segunda-feira, 19 de abril de 2010

ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - O que Johnny Depp tem que os outros não têm?



Pois é, se o senhor Silvio ainda tivesse seu Show do milhão na ativa, poderia muito bem eleger essa, a pergunta de um milhão de reais. O perigo aí é que nem mesmo o sabichão Silvio saberia declinar a resposta com exatidão. Descobrir o fascínio que Johnny Depp exerce na mulherada, em um primeiro plano, e no público generalizado, em um segundo plano, não é um exercício que possa ser desenvolvido apenas pelo limiar da lógica. Depp é um apelo ao histrionismo, sem abdicar da introspecção. Um paradoxo que alimenta e se alimenta do status de celebridade que demorou a chegar. Embora já fosse um ator plenamente reconhecido e reconhecível, Johnny Depp só se tornou astro nos anos 2000, com o sucesso do personagem Jack Sparrow de Piratas do caribe: a maldição do pérola negra. A própria repercussão do personagem foi um show a parte. Além de ter agradado o público (de todas as faixas etárias e procedências) agradou a critica e aos colegas de profissão. Ganhou o prêmio do sindicato dos atores (SAG) e foi indicado ao Oscar de melhor ator por um papel cômico em um filme de verão, feito inédito nos 80 anos de história do Oscar e que até hoje continua sendo único.
Depp é avesso a badalações. No início dos anos 90, é bem verdade, enquanto namorava a doidinha Winona Ryder, frequentou os holofotes, mas desde o fim do namoro aderiu a descrição. Opção consolidada pelo casamento com a modelo francesa Vanessa Paradis e a subsequente mudança para o sul da França.




As colunas de fofoca até tentam, mas nunca conseguem algo realmente relevante, ou suculento (para usar um jargão do meio) sobre o ator. Depp não trabalha a imagem de sedutor (embora alguns digam que ele não precisa fazer isso), algo que alguns de seus contemporâneos fazem com naturalidade (caso de George Clooney), com graciosidade (caso de Matt Damon) ou com ostentação (caso de Brad Pitt). Ainda por cima, Depp tem uma queda por personagens que, a primazia, deveriam afastar o interesse do público por sua pessoa. Figuras andrógenas, monstros sanguinários e personagens circenses não fizeram de Terence Stamp ou Martin Landau sex simbols. Há quem argumente que lhes faltava beleza. Pode ser. Mas não há como negar que Depp flerta perigosamente com sua imagem, mesmo sem parecer fazê-lo. Talvez por isso, por esse flerte aparentemente irresponsável e desencanado, Depp seja para a cultura pop o que é. Talvez por isso, que exerça o fascínio que exerce nas mulheres. A confiança e a masculinidade acima de qualquer suspeita se revitalizam a cada excentricidade nas telas e o amor e comprometimento com a família e com a mulher se agigantam na descrição que pauta sua vida pessoal.
Johnny Depp talvez seja o enigma mais cristalino da Hollywood atual. Justamente por isso, o mais indecifrável.

domingo, 18 de abril de 2010

Os 25 melhores filmes da década: 6 - Sobre meninos e lobos

"É a minha filha ali?”


Sinopse
Três amigos de infância separados por uma tragédia, tornam-se a reunir em virtude de outra. A filha de um deles é assassinada, um é o principal suspeito e o outro o detetive incumbido de investigar o caso.

Comentário
Esse foi o filme que pavimentou definitivamente o status de autor de Clint Eastwood. Adaptando o livro de Dennis Lehane com extrema eficiência e sensibilidade, Eastwood tece uma dolorosa e poderosa crônica sobre o esfacelamento de uma sociedade assentada basicamente sobre códigos ultrapassados e desajustados. O filme que mostra três amigos separados e reunidos por tragédias e as escolhas irreversíveis que delas advém, é um eloquente retrato de um mundo em transformação. Mas mais do que isso é um soco no estômago. Poucas vezes no cinema, um diretor foi capaz de abalar tanto com o prenúncio de uma tragédia. Eastwood desenvolve seu filme em tom solene como quem antecipa um desfecho em que nada de bom sobressairá. A técnica do filme é apuradíssima. Desde a invasiva trilha sonora até a soberba fotografia, passando, é claro, pelo espetacular trabalho do elenco. Sobre meninos e lobos é um filme estupendo. Mas antes de se resolver como cinema, é um estudo minucioso da condição humana.


