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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Espaço Claquete - Um tira acima da lei


Oren Moverman havia impressionado como roteirista na obra de arte que é Não estou lá, uma biografia da obra de Bob Dylan em 2007. Dois anos depois, impressionou ainda mais no roteiro e direção de O mensageiro, um filme que abordava o absurdo da guerra a partir de um ponto de vista extremamente original – acompanhando o trabalho de quem tinha que informar as famílias a respeito das casualidades ocorridas em campo de batalha. Seu mais recente filme, Um tira acima da lei (Rampart, EUA 2011) é prova conclusiva de seu talento para o cinema e de sua condição de artista que enxerga na arte um componente de reflexão profunda.  Ele colabora novamente com Woody Harrelson, que faz o protagonista – um tiro misógino, corrupto, racista e violento na Los Angeles do final dos anos 90, e instaura uma parceria que merece bis com o novelista James Ellroy, notório por suas tão bem engendradas tramas policiais que renderam filmes como Los Angeles, cidade proibida (1997), Dália negra (2006), A face oculta da lei (2002) e Os reis da rua (2008).
Um tira acima da lei é um filme nervoso. Tanto em sua narrativa, lenta e cheia de elipses, mas embalada por uma câmera trêmula sentindo o pulso dos personagens, como na atuação furiosa de Woody Harrelson, que encarna com virulência David Brown, um policial que vive no limite e que parece se alimentar dessa adrenalina. Não obstante, vive com suas duas ex-mulheres, que são irmãs, e mantém em dia vícios como alcoolismo e o consumo de entorpecentes e drogas tarja preta.
A rotina autodestrutiva de Brown se potencializa a partir do momento em que ele é flagrado em uma câmera espancando um suspeito após um acidente envolvendo sua patrulha. Fica claro que ele está sendo perseguido internamente, mas Brown se rejeita a aceitar as “condições políticas” que se erguem para sua aposentadoria e decide “latir mais alto”, batendo de frente com toda a estrutura policial enquanto continua conduzindo as coisas do seu jeito.
Um tira acima da lei não objetiva ser uma denúncia dos abusos policiais, assim como não deseja ser um petardo conspiratório sobre os intestinos da força policial. É apenas um suspense policial que expõe suas entranhas com realismo brutal. Brown é um anjo caído. Sujeito que, à primeira vista, pode parecer apenas um bronco durão de bom coração, mas que em uma análise mais detida se mostra um tipo transgressor perigoso para o convívio social. O que Um tira acima da lei demonstra é que esse personagem não necessariamente é uma exceção em uma sociedade leniente e corporativista. A polícia e Brown são apenas espelho e reflexo nessa teoria aventada brilhantemente por Moverman e Ellroy com a imprescindível colaboração de Harrelson.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Cantinho do DVD


Existem atores que desafiam a lógica hollywoodiana. Pegue Hilary Swank como exemplo. Vencedora de dois Oscars, o que já a coloca em um seleto grupo de intérpretes, a atriz não consegue estrelar bons filmes. Salvo uma ou outra produção mediana, Swank de bom mesmo só ostenta os dois filmes pelos quais foi indicada – e venceu – o Oscar. Não obstante, ela parece nutrir um particular interesse pelo suspense e terror. Contudo, a atriz não leva o menor jeito para tomar sustos. Até Neve Campbell, que não é nenhuma Jamie Lee Curtis, se sai melhor. Em A inquilina, destaque de Cantinho do DVD desta semana, Swank mais uma vez tenta se viabilizar como heroína do gênero. Alguém a acuda, por favor!





Crítica
Não deve ser fácil para Hilary Swank se justificar quando indagada sobre os rumos de sua carreira. Atriz notadamente talentosa, vencedora de dois oscars, Swank pasta para se provar comercialmente viável. Suas incursões por fitas de terror são, neste aspecto, um caso a parte. Depois do péssimo A colheita do mal (2007), a atriz volta ao gênero sob as ordens do desconhecido Antti Jokinen, que debuta na direção de longa-metragens para cinema. A inquilina (The resident, EUA 2011) é um fiasco sob qualquer aspecto que se observe. Desde os caminhos percorridos pelo roteiro até à direção de atores que se prova pouco inspirada. Jeffrey Dean Morgan, um bom ator que já havia dividido a cena com Swank no agridoce P.S: eu te amo, surge como um psicótico pouco convincente e que flerta com a impaciência do espectador.
Na mal ajambrada trama, Swank vive a médica Juliet Devereau, que após o término de um relacionamento amoroso, se lança à busca por um novo apartamento. Ela não estranha o preço baixo e a falta de vizinhos do imóvel que aluga do personagem de Jeffrey Dean Morgan.
O filme se anuncia como um suspense que dê vez ao sobrenatural para logo descartar essa pegada e se mostrar como um protótipo sub Norman Bates (o famoso vilão de Psicose de Alfred Hitchcock).
O filme é tão problemático que o clímax causa tédio. Causa preocupação também. Afinal, como seria a explicação de Hilary Swank para fazer parte de tamanha temeridade cinematográfica? Sério candidato a pior filme do ano.

sábado, 9 de julho de 2011

Cantinho do DVD

Milla Jovovich, Timothy Olyphant, Steve Zahn e Kiele Sanchez são atores que aguçam a curiosidade por A trilha, destaque de Cantinho do DVD desta semana. Contudo, o filme de David Twohy priva seus atores de surgirem minimamente interessantes em tela. Os clichês são o que incomodam de menos em A trilha; a verdadeira razão para o filme não ser lá tão interessante quanto uma rápida espiada em sua sinopse sugere, diz mais respeito a produção de suspense atual em Hollywood do que ao mal momento dos envolvidos no projeto.


Crítica

Um mal que acomete grande parte da produção de suspense atual é a necessidade de manter uma trama ágil, não necessariamente confiável, em constante fluxo de reviravoltas. É um risco recorrente que nem todos os roteiristas e diretores são capazes de arcar. O saldo pode se mostrar extremamente positivo ou ridiculamente comprometedor. A trilha (A perfect gateway, EUA 2009) se alinha à segunda patente.
O filme de David Twohy começa de maneira promissora dentro de suas proposições. Recém casados em lua de mel no Havaí passam a suspeitar de que o casal com quem estão fazendo trilha possa ser formado por dois psicopatas. A premissa na mão de um diretor mais bem admoestado no gênero poderia render mais do que os diálogos cafajestes de Timothy Olyphant (um bom ator que ainda não foi aproveitado a contento). Mas o roteiro não ajuda. Em um dado momento, o espectador começa a intuir que A trilha irá sair dos trilhos (trocadilho tão óbvio quanto o filme em um dado momento).
O texto, do próprio Twohy, que havia mostrado jeito para a ficção científica com Eclipse mortal (2000), envereda por um sem número de reviravoltas preguiçosas em nome de surpresas que, na verdade, não surpreendem.
A trilha é sintomático de tempos em que a audiência prefere se decepcionar com um filme com reviravoltas óbvias do que com um filme sem uma reviravolta sequer, mesmo que sólido dramaticamente.
Para manjar o filme, basta ficar atento a referência que Twohy, inclusive, insere nos diálogos: Assassinos por natureza. Quando o filme de Oliver Stone é mencionado, fica claro de uma vez por todas que as prioridades em A trilha são outras. Infelizmente.