domingo, 13 de outubro de 2013

Insight - Como está a briga pelo Oscar de filme estrangeiro na largada da corrida?


Todo mundo sabe que a corrida pelo Oscar começa cada vez mais cedo. A edição de 2014 está marcada para março e cá estamos nós, em outubro de 2013, discutindo o próximo Oscar. No caso da competição para melhor filme estrangeiro a corrida é muito mais ampla mesmo. Passa por mecanismos oficiais, no sentido de serem à primazia, escolhas dos governos dos países para representá-los no mais festejado e conhecido prêmio do cinema. Segundo porque envolve todo um planejamento de marketing que muitas das vezes antecede a própria oficialização do filme como representante de tal país na disputa pelo Oscar.
O Brasil, como se sabe, escolheu o aclamado O som ao redor, para ser seu representante na disputa por uma vaga no Oscar. E agora a disputa começou para valer nos bastidores. O recorde de 76 filmes indicados para concorrer às cinco vagas de finalistas foi anunciado pela Academia na última semana. O som ao redor, como se sabe, é um filme festejado pela crítica americana. Mas há filmes mais festejados na disputa e, a julgar pelas primeiras aferições, o filme tem chances; mas não são chances tão fortes como gostaríamos.
A presença de O passado, novo filme de Asghar Farhadi, premiado há dois anos por A separação, é tida como certa entre os finalistas. A indicação do Irã vem reforçada pelo fato do filme se passar na França e apresentar conflitos muito próximos aos ensaiados em A separação. O soberbo A caça, já exibido aqui no país, é a escolha dinamarquesa e é outro candidato muito bem cotado pela crítica americana. A grande beleza, de Paolo Sorrentino é outro filme que caiu nas graças da crítica e aventado para figurar entre os finalistas do Oscar. O candidato da Arábia Saudita é Wadjda. O primeiro filme dirigido por uma mulher no país é também a primeira submissão da Arábia Saudita para o Oscar. Vai superar um hype desses. Além do mais, o filme de Haifaa-al-Mansour é festejado por onde quer que passe. Outro filme muito bem recebido é The grandmaster, de Wong Kar-Wai, submetido por Hong Kong.

Cena de O passado, candidato iraniano que é dado como certeza no Oscar e já aspira indicações em outras categorias, como na de melhor atriz com a já indicada ao Oscar Bérénice Bejo

Wong Kar-Wai é outro nome festejado por seu épico das artes marciais, The grandmaster. Filmes asiáticos com esse perfil costumam agradar a academia e marcar presença nessa categoria 


Se se destacasse, ao menos, na política de cotas, O som ao redor já estaria ganhando. Mas não é o caso. Há dois filmes que penetraram muito mais no imaginário de quem importa para antecipar os prováveis indicados ao Oscar. O primeiro deles é o mexicano Helí. O México andava meio esquecido do Oscar, mas a recente safra de cineastas transgressores – que valeu duas Palmas de direção em Cannes consecutivamente – realinhou o interesse pela cinematografia do país. O filme de Amat Escalante é tido como uma opção radical para uma categoria cada vez mais insinuante. Já o Chile, depois de emplacar No no ano passado, tem chances redobradas com Gloria. O filme de Sebastián Lelio, desde que debutou no último festival de Berlim tem impressionado as pessoas certas em festivais ao redor do mundo – inclusive em Toronto e em Nova Iorque. Estes dois são, no momento, candidatos latino-americanos mais bem colocados do que O som ao redor na corrida pela indicação ao Oscar.
A prova, no entanto, é de fôlego e como já observado anteriormente em Claquete (clique aqui para ler), O som ao redor tem predicados muito mais robustos do que os desses dois filmes.
Trocando de metáfora, as cartas estão na mesa e o Brasil há muito tempo não tinha uma mão tão boa.  

sábado, 12 de outubro de 2013

Especial Gravidade - crítica

Fazendo cinema "cinematográfico"

