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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Crítica: RED-aposentados e perigosos

Pura gozação!


Adaptado de uma graphic novel assinada por Warren Ellis e Cully Hamner, RED – aposentados e perigosos (RED, EUA 2010) é um prazeroso filme de ação. Dirigido pelo alemão Robert Schwentke, cujos créditos incluem o ótimo Plano de vôo e o nem tão empolgante Te amarei para sempre, a fita tem um mote bacana (agentes da CIA aposentados são obrigados a voltar à ativa quando a própria agência demonstra interesse em matá-los), mas que já esteve em evidência em 2010 no filme Os mercenários.

Bruce Willis, ao lado de Mary Louise Parker, faz o tipo sério
em RED. O que não quer dizer que não esteja engraçado
 Pesa a favor de RED, no entanto, um elenco da mais fina estirpe. John Malkovich, Morgan Freeman, Helen Mirren, Mary Louise Parker, Brian Cox, Richard Dreyfuss, Karl Urban e Bruce Willis (que também fez uma ponta em Os mercenários) fazem graciosidades em cena. Tudo em nome da brincadeira. As cenas de RED, assim como a própria trama, são um pretexto para que esses bons atores possam exercitar sua veia cômica. Malkovich está especialmente aprazível como um agente neurótico.
O filme vem colhendo críticas positivas nos EUA, o que tem surpreendido alguns. Na verdade, ao assumir seu espírito fanfarrão, RED permite que o espectador se alvoroce com cenas como uma bala explodindo um míssil. A fita nada mais é do que uma bem sacada sátira a esse universo James Bond que tanto prezamos no cinema. E é como a pura gozação que é, que RED deverá será apreciado. Portanto, se você ler uma crítica falando das cenas mentirosas ou da trama absurda, desconsidere. Denegrir o filme é não entendê-lo. Agora se você não gosta de comédias de ação e de sátiras bem boladas, aí sim você deve passar longe de RED. Afinal, você deve estar velho demais para isso.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Panorama - Seven

Neste mês, para aguçar as expectativas pelo novo filme de David Fincher (A rede social) a mostra Panorama aqui do blog irá abordar a filmografia do cineasta. Para começar, nada melhor do que o filme que apresentou Fincher para o mundo.



Ele já havia feito um longa metragem (Alien³) quando assumiu a cadeira de diretor de um filme de serial killer. David Fincher, de alguma maneira, conseguiu se impor ante a badalada dupla de protagonistas vividos por Brad Pitt (então um astro insurgente) e Morgan Freeman (no alto do seu jogo). Seven é tido como vanguarda na produção do cinema que alia aspectos autorais e pegada comercial. Talvez seja exagero, mas é inegável que Fincher desenvolveu uma particularidade própria a partir desse filme. Todos os seus projetos, por mais comerciais que fossem, se revestiam instantaneamente de uma roupagem cult. Isso ocorre porque Fincher provou ser cerebral o suficiente e iconoclástico na medida certa para assumir a autoria de algo que, no fundo, já estava por vir. Seven talvez seja apenas o protótipo de uma mudança conceitual que já estava sendo desenhada em Hollywood e que o próprio Fincher se beneficiaria mais adiante.
O filme que se resolve muito bem como trama policial é um excelente suspense muito bem escorado em alguns pilares cinematográficos como roteiro, atuação, montagem, fotografia e trilha sonora. Acima disso está um seguro diretor que mostra já em seu segundo filme que nasceu para isso.

domingo, 16 de maio de 2010

Os 25 melhores filmes da década: 2 - Menina de ouro

“Garota, ser durona não é o suficiente!”


Sinopse
Frankie Dunn mantém uma academia onde treina e agencia lutadores de boxe. Frankie hesita em treinar Maggie Fitzgerald, primeiro por não treinar mulheres e por ela já estar velha demais para a carreira. A persistência da lutadora e a afetuosidade que surge entre os dois fazem com que ele mude de idéia.

Comentário
A orfandade é algo que move o cinema de Eastwood. Em Menina de ouro, personagens órfãos, ou seja, largados a própria sorte, estão no centro da narrativa. O diretor, no entanto, não se detém apenas a essa rica construção. Ele aprofunda o drama dos personagens e realiza um tenaz comentário sobre a natureza humana e suas contradições. Menina de ouro tem uma narrativa convencional, mas que não deixa de ser envolvente. Eastwood sabiamente opta por um registro minimalista; evitando o tom espetacular que dobra a cada esquina. A história de uma boxeadora, seu treinador e o faxineiro da academia em que treinam, a primeira vista, não traz nada de memorável. Contudo, o sentimento que a platéia nutre pela história é verdadeiro e irrevogável. Sem ceder ao sentimentalismo e ao moralismo, Eastwood conduz com força e propósito notáveis um drama seco, doído e sem direito a finais edificantes. A vida tem seus atalhos e a redenção não vem sempre da forma como gostaríamos, profetiza Eastwood em um filme liberal, altruísta e focado na verdade que nos faz humanos.

