No final da quinta temporada da série foi publicado aqui no blog, um ensaio que alinhava as teorias, as bifurcações, os pontos fortes e os pontos fracos da série. As expectativas para a sexta temporada também foram abordadas naquele ensaio. Hoje, uma semana depois do final da série, o saudosismo já se impõe. Mesmo com reações divididas dos fãs e muitos mistérios não resolvidos, Lost acabou com saldo positivo. Um acontecimento mundial que há muito não se via na TV americana. Apesar de a audiência ter ficado bem abaixo das expectativas ( só para comparar: o final da sexta temporada de Grey´s anatomy atraiu 15 milhões de espectadores enquanto que 13, 7 milhões viram o desfecho de Lost), a comoção mundial, o interesse midiático e a mobilização na internet denotam a importância do seriado. Lost, como já foi dito antes, redimensionou a teledramaturgia americana. Desenvolveu uma nova estrutura narrativa, multifacetada e esmerando-se numa pluralidade de personagens. Essa bem sucedida fórmula já tentou ser copiada, mas ainda não deu certo. Dará, mas por enquanto as más sucedidas tentativas só ratificam a grandeza do seriado. Lost, é bem verdade, perdeu relevância nas duas últimas temporadas – como foi dito no ensaio do ano passado – mas
seu status quo é dos mais polivalentes e a série ganhou mais uma chance com a proximidade de seu desfecho.
seu status quo é dos mais polivalentes e a série ganhou mais uma chance com a proximidade de seu desfecho.
Jacob e seu irmão, o homem de preto: a alegoria sobre o bem e o mal tomou conta da sexta temporada, conforme o desfecho da quinta sugeriaOs personagens; foram sempre eles!
O calcanhar de Aquiles da série foram os personagens. Não. Você não leu errado. É lógico que os personagens eram o que de mais reluzia em Lost. Mas eles cresceram tanto. Foram tão proeminentes e apaixonantes que sublimaram o mistério principal: a ilha e os fenômenos que lá ocorriam. Não a toa, quando os personagens foram postos de lado pelos produtores para que acelerassem a elaboração das respostas, Lost perdeu interesse. Na sexta temporada, os personagens voltaram a ser o foco, em uma convergência da narrativa desenvolvida até aquele momento que, supunham os produtores e criadores da série, teria a conivência dos espectadores ansiosos, mais do que qualquer outra coisa, para saber o destino de seus personagens favoritos. E o foco de The end (título do derradeiro episódio da série) foi justamente o destino de seus personagens. Nada mais. A ilha e todos os mistérios foram subjacentes. Foram tratados como questões pontuais, mesmo que de principio não as fossem.
Ou seja, a julgar pelo que se viu nesta última temporada, em especial no último episódio, Lost foi uma série sobre pessoas. Sobre esse punhado de personagens que aprendeu a viver junto para não morrer sozinho. Tudo muito bonito é verdade. O final da série foi tão apoteótico quanto emocionante. Mas tudo foi fruto de uma combinação de insuficiência narrativa e senso de oportunidade.
O calcanhar de Aquiles da série foram os personagens. Não. Você não leu errado. É lógico que os personagens eram o que de mais reluzia em Lost. Mas eles cresceram tanto. Foram tão proeminentes e apaixonantes que sublimaram o mistério principal: a ilha e os fenômenos que lá ocorriam. Não a toa, quando os personagens foram postos de lado pelos produtores para que acelerassem a elaboração das respostas, Lost perdeu interesse. Na sexta temporada, os personagens voltaram a ser o foco, em uma convergência da narrativa desenvolvida até aquele momento que, supunham os produtores e criadores da série, teria a conivência dos espectadores ansiosos, mais do que qualquer outra coisa, para saber o destino de seus personagens favoritos. E o foco de The end (título do derradeiro episódio da série) foi justamente o destino de seus personagens. Nada mais. A ilha e todos os mistérios foram subjacentes. Foram tratados como questões pontuais, mesmo que de principio não as fossem.
Ou seja, a julgar pelo que se viu nesta última temporada, em especial no último episódio, Lost foi uma série sobre pessoas. Sobre esse punhado de personagens que aprendeu a viver junto para não morrer sozinho. Tudo muito bonito é verdade. O final da série foi tão apoteótico quanto emocionante. Mas tudo foi fruto de uma combinação de insuficiência narrativa e senso de oportunidade.
Os produtores Damon Lindelof e Carlton Cuse criaram inegavelmente um grande show, mas é igualmente inegável que esse show diminuiu e que a culpa, por assim dizer, é deles
É fácil visualizar que a história de Lost não estava fechada como afirmam os produtores. Há vários indícios disso. Várias pontas soltas que qualquer aficionado pela série é capaz de recitar de cor e salteado foram deixadas soltas. Era extremamente difícil que essas pontas fossem todas amarradas, mais difícil ainda que fossem amarradas satisfatoriamente e ainda mais difícil que fossem amarradas depois das opções narrativas das duas últimas temporadas. Essa dificuldade poderia ser ofuscada por duas opções. A primeira, o foco nos personagens que fora desviado nas quarta e quinta temporadas. Afinal, o público respondia de forma condescendente a essas tramas. A segunda opção era o arco religioso que sempre teve fluxo na trama. Era preciso ampliá-lo e tal qual o homem fizera durante toda a história da humanidade, apelar para o sobrenatural. Não está se criticando a opção narrativa dos produtores e roteiristas da série, está apenas elucidando-a e justificando-a.
Há, também, de se ressaltar que eles sempre garantiram respostas. Todas, a principio, e as mais importantes, ultimamente. De fato, eles forneceram muitas. Se eram as mais importantes não dá para dizer. Como não foram absolutas ( mais uma opção narrativa que se deve mais as circunstâncias do que a qualquer outra coisa) a mitologia da série vive. Vive por que seria um pecado encerrá-la, mas vive, primordialmente, porque seus autores não souberam por um ponto final na história. O tempo se incumbirá de fazê-lo.