A temporada do Oscar 2012 traz algumas idiossincrasias que a difere das duas ultimas. Quando a academia inchou a categoria de melhor filme com dez produções, o sindicato dos produtores (PGA) fez o mesmo. No entanto, nem em 2010, nem em 2011, ambas as listas coincidiram.
A importância do PGA, em termos de Oscar, é que a organização reúne os principais produtores de cinema dos Estados Unidos e é um dos colegiados mais influentes na academia. Contudo, dos principais sindicatos é o que menos acerta no Oscar (tanto em indicações quanto em vitórias) historicamente.
Isso posto, é preciso levar em consideração que foi nos prêmios do PGA ano passado – este ano o evento será realizado em 21 de janeiro – que O discurso do rei iniciou sua jornada rumo ao Oscar. Até então o domínio da temporada era de A rede social.
Cena de Missão madrinha de casamento, a grande "surpresa" da lista do PGA: indicação ao Oscar para o filme, no entanto, continua improvável...
Mas o que a atual temporada enuncia? Primeiramente que, muito dificilmente, teremos dez filmes indicados ao Oscar de melhor filme. Contudo, devemos ter algo muito próximo disso (oito talvez).
O que as indicações do PGA sacramentam são as candidaturas de alguns filmes. The artist, Os descendentes, Meia-noite em Paris, A invenção de Hugo Cabret e Histórias cruzadas, com presença garantida em todos os sindicatos que já anunciaram suas listas e também em premiações como Globo de ouro e Critics´Choice Awards parecem ser as certezas entre os indicados a melhor filme. Muito bem na disputa, e estamos falando ainda de indicações, estão Cavalo de guerra e O homem que mudou o jogo. Ambos entraram na lista do PGA e ostentam algum destaque no Globo de ouro e no Critics. No entanto, os filmes que vivem um boom justamente no momento em que as cédulas de votação para o Oscar foram despachadas são Tudo pelo poder e Os homens que não amavam as mulheres – este último angariando uma boa bilheteria nos EUA. Ambos conseguiram nomeações e devem brigar, mais propriamente entre si, por uma vaga entre os finalistas no Oscar. O filme de Clooney, nesse sentido, pode levar alguma vantagem por contar com um elenco primoroso e a própria figura de Clooney a seu favor. Ambas as produções são distribuídas pela Sony Pictures.
O produtor Scott Rudin (à esquerda) conquistou sua quinta indicação ao PGA consecutiva; a segunda por uma colaboração com diretor David Fincher (a direita). Eles estão na briga por Os homens que não amavam as mulheres
Missão madrinha de casamento, que completa a lista do PGA, é o chamado azarão. Com uma performance bastante sólida na temporada de premiações, seria surpreendente ver a fita indicada ao Oscar de melhor filme com a nova regra estabelecida pela academia. Difícil crer que 5% dos membros votantes colocariam a fita produzida por Judd Apatow no topo de suas listas de favoritos do ano. Portanto, salvo uma improvável vitória nos Globos de ouro, o triunfo de Missão madrinha de casamento se esgota aqui.
Há de se destacar a performance que Meia-noite em Paris vem exibindo nessa temporada de premiações. A fita de Woody Allen, lançada em maio nos EUA, seria em um rápido ranqueamento a quarta força da Oscar season. Atrás apenas de The artist, A invenção de Hugo Cabret e Os descendentes.
Se Meia-noite em Paris surpreende, Tão forte e tão perto e J.Edgar decepcionam. Os dois filmes, de diretores consagrados, logo que foram anunciados eram tidos como legítimos front runners na temporada e agora parecem restritos a corridas menores. O anúncio do PGA serviu, também, para extinguir as chances de nomeação para Harry Potter e as relíquias da morte –parte II e A árvore da vida. Os dois filmes, que suscitavam esperanças de suas respectivas bases de fãs, devem figurar no Oscar em categorias menores.