Prêmios
4 Oscars (filme, direção, atriz e ator coadjuvante); Melhor filme estrangeiro pela academia de cinema do Japão; melhor atriz pela associação dos críticos de Boston; Critic´s choice awards de melhor atriz; melhor filme e melhor atriz para a associação de críticos de Ohio; melhor direção para a associação de críticos de Chicago; Goya de melhor filme estrangeiro; César de melhor filme estrangeiro; prêmio de melhor filme estrangeiro para a academia de cinema italiano; melhor atriz e filme para a associação de críticos de Dallas; prêmio do sindicato dos diretores; 2 Globos de ouro (direção e atriz em drama); melhor filme e melhor atriz para o círculo de críticos do Kansas; melhor direção para o círculo de críticos de Nova Iorque; indicado aos prêmios dos sindicatos dos produtores, editores e roteiristas; melhor direção e trilha sonora para o círculo de críticos de San Diego; SAG de melhor atriz e ator coadjuvante; melhor direção e filme para a associação de críticos de Seattle; melhor direção, ator e ator coadjuvante para o círculo de críticos de Vancouver; melhor atriz para as associações de críticos da Flórida e Phoenix;

Curiosidades
- O filme foi rodado em apenas 38 dias
- A warner dispensou campanha publicitária para o filme porque não acreditava nas forças do filme na temporada de premiações e preferiu apostar em O aviador (que acabou dividindo o favoritismo com Menina de ouro e perdendo na noite do Oscar)
- Sandra Bullock iria produzir e estrelar o filme. Foi a atriz quem levou o roteiro para a Warner. Contudo, seus compromissos com a continuação de Miss simpatia a impediram de levar a idéia adiante. A warner ofereceu o projeto a Clint Eastwood
- A trilha sonora do filme, composta por Clint Eastwood, foi indicada ao Grammy
- Clint Eastwood, então com 74 anos, tornou-se o mais velho vencedor do Oscar de direção por este filme
- Foi o último filme a ter chances de ganhar os cinco principais Oscars (filme, direção, roteiro,ator e atriz). Só ganhou três destes.

Ficha técnica
título original:Million Dollar Baby
gênero: Drama
duração:02h17 min
ano de lançamento:2004
estúdio:Malpaso Productions / Lakeshore Entertainment / Warner Bros.
distribuidora:Warner Bros. / Europa Filmes
direção: Clint Eastwood
roteiro:Paul Haggins, baseado no conto de F.X. Toole
produção:Clint Eastwood, Paul Haggis, Tom Rosenberg e Albert S. Ruddy
música:Clint Eastwood
fotografia:Tom Stern
direção de arte:Jack G. Taylor Jr. e Jack Taylor
figurino:Deborah Hopper
edição:Joel Cox
elenco:Clint Eastwood, Hillary Swank e Morgan Freeman





Fonte:arquivo pessoal

sábado, 6 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - A peleja dos atores

Na montagem: George Clooney (amor sem escalas), Colin Firth (Direito de amar), Jeff Bridges (Coração louco), Jeremy Renner (Guerra ao terror) e Morgan Freeman (Invictus)


O venerado

O maior astro entre os indicados na categoria, talvez seja o único, é uma pessoa querida por todos. Aliás, sua atuação está sendo louvada como uma das melhores do ano e de sua carreira.

Prós:
+É a alma do filme de Jason Reitman
+Existe um consenso de que é preciso premiar Clooney novamente, já que ele amadureceu muito como ator desde sua premiação como coadjuvante por Syriana
+A academia pode homenageá-lo, com o Oscar, por seus esforços humanitários e pacifistas. Está recente na memória o teleton (que muitos dos membros da academia participaram) que Clooney organizou para financiar a ajuda humanitária ao Haiti.
+ Nos últimos dois anos foram premiados na categoria atores que já haviam vencido o Oscar anteriormente (Daniel Day Lewis e Sean Penn)

Contras:
- Sua candidatura perdeu um pouco do pique. Os prêmios que recebeu foram todos em dezembro. Com o Oscar em março e o nome de Jeff Bridges como favorito, isso pode pesar
- A política de compensação que impera no Oscar pode prevalecer e favorecer o outrora relegado Jeff Bridges
- Nos últimos dois anos foram premiados na categoria atores que já haviam vencido o Oscar anteriormente (Daniel Day Lewis e Sean Penn)