De tira o fôlego! Obra- prima! Revolução cinematográfica! O melhor filme do ano! São todas interjeições conhecidas e válidas depois de se assistir Gravidade (Gravity, EUA 2013), o filme que o mexicano Alfonso Cuarón fez para ser visto e apreciado no cinema.
Com um espetacular plano sequência de aproximadamente 15 minutos, o diretor diz a que veio logo no início. Gravidade pretende ser um daqueles “game changers” que o cinema nem sempre cerimoniosamente recebe de tempos em tempos. O apuro técnico do filme assombra, mas o que assombra mais é como Cuarón não permite que todo esse sobejamento estético se sobreponha à narrativa que desenvolve. A estética se funde à narrativa de maneira inédita no cinema. A experiência de imersão em Gravidade é algo novo e encantador. É o mais perto que 99% de todos nós ficaremos do espaço. Mas não é só! Gravidade valoriza um estudo primoroso sobre solidão. O espaço, nesse aspecto, jamais havia sido tão bem aproveitado no cinema. A agonia de estar à deriva na imensidão sideral é outro aporte desse cinema sensorial emulado por Cuarón em imagens belíssimas, plano arrebatadores e enquadramentos inovadores.

Beleza e agonia: nenhum filme transportou o espectador para fora da sala de cinema em 2013 como Gravidade, em que Clooney e Bullock brilham atuando nos limites da tecnologia sem serem eclipsados por ela

Não há interesse em investigar os personagens Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalski (George Clooney), os astronautas à deriva no espaço depois que destroços de um satélite atingem a Explorer, nave que os levou até lá. Mas há um genuíno interesse da realização em abordar a fé e a vontade de viver e um interesse maior ainda em confrontar esses dois elementos. Nesse sentido, o luto da personagem de Bullock combinada à agonia de estar a esmo no espaço propiciam um sentimento difuso e profundamente alarmante para a audiência, incrementado essa experiência sensorial objetivada por Cuarón com seu filme.
Outro aspecto inerente à estrutura de Gravidade é sua habilidade no trato com símbolos. Da dimensão filosófica que afere à solidão à carga dramática que impõe sobre o renascimento da personagem de Stone, tão sorumbática na Terra (nas palavras da própria personagem) e revigorada no espaço, Gravidade se articula como um filme de incrível objetividade, sem prescindir de um relativo grau de subjetividade – desejável para qualquer filme que ambiciona ser grande.
É preciso fazer um adendo aos atores. George Clooney é o ponto de equilíbrio de Gravidade. Mais do que qualquer coisa, e mais do que ser o alívio cômico do filme de Cuarón, seu personagem é a bússola do personagem de Bullock; desempenhando, portanto, valiosa função narrativa. Clooney empresta seu carisma habitual ao experiente astronauta. Já Bullock atende às demandas físicas e emocionais de uma personagem cheia de nuanças e entrega uma performance ímpar em sua carreira já consolidada. É seguro dizer que a atriz nunca esbanjou tanta confiança como interprete e tanta vulnerabilidade em um personagem.
Por todas essas razões, Gravidade não é apenas um dos grandes momentos do cinema em 2013, mas em toda a sua história. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Crítica - Rota de fuga

Rota da diversão

Rota de fuga (Escape plan, EUA 2013) não é exatamente um filme. Pelo menos não no sentido mais conceitual, encorpado do termo. É uma ideia, boa por sinal, esticada muito além do desejável e do recomendável. E se Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger estivessem em uma mesma prisão de segurança máxima e tivessem que se unir para fugir dali? É isso! Aí o filme dirigido pelo sueco Mikael Hafström, dos bons Fora de rumo (2005) e O ritual (2011), articula uma porção de momentos vergonha alheia e inverossimilhanças para fazer a dita cuja da boa ideia prosperar na telona.

Stallone e Schwarza em cena de Rota de fuga: é, o jeito vai ser convocar os mercenários...

