonizados por Mel Gibson, estreou com baixa bilheteria no último fim de semana nos EUA. A fita, dirigida por Jodie Foster, terá exibição no 64º festival de Cannes que terá ínicio nessa quarta-feira, 11 de maio.


Woody Allen orienta Carla Bruni e Owen Wilson nos sets de Meia noite em Paris, filme de abertura do 64º festival de Cannes. A primeira dama francesa era esperada para a premiere do filme amanhã na croisette, mas cancelou sua presença, aumentando os rumores de uma possível gravidez.

Sean Penn, no centro da foto com essa cabeleira ressecada e roqueira, promete ser uma das sensações dessa edição do festival. Ele atua em This must be the place (foto) e em A árvore da vida

Pedro Almodóvar nos sets de A pele que eu habito, um dos filmes em competição pela Palma de ouro mais aguardados de 2011


 Cannes sem o dinamarquês Lars Von Trier é um festival incompleto. Em 2011, o cineasta apresenta sua visão do fim do mundo em Melancholia. Outra promessa da edição desse ano...


Tilda Swinton é uma favorita antecipada a Palma de melhor atriz por We need to talk about Kevin, outro filme que gera expectativas na crítica internacional 


A HBO divulgou a primeira imagem de Julianne Moore caracterizada como Sarah Palin para o filme Game change, que o canal a cabo americano produz sobre as eleições presidenciais de 2008

domingo, 8 de maio de 2011

TOP 10 - Os dez queridinhos de Cannes

No mês do mais charmoso e importante festival de cinema do mundo, a seção TOP 10 se rende aos dez queridinhos de Cannes. Cinco deles estarão presentes na edição 2011 do festival, os outros também estariam se tivessem filmes programados para 2011. Claquete te convida a descobrir quem são os dez cineastas mais festejados em Cannes.




10 – Abbas Kiarostami


O iraniano é uma das grandes referências do cinema do oriente médio em Cannes. Já venceu a Palma de ouro uma vez, pelo filme Gosto de cereja (1997), e concorreu ao prêmio outras três oportunidades, com os filmes Através das oliveiras (1994), Dez (2002) e Cópia fiel (2010). Desde que surgiu na riviera francesa, em 1994, sempre esteve lá com algum lançamento. Se não estivesse em competição, integrava a mostra Um certo olhar ou a quinzena dos realizadores. O único trabalho não exibido em Cannes foi O vento nos levará (1999) que, selecionado para o festival de Veneza, valeu o leão de ouro a Kiarostami.


9 – David Lynch

E Cannes adora um americano. Não à toa eles são maioria aqui nessa lista e também no acumulado de vitórias no festival. David Lynch mimetiza, em parte, o que o festival aprecia no cinema de autor (teoria cravada pelos franceses a partir da observação do cinema americano). Lynch já venceu a Palma de ouro, em 1988 pelo filme Coração selvagem e voltou outras três vezes a croisette. Em 1992 com Twin Peaks: os últimos dias de Laura Palmer; em 1999 com História real e em 2001 com Cidade dos sonhos, quando ganhou o prêmio de direção.


8 – Emir Kusturica

O sérvio, nascido na antiga Iugoslávia, é outro favorito do festival. Com cinco passagens por Cannes, Kusturica já venceu como diretor, levou o prêmio do júri e a Palma de ouro - essa por duas vezes. A primeira vitória veio logo na estréia em Cannes com Quando papai saiu em viagem de negócios (1985), apenas seu segundo longa metragem. Vida cigana (1988), seu terceiro longa, lhe valeu o prêmio de diretor. Voltou a competir em Cannes com seu quinto filme, após ter sido premiado em Berlim com o quarto filme (Um sonho americano), e voltou a ganhar a Palma de ouro com Mentiras de guerra (1995).
Na última década, o sérvio voltou à disputa pela Palma em duas oportunidades. Em 2004 levou o prêmio do júri por A vida é um milagre e em 2007 saiu milagrosamente sem nenhum prêmio por Zavet.



7 - Irmãos Dardenne

Os belgas são crias do festival. Premiados com a Palma de ouro em seu filme de estréia Rosetta (1999), a exemplo do que ocorre com outros cineastas dessa lista, todo trabalho da dupla debuta em Cannes. Eles voltariam a triunfar na disputa com A criança (2005). Em 2002 levaram o prêmio do júri por Le fils e em 2007 ficaram com a Palma de roteiro por O silêncio de Lorna. Em 2011 voltam à disputa com The kid with the bike. Importante frisar que, até o momento, não saíram da riviera francesa sem algum prêmio.