Prêmios
2 Oscars (ator e ator coadjuvante); prêmio do sindicato dos diretores de arte; melhor filme estrangeiro pela academia japonesa de cinema; 4 indicações ao Bafta; melhor filme e melhor elenco pelo círculo de críticos de Boston; 2 critic´s choice awards (ator e ator coadjuvante); Prêmio de melhor diretor em Cannes e seleção oficial pela Palma de ouro; melhor ator, ator coadjuvante e atriz coadjuvante pelo círculo de críticos de Ohio; 9 indicações ao prêmio da associação de críticos de Chicago; César de melhor filme estrangeiro; melhor ator pela associação de críticos de Dallas; indicado ao prêmio do sindicato dos diretores; 2 globos de ouro (melhor ator em drama e ator coadjuvante); Melhor ator pelas associações de críticos de Las Vegas e Kansas; Melhor diretor e melhor ator pela associação de críticos de Londres; 2 prêmios do National board of review (filme e ator); melhor diretor pela associação nacional de críticos dos Estados Unidos; indicado ao prêmio do sindicato dos produtores; prêmio de ator coadjuvante no sindicato dos atores; melhor atriz coadjuvante pela associação de críticos de Seattle; melhor roteiro adaptado pela associação de críticos de Washington;

Curiosidades
- Clint Eastwood tem fama de econômico e ágil, porém, aqui ele se superou. O filme foi rodado em apenas 39 dias.
- Figurou na lista da revista americana Premiere como um dos 20 filmes mais superestimados de todos os tempos.
- O ano de 2003 foi prolífero para Sean Penn. Além de atuar, e se consagrar, em Sobre meninos e lobos, o ator pôde ser visto, também muito intenso, em 21 gramas.
- O personagem de Kevin Bacon seria interpretado originalmente por Michael Keaton
- Sean Penn declarou durante as campanhas de divulgação do filme que considera Clint Eastwood o maior cineasta vivo
- Em 2004, foi a primeira cerimônia do Oscar a qual Sean Penn compareceu. Antes da indicação por Sobre meninos e lobos, ele já havia sido indicado três vezes, mas nunca tinha comparecido. Ganhou na primeira vez que foi e foi ovacionado de pé, um dos grandes momentos da noite.

Ficha técnica
título original:Mystic River
gênero: drama
duração:02 hs 17 min
ano de lançamento:2003
estúdio:Warner Bros. / Village Roadshow Productions
distribuidora:Warner Bros.
direção: Clint Eastwood
roteiro:Brian Helgeland, baseado em livro de Dennis Lehane
produção:Clint Eastwood, Judie Hoyt e Robert Lorenz
música:Clint Eastwood e Lennie Niehaus
fotografia:Tom Stern
direção de arte:Jack G. Taylor Jr.
figurino:Deborah Hopper
edição:Joel Cox
elenco: Sean Penn, Tim Robbins, Kevin Bacon, Laura Linney, Márcia Gay Harden e Laurence Fishburne
Fonte:Arquivo pessoal



ESPECIAL HOMEM DE FERRO 2 - Insight


Um falcão em pleno voo

Foi no ano 2000. Há exatos dez anos a saga da Marvel mudava no cinema. Enquanto a concorrente DC engatava filme atrás de filme pelo estúdio Warner (com sucessos como Batman e fracassos como Batman e Robin), a Marvel continuava em um marasmo criativo no que tocava a sorte de seus personagens na tela grande. Fracassaram as tentativas com o justiceiro e o Capitão América e o roteiro de Homem aranha (assinado por ninguém menos que James Cameron) perambulava por Hollywood há uma década.
Até X-men de Brian Singer surgir e mostrar que os personagens da editora tinham sim estofo para serem campeões de bilheteria assim como o Batman e o super- homem. O maior sucesso de uma adptação de HQ marvel havia sido o primeiro Blade de 1998. Mas o personagem pouco remetia ao universo Marvel. Era quase que um anônimo em meio a tantos super heróis famosos na fila para invadir os cinemas.
A produção barata de U$ 75 milhões (para um blockbuster e para os padrões atuais dos filmes da Marvel) rendeu o triplo, lançou um astro (o australiano Hugh Jackman) e provou que era possível fazer filmes com os personagens da editora que agradassem aos fãs, a executivos de estúdios e a todos os outros mortais que vão ao cinema. A equação parecia resolvida. E Sam Raimi a aprimorou em Homem aranha. A produção de 2002 registrou recorde de arrecadação no final de semana de abertura e agradou público e crítica. Blade também voltou aos cinemas. Já estabelecido como coadjuvante no “ano do aranha”, o caçador de vampiros também registrou aumento de bilheteria em relação ao primeiro filme.