Mais do que qualquer outra coisa, Rota de fuga é um sinal claro de que ambos os astros estão esgotados. Não por continuarem fazendo cinema dos anos 80 nos anos 00, ou pelas cenas de ação nem sempre estimulantes, mas porque o carisma já não está sendo suficiente para segurar uma bomba. Mesmo juntos!
Stallone faz um tipo especializado em quebrar protocolos de segurança de prisões federais. A justificativa estapafúrdia que o leva à prisão em que o grosso do filme se desenvolve é das coisas mais canastras na história dos filmes de ação. Até Stallone fica meio sem jeito, mas a coisa segue. Uma das brincadeiras do filme é colocar o rapper brucutu 50 Cent – que sonha em virar astro de filmes de ação – como um fora da lei high tech e com jeito de bandido nerd e o cara de bom moço Jim Caviezel (que fez Cristo, para ficar em um exemplo) como o implacável – e algo afetado – diretor da prisão. Há outras pontas de gente bacana como Amy Ryan e Vinnie Jones, mas Rota de fuga se ocupa mesmo de tentar dar viço àquela boa ideia aventada no início desta crítica. Não dá para dizer que é bem sucedido nesse intento. Não dá para dizer que falha também. A condescendência dos fãs, sempre necessária em filmes nesses moldes, precisará ser redobrada neste caso. Isso posto, é diversão garantida.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Especial Gravidade - Os dez melhores filmes que se passam no Espaço

James Cameron falou que Gravidade é o melhor filme já feito sobre e no espaço. Mas como o filme ainda está por viver seu apogeu nos cinemas de todo mundo (e no Oscar?), Claquete apresenta uma lista com os melhores filmes que já integram essa galeria que parece destinada a ter no novo filme de Alfonso Cuarón, o seu expoente máximo.



10 – Tropas estelares (Starship troopers, EUA 1997), de Paul Verhoeven
Deliciosamente trash, essa ficção científica com pegada do cineasta estrangeiro mais cascudo a ter trabalhado no esquema de Hollywood, mostra a humanidade enfrentando uma raça alienígena com pinta de insetos gigantes. O filme não se passa todo no espaço, mas tem cenas muito bem urdidas por Verhoeven. Cenas estas que ganham muito mais destaque pelo orçamento irrisório que o diretor teve a sua disposição. 

9 – Planeta 51 (Planet 51, ESP/ING 2009), de Jorge Blanco e Marcos Martinez
Outro que não se passa inteiramente no espaço, mas propõe um trocadilho interessante: e se nós fôssemos o alienígena? Essa divertida animação mostra justamente isso quando o capitão Charles T. Baker (voz de Dwayne “The Rock” Johnson) acredita ser o primeiro ser vivo a chegar em um planeta, mas descobre que é o invasor e que seres esverdeados são os habitantes do planeta muito similar ao nosso. 

8 – Apollo 13 – do desastre ao triunfo (Apollo 13, EUA 1995), de Ron Howard
Três astronautas americanos a caminho de uma missão na Lua sobrevivem a uma explosão, mas precisam retornar rapidamente à Terra para poderem sobreviver, pois correm o risco de ficarem sem oxigênio. Ron Howard realiza um filme brilhante e emocionante, finalista no Oscar em diversas categorias, e tido por muitos como o mais lisonjeiro comercial da Nasa.

7 - Heróis fora de órbita (Galaxy quest, EUA 1999), de Dean Parisot
Uma sátira para lá de bem bolada com Star trek. Astros de uma série de tv cancelada são confundidos com verdadeiros heróis intergalácticos por um grupo de aliens que os convocam para intervir em uma guerra espacial e precisam convencer no “papel de suas vidas”.

6 - Além da escuridão – Star Trek (Star Trek: into darkness, EUA 2013), de J.J Abrams
Esse tem até cena na Terra, mas a grande maioria se passa no espaço. Trata-se do filme de maior teor político dessa lista. O espaço jamais foi tão mimético da condição humana desde que Kubrick nos levou até lá. De quebra, o filme apresenta um dos vilões mais impactantes dos últimos anos.

5 - Lunar (EUA, 2009), de Duncan Jones
Com ecos de 2001, a estreia do filho de David Bowie no cinema é um filme de imenso impacto e potência narrativa. Sam Rockwell faz um astronauta que cumpre missão na lua e, às vésperas de terminá-la, faz descobertas desestabilizadoras.

4 - Solaris (Rus, 1972), de Andrei Tarkovski
Concebido como o “anti 2001, em mais uma demonstração da influência da obra-prima de Kubrick, o filme russo – que depois teria uma refilmagem americana puxando a sardinha para 2001, mostra um psiquiatra enviado a estação especial que orbita o planeta que dá nome ao filme para investigar fenômenos estranhos que andam acontecendo por lá.

