Danny Boyle não era um diretor tão festejado até pouco tempo atrás. Na verdade, seu pior filme foi justamente aquele que lhe valeu a consagração. No caso Quem quer ser um milionário? Prestes a lançar seu nono filme (127 hours), o diretor frequentemente é lembrado por Trainspotting, seu melhor filme. Cantinho do DVD destaca justamente o primeiro filme de Boyle posterior ao frisson causado por Trainspotting. Por uma vida menos ordinária é o cartão de visitas de Boyle a Hollywood e o diretor trouxe Ewan Mc Gregor (a estrela de seus dois primeiros filmes) com ele. O filme não é nada demais e serve para mostrar que quando Boyle flerta com Hollywood ele não consegue se manter tão interessante.
Ficha técnica
Título original: A life less ordinary
Direção: Danny Boyle
Roteiro: John Hodge Elenco: Ewan McGregor, Cameron Diaz, Delroy Lindo, Holly Hunter e Iam Holm
Estúdio: Fox
Duração: 104 min
Status: Disponível em DVD e Blu-Ray para venda e locação
Preço médio: Blu-Ray = R$ 79,90
DVD = R$ 29,90
Crítica
Danny Boyle, em seu terceiro longa-metragem, flerta mais assumidamente com o caráter fabular. Por uma vida menos ordinária (A life less ordinary, ING/EUA 1997) é, por força da necessidade de definição, uma comédia romântica. Ewan McGregor e Cameron Diaz estrelam como um faxineiro que sonha em ser escritor e como uma patricinha com um complexo de Electra mal resolvido que passam a conviver juntos quando um sequestro mal elaborado pelo personagem de Ewan se desenrola.
Após ser demitido Robert Lewis (McGregor) meio que sem querer (acredite é possível) sequestra Celine (Cameron Diaz), filha de seu ex-patrão. Sem jeito para o ofício, Robert é instruído por Celine que já passou pela situação outras vezes. Adicionados a essa loucura estão dois anjos (papéis de Delroy Lindo e Holly Hunter) que têm como missão fazer esses dois pombinhos tão diferentes se apaixonarem. Caso não consigam cumprir o designo, padecerão na terra.
Não espere um humor escrachado, tão pouco situações genuinamente cômicas. Danny Boyle faz um romance atípico apostando na estranheza das circunstâncias encenadas. O humor tipicamente inglês ora aparece refinado, ora beira o non sense.
Por uma vida menos ordinária não esconde a veia pop do cineasta que mesmo ao se enveredar por uma trama mais banal, preserva suas idiossincrasias. Na curiosa mise em scène temos penteados esquisitos, trilha sonora pop, anjos irritadiços e um protagonista totalmente desprovido de carisma. Menos ordinário impossível.