Indicações anteriores: Melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro original por Boa noite e boa sorte em 2006
Melhor ator coadjuvante por Syriana em 2006
Melhor ator por Conduta de risco em 2008
Vitórias anteriores: Melhor ator coadjuvante por Syriana em 2006

A homenagem



Que Morgan Freeman entrega uma atuação formidável em Invictus não há dúvidas. Mas sua nomeação ao Oscar deve-se muito mais a homenagens que a academia se obriga a fazer. A primeira delas é a Nelson Mandela (personagem interpretado por Freeman), a segunda é ao próprio ator, veterano e sempre competente, e por último a Eastwood que sempre emplaca um filme no Oscar.

Prós:
+ Interpreta um legítimo liberal e figura muito querida em Hollywood.
+ Carrega o filme nas costas e o Oscar tem reconhecido atores que fazem isso nessa categoria. Exemplos recentes foram as premiações de Sean Penn por Milk, Daniel Day Lewis por Sangue negro e de Philip Seymour Hoffman por Capote.
+ A maioria dos grandes atores de sua geração tem dois Oscars, seria hora de elevar Freeman a esse patamar

Contras:
- Seu desempenho é o mais convencional dos cinco indicados
- Assim como Clooney já tem um Oscar
- O filme não recebeu grande destaque e a sua indicação, assim como a de Matt Damon, podem ser consideradas distinções suficientes

Indicações anteriores:
Melhor ator coadjuvante por Armação perigosa em 1988, melhor ator por Conduzindo Miss Daisy em 1990, melhor ator por Um sonho de liberdade em 1995 e melhor ator coadjuvante por Menina de ouro em 2005
Vitórias anteriores: Melhor ator coadjuvante por menina de ouro em 2005


The first timer



Que Colin Firth é bom ator, todo mundo sabe. Contudo, o ator é conhecido por gravitar em torno daqueles personagens almofadinhas ingleses, assim como seu conterrâneo Hugh Grant. A primeira indicação ao Oscar chega pela composição de um professor homossexual que afunda em depressão após a morte do amante. A indicação veio pela coragem e pelo despudor da atuação.

Prós:
+ Personagens homossexuais tem rendido bons frutos ao longo dos anos. Tom Hanks, Charlize Theron, Philip Seymour Hoffman são alguns que ganharam o Oscar por papéis dessa procedência.
+ Muitos consideram o melhor e mais consistente trabalho de um ator no ano
+ É a alma do filme de Tom Ford

Contras:
- A pecha de que a indicação já configura em um prêmio pode pesar
- O histórico de comédias românticas pode desfavorecer
- Sean Penn triunfou ano passado ao viver um personagem gay. Dois anos seguidos, seria sair muitoooo do armário para os padrões da academia
- O filme não recebeu indicações em outros quesitos que merecia, um sinal de que não deve-se ter muita esperança

Primeira indicação

O bad boy


Jeremy Renner já estava por aí faz algum tempo. Sempre fazendo cara de mau. Ele recebe a indicação pelo filme mais festejado da temporada. Sua inclusão aqui deve-se mais ao fato da badalação em torno do filme, do que por seus méritos propriamente ditos. Ele faz um tenente casca grossa viciado em adrenalina.

Prós:
+ Integra o elenco do filme mais festejado da temporada
+ Dependendo do desempenho de Guerra ao terror, e de Avatar, pode ser uma forma de fazer “justiça” ao filme de Bigelow, já que não há concorrência com Avatar na categoria
+ Sua performance é arrojada e expansiva. A academia já apreciou isso antes como demonstram as premiações de Forest Whitaker por O último rei da Escócia, Denzel Wasghinton por Dia de treinamento e de Russel Crowe em Gladiador

Contras:
- Tem relativamente pouca experiência em relação aos demais concorrentes
- A pecha de que a indicação já configura em um prêmio pode pesar
- O filme merece prêmios em outras categorias mais do que aqui, como a academia tem pulverizado seus prêmios nos últimos anos, isso diminui as chances de Renner prevalecer

Primeira indicação

The buddy


Jeff Bridges é o favorito absoluto da temporada. Papou a maior parte dos prêmios e o próprio admitiu que o papel em Coração louco é o papel de sua vida. Um cenário perfeito para o Oscar?