3 - Sunshine – alerta solar (Sunshine, EUA/ING 2007), de Danny Boyle
Mais um filme sob forte influência de 2001. Aqui Danny Boyle constrói uma parábola sobre loucura e destino ao focar na tripulação da Icarus II, enviada ao espaço para tentar evitar o desaparecimento do sol. Uma ficção científica clássica em suas proposições e acadêmica na forma e no seu desenvolvimento.

2 - 2001 – uma odisseia no espaço (2001: a space odissy, EUA 1968), de Stanley Kubrick
Como assim não é o primeiro colocado da lista? Os muitos predicados de 2001 já se mostraram pulverizados na confecção dessa lista. O que é um primeiro lugar nesses termos? Nada demais. O filme de Kubrick não só inventou a viagem espacial no cinema, foi lançado antes mesmo do homem pisar na lua, como teve o mérito de impregnar na ficção científica a textura de gênero máximo das metáforas e análises profundas sobre o homem e o meio.

1- Alien – o oitavo passageiro (Alien, EUA 1979), de Ridley Scott
No espaço, ninguém ouvirá você gritar. O slogan matador já entrega o que nos espera. Nenhum outro filme mimetizou tão bem nosso medo do desconhecido como esse clássico mor de Ridley Scott. Sob todos os prismas, esse filme é o cúmulo da perfeição. Ação, suspense, terror e a concepção da ficção científica casca grossa no cinema.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Especial Elysium - Crítica

Porra, caralho!

Em certo momento de Elysium (EUA 2013), Spider – o pirata digital, contrabandista e membro da resistência vivido por Wagner Moura – solta uns palavrões em português para expressar seu descontentamento com uma missão que caminha mal para seu grupo de “guerrilheiros”. A missão em questão acaba dando certo de uma maneira um tanto mais complexa do que o imaginado, mas ali – naquele momento – Elysium começa a degringolar enquanto cinema. É provável que seu diretor Neil Blomkamp tenha, tal como Moura, soltado palavrões em português também.
Essa introdução se justifica porque Elysium é um flagrante exemplo do conflito histórico e indesviável entre diretores com “visão artística” e os estúdios de cinema. Há muitas concessões em Elysium. Elas não o diminuem enquanto entretenimento certeiro, mas certamente o esvaziam daquele potencial danado que Distrito 9 - o primeiro filme de Blomkamp - sugeriu.
Homem não chora: Matt Damon aguenta as críticas negativas
Não que o jovem diretor sul-africano tenha abdicado do viés político de sua obra – característica que desde já precede seu cinema, mas há gorduras muito concentradas em que se pode perceber a mão pesada do estúdio. Exemplos disso são a mudança de tom do filme, que do segundo ato em diante vira uma fita de ação qualquer – com exato juízo de valor que essa afirmação indica; a relação forçosa e mal aparada entre os personagens de Matt Damon e Alice Braga e, ainda, os flashbacks para o passado de ambos que fogem diametralmente do tom realista adotado pelo diretor na maior parte do curso do filme.
Elysium é um filme ambicioso e tinha um potencial tremendo de adentrar os anais da ficção científica com sua trama engenhosa sobre “os ricos ficando mais ricos e os pobres ficando mais pobres”, para usar uma classificação do próprio diretor sobre seu filme. Do jeito que ficou, Elysium é um belo entretenimento de férias. É pouco para todo o talento e circunstâncias envolvidos. Além do mais, o comentário político surge enfraquecido, fragilizado em tintas socialistas desbotadas, algo que não ocorria com o muito mais grave, no tom e na forma, Distrito 9.

Matt Damon capitaliza como o protagonista Max, emprestando toda a sua segurança como intérprete a um personagem inesperadamente unidimensional. Já Wagner Moura faz muito com pouco. Além de criar cacoetes que falam por seu personagem, como a perna manca, o ator empresta grandiloquência a um personagem de moral ambígua. A opção pelo registro exagerado, algo que encontra paralelo no primeiro Tropa de elite, se justifica justamente pela moral transversal do personagem e do mundo que ele habita. Uma demonstração de que mais do que apostar no certo, Moura atua não somente nos limites de seu personagem, mas nos limites oferecidos pelo roteiro.

Em off

Nesta edição da seção Em off, filmes para adultos nesse mês de outubro nos cinemas, uma mostra sobre um dos maiores ícones do cinema brasileiro no Rio de Janeiro, os melhores filmes brasileiros do ano até o momento, especulações sobre o grande barato de Machete mata e Christian Bale versus Christian Bale.