Sam Raimi em ação:ele conciliou fórmulas comerciais a um cinema mais autoral


Em 2003, os cinemas foram invadidos pelos heróis da Marvel que assumiram de vez a dianteira em termos de arrecadação em frente aos concorrentes da DC comics. Demolidor – o homem sem medo, estrelado por Ben Affleck teve investimento médio e retorno financeiro satisfatório. Apesar do bom elenco e do bom momento para personagens Marvel, o filme não agradou a crítica e o público o encarou com reservas. O mesmo ocorreu com o Hulk de Ang Lee. A pegada intimista e o foco no drama psicológico do personagem não agradou ao público e embora o filme tenha feito razoável bilheteria não agradou ao estúdio (no caso a Universal) e a uma parte da crítica. Já os mutantes de X-men voltaram com tudo e com um orçamento maior. X-men 2 foi sucesso absoluto de público e crítica, patenteando a Marvel como o melhor celeiro para superproduções de qualidade e com potencial de grandes bilheterias.

Itálico

Cena de X-men 2: Maior e melhor



Nem tudo são flores
Entre um arrasa quarteirão e outro (o segundo e o terceiro filmes do Homem- aranha, X-men: O confronto final) alguns filmes que não deram certo, casos de O justiceiro e Justiceiro: Zona de guerra (duas tentativas de emplacar o sombrio personagem que mata mafiosos e deliquentes diversos), Electra e Motoqueiro fantasma. Alguns filmes que ficaram no limite do satisfatório, casos dos dois filmes do Quarteto fantástico, do terceiro filme do Blade, do novo filme do Hulk e do recente X –men origens: Wolverine (spin off da trilogia mutante).
Muitos desses filmes não eram ruins. Alguns poderiam ter sido mais bem desenvolvidos. De qualquer forma, foram vítimas da profusão de filmes de heróis nessa década. Existia uma ansiedade por parte da indústria em aproveitar a boa maré desencadeada com o primeiro filme dos mutantes lá em 2000.

Eric Bana prestes a se transformar no Hulk de Ang Lee: Um filme de muitos méritos que não deu certo



Cena de Homem-aranha 3: Apesar de ter sido o filme da série que mais arrecadou nas bilheterias, o senso geral é de que o filme não foi o ideal


Assumindo o controle
Depois de ver os outros lucrando, e muito, com seus personagens, a Marvel resolveu assumir o controle das crias que lhe restaram. Explica-se. A empresa negociava os direitos de seus personagens com estúdios de cinema. Dessa maneira, Homem- aranha, Motoqueiro fantasma e Justiceiro foram para a Sony. Demolidor, Quarteto fantástico e X-men para a Fox. Hulk para a Universal e assim por diante. Com todos os direitos de seus principais personagens negociados por um bom tempo, a Marvel se viu na contingência de fazer uso dos que ainda lhe restavam. Com aspirações a se tornar uma gigante do cinema também, a empresa/estúdio bancou sozinha a produção de Homem de Ferro e firmou acordo com a Paramount para a distribuição. A produção custou U$ 200 milhões. Era um tiro só. Não haveria margem para manobra. Se o filme não fizesse sucesso, as pretensões da Marvel em ampliar seu campo de atuação virariam pó. A aposta ganhou contornos ainda mais arriscados quando o diretor Jon Favrau, relativamente inexperiente, foi anunciado a frente do projeto e Robert Downey Jr., mais conhecido por frequentar as páginas policias do que as de cinema, confirmado como protagonista.