6 – Michael Haneke

O austríaco, naturalizado alemão, é dos cineastas mais premiados e festejados do mundo. Com cinco participações em Cannes, a exemplo de Kusturica, Lynch, Tarantino e Kiarostami, também já presidiu o júri no festival. A primeira vez que integrou o festival chocou a crítica com Violência gratuita (1997). Quando retornou a croisette faturou o prêmio ecumênico do júri por Código desconhecido (2000). Desde então, além de não deixar de exibir seus filmes no festival, saiu premiado de todas as edições que disputou. A terceira participação lhe valeu o grande prêmio do júri por A professora de piano (2001). Em 2005 estupefou crítica e júri com Cachê e, além do prêmio de melhor diretor, levou pela segunda vez o prêmio ecumênico do júri (até hoje é o único cineasta que detém essa façanha). Em 2009 viria a grande conquista. Haneke conquistou, de forma inquestionável em uma das melhores disputas dos últimos anos, a Palma de ouro por A fita branca.



5 – Nanni Moretti

O italiano participará do festival pela sexta vez em 2011. Dos que integram esse Top 10 é dos mais longevos. Debutou na riviera francesa em 1978 com Ecce bomb (filme inédito no Brasil), mas foi em 1994 – em sua segunda participação – que foi premiado pela primeira vez. Por Caro diário recebeu o prêmio de melhor diretor. Quatro anos mais tarde voltaria a competição pela Palma de ouro com Abril. A conquista do prêmio máximo viria em 2001 pelo arrebatador O quarto do filho. Em 2004 Moretti recebeu um prêmio especial em homenagem a sua carreira, denominado Golden Coach. Mas não era o ponto final. Disputou a Palma em 2006 com O crocodilo, ótima crítica ao governo Silvio Berlusconi, e retorna este ano com Habemus papam.



4 – Pedro Almodóvar

Cannes foi o último dos grandes festivais a descobrir o cinema do diretor espanhol. Mas quando o fez, não quis mais saber de dividi-lo com Veneza e Berlim. Tanto o é, que o organizador do festival, Thierry Fremaux, pôs a lista do evento em suspensão até ter garantias de que Almodóvar terminaria de editar seu filme para exibi-los na croisette.
A pele que eu habito marcará a quarta participação do diretor no festival francês. Apesar de já ter sido premiado em Cannes, é o único da lista que não recebeu uma Palma de ouro. Em 1999, na sua primeira incursão na riviera francesa, faturou os prêmios ecumênico do júri e de direção por Tudo sobre minha mãe. Voltou a ser premiado, em sua segunda passagem, pelo roteiro de Volver. Em 2009 competiu com Abraços partidos.



3- Lars Von Trier

O diretor dinamarquês, auto intitulado o melhor cineasta do mundo, é daquelas figuras que remetem a Cannes. Em 2011 vai para sua nona participação no festival. Sempre apoteótico nas declarações, Von Trier agrada pelo experimentalismo de seu cinema e por uma postura de afronte ante as convenções. Há quem enxergue nele uma falácia, há quem o perceba como um gênio irresoluto. Melancholia, o filme que exibirá no festival desse ano, pode dar sequência ao viés polarizante do diretor na croisette. Desde que foi multipremiado por Europa (prêmio do júri, de contribuição artística e de conquista técnica) em 1991, todos os seus lançamentos ocorrem em Cannes. Antes de Europa ele havia exibido, sem grande repercussão Elemento de um crime (1984). Antes de ganhar a Palma de ouro, em 2000, por Dançando no escuro, o dinamarquês exibiu em Cannes Ondas do destino (1996) e Os idiotas (1998). Depois da Palma foi a vez da interrompida trilogia sobre a América com Dogville (2003) e Manderlay (2005). Em 2009 voltou a causar frisson com Anticristo.



2 – Gus Van Sant

O americano é outro que, embora descoberto tardiamente por Cannes (Berlim o saudava desde os tempos de Drugstore cowboy) caiu no gosto do festival. Ao ponto de protagonizar um ineditismo: Palma de ouro e prêmio de direção em uma mesma edição. Ocorreu em 2003 com o inesperado Elefante, uma dramatização sobre a tragédia da escola ginasial de Columbine. E o olhar aos jovens dispensado por Sant é o seu passe para Cannes. Retornou a disputa em 2005 com Últimos dias, uma “homenagem” ao roqueiro trágico Kurt Cobain e protagonizaria novo marco ao ganhar o prêmio especial da 60ª edição com Paranoid park.


