De tirar o fôlego, mas só!
Os grandes espaços entre os filmes da franquia Missão impossível revelam mais do que a condição de estepe para seu principal produtor e protagonista (Tom Cruise), um desgaste que nem todo o frenesi de Missão impossível – protocolo fantasma (Mission impossible: ghost protocol, EUA 2011) pode disfarçar.
O novo filme, que promove a boa estreia de Brad Bird como diretor de filmes live action, tem toda a estrutura dos grandes filmes hollywoodianos e, em certo nível, não decepciona na ação vertiginosa que propõe. Bird consegue capturar a essência da série no sentido de que há mais de uma cena em que o espectador se vê com suas emoções em estado de suspensão. Mas o novo filme só tem isso a apresentar. O que é muito pouco. Há mais humor e carisma em cena, na figura dos sempre confiáveis Simon Pegg (com mais destaque do que antes) e Jeremy Renner, mas Protocolo fantasma se empobrece na comparação com os outros filmes em todos os outros aspectos. O vilão é mal delineado e obtuso; o roteiro, além das falhas ocasionais, é cansativo; e as reviravoltas, sempre uma contingência dos filmes de espionagem, quando não são previsíveis, são totalmente anticlimáticas.
Até o terceiro filme, que até agora era o mais fraco da série, se sobrepõe com um roteiro mais aparado e um vilão mais bem desenhado.
Cruise se preparando para uma das cenas mais arrepiantes de Protocolo fantasma: muito pouco além da adrenalina...
Em Protocolo fantasma, a bem da verdade, os roteiristas tiveram que realinhar uma história calcada para ser a despedida de Ethan Hunt dos cinemas; afinal era este o tom do terceiro filme. Depois da conflituosa rescisão de contrato com a Paramount (estúdio que produz a série) era o que parecia mais certo. Apesar de apresentar manobras críveis, as soluções aventadas pelo novo filme nesse sentido se mostram pouco satisfatórias.
Na nova fita, Ethan Hunt e sua equipe (que ele não montou) se veem envolvidos em um atentado terrorista no Kremlin. As tensões entre Rússia e EUA se avolumam e Hunt terá que operar na surdina para impedir o terrorista de pôr em prática um plano ainda mais devastador. O plot é o usual e as cenas boladas para lhe dar viço dão conta do recado. Bird fabricou belos momentos, como quando Tom Cruise escala o prédio mais alto do mundo em Dubai ou quando ele e sua equipe armam uma situação com vistas a ludibriar um par de assassinos. São nestes momentos que o filme ganha fôlego e tira o da audiência.