Para carioca ver...
Em homenagem ao centenário de um dos maiores ícones do cinema nacional, Amácio Mazzaropi, a CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, a partir da próxima terça-feira (8), a mostra especial “Mazzaropi – O Jeca Fez 100 Anos!”, que ficará em cartaz até o dia 20 (domingo), com filmes do carismático ator, diretor, roteirista e produtor brasileiro. Paralelo à mostra, haverá também um debate, duas palestras e um curso de capacitação, sobre o homenageado, ministrado pela pesquisadora Silvia Oroz. O ingresso para cada um dos filmes custa R$ 4 (R$ 2, a meia).
No paraíso das solteironas, Meu Japão brasileiro, O corintiano e O Jeca e a freira são alguns, entre tantos outros, destaques da filmografia de Mazzaropi que serão exibidos na Mostra.

Serviço:
Mostra “Mazzaropi, o Jeca fez 100 anos!”
Data: de 8 a 20 de outubro de 2013 (terça-feira a domingo)
Horário: Consultar programação
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 e 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia) – além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h
Lotação: Cinema 1 - 78 lugares (mais 3 para cadeirantes), Cinema 2 - 80 lugares (mais 3 para cadeirantes)
Classificação: Consultar programação
Acesso para pessoas com deficiência
Programação completa da CAIXA Cultural: www.caixa.gov.br/caixacultural
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal


Para todos os brasileiros verem...

Outubro é o mês dos adultos no cinema. É impressionante a safra para o público mais maduro que se avizinha em termos de lançamentos comerciais. Além de Gravidade, que estreia nessa sexta-feira (11), temos Conexão perigosa (sobre espionagem industrial com Harrison Ford e Gary Oldman no elenco), Serra Pelada (filme sobre o maior garimpo a céu aberto do mundo que concilia história e entretenimento), Os suspeitos (suspense mais elogiado do ano estrelado por Hugh Jackman), O conselheiro do crime (novo de Ridley Scott com roteiro original de Cormac McCarthy e grande elenco) e O quinto poder (sobre a criação do Wikileaks e seu idealizador, Julian Assange). Este último, a exemplo de Gravidade, é alvo de cobertura especial de Claquete em virtude de seu lançamento.

Quem vai roubar a cena em Machete mata?
São muitas as participações especiais na sequência do clássico híper trash de Robert Rodriguez. São tantas e tão esperadas que geram uma disputa informal para saber quem, de fato, vai roubar a cena. Será o problemático Charlie Sheen como o presidente dos EUA? Ou o problemático, e insuspeito marombado, Mel Gibson como o vilão da vez? Serão as fatais Lady Gaga ou  Sofia Vergara? Ou pistoleiro Antonio Banderas matando saudades de Rodriguez? Quem sobreviver ao novo banho de tripas verá!

Gaga no pôster: cenas serão roubadas à peixeiras...


O top 5 do cinema brasileiro em 2013
Serra Pelada, com potencial de ser uma das joias do cinema brasileiro em 2013, estreia na semana que vem e pode engrossar o caldo de um ano para lá de especial para o cinema nacional. De Flores raras a O som ao redor, o cinema praticado em terras tupiniquins em 2013 foi do mais alto gabarito. Plural, na forma e no conteúdo, o ano que apresenta sucessos de bilheteria nas comédias de sempre, apresentou variedade como nunca. Claquete lista os cinco melhores nacionais do ano até o momento.

O abismo prateado
Boa sorte, meu amor
O que se move
Faroeste caboclo
Uma história de amor e fúria


Os diferentes Christians Bales do final do ano
Christian Bale pode voltar ao Oscar em 2014. Há grande expectativa para duas atuações dele em filmes muito díspares. Mas não é apenas a natureza dramática dos filmes de Scoot Cooper (Out of furnace) e David O. Russell (American Hustle) que suscita comentários não. O visual de Bale nos filmes é um show à parte. Principalmente quando comparados...

Bale com seus cabelos ao vento no set de Out of furnace... 