Banner de Homem de ferro 2: o filme chega para consolidar o status da Marvel como estúdio de cinema


Deu tudo certo e, esse mês, Homem de ferro 2 chega para solidificar as pretensões da Marvel. O estúdio já tem mais três filmes em desenvolvimento. Thor, que será dirigido por Kenneth Branagh, estréia em maio de 2011, Capitão América, que será dirigido por Joe Johnston, estréia um mês depois e Os vingadores está previsto para 2012. O presidente da Marvel estúdios, Kevin Feige, já declarou que a idéia é unir a cronologia desses filmes e formar um universo Marvel nos cinemas. A pista dessas pretensões já havia sido dada em 2008, quando Tony Stark (Robert Downey Jr.) aparece no final do filme O íncrivel Hulk que a Marvel co-produziu junto a Universal. Mas ali tudo ainda não passava de uma idéia. Hoje, com a produção dos filmes já em andamento, esse universo Marvel no cinema, já é uma realidade.

O exectivo e fã, Kevin Feige, ao lado de Edward Norton nos sets de O íncrivel Hulk:a marvel cresce de maneira planejada e sustentável


Próximo passo
Em agosto do ano passado o mundo do entretenimento, e das finanças, foi pego de surpresa pelo anúncio da compra da Marvel pela Disney. No negócio de mais de U$ 4 bilhões, que foi aprovado por credores, acionistas e fundos de investimento há pouco tempo, estabeleceu-se uma estrutura quase imbatível de produção de filmes. É bem verdade que alguns dos personagens da Marvel continuam licenciados para outros estúdios, e já foi anunciado que os contratos vigentes serão respeitados, mas quando estes acabarem, todos encontrarão abrigo na Disney. Joe Quesada, editor-chefe da Marvel, já declarou que a relação entre Disney e Marvel será muito semelhante a que a mesma Disney trava com a Pixar. “Eles nos darão suporte, mas nossa independência criativa será preservada”, disse ao New York Times à época em que a transação se configurou.
A Marvel já se estabeleceu como estúdio de cinema. Agora planeja voos mais longos. Já deixou sua rival (no campo editorial) no chinelo e se prepara para assumir o controle criativo de todos os seus personagens no cinema. Uma bela e intensa jornada. Não parece que se passaram apenas 10 anos

sábado, 17 de abril de 2010

Musas - abril 2010

Muitos cineastas têm suas musas. Muitos poetas, escritores e pretensos escritores também têm as suas. Pois bem, mensalmente Claquete, com a ajuda do leitor (a), somará musas. Que podem muito bem ser as dos outros. Afinal de contas, esse negócio de ser musa não demanda exclusividade. Todo mês será submetida à votação do leitor (a) de Claquete uma lista com 4 candidaturas. Para ser elegível a Musa Claquete, é preciso ter beleza cativante e ter agraciado o cinema com a mesma. Obviamente, apenas atrizes serão elegíveis nessa categoria. A definição de musa aqui se refere mais à condição de permear o imaginário cultural do que o fato de ser bela propriamente dito. Muito embora, a beleza seja elemento fundamental para o título de musa.
Caso a sua favorita do mês não seja eleita, não se preocupe. Assim como na política, é possível se candidatar novamente. A seleção é constituída aleatoriamente. Os fatores preponderantes e que todos os nomes apresentados reúnem são:

1- Reconhecimento do público em torno da beleza
2- Talento
3- Ter sido o objeto de contemplação de algum cineasta em algum filme

A eleição dura 10 dias. Participem!

Penélope Cruz, espanhola de 34 anos

“Ela tem o poder de hipnotizar”, de Johnny Depp, colega de elenco no filme Profissão de risco


Eva Green, francesa de 29 anos

“A beleza dela é exótica e clássica ao mesmo tempo”, de Bernardo Bertollucci que a dirigiu em Os sonhadores


Halle Berry, americana de 43 anos

Ela é linda e sabe ser sensual. Algo que escapa a muitas mulheres hoje em dia”, de Sharon Stone companheira de elenco em Mulher gato


Kate Winslet, inglesa de 34 anos

“Ela é generosa com sua beleza e com seu talento”, de Leonardo DiCaprio que contracenou com ela em Titanic e Foi apenas um sonho

Critica - As melhores coisas do mundo

Por um cinema jovem!

