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domingo, 11 de agosto de 2013

Insight - os papéis mais sensuais do cinema recente

Falar dos papéis mais sensuais do cinema recente não é tarefa fácil. O espaço para divergência é tenebroso e o conceito de recente é por demais amplo. É preciso estabelecer alguns critérios. O alcance desse artigo vai até 2010. Em três anos, houve mais papéis sensuais chegando às telas de cinema do que se pode imaginar em um primeiro momento. A lista poderia cobrir uma década e ainda assim ser considerada pertinente ao cinema recente, mas sucumbiria a obviedades. Diminuir sensivelmente seu alcance força um esforço de escavação e imaginação muito mais sedutor, estabelecendo relação de conveniência com os propósitos do artigo, portanto. 
Em primeiro lugar, é preciso dissociar personagens sensuais das performances sexy dos atores ou mesmo de nossas expectativas (mesmo assim Ryan Gosling tem um papel lembrado aqui). Isso feito, verifica-se que um filme que trata de sexo como Shame não apresenta nenhum personagem sensual e que outro, uma comédia rasgada e boba como Quatro amigas e um casamento apresenta uma personagem francamente sensual.




Dean Moriarty em Na estrada
Um vulcão em erupção. Essa definição veste muito bem o personagem mais canônico do livro marco da geração beat que ganhou o rosto e corpo de Garrett Hedlund em Na estrada. Um tipo indomável, amante da vida e de seus prazeres que não se priva de usar todo o seu poder de hipnose e encantamento.

Tony Stark na trilogia Homem de ferro
A primeira vez de Tony Stark no cinema foi em 2008, mas o pós-Tony Stark ainda está impregnado de Tony Stark. O delicioso misto de arrogância e fragilidade tão bem adensado por Downey Jr. tornam o personagem – que voltou aos cinemas em 2010 e 2013 - irresistível.  

James Bond em 007 – operação Skyfall
Bond está aí desde os anos 60, mas desde a despedida de Sean Connery o personagem não era tão selvagem, viril e robusto. No 23º filme da franquia, porém, Daniel Craig encontrou a classe que faltava para equilibrar sua sensualidade bruta à elegância tradicional de Bond. Ver o agente ferido emocionalmente, se sentindo vulnerável e traído, fez Bond soar ainda mais sensual.



Katie em Quatro amigas e um casamento
Ela é fácil e nem tão inteligente assim, mas sua doçura e generosidade se misturam a exuberância física e confiança dessa mulher tão bem irradiada pela performance pontual de Isla Fischer. Se o mundo é das piriguetes, Katie é nossa rainha.

Anna em Para Roma com amor
A participação é curta, mas é vermelha. Os lábios de Anna, uma prostituta italiana que confunde um homem em lua de mel com um cliente, combinam com o vestido curto e bem ajustado no corpo de Penelope Cruz e dão o tom da personagem que é muito mais brasa e carinho do que a própria esposa do confundido.

Joanna em Apenas uma noite
A hesitação de uma mulher pode nos levar à loucura e Joanna (vivida com a graça de sempre por Keira Knightley) hesita bastante. Confiar no marido ou não, trai-lo ou não. Ceder à tentação de cair nos braços de uma antiga paixão ou não. A sensualidade da personagem está mais na sua não-ação do que no que de fato faz. Vestir-se bem e ter lembranças de Paris ajuda!

Driver em Drive
O personagem foi construído para ser sexy e Ryan Gosling era o homem certo para dar cabo do que o papel apenas podia sugerir. A jaqueta, o neon, o silêncio...  Nem bom moço, nem mau moço. Uma deliciosa bifurcação disso.



Lucy em Beleza adormecida
Emily Browning vive um fetiche masculino nesse filme conceitual de Julia Leigh. O que não a impede de construir uma jovem desconectada de sua essência e que não tem ciência de sua beleza e força interior. Essa não consciência pode ser delirantemente sensual.

Elizabeth Em transe
A típica femme fatale que só se revela como tal lá pelos idos do filme. Um homem às vezes gosta de ser manipulado e no mais recente filme de Danny Boyle, Elizabeth (Rosario Dawson) manipula dois. Nada fascina mais do que uma mulher ciente de seu poder de sedução.

Menção honrosa:

Nicki em Bling ring – a gangue de Hollywood
Ela é a razão desse artigo existir. No trailer, Nicki (Emma Watson) já demonstra que a sensualidade é seu cartão de visitas. E vamos visita-la!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Crítica - Em transe


Filme em transe

Há filmes engenhosos e filmes que simulam serem engenhosos. Em transe (Trance, ING 2013) se ajusta à segunda leva. O diretor Danny Boyle não é exatamente um novato em manipular a audiência além do desejável. Ele ganhou um Oscar fazendo isso com Quem quer ser um milionário?, filme que rasga a cartilha do bom gosto. Em transe não chega a esse ponto; na verdade, nem merece a comparação, mas não deixa de ser a representação de um vício que Boyle precisa abandonar para que a História lhe seja mais afável.
Em transe tem um roteiro frágil, com reviravoltas mal articuladas e um problema capital: o excesso de truques a simular coerência em reviravoltas que não são coerentes. Além do mais, “a reviravolta definitiva”, aquela que revela o segredo mor do filme, é perceptível com pouco mais de meia hora de filme. Boyle e o roteirista John Hodge tentam submergir esse segredo ou revelação, em uma classificação mais categórica, em um balaio de lembranças, memórias forjadas e falsas revelações.
Em transe, para quem está perdido, mostra o pós jogo de um roubo a uma galeria de arte. Simon (James McAvoy), funcionário da galeria que faz parte da quadrilha, se esqueceu do local em que guardou a obra roubada e, depois de breve sessão de tortura, Franck (Vincent Cassel), o mais próximo de líder do grupo, sugere hipnose para se descobrir onde Simon, afinal, escondeu a obra roubada. É aí que entra em cena a personagem de Rosario Dawson, Elizabeth.

Vincent Cassel é uma presença sólida em um filme frágil...

Nada é o que parece ser em Em transe, exceto pelo fato de que tudo é exatamente como parece ser; o que caracteriza uma falha grosseira de argumento. A sofisticação visual do filme, que abusa de uma direção de fotografia arrojada e inventiva – os transes são achados visuais sempre surpreendentes, não esconde a trucagem narrativa. Em transe é um filme que quer parecer mais do que é. É diferente, portanto, de Quem quer ser um milionário? que quer parecer algo que não é – no caso, um filme humanista.
Em transe, além da boa trama, reclama para si uma engenhosidade narrativa que na verdade não existe. A hipnose de Boyle, dessa vez, não funcionou.