... e sem vergonha da pança protuberante em American Hustle


Na vibe do fim do mundo

É o fim, celebrado como uma das melhores comédias do ano, é um dos lançamentos da semana nos cinemas. James Franco, Rihanna, Seth Rogen, Emma Watson, entre outros, vivem eles mesmos em um filme que parodia tanto os filmes de apocalipse como os filmes teens, de maneira geral. O AdoroCinema fez entrevistas exclusivas com Seth Rogen, Danny McBride e Evan Goldberg, alguns dos cérebros por trás dessa divertida fita. Confira!

domingo, 6 de outubro de 2013

Especial Elysium - Elysium é de esquerda,apologia socialista ou eficiente propaganda do "Obamacare"?


Passou ao largo do radar de muitos jornalistas no Brasil e também do grande público, mais preocupado com as participações de Wagner Moura e Alice Braga no segundo filme da carreira de Neil Blomkamp, uma discussão que polarizou os estratos culturais e políticos da mídia americana na esteira do lançamento de Elysium.
A direita americana chiou por considerar o filme um libelo esquerdista de marca maior. A esquerda disse que o filme não conseguiu tangenciar a segregação a que alude, mas elogiou suas boas intenções. Fato é que o filme de Blomkamp tem forte veia política, minorada pela mão pesada do estúdio, mas que acaba - por vias tortas – fazendo apologia ao socialismo sim. Talvez não fosse essa a intenção de Bloomkamp e a julgar por Distrito 9 – seu espetacular filme de estreia – é possível dizer que não era mesmo essa a intenção. Apesar de ser muito clara sua identificação com o ideário da esquerda, e não poderia ser diferente considerando que o diretor cresceu sob a sombra do Apartheid na África do Sul, seu comentário em Elysium parece deslocado do norte apontado pelo filme anterior. Se isso revela uma deficiência na forma com que finalizou seu filme – a culpa só pode ser dividida parcialmente com o estúdio nessa matéria – demonstra também a atualidade de Elysium em um aspecto que domina o debate social e político nos EUA neste momento. Diz respeito ao plano de saúde aprovado pelo governo Obama em 2012 em que os ricos pagam impostos mais onerosos para custear o acesso dos pobres à Saúde. Esse plano, que virou lei e teve sua constitucionalidade reconhecida pela Suprema Corte americana, é alvo de grande acirramento entre republicanos e democratas e está por trás da paralisação do governo federal pela não aprovação de uma emenda orçamentária no congresso.
Os republicanos, maiores representantes dos abastados, querem que a lei – já em vigor – seja adiada em um ano. Obama não aceita negociar. Em Elysium, o principal mote do filme é a necessidade de acesso à saúde. A tal da cama milagrosa que cura de câncer a fraturas é uma metáfora eficiente do estado das coisas nos EUA. Nesse espectro, Elysium é de uma felicidade tremenda. Ainda que acidental. Naturalmente, entre o pensamento da esquerda e a apologia canhestra que resultou, ser propaganda da maior cartada da administração Obama não estava nos planos de Neil Blomkamp. Mas ver o filme nessa ótica é um adendo e tanto. Para o filme e para o debate que acontece às margens dele.


sábado, 5 de outubro de 2013

Crítica - Aposta máxima

Blefe bem feito!