Prós:
+ É o favorito na corrida pelo Oscar
+ Pode-se favorecer da política de compensação do Oscar, já que está com 60 anos e perdeu nas quatro vezes anteriores que foi indicado
+ Carrega o filme nas costas e o Oscar tem reconhecido atores que fazem isso nessa categoria. Exemplos recentes foram as premiações de Sean Penn por Milk, Daniel Day Lewis por Sangue negro e de Philip Seymour Hoffman por Capote
+ Se existe uma fila em Hollywood para a consagração, Bridges está no gargarejo

Contras:
- O status de George Clooney pode prevalecer

Indicações anteriores: Melhor ator coadjuvante por A última sessão de cinema em 1971,melhor ator coadjuvante por O último golpe em 1974, melhor ator por Starman em 1984 e melhor ator coadjuvante por A conspiração em 2000

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Critica - Invictus

Sobre triunfar e perdoar!

Eastwood e toda a classe de seu cinema a serviço de um ideal e de uma homenagem

É interessante observar a evolução de Clint Eastwood enquanto cineasta. Se existe um tema que pauta sua obra de maneira uniforme, esse tema é a vingança. Esteve presente em dois de seus melhores trabalhos como cineasta, Os imperdoáveis e Sobre meninos e lobos. A obsessão de Eastwood por desvelar os mecanismos e o combustível desse sentimento, no entanto, dão vez ao fomento de um gesto muito mais nobre e de difícil gestação; o perdão. A capacidade de perdoar já estava presente em seu último filme, Gran Torino, mas é o principal elemento de Invictus (EUA 2009). O filme, embora seja um exemplar mais convencional- que cede a certos preceitos de um cinema mais acadêmico, mais tradicional – preserva a essência desse diretor tão inquieto quanto um pré-adolescente.
Invictus, que é baseado em um livro reportagem de John Carlin, debruça-se sobre os esforços do recém-empossado presidente da África do Sul, Nelson Mandela, para encurtar os laços de ódio que segregavam brancos e negros em uma África do sul ainda às sombras do Apartheid, um dos regimes segregacionistas mais rígidos e cruéis da história da humanidade.
Invictus (que herda o nome de um poema que inspirava Mandela a manter-se esperançoso) mostra os bastidores da estratégia de Mandela para conseguir esse intento. Através do esporte, da copa do mundo de rúgbi em particular, ele via uma oportunidade de ouro de unir seu país. Eastwood se ocupa, então, de mostrar essa história. Mas sempre com atenção aos detalhes. Detalhes que valorizam o registro. Como a luta entre o homem e o líder (potencializada pela sublime atuação de Morgan Freeman) que se obriga a ser um exemplo de agregação mesmo contrariando a família com quem não mantém fortes laços (essa dialética familiar é outra obsessão de Eastwood); ou a transformação que seus seguranças atravessam pelo convívio, a principio forçado; ou ainda, quando a trajetória de vida do presidente inspira o desacreditado capitão do time sul-africano. Esses detalhes, principalmente quando a platéia se dá conta deles, acrescem muito ao filme.
Contudo, Invictus cede ao sentimentalismo. Algo que seria inevitável em uma trama como a retratada, poderia ser suavizado como o próprio Eastwood fizera em outro filme que gravita em torno do esporte, Menina de ouro.
Esse “porém” minimiza a força de Invictus enquanto cinema, mas não diminuí o impacto de sua história. É um filme sobre como chegar ao triunfo. Mas também sobre como fazê-lo da maneira mais nobre, mais humana e mais inspiradora. Invictus não é nem de longe o melhor Eastwood. Mas é um filme obrigatório para quem gosta do cineasta e para quem gosta de filmes edificantes.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Movies Great Partnerships - Clint Eastwood & Morgan Freeman



Eles não são melhores amigos. Tão pouco mestre e pupilo. Na verdade, Clint Eastwood, 79 anos, e Morgan Freeman, 72 anos, não se ajustam às convenções das grandes parcerias cinematográficas. Ambos já haviam consolidado suas carreiras antes de estabelecerem parceria. Mas foi justamente no momento dessa união que Morgan Freeman e Clint Eastwood atingiram o melhor momento de suas carreiras. Duas vezes.
Clint e Morgan são hoje bons amigos que confiam um no outro sem amarras e sem pré-condições. “Isso facilita na hora de rodar um filme”, admitiu Morgan Freeman à época do lançamento de Menina de ouro, sobre o fato de ambos os veteranos se conhecerem de outros carnavais.
“Clint Eastwood é um diretor econômico e eu gosto de pensar que sou um ator simples”, disse Morgan em recente entrevista a revista Empire, durante um ensaio fotográfico que rememorou Os imperdoáveis. A parceria de Morgan e Clint, embora possa parecer restrita a relação de ator e diretor, é mais extensa; o que configura mais um aspecto pouco convencional dessa grande parceria do cinema. Eles também dividem a cena, com extrema desenvoltura, em Os imperdoáveis e Menina de ouro, ambos vencedores dos Oscars de filme e direção. A terceira colaboração, Invictus, que chega agora aos cinemas brasileiros, é mais convencional. Clint está apenas na direção e Morgan tem o show todo para ele. Ou seria o contrário? Como se trata de uma parceria, quem ganha mesmo, somos nós.


