domingo, 12 de dezembro de 2010

Insight

O curioso caso de Will Ferrell



Pode até parecer estranho para o leitor dedicar uma seção Insight a Will Ferrell. Um ator que não se mostra cativante para o público brasileiro e que parece limitado a um gênero que cativa muito pouco em parâmetros gerais. Ferrell alimenta mesmo esse paradoxo. Há poucos anos foi eleito pela revista Time “um dos comediantes para se ficar de olho”. Uma espécie de termômetro de quem é quente na cena cultural americana e um senhor empurrão em termos de visibilidade. Ferrell faz parte da trupe de talentos revelada pelo humorístico Saturday Night Live (SNL). Contudo, ao contrário de gente como Steve Martin ou Eddie Murphy, nunca foi uma presença carismática ou comentada no programa. Mas os esquetes de que participava sempre funcionaram muito bem. Mesmo com o sucesso no cinema, manteve-se no ar no SNL e fez sucesso com as paródias de George W. Bush. Retirou-se do humorístico em 2008, quando também já não gozava de tanto prestígio no cinema.

Ferrell ao lado do diretor Adam McKay: cinco filmes juntos

Em 2010, Ferrell pôde ser visto na comédia de ação Os outros caras (ainda em cartaz nos cinemas brasileiros). A fita marcou sua quinta colaboração com o diretor Adam McKay. O filme até fez uma bilheteria razoável, mas foi eclipsado por um estudo divulgado pela Revista Forbes mostrando que Ferrell é, hoje, o ator menos rentável em Hollywood. A notícia cairia como uma bomba para qualquer ator, mas ainda mais para um que busca um público muito particular e se vende para a indústria dessa maneira: Sou o cara para os filmes com piadas de humor duvidoso. O que a Forbes diz é: Não invistam nele. Ele já não atrai esse público tão específico quanto ainda pensa atrair. É lógico que a conclusão emitida pela publicação é baseada, majoritariamente, em números de bilheteria que estão a disposição de todos. Contudo, ter uma matéria te relacionando a baixas bilheterias gera um impacto devastador junto ao público, a crítica e, ainda mais importante, a indústria.

Ao lado de Dustin Hoffman: desempenho notável

Will Ferrell não é mau ator, mas ele aposta em uma excentricidade que o limita como intérprete. Quando se experimentou fora dessa zona de conforto (na comédia dramática Mais estranho que a ficção) foi bem sucedido. Diferentemente de Jim Carrey – outro comediante que sofre de rotulações esquemáticas – Ferrell não é lá um ator muito versátil. Aposta em uma mesma linguagem e seu gestual não se aproveita das brechas propostas pela comédia física (diferentemente de Carrey). Além do mais, o ator parece se contentar em um tipo de comédia que o desgasta rapidamente. Alternasse mais os níveis de comédia que frequenta e esse desgaste poderia ser contornado. Em 15 anos de carreira no cinema, Ferrell só seguiu essa diretriz três vezes. Ao se submeter a Woody Allen em Melinda & Melinda (2004), ao reverenciar Mel Brooks em Os produtores (2005) e ao contracenar com Dustin Hoffman no já mencionado Mais estranho que a ficção (2006). Não por acaso, esses filmes constituem o melhor momento de Ferrell como ator. Não que ele não esteja aprazível em filmes como Dias incríveis (2003) e O âncora: a lenda de Ron Burgundy (2004). A diferença daquele Ferrell de alguns anos atrás e o que recebeu esse bota fora da Forbes é que ali o ator revezava-se dentro do fazer cômico do cinema de gênero. Satisfeito com o sucesso, e as bilheterias das produções mais espalhafatosas foram o seu parâmetro, Ferrell aquietou-se no que julgou mais propício a sua veia humorística. Hoje, pelas razões apresentadas acima, recebe os duros louros da escolha preguiçosa que fez. Resta saber como procederá daqui para frente. Porque Hollywood e a Forbes estão de olho.

7 comentários:

  1. O único filme que vi com ele foi aquele A Toda Velocidade - Rick Bobby ! !!

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  2. Você fez um bom perfil e justificou bem a escolha de falar dele, mas, definitivamente não gosto de Will Ferrell. Mais estranho que a ficção, por exemplo, é um filme que tinha tudo para ser fantástico, mas ele como protagonista acabou me decepcionando. Adoro o argumento e algumas passagens, principalmente as com Emma Thompson, mas fica no mediano.

    bjs

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  3. O Will Ferrell é um ator muito versátil. Acho que ele faz bem tanto comédia quanto dramas. O perfil dele me lembra muito o do Brendan Fraser. Eles poderiam estrelar os mesmos tipos de filme.

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  4. O gênero comédia é um dos mais complicados e também desgastados do cinema. Dificilmente aparece algo original e como Ferrell resolveu seguir sempre a mesma linha durante anos, a tendência é diminuir o público.

    Este tipo de comédia faz mais sucesso com a garotada, que sempre deseja caras novas.

    Para retomar a carreira ele precisa arriscar filmes em outros gêneros.

    Abraço

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  5. Ótima análise: realmente os filmes que vc citou são os únicos dele dos quais eu me lembrava, embora eu tenha visto alguns dos outros - percebi lendo agora seu texto. Enfim, sair da zona de conforto raramente é uma escolha voluntária... Vejamos se ele aceita o desafio.

    Beijos,
    Aline

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  6. Acho que Will Ferrell precisa se aventurar em outros tipos de filme, talvez, consiga conquistar de vez o público e reconquistar o que já perdeu. Porque mau ator ele não é mesmo.

    Beijos! ;)

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  7. Marcelo: Não que ele seja imperdível, mas Ferrell estrelou filmes merlhores meu brother. Dias incríveis é uma boa pedida. Acho que vc vai curtir! Abs

    Amanda: Obrigado pelo elogio Amanda. Mas discordo de vc quanto a apreciação de Mais estranho que a ficção. Acho que reside justamente na inadequação (aparente) de Ferrell a grande força do filme. O ator representa uma poderosa figura de linguagem para Marc Foster aqui. Bjs

    Kamila: Comparação interessante que fizeste. Acho que Fraser se sai melhor na ação. Ferrell, nesse escopo, se mostra mais equilibrado. Bjs

    Hugo:Concordo com sua análise, mas como apontei no texto, Ferrell não precisaria seguir o que faz Carrey e tentar se provar bom no drama, basta ampliar seu repertório na comédia como fez por um breve período. Abs

    Aline: Ele não tem outra alternativa se quiser continuar ganhando dinheiro em Hollywood. Bjs

    Mayara: No Brasil ele não conquistará público Ma. Resta saber se os americanos irão tolerá-lo em um habitat que não lhe julgam natural. Bjs

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