Depois de impressionar com o modesto, mas bem urdido O poder e a lei (2011) – que de quebra recolocou o ator Matthew McConaughey na rota da consagração artística, Brad Furman lança esse Aposta máxima (Runner runner, EUA 2013) que mistura a sofisticação do mundo empresarial à lógica do mundo das apostas, fundidas pela mentalidade do mundo do crime.
A estrutura é muito parecida com a de seu filme anterior. Não só no desenvolvimento narrativo, como nos arquétipos emulados pela dramaturgia e no desenho dos personagens. O Ritchie Furst de Justin Timberlake, assim como o advogado vivido por McConaughey naquele filme, parte de um quadro de ingenuidade para a expertise no trato com um mundo desleal e perigoso.
Hora da verdade: Ben e Justin medem forças em filme bacanão
Furst é um estudante de pós-graduação com um vício. Ele é viciado em pôquer, mas não necessariamente naquela percepção convencional de vício. E é dessa particularidade que Furman alimenta seu filme. Descolado, inteligente, mas ingênuo, Furst procura Ivan Block (Ben Affleck), um magnata das apostas on-line sediado na Costa Rica, para lhe informar que seu site tem brechas que incitam trapaças. Block, como agradecimento ou forma de exercer controle, oferece um emprego para Furst. É a partir dessa relação de poder e imagem que este eficiente thriller se estabelece.
Não que Aposta máxima seja um filme inventivo. Seu desenvolvimento é até certo ponto preguiçoso tendo como referência o fato de que acolhe os clichês com muita energia e desprendimento. Mas é um filme que aposta no ritmo acelerado da ação e nos seus atores principais. Gemma Arterton, cuja função na fita é ser bonita, está especialmente linda. Timberlake opera a habitual combinação de carisma e charme que lhe é tão característica e se sai muito bem. O grande atrativo da fita, no entanto, é mesmo Ben Affleck se divertindo como um kingpin do crime. Affleck faz pose de canastrão, fala espanhol, e surge falando “pussy” em uma sauna logo no início do filme. Ele convence como gângster sofisticado como poucos criam ser possível. Demonstração de que Affleck está muito mais relaxado nessa coisa de atuar do que pensamos que ele poderia em virtude das críticas que recebe nesse ofício.
O resumo da ópera é o seguinte: Se Aposta máxima viesse antes de O poder e a lei, Furman não suscitaria a boa impressão que capitalizou. O filme é ligeiro, despretensioso e consegue fazer com que você saia da sessão achando que é até mesmo superior ao que de fato é. Um blefe que não demora muito a ser percebido.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Especial Gravidade - Obstinação ou predestinação?


Sandra Bullock não era a primeira opção para estrelar Gravidade. A Warner Brothers, estúdio por trás do filme, suficientemente receosa com a proposta ousada do filme de focar quase que inteiramente em uma personagem feminina ao relento no espaço, queria uma atriz jovem para o papel – reiterando aquela máxima de que atrizes acima dos quarenta anos são logo escanteadas em Hollywood. Natalie Portman, então na crista da onda com Cisne negro, era a opção do estúdio. Mas a atriz, grávida, declinou da proposta. Jessica Chastain, outro nome da moda, foi testada antes do papel parar no colo de Sandra Bullock – que hesitou em aceitá-lo por ser este física e psicologicamente desafiante para ela que havia acabado de adotar um bebê.
Ser mãe, no final das contas, acabou ajudando na concepção de sua personagem – enlutada justamente pela perda de uma filha.
Sandra sentiu-se adornada pela coragem do diretor Alfonso Cuarón em bater o pé e exigir o protagonismo para o papel feminino – o estúdio já exercia pressão para que o papel fosse reescrito para um homem. “É um elefante na sala, mas se os estúdios perceberem que as mulheres podem trazer audiência para os cinemas, o que é uma tendência momentânea pode virar norma”, comentou Sandra Bullock no painel sobre o filme na última edição da ComiCon em San Diego, na Califórnia.
A ficção científica tem, pelo menos, uma grande personagem feminina que originalmente seria interpretada por um homem: a tenente Ellen Ripley da franquia Alien. A personagem de Sigourney Weaver não foi uma sombra para Sandra compor Ryan Stone, nome até certo ponto unissex de sua personagem em Gravidade, segundo a atriz.
Rotina exaustiva: Sandra em um tanque de água filmando
cenas que seriam tratadas digitalmente depois
Cotada para o Oscar, Sandra Bullock quebra uma escrita que acomete atrizes vencedoras do Oscar. Elas não conseguem mais obter sucesso de crítica após o triunfo no Oscar. Gwyneth Paltrow, Halle Berry, Julia Roberts, Reese Whiterspoon e Nicole Kidman são alguns dos exemplos. Depois da questionável vitória em 2010 por Um sonho possível, Sandra Bullock retorna ao cinema em 2013 com o sucesso comercial de As bem armadas – atualmente nos cinemas – e o êxito crítico de Gravidade. Voltar à disputa pelo Oscar talvez fosse algo que a pequena participação em Tão forte e tão perto (2011) insinuasse, mas que não parecia ao alcance.
A vontade de trabalhar com Cuarón e o desejo de provar para o estúdio, com o qual mais fez filmes, que uma mulher pode e deve ser a protagonista de uma ficção científica criativa e exigente como Gravidade podem levar Bullock novamente ao Oscar. Dessa vez, sem margem para dúvidas.