O cinema brasileiro aos poucos expande sua verve criativa. Demonstração eloquente disso é o novo trabalho de Laís Bodansky. Depois de uma estréia consagradora com Bicho de sete cabeças e de um segundo trabalho muito digno com Chega de saudade, Bodansky amplia o escopo de seu cinema com um filme sobre jovens e feito para eles. O grande mérito de As melhores coisas do mundo (Brasil 2010), além do fato de se apresentar para um público negligenciado pelo cinema nacional, é ser um filme verdadeiro na proposta e na execução. As melhores coisas do mundo não é apenas um filme teen, é um filme teen muito superior a seus exemplares americanos. Muito melhor desenvolvido do que a média, mais maduro em seus questionamentos e mais engajado na tentativa de se conectar com um público em frequente transformação, mas que não deixa de reproduzir etapas cíclicas e características ao meio e a fase em que vivem.
Baseado na série de livros “Mano” de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto, o filme é um almágama da adaptação literária propriamente dita e de um trabalho de pesquisa que a diretora e seu marido, roteirista e parceiro em todos os projetos, Luiz Bolognesi, perpretaram junto a adolescentes paulistanos. O resultado não poderia ter sido melhor. O filme se comunica muito bem com seu público alvo e é, ainda, efetivamente nostálgico para quem já passou dessa fase há muito ou pouco tempo atrás.
Questões como sexualidade, assédio moral e sexual, família, violência, entre outros temas que gravitam o universo adolescente e escolar estão em As melhores coisas do mundo. As vezes em uma abordagem mais tradicional, outras em uma roupagem mais ousada e concatenada com problemas atuais como a descoberta da homossexualidade dentro do âmbito familiar. Bodansky evita qualquer ranço moralista, saberia que isso afastaria seu público alvo, e realiza um filme solar.
A história gira em torno do adolescente Mano (um agradável Francisco Miguez), que tem de lidar com a separação dos pais, a paixonite pela garota mais linda do colégio e outras coisas típicas da adolescência. Drama, humor, ironia e romance. Há espaço para tudo isso no filme bem amarrado que a diretora entrega. É, de fato, seu melhor trabalho até hoje. Um primor de narrativa em um filme leve, multifacetado e extremamente bem resolvido.
Como curiosidade fica a participação de atores jovens como Caio Blat e Paulo Vilhena, mas que já fazem parte de outra geração. Uma sutileza da realização para com uma das mais importantes e atribuladas fases da vida.

De olho no futuro...


The adjustment Bureau
E a espionagem continua na ordem do dia para Matt Damon. Depois da trilogia Bourne, de Syriana – a indústria do petróleo, de O desinformante e de Zona Verde (que estreou ontem no Brasil), Damon se junta a bela Emily Blunt em The adItálicojustment Bureau em que vive um político enrolado em um caso de espionagem.


Matt Damon e Emily Blunt em momento "o que isso está fazendo aqui?"




e em momento "estamos em um editorial de moda"

Muda aqui e muda aculá
David Cronenberg está inquieto com a sua nova cria. O filme que mostrará a rivalidade entre Jung e Freud acaba de sofrer mais uma mudança. Depois de perder seu protagonista, Christoph Waltz foi substituído por Viggo Mortensen, o filme mudou de nome. Antes conhecido como The talking cure, o projeto se chama agora A dangerous method. A razão da mudança não foi apresentada, mas é possível deduzir que ou houve uma mudança de foco ou o estúdio impôs um nome que considera mais atrativo.

Definido o diretor do quarto Missão impossível
Brad Bird, diretor de importantes animações como Os incríveis, irá assumir o quarto filme da franquia Missão impossível. A confirmação veio do produtor do filme J.J Abrams que dirigiu o terceiro filme. Já que o filme será em 3D, a expectativa é que Bird faça um trabalho tecnicamente perfeito. Já que no departamento da ação, ele mostrou que entende do caldo em Os incríveis. Há, no entanto, o temor de que o diretor não seja tão eficiente em um filme live-action, ou seja, com atores de verdade.


Sem DiCaprio, em 3D e para crianças
O novo trabalho de Scorsese não terá, ao que tudo indica, o pupilo Leonardo DiCaprio. Isso mesmo. The invention of Hugo Cabret é um filme infantil, adaptado da obra de mesmo nome de Brian Selznick. A história de um órfão que vive em uma estação de trem na Paris dos anos 30 traz ecos da clássica história de Oliver Twist e será rodada em 3D. Ben Kingsley e o improvável Sacha Baron Cohen já estão confirmados no elenco do filme que começa a ser rodado no segundo semestre.