Os homens certos para a tarefa
Em Os imperdoáveis Morgan Freeman e Clint Eastwood vivem cowboys desesperançados. São homens amargurados e perseguidos pelo passado que aceitam um novo trabalho. Achar e punir os responsáveis por retalhar uma prostituta. O filme de Clint Eastwood é um western definitivo, em sua estrutura e em seu discurso. Passa a limpo todo um gênero cinematográfico e, de quebra, tece comentários tenazes sobre o deslocamento do ideário do machão no cinema americano. Freeman e Clint vivem amigos de longa data aqui. Chama a atenção a naturalidade dos gestos e da química entre os atores.


Clint e Morgan posam para o ensaio especial de 20 anos da revista de cinema Empire: Um filme que marcou época


Essa vida que vivemos
Em Menina de ouro, Clint Eastwood, o diretor, novamente escala Morgan Freeman para ser o melhor amigo do Clint Eastwood ator. O filme que emite a cada fotograma uma tristeza emulada em nostalgia ganha força na performance dos dois atores que foram lembrados pelo Oscar(Freeman venceu como coadjuvante). A amizade e o respeito que os personagens de Clint e Morgan tem um pelo outro são um dos muitos trunfos dessa vitoriosa fita. Menina de ouro versa sobre arrependimentos, redenção, confiança, amor, abandono e muitas outras coisas. É um filme, que em certo nível, mimetiza a obra dessas duas lendas vivas.


Em Menina da ouro, filme sobre as tragédias da vida, Clint e Morgan têm seus melhores momentos como atores


Para honrar uma lenda
E por falar em lendas, nada melhor do que duas lendas vivas reunidas para honrar uma terceira. Invictus, que antes se chamaria de The human factor, tinha uma diretriz muita clara. Narrar a experiência de Nelson Mandela em unificar a África do sul. O projeto foi oferecido a Eastwood e foi questão de tempo até Freeman entrar a bordo. O próprio Mandela disse em certa oportunidade que só o ator poderia vivê-lo em um filme sobre sua vida. Freeman e Eastwood juntos pela terceira vez por Mandela. Ele não poderia pedir melhor.


Morgan Freeman, Clint Eastwood e Matt Damon, os homens que deram vida a Invictus em outro ensaio fotográfico para deleite cinéfilo


Os números da parceria:
+ 3 filmes
+ Os imperdoáveis ganhou quatro oscars (filme, direção, montagem e ator coadjuvante para Gene Hackman)
+ Menina de ouro ganhou 4 oscars (filme direção, atriz para Hillary Swank e ator coadjuvante para Morgan Freeman)
+ As duas indicações ao Oscar de melhor ator da carreira de Clint Eastwood vieram dessas duas colaborações com Freeman
+ Foram também por essas duas colaborações que Clint Eastwood ganhou seus oscars de direção
+ Foi por Menina de Ouro que Morgan Freeman recebeu seu primeiro Oscar, depois de 4 indicações
+ Morgan Freeman foi o narrador de um documentário sobre a vida de Clint Eastwood produzido pela Warner em 2005
+ Menina de ouro e Os imperdoáveis estão na lista American Film institue (AFI) dos 100 melhores filmes da história do cinema americano
Fotos: Empire , Parade e Reusters

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

OSCAR WATCH - National Board of review 1

Foram divulgados hoje os vencedores do National Board of Review, importante e tradicional associação de críticos da costa leste dos Estados Unidos. O filme Amor sem escalas (Up in the air) de Jason Reitman foi eleito o melhor filme de 2009. Integram o top 10 da associação filmes como Bastardos inglórios de Quentin Tarantino, Invictus de Clint Eastwood, Star Trek de J.J Abrans e 500 dias com ela de Mark Webb.
George Clooney por Amor sem escalas e Morgam Freeman por Invictus dividiram o prêmio de melhor ator. A melhor atriz foi Carey Mulligan por Sedução. Clint Eastwood foi escolhido o melhor diretor. A entrega dos prêmios em jantar realizado na cidade de Nova Iorque será em 12 de janeiro.
Amanhã você terá aqui em Claquete a lista completa dos vencedores e uma análise pormenorizada do que o prêmio significa para a temporada de ouro do cinema.