1- Quentin Tarantino

Cria de festivais, seu primeiro filme Cães de aluguel brilhou em Sundance; pode-se dizer se a concepção de Quentin foi em Sundance, o parto foi em Cannes com Pulp Fiction –tempos de violência. A estréia na França alvoroçou o mundo do cinema e a Palma de ouro conquistada colocava aquele maníaco de locadoras como referência na linguagem cinematográfica moderna. Esteve presente em todas as edições do festival dali em diante. Fora de competição com o primeiro Kill Bill e Jackie Brown (que disputou o urso de ouro em Berlim) e em competição com À prova de morte (2007) e Bastardos inglórios (2009).
Tarantino é o mais cinematográfico de todos os diretores da lista. É quem melhor veste o personagem criado para si e faz de suas passagens por Cannes, digamos, um filme de Tarantino.

domingo, 1 de maio de 2011

Editorial - Cinema em profusão

Maio é um mês especial. Pode não ser o mês do Oscar ou o mês que nos motiva a relembrar todo o ano, mas o famigerado mês das noivas traz consigo uma excitação toda especial para a cinefilia. Em toda a sua dimensão. É em maio que é realizado o mais tradicional, charmoso e importante festival de cinema do mundo. Cannes chega a sua sexagésima quarta edição e o leitor terá uma cobertura intensa desse oásis cinematográfico em Claquete. As seções Cenas de cinema e Momento Claquete estarão focadas em Cannes nesse mês. Haverá outras postagens assumindo o festival como tema. O especial Grandes Vencedores da Palma de Ouro irá relembrar alguns filmaços que foram coroados em Cannes e reportagens especiais cobrirão os bastidores da programação.
Sidney Lumet, que foi nomeado à Palma de ouro quatro vezes, falecido no mês de abril, é o destaque da mostra Panorama do mês.
Mas maio também traz o que de melhor o cinema mainstream pode produzir. Piratas do Caribe:navegando em águas misteriosas, Se beber não case 2 e Velozes e furiosos 5: operação Rio são alguns dos lançamentos do mês. E o leitor terá acesso a reportagens especiais e as críticas dos filmes aqui no blog.
Claquete repercute um filme que reuniu Tom Cruise, Robert Redford e Meryl Streep na tentativa de salvar um dos mais famosos, respeitados e importantes estúdios de cinema de Hollywood. A coluna Questões cinematográficas discutirá as soluções engendradas por Hollywood para obter receita após o novo ocaso do 3D (não se engane, o 3D já está na decrescente). Nas seções Insight do mês, a pluralidade que caracteriza o blog: o terror no cinema entre os filmes da saga Pânico; documentaristas que se aventuram na ficção; por que Meryl Streep ainda não ganhou seu terceiro Oscar?; e a nova estratégia falida de Hollywood.
Como se pode observar, será um mês movimentado. Do jeito que cinéfilo de verdade gosta. Quando não estiver no cinema, esteja em Claquete.

sábado, 16 de abril de 2011

"Saúde do mercado de cinema"

Vai ter Nicolas Sarkozy e sua patroa, a primeira dama Carla Bruni. Vai ter Jack Sparrow e Sean Penn em dose dupla. Penélope Cruz também aparecerá. Assim como os diretores mais importantes de sua carreira: Pedro Almodóvar e Woody Allen. O melhor cineasta do mundo também exibirá seu novo trabalho. O dinamarquês Lars Von Trier, que se autodefiniu o melhor cineasta do planeta, apresentará em Cannes a ficção existencialista Melancholia. Mas não é só. As mulheres vão em peso a croisette. Jodie Foster exibirá o seu Um novo despertar fora de competição. Na briga pela Palma de ouro estará a escocesa Lynne Ransay com We need to talk about Kevin, um filme que acompanha um casal que começa a desconfiar dos instintos de seu filho. John C. Reilly e Tilda Swinton estrelam. Outra diretora em que repousam grandes expectativas é a australiana Julia Leigh. Em sua estréia, ela dirige a também australiana Emily Browning (Suker Punch) em Sleeping beauty. Um filme anunciado como uma mistura de fantasia e realidade. Genérico, mas curioso.