E por falar em Scorsese...
O diretor já havia antecipado no último festival de Berlim que retomaria a parceria com Robert DeNiro. E que isso aconteceria em um filme de máfia. Agora chegam novos detalhes sobre esse projeto que se chamaria The irishman. O filme, que pode ser dividido em duas partes, seria sobre o matador que “apagou” os maiores figurões da máfia nova-iorquina nos anos 30 e 40. Segundo DeNiro, busca-se uma aura felliniana no projeto. O roteiro está a cargo de Eric Roth (Munique e O curioso caso de Benjamin Button) e Steve Zaillan (A lista de Shindler).
Scorsese e DeNiro já sentem o cheiro de Oscar no ar...
E o drama do Capitão continua...
O novo filme do Capitão América continua passando por perrengues pesados. Depois de Chris Evans ter aceitado, com jeito de que já está arrependido, o papel principal e de penar para achar a atriz principal (a inglesa Hayley Atwell de filmes como A duquesa e O sonho de Cassandra), o estúdio contratou Joss Whedon (criador das séries Buffy e Angel e cotado para dirigir o filme dos Vingadores) para reescrever o roteiro do filme. A peça escrita por Karl Penn foi considerada “incompleta” pela Marvel.

Pedro Almodóvar é um ícone Claquete

Foi até mais fácil do que se anunciava. Com 53% dos votos, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar tornou-se o primeiro Ícone Claquete. Clint Eastwood e Cláudia Cardinale vieram na sequência. John Wayne não foi lembrado. Quem votou em Clint e Cláudia não tem razão para se preocupar. Ainda esse ano eles voltam para disputar o seu voto.

Pedro Almodóvar já está na página de ícones do Blog

E o papel mais sexy de Scarlett Johansson é...


... o de Match point - ponto final (2005). Apesar da disputa parelha com o do filme Vick Cristina Barcelona, o primeiro trabalho com Woody Allen prevaleceu. Ficou patente para o (e)leitor de Claquete que o cineasta sabe valorizar os atributos de Scarlett. Além dos dois filmes, a única opção que recebeu voto foi "Scarlett não é sexy". Com todo respeito, Woody Allen discorda.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cantinho do DVD

A seção de hoje destaca um filme que passou por alguns festivais como o de Toronto e Tribeca, mas que não foi abraçado pelo público. Embora tenha feito relativo sucesso de crítica, Força Policial (Pride & Glory, EUA 2008)também não se deu bem no Brasil, onde a distribuidora nacional forçou comparações com Tropa de elite.

Dilemas morais e familiares!

Dirigido com competência por Gavin O´ Connor, Força policial, péssimo título brasileiro para Pride & Glory, é um filme tenso e com a marca de seu roteirista e produtor Joe Carnahan, do também tenso Narc.
O filme foi vendido pela distribuidora brasileira como o Tropa de Elite americano. Isso por que no filme há fortes cenas de tortura praticadas por policiais (embora bem menos impactantes do que no filme brasileiro) e um dos motes da fita é a corrupção policial. Força policial não tem a força sociológica do filme de José Padilha, mas também não pretende isso. O filme de O´ Connor é um eficiente filme policial que ainda abrange muito bem o dilema moral de alguns de seus personagens. John Voight empresta a habitual elegância ao patriarca de uma família de policiais. Aposentado, mantém boa relação nos bastidores da corporação. Edward Norton faz o prodígio negligenciado por escolhas do passado, Noah Emmerich faz o chefe do distrito local e Colin Farrell, genro do personagem de Voight, um tenente. A dinâmica familiar será alterada depois do homicídio de 4 policiais. De uma forma ou de outra, todos estão envolvidos. O caso, além de evidenciar a corrupção na polícia, irá elevar a temperatura da relação familiar.
Força policial se desenvolve muitíssimo bem. Valendo-se da força de seus interpretes como Edward Norton que convence mesmo sem despender muita energia e Colin Farrel que imprime urgência e caos a sua caracterização.
O grande mérito da fita é a avaliação que faz da natureza dos dilemas que acometem aqueles personagens. A moral deve prevalecer ao bem estar familiar? A omissão incorre no mesmo grau de culpabilidade de quem erra? São questões legítimas e oportunas que o filme tira o devido proveito. O final não é nada surpreendente e nem deveria sê-lo. Se o filme é previsível? É. Se é dispensável? Não. É bom cinema, entretém e faz pensar. O que mais se pode pedir?