O mundo a seus pés: Com Lars Von Trier na programação, é certo que teremos declarações polêmicas na riviera francesa em 2011



O organizador do Festival de Cannes, Thierry Fremaux ao anunciar os 20 concorrentes a Palma de ouro declarou que a seleção de 2011 é um “testemunho da saúde do mercado cinematográfico”. Segundo Fremaux, a inclusão de cineastas prestigiados como Terence Malick (que exibe o aguardado A árvore da vida, prometido para a edição do ano passado), dos irmãos Dardenne, com The kid with the bike e do italiano Nanni Moretti com Habemus papam, ratificam a posição de pulmão cinematográfico de Cannes.
O evento também abrigará a premiere internacional de Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas, honrando outra tradição recente da riviera francesa: ser palco de grandes lançamentos hollywoodianos. Indiana Jones, Kang Fu Panda, Wall street: o dinheiro nunca dorme e Robin Hood foram alguns dos grandes filmes americanos a terem Cannes como plataforma de lançamento.


Os irmãos Dardenne, duas vezes premiados em Cannes, voltam este ano com The kid with the bike


Idiossincrasias

Carla Bruni talvez desfile sua beleza pela croisette. Já a presença de seu marido, o presidente francês só é certa no documentário de Xavier Durringer (La Conquetê), uma crítica voraz a administração Sarkozy. Sean Penn é outra figura muito querida em Cannes. Em 2010, embora no elenco do concorrente Jogo de poder, Penn não compareceu ao festival por estar envolvido com os esforços humanitários no Haiti. Em 2011, Fremaux, ainda que involuntariamente, conferiu duas razões para o ator americano dar as caras. A primeira é o aguardado A árvore da vida em que Penn protagoniza como um homem que busca sentido para a vida. O segundo é This must be the place, do italiano Paolo Sorrentino (em seu primeiro filme internacional), em que o ex de Madonna aparece de batom, cabelos longos e vive um roqueiro em busca de redenção.
Pedro Almodóvar, segundo relatos de bastidores, não queria exibir seu A pele que eu habito em competição. A edição da fita teria sido apressada e Almodóvar estaria prevendo polêmicas acerca de uma cena indigesta. O thriller de terror que reúne o diretor espanhol a Antônio Banderas, no entanto, é o filme que desperta mais expectativas nesse momento.

Um Almodóvar para incomodar muita gente: A pele que eu habito reúne o diretor e Antônio Banderas duas décadas depois de Ata-me



Outros filmes aguardados e que não entraram no line up de Cannes foram On the road, de Walter Salles, The grand master, de Wong Kar Wai e A dangerous Method, de David Cronenberg. Esses filmes, provavelmente, irão compor a mostra oficial de Veneza em setembro.
Na mostra Um certo olhar, o grande destaque recai sobre o novo drama independente de Gus Vant Sant, Restless. Para o Brasil, o interesse aponta para Trabalhar cansa, longa de Juliana Rojas e Marco Dutra. A dupla já esteve em Cannes antes competindo com curtas metragens.
É inegável que a edição de 2011 parece mais inspirada que a de 2010. Diretores de prestígio, produções comentadas com larga antecedência e uma seleção de personalidades cativante. Cannes pode até não cumprir as expectativas que suscita, mas o júri que será presidido por Robert De Niro terá algumas reticências a preencher.



Competição pela Palma de ouro:

A pele que eu habito, de Pedro Almodóvar
L´Apollonide, de Betrand Bonello
Foot note, de Joseph Cedar
Pater, de Alain Cavalier
The kid with the bike, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
Hearat Shulayin, de Joseph Cedar
La Havre, de Aki Kaurismäki
Hanezu no Tsuki, de Naomi Kawase
Sleeping beauty, de Julie Leigh
Polisse, de Maiwenn
La source des femmes, de Radu Mihaileanu
Ichimei, de Takashi Miike
Habemus papam, de Nani Moretti
We need to talk about Kevin, de Lynne Ramsay
Michael, de Markus Schleinzer
This must be the place, de Paolo Sorrentino
Melancholia, de Lars Von Trier
Drive, de Nicolas Winding Refn
Once upon a time in a Annapolia, de Nuri Bilgen Ceylan
A árvore da vida, de